rev bras ortop.2017;52(2):141–147
SOCIEDADE BRASILEIRA DE ORTOPEDIA E TRAUMATOLOGIA
w w w . r b o . o r g . b r
Artigo
Original
Transformac¸ão
maligna
na
osteomielite
crônica
夽
Diogo
Lino
Moura
∗,
Rui
Ferreira
e
António
Garruc¸o
CentroHospitalareUniversitáriodeCoimbra,Coimbra,Portugal
informações
sobre
o
artigo
Históricodoartigo:
Recebidoem6dejaneirode2016 Aceitoem6deabrilde2016
On-lineem4deoutubrode2016
Palavras-chave:
Osteomielite Tumoresmalignos
Carcinomadecélulasescamosas Transformac¸ãocelularneoplásica
r
e
s
u
m
o
Introduc¸ão: Degenerac¸ãocarcinomatosaéumacomplicac¸ãoraraetardiaquesedesenvolve décadasapósodiagnósticodeosteomielitecrônica.
Objetivos:Apresentarosresultadosdeumestudoretrospectivodeseiscasosdecarcinoma espino-celularemumcontextodeosteomielitecrônica.
Métodos:Identificamosseiscasosdecarcinomaespino-celularrelacionadosàosteomielite crônica.Acausaeascaracterísticasdaosteomieliteforamanalisadas,bemcomootempo decorridoatétransformac¸ãomaligna,ossinaisdesuspeitademalignizac¸ão,alocalizac¸ão eotipohistológicodocâncereotipoeosresultadosdotratamento.
Resultados: Otempomédioentreacausadaosteomieliteeodiagnósticodatransformac¸ão malignafoide49,17anos(intervalo:32a65).Ocâncerteveorigememosteomielitesda tíbiaemcincocasoseemumaosteomielitedofêmuremumcaso.Aanálisehistológica demonstroucarcinomaespinocelularcutâneoemtodososcasos.Todosospacientesforam estadiadoscomo N0M0,comexcec¸ãodeumqueapresentavaatingimentodosgânglios linfáticoslomboaórticos.Otratamentofoiaamputac¸ãoproximalaotumoremtodosos paci-entes.Nenhumdospacientesapresentousinaisderecidivalocaleapenasumdesenvolveu metastizac¸ãodocarcinomaespinocelular.
Conclusão:Odiagnósticoprecoceeaamputac¸ãoproximalaotumorsãofundamentaispara oprognósticoeosresultadosfinaisnatransformac¸ãomalignasecundáriaaosteomielite crônica.
©2016SociedadeBrasileiradeOrtopediaeTraumatologia.PublicadoporElsevierEditora Ltda.Este ´eumartigoOpenAccesssobumalicenc¸aCCBY-NC-ND(http:// creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/4.0/).
Malignant
transformation
in
chronic
osteomyelitis
Keywords:
Osteomyelitis Malignanttumors Squamouscellcarcinoma Neoplasiccelltransformation
a
b
s
t
r
a
c
t
Introduction:Carcinomatousdegenerationisarareandlatecomplicationdevelopingdecades afterthediagnosisofchronicosteomyelitis.
Objectives: Topresenttheresultsfromaretrospectivestudyofsixcasesofsquamouscell carcinomaarisingfromchronicosteomyelitis.
夽
TrabalhodesenvolvidonoCentroHospitalareUniversitáriodeCoimbra,Coimbra,Portugal.
∗ Autorparacorrespondência.
E-mail:[email protected](D.L.Moura).
http://dx.doi.org/10.1016/j.rbo.2016.04.007
Methods: Sixcasesofchronicosteomyelitisrelatedtocutaneoussquamouscellcarcinoma wereidentified.Thecauseandcharacteristicsoftheosteomyelitiswereanalyzed,aswellas timeuptomalignancy,thesuspicionsignsformalignancy,thelocalizationandhistological typeofthecancer,andthetypeandresultofthetreatment.
