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Rev. Bras. Ciênc. Esporte vol.39 número3

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www.rbceonline.org.br

Revista

Brasileira

de

CIÊNCIAS

DO

ESPORTE

ARTIGO

ORIGINAL

Comparac

¸ão

de

dois

testes

indiretos

anaeróbicos

em

futebolistas

profissionais

e

suas

correlac

¸ões

com

o

desempenho

aeróbico

Saulo

Fernandes

Melo

de

Oliveira

a,∗

,

Luciano

Machado

Ferreira

Tenório

de

Oliveira

b

,

Jorge

Luiz

Brito-Gomes

c

,

Raphael

José

Perrier

Melo

c

,

Manoel

da

Cunha

Costa

d

e

Fernando

José

de

Pereira

Guimarães

d

aUniversidadeFederaldePernambuco,CentroAcadêmicodeVitória,NúcleodeEducac¸ãoFísicaeCiênciasdoEsporte,Recife,

PE,Brasil

bAssociac¸ãoCaruaruensedeEnsinoSuperior,Caruaru,PE,Brasil

cUniversidadedePernambuco/UniversidadeFederaldaParaíba(UPE/UFPB),ProgramaAssociadodePós-Graduac¸ãoemEducac¸ão

Física,Recife/JoãoPessoa,PEePB,Brasil

dUniversidadedePernambuco,EscolaSuperiordeEducac¸ãoFísica,LaboratóriodeAvaliac¸ãodaPerformanceHumana,Recife,PE,

Brasil

Recebidoem17dejunhode2015;aceitoem4demaiode2017 DisponívelnaInternetem30demaiode2017

PALAVRAS-CHAVE

Avaliac¸ãodo

desempenho;

Testesdeesforc¸o;

Esporte; Futebol

Resumo Paracompararecorrelacionardoistestesanaeróbicoscomapotênciaaeróbicanove jogadores defutebol passaramporavaliac¸õesao longode trêsdias:Wingate (dia1), yo-yo

intermitente (dia2) erunninganaerobic sprint(RAST,dia3).Foramconsideradas a

potên-ciamáximaabsolutaerelativa(Pmax),potênciamédiaabsolutaerelativa(Pmed),oíndice de fadiga(IF%) eoVO2máx.Apenas aPmedrelativa foidiferente entreostestes (p<0.05). Foramverificadasassociac¸õesentreaPmaxePmedabsolutascomoVO2máx(r=-0,69,p<0,05; r=-0,81;p<0,05)noWingate;entrePmaxabsolutaeoIF%comoVO2máx (r=-0,83,p<0,01; r=-0,86;p<0,01)noRAST.Conclui-sequeapenasoRASTpossuiassociac¸õescomacapacidade aeróbica.

©2017Col´egioBrasileirodeCiˆenciasdoEsporte.PublicadoporElsevierEditoraLtda.Este ´e umartigoOpenAccesssobumalicenc¸aCCBY-NC-ND(http://creativecommons.org/licenses/ by-nc-nd/4.0/).

Autorparacorrespondência.

E-mail:[email protected](S.F.Oliveira).

http://dx.doi.org/10.1016/j.rbce.2017.05.002

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KEYWORDS

Performance evaluation;

Efforttest;

Sports; Soccer

Comparisonoftwo anaerobicindirect testsin professionalsoccerplayers andtheir correlationswithaerobicperformance

Abstract Tocompareandcorrelatetwoanaerobictestswithaerobicpower,9soccerplayers performed3daysofevaluations:wingate(day1),interminingyo-yo(day2)andrunning ana-erobicsprinttest(RAST,day3).Theabsoluteandrelativemaximumpower(Pmax),absolute andrelativemeanpower(Pmed),fatigueindex(IF%)andVO2maxwereconsidered.OnlyPmed relativewasdifferentbetweenthetests(p<0.05).Therewereassociationsbetweenabsolute PmaxandPmedwithVO2max(r=-0.69,p<0.05,r=-0.81,p<0.05)inWingate;Betweenabsolute PmaxandIF%withVO2max(r=-0.83,p<0.01,r=-0.86,p<0.01)intheRAST.Weconcludethat onlyRASThasassociationswithaerobiccapacity.

