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Rev. bras. ortop. vol.52 número5

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SOCIEDADE BRASILEIRA DE ORTOPEDIA E TRAUMATOLOGIA

w w w . r b o . o r g . b r

Artigo

Original

Comparac¸ão

de

osteotomias

de

Puddu

com

ou

sem

enxerto

ósseo

autólogo:

estudo

clínico

prospectivo

Marcus

Ceregatti

Passarelli,

José

Roberto

Tonelli

Filho,

Felipe

Augusto

Mendes

Brizzi,

Gustavo

Constantino

de

Campos,

Alessandro

Rozim

Zorzi

e

João

Batista

de

Miranda

UniversidadeEstadualdeCampinas(Unicamp),DepartamentodeOrtopediaeTraumatologia,Campinas,SP,Brasil

informações

sobre

o

artigo

Históricodoartigo:

Recebidoem4deagostode2016 Aceitoem7desetembrode2016

On-lineem19dejaneirode2017

Palavras-chave:

Joelho Osteoartrite Enxertoósseo Osteotomia

r

e

s

u

m

o

Objetivos:Avaliarahipótesedequeoenxertoósseoautólogodacristailíacanãomelhora oresultadoclínicoenãodiminuiaincidênciadecomplicac¸õesempacientessubmetidosà osteotomiadePuddu.

Métodos:Foramavaliados40pacientesalocadosdeformaaleatóriaemdoisgruposemum estudoclínicoduplocegoentre2007e2010.Umgruporecebeuenxertoósseoeooutrogrupo foideixadosempreenchimentodaosteotomia.Odesfechoprimáriofoiaescalaclínicada

KneeSociety(KSS).Amedidaradiográficadoânguloanatômicoentreofêmureatíbiano planofrontaleaprogressãodaosteoartritedeacordocomaclassificac¸ãomodificadade Ahlbackforamusadascomodesfechossecundários.

Resultados: Nãohouvediferenc¸adaescalaKSSnogrupocomenxerto(64,4±21,8)enogrupo semenxerto(61,6±17,3;p=0,309).Nãohouvediferenc¸adoânguloentreofêmureatíbiano planofrontalentreosgrupos(comenxerto=184±4,6graus;semenxerto=183,4±5,1graus; p=1,0),indicaquenãoháumaperdadecorrec¸ãopelafaltadoenxerto.Houvepioriada osteoartriteemumnúmeromaiordepacientesnogrupocomenxerto(p=0,005).

Conclusão:Oenxertoósseoautólogodacristailíacanãomelhorouoresultadoclínicoenão diminuiuaincidênciadecomplicac¸õesempacientessubmetidosàosteotomiadePuddu, fixadascomplaca-calc¸odeprimeiragerac¸ão,nascondic¸õesdesteestudo.

©2016SociedadeBrasileiradeOrtopediaeTraumatologia.PublicadoporElsevierEditora Ltda.Este ´eumartigoOpenAccesssobumalicenc¸aCCBY-NC-ND(http:// creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/4.0/).

Comparison

of

Puddu

osteotomy

with

or

without

autologous

bone

grafting:

a

prospective

clinical

trial

Keywords:

Knee Osteoarthritis

a

b

s

t

r

a

c

t

Objectives: Totestthehypothesisthatautologousiliacbonegraftsdonotenhanceclinical results anddonotdecrease complicationrates inpatientsundergoingmedial opening--wedgehightibialosteotomy.

Trabalho desenvolvido naUniversidade Estadual de Campinas (Unicamp), Departamentode Ortopedia e Traumatologia (DOT), Campinas,SP,Brasil.

Autorparacorrespondência.

E-mail:[email protected](A.R.Zorzi). http://dx.doi.org/10.1016/j.rbo.2016.09.011

(2)

Bonegraft Osteotomy

Methods: Fortypatientsallocatedinarandomized,two-armed,double-blindedclinicaltrial wereevaluatedbetween2007and2010.Onegroupreceivedbonegraft,andtheothergroup wasleftwithoutfillingtheosteotomydefect.TheprimaryoutcomewastheKneeSociety Score.Radiographicmeasurementofthefrontalanatomicalfemoral-tibialangleandthe progressionofosteoarthritisaccordingtothemodifiedAhlbackclassificationwereusedas secondaryoutcomes.

