• Nenhum resultado encontrado

Rev. bras. ortop. vol.52 número2

N/A
N/A
Protected

Academic year: 2018

Share "Rev. bras. ortop. vol.52 número2"

Copied!
8
0
0

Texto

(1)

SOCIEDADE BRASILEIRA DE ORTOPEDIA E TRAUMATOLOGIA

w w w . r b o . o r g . b r

Artigo

Original

Osteotomias

posteriores

de

três

colunas

para

tratamento

de

cifose

dorsal

rígida

Série

de

casos

Marcelo

Simoni

Simões,

Ernani

Vianna

de

Abreu

e

Bruno

Costamilan

Winkler

HospitalErnestoDornelles,PortoAlegre,RS,Brasil

informações

sobre

o

artigo

Históricodoartigo:

Recebidoem16dedezembro de2015

Aceitoem31demaiode2016 On-lineem1deoutubrode2016

Palavras-chave: Osteotomia Cifose

Curvaturasdacolunavertebral Doenc¸asdacolunavertebral

r

e

s

u

m

o

Objetivo:Avaliarosresultadoseascomplicac¸õesdeumasériedepacientessubmetidosa osteotomiasdastrêscolunasporabordagemposteriorparacorrec¸ãodecasoscomplexosde deformidadecifóticadorsalrígida.

Métodos:Revisãodosprontuáriosedasimagensde15casosconsecutivosdeosteotomias desubtrac¸ãopedicular,osteotomiasosso-disco-ossoouvertebrectomiasposteriorestotais, comregistrodasetiologias,tipoeníveldeosteotomia,extensãodafixac¸ão,complicac¸õese medidaspré-epós-cirúrgicasdascurvassagitaisedosparâmetrospélvicos.

Resultados: Foramfeitasseisosteotomiasdesubtrac¸ãopedicular,umaemduasvértebras adjacenteseduasosso-disco-ossoesetevertebrectomiasposteriorestotais,duasemduas vértebrasadjacentes.Asmédiasdecorrec¸ãoforamde39,3◦paraacifoseangulare33,9

paraacifosedorsaltotal.Ascorrec¸õesforamsemelhantes,independentementedotipode osteotomiausado,dosegmentoespinhaloperadooudaabordagememumoudoisníveis, masissopodeserefeitodaamostra.

Ocorreramoitocomplicac¸ões em seispacientes(40% dos casos),duasclínicas, cinco cirúgicas precocese umacirúrgicatardia(mais de90 diasapósa cirurgia).Houvetrês reoperac¸õescommenosdeumanodacirurgiainicialeumcasodeparaparesiamantida. As complicac¸ões clínicasforamresolvidassem sequelasmaiores. Não houveperda de correc¸ãosignificativaduranteosegmento,excetoemdoiscasosdefalhamecânicamaior porfraturadesegmentojuncional.

Conclusão:Emborasejamprocedimentoscomplexos,agressivosesujeitosacomplicac¸ões, asosteotomiascomressecc¸ãodastrêscolunassãoaltamenteeficazesnacorrec¸ãodas defor-midadescifóticasrígidasesegurasobastanteparajustificarseuusoemcasosselecionados. ©2016PublicadoporElsevierEditoraLtda.emnomedeSociedadeBrasileirade OrtopediaeTraumatologia.Este ´eumartigoOpenAccesssobumalicenc¸aCCBY-NC-ND (http://creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/4.0/).

TrabalhodesenvolvidonoHospitalErnestoDornelles,PortoAlegre,RS,Brasil.

Autorparacorrespondência.

E-mail:[email protected](B.C.Winkler). http://dx.doi.org/10.1016/j.rbo.2016.05.005

(2)

190

rev bras ortop.2017;52(2):189–196

Posterior

three-column

osteotomies

for

the

treatment

of

rigid

thoracic

kyphosis

A

case

series

Keywords: Osteotomy Kyphosis Spinalcurvatures Spinaldiseases

a

b

s

t

r

a

c

t

Objective: Toevaluatetheresultsandcomplicationsofaseriesofpatientswhounderwent three-columnosteotomyusingtheposteriorapproachforcorrectionofcomplexcasesof rigiddorsalkyphoticdeformity.

Methods: Reviewofclinicalrecordsandimagesof15consecutivecasesofpedicle subtrac-tionosteotomies,bone-disc-boneosteotomies,orvertebralcolumnresection,recordingthe etiology,typeandlevelofosteotomy,extensionoffixation,complications,andpre-and post-surgicalmeasurementsofthesagittalcurvesandpelvicparameters.

