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Rev. Bras. Ciênc. Esporte vol.39 número3

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Academic year: 2018

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www.rbceonline.org.br

Revista

Brasileira

de

CIÊNCIAS

DO

ESPORTE

ARTIGO

ORIGINAL

Turismo

futebolístico:

perfil

e

motivac

¸ões

do

torcedor

viajante

que

frequenta

o

‘‘novo’’

Mineirão

Erick

Alan

Moreira

Ferreira

a,b

e

Luciano

Pereira

da

Silva

c,d,∗

aUniversidadeFederaldeMinasGerais,BeloHorizonte,MG,Brasil

bInstitutoFederaldeEducac¸ão,CiênciaeTecnologiadoRiodeJaneiro,RiodeJaneiro,RJ,Brasil cUniversidadeFederaldeMinasGerais,DepartamentodeEducac¸ãoFísica,BeloHorizonte,MG,Brasil

dUniversidadeFederaldeMinasGerais,ProgramadePós-Graduac¸ãoInterdisciplinaremEstudosdoLazer,BeloHorizonte,MG,

Brasil

Recebidoem29desetembrode2016;aceitoem15defevereirode2017 DisponívelnaInternetem12demaiode2017

PALAVRAS-CHAVE

Futebol; Turismo; Torcedor; Estádio

Resumo Estetrabalhobuscouinvestigaroturismofutebolísticono‘‘novo’’Mineirão.Apartir dosresultadosdapesquisaempírica,observou-seumperfildetorcedorviajantequeseaproxima dasdefinic¸õesacercadotorcedorconsumidor.Emrelac¸ãoàmotivac¸ão,ofutebolconstitui-se oprincipalmotivodaviagem.Assim,aexperiênciadevivenciaroesporteinlocoeconhecero estádiosãofatoresquesecomplementam.

©2017Col´egioBrasileirodeCiˆenciasdoEsporte.PublicadoporElsevierEditoraLtda.Este ´e umartigoOpenAccesssobumalicenc¸aCCBY-NC-ND(http://creativecommons.org/licenses/ by-nc-nd/4.0/).

KEYWORDS

Football; Tourism; Fan; Stadium

Footballing tourism: profile and motivations oftraveler supporter who attends the ‘‘new’’Mineirão

Abstract Thisstudyaimedtoinvestigatethefootballtourisminthe‘‘new’’Mineirão.From theresultsofempiricalresearch,therewasatravelingfanprofilethatapproximatesthe defi-nitionsabouttheconsumerfan.Regardingmotivation,soccer.Itisthemainreasonforthetrip. Thus,theexperienceofexperiencingtheon-sitesportandknowthestadiumarefactorsthat complementeachother.

©2017Col´egioBrasileirodeCiˆenciasdoEsporte.PublishedbyElsevierEditoraLtda.Thisisan openaccessarticleundertheCCBY-NC-NDlicense( http://creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/4.0/).

Autorparacorrespondência.

E-mail:[email protected](L.P.Silva). http://dx.doi.org/10.1016/j.rbce.2017.02.014

(2)

PALABRASCLAVE

Fútbol; Turismo; Hincha; Estadio

Turismodefútbol:perfilymotivacionesdelosviajeroshinchasqueasistenal‘‘nuevo’’ Mineirão

Resumen Esteestudiotuvo como objetivo investigar el turismode fútbol en el‘‘nuevo’’ Mineirão.Delosresultadosdelainvestigaciónempírica,seobtuvounperfilitinerantedelhincha queseaproximaalasdefinicionessobreelhinchaconsumidor.Encuantoalamotivación,el fútboleslarazónprincipalparaelviaje.Portanto,laexperienciadevivireldeportedeforma presencialyconocerelestadiosonfactoresquesecomplementanentresí.

©2017Col´egioBrasileirodeCiˆenciasdoEsporte.PublicadoporElsevierEditoraLtda.Estees unart´ıculoOpenAccessbajolalicenciaCCBY-NC-ND(http://creativecommons.org/licenses/ by-nc-nd/4.0/).

Introduc

¸ão

Osestudos sobreo futebolbrasileiro noâmbito das ciên-cias humanas e sociaisindicam que a história do futebol nopaísémarcadapordiferentesfases,aatualé caracteri-zadapeloprocessodeexacerbac¸ãodainfluênciadomercado noesporte. Deacordocom Pereira(2003),a inserc¸ãodos valoresmercadológicossobreofutebolbrasileirocomec¸ou aser notadanoiníciodadécada de1990, noentanto,as problemáticasrelacionadasaessa lógicatornaram-semais explícitasrecentemente, quando o paíssediou aCopa do MundodeFutebolde2014.