Results: TherewasnodifferenceinKSSscalebetweenthegraftgroup(64.4±21.8)and thegraftlessgroup(61.6±17.3;p=0.309).Therewasnodifferenceofanglebetweenthe femur andtibiain thefrontalplanebetweenthegroups(graft=184±4.6degrees, graf-tless=183.4±5.1degrees;p=1.0),indicatingthatthereisnolossofcorrectionduetothe lackofthegraft.Therewassignificantaggravationofosteoarthritisinagreaternumberof patientsinagraftgroup(p=0.005).

Conclusion: Autologousiliacbonegraftdoesnotimprove clinicaloutcomesin medium andlong-termfollow-upofmedialopening-wedgehightibialosteotomyfixedwithafirst generationPudduplateintheconditionsofthisstudy.

©2016SociedadeBrasileiradeOrtopediaeTraumatologia.PublishedbyElsevierEditora Ltda.ThisisanopenaccessarticleundertheCCBY-NC-NDlicense(http:// creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/4.0/).

Introduc¸ão

A osteotomia da tíbia proximal com cunha de abertura medial, também conhecida como osteotomia de Puddu, é um procedimento cirúrgico clássico para o tratamento da osteoartrite dojoelho, que ficouofuscado pelo desenvolvi-mento da artroplastia, mas que tem ressurgido devido ao crescente número de casos de osteoartrite em pacientes jovens e ao surgimento de novas cirurgias, como o trans-plantedemeniscoeospreenchimentosda cartilagem,que necessitamdealinhamentomecânicoadequadodomembro inferior.1Emrelac¸ãoàsoutrastécnicasdeosteotomia,a aber-turamedialdatíbiaapresentacomovantagensaviadeacesso menosmórbida,apossibilidadedefácilajuste intraoperató-riodotamanhoda cunha,apreservac¸ãodoestoque ósseo, acorrec¸ãomaispróximaaoápicedadeformidadeea facili-dadedeassociac¸ãocomoutrosprocedimentosemumúnico tempocirúrgico,comoareconstruc¸ãodoligamentocruzado anterior.1,2

Aprincipalcríticafeita àtécnicadeaberturamedialéa criac¸ãodeumafendanoossoesponjosometafisário,quepode evoluir comcomplicac¸ões da consolidac¸ão ósseaeaperda decorrec¸ãopelo colapsoda fenda.Ousodeenxerto ósseo autólogodacristailíacatemsidopreconizadodesdeos pri-mórdiosdessacirurgiaparapreveniressas complicac¸ões.3,4 Porsetratardeumprocedimentodolorosoeassociadoa diver-sascomplicac¸ões,substitutosósseostêmsidodesenvolvidos paraopreenchimentodafenda.Entretanto,oenxertoósseo autólogo,porsuaspropriedadesdeosteogênese,osteoinduc¸ão eosteoconduc¸ão,continuaaseropadrão-ouro.5

Aexperiênciaempíricasugereque,emaberturasdeaté 10mm,épossíveldeixarafendasempreenchimento.Para confirmar essa observac¸ão, esse grupo fez uma avaliac¸ão de curto prazo dos resultados de osteotomias com e sem a adic¸ão de enxerto ósseo, o que demonstrou não haver diferenc¸a no tempo de consolidac¸ão após seis meses de seguimento.6 Agora, o objetivo deste trabalho é avaliar tardiamente, após seguimento mínimo de quatro anos, o

resultadoclínicoeradiográficoobtidocomousemaadic¸ão doenxerto.

Método

Sujeitos

Aamostradesteestudofoicompostapor46pacientes subme-tidosàosteotomiadePudduentre2007e2010,encaminhados paratratamentocirúrgiconumhospitaldeensinoapósfalha dotratamentoconservador.

