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Rev. Bras. Reumatol. vol.57 número3

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w w w . r e u m a t o l o g i a . c o m . b r

REVISTA

BRASILEIRA

DE

REUMATOLOGIA

Artigo

original

Impacto

do

apoio

social

sobre

os

sintomas

de

mulheres

brasileiras

com

fibromialgia

Rodrigo

Pegado

de

Abreu

Freitas

a,∗

,

Sandra

Cristina

de

Andrade

b

,

Maria

Helena

Constantino

Spyrides

c

,

Maria

Thereza

Albuquerque

Barbosa

Cabral

Micussi

b

e

Maria

Bernardete

Cordeiro

de

Sousa

d

aUniversidadeFederaldoRioGrandedoNorte(UFRN),FaculdadedeCiênciasdaSaúdedoTrairi,SantaCruz,RN,Brasil

bUniversidadeFederaldoRioGrandedoNorte(UFRN),DepartamentodeFisioterapia,Natal,RN,Brasil

cUniversidadeFederaldoRioGrandedoNorte(UFRN),DepartamentodeEstatística,Natal,RN,Brasil

dUniversidadeFederaldoRioGrandedoNorte(UFRN),InstitutodoCérebro,Natal,RN,Brasil

informações

sobre

o

artigo

Históricodoartigo:

Recebidoem14deagostode2014 Aceitoem23demaiode2016

On-lineem30dejunhode2016

Palavras-chave:

Fibromialgia Apoiosocial Dor

Funcionalidade Depressão

r

e

s

u

m

o

Objetivou-se avaliaroimpactodoapoiosocialsobreossintomasdemulheres brasilei-rascomfibromialgia(FM).Trata-sedeumestudoobservacionaldescritivoqueselecionou 66mulheresqueatendiamaoscritériosdoColégioAmericanodeReumatologia(ACR)de 1990.OapoiosocialfoimedidocomoSocialSupportSurvey(MOS-SSS),afuncionalidadecom oQuestionáriodoImpactodaFibromialgia(FIQ),adepressãocomoInventáriodeDepressão deBeck(BDI),aansiedadecomaEscaladeAnsiedadedeHamilton(HAS),aafetividadecom oPositiveandNegativeAffectSchedule(Panas)efoifeitaalgometriapararegistrarolimiarda doràpressão(LDP)eatolerânciaálgicaàpressão(TAP)nos18pontosrecomendadospelo ACR.Ospacientesforamdivididosnosgruposapoiosocialnormal(ASN)ouruim(ASR);o ASRfoidefinidocomoumapontuac¸ãonosMOS-SSSabaixodopercentil25daamostratotal. Usou-seotestedeMann-Whitneyouotestetnãopareadoparacompararvariáveis intergru-poseodeFisherparaasvariáveiscategóricas.Usaram-seaanálisedecovariânciaeoteste decorrelac¸ãodePearson.Nãohouvediferenc¸anasvariáveissociodemográficasentreos gruposASNeASR.Observaram-sediferenc¸asentreosgruposASNeASRparatodasas qua-trosubcategoriasdeapoiosocialepontuac¸ãototaldoMOS-SSS.Encontraram-sediferenc¸as significativasentreoASNeoASRnadepressão(p=0,007),afetonegativo(p=0,025)eLDP (p=0,016).Asubcategoriaapoioafetivomostroucorrelac¸ãopositivaentreadoreoafeto positivonogrupoASR.Asubcategoriainterac¸ãosocialpositivamostrouumacorrelac¸ão negativaentreoFIQeoestadodedepressão.Portanto,oapoiosocialparececontribuirpara amelhorianasaúdementalefísicanaFM.

©2016ElsevierEditoraLtda.Este ´eumartigoOpenAccesssobumalicenc¸aCC BY-NC-ND(http://creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/4.0/).

Autorparacorrespondência.