Diante doemaranhado cenárioque abarcouaCopa1no

país, pretende-se suscitar o processo de proliferac¸ão das arenasmultiusoeassuasconsequênciasnavivênciado tor-cer,destacarasimplicac¸õesdessenovomodelodeestádio napráticadoturismo.Apartirdessecontexto,esteestudo busca pesquisaro turismofutebolístico no‘‘novo’’ Minei-rão,analisaroperfilsocioeconômicodotorcedorviajante ---osujeito quenãomantémmoradiafixana cidadedeBelo Horizonte(MG)--- easprincipaismotivac¸õesquelevamesse tipodepúblicoafrequentaroestádio.

Optou-seporfazerumapesquisaexploratória,poisesse tipodemetodologiapermiteumacompreensãomaisampla acercadeumsegmentodoturismoaindaincipientenoBrasil (Gomes eAmaral, 2005). Para tanto,fez-se umapesquisa decampoentreabrile dezembrode 2014.O trabalhode campoabarcou24jogosemcincocompetic¸ões:Campeonato Mineiro(1),CampeonatoBrasileiro(15),CopadoBrasil(5), Tac¸aLibertadores daAmérica(2) e RecopaSul-Americana (1),ouseja,asprincipaiscompetic¸õesem nível estadual, nacionalecontinental.

Oinstrumentousadoparaacoletadedadosfoio formu-lário.Forampreenchidos355formuláriosnasáreasexternas (arredores)einternas(cadeiras)doMineirão.Paraefeitode selec¸ãodosparticipantes,consideraram-seostorcedoresde ambosossexosquenãomantêmmoradiafixanacidadede BeloHorizonte(MG)ecomidadeigualousuperiora18anos.

1Apartirdaqui,otermoCopaseráusadocomoreferênciaàCopa

doMundodeFutebolde2014.

Umavezidentificadasessascaracterísticas,osujeitoestava aptoaparticipardapesquisa.Comonãoexistea possibili-dadedeseaferiraprioriolocaldemoradiadotorcedor---o quepossibilitariaaadoc¸ãodeumaamostraprobabilística---, foiescolhidaumaamostradotiponãoprobabilística.Após acoleta,osdadosforaminseridosetabuladosnosoftware SPSS(StatisticalPackageforSocialSciences),versão19.0.

A

Copa

Do

Mundo

de

2014

e

as

problemáticas

relacionadas

ao

processo

de

proliferac

¸ão

das

arenas

multiuso

OacordofirmadoentreaFIFA2eogovernobrasileiropara

Copagarantiuaessaagênciainternacionalodireitode exi-girdopaísumainfraestruturaesportivaquefossecapazde darcontadoaumentodasdemandasprovocadaspelo mega-evento.Dentreasprincipaisdeterminac¸ões,destacam-seas exigênciasemrelac¸ãoaosestádios.Assim,foramordenadas reformasdosantigosequipamentos,bemcomoaconstruc¸ão dearenas.

DeacordocomBarretoeNascimento(2011),osestádios brasileiros precisaram adaptar-se ao padrão contemporâ-neo--- o chamando ‘‘padrão FIFA’’. ‘‘Após uma trajetória deconstante expansão, em quantidade e porte físico,os estádios em escala mundial vêm apresentando, nos últi-mos15a20anos,significativareduc¸ãodesuacapacidade’’ (Mascarenhas,2009,p.10).Apartirdessanovalógica, está-diosbrasileirosdotamanhodoMaracanãedoMineirão,que járeceberampúblicosdeaté200.000e130.000torcedores, respectivamente,passaramasetornarinviáveis.

SegundoCuri(2012,p.8),aprincipalproblemática rela-cionadaàdiminuic¸ãodacapacidadedepúblicodosestádios éofatodehaverumaexclusão‘‘doslugaresparaos torcedo-resditostradicionais,asclassesdemenorpoderaquisitivo’’. Há quese acrescentarque as partessuprimidas foram aquelasdestinadasaopúblicodemenorpoderaquisitivo.O espac¸omaispróximodocampo,conhecidocomogeral,onde

2FédérationInternationale deFootballAssociation(Fifa).Essa

(3)

seconcentravaessetipodepúblico,foirevalorizada pelo novoformatoarquitetônico,cujainclinac¸ãomaisacentuada atornouumespac¸omaisvalorizado(DamoeOliven,2013, p.55,grifonosso).

Avalorizac¸ão desses espac¸ossedeu pelocumprimento dasexigênciasdaFifaemtermosdeconfortoeseguranc¸a. Paraproporcionarmaisconfortoaotorcedor,todosos assen-tos das arenas são preenchidos por cadeiras, as imagens captadaseeditadaspelatelevisãopassamaestaraoalcance dos torcedores nos estádios, proporcionam ao espectador umpontodevistasobreoespetáculoque elesehabituou ausufruirpelatelevisão,emsuapoltronadecasa(Damoe Oliven,2013).