Results: Themeantimebetweenosteomyelitisonsetandthediagnosisofmalignant de-generationwas49.17years(range:32to65).Thecarcinomaresultedfromtibiaosteomyelitis infivecasesandfromfemurosteomyelitisinone.Thepathologicalexaminationindicated cutaneoussquamouscellcarcinomainallcases.AllthepatientswerestagedasN0M0, exceptforone,whoselomboaorticlymphnodeswereaffected.Thetreatmentconsisted ofamputationproximaltothetumorinallpatients.Nopatientpresentedsignsoflocal recurrenceandonlyonehadcarcinomametastasis.
Conclusion: Earlydiagnosisandproximalamputationareessentialforprognosisandfinal resultsincarcinomatousdegenerationsecondarytochronicosteomyelitis.
©2016SociedadeBrasileiradeOrtopediaeTraumatologia.PublishedbyElsevierEditora Ltda.ThisisanopenaccessarticleundertheCCBY-NC-NDlicense(http:// creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/4.0/).
Introduc¸ão
A osteomielite crônica é uma infec¸ão óssea duradoura e persistente provocada por complexas colônias de microrganismos envolvidos numa matriz de proteínas e polissacarídeos,obiofilme,queasprotegetantodosistema imunitáriodoorganismocomodaac¸ãodosantibióticos.1,2A
osteomielitepodeterorigemhematogênica,porcontiguidade deumfocodeinfec¸ãoouporinoculac¸ãodireta.1Aocontrário
daosteomielitehematogênica,aincidênciada osteomielite por contiguidade de um foco de infec¸ão com origem em traumatismo,cirurgiaouimplantestemaumentado.3
Onãotratamentoouinsucessonotratamentoda osteomi-eliteaguda,associadoafatorescomolesõesimportantesdos tecidosmolesenvolventes,pobrevascularizac¸ãoóssea, com-promissosistémicoemicrorganismosmúltiploseresistentes, conduzaumestadodeinfec¸ãoósseacrônicaerefratária,cuja atividade inflamatória constante tem como consequências adestruic¸ão ósseaepode favorecer o desenvolvimentode neoplasias.1,3 A incidência de transformac¸ão maligna em
osteomielitescrônicasémuitoreduzidanospaíses desenvol-vidos,noentantopermaneceumproblemaimportantenos paísescomcuidadosdesaúdemaisprecários.1
Asinfec¸õesporparasitaseoseuefeitonasinalizac¸ãodas célulasestaminaissãoumadasteoriasmaisantigasdaorigem docancro.4,5Aceita-seatualmentequepodemosestara
subes-timaraassociac¸ãoentreinfec¸ãocrônicaeodesenvolvimento deneoplasiasmalignas.5Algunsautoresadmitemquemaisde
25%dasneoplasiasmalignaspodemterorigemnainflamac¸ão crônicaeemagentesinfeciosos,háevidênciaelevadade algu-masdessasassociac¸ões,taiscomoentreSalmonellaTyphieo carcinomahepatobiliar;OpisthorchisviverrinieClonorchis sinen-siseocolangiocarcinoma;Schistosomahematobiumeocancro dabexiga;ahidradenitesupurativaecarcinomacutâneo espi-nocelular,entreoutros.5,6
Omecanismoexatodetransformac¸ãomalignapermanece desconhecido.Admite-seque,deformamultifatorial,oestado inflamatóriocrônicocomporta-secomoumagentepromotor nocomplexoprocessodacarcinogênese.1,6Atransformac¸ão
malignainicia-senapeleounoepitéliodafístulaeinfiltra ostecidosadjacentes, incluindooosso.7,8 Aprevalênciade
transformac¸ão malignana osteomielitecrónica varia entre 1,6 e 23%, os ossos mais atingidos são a tíbia e o fêmur. Atransformac¸ãomalignamaisfrequentementeencontrada é o carcinoma espinocelular da pele.1,5,9,10 O aumento da
drenagem fistulosa,a persistência, ocrescimento ou exofi-tose de uma úlcera ou massa podem ser sinais de alerta detransformac¸ãomaligna.1,11 Todosospacientescom