E-mail:[email protected](R.P.Freitas).

http://dx.doi.org/10.1016/j.rbr.2016.05.002

(2)

Impacts

of

social

support

on

symptoms

in

Brazilian

women

with

fibromyalgia

Keywords:

Fibromyalgia Socialsupport Pain

Functionality Depression

a

b

s

t

r

a

c

t

WeaimedtoassesstheimpactofsocialsupportonsymptomsinBrazilianwomenwithFM. Anobservational,descriptivestudyenrolling66womenwhometthe1990AmericanCollege ofRheumatology(ACR)criteria.SocialsupportwasmeasuredbytheSocialSupportSurvey (MOS-SSS),functionalitywasevaluatedusingtheFibromyalgiaImpactQuestionnaire(FIQ), depressionwasassessedusingtheBeckDepressionInventory(BDI),anxietywasmeasured usingtheHamiltonAnxietyScale(HAS),affectivitywasmeasuredbyPositiveandNegative AffectSchedule(PANAS),andalgometrywascarriedouttorecordpressurepainthreshold (PPth)andtolerance(PPTo)at18pointsrecommendedbytheACR.Patientsweredivided intonormal(NSS)orpoorsocialsupport(PSS)groupswithPSSdefinedashavinga MOS-SSSscorebelowthe25thpercentileoftheentiresample.Mann–WhitneyorUnpairedt-test wereusedtocompareintergroupvariablesandFisher’sforcategoricalvariables.Analysis ofcovarianceandPearsoncorrelationtestwereused.Nodifferencesinsociodemographic variablesbetweenPSSandNSSwerefound.DifferencesbetweenNSSandPSSgroupswere observedforallfoursubcategoriesofsocialsupportandMOS-SSStotalscore.Significant differencesbetweenNSSandPSSondepression(p=0.007),negativeaffect(p=0.025)and PPTh(p=0.016)werefound.Affectionatesubcategoryshowedpositivecorrelationbetween painandpositiveaffectinPSS.Positivesocialinteractionsubcategoryshowedanegative correlationbetweenFIQanddepressionstate.Thereforesocialsupportappearstocontribute toamelioratementalandphysicalhealthinFM.

©2016ElsevierEditoraLtda.ThisisanopenaccessarticleundertheCCBY-NC-ND license(http://creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/4.0/).

Introduc¸ão

A fibromialgia (FM) é umacondic¸ão reumática progressiva semfisiopatologiadefinitivanemindicadoresmensuráveisda atividadeda doenc¸a.Essacondic¸ãoécaracterizadapordor crônicageneralizadae,frequentemente,sintomasassociados queincluemfadiga, distúrbiosdosono,disfunc¸ãocognitiva eepisódios depressivos.1,2 Aprevalênciade FMvaria entre

0,66%e4,4%dapopulac¸ãobrasileiraeémaiscomumentre as mulheres do que homens, especialmente na faixa dos 35 aos 60 anos.3 Limitac¸ões na atividade na FM têm um

impactosobreacapacidadedetrabalhoeimpõemumpesado fardosobreospacientesemtermosdeincapacidade,perda naqualidade de vida ecustos, bemcomo umasobrecarga econômicaàsociedade.4,5

Os episódios de dor crônica, depressão e baixa fun-cionalidade parecem afetar relacionamentos interpessoais (incluindoconjugais)eatividadesocupacionais.6,7As

mulhe-rescomFMencaramoceticismoeotratamentoinadequado deprofissionaisdasaúde,parenteseamigos,especialmente seasuadeficiêncianãoforvisível,oquepioraaindamaiso sofrimentofísicoeemocional.8Assim,ospacientescomFM

podemapresentaralterac¸õesnocomportamentopró-socialou percepc¸ãodeapoiosocial.9Asatisfac¸ãocomoapoiosocial,a

participac¸ãosocialemorarcomalguémtiveramefeitos prote-toressobreadepressãoeoutrossintomasemmulherescom FM.9,10

Poucosesabesobreainfluênciadefatorespsicossociaisno tratamentodador,ansiedadeedepressãoentrepacientescom

FM.NãoháestudosnoBrasilsobreoapoiosocialeossintomas daFM.Oapoiosocial,queincluioapoioemocionale instru-mental,éumrecursodeenfrentamentoemdoenc¸ascrônicas comoaFM.Relata-sequeéumdosfatoresmais importan-tes napromoc¸ãoda saúde.11 Oapoiosocialrepresentaum

recursoexternoqueseobtém deoutraspessoaseé opera-cionalizadocomoumrecursosocial.Aliteraturaindicaque oapoiosocialéumaspectoessencialdavidanasaúdegeral ementalepodeserdefinidocomoumsubconceitodasredes sociais12,13Emoutraspalavras,oapoiosocialéumafunc¸ãoda

redesocialdesempenhadapelosmembrosdeumaredesocial, geralmenterelacionadacomaquantidadee/oufrequênciados contatoscomparentes,amigosecolegas.13

O apoio social tem sido definido de várias maneiras, geralmente se refere a recursos fornecidos aos indivíduos em necessidade pela sua rede social. Pode ser medido pela percepc¸ão do indivíduo sobre o grau em que as relac¸õesinterpessoaissãocapazesdeatenderadeterminadas func¸õesdeapoiosocial.14Tradicionalmente,sugerem-se

qua-trotiposdeapoiosocial:emocional,instrumental,apreciac¸ão que envolveinformac¸ões relevantespara aautoavaliac¸ãoe informac¸ão.