Critériosdeinclusão:

• Osteoartrite isolada docompartimento medialdo joelho associadaadeformidadeemvaro;

• Falhadotratamentoconservador;

• Varismoduplosecundárioainstabilidadecrônicadas estru-turasligamentaresdocantoposterolateral;

• Capacidade de ler e compreender o Termo de Consen-timento Livre e Esclarecido (TCLE) e concordância em participardapesquisa.

Critériosdeexclusão:

• Doenc¸asinflamatóriassistêmicas;

• Idadeacimade60anosouabaixode20anos; • Alcoolismo;

• Correc¸õesplanejadascomcalc¸osmaioresdoque12,5mm; • Cirurgiaspréviasnojoelhoacometido;

• Infecc¸õespréviasnomembroacometido;

• Dornoscompartimentoslateralouanteriordojoelho aco-metido;

• Lesãodomeniscolateral;

• Osteoartritegravedojoelho(graus4e5daclassificac¸ãode Ahlback).

(3)

Recrutamento

Elegíveis (n = 48)

Alocados (n = 46)

Alocação

Seguimento

Análise

Excluídos (n = 2)

Falta de critérios de inclusão (n = 1)

♦ Recusaram participar (n = 0)

Outras razões (n = 1)

“Com enxerto” (n = 23)

♦ Receberam enxerto (n = 23)

♦ Não receberam enxerto (n = 0)

“Sem enxerto” (n = 23)

♦ Não receberam enxerto (n = 23)

♦ Receberam enxerto (n = 0)

Analisados (n = 21) ♦ Excluídos (n = 0)

Analisados (n = 19) ♦ Excluídos (n = 0) Perderam seguimento (n = 2)

Mudança de endereço e telefone.

Perderam seguimento (n = 4)

Mudança de endereço e telefone.

Figura1–FluxogramaConsortdoestudo.

Alocac¸ão

Foramdivididos46pacientesdeformaaleatória,porum pro-grama de computador (www.random.org), em dois grupos de23.Todosforamsubmetidosaomesmoprocedimento cirúr-gico,exceto pelacolocac¸ão ounão doenxerto ósseo.Após umseguimentomínimodequatroanos,40pacientesforam avaliados(fig.1).

Mascaramento

Aalocac¸ãofoimantidaemsigiloatravésdeenvelopelacrado, abertosomente apósa induc¸ãoanestésica,poruma enfer-meira não ligada ao estudo. Além disso, para garantir o sigiloentreospacienteseavaliadores(estudoduplo-cego),o enxertodacristailíacafoiretiradoemtodosospacientes.No grupo“semenxerto”,oossofoilacradoemcondic¸õesestéreis earmazenadoemcongelador,comaaprovac¸ãodoCEP.

Intervenc¸ão

A osteotomia valgizante da tíbia proximal, com cunha de aberturamedial,conhecidaemnossomeiocomoosteotomia de Puddu, é uma técnica clássica e bem estabelecida.2,3,7 Nesteestudo,usamosafixac¸ãocomplaca-calc¸odeprimeira gerac¸ão.8,9 Como dito anteriormente, foram criados dois gruposde maneiraaleatória.Para manteromascaramento

eparaevitaroviésdapioriaclínicapeladornacristailíaca, o enxertofoi colhido nosdois grupos. Aintervenc¸ãodeste estudo foi a colocac¸ão do enxerto. O grupo controle foi deixadosemenxerto.

Técnicacirúrgica

Todos os casos foram operados pelo mesmo cirurgião. A descric¸ão detalhada da técnica já foi feita em publicac¸ão prévia.10

Foi feita,emtodos oscasos,artroscopia dojoelho pelos portais tradicionais, para confirmac¸ão da integridade das estruturasdocompartimentolateraleparadebridamentode corposlivres,fragmentosdemeniscoeexcessodetecido sino-vial docompartimento medial(toaleteartroscópica). Nesse momento,umaenfermeiranãoligadaaogrupodepesquisa abriaoenvelopecomaindicac¸ãodaalocac¸ãodopaciente.Nos casosdogrupo“semenxerto”,oossoeraembaladoavácuoem embalagemtripladepoliamidaecongeladonumlaboratório depesquisa.Nofimdoprocedimento,foicolocadodrenode succ¸ãoemtodososcasos.