©2017Col´egioBrasileirodeCiˆenciasdoEsporte.PublishedbyElsevierEditoraLtda.Thisisan openaccessarticleundertheCCBY-NC-NDlicense( http://creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/4.0/).

PALABRASCLAVE

Evaluacióndel

rendimiento;

Pruebadeesfuerzo;

Deportes; Fútbol

Comparacióndedospruebasindirectasanaeróbicasenjugadoresdefútbol profesio-nalesysuscorrelacionesconelrendimientoaeróbico

Resumen Paracompararycorrelacionardospruebasanaeróbicasconlapotenciaaeróbica, 9jugadoresllevaronacaboevaluacionesdurante3días:Wingate(día1),yo-yointermitente (día2)yrunninganaerobicsprinttest(RAST,día3).Setuvieronencuentalapotenciamáxima absolutayrelativa(Pmáx),lapotenciamediaabsolutayrelativa(Pmed),elíndicedefatiga (IF%)yelVO2máx.SólolaPmedrelativafuediferenteentrelaspruebas(p<0,05).Seencontraron asociacionesentrePmáxyPmedabsolutaconelVO2máx(r=-0,69;p<0,05;r=-0,81;p<0,05) enWingateyentrePmaxabsolutaeIF%conelVO2máx(r=-0,83;p<0,01;r =-0,86;p <0,01) enelRAST.DeellosedesprendequesoloelRASTtienerelaciónconlacapacidadaeróbica. ©2017Col´egioBrasileirodeCiˆenciasdoEsporte.PublicadoporElsevierEditoraLtda.Estees unart´ıculoOpenAccessbajolalicenciaCCBY-NC-ND(http://creativecommons.org/licenses/ by-nc-nd/4.0/).

Introduc

¸ão

Entreaspossibilidadesdeverificac¸ãodonívelde condicio-namentodeatletasprofissionaisdefutebol,observa-seque os componentes relacionados às capacidades aeróbicas e anaeróbicassãoosque apresentammaiorassociac¸ãocom o nível de desempenho esportivo de atletas. Assim, ape-sardegrandeparte dometabolismoenergético durantea partidadefutebolserderivadadosistemaaeróbico, nota--sequeasac¸õesespecíficasdamodalidadeexigemesforc¸os anaeróbicos,taiscomosprints,saltoseac¸õesdetransic¸ão defesa-ataque(Barros,2004).Nestesentido,diferentes pro-cedimentosdeanálisedacapacidadeaeróbicaeanaeróbica sãoutilizadosparadeterminaroníveldecondicionamento físicodessesatletas(Rampininietal.,2007).

Entreosmétodosexistentes,osprocedimentosdeanálise diretapormeiodeergoespirometriaapresentammaior fide-dignidadenaanálisedacapacidadeaeróbicaeanaeróbica, pois verificam as mudanc¸as na predominância energética pelaanálisedetrocasgasosasouatémesmonaaltarelac¸ão existente com a produc¸ão e acúmulo de lactato na cor-rentesanguínea(Harrisonetal.,2015;Denadaietal.,2002; Silva et al., 2010). No entanto, recursos desse tipo nem

sempre são disponíveis na rotina de treinamentos, além da necessidade de comparecimento dos atletas aos labo-ratóriosdeavaliac¸ão.Equipamentosportáteis,taiscomoo K4b2 (Eisenmannet al.,2003),para avaliac¸ão dosatletas no próprio localde treino, nãopermitem analisar grupos com muitos participantes participantes ao mesmo tempo, fatoquecontribuiparaalterac¸õesnegativasna rotinados clubes.

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éasimilaridadedasac¸õesmotorasempregadas,ademanda energéticaduranteaspartidas,eanaturezaprogressivado tipode esforc¸o,especialmentea alternância de predomí-nioentreosmetabolismosaeróbicoeanaeróbico(DalPupo etal.,2010;BarroseGuerra,2004).