(3)

Metodologia

Tipodeestudoeamostra

Fez-se um estudo observacional, descritivo. Os indivíduos foramrecrutadosdaClínicaMédicadoHospitalUniversitário OnofreLopes(Huol)edaClínicadeFisioterapiada Universi-dadePotiguar,Natal,Brasil.OComitêdeÉticaemPesquisada UniversidadeFederaldoRioGrandedoNorteaprovoutodos osprocedimentosdescritosnesteestudo(274/2010).O con-sentimentoinformadofoiobtidodetodososindivíduoseos protocolosdeestudoatendiamàsdiretrizeséticas.

Recrutaram-se66mulheres,entre20e76anos,que aten-diam aos critérios de 1990para FM do Colégio Americano deReumatologia(ACR).15Adotaram-seosseguintescritérios

deinclusão:(a)diagnósticomédicodeFM;(b)capacidadede compreenderosobjetivosdoestudoeresponderàs pergun-tas;(c)nãotersidosubmetidaaprogramasdefisioterapiaou reabilitac¸ãofísicaduranteostrêsmesesanteriorese(d)não usar corticosteroides, analgésicos e/ou anti-inflamatórios duranteasemanadeavaliac¸ão.Oscritériosdeexclusãoforam: (a) dificuldades físicas e/ou orgânicas, quando essas com-prometiam a aplicac¸ão dos questionários e testes de dor; (b) doenc¸as reumáticas e/ou autoimunes, incluindo a sín-dromedefadigacrônica,aartritereumatoide,agotaeolúpus.

Avaliac¸ão

O experimento foi feito em um ambiente tranquilo, sem interrupc¸õesecomosindivíduosnãoexpostosaoutros paci-entes.

Mediu-seoapoiosocialpormeiodoMedicalOutcomesStudy SocialSupportSurvey(MOS-SSS),umquestionáriode19itens queabordamúltiplasdimensõesdoapoiosocialefoi proje-tadoparaserdefácilaplicac¸ão.16Ositensnesseinstrumento

não especificam a fonte de apoio (p. ex., família, amigos, comunidadeououtros)emedemapercepc¸ãoda disponibili-dadedeapoiofuncional.Originalmenteconcebidoeminglês, o MOS-SSS foi traduzido e adaptado para o português e mostrouboaspropriedadespsicométricas.17Aconfiabilidade

teste-retestefoiconsistentemente elevadaparaas subesca-las(comcoeficientesdecorrelac¸ãointraclassequevariaram de0,78a0,87); aconsistênciainterna,avaliadapeloalfade Cronbach, varioude 0,75 a0,91.Apesar deexistirem cinco dimensõesteóricasnoMOS-SSS,investigac¸õespréviasda vali-dadesugeriramqueas questões relacionadas como apoio emocionaleainformac¸ãodevemseragrupadasnamesma dimensão.Assim,opresenteestudousouquatrodimensões: apoiotangível,apoioafetivo,apoioemocional/informac¸ãoe interac¸ãosocialpositiva.

Osindivíduosforamdivididosemdoisgruposdeacordo comoseuníveldeapoiosocial.Oapoiosocialruim(ASR)foi definidocomoterumapontuac¸ãonoMOS-SSSabaixodo per-centil25daamostratotal.11Oapoiosocialnormal(ASN)foi

definidocomoterumapontuac¸ãonoMOS-SSSacimado per-centil25daamostratotal,deacordocomShinetal.(2008).11,16

Afuncionalidadefoiavaliadacomaversãobrasileira do Questionáriodo Impacto da Fibromialgia (FIQ), um questi-onárioautoadministrado quemede aspectosfuncionais do

paciente durante assemanas anteriores.18 Elecontém três

questõesclassificadascomaescaladeLikert(níveisde res-posta) e sete perguntas respondidas com a escala visual analógica (EVA). Todas as escalas variam de 1a 10 euma pontuac¸ãoelevadaindicaimpactonegativoesintomasmais graves.Apontuac¸ãototaldoFIQégraduadade1a100pontos. Pontuac¸õesmaisaltasestiveramrelacionadascomummaior impactodadoenc¸asobreafuncionalidadedopacienteeuma reduc¸ãocorrespondentenasuaqualidadedevida.