Pós-operatório

(4)

Porissonãousamosprofilaxiafarmacológicapara tromboem-bolismovenoso.Parapadronizaracarga,optou-sepordeixar todosospacientescomcargazeroatéaoitavasemana(parde muletas),iniciou-seoapoiogradualapósesseperíodo.Todos ospacientes fizeram o mesmoprotocolo defisioterapiano mesmoservic¸onoqualforamoperados.

Apósaaltahospitalar,ossujeitosforamavaliados sema-nalmentenoambulatório,pordoispesquisadoresmantidos cegosemrelac¸ãoàalocac¸ão.Aavaliac¸ãoradiográficafoifeita quinzenalmenteatéoeventoconsolidac¸ão,definidopelos cri-tériosdeSolomoneApley.11Apósaconsolidac¸ão,passaram aseravaliadossemestralmenteatéosegundoanoedepois anualmente.

Desfechos

Odesfechoprincipaldoatualestudofoi oresultadoclínico efuncionalda osteotomiadePudduapós pelomenos qua-troanosdeseguimento,medidopelaescalaKSS(KneeSociety Score).12Essaescalaédivididaemduaspartes:umaobjetiva, quepodevariardezeroacem;outrafuncional,quetambém podevariardezeroacem.

Outrosdesfechosusadosforam:

• Acorrec¸ãoobtidanoplano frontal,medidaem radiogra-fiadejoelho defrente,com apoiomonopodálico,através doanguloformadopeloseixosanatômicosdofêmureda tíbia;13,14

• A progressão radiográfica da osteoartrite do joelho pelo métododeAhlbackmodificado;15

• Conversãoparaartroplastiaourevisãodaosteotomia.

Estatística

Parao cálculodotamanho da amostra,consideramosuma diferenc¸aclínicasignificativaentreasmédiasdosdois gru-posde20pontos,compoderde80%esignificânciacomalfa menorque5%.

Osdadosforamapresentadoscomomédiaedesviopadrão (DP) paraas variáveis contínuasou comofrequência abso-luta para as categóricas. Todos os valores p relatados são bicaudais.Oníveldesignificânciafoifixadoem0,05.Oteste deKolmogorov-Smirnovfoi aplicadoparadeterminarseos dadosseguiamadistribuic¸ãonormal.Acomparac¸ãoentreas variáveis contínuasfoi feita com otestet de Studentpara amostrasindependentes,quandoospressupostos paramétri-cospuderamsercumpridos.Casocontrário,comotestede Mann-Whitney.Entreasvariáveiscategóricas,foiaplicadoo testequi-quadradodePearsonouotestedeFisher.

Todasas análisesforam feitascom o softwareIBMSPSS Statistics,(versão22.0Armonk,NY:.IBMCorp.).

Resultados

Foramdivididos46 pacientesemdois gruposde23,no iní-ciodoestudo,paraascirurgias;40estavamdisponíveisagora paraestaavalic¸ãotardia;21dogrupocom enxertoósseoe 19dogruposemenxerto.Seispacientesnãoforam localiza-dos.Nenhumpacientefoiconvertidoemartroplastiatotaldo

Tabela1–Dadosdemográficosdossujeitosdapesquisa

Comenxerto n=21

Semenxerto n=19

p

Idade(anos) 49,7±9,5 49,1±9,2 0,801

IMC 29,0±4,9 28,2±6,6 0,204

Seguimento(meses) 74,3±14,4 70,6±11,8 0,688 Placa-calc¸o(mm) 10,3±2,5 9,8±2,0 0,607

Lesãoligamentar 12 10 0,328

Tabagistas 5 11 0,028a

IMC,índicedemassacorporal.

a Significativo.