Emrelac¸ãoaometabolismoanaeróbico,otestede Win-gate(Inbaretal.,1996)éumprocedimentoindiretodeuso frequenteentre atletasdediferentes práticas esportivas. O Wingate é, considerado interessante e viável devido à fácilaplicac¸ãodos mecanismoscomputadorizados integra-dos(hardware-software)existentes,queconseguemobtere interpretarasinformac¸õesadvindasdossensoresemtempo real. Neste sentido, outro protocolo disponível também usadoporclubes detodoo mundoéo RunningAnaerobic SprintTest(RAST),quemedeoníveldacapacidade anaeró-bicadeformasimilaraodeWingate,alémdeserigualmente difundidonomeiocientífico(Roseguinietal.,2008;Zagatto etal.,2009a,b).Entretanto,aescassezdeinformac¸ões com-parativas sobre as medidas obtidas pelo RAST e Wingate impedequeelassejamusadascomoprotocolosde referên-ciaparaanáliseindiretadometabolismoanaeróbico.

Dadasessascondic¸ões,nota-sequeescolherosmelhores testesdeavaliac¸ãodascapacidadesaeróbicaeanaeróbica é tarefaextremamente importante paraclassificar o con-dicionamentofísicodosatletas,dentrodascaracterísticas específicaspresentesnofuteboledentreaspossibilidades deaplicac¸ão dosprofissionais responsáveis.Noentanto, a maiorpartedosestudoscomestefocopublicados internaci-onalmenteabrangejogadoresdebaixaidadeeparticipantes de equipes juvenis e/ou universitárias (Ramírez-Campillo etal.,2015;Haddadetal.,2015;Loydetal.,2015).Dessa forma,verificarasrelac¸õesentrecomponentesdos meta-bolismosaeróbicoseanaeróbicosdeatletasprofissionaisde futeboléessencialparaoconhecimentocientíficoeo conse-quenteganhodequalidadenapreparac¸ãofísicadeequipes profissionais.

Nestesentido,estainvestigac¸ãotevecomoobjetivos: compararosparâmetrosanaeróbicosproduzidospordois testesindiretos(WingateeRAST),em atletasprofissionais defutebol;

verificarqualdesses protocolostemmelhores indicado-res de associac¸ão com um teste indireto do consumo de oxigênio corriqueiramente utilizado na prática do treina-mentoesportivo(TYI).

Valesalientarque,nosdoistestesanaeróbicos,avariável quemelhorrepresentaonívelderesistênciafísica (relaci-onadaàcapacidadederecuperac¸ãoaeróbica)éoíndicede fadiga(IF%).Dostestesanaeróbicosescolhidos,aqueleque apresente valores de associac¸ão maiores entre o IF% e a capacidadeaeróbicadeveserescolhidopelasequipes téc-nicasdefutebol.NossahipóteseéqueoRAST,portratar-se de um protocolo de corrida de campo, possui melhores condic¸õesespecíficasdeaplicac¸ão.Portanto,espera-seque apresentemelhorcorrelac¸ãocomodesempenhoobtidono TYI.

Metodologia

A amostra foi composta por nove atletas profissionais de futebol do gênero masculino, integrantes da série A doCampeonato PernambucanodeFutebol,que aceitaram

Momento 1 Momento 2 Momento 3 48h

48h

1) Assinatura do tcle 2) Medidas antropo métricas

3) Teste de wingate Teste yo-yo Teste rast

Figura1 Desenhodoestudo.

participar voluntariamente da pesquisa e, depois da explicac¸ão dos procedimentos, assinaram o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE). A presente investigac¸ãoestádevidamenteprotocolizadanoComitêde Ética em Pesquisa da Associac¸ão Caruaruense de Ensino Superior(CEP-ACES,n◦112/2011),atendendoasnormasda

Resoluc¸ão196/96doConselhoNacionaldeSaúde.

Os critérios de inclusão para participac¸ão no estudo foram:

a)estarparticipandodotimeprincipal;

b)nãoestaremprocessodetratamentodelesões; c)serliberadopelodepartamentomédico.