OsníveisdedepressãoforamavaliadoscomoInventário deDepressãodeBeck(BDI),umaferramentade autorrelato compostapor21questõesrelacionadascomsintomase ati-tudescognitivas.19Para cadapergunta,ospacientes devem

escolher umaou maisfrasesque melhordescrevem como sesentiamnasemana anterior.Apontuac¸ãomáxima éde 63 e pontuac¸õesmaisaltas indicam depressãograve. Beck

etal.sugeremasseguintespontuac¸õesdequantificac¸ãopara adepressão:inferiora10indicapoucaounenhuma depres-são;10a18indicamdepressãomoderada;19a29depressão moderadaagrave;e30a63depressãograve.19

Agravidadedossintomasdeansiedadefoimedidacoma EscaladeAnsiedadedeHamilton(HAS).AHASfoi adminis-tradaporumentrevistadorquefaziaumasériedeperguntas semiestruturadas relacionadas com os sintomas de ansie-dade.Oentrevistadorentãoclassificavaosindivíduosemuma escalade5pontosparacadaumdos14itens.Setedositens abordavam especificamente aansiedadepsíquica eos sete restantes abordavam ansiedades somáticas. Os valores na escala variavamde0a4:0indicaquenãoháansiedade,1 indicaansiedadeleve,2indicaansiedademoderada,3indica ansiedadegravee4indicaansiedademuitograveou brutal-menteincapacitante.Oescoretotaldeansiedadevariavade0 a56.Escoreselevadossãoindicativosdealtaansiedade.20

Mediu-seoafetopositivo(PA)eoafetonegativo(NA)com a versão emportuguês de 20itens doPositive and Negative AffectSchedule.21 Os participantesforam convidadosa

indi-caremumaescalade5pontosqueiade1(muitopoucoou nada)a5(extremamente)àmedidaquetinham experimen-tadocada afetonasemana anterior.AescaladePAincluía itenscomo“interessado”,“animado”e“orgulhoso”eaescala deNAincluíaitenscomo“aflito”,“nervoso”e“irritável”.As pontuac¸õesvariaramde10a50tanto paraoafetopositivo quantoparaonegativo.Paraoescoredoafetopositivo,somar aspontuac¸õesdositens1,3,5,9,10,12,14,16,17e19.Parao escoredoafetonegativo,somaraspontuac¸õesdositens2,4, 6,7,8,11,13,15,18e20.

Fez-sealgometriapararegistrarolimiardedoràpressão (LDP)eatolerânciaálgicaàpressão(TAP).Forammarcados comumacanetademográfica18pontossensíveiseavaliados comaspacientesemposic¸ãoortostática,comospés ligeira-menteafastados.Ostestesdesensibilidadeàdorforamfeitos sobreos18pontosidentificadospeloACR,emconformidade comOkifujietal.22Issofoifeitoperpendicularmenteàpele

com 5a10segundos deintervalopelomesmoexaminador qualificado.Usou-seumalgômetrodepressão(Pain Diagnos-ticseTermografia®,GreatNeck,NY,EUA)comumapontade

borrachade1cmdediâmetro.Quantificaram-seolimiarde doreatolerânciaàpressãoemkg/cm2.Oexaminador

(4)

Tabela1–Variáveissociodemográficas

Fatoressociodemográficos Apoiosocialruim(n=17) Apoiosocialnormal(n=49) p

Idadea 53,41± 7,79 52,60± 12,50 0,804

Estadocivil

Solteirab 35,29% 16,32% 0,165

Casadab 41,17% 48,97% 0,779

Viúvab 5,88% 14,28% 0,669

Divorciadab 11,76% 18,36% 0,715

Nãorespondeub 5,88% 2,04% 0,452

Rendac

1saláriomínimob 35,29% 32,65% 1,000

2a3saláriosmínimosb 35,29% 40,81% 0,778

4oumaissaláriosmínimosb 29,41% 22,44% 0,743

Nãodeclaradab 0% 4,08% 1,000

Escolaridade

Fundamentalincompletob 5,88% 22,44% 0,163

Fundamentalcompletob 35,29% 24,48% 0,528

Ensinomédiocompletob 23,52% 30,61% 0,759

Ensinosuperiorcompletob 35,29% 22,44% 0,342

Idadedescritacomamédiaedesviopadrão.

a Testetnãopareado. b TesteexatodeFisher.

c Saláriomínimonacionalmensal:US$252,14.