Paracumprirasexigênciasemtermosdeseguranc¸a,nas arenas,ostorcedorespassamaservigiadosdemodoaevitar comportamentosnãodesejados.Nãoobstante,Curi(2012)

enfatiza que esse aparato pode favorecer a segregac¸ão da multidão, uma vez que ‘‘a padronizac¸ão das estrutu-ras espaciais dos estádios também deverá acarretar uma padronizac¸ãodecomportamentonomododeseassistiràs partidasdefutebolnoBrasil,apontodecaracterizarum imi-nenteprocessodeelitizac¸ãodopúblicodefutebolnacional’’ (BarretoeNascimento,2011,p.4).

Além dos aspectos relacionados ao conforto e à seguranc¸a,asnovasarenastêmumaofertadeservic¸osmais diversificada ‘‘com espac¸os com atividades paralelas aos eventosesportivos,comolojas,bares,cafés,restaurantese demaisequipamentosdeentretenimento,assumema alcu-nhade‘arenasmultiuso’’’(BarretoeNascimento,2011,p. 21).Apartirdessanovaconcepc¸ãodeestádio,Giulianotti (2012)consideraqueoacessoaofuteboltorna-secontrolado pelasvariáveiseconômicasdeseustorcedores, favorecea presenc¸adeumpúblicocujointeresseprincipalsejao con-sumo,adquire-seumanovaidentidadedetorcedoratravés deumconjuntodespersonalizadoderelacionamentos orien-tadosparaomercado.

Arenas

multiuso

como

atrac

¸ões

turísticas:

o

‘‘novo’’

Mineirão

Diante docontexto elucidado, as arenas multiuso passam a desempenharum duplopapel, destacam-se não apenas como equipamento esportivo,mas tambémcomo atrac¸ão turísticadascapitaisbrasileiras,nasquaisessesnovos mode-losdeestádios floresceram,como, porexemplo, em Belo Horizonte(MG), através do processo de modernizac¸ão do Mineirão.

De acordo com Campos e Silva (2013), o projeto que deuorigemàmodernizac¸ãodoMineirãobuscoualcanc¸aro maisaltopadrãointernacional,comconforto,seguranc¸ae, principalmente,inovac¸ãonavisãocomercialaotrataro tor-cedorcomoconsumidor.Assim,acredita-sequeotorcedor viajantepodeserinseridodentrodessaconcepc¸ãode tor-cedorconsumidor3, poisapráticadoturismoque envolve

o futebol também recai sobre a égide mercadológica, já

3Nocampodoturismo,oconceitodeviajanteabarcaduas

catego-rias:‘‘turista’’---oviajantequepermanece,pelomenos,umanoite nolocalvisitado;e‘‘excursionista’’---oviajantequenãopermanece nemumanoitenodestino(CarvalhoeLourenc¸o,2009).

que se torna uma prática intrinsecamente associada às demandas do espetáculo e do consumo esportivo, pois o turismo,enquantoatividadepromotoradelazer, entreteni-mentoefugadocotidiano,envolvedividendoseconômicos parausufruí-lo,assimcomonaatividadeesportiva.

SegundoPinheiro(2012),grandepartedoapelodeuma arena como atrativoturístico é seupotencial defornecer aoviajanteumaexperiênciarealdoesporte,umavezque suanaturezaglobal---principalmenteofutebol---contribui paraqueoslocaisondesejampraticadostornem-seícones simbólicos, atraiamviajantes parasidemodosemelhante àsatrac¸õestradicionais.

Nãoobstante,acredita-sequeoapeloturísticodas are-nas tende a se multiplicar, pois os aspectos em relac¸ão ao conforto,à seguranc¸ae àoferta deservic¸ospodemse agregar à motivac¸ão dese vivenciar a experiência deum espetáculo futebolístico in loco. Portanto,em relac¸ão ao Mineirão, ir ao estádio,torcer porumclube defutebole passear emseusarredoressãovivênciasintrínsecas à cul-turadotorcedordofrequentaoestádio,masquetendem, em umsincretismo deac¸ões, a setornar orientadas pela lógicadoconsumo(CamposeAmaral,2013).

Turismo

esportivo

Apráticadoturismofutebolísticoinsere-senosegmentodo turismoesportivo.Asdefinic¸õesacercadessesegmento par-temdeumentendimento fundamentalque compreendeo ‘‘turismoesportivocomoumainter-relac¸ãoentreasáreas, enãoumarupturaentreoesporteeoturismo’’(Pinheiro, 2012, p. 61), ou seja, ‘‘o turismo esportivo representa, assim,ocorpode

conhecimento e o conjunto de práticas onde as áreas do turismo e do esporte tornam-se interdependentes’’ (CarvalhoeLourenc¸o,2009).