Apósocritériodeselec¸ão,osatletasforamsubmetidosa avaliac¸ões,comintervalode48horas,conformedemonstra a figura 1. No momento 1, o laboratório de avaliac¸ão da FaculdadedeEducac¸ãoFísicadaACESfezotesteWingate.O segundoeoterceiromomentos(yo-yotesteRAST)foramno própriolocaldetreinamentodosatletas(campodefutebol). Em ambiente de laboratório, sob temperatura e umi-dade relativa devidamente controladas (24◦±2,0C/44%

umidade), foi realizado o teste de Wingate para mem-brosinferiores,pormeiodeumciclo ergômetrocom uma carga de trabalho equivalente a 7% da massa corpórea. Erasolicitadoaoatletaquepedalasseatéalcanc¸aramais alta velocidade possível; assim que ele atingia um nível consideradocomomáximo, liberava-seacargadurante os 30segundosdedurac¸ãodaprova.Com essetestefoi pos-sívelestimaraparticipac¸ãodosmetabolismosanaeróbicos aláticoeláctico.Também foipossível verificarapotência máxima(Pmax)absolutaerelativa,potênciamédia(Pmed) absolutaerelativa, eíndice defadiga(IF%)noteste Win-gate.

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algumsinalousintomadeexaustãodosatletas,otesteera interrompido,registrando-seamarcac¸ãodavelocidade cor-respondenteaoúltimoestágioconcluídocomsucessopelo avaliadoe, consequentemente,calculando amedida esti-madadoconsumomáximodeoxigênio(VO2max).

Na terceira e última etapa, houve o teste de corrida anaeróbica conhecido como RAST (Running Anae-robicSprintTest). Protocolooriginalmente idealizadopor

Zacharogianniset al. (2004), e, posteriormente, validado e testado por Zagatto et al. (2009a,b), o teste consis-tiu na execuc¸ão de seis corridas máximas de 30 metros, comintervalopassivodedezsegundosentreosestímulos, tendoostemposregistradosprecisamenteem nível cente-simal,porusodecronômetro.Com registrostemporaisde cadaestímulode30metrosfoipossíveldeterminara velo-cidade(distância/tempo),acelerac¸ão(velocidade/tempo), forc¸a (acelerac¸ão x massa) e potência (forc¸a x veloci-dade). A partir desses dados, foram considerados: Pmax (W)=maior valor de potência observado entre os seis estímulos; Pmed (W)=soma dos seis valores parciais de potência/6; (Pmin)=menor valor de potência; índice de fadiganotesteRAST(IF%)=[(Pmáx)---(Pmin)/(Pmáx)]x100%. Como complemento, todos os índices foram relativizados pelamassacorporal dosavaliados, afimde obterosseus equivalentesrelativos.

Para verificac¸ão dos pressupostos de normalidade dos dados procedeu-se estatística exploratória com determinac¸ãodasmedidasdetendênciacentrale variabili-dade.Testou-seanormalidadedosdadospormeiodoteste deShapiro-Wilk.Com ointuito decompararosvaloresde potênciaobtidosemambostestesanaeróbicos,recorreu-se atestesdecomparac¸ãodemédiaspareadas.Afimde deter-minararelac¸ãoentreosresultadosdepotênciaanaeróbica obtidos nos dois testes (Wingate e RAST), e o consumo máximodeoxigênioestimadopeloTYI,utilizou-se coefici-ente decorrelac¸ão dePearson, em virtude denão terem sido violados os pressupostos de normalidade ainda com número de participantes reduzido. Complementarmente, fizemos uma análise de regressão usando os parâmetros anaeróbicosqueapresentarammaiorescorrelac¸õescoma potênciaaeróbicaavaliadapeloTYI.Paraaquelasvariáveis queapresentaramresultadossignificantes,adicionalmente foicalculadooPoderdasanáliseseotamanhodosefeitos, usando o software G*Power (versão 3.1). Considerou-se significativoumvalordep≤0,05.

Resultados

Osdadosdescritivoscontendooperfilantropométricoe con-sumodeoxigênio verificadonoTYI estão apresentadosna

tabela1.