úlce-ras e fístulas associadas a osteomielite crónica devem ter seguimento frequente eatentoequalquer alterac¸ão carac-terística numa ferida crônica deve levantar a suspeita de transformac¸ãomaligna.8,12 Odiagnósticoéconfirmadocom
baseembiópsias,devemessasserefetuadasprecocemente emmúltiploslocaiseprofundidades,incluindoúlcera,fístula eosso,demodoaaumentaraprecisãodiagnósticae redu-zir onúmero defalso-negativos.10,12,13Após diagnóstico de
transformac¸ãomalignaéfundamentalestadiaradoenc¸a neo-plásica eavaliara presenc¸ademetástases adistância,por meiodeestudosportomografiacomputorizada,ressonância magnéticanuclearetomografiadeemissãodepositrões.12
O tratamento cirúrgico definitivo e o mais frequente-menteusado nessassituac¸ões, namedidaemqueamaior parte dos pacientes têm doenc¸a avanc¸ada, éa amputac¸ão proximal àneoplasia.7,10 Está indicada quimiorradioterapia
adjuvantenadoenc¸ametastáticaeemtumoresdealtograu.14
Em pacientes selecionados sem doenc¸a metastática pode--seoptarporexcisãotumoralalargadacomconservac¸ãodo membro.1
Oprincipalfatorprognósticoéoestadiamentodadoenc¸a neoplásica.8,10 Namaioriadoscasos,oscarcinomas
espino-celularesemosteomielitecrônicasãoagressivos,têm altos níveis de recidiva local ede metastizac¸ão. A metastizac¸ão é precoce, ocorre a maioria nos primeiros 18 meses após transformac¸ãomalignaelocaliza-seprincipalmentenos gân-glios linfáticos.15 Noentanto,seopaciente nãoapresentar
doenc¸ametastáticaduranteosprimeirostrêsanosealesão tumoral tiver sido corretamente excisada, o prognóstico é favorável.15Odiagnóstico precoceeotratamento agressivo
dastransformac¸õesmalignasdasosteomielitescrônicassão fundamentais para o prognóstico e os resultados finais.1
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Material
e
métodos
Foiefetuada umaanálise retrospectivadospacientes diag-nosticados com transformac¸ão maligna em contexto de osteomielitecrônica.Aavaliac¸ãofoifeitacombaseem con-sultadeprocessosclínicoseconsistiunaanálisedaetiologia da osteomielite crônica e das suas características, tempo decorridoatédiagnósticodatransformac¸ãomalignae moti-vosque conduziram aoseu diagnóstico, localizac¸ão etipo histológicodocancro,tratamentocirúrgico efetuadoeseus resultados.
Resultados
Apresenta-seumasériedeseispacientesdiagnosticadoscom transformac¸ão maligna de osteomielite crônica (tabela 1). Todos os pacientes sãodo sexomasculino. Verifica-se que emdoisterc¸osdaamostraaosteomielitecrónicateveorigem emtraumatismosocorridosnumaidadeprecoce,enquantoo outroterc¸oesteveassociadoaorigemhematogênica decor-rente de infec¸ões não especificadas ocorridas na infância. Todasascausastraumáticasdasosteomielites corresponde-ramafraturasexpostasdomembroinferior,comexcec¸ãode umpacientecujotraumatismonãofoipossívelapurarassuas características.Apernafoiosegmentoanatômicoatingidoem todosospacienteseatíbiacorrespondeaoossomais atin-gido.Emumdospacientes,apesardeaosteomieliteatingir osossosdaperna,essateveorigemnumafraturaexpostado fêmur,desenvolveutardiamenteumaúlceracrônicanaperna que viria a malignizar. Em83,33% dos pacientes a origem daosteomieliteocorreunainfância,enquantoumpaciente teveotraumatismoinicialaos39anos.Emtodosospacientes foramnecessáriasdécadasdeevoluc¸ãodaosteomieliteatéa malignizac¸ão,comvalormédiode49,17anos(mínimode32e máximode65).