Results: Sixpediclesubtractionosteotomieswereperformed,oneofwhichintwoadjacent vertebrae,aswellastwobone-disc-boneosteotomiesandsevenvertebralcolumnresection, twoofwhichwereperformedintwoadjacentvertebrae.Themeancorrectionwas39.3◦for

theangularkyphosisand33.9◦fordorsalkyphosis.Thecorrectionsweresimilarregardless

ofthekindofosteotomy,theoperatedspinalsegment,ortheapproachinoneortwolevels, butthismaybeasampleeffect.

Eightcomplicationswereobservedinsixpatients(40%ofcases):twomedicalcomplications, fiveearlyandonelatesurgicalcomplication(over90daysaftersurgery).Therewerethree reoperationswithinlessthanoneyearfromtheinitialsurgeryandonecaseofpersistent paraparesis.Clinicalcomplicationswereresolvedwithoutsequelae.Therewasno signifi-cantlossofcorrectionduringthesegment,exceptintwocasesofmajormechanicalfailure duetoajunctionalsegmentfracture.

Conclusion: Despitebeingcomplexandaggressiveprocedures,pronetovarious complicati-ons,osteotomieswithresectionofthethreecolumnsarehighlyeffectiveinthecorrection ofrigidkyphoticdeformitiesandsafeenoughtojustifyitsuseinselectedcases.

©2016PublishedbyElsevierEditoraLtda.onbehalfofSociedadeBrasileirade OrtopediaeTraumatologia.ThisisanopenaccessarticleundertheCCBY-NC-NDlicense (http://creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/4.0/).

Introduc¸ão

Odesenvolvimentodacirurgiaespinhaltemfeitocomqueos cirurgiõesenfrentem casoscada vez maiscomplexos,com oobjetivonãomaisapenasdadescompressãomedulareda estabilizac¸ão,mastambémdacorrec¸ãodasdeformidadese darestituic¸ãodoequilíbriobiomecânicodacoluna.1

Naúltimadécada,asosteotomiasdesubtrac¸ãosetornaram popularesnomanejodasdeformidadesespinhais2,3e

passa-ramaserusadasemumaamplagamadesituac¸ões.Asem foconesteestudosão aosteotomiade subtrac¸ãopedicular (OSP),aosteotomiaosso-disco-osso(ODO)eavertebrectomia posteriortotal (VPT),todas técnicasde ressecc¸ãodas colu-nasposterior,médiaeanterior através deacesso posterior único,quepodemserusadasemdeformidadesmuitorígidas, comartrodeseouanquilosedastrêscolunas,oque proporci-onacorrec¸õesangularessignificativasemumúniconível,sem alongamentodaparteanteriordacoluna(fig.1).

Material

e

métodos

Trata-sedeumestudoretrospectivode15casosde pacien-tescomdeformidadecifóticaoucifoescolióticadorsalrígida de diversas etiologias,tratadoscirurgicamente, com acom-panhamentopós-operatório de seis a 60 meses (médiade

36 meses). Foramcoletadosdadosdosprontuáriose medi-dasdascurvaturasdacolunapelométododeCobbdequatro linhas. A lordose lombar e a cifose dorsal foram medidas entreospontosdeinversãodacurva,semconsideraronível (fig.2). Noscasosem quehouve maisde umacirurgia, os resultadosconsideraramasmedidastomadasapósaúltima abordagem.

Técnicacirúrgica

(3)

Figura1–Tiposdeosteotomiadastrêscolunas.(A)Osteotomiadesubtrac¸ãopedicular(OSP);ressecc¸ãodeumacunha

docorpovertebral.(B)Osteotomiasosso-disco-osso(ODO);ressecc¸ãodeumacunhacomoápicenodisco.(C)

Vertebrectomiaposteriortotal(VPT);ressecc¸ãodetodoocorpovertebralcomosdiscosacimaeabaixo.

Resultados

Dadosdaamostragem

Foramoperadoscinco homense10mulheresentre13e66 anos(médiade38,DP=±18,8).Houvequatrocasosdecifose pós-traumática (26,6%), quatro de cifoescoliosespor hemi-vértebra(26,6%), doisdemaldePott(13,3%), doisdecifose juncional(13,3%),umdedeformidadeapósfraturapatológica pormieloma múltiplo, umde cifoescoliosepor neurofibro-matose eumde cifose de Scheuermann rígidaem adulto.

Apenasosdoispacientescomcifosejuncional,naqualexistia fixac¸ãolongadacolunalombossacra,apresentavam desequi-líbriosagitalsignificativo.Emtodososoutroscasos,mesmo quehouvessecifosebastanteimportante,oequilíbriosagital globalfoimantidoàcustadehiperlordoselombareanteversão pélvicacompensatórias.