Mediu-seoLDPquandoapacientedizia:“Estoucomec¸andoa sentirdor”.ParamediraTAP,apacienteeraorientadaaresistir aomáximodepressãodoalgômetroqueconseguisseeusasse afrase“Pare,nãoaguentomais”quandonãoeramaiscapaz detolerá-la.Aspacientesforamorientadasausarexatamente essafraseparaapadronizac¸ãocompletadoteste.

Análiseestatística

Fizeram-seanálisesestatísticascomosprogramasSPSS19.0e GraphPadPrism5(GraphPadSoftwareInc.,2009).Oprimeiro passodaestatísticafoitestaranormalidadedaamostracom otestedeShapiro-Wilk.Ascaracterísticasdosindivíduosnos gruposASReASNforamcomparadascomotestede Mann--WhitneyouotestetnãopareadoeotesteexatodeFisher paraasvariáveiscategóricas.Usou-seaanálisedecovariância (Ancova)paracompararascaracterísticasclínicasdos indiví-duosnosgruposASReASN.FoiusadootestedePearsonpara cálculodacorrelac¸ãoentreoMOS-SSSeasvariáveisclínicas daFMnogrupoASR.Considerou-seumvalordep≤0,05como resultadoestatisticamentesignificativo.

Resultados

A tabela 1 mostra as características demográficas para ambos os grupos do estudo. Não foi encontradadiferenc¸a estatisticamentesignificativanaidadeeemoutrosdados soci-odemográficosentre os dois grupos. A tabela2 descreve a comparac¸ãodoMOS-SSSedassubcategoriasdestatusentre osgruposASNeASR.

ComaAncova ajustada àidadepara mostrara influên-cia do ASR em características clínicas de pacientes com FM, encontrou-se uma influência significativa no estado

depressivo(p=0,007),naafetividadenegativa(p=0,025)eno LDP(p=0,016). Observou-seumatendência adiferenc¸a sig-nificativaentreosgruposASReASNnoFIQ(p=0,094),com pontuac¸õesmaiselevadasnogrupoASRdoquenogrupoASN (figs.1e2).ParaoASR(pontuac¸ãonoMOS-SSS<percentil25), asubcategoriaapoioafetivomostrouumacorrelac¸ãopositiva estatisticamentesignificativacomoPA(p=0,010;r=0,61),LDP (p=0,004;r=0,5)eTAP(p=0,002;r=0,54)(fig.3).Alémdisso,a subcategoriainterac¸ãosocialpositivamostrouumacorrelac¸ão negativa estatisticamentesignificativacom oFIQ(p=0,002; r=0,69)edepressão(p=0,004;r=0,65)(fig.4).

0 20 40 60 80

ASN ASR

FIQ BDI HAM PA NA

*

*

Pontuação

Figura1–Influênciadoapoiosocialruim(ASR)sobreas característicasclínicasdepacientescomFM.*p<0,05para Ancovaajustadaàidade.

(5)

Tabela2–Comparac¸ãodoestadodeapoiosocialentreosgruposapoiosocialnormal(ASN)eapoiosocialruim(ASR)a

Variáveisclínicas Apoiosocialruim(n=17) Apoiosocialnormal(n=49)

Mediana 75% 25% Mediana 75% 25% p

MOS-SSS

Total 51,5 54,95 45,83 85,83 93,75 71 <0,0001

Apoiotangível 45 65 35 90 100 75 <0,0001

Apoioafetivo 66 73 46,6 100 100 86 <0,0001

Interac¸ãosocialpositiva 45 50 37,5 80 92,5 60 <0,0001

Apoioemocional/informac¸ão 42 51 36 85 95 62,5 <0,0001

TestenãoparamétricodeMann-Whitney.Consideradasignificânciade5%.

a Pontuac¸ãonoMedicalOutcomeStudySocialSupportSurvey(MOS-SSS)<percentil25.