De acordo com Carvalho e Lourenc¸o (2009), a participac¸ãodeturistasem atividadesesportivaspodeser classificada nas seguintes tipologias: turismo de prática esportiva,turismodeeventoesportivoeturismoesportivo denostalgia.Devidoaosobjetivosdestetrabalho,torna-se importantedestacarasprincipaiscaracterísticasque envol-vemoturismodeeventosesportivos.

Tikander (2010) avalia que o conceito de turismo de eventosesportivosgeralmentedefineaquelesindivíduosque viajam paraassistir algum eventoque envolve oesporte, não aqueles que participam de competic¸ões. Carvalho e Lourenc¸o (2009, p. 127) complementam essa definic¸ão e afirmam que o turismo de eventos esportivos trata-se de um‘‘conjuntodeatividadesdesportivasdequeusufruamos turistas enquanto espectadores, considerando-se a pessoa comessetipodeparticipac¸ãonoturismodesportivocomoo turistaespectadordesportivo’’.

(4)

paraodesenvolvimentodoesporteafetarosetordoturismo ---evice-versa---é grande.Naprática,pode-secitarcomo ilustrac¸ãodasituac¸ãoexpostaanteriormenteofatodeum equipamentoesportivo(arenamultiuso)servirtantoparao espetáculoesportivoquantoparaavisitac¸ãoturística.

Podemosdizerqueexisteumconjuntodeatividadesque sãosimultaneamenteturísticasedesportivas,carecem, por-tanto, dasabordagens pluridisciplinaresentreoturismoe desporto.(...)Nãoexisteumapráticaquetenhadeixadode serdesportiva,oudeixadodeserturística,parapassaraser turístico-desportiva(CarvalhoeLourenc¸o,2009,p.125).

Standeven e De Knop (1999) chamam a atenc¸ão para a necessidade de saber mais sobre os diferentes tipos de turista esportivo em termos de perfil e motivac¸ões, já que os turistas do esporte diferem-se em níveis de compromisso,sejacomopraticantesouespectadores. Espe-cificamentesobreosturistasdeeventosesportivos,onível decomprometimentodosujeito como esportetambémé peculiaracadamodalidadeesportiva.NoBrasil,ofutebol constituiu-se,aolongodosanos,comoumfenômeno soci-ocultural de grande notoriedade. Dessaforma, mesmo se entendermosqueesseesportetem,cadavezmais, sucum-bido àlógica mercadológica,ainda assimsuaabrangência enquanto atrac¸ãoturística requerumaanálise individuali-zada.

Turismo

futebolístico

Nesteitemserãoanalisadosediscutidososdadosobtidosna pesquisadecampo.Osresultadosestão divididosemduas partes:ascaracterísticasgeraisdosviajanteseosaspectos motivacionaisintrínsecosàvivênciafutebolísticano‘‘novo’’ Mineirão.

Características

gerais

Nestesubitemserãoapresentadasascaracterísticasgerais dostorcedoresviajantespresentesno‘‘novo’’Mineirãoem diasdejogos,considerando-se:aclassificac¸ãodotorcedor (mandante,adversárioe neutro);alocalidadedemoradia habitual; operfil socioeconômicoe, ainda,a participac¸ão emalgumprogramadesócio-torcedor.

Classificac

¸ão

do

torcedor

Aclassificac¸ãodostorcedoresadotadanesteestudo refere--seàscategoriastorcedormandante,torcedoradversárioe torcedorneutro.Acategoriamandanteérepresentadapor torcedores do CruzeiroEsporte Clube e doClube Atlético Mineiro,ressalta-sequeamaioriadostorcedoresmandantes étorcedordoCruzeiro,umavezque,dos24jogosabarcados nestapesquisa,21tiverammandodecampodoCruzeiroe apenasemtrêsjogosomandantefoioAtlético.Acategoria torcedoradversáriorefere-seaostorcedoresdosclubesque jogaram como visitantesem jogos contrao Cruzeiroouo Atléticoetorcedorneutroéosujeitoqueestavanoestádio, masoseutimenãoeraomandantenemoadversário.