Existiacompressãomedularbastantesignificativaemnove dos15casos, masdéficitneurológicocompressivoem ape-nasdois (caso1, maldePott ecaso8,pós-neoplásico). No caso5,aparaplegiafoicausadapelotraumaagudo,nãopela deformidadetardia.

CA

CD

LL

EVS

IS

IP

10 cm

10 cm

Figura2–Métododetomadadasmedidasdecifoseangular(CA),inclinac¸ãosacra(IS),incidênciapélvica(IP),cifosedorsal

(4)

192

rev bras ortop.2017;52(2):189–196

ForamfeitosseisOSP(40%),umaemduasvértebras adja-centes(caso6),doisODO(13,3%)eseteVPT(46,7%),duasem duasvértebrasadjacentes(casos1e2).Umaosteotomiafoi feitanosegmentotorácicoproximal(T2aT4),sete(46,7%)no torácicomédio(T5aT9)esete(46,7%)notorácicobaixo(T10 aT12).

Osdadosestãosumarizadosnatabela1.

Resultadoscirúrgicos

Amédiadecorrec¸ãodacifoseangularfoide39,3◦(DP= ±14,6◦) edacifosetotalde33,9◦ (DP=

±17,7◦).Considerandoo seg-mentoabordado,acorrec¸ãodecifoseangularecifosedorsal total foi, respectivamente,na lesão dorsal alta (T2-T4) 33◦ e 22◦, nas lesões dorsais médias (T5-T9) 41,1(DP=± 13) e 35◦ (DP=

± 21,3◦) e nas dorsais baixas (T10-T12) 38,3◦ (DP=±17,7◦)e34,4(DP=

± 15,9◦).Considerandoo tipode osteotomiausado, acorrec¸ão decifose angularconseguida pelasODOfoide28◦(26e30),pelasOSPfoide41,5(de29 a53◦,DP=±9,4)epelasVPTfoide42(de10a63,DP=± 19,5◦). Houve recuperac¸ão neurológica completa nos dois casosqueapresentavamparaparesiapeladeformidade.

Complicac¸ões

Ocorreramoitocomplicac¸õesemseispacientes,mostradasna tabela2.Ascomplicac¸õesclínicasforamumatromboembolia pulmonareumatempestadetireóideaemumajovemcom hipotireoidismoqueinterrompeuamedicac¸ãoporconta pró-pria.Ambososcasosforamresolvidossemsequelasmaiores. Nocasodeneurofibromatose, houvelesão medular par-cialduranteavertebrectomia,quefoifeitaporviatransdural, pois as meningoceles abrac¸avam todo o contorno da vér-tebra. A paciente apresentou paresia da flexão dorsal do pé esquerdo no pós-operatório, compatível com a marcha ecom melhoriaprogressiva. Entretanto, setemeses depois da cirurgia a paciente retornou com paraparesia espás-tica severa. A investigac¸ão mostrou compressão medular importanteporumcistoaracnoideacimadaárea operada, provavelmentedecorrente deaderênciasdearacnoideapós aabordagemtransdural.Foifeitanovacirurgia,masa paci-ente permaneceu paraparética e espástica (caso 9, fig. 3). Houvetrêscomplicac¸õesmecânicasprecoces,umafalhade instrumentac¸ão(caso8,fig.4)eduasfraturasjuncionaisno últimonívelcaudal instrumentado,com perda decorrec¸ão pequena em uma e importante em outra, o que levou à descompensac¸ão do equilíbrio sagital (caso 11, fig. 5). Em nenhumdosoutroscasosfoidetectadaperdasignificativade correc¸ãoduranteoacompanhamento.

Discussão

As osteotomias de três colunas são cirurgias agressivas, geralmenteindicadasemsituac¸õesnasquaisoutrastécnicas demenorpotencialdemorbidadenãosãoaplicáveis,sejapor faltadeflexibilidadedacoluna,sejapelapresenc¸ade defor-midade angular focal severa.2 Sua vantagem primária é

permitiracorrec¸ãodedeformidadesrígidassemnecessidade deabordagemparaliberac¸ãoanterior.AOSPéatécnicamais

conhecida,existempublicac¸õesquedescrevemganhode30 a40grausdelordosepornívelabordado.4–6Nacolunadorsal,

seuusotemsidobemmaislimitadoeopotencialdecorrec¸ão nãoétãoclaro.7 Em1994,Lehmeretal.8reportaramquatro

casosfeitosnacolunadorsalbaixa,comcorrec¸ãomédiade 29,5 graus.Bridwell2relataganhosde aproximadamente25

graus.ComousodaVPTnacolunadorsal,Rajasekaranetal.9

relataram umamédiadecorrec¸ãode36grausemcasosde tuberculose, enquanto Shimode etal.5 relataram correc¸ões

médias de 56 graus em casos de cifoescoliose grave. Na presente série,ascorrec¸õesforam deaproximadamente 40 graus,semdiferenc¸asignificativaentreastécnicas.

