• Nenhum resultado encontrado

Braz. j. . vol.83 número3

N/A
N/A
Protected

Academic year: 2018

Share "Braz. j. . vol.83 número3"

Copied!
3
0
0

Texto

(1)

BrazJOtorhinolaryngol.2017;83(3):367---369

www.bjorl.org

Brazilian

Journal

of

OTORHINOLARYNGOLOGY

RELATO

DE

CASO

Vertebral

artery

dissection:

an

important

differential

diagnosis

of

vertigo

Dissecc

¸ão

da

artéria

vertebral:

um

importante

diagnóstico

diferencial

de

vertigem

Maíra

da

Rocha

,

Bruno

Higa

Nakao,

Evandro

Maccarini

Manoel,

Guilherme

Figner

Moussalem

e

Fernando

Freitas

Gananc

¸a

UniversidadeFederaldeSãoPaulo(UNIFESP),DepartamentodeOtorrinolaringologiaeCirurgiadeCabec¸aePescoc¸o,SãoPaulo, SP,Brasil

Recebidoem10demarçode2015;aceitoem18deagostode2015 DisponívelnaInternetem21demarçode2017

Introduc

¸ão

A dissecc¸ão da artéria vertebral (DAV) é um importante

diagnóstico diferencial no paciente com vertigem, sendo

possível a confusão commigrânea vestibular.Pode causar

acidentevascularencefálico(AVE)emjovensesua

incidên-ciaestimadaéde1a1,5em100.000porano.1

Relato

de

caso

S.V., gênero feminino, 34 anos, referia cefaleia temporal à esquerda com irradiac¸ão occipital e cervical posterior contínua, em pontada de forte intensidade, com início havia dois dias. No dia seguinte, comec¸ou a apresentar

DOIserefereaoartigo:

http://dx.doi.org/10.1016/j.bjorl.2015.08.020

Como citar este artigo: Rocha M, Nakao BH, Manoel EM,

MoussalemGF,Gananc¸aFF.Vertebralarterydissection:an impor-tant differential diagnosis of vertigo. Braz J Otorhinolaryngol. 2017;83:367---9.

Autorparacorrespondência.

E-mail:[email protected](M.Rocha).

A revisão por pares é da responsabilidade da Associac¸ão BrasileiradeOtorrinolaringologiaeCirurgiaCérvico-Facial.

vertigemincapacitante, vômitoscom pioriaaos movimen-tos cefálicos. Foi ao hospital e obteve melhoria parcial com uso de antivertiginosos e analgésicos. Foi subme-tida à tomografia computadorizada de crânio (normal) e liberada com hipótese diagnóstica de migrânea vestibu-lar.Horasdepois,evoluiucomdiplopia,disfagia, disfonia, dificuldade para tossir e oscilopsia, quando retornou ao hospital e foi internada. Antecedentes: hipotireoidismo; migrânea(cefaleianoperíodopré-menstrualhaviaoitoanos dotipo pulsátil, frontal, que cedia com o uso de analgé-sicoscomuns); usode contraceptivo oral. Negava história de trauma cervical. Ao exame físico, no momento da internac¸ão,apresentavamarchalentificadaedebase alar-gada,ptose,enoftalmiaemioseàesquerda,comnistagmo espontâneohorizontalpara adireita depadrãoarrítmico. Àsprovascerebelaresapresentavadismetriaintensae eudi-adococinesia. Constatou-se hipoestesia tátil em hemiface esquerda e hemicorpo direito, esse com hipoestesia tér-mica associada. Não houve alterac¸ão de forc¸a muscular. Fez-se angiorressonância de artérias carótidas e verte-braisque evidencioudissecc¸ão da artéria vertebral(DAV) esquerda,cominfartopóstero-inferiordobulbo(figs.1-3). Ainvestigac¸ãodedoenc¸aautoimunefoifeitapormeioda pesquisa de autoanticorpos e foi negativa, assim como a investigac¸ãode doenc¸as infecciosas(HIV, sífilis, culturas). Ovideo head impulse testsugeriu hipofunc¸ão comganho

(2)

368 RochaMetal.

Figura1 Angiorressonânciademonstrafalhadeenchimento

emartériavertebralesquerda,sugestivadedissecc¸ãodaartéria vertebral.