Diante de tais categorias, a maioria dos participantes da pesquisa intitula-se como torcedor mandante (53% de torcedores doCruzeiroe 6,6%detorcedores doAtlético),

70

60

50

40

30

20

10

0 65,8

11,7

Minas Gerais

São Paulo

Rio de Janeiro

Rio Grande

do Sul Espírito

Santo

Bahia Paraná Rio

Grande do Norte Distrito Federal

Outros

4,3 3,4 3,4 2,5 2,2 1,5 1,2 4

Figura1 Localidadedemoradiahabitual(estado). Fonte:Dadosprimáriosdapesquisa.

enquanto28,4%pertenciamàcategoriatorcedoradversário e12%,àcategoriatorcedorneutro.

Localidade

de

moradia

habitual

Em relac¸ãoà localidade de moradia habitual, houve pre-domíniodetorcedores viajantes oriundosdoprópriopaís, 97,6%. Especificamente sobre esses torcedores, os resul-tadosforam categorizados a partir do estado de origem, destacaram-seaquelesquetiverammaiorprocedência.Os estadosque tiveramresultadosmenosexpressivos (menos de1%)foramagrupadosem umaúnicacategoria, denomi-nadade‘‘outros’’(fig.1).

Tratando-seapenasdostorcedoresmandantes, observa--seumapredominânciadeviajantes dopróprioEstadode MinasGerais.SobreostorcedoresdoCruzeiro,90,1%moram emcidadesmineiras;2,3%moramnoEstadodeSãoPaulo, mesmopercentualobservadoemrelac¸ãoaostorcedoresque moramnoEspírito Santo e noDistrito Federal; os demais estados,quandosomados,representam3%.Sobreos torce-doresdoAtlético,100%sãodoestadomineiro.

Em relac¸ão ao torcedor adversário, as cidades minei-rasperdemgrandepartedesuarepresentatividade,somam apenas 24,2%, ao passo que o estado paulista torna-se o maior emissor de torcedores, com 28,6%. Nessa catego-ria,observa-seoaumentodarepresentatividadedeoutros estados: Rio de Janeiro, 13,2%; Rio Grande doSul, 8,8%; Paraná,5,5%;EspíritoSanto,5,5%;Bahia,5,5%;Santa Cata-rina,2,2%;RioGrandedoNorte,2,2%;Mato Grosso,1,1%; MatoGrossodoSul,1,1%;Paraíba,1,1%ePernambuco,1,1%. Quanto aos torcedores neutros, nota-se novamente o predomínio de viajantes das cidades mineiras --- 38,5% ---e,emseguida,destacam-seosviajantespaulistas---20,5%. Nessacategoriatambémhouveincidência deviajantesdo RioGrandedoSul,7,7%;Paraná,5,1%;EspíritoSanto,5,1%; Bahia,5,1%;Goiás,5,1%;RiodeJaneiro,2,6%;Pará,2,6%; Paraíba,2,6% e RioGrandedoNorte,2,6%. Nessecaso, o predomínio de viajantes das cidades mineiras e paulistas coincide com os resultados sobre a demanda turística da cidadedeBeloHorizonte(MG)em2014.4

4De acordo com a pesquisa feita pela Empresa Municipal de

(5)

14 12 10 8 6 4 2 4,2 0 12,3 12 13,5 12,9 11,7 12,6 12,6 4,2 Série 1 3 1,2 18-19 anos 20-24 anos 25-29 anos 30-34 anos 35-39 anos 40-44 anos 45-49 anos 55-59 anos 60-64 anos 65-69 anos 50-54 anos

Figura2 Faixaetária.

Fonte:Dadosprimáriosdapesquisa.

Perfil

socioeconômico

Ostorcedoresviajantessão,emsuamaioria,dogênero mas-culino e correspondem a 79,3% do total da amostra. De acordocomDamo(2007,p.135), ‘‘essatendênciatem-se reproduzidocomopassardosanoseconfirma-seemquase todososlugaresnosquaisofutebolfoiadotado’’.

Allan et al. (2007) e Tikander (2010), ao estudar os turistas fãs do futebolna Escócia e na Finlândia, respec-tivamente, observaram grande predomínio de umpúblico solteiro.Todavia,osresultadosdestapesquisamostramque, no‘‘novo’’ Mineirão, nocaso particular do torcedor via-jante,amaioria---55%---afirmousercasado,enquanto40% disseramsersolteirose,ainda,obteve-seumresultadode 5%emrelac¸ãoaosseparados/divorciados.

Sobreoníveldeescolarizac¸ão,9%dostorcedores viajan-testêmEnsinoFundamental,43%EnsinoMédio,32%Ensino Superior e 16% pós-graduac¸ão. Diante desses resultados, observa-seumperfildetorcedorcomníveldeinstruc¸ãoalta, atébemsuperioràmédianacional,pois,considerando-sea somadaquelesquetêmformac¸ãosuperiorepós-graduac¸ão, oresultadoéde48%.5

Em relac¸ão à faixaetária dos torcedores viajantes, os resultadosindicam certaequidade nas faixas, quevariam entre20e54anos(fig.2).