Asosteotomiastorácicasdiferembastantedaslombares; primeiro, parapermitir umfechamento efetivoda osteoto-mia, as costelas que se articulam com os discos acima e abaixodevemserliberadas;segundo,porserfeitaemníveis nosquaishámedula,existeumlimitedemobilizac¸ãoóssea quepodeserfeitacomriscoaceitável.O’Shaughnessyetal.7

relataramque20a25mmdefechamentolaminarposterior podemsertoleradossemproblemasneurológicos,masesse valornãofoi validadoexperimentalmente.Tomita mostrou queoencurtamentomedularassociadoàretiradadeumcorpo vertebralequealigaduradevasossegmentaresematétrês níveisnãosãoproblema.10,11 GertzbeineHarris12postulam

que distorc¸ão da medula e pinc¸amentodo saco dural são riscos potenciais associados ao encurtamentoda colunae recomendam evitarcorrec¸ões demais de40◦. Na presente série, foram feitasressecc¸ões de atédois corpos vertebrais e correc¸ões de até 63 graus, sem complicac¸ões neurológi-cas.Oscuidadostomadosforamfazerdescompressõesmuito amplaselaminectomiadenomínimoumnívelacimaeabaixo dalesão,13oquepermiteobservac¸ãodosacoduraldurante

asmanobrasdecorrec¸ãoeevitadistorc¸õesporsubluxac¸ão, compressãooupinc¸amentodural.Amonitorac¸ão neurofisio-lógicatransoperatóriaéumpadrãodesejado,masfoiusada em apenas oitocasos (53%), porquestões de limitac¸ão de acessoempacientesprevidenciários.Naliteratura,a incidên-ciadedéficitsneurológicospós-operatóriosemosteotomias dorsaisébastantepequena,5,7,14,15 provavelmentedevidoao

grande cuidado com a manipulac¸ãomedular em todas as séries, além do fato de as estruturas nervosas resistirem bem melhorao encurtamentodosaco dural doque a seu estiramento.2 Opotencialparacomplicac¸õesneurológicasé

maior nas VPT do que nas OSP, umavez que existemais manipulac¸ãoeacolunaédeixadamaisinstávelnomomento da correc¸ão.2,13 Rajasekaranetal.9 relataram 17casos, com

umalesãoneurológicairreversível.Bakaloudisetal.16

relata-ramperdacompletadepotenciaisevocadosmotoresemum caso,commelhoriaimediataapósorelaxamentodacorrec¸ão esemdéficitclínicopós-operatório.Lenkeetal.17publicaram

umasériecom40VPTdecolunatorácica,semlesão medu-lar.Setepacientes,entretanto,apresentaramalterac¸õesnos potenciais evocados motores durante a cirurgia, cinco por subluxac¸ãovertebralduranteasmanobrasdecorrec¸ãoedois porencurtamentoexageradodamedula.Emtodososcasos os potenciais retornaram após correc¸ão da subluxac¸ão ou colocac¸ãodecagesmaiores.17Emoutrasérie,omesmoautor

(5)

r

e

v

b

r

a

s

o

r

t

o

p

.

2

0

1

7;

5

2(2)

:189–196

193

Caso SID Etiologia CP Déficitpré CAA IP EVSA CDA LLA ISA NOP NFIX TOS CAD EVSD CDD LLD ISD CORA