Tabela2–Resultadodaavaliac¸ãoclínicapelasescalas KSobjetivaefuncional

Comenxerto n=21

Semenxerto n=19

p

KSobjetivapré 48,9±11,2 49,5±11,6 0,830 KSobjetivapós 64,4±21,8 61,6±17,3 0,309 KSfuncionalpré 57,1±16,5 59±24,47 0,376 KSfuncionalpós 74,8±20,8 76,8±29,4 0,374

KS,KneeScore.

joelho atéomomento.Dadosdemográficosnãomostraram

diferenc¸as entre osgrupos quanto àmaioria das possíveis variáveis,comoidade,índicedemassacorporal(IMC), tama-nho da cunhada placa-calc¸o usada para fazer a correc¸ão, presenc¸adelesõesligamentaresassociadas.Houveummaior numerodetabagistasnogrupo“semenxerto”(tabela1).

O desfecho primário,aescala KSobjetiva,não apresen-toudiferenc¸aentreosgrupos(tabela2).AescalaKSfuncional tambémnãoapresentoudiferenc¸aentreosgrupos.

O alinhamentodomembrono planofrontal foimedido peloângulofemurotibial(FT),emradiografiascomapoio.Os resultadosestãoilustradosnafigura2.Nãohouvediferenc¸ana incidênciadeperdadecorrec¸ãonogruposemenxerto,como evidenciamosvaloresobtidosnoseguimentofinal(p=1,0).

Atabela3mostraaevoluc¸ãoradiográficadaosteoartrite,

deacordocomaclassificac¸ãodeAhlbackmodificada.Ogrupo “com enxerto” apresentou uma pioria significativa após a cirurgia(p=0,005).

+ 7,5º + − 3,0

+ 5,4º + − 4,1

− 0,9º + − 4,0 Neutro

PréOp

Sem enxerto Com enxerto 6m Atual

− 4,5º + − 4,9

+ 4º + − 4,6

+ 3,4º + − 4,1

(5)

Tabela3–Progressãoradiográficadaosteoartritede acordocomaclassificac¸ãodeAhlbackmodificada

Grau Comenxerto n=21

Semenxerto n=19

p

Ahlbackpré

1 1 3

2 7 6

3 13 10 0,504

Ahlbackpós

1 1 0

2 0 5

3 9 13

4 9 1

5 2 0 0,005a

a Significativo.

Nenhumcasofoisubmetidoaartroplastiaouosteotomia derevisão.

Discussão

Oresultado desteestudomostrou queaadic¸ão deenxerto ósseoautólogodacristailíacanãomelhorouoresultado clí-nicotardiodasosteotomiasdePudduenãoaumentouorisco decomplicac¸ões,comoaperdadecorrec¸ãoeapioria radiográ-ficadaosteoartritedojoelho,quandofeitascorrec¸õesdeaté 12,5mm.Emtrabalhoanterior,6essegrupohavia demons-tradoafaltadebenefíciodaadic¸ãodessetipodeenxertopara aconsolidac¸ãodaosteotomia,mashouvedúvidasobrea pos-sibilidadedecomplicac¸õesoumauresultadonumseguimento delongoprazo.

Esseachadoécompatívelcomoraciocíniobiológico, por-queoosso metafisário, aocontráriodosensocomum,não precisadecontatototal,casoexistaestabilidaderígida.16Isso éconseguidopelamanutenc¸ãodaintegridadedacortical late-raldatíbia,quefuncionacomoumfulcro,deondeocorrea formac¸ãodecaloendosteal,queprogrideparaoladomedial daosteotomia.6,9,17

Uma revisão sistemática recente, com metanálise, que incluiu25 estudos, corrobora esse achado.18 Entretanto, os autoresalertamparaofatodesomenteumdessesestudos6 terníveldeevidênciagrau1.Todosos outros24sãoséries decasosouestudoscomparativosnãocontrolados.Portanto, existeanecessidadedemaisestudosclínicosdeboaqualidade paraesclarecimentodoassunto.