Nacomparac¸ãodessesresultadoscomoutraspesquisasjá feitas,percebe-sequeessetipodepúblicoquefrequentao ‘‘novo’’Mineirãoemjogosdatemporadaregulardofutebol brasileiroapresentaumacaracterísticamaisdiversificada, poisAllanetal.(2007)e Tikander(2010)observaramque, nocasodeturistasfutebolísticos,apredominânciaédeum públicomaisjovem,entre18e30anos.Essatendência tam-bémfoiobservadaduranteaCopa,umavezque,entreos

Gerais.Depoisdos viajantesmineiros,os paulistasforamos que maisvisitaramBeloHorizonte,17,4%(BeloHorizonte,2014).

5OúltimolevantamentofeitopeloInstituto Brasileirode

Geo-grafia e Estatística (IBGE), em 2012, indica que o número de pessoascomformac¸ãoemnívelsuperiorrepresentavaapenas10% dapopulac¸ãobrasileira.

35 30 25 20 15 10 5 1,8 R$363-724R$ R$725-R$1.448 R$1.449-R$2.172 R$2.173-R$3.620 R$3.621-R$7.240 R$7.241-R$14.480 R$ 14.480 ou mais 6,9 11,4 15,4 30,1 19,3 15,1 0

Figura3 Rendafamiliar.

Fonte:Dadosprimáriosdapesquisa.

torcedoresbrasileirosqueviajarampelopaís,destacou-sea faixaentre25e34anos.6

Osresultadossobrearenda médiafamiliardotorcedor viajanteestãonafigura3.

Sobre esses resultados, é importante destacar os três grupos que ganham entre R$ 3.631 e R$ 7.240; R$ 7.241 e R$ 14.480 e mais de R$ 14.481, já que a soma desses grupos representa 64,5% do total, caracteriza-seum per-filcomrenda familiaralta. Ressalta-seque essesnúmeros também sãosuperiores à renda médiafamiliar doturista brasileiroqueviajoupelopaísduranteaCopa.7Oelevado

níveldarenda médiafamiliardotorcedorviajante condiz com apráticadeingressosmaiscarosusados comoforma compensatóriadadiminuic¸ãodacapacidadedepúblicodo ‘‘novo’’Mineirão,poisumpúblicocommaiorpoder aquisi-tivopodeconsumiroutrosprodutosparaalémdoespetáculo futebolístico(DamoeOliven,2013),como,porexemplo,os servic¸osturísticosdisponíveisnacidade.

Dentro da lógica de transformac¸ão do futebol brasi-leiroemnegóciodeentretenimentoelazer(Pereira,2003), destaca-seorecentecrescimentodosprogramasde sócio--torcedor no país.8 Todavia, os resultados da pesquisa

destoam dessecrescimento, umavez que apenas26% dos torcedores viajantesafirmaram fazerparte dealgum pro-gramaespecífico.Naanáliseemseparadodostorcedoresdo Cruzeiro(maioriadosparticipantes destapesquisa)nãose observouumadiferenc¸aexpressiva,jáqueapenas27,1%dos

6Essedadofazpartedosresultadosdapesquisadedemanda

turís-ticadomésticanaCopadoMundodaFIFAnoBrasil---2014,feitapela Fundac¸ãoGetúlioVargas(FGV).

7Fonte: Ministério doTurismo (MTur). Disponível em: <http://

www.turismo.gov.br/turismo/noticias/todasnoticias/201407161. html>.(Acessoem:23/03/2015.)

8‘‘O sócio-torcedor é aquele que tem uma relac¸ão formal e

(6)

torcedoresviajantesquetorcemparaoCruzeirosãosócios doclube.

Esses números são pouco expressivos, pois quando se tratadotorcedorcruzeirensequemorana capitalmineira efrequenta o‘‘novo’’Mineirão, aadesãoao programade sócio-torcedor do clube sobe para 53,04%.9 Diante desse

cenário, a diretoria do Cruzeirocriou recentemente uma nova categoria para contemplar os torcedores que não moramemBeloHorizonte(MG).10

Aspectos

motivacionais

dos

torcedores

viajantes

que

frequentam

o

‘‘novo’’

Mineirão

Neste subitemserão analisadose discutidos os resultados emrelac¸ãoaosfatoresquemotivamostorcedoresviajantes avivenciaremumapartidadefutebolnoestádio, destacam--seomotivodaviagematéacapitalmineiraeaatratividade turísticadesempenhadapelo‘‘novo’’Mineirão.