1 M-28 PósTBC 0 Paraparesia 60 60 4 52 48 36 T8+T9 T5-T12 VPC 21 2 33 40 31 39

2 M-48 PósTBC 0 105 59 6 82 46 40 T5+T6 T2-T10 VPC 42 4 44 40 38 63

3 F-54 TRM+Infecc¸ão 5 33 55 6,5 51 47 30 T12 T8-L3 VPC 4 5,5 43 50 30 29

4 M-16 CongênitA 0 78 66 −3 73 90 49 T11 T7-L2 VPC 20 2 43 70 45 58

5* F-27 PósTRM 0 Paraplegia 33 50 0 68 40 0 T11-T12 T9-L3 ODO 3 3 42 52 15 30

6 F-62 PósTRM 0 54 42 4,5 75 58 33 T8+T9 T5-T12 OSP 15 1 62 62 35 39

7 M-13 Congênita 0 63 42 3 90 90 40 T11 T8-L2 VPC 28 1 33 38 23 35

8 F-63 PósNEO 0 Paraparesia 70 60 5 72 50 30 T3 C2-T7 OSP 37 0 50 66 40 33

9 F-20 Displásica 0 90 50 1 126 78 38 T11 T8-L4 VPC 30 0 70 70 42 60

10 F-22 Congênita 0 42 68 −4,5 70 90 45 T7-T8 T2-L1 ODO 16 −2 44 70 50 26

11 F-66 Juncional 2 45 54 8,5 75 49 27 T9 T2-L3 OSP 16 6 44 49 30 31

12 F-37 Scheuermann 0 60 53 1,5 73 78 35 T11 T4-L3 OSP 14 0 40 60 35 46

13 M-17 CEH 0 30 64 −1 73 90 45 T10 T8-L3 VPC 20 0,5 52 70 39 10

14 F-48 PósTRM 1 63 60 0 108 89 36 T8+T9 T2-L2 OSP 14 −6 34 60 42 74

15 F-50 Juncional 1 75 66 36 106 50 47 T7 T2-IL OSP 22 8 66 74 45 53

CAA,cifoseangularpré-operatória(graus);CAD,cifoseangularpós-operatória(graus);CDA,cifosedorsaltotalpré-operatória(graus);CDD,cifosedorsalpós-operatória(graus);CORA,correc¸ão dacifoseangular(graus);CP,númerodecirurgiasprévias;EVSA,eixoverticalsagitalpré-operatório(centímetros);EVSD,eixoverticalsagitalpós-operatório(centímetros);IL,fixac¸ãosacroeilíacos; IP,incidênciapélvica;ISA,inclinac¸ãosacrapré-operatória(graus);ISD,inclinac¸ãosacrapós-operatória(graus);LLA,lordoselombarpré-operatória(graus);LLD,lordoselombarpós-operatória(graus); NEO,deformidadeapósneoplasiaóssea;NFIX,níveisfixados;NOP,nívelnoqualfoifeitaosteotomia;SID,sexo-idade;TOS,tipodeosteotomia;TRM,deformidadepóstraumática.

(6)

194

rev bras ortop.2017;52(2):189–196

Tabela2–Complicac¸ões

Caso Clínicasprecoces Cirúrgicasprecoces Cirúrgicastardias Reoperac¸ões Sequelas

03 Infecc¸ãoprofunda Curativocirúrgico

06 FraturadeT12 Perdadecorrec¸ão

08 Pulloutcervical Revisãodafixac¸ão

09 Lesãomedular Cistoaracnoide Ressecc¸ãodocisto Paraparesiaespástica

10 Crisetireóidea

11 TEP FraturadeL4 Perdadecorrec¸ão

pelomenos75mmHg,relaxaracorrec¸ãoe,seospotenciais não retornaremem seguida, remover ashastes e desfazer a correc¸ão, tentar novamente com outra estratégia após o retornodospotenciais.15Ocasodedéficitneurológicoda

pre-sentesérie nãofoi relacionadoàcorrec¸ãoda deformidade, ocorreu durante aressecc¸ão ósseafeita por via transdural no caso de neurofibromatose, com o paciente monitorado. Complicac¸õesmecânicassãomaiscomunsdoqueas neuroló-gicas,umavezqueadeformidadecifóticatemumatendência naturaldeprogressãoeasobrecargadainstrumentac¸ãonão érara,especialmentequandonãohánormalizac¸ãodo equi-líbriosagital.Emalgunscasosopacientepareceacostumado comaposic¸ãoanteriorizadadotroncoeaprojec¸ãodacabec¸a, buscaessetipodeposturamesmoapósacorrec¸ãoda defor-midade, o que sugere a existência de algum mecanismo neurológicoouproprioceptivo cominfluêncianahabilidade individualdemanteroequilíbriodocorpo.6Ascomplicac¸ões

mecânicas maisdescritassão a pseudartrose,as falhasda instrumentac¸ãoeaperdadecorrec¸ãocomotempo.A inci-dênciadepseudartrosenaliteraturavariade0a5%5,18,19eas

falhasdeinstrumentac¸ãoocorremematé8%doscasos, geral-menterelacionadascomcorrec¸ãoinsuficiente,osteoporoseou faltadesuporteanteriornasVPT.7,9,19Nessasérienãoocorreu

casodepseudartrose,apenasumpacientefoiacompanhado pormenosdeumano.Houvetrêscomplicac¸õesmecânicas precoces,umarrancamentodeparafusos(caso8,fig.4)eduas

fraturas da vértebrainferior instrumentada,ambas relacio-nadascomosteoporose.Oprimeirocasofoiumafixac¸ãode T5aT12,ocorreufratura porinsuficiênciaemT12.Aperda de correc¸ão foi pequena e o resultado clínico satisfatório, decidiu-senãoreabordar.Apósessecaso,acondutadogrupo foimodificadaeadefinic¸ãodosníveisdefixac¸ãodistal pas-souaserfeitaincluindooprimeironívelemlordose,como preconizadonotratamentodacifosedeScheuermann.20No