Apresenc¸apersistentedeumaúlceracrónicafoiosinal de alarme presente em todos os pacientes dessa série. Foram também identificados outros sinais de suspeita de transformac¸ão maligna: em um dos pacientes verificou-se tambémoaumentodaintensidade dadrenagempurulenta fistulosae emoutroo aumentorecentedas dimensões da úlcera(figs.1-4).OStafilococosaureusfoidetectadoemtodasas análisesmicrobiológicas,aPseudomonasaeruginosaesteve pre-senteemdoispacienteseoProteusmirabilisemumpaciente. Emdoispacientesverificou-setambémfraturapatológicada tíbia,queétambémumadascomplicac¸õesdaosteomielite crônica(fig.4).
Otipodeneoplasiaencontradofoiocarcinoma espinocelu-larcutâneo,queseverificouemtodosospacientesdaamostra. Em 83,33% dos pacientes não foram detectados sinais de metastizac¸ão,enquantoumpacienteapresentavadados ima-giológicosquesugeriamatingimentodosgânglioslinfáticos lomboaórticos.Apesardeoestadiamentoinicialcorresponder aN0M0,foidetectadaapóscincomesesemumdospacientes umalesãolíticanaporc¸ãoproximaldofémurcontralateral, queveioaseconfirmartratar-sedeumametástasecom ori-gemnocarcinomaespinocelular.
Aescolhaterapêuticaemtodos ospacientesfoi a cirur-giamutiladora,notadamenteaamputac¸ãopeloterc¸odistalda coxa.Nopacientecomosteomielitecrônicadofêmure inva-sãodosgânglioslinfáticoslomboaórticos,adesarticulac¸ãoda ancaealinfadenectomianecessáriasobrigariamauma hemi-pelvectomia.Noentanto,devidoaosriscosinerentesaessa cirurgiaeàdificuldadedecoberturacutânea,optou-sepornão afazereprocedeu-seaumaamputac¸ãopaliativapeloterc¸o distaldacoxa.Nenhumdospacientesdesenvolveurecidiva local.
Àexcec¸ãodeum,todosospacientesdaamostranãoestão vivos.Noentanto,sóemumúnicopacienteéqueacausade morte esteverelacionadacomamalignizac¸ãoda osteomie-lite,enquantoemtodososoutrosamortefoiprovocadapor outrasdoenc¸asassociadas.Otempodevidaapósdiagnóstico
Figura1–PacienteLMM.A,radiografiacomsinaisdeosteomielitecrônicadatíbia;B,transformac¸ãomalignadaúlcera
r e v b r a s o r t o p . 2 0 1 7; 5 2(2) :141–147
Tabela1–Sériedepacientes
Paciente Causada
osteomielite Osso atingido Idadedo pacientena origemda osteomielite (anos) Tempo decorridoaté diagnóstico neoplásico (anos)
Sinaldesuspeita delesão neoplásica Agentes infecciosos Tipode neoplasia Graude metastizac¸ãono estadiamento inicial
Tratamento Tempodevida
apósdiagnóstico deneoplasia
(anos)
Idade(anos)à datadamortee
causa
JMB,♂ Fratura
expostado fêmur
Fêmur+Tíbia, Fíbula
7 65 Úlcerasem
respostaa tratamentoe aumentoda drenagem fistulosa Stafilococos aureuse Proteus mirabilis Carcinoma espinocelular cutâneo Gânglios linfáticos lombo--aórticos (N1M0) Amputac¸ão peloterc¸o distaldacoxa
8 80(acidente
vascular cerebral)
LMM,♂ Hematogênica
apósinfec¸ão não especificada
Tíbia 6 57 Úlcerasem
respostaa tratamento Stafilococos aureus, Pseudomonas aeruginosa Carcinoma espinocelular cutâneo
Não(N0M0) Amputac¸ão
peloterc¸o distaldacoxa
Vivo atualmente
–
JLF,♂ Hematogênica
apósinfec¸ão não especificada
Tíbia 7 62 Úlcerasem
respostaa tratamentoe crescimento recente Stafilococos aureus, Pseudomonas aeruginosa Carcinoma espinocelular cutâneo
Não(N0M0) Amputac¸ão
peloterc¸o distaldacoxa
2 71(acidente
vascular cerebral)
AJS,♂ Fratura
expostae esfaceloda perna
Tíbia 6 43 Úlcerasem
respostaa tratamento Stafilococos aureus Carcinoma espinocelular cutâneo
Não(N0M0) Amputac¸ão
peloterc¸o distaldacoxa
7 56(enfarte
agudodo miocárdio)
SCL,♂ Traumatismo
localnão especificado
Tíbia 10 32 Úlcerasem
respostaa tratamento Stafilococos aureus Carcinoma espinocelular cutâneo
Não(N0M0) Amputac¸ão
peloterc¸o distaldacoxa
1 43(Doenc¸a
renalcrônica)
AVS,♂ Fratura
expostada tíbia
Tíbia 39 36 Úlcerasem
respostaa tratamento Stafilococos aureus Carcinoma espinocelular cutâneo Não(N0M0) Desenvolveu metastizac¸ão posterior-mente. Amputac¸ão peloterc¸o distaldacoxa
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Figura2–PacienteJLF.A,radiografiacomsinais
deosteomielitecrônicadatíbia;B,transformac¸ãomaligna
daúlceraemcarcinomaespinho-celular.