Principal

motivo

da

viagem

até

Belo

Horizonte

(MG)

Sobre os tipos de motivac¸ões relacionados às viagens de torcedoresqueparticipamdeeventosesportivos, especial-mente nofutebol,Gammon eRobinson (2003)consideram duas categorias: esporte com turismo, que se resume à participac¸ãono eventoesportivocomo a motivo principal daviagem,e esportenoturismo,quedefine aassistência casualaumeventoesportivo,duranteoperíododeviagem, ouseja,apessoaantesdeviajarnãotemconhecimentodo eventoesportivo,maspodesetornarumaatividadedurante aviagemumavezdescoberto.

De acordo com Carvalho e Lourenc¸o (2009, p. 127), tem-seassimumaenormequantidadedepessoasquese des-locamtendocomoobjetivoprincipalassistiraespetáculos desportivosouque,defériascomqualqueroutramotivac¸ão, acabamporassistiraespetáculosdesportivosqueocorrem nomesmodestinoturístico.

Osresultadosdapesquisa indicam que,para62,7%dos torcedores viajantes,assistira umapartida defutebolno estádiofoioprincipalmotivodaviagematéBeloHorizonte (MG). Na análise em separado de cada tipo de torcedor, emrelac¸ãoaotorcedormandante,essatendênciaaumenta e abarca 71,2% dos torcedores do Cruzeiro e 95,5% dos torcedores do Atlético. Se considerarmos os torcedores adversários, o panorama praticamente se mantém (com-paradocomoresultado geral)e abrange62,1% dessetipo

9Esse dado faz parte dos resultados preliminares da pesquisa

Percepc¸ão emanifestac¸ãodos torcedores noMineirão, queestá em andamentoeéfeitapelo Grupode Estudos sobreFutebole Torcidas(GEFuT)daEscoladeEducac¸ãoFísica,Fisioterapiae Tera-piaOcupacional(EEFFTO)daUniversidadeFederaldeMinasGerais (UFMG).

10 Deacordocomoqueconstanositeoficialdoclube,essanova

categoriaé‘‘idealparaquemmoranointeriordoestado,bemcomo quemmoraforadeMinasGeraiseteminteressedeiraoMineirãoem algumaoportunidade,semprecisarenfrentarfilas’’.Disponívelem: < http://www.sociodofutebol.com.br/crusempre/www/inscreva-se/cartaoPAPAFILAS>.(Acessoem:26/03/2015.)

detorcedor.Nessescasos,observa-segranderelevânciada categoriaesportecomturismo(GammoneRobinson,2003), ofutebolemsiéoprincipalprodutoaserconsumidodurante aviagem.

Quandosetrata dos torcedoresneutros, nota-seoutra tendência,poisa grandemaioria,90%, disseque o princi-palmotivo daviagempara Belo Horizonte(MG) nãoo foi interessedeirao‘‘novo’’Mineirãoassistiraumjogo.Nesse caso,aconteceoque GammoneRobinson (2003)chamam deesportenoturismoePaz (2006)denomina de‘‘turista circunstancial’’, ou seja, quando há assistência casual a umdeterminadoeventoesportivoduranteumaviagemque tenhasidofeitaapartirdeummotivoprincipalquenãoseja ofutebol.

Outros

tipos

de

motivac

¸ão

da

viagem

até

Belo

Horizonte

(MG)

Emrelac¸ãoaos37,3%dostorcedoresquedisseramter via-jadoparaacapitalmineiracomobjetivoprincipalquenão sejaofutebol,48,4%afirmaramqueo principalmotivo da viagemfoi trabalho ouestudo; 22,7% viajaram motivados poroutrasformasdelazeredeturismo;18,8%paravisitar parentese/ou amigos; 5,5% devido a compromissos soci-aiscomo casamento, formaturae aniversário e 4,4%para acompanharparentese/ouamigosnoestádio.

Diantedessesresultados,ressalta-seacompreensãode

StanveneDeKnop(1999),poisessesautorestambém con-sideramcomopossibilidadedapráticadoturismoesportivo ocaso deindivíduos que têmcomo motivac¸ão principalo compromissoprofissional.‘‘Umprofissionalque esporadica-menteviajaparaparticipardeumcongressoouparafechar negócio em outra localidade que nãoa de sua residência estaráfazendoturismo’’(Ignarra,2001,p.25),pois,como osresultadosmostram,foi comumencontrar sujeitosque optaram por ocupar parte do seu tempo livre durante a viagemparaassistira umapartida de futebolno‘‘novo’’ Mineirão.