segundocasohouveumafraturadeL4comrepercussão sig-nificativanoequilíbriosagitalenoresultadofuncional,masa pacientenãofoireoperadaporhavercontraindicac¸ãoclínica (caso 11,fig.5). Comexcec¸ãodesses doiscasos defratura, não houveperda decorrec¸ãosignificativadurante o acom-panhamento.Essamanutenc¸ãodacorrec¸ãocomopassardo tempo nos casos não complicados foi observada na maio-riadasséries.8,10,11,17,21Comonãoexistemvaloresabsolutos

paradefinic¸ãodecifosenormal,osparâmetrosimportantes naavaliac¸ãodascorrec¸õessãoareduc¸ãoda cifoseangular e arestaurac¸ãodo equilíbrio sagital.22 Nessasérie, apenas

osdoiscasosdecifosejuncional,quetinhamfixac¸ões anti-gasdeT10aosacro,apresentavamdescompensac¸ãosagital significativa. Isso se deve a dois fatores: primeiro, o mais poderosomecanismoespinopélvicodecompensac¸ãosagital éoajustedalordoselombar,23,24lesõesquenão

comprome-temamobilidadelombarsãomaisfacilmenteequilibradas; segundo,porumaquestãodetrigonometria,quantomaisalto

Figura3–Cifoescolioseporneurofibromatosedisplásica,comrotac¸ãode90grausdeT11sobreT12,comcompressão

medular.PacienteapenascomhiperreflexiadosMMII,masrestritaaoleitopelador.(A)RXpanorâmico.(B)RMeRX

focalizadoquemostramadeformidadeangular,comcifoseT10-T12de90◦ecompressãomedular.(C)RMquemostraa

extensãodasmeningocelesaoredordadeformidadeangularelevaàabordagemtransdural.(D)RXpós-operatório,que

mostraboacorrec¸ãodadeformidade.(E)RMsetemesesapósacirurgiainicial,quemostracistoaracnoidenaextremidade

superiordainstrumentac¸ão,doisníveisacimadaVPT,comcompressãoedeslocamentoimportantesdamedula.Apaciente

(7)

Figura4–CifoseangularporfraturapatológicadeT3apóstratamentodemielomamúltiplo.Pacienteparaparéticacom

forc¸agrauIII.(A)Aspectoinicialnaressonânciamagnética,comcifoseT2-T4de70◦ecompressãomedular.(B)Tomografia

pós-operatória,quemostraboacorrec¸ãodadeformidade.(C)Radiografiaetomografiafeitasapósaalta,devidoaaumento

súbitodadorcervical.Osexamesmostramarrancamentodosparafusosdasmassaslateraiscervicais,compequenaperda

decorrec¸ão.(D)Aspectofinalapósnovaabordagem,naqualosparafusosdorsaisforammantidoseosimplantescervicais

substituídos,comextensãodafixac¸ãoatéC2.AradiografiaemortostasemostraalinhadeprumodeC7exatamentesobre

oaspectoposteriordoplatôdosacro(caso8).

onívelda cifose angular,menor seuimpacto noequilíbrio sagitalglobal,porestarmaisafastadodabase.25Emambos

oscasoshouvemelhoriadoeixovertebralsagital(EVS),sem normalizac¸ãocompleta.Noscasososteotomiaslombarespara

correc¸ãodedesequilíbriosagital,Roseetal.26concluíramque

acombinac¸ãoIP+CD-LL≤45◦temumvalorpreditivode91% paramanutenc¸ãodoequilíbriosagitalatédois anosapósa cirurgia.Nacolunadorsalesseprincípionãopareceserválido,

Figura5–ArtrodeseL3-S1haviamaisde10anos,evoluiucomestenoseL2-L3eextensãodafixac¸ãoparaT10haviatrês

anos,desenvolveucifosejuncionalprogressiva.(A)RXquemostraaconsolidac¸ãodaartrodeseantiga.(B)Extensãoda

fixac¸ãoatéT10,comdesenvolvimentodecifosejuncional.(C)RXpós-operatórioquemostraextensãodafixac¸ãoatéT2

eOSPdeT9,comboacorrec¸ãodacifose.Comoosegmentolombarestavafirmementeconsolidadoehavia12pontosde

ancoragemdistaisàosteotomia,foidecididofixarapenasatéL4.(D)RXde60diasapósacirurgiaquemostraperdada

lordoselombaredesequilíbriosagital.Apacienteimpulsionouotroncoaoselevantardeumacadeirabaixaesentiuum

estalonaregiãolombar.(E)DetalhedoRX,quemostraacunhamentodeL4eretificac¸ãolombar.Comoapacienteapresentou

tromboembolismopulmonarnopós-operatórioeestavaanticoagulada,alémdeoutrosproblemasclínicos,decidiu-se

(8)

196

rev bras ortop.2017;52(2):189–196

poisaperdadeequilíbrio queocorre comotemposedeve principalmenteàprogressãodacifosedorsal,émaisnotada emcasosnosquaisonívelsuperiorinstrumentadoestáabaixo de T5.26 Na presente série, apenas50% dos pacientes

pre-encheramessecritérioemesmoassimnãohouveperdade correc¸ão.