deneoplasia foide3,8anos,comumvalormínimo deseis mesesevalormáximodeoitoanos.Opacienteque apresen-tavaosteomielitecrónicaconcomitantedofêmurtevecomo complicac¸ãoainfec¸ãodocotodeamputac¸ão,com necessi-dadedelimpezacirúrgicadofêmur(fig.5).
Discussão
Osestudosnaliteraturaanglo-saxônicasobretransformac¸ão maligna em osteomielite crónica são escassos, consistem sobretudo emcasos clínicosisolados.1 Apenas dois artigos
apresentam séries, um deles com seis casos e outro com sete casos.1,7,10 Este artigo representa, portanto, uma das
primeiras análises de uma série de pacientes diagnostica-doscomtransformac¸ãomalignaemcontextodeosteomielite crônica.
Oatingimentopredominantedosexomasculino estáde acordo com a literatura.1 Na nossa série, a maioria das
osteomielites crônicas teve origem num traumatismo. O traumatismocontinuaaseracausamaisfrequentede osteo-mielite,asfraturasexpostasdosossoslongosestãoassociadas aíndicesdeinfec¸ãode4a64%etaxaderecidivadainfec¸ão entre20e30%.9,10,16,17Atíbiaéoossomaisatingido,
segue--seofêmur,oqueestádeacordocomorelatadonasoutras séries.1,5,9,10
Osestudosnessaáreademonstramqueapresenc¸ade oste-omielitecrónicacomanosoudécadasdeevoluc¸ãoéofator maisimportante para asuamalignizac¸ão,varia entre 18e 72anosdesdeodiagnósticodaosteomieliteatéaodiagnóstico de malignizac¸ão.1,10,12 Em todos os pacientes desta
amos-tra verifica-se que foram necessárias décadas de evoluc¸ão daosteomieliteatésediagnosticaraosteomielite.O princi-palsinalde suspeitadetransformac¸ãomalignaencontrado foiapersistênciadeumaúlceraátona,quenãorespondeao
Figura3–PacienteAJS.A,radiografiacomsinaisdeosteomielitecrônicadatíbiaesinaisderesquíciosdechumbodebala
Figura4–PacienteAVS.Radiografiacomsinaisdeosteomielitecrônicadatíbia,fraturapatológica(A)enãoconsolidac¸ão
apósseissemanas(B).Transformac¸ãomalignadaúlceraemcarcinomaespinho-celular(C).