Emrelac¸ãoàescalaKSS,aanáliseposthocdopoder esta-tísticomostrouqueotamanhodaamostraésuficientepara detectar diferenc¸as de 20 pontos entre as médias. Existe controvérsiasobrequalovalordadiferenc¸amínima impor-tante(MinimalClinicallyImportantDiference–MCID)paraessa escala.Emborajátenhamsidocalculadasdiferenc¸as peque-nascomo,5,9paraaKSobjetivae6,4paraaKSfuncional,19 outrotrabalhorefere queoMCIDpara oKS-FSdeveserde 34,5.20 AdotamosaMCIDcomo20nesteestudodemaneira subjetiva,porqueconsideramosqueajustificativapara um procedimento doloroso, como a retirada de enxerto autó-logo da crista ilíaca, precisaria de um efeito maior (effect

size).Nestaamostraencontramos umcoeficiente deCohen baixo (d=0,14). Porisso julgamos que umaamostra maior talveztivessealgumvalorcientífico,massemaplicabilidade clínica.

Emrelac¸ãoàperdadecorrec¸ão,observamosqueosdois grupostiveramperdaprogressivadacorrec¸ãoobtidacomseis mesesapósacirurgia,nesseseguimentocommaisde qua-troanosdedurac¸ão,masaperdafoiigualnosdois grupos. Comoasavaliac¸õesforamtodasfeitas emradiografiascom apoio monopodálico,nãotiramosasmedidasnas radiogra-fiasfeitasimediatamenteapósacirurgia,queprecisaramser feitas semcarga, pela dor e incapacidadede os pacientes apoiaremnaquelafase.Dessaforma,nãoépossíveldizerse houveumaperdanoperíodoentreacirurgiaeaconsolidac¸ão. O angulo de correc¸ão no plano frontal, na avaliac¸ão final de longo prazodo nossoestudo, ésimilar ao relatado por outros autores e está dentro do alvo recomendado (três a seisgrausdevalgoentreoseixosanatômicosdofêmureda tíbia).21

Em relac¸ão à osteoartrite, é difícil encontrar uma explicac¸ão biológica para a progressão maisacentuada no grupo“comenxerto”.Jáqueaclassificac¸ãomodificadade Ahl-backlevaemconsiderac¸ãootamanhodoosteófitoposterior datíbianaradiografiaemperfil,podemosargumentarqueo enxertopossaestimulardealgumaformaaindanão compre-endidaocrescimentodososteófitos,masnãoexistemdados na literaturaque comprovemessa teoria. Outra explicac¸ão possível équealgumavariávelocultanãocontroladaneste estudotenhacausadoessefenômeno.

As principais limitac¸ões deste estudo foram a inclusão depacientescomlesõesligamentarescrônicasassociadasa deformidadeemvarodojoelho,juntocomospacientescom osteoartriteprimáriacomjoelhoestável,oquepodeinterferir comoresultadodeescalasclínicaseotamanhodaamostra, quefoicalculadoparaodesfechoconsolidac¸ãodaosteotomia. Entretanto,comoasexigênciasparaaindicac¸ãodaosteotomia dePuddusãomuitas,torna-sedifícilobterumamostra sufici-entecasoserestrinjamaindamaisoscritériosdeinclusãono estudo.

Este estudo fornece respaldo para que, emosteotomias dePudducomaberturamenorouiguala12,5mmnãoseja usadoenxertoósseoautólogonemdispendiosossubstitutos ósseos.

Conclusão

O usode enxerto ósseo autólogoda cristailíaca,em paci-entescomdeformidadeemvarodojoelho,nãomelhoraos resultados clínicos de médio e longo prazo da osteotomia tibialdecunhaabertamedial,fixadacomplacascalc¸ode pri-meiragerac¸ão,emcorrec¸õesdeaté12,5mm.Portanto,nessas condic¸ões,evitamosseuuso,portratar-sedeprocedimento queaumentaadoreamorbidadedopaciente.

Conflitos

de

interesse

(6)

r

e

f

e

r

ê

n

c

i

a

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21.PipinoG,IndelliPF,TiganiD,MaffeiG,VaccarisiD.

Imagem

Figura 1 – Fluxograma Consort do estudo.
Figura 2 – Progressão do ângulo formado pelos eixos anatômicos do fêmur e da tíbia em radiografias com apoio no plano frontal.
Tabela 3 – Progressão radiográfica da osteoartrite de acordo com a classificac¸ão de Ahlback modificada Grau Com enxerto

Referências

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