Considerac¸ões

finais

Mesmo que sejam procedimentos complexos, agressivos e sujeitosacomplicac¸ões,asosteotomiascomressecc¸ãodas trêscolunassemostrarambastanteeficazesesuficientemente segurasparacorrec¸ãodedeformidadessagitaisrígidas.Devido àgravidadedessetipodedeformidade,nosparecequeas oste-otomiastêmousoaltamentejustificadoemseutratamento.

Conflitos

de

interesse

Osautoresdeclaramnãohaverconflitosdeinteresse.

r

e

f

e

r

ê

n

c

i

a

s

1. GokceA,OzturkmenY,MutluS,Caniklio ˘gluM.Spinal osteotomy:correctingsagittalbalanceintuberculous spondylitis.JSpinalDisordTech.2008;21(7):484–8.

2. BridwellKH.Decisionmakingregardingsmith-petersenvs. pediclesubtractionosteotomyvs.vertebralcolumnresection forspinaldeformity.Spine(PhilaPa1976).2006;31(19):S171–8. 3. CostaRJF,CarelliLE,BarcellosALL,AraújoJuniorAEP,

SchetinoLCV.Correc¸ãodasdeformidadessagitaisfixas pelatécnicadeosteotomiadesubtrac¸ãopedicular(PSO). Coluna/Columna.2011;10(2):139–43.

4. LiF,SagiHC,LiuB,YuanHA.Comparativeevaluationof single-levelclosing-wedgevertebralosteotomiesforthe correctionoffixedkyphoticdeformityofthelumbarspine. Acadavericstudy.Spine(PhilaPa1976).2001;26(21):2385–91. 5. ShimodeM,KojimaT,SowaK.Spinalwedgeosteotomybya singleposteriorapproachforcorrectionofsevereandrigid kyphosisorkyphoscoliosis.Spine(PhilaPa1976).

2002;27(20):2260–7.

6. ChangKW,ChengCW,ChenHC,ChangKI,ChenTC. Closing-openingwedgeosteotomyforthetreatment ofsagittalimbalance.Spine(PhilaPa1976).2008;33(13): 1470–7.

7. O’shaughnessyBA,KukloTR,HsiehPC,YangBP,KoskiTR, OndraSL.Thoracicpediclesubtractionosteotomyforfixed sagittalspinaldeformity.Spine(PhilaPa1976).

2009;34(26):2893–9.

8. LehmerSM,KepplerL,BiscupRS,EnkerP,MillerSD, SteffeeAD.Posteriortransvertebralosteotomyforadult thoracolumbarkyphosis.Spine(PhilaPa1976). 1994;19(18):2060–7.

9. RajasekaranS,VijayK,ShettyAP.Single-stage

closing-openingwedgeosteotomyofspinetocorrectsevere post-tubercularkyphoticdeformitiesofthespine:a3-year follow-upof17patients.EurSpineJ.2010;19(4):583–92. 10.KawaharaN,TomitaK,BabaH,KobayashiT,FujitaT,

MurakamiH.Closing-openingwedgeosteotomytocorrect

angularkyphoticdeformitybyasingleposteriorapproach. Spine(PhilaPa1976).2001;26(4):391–402.

11.TomitaK,KawaharaN,BabaH,TsuchiyaH,FujitaT, ToribatakeY.Totalemblocspondylectomy.Anewsurgical techniqueforprimarymalignantvertebraltumors.Spine (PhilaPa1976).1997;22(3):324–33.

12.GertzbeinSD,HarrisMB.Wedgeosteotomyforthecorrection ofpost-traumatickyphosis.Anewtechniqueandareportof threecases.Spine(PhilaPa1976).1992;17(3):374–9.

13.BuchowskiJM,BridwellKH,LenkeLG,KuhnsCA, LehmanRAJr,KimYJ,etal.Neurologiccomplicationsof lumbarpediclesubtractionosteotomy:a10-yearassessment. Spine(PhilaPa1976).2007;32(20):2245–52.

14.ChunguangZ,LiminL,RigaoC,YuemingS,HaoL,

QingquanK,etal.Surgicaltreatmentofkyphosisinchildren inhealedstagesofspinaltuberculosis.JPediatrOrthop. 2010;30(3):271–6.