Aocompararmososíndicesanaeróbicosobtidospelosdois testes, verificamos que, para a Pmax absoluta e a Pmed absolutaerelativa,nãoforamobservadasdiferenc¸as esta-tisticamentesignificativasentreostestes(WingateeRAST). Contudo,aoanalisarmosa Pmaxrelativa e oIF%,pôde-se verificarque são encontradosvalores menores quando os sujeitosforam submetidos ao teste RAST em comparac¸ão aoWingate(tabela 2).Contudo,aoanalisarmoso Podere otamanhodoefeitodasanálises(0,18e0,26, respectiva-mente),verificaram-sevaloresbaixos(Field,2009);fatoque

Tabela 1 Dados descritivos dos sujeitos expressos em média±DP(n=9)

Variáveis Média Desvio-padrão

Peso,Kg 79,61 8,35

Estatura,cm 179,06 4,38

IMC,kg·m−2 24,81 2,14

Gorduracorporal,% 9,74 3,52

VO2máx,mL/kg/min−1 55,4 2,00

Tabela2 Valoresdescritivosecomparativosentreos parâ-metros adquiridos por meio dos dois testes anaeróbicos (WingateeRAST);Média±DP(n=9)

Parâmetros analisados

Testesanaeróbicos

RAST Wingate

Pmaxabsoluta(W) 835,2±115,2 816,4±224,2 Pmaxrelativa(W/kg)a,b 11,0±0,5 10,1±2,3 Pmedabsoluta(W) 597,7±58,8 636,2±143,3 Pmedrelativa(W/kg) 7,5±0,6 7,9±1,2

IF%a 11,3±1,25 51,0±7,74

Legenda:Pmax(potênciamáxima);Pmed(potênciamédia); a p<0.05;

b valoresexpressosemmedianaeamplitudeinterquartílica.

Tabela3 Coeficientesdecorrelac¸ãoentreosparâmetros de desempenho anaeróbico e aeróbico obtidos por testes indiretos

Parâmetrosdedesempenho anaeróbico

VO2máx

Wingate RAST

Pmaxabsoluta -0,690a -0,835b

Pmaxrelativa -0,426 -0,241

Pmedabsoluta -0,817b -0,530

Pmedrelativa -0,547 0,528

IF% 0,146 -0,867b

Legenda:Pmax(potênciamáxima);Pmed(potênciamédia);IF% (índicedefadiga);

a p<0,05; b p<0,001.

evidenciaresultadosnãoconsistentesdopontodevistada relevânciaestatística.

Os resultados relativos aos valores de coeficiente de correlac¸ão dePearson entre todos osíndices anaeróbicos obtidosestãonatabela3.

(5)

A

1500 1200

1100

1000

900

800

700

600

30 40 50 60 70

0 5 10 15 20 25

1000

500

0

30 40 50

VO2max (mL/kg/min–1) VO

2max (mL/kg/min–1)

Pmax absoluta

Pot

ência máxima absoluta (W) Pot

ência absoluta (W)

Pot

ência máxima relativa (W/kg)

Índice de fadiga (%)

Pmax relativa Pmax absoluta IF% 60 70

0 200 400 600 800 1000

B

Figura2 Retasderegressão entreparâmetrosdecapacidade anaeróbicae apotência aeróbica.(painelA). Correlac¸ãoentre potênciamáximaerelativa(absolutas)obtidaspelotesteWingatecomapotênciaaeróbica;(painelB)Correlac¸õesentreapotência máximaobtidapelotesteRast(n=9);Pmax(potênciamáxima);Pmed(potênciamédia);IF%(índicedefadiga).

RegressãopainelA:VO2máx=60,741-1,179·(Pmaxabsoluta)+0,533·(Pmedrelativa)[R2=0,36;p=0,06]

RegressãopainelB:VO2máx=80,431-0,322·(Pmaxabsoluta)-0,584·(IF%)[R2=0,70;p=0,01].

Ao analisaropodernasanáliseseosrespectivos tama-nhos doefeito, observou-seque, para a primeira análise (comparac¸ãodasmédias),otamanhodoefeito(TE) obser-vadofoiconsideradopequeno(TE=0,26),paraumpoderdas análisesdeterminadoem0,18.Jáparaasegundaetapadas análises,foramobservadosvaloresaltosparaotamanhodo efeito(TE=0,70),com umpoderdasanálises identificado em0,84.