0 2 4 6

LDP TAP

*

Pressão (kg/cm

2)

ASN ASR

Figura2–Influênciadoapoiosocial(ASR)sobreolimiar dedoràpressão(LDP)etolerânciaálgicaàpressão(TAP). *p<0,05paraAncovaajustadaàidade.

ASN,apoiosocialnormal;ASR,apoiosocialruimcom pontuac¸ãonoMOS-SSS<percentil25paraASR.Dorà pressãoemkg/cm2.

Discussão

O objetivo deste estudo foi avaliar a influência do apoio social na dor periférica, funcionalidade e nos estados de humorpositivos e negativos, como depressão,ansiedade e afetividade,emmulheresbrasileirascomFM.Asubcategoria apoioemocional/informac¸õesabrangeprincipalmente empa-tia,expressãoemocional,aconselhamentoeorientac¸ão.23 A

subcategoriainterac¸ãosocialpositivaenvolveo compartilha-mentodeatividadesprazerosas,asubcategoriaapoioafetivo envolveaexpressãodeamoreasubcategoriaapoiotangível incluioauxíliomaterialeaassistênciacomportamental.23

O estudo não mostrou diferenc¸as em variáveis soci-odemográficas entre os grupos ASR e ASN. No entanto, encontraram-se diferenc¸as entre os grupos ASN e ASR na pontuac¸ão do paciente em todas as quatro subcategorias doapoio socialenapontuac¸ãototal doMOS-SSS. Aparen-temente, com o mesmonível de estado conjugal, renda e escolaridade,épossívelencontrar duascategoriasdeapoio socialemmulherescomFM.OssintomasdaFMpodemsero fatormaisimportante?Ouapercepc¸ãodeapoiosocialestava alteradanaFM?

0 20 40 60 80 100

15 20 25 30 35 40

MOS-SSS Apoio afetivo

Afeto positivo

0 20 40 60 80 100

0 1 2 3 4

MOS-SSS Apoio afetivo

Limiar de dor

0 20 40 60 80 100

0 1 2 3 4 5

MOS-SSS Apoio afetivo

Tolerância à dor

p = 0,01

r = 0,61

p = 0,04

r = 0,5

p = 0,02

r = 0,54

Figura3–Correlac¸ãodePearsonentreasubcategoriaapoio afetivoevariáveisclínicas.Pontuac¸ãonoMedicalOutcomes StudySocialSupportSurvey<percentil25.

(6)

0 20 40 60 80 0

20 40 60 80 100

MOS-SSS Interação social positiva

FIQ

0 20 40 60 80

0 20 40 60

MOS-SSS Interação social positiva

Depressão

p = 0,002

r = 0,69 p = 0,004

r = 0,65

Figura4–Correlac¸ãodePearsonentreasubcategoriainterac¸ãosocialpositivaevariáveisclínicas.Pontuac¸ãonoMedical OutcomesStudySocialSupportSurvey<percentil25.

Essesachadossãoconsistentescompesquisasanteriores feitasnaCoreiadoSulenosEUAquemostraramqueoapoio socialestáassociadoabaixosníveisdefuncionalidadee esta-dosdehumor.11,18 Alémdisso,haviatambémevidênciasde

queos pacientes comFM combaixa interac¸ãosocial posi-tivapodemtermaissintomasdepressivosefuncionalidade inferior.24Issopodeserdecorrentedenãoreceberapoiosocial

adequadoeserestigmatizadoeinvalidado,o quepodeser bastantecomumnaFM.25

UmasériedeestudostemdescritooimpactodaFMna fun-cionalidade,incapacidadeequalidadedevidadopaciente.5,6

Ao estudaro perfilpsicossocial das mulherescom FM em Toronto(Canadá),Shusteretal.mostraramqueessas mulhe-resrelataram menor percepc¸ão de apoio familiar e humor inferior às mulheres dogrupo controle.26 Também

encon-traramcorrelac¸õesentreessasvariáveisquandoelasforam examinadas dentro do grupo FM e uma associac¸ão signi-ficativa com taxas mais elevadas de ansiedade e humor deprimido. Esses resultados sugerem que o apoio familiar percebidopormulherescomFMpodeterumimpacto impor-tante sobre seus desfechos de saúde e que tratamentos complementares,comoafisioterapia,podemmelhorar con-sideravelmenteaqualidadedevidadepacientescomFM.26