Figura5–A,radiografiadopacienteJMBaosseisanosdepós-operatóriodaamputac¸ãodacoxa,comsinaisradiográficos
deosteomielitedofêmur;B,fistulografiaquedemonstratrajetofistulosodeorientac¸ãoposterioreascendente,numa
extensãodecercade6,5cm,emcomunicac¸ãocomocanalmedulardofêmur.
tratamento,seguidodoaumentorecentedas dimensõesda úlceraeaumentodadrenagem.Ossintomasmais frequen-tes desuspeita de transformac¸ãomalignasão adrenagem acentuada,anãomelhoriadalesãoapóstrêsmesesde tra-tamento,seguem-selesãoaumentadaouexofítica,eritema, hemorragia,linfadenopatiae,menosfrequentemente, hiper-caliemia,perdadepeso,anorexiaehiperpigmentac¸ãodapele circundante.1OStafilococosaureus,talcomoemoutros
traba-lhos,foiomicroorganismomaisfrequentementedetectado.1
Atransformac¸ãomalignamaisfrequentenaosteomielite crô-nicaéocarcinomaespinocelularcutâneo,quecorresponde
aoúnicotipohistológiconeoplásicoencontradonasérieem estudo.1,5,9,10
Na maioria dos casos, como referido na introduc¸ão, os carcinomasespinocelularesemcontextodeosteomielite crô-nicasãoagressivosetêmaltosníveisderecidivalocalede metastizac¸ãoprecoce.15Apesardessesdados,noestudoatual
verificou-sequeasneoplasiasnãoapresentavamquandodo seudiagnósticosinaisdedoenc¸ametastáticaem83,3%(n=5) doscasos.Alamietal.7identificaramtambémestádiosN0M0
emtodososseispacientesdoseutrabalho,enquantoAltay
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apresentavam estádio N0M0, dois apresentavam estádio N1M0,umapresentavaestádioN1M1eooutrofaleceusem terfeitoestadiamento.Umdospacientesdessasérie, esta-diadocomoN0M0,veioadesenvolvermetástasesósseasem cincomeses.Essesdadosapontamparaumanecessidadede vigilânciaemonitorac¸ãoassíduadestescasos, incluindoos estadiadoscomoN0M0,oquesedeveàprecocidadeerapidez dadisseminac¸ãometastática.
Aamputac¸ãoproximalàlesãoéumtratamentocirúrgico quepermite resolvernãosóa lesãoneoplásicacomo tam-bémaosteomielitecrônica,éotratamentopadrão-ouronas transformac¸õesmalignasdasosteomielites.Emtodosos paci-entesdestaamostrafoiefetuadaumaamputac¸ãopeloterc¸o distaldacoxaeemnenhumdoscasossedesenvolveurecidiva local.Amédiadetempodesobrevivênciaapósdiagnósticoda neoplasiafoideapenas3,8anos.Issopode-seexplicarpor ofalecimentodequatrodoscincopacientestersidodevido aoutrasdoenc¸asassociadas,enãodevidoàmalignizac¸ãoda osteomieliteouaoprocedimentocirúrgicoefetuado(tabela1). Curiosamente,opacientecomvalormáximode sobrevivên-cia(oito anos)foi aqueleemqueseprocedeuàamputac¸ão paliativapela coxa eque apresentava osteomielitecrônica concomitantedofémuresuspeitadeatingimentodos gân-glioslinfáticoslomboaórticos.Aquestãoda necessidadede linfadenectomiaregionalpermanececontroversa,namedida emquemuitasvezesoaumentodasdimensõesganglionares éapenasreativoàinflamac¸ão.10Noentanto,admite-se
atu-almentequeseossinais delinfadenopatiapersistiremseis a12semanasapósaamputac¸ão,énecessáriaasuaexcisão cirúrgica.10,11Nocasoanterior,provavelmenteasadenopatias
lomboaórticasseriamreativas,enãopordoenc¸ametastática, oquepermitiuaopaciente sobreviverporoitoanosapóso diagnósticodocarcinomaespinocelular.
Conclusão
Atransformac¸ão malignaéumacomplicac¸ão rara etardia daosteomielitecrónica,cujossinaisclínicosdesuspeitasão necessáriosreconhecerprecocemente.Odiagnósticoprecoce pormeiodebiópsiaseotratamentoagressivodessaslesões sãofundamentaisparaoprognósticoeosresultadosfinais.
Conflitos
de
interesse
Osautoresdeclaramnãohaverconflitosdeinteresse.
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e
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n
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