Discussão

Os objetivos desta investigac¸ão foram comparar os parâ-metrosanaeróbicosproduzidospordoistestesindiretos,e, emseguida, verificarasassociac¸õesentretaisindicadores e a potência aeróbica avaliada por um teste de campo. Verificou-se que o teste que melhor se relacionou com a máxima capacidade aeróbicamedida pelo TYI foi o RAST. Optou-se pelo empregode testes deesforc¸o amplamente referenciados na literatura especializada (Dupont et al., 2010;Thomasetal.,2006)evalidadosparaaamostra seleci-onadanoestudo(Westonetal.,2009;Bangsboetal.,2008). Naanálisedecorrelac¸ãoentreasmedidasdepotência obti-dasnosdoistestesanaeróbicosapartirdosvaloresparao coeficiente de correlac¸ão, foram verificadosvalores tidos como moderados-altos(maiores 0,7),paraasvariáveis de potênciaabsoluta,relativaeíndicedefadiga.

No que diz respeito à comparac¸ão dos índices anaeró-bicos obtidos nos dois testes, observou-se que apenas a variávelPmed relativa e IF%apresentaramdiferenc¸as sig-nificativas,comotesteRASTapresentandomenoresvalores nessas variáveis. Estes achados reforc¸am a possibilidade de utilizac¸ão dos dois protocolos para determinac¸ão da potênciamáxima(absolutaerelativa),edapotênciamédia absolutaematletasprofissionaisdefutebol.Poroutrolado, os valores obtidos de potência média relativa devem ser analisadoscomcautelaparaessetipodeamostraem espe-cífico (atletas profissionais defutebol),tendoem vista as diferenc¸asencontradas.

Parte desses resultados contrários pode ser explicada pela necessidade de relativizac¸ão dos valores de Pmax e Pmed de acordo com a massa corporal do sujeito. Em ambos os casos, a carga de trabalho durante os sprints

permaneceamesma, sendoconsideradaa massacorporal em quilogramas,para o RAST,e umpercentual de massa corporal(precisamente 7%),para o Wingate, quando rea-lizado com os membros inferiores. No primeiro caso, o valordepotênciaobtidonosomatóriodotempodossprints

sucessivos, apesar de calculado por meio da massa cor-poral do sujeito, é novamente relativizado pelo mesmo valor para determinac¸ão dos valores individuas de cada atleta. De forma contrária, nos procedimentos preconi-zados pelo Wingate, os valores de potência absoluta são obtidoscom umpercentual relativoà massa corporal dos sujeitos e esta, por sua vez, não influencia os cálcu-lossubsequentespararelativizac¸ão e individualizac¸ão dos resultados.

Vale ressaltar que, em relac¸ão à validade ecológica, durante uma partida de futebolos atletas necessitam se deslocarem com rapidez nas ac¸ões de ataque e defesa, sendo essa movimentac¸ão com sustentac¸ão do peso cor-poral (Reilly et al., 2000; Little e Williams, 2003). Neste caso, consideramos o RAST o método maiseficiente para detectarasdemandasmaisespecíficasnometabolismo ana-eróbicoem comparac¸ãoaoWingate.Outrofatorquedeve serconsideradoapartirdosresultadosencontrados,éa ten-dênciadecorrelac¸ãonegativaentreosíndicesderesistência à fadiga (IF%) obtidos nos dois protocolos, evidenciando, novamente,aespecificidadedogestomotordosatletasde futebol,umavezqueaproduc¸ãodepotênciaem cicloergô-metro (Wingate) não guarda relac¸ão direta com a massa muscular envolvida no movimento e sua ativac¸ão neuro-motora, diferenciando consideravelmente da corrida em velocidade.

(6)

fadiga,hipoteticamente,estariam propensosaserem ava-liadoscomosujeitoscommaiorcapacidadedemanutenc¸ão doesforc¸o anaeróbico, sustentado, em parte, pelo meta-bolismo aeróbico representado pelo consumo máximo de oxigênio(VO2max).

Nessesentido,aoanalisaroscoeficientesdecorrelac¸ão entre parâmetros anaeróbicos, foram percebidas associac¸ões significativas entre as potências máximas absolutasdoWingateeRAST(r=-0,690e-0,835, respecti-vamente).Porém,apenasoIF%obtidopeloRASTapresentou correlac¸ões significativas com a potência aeróbica (r= - 0,867; p= 0,01). Esses achados confirmam, mais uma vez, a relac¸ão evidenciada entre os metabolismos aeróbicos e anaeróbicos que pôde ser detectada apenas peloRAST.Acreditamosque issosedeveà organizac¸ão do protocolodotesteporperíodosdecorridanamáxima velo-cidadeemdistânciade30metros,commínimosmomentos depausaentreasseistentativas.