EmumestudodepacientescomFM,artritereumatoide, espondiliteanquilosanteeosteoartrite,oapoiosocialesteve positivamenteassociadoàsaúdemental,masnãofísica,dos pacientes.26,27 O presente estudo mostrou uma associac¸ão

entreestadosfísicosedehumorcomaspectossociais.Isso sugerequeparamelhorarasaúdedepacientescomdoenc¸as reumáticascomoaFMparecesernecessárioapoiosocialpara melhoraroestadoemocionaleafuncionalidade.27

Classificac¸õesmaiselevadasdedepressãoeansiedadeem mulherescom FMestão relacionadas com fatoresque não osesquemascognitivosmaladaptativos,comoareduc¸ãona capacidadedeparticipardeatividadesagradáveiseafaltade sonoemdecorrênciadador.28Emapoioaessaideia,Cannella etal. descobriramqueainterferênciaematividades diárias importantesmediaaassociac¸ãoentreagravidadedadoreo humordeprimido.28Essasinfluênciaspoderiamserumfator

importanteparadescreverainterac¸ãoentreossintomasea percepc¸ãodeapoiosocial.

Deacordocomateoriadoapoiosocial,receberapoiodos outrosgeralmenteébenéficoparaasaúdefísicaementale podediminuir o impacto nocivode estressoresexternos.29

Obteve-seconfirmac¸ãoempíricadessahipótesede tampona-mentodoapoiosocial.30Noentanto,ainvalidezcausadapela

reduc¸ãonodesempenhofísicopodeserprejudicialporoutras razões,além dafaltadeapoio social.Ainvalidezincluium componenteativoderejeic¸ãosocial.Sugeriu-seamplificara dor,porexemplo,pormeiodaativac¸ãodeestruturasneurais, comoocórtexcinguladoanterior.31,32

Postula-sequeapresenc¸adeapoiosocialpodediminuira avaliac¸ãodaameac¸afeitapeloindivíduo,queporsuavezpode influenciaraexperiênciadedorpropriamenteditaereduzir emoc¸õespositivasenegativas,comoadepressão,a afetivi-dadeouaansiedade.26,30,33Outraexplicac¸ãoplausívelparao

efeitobenéficodapresenc¸adeapoiosocialsignificativoéque apresenc¸adeumapessoadeapoioajudaopacientease dis-trairdasuaexperiênciadedisfunc¸ãofísicaehumor.26Neste

estudo,verificou-seumacorrelac¸ãoentreainterac¸ãosocial afetuosaepositivaeadoreosestadosdehumor.Assim,o apoiosocialprovavelmenteéumpreditordadornapopulac¸ão desteestudo.

Oestudoforneceuapoioparaarelac¸ãoentreoapoiosocial eohumoresintomasfísicosemmulherescomFM.Os acha-dosatuaistêmumimportantepapelnodesenvolvimentode umtratamentoabrangentequeabordaavariedadede sinto-maspsicológicosassociadosàFM.Apresentepesquisaapoia omodelobiopsicossocialabrangente,emqueafisiologiada emoc¸ãoforneceumelofundamentalentreosestados men-taiseadoenc¸afísica.Arelac¸ãoentreasemoc¸õeseossintomas físicosprovavelmentecooperaparaosmuitosfatoresque con-tribuemparaaprogressãodadoenc¸a.34Osresultadossugerem

inter-relac¸õesimportantesentreossistemasbiológicos, psi-cológicosesociaisqueinfluenciamosprocessosdesaúdee doenc¸anaFM.Portanto,intervenc¸õeseesforc¸osparamelhorar oapoio socialempacientescomFMparecemserum com-ponente crucial a ser incluídona prática para melhorar a qualidadedasaúdedessapopulac¸ão.

Conclusão

(7)

asaúdefísicaementalempacientescomFMeapercepc¸ãode ASRpodeserinfluenciadapelagravidadedossintomas.

Conflitos

de

interesse

Osautoresdeclaramnãohaverconflitosdeinteresse.

r

e

f

e

r

ê

n

c

i

a

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Tabela 1 – Variáveis sociodemográficas
Tabela 2 – Comparac¸ão do estado de apoio social entre os grupos apoio social normal (ASN) e apoio social ruim (ASR) a
Figura 4 – Correlac¸ão de Pearson entre a subcategoria interac¸ão social positiva e variáveis clínicas

Referências

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