15.ChehG,LenkeLG,PadbergAM,KimYJ,DaubsMD,KuhnsC, etal.Lossofspinalcordmonitoringsignalsinchildrenduring thoracickyphosiscorrectionwithspinalosteotomy:whydoes itoccurandwhatshouldyoudo?Spine(PhilaPa1976). 2008;33(10):1093–9.

16.BakaloudisG,LolliF,DiSilvestreM,GreggiT,AstolfiS, MartikosK,etal.Thoracicpediclesubtractionosteotomyin thetreatmentofseverepediatricdeformities.EurSpineJ. 2011;20Suppl1:S95–104.

17.LenkeLG,SidesBA,KoesterLA,HensleyM,BlankeKM. Vertebralcolumnresectionforthetreatmentofseverespinal deformity.ClinOrthopRelatRes.2010;468(3):687–99. 18.SmithJA.Adultdeformity–Managementofsagittalplane

deformityinrevisionadultspinesurgery.ContempSpine Surg.2002;3(2):9–18.

19.SukSI,KimJH,LeeSM,ChungER,LeeJH.Anterior-posterior surgeryversusposteriorclosingwedgeosteotomyin posttraumatickyphosiswithneurologiccompromised osteoporoticfracture.Spine(PhilaPa1976).

2003;28(18):2170–5.

20.HerreroCFPS,PortoMA,BarbosaMHN,DefinoHLA.

Osteotomiassegmentaresmúltiplasparaacorrec¸ãodacifose. RevBrasOrtop.2009;44(6):513–8.

21.SukSI,KimJH,KimWJ,LeeSM,ChungER,NahKH.Posterior vertebralcolumnresectionforseverespinaldeformities. Spine(PhilaPa1976).2002;27(21):2374–82.

22.WinterRB,LonsteinJE,DenisF.Sagittalspinalalignment:the truemeasurement,norms,anddescriptionofcorrectionfor thoracickyphosis.JSpinalDisordTech.2009;22(5):311–4. 23.LafageV,SchwabF,SkalliW,HawkinsonN,GageyPM,

OndraS,etal.Standingbalanceandsagittalplanespinal deformity:analysisofspinopelvicandgravityline parameters.Spine(PhilaPa1976).2008;33(14):1572–8. 24.SchwabF,LafageV,BoyceR,SkalliW,FarcyJP.Gravityline

analysisinadultvolunteers:age-relatedcorrelationwith spinalparameters,pelvicparameters,andfootposition. Spine(PhilaPa1976).2006;31(25):E959–67.

25.OndraSL,MarzoukS,KoskiT,SilvaF,SalehiS.Mathematical calculationofpediclesubtractionosteotomysizetoallow precisioncorrectionoffixedsagittaldeformity.Spine(Phila Pa1976).2006;31(25):E973–9.

Imagem

Figura 2 – Método de tomada das medidas de cifose angular (CA), inclinac¸ão sacra (IS), incidência pélvica (IP), cifose dorsal (CD), lordose lombar (LL) e eixo vertical sagital (EVS).
Figura 3 – Cifoescoliose por neurofibromatose displásica, com rotac¸ão de 90 graus de T11 sobre T12, com compressão medular
Figura 4 – Cifose angular por fratura patológica de T3 após tratamento de mieloma múltiplo

Referências

Documentos relacionados

O manejo da intoxicac ¸ão aguda para todos os indivíduos deve ser focado nas complicac ¸ões clínicas apresentadas, como correc ¸ão da hipoglicemia, hipomagnesemia ou manejo da

Todos os pacientes desarticulados por causa tumoral foram capazes de marcha com membro protético, enquanto na causa vascular apenas dois fizeram marcha com prótese e 19

Those authors observed a rate of operative wound complications of 60%, being more frequent in the group of ischemia associated with infection (in 83%).. Most common types

Objetivo: Diversos estudos demonstram que pacientes submetidos à artroplastia total do joe- lho (ATJ) tendem a manter ou a ganhar peso corporal após o procedimento, o que

As observed in the present study, there was no significant reduction in body mass after surgery, and 54% of the patients presented weight gain.. Of the three groups, only the group

O tratamento cirúrgico das lesões do manguito rotador (LMR) tem sido cada vez mais indicado e a técnica artroscó- pica é a mais difundida nos últimos anos, 1 devido à

Ultrasound evaluation of arthroscopic full-thickness supraspinatus rotator cuff repair: single-row versus double-row suture bridge (transosseous equivalent) fixation. A

Em 72 dos 86 membros, o nervo mediano estava posicionado entre as cabec¸as umeral e ulnar do MPR; em 11, esse encontrava-se através da massa muscular da cabec¸a ulnar do MPR e em