Essesresultadospodemaindaserreforc¸adospelas aná-lisesderegressãoadicionais,queevidenciaramíndicesde determinac¸ãomaioresesignificativosaoconsideraraPmax absoluta e o IF% do RAST, em comparac¸ão com a Pmax absolutae aPmedabsolutaobtidaspeloWingate.Embora considerandoaamostradopresenteestudoreduzida, tais resultadosreforc¸amapossibilidadedeavaliac¸ãodo condi-cionamentoaeróbicopormeiodemetodologiaseprotocolos anaeróbicos,queguardemrelac¸ãoevalidadeecológicacom anaturezadoesforc¸orealizado,tal qualotesteRAST.Do pontodevistaprático,taisinformac¸õespoderiam economi-zartempoàsrotinasdeavaliac¸ãodosclubes,especialmente nosperíodoscompetitivos.

Do ponto de vista fisiológico, a pequena pausa entre os sprints realizada no teste RAST (aproximadamente 10 segundos) pode influenciar a recuperac¸ão parcial dos substratosenergéticosdometabolismo anaeróbico (Stolen etal., 2005), mediadopelo metabolismo aeróbico, típico para atividades físicas intermitentes (Impellizzeri et al., 2005).Contudo,cumpredestacarqueoconsumomáximode oxigênio(VO2máx)constitui-senumavariávelpoucosensível

aotreinamentofísico(Impellizzerietal.,2005;Impellizzeri et al., 2006), diferentemente de outros parâmetros tais como o lactatosanguíneo, a máxima velocidadeaeróbica e o tempo de deslocamento de sprints (Dupont et al., 2004).

Como principal limitac¸ão do presente estudo podemos destacar a verificac¸ão indireta das capacidades aeróbica e anaeróbica em detrimento daavaliac¸ão deoutros mar-cadores, ventilatórios e sanguíneos, importantes para o metabolismo energético. Ainda assim, acreditamos que, do ponto de vista prático, os resultados da presente investigac¸ãosãodegranderelevânciaparaostreinadores, pois apresentam associac¸ões entre as capacidades aeró-bicas e anaeróbicas, podendo ser aplicados por equipe técnica treinada e sem a necessidade de equipamen-tos ou instrumentos de alto custo. Vale ressaltar que em virtude do tamanhodo efeito considerado baixo, nas comparac¸ões existentes entre as medidas da Pmax rela-tiva verificada entre os testes, outras investigac¸ões são necessáriasparaidentificarasreaisdiferenc¸asentreos pro-tocolos.Recomenda-sequeessasanálisessejamrealizadas ematletasprofissionaisdefutebol,assimcomoapresente pesquisa.

Conclusão

O RAST e o Wingate podem ser usados para determinar os valoresde potência máxima relativa e absoluta, assim comoosvaloresdepotênciamédiaabsoluta.Contudo,para a medida dapotência média relativa, recomenda-se usar valores obtidos pelo RAST, devido à maior especificidade emvirtudedaac¸ãomotoradofutebol.Demaneira comple-mentar, oRASTmostrou-semaiseficaz paradeterminac¸ão dasdemandasdeesforc¸oematletasdefutebolprofissional, considerandosuas associac¸ões comacapacidade aeróbica avaliadaporumtestedecampoindireto.Nofuturo, reco-mendamos que os modelos matemáticos sejam validados com umaamostramaiordeatletasprofissionais, a fimde quantificar, por testes diretos e indiretos, quais variáveis anaeróbicas e aeróbicas têm a maior especificidade para avaliac¸ãododesempenhofísiconofutebolprofissional.

Conflitos

de

interesse

Osautoresdeclaramnãohaverconflitosdeinteresse.

Referências

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Figura 1 Desenho do estudo.
Tabela 2 Valores descritivos e comparativos entre os parâ- parâ-metros adquiridos por meio dos dois testes anaeróbicos (Wingate e RAST); Média ± DP (n = 9)
Figura 2 Retas de regressão entre parâmetros de capacidade anaeróbica e a potência aeróbica.(painel A)

Referências

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