Figura2 Angiorressonânciademonstrafalhadeenchimento

emartériavertebralesquerda(visãoposterior).

Figura3 Ressonânciamagnéticadeencéfaloponderadaem

T2,emcorteaxial,comhipersinalemregiãoposteroinferiordo bulbo.

diminuídonoscanaislateraleanterioresquerdo(fig.4).A anticoagulac¸ãofoiinstituídaduranteainternac¸ão,com eno-xaparina em dose plena, substituída posteriormente pela varfarina. Obteve melhora clínica lenta e graduale rece-beualtahospitalarapós18diasdeinternac¸ão.Atualmente, apóstrêsmesesdealtahospitalar,estáemreabilitac¸ão ves-tibularefazfisioterapiadiária,commelhoriaprogressivada coordenac¸ãomotora.Deambulasemajuda,masaindacom levedesequilíbrio.

Discussão

As doenc¸asdotecidoconectivoe otraumasãofatoresde risco daDAV, porém esses estão ausentes na maioria dos pacientes,oquedemandafortesuspeic¸ãoclínicaparaseu diagnóstico.1

Aassociac¸ãocom a migrâneaé conhecidae essa pode atuar como fator predisponente para a DAV não traumá-tica.Postula-sequeepisódiosrepetidosdemigrâneapossam tornarasartériasenvolvidasvulneráveisàdissecc¸ão.2

Em uma revisão sistemática, a vertigem foi o sintoma maiscomum, presenteem 58% dos casosde DAV, seguida pelacefaleiaedorcervical,queforamossintomasiniciais em 67% desses.1 A artéria vertebralpode nutrir a artéria

espinhal anterior cervical, com associac¸ão descrita entre DAVeisquemiadamedulacervical.3

(3)

Vertebralarterydissection:animportantdifferentialdiagnosisofvertigo 369

Teste de impulso lateral: 28/04/2014 15:17 Operador do teste: Administrador padrão

Teste de impulso LARP: 28/04/2014 15:20 Operador do teste: Administrador padrão

Média esquerda: 0,45, σ: 0,12 Média direita: 0,94, σ: 0,39

Média AE: 0,27, σ: 0,37

Média PD: –0,14, σ: 0,21

Média esquerda Média direita Média AE Média PD AE PD Esquerdo Direito Ganho

Velocidade da cabeça e dos olhos Velocidade da cabeça e dos olhos

1,6 300 200 0 –100 300 200 0 –100 –140 1,4 1,2 1,0 0,8 0,6 0,4 0,2 0,0

40 60 80 100120140160180200 300 0 560 –140 0 560

Velocidade de pico (grau/seg) Lateral esquerda (ms)

300

200

0

–100

–140 0 560

Anterior esquerda (ms)

Lateral direita (ms)

Velocidade da cabeça e dos olhos

Velocidade da cabeça e dos olhos

300

200

0

–100

–140 0 560

Posterior direita (ms)

220240260280 Ganho 1,2 1,0 0,8 0,6 0,4 0,2 0,0

40 60 80 100120140160180200 300

Velocidade de pico (grau/seg)

220240260280

Figura4 Videoheadimpulsetestevidenciaganhodiminuído noscanais lateraleanterioresquerdo. Esquerdo, canallateral

esquerdo;Direito,canallateraldireito;AE,canalanterioresquerdo;PD,canalposteriordireito.

Horner e síndrome cerebelar ipsilaterais e hemianestesia termoálgicadocorpocontralateral.4

OtratamentoparaaDAVéaanticoagulac¸ão,excetono acometimentointracraniano,peloriscodehemorragia suba-racnoidea.Instituídaprecocemente,melhoraoprognóstico, o que justifica a importância do diagnóstico precoce.1,2

Devidoaospossíveisefeitos adversosdos anticoagulantes, prefere-se, muitas vezes, o uso de antiplaquetários.2 O

estudoCADISS,quefoioprimeiroensaioclínicorandomizado acompararotratamentoantiplaquetáriocomo anticoagu-lanteparaa dissecc¸ãoextracraniana dasartériascarótida e vertebral, não detectou diferenc¸a entreosgrupos para morteouAVE,apóstrêsmesesdetratamento.5