De acordo com Melo Neto (2001), as viagens turísti-casquetêmcomo motivac¸ãoprincipalo lazerocorremde maneiracomumnosfinsdesemana,feriadosprolongadose férias,enquantoasviagensa trabalhoouestudo sãomais comunsdurantesosdiasdasemana.Assim,como59,4%dos jogosabarcadosnestapesquisaaconteceramnasquartase quintas-feiras,houvepredomínio(dentreostorcedoresque viajaramparaBeloHorizonte[MG]comobjetivodistintodo futebol)detorcedoresqueviajaramdevidoacompromissos profissionais.

Reforma

do

Mineirão

como

fator

motivador

(7)

Tabela1 Aspectosrelacionadoscomaatratividade turís-ticado‘‘novo’’Mineirão

Aspectos Percentualválido(%)

Conhecero‘‘novo’’Mineirão 49

Seguranc¸a 29,1

Conforto 26,8

Estéticaearquitetura 18,4

Organizac¸ão 14,8

Melhoriadosservic¸os 14,4 Visibilidadedocampo 9,7

Infraestrutura 9,5

Acessibilidade 6,4

Comportamentodotorcedor 4,1

Fonte:Dadosprimáriosdapesquisa.

Osresultadosdapesquisa indicam que paraa maioria, 58,5%, a reforma do Mineirão, de fato, é um fator moti-vador para a ida ao estádio. Na análise em separado de cadatipodetorcedor--- mandante,adversário eneutro ---nota-seumpanoramamuito parecido,pois 58,8%dos tor-cedoresviajantesdoCruzeiro,59% datorcidadoAtlético, 56,8%datorcidaadversáriae62,5%datorcidaneutra con-sideraramareformadoestádioumamotivac¸ão parairao ‘‘novo’’Mineirão.

Neste sentido, apenas a oportunidade de conhecer o ‘‘novo’’ Mineirão torna-se um fator motivador, além das própriasquestõesestruturaisdiscorridasaolongodotexto, como,porexemplo,conforto,seguranc¸aeofertadeservic¸os (tabela1).

Portanto, a soma dos aspectos destacados no qua-dro acima indica que, em grande medida, o processo de modernizac¸ão do Mineirão e a sua adequac¸ão ao padrãocontemporâneo,niveladoàsmelhores,mais moder-naseexemplaresarenasmultiusodocenáriointernacional (BarretoeNascimento,2011),aumentasuapotencialidade turísticaepossibilitaumaavaliac¸ãopositivadoestádiopor partedostorcedoresviajantes.

Considerac

¸ões

finais

Estapesquisa propôsdiscutira práticadoturismo futebo-lístico no ‘‘novo’’ Mineirão, a partir das transformac¸ões ocorridasnofutebolbrasileiroemrazãodaorganizac¸ãoda Copa,econsiderar,principalmente,asproblemáticas asso-ciadasàsarenasmultiuso.

Osresultadosemrelac¸ãoaoperfilsocioeconômicodo tor-cedorviajanteindicamque,mesmocomoremodelamento dos estádios brasileiros, ainda há uma grande ascendên-ciado público masculino.Assim, o acesso ao universo do futebolaindaseconstitui umabarreira paraasmulheres. Emcomparac¸ão comaspesquisasdeAllan etal.(2007) e

Tikander(2010),essafoiaúnicavariávelem queos resul-tadosseassemelham.

De modo geral, esse tipo de público que frequenta o ‘‘novo’’Mineirão aproxima-se dasdefinic¸ões elucidadas ao longo do texto por autores como Mascarenhas(2009),

BarretoeNascimento(2011),Curi(2012)eDamoeOliven (2013).Assim,caracteriza-secomoumpúblico predominan-tementecasado,comformac¸ãosuperior,adulto(commédia

de36,9anos)ecomrendafamiliaralta.Noentanto,mesmo diante do aumentodonúmero desócios-torcedores entre osclubesbrasileiros,aindasãominoriaosqueaderiram a algumprogramaespecífico.

Emrelac¸ãoaosaspectosmotivacionais,apartidaem si é o principal motivo da viagem atéBelo Horizonte(MG), porémareformadoestádioétidacomoumfatoragregador. Dessaforma,aexperiênciadevivenciarumapartidade fute-bolinlocoassociadaàoportunidadedeconhecero‘‘novo’’ Mineirãosãofatoresquesecomplementameaumentama atratividadeturísticadoestádio.

Financiamento

Coordenac¸ãodeAperfeic¸oamentodePessoaldeNível Supe-rior(Capes)atravésdaconcessãodebolsademestrado.

Conflitos

de

interesse

Osautoresdeclaramnãohaverconflitosdeinteresse.

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Imagem

Figura 1 Localidade de moradia habitual (estado).
Figura 3 Renda familiar.
Tabela 1 Aspectos relacionados com a atratividade turís- turís-tica do ‘‘novo’’ Mineirão

Referências

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