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AÇÕES PROPOSTAS

No documento geodiversidade brasil (páginas 172-175)

Há várias maneiras de reduzir as emissões dos gases de efeito estufa, como diminuir o desmatamento, incenti- var o uso de energias renováveis não-convencionais, prá- tica da eficiência energética e reciclagem de materiais,

melhoria do transporte público, programas de educação ambiental etc.

Outras ações passíveis de serem adotadas por um ci- dadão comum, por mais simples que sejam, quando visto de forma coletiva, também contribuem para a diminuição do aquecimento do planeta. Essas ações incluem: econo- mia de energia, redução do desperdício de água, substi- tuição de carros populares por transporte coletivo eficien- te ou veículos que utilizem combustíveis menos poluen- tes, como o biocombustível ou álcool, utilização de ener- gias limpas, recuperação e preservação de áreas verdes das grandes cidades.

Como conseqüência de uma série