O acidente vascular encefálico foi encontrado em 63% doscasos,commaiorprevalêncianadissecc¸ão extracrani-ana;e ahemorragiasubaracnoideafoiobservadaem 10%, todoscomDAVintracraniana,provavelmenteporseulongo percurso no espac¸o subaracnoideo.1 Ao estudar os

infar-tosbulbares,Kimetal.atribuíramàDAV9,2%dototalde casos,34,5%desses causadosporaterosclerosedegrandes vasos,destacadacomoaprincipaletiologia.6Amaioriados

casosdeDAVapresentaevoluc¸ãofavorável,comprognóstico reservadoemapenas10%dospacientes.1

Conclusão

Por se tratar de causa potencialmente tratável de AVE, aDAVdeveser consideradaem pacientescomvertigeme

dor craniocervical, mesmo sem fatores de risco. O diagnóstico precoce é fundamental, objetivando-se a anticoagulac¸ãoprecoce,commelhoradoprognóstico.

Conflitos

de

interesse

Osautoresdeclaramnãohaverconflitosdeinteresse.

Referências

1.GottesmanRF,SharmaP,RobinsonKA,ArnanM,TsuiM,Ladha K, et al. Clinical characteristics of symptomatic vertebral artery dissection. A systematic review. Neurologist. 2012;18: 245---54.

2.YenJ-C,ChanL,LaiY-J.Vertebralarterydissectionpresented aslateralmedullarysyndromeinapatientwithmigraine:acase report.ActaNeurolTaiwan.2010;19:275---80.

3.TakahashiPG,CuryRG,LopesCG,SimabukuroMM,MarchioriPE. Unilateralnontraumaticvertebralarterydissectionwithcervical spinalcordinfarction.ArqNeuropsiquiatr.2012;70:162. 4.SarrazinJ-L,ToulgoatF,BenoudibaF.Thelowercranialnerves:

IX,X,XI,XII.DiagnIntervImaging.2013;94:1051---62.

5.CADISStrialinvestigators,MarkusHS,HayterE,LeviC,Feldman A,VenablesG,etal.Antiplatelettreatmentcomparedwith anti-coagulationtreatmentforcervicalarterydissection(CADISS):a randomisedtrial.LancetNeurol.2015;14:361---7.

6.Kim K, Lee HS, Jung YH, Kim YD, Nam HS, Nam CM, et al.

Imagem

Figura 1 Angiorressonância demonstra falha de enchimento em artéria vertebral esquerda, sugestiva de dissecc ¸ão da artéria vertebral.
Figura 4 Video head impulse test evidencia ganho diminuído nos canais lateral e anterior esquerdo

Referências

Documentos relacionados

Neste estudo, as imagens de tomo- grafia computadorizada foram usadas para medir a largura do CF em níveis específicos (segmento labiríntico, gânglio geniculado, segmento

In this study, we use computed tomography images to measure the diameter of the FC at particular levels (labyrinthine segment, geniculate ganglion, tympanic seg- ment, second

Objetivos: Avaliar a frequência de invasão da glândula tireoide em pacientes com carcinoma espinocelular avanc ¸ado de laringe ou hipofaringe submetidos a laringectomia total

Objectives: To evaluate the frequency of invasion of the thyroid gland in patients with advanced laryngeal or hypopharyngeal squamous cell carcinoma submitted to total laryngectomy

Estudos sobre a relac ¸ão entre tumores de glândulas salivares e miRNAs são limitados. Mitani et al. estudaram os perfis de miRNA de amostras de CCA em comparac ¸ão com

Although there was no difference in saliva samples between groups, according to tissue and serum samples miR-21 and 30e may have an important role; since they were down-regulated

Em nosso estudo, as pacientes do sexo feminino na pós- -menopausa apresentaram tendência a uma obstruc ¸ão mais grave das vias respiratórias para todos os níveis, com um

In our study, post-menopausal female patients showed a tendency with a more severe airway obstruction for all obstruction sites, with significantly higher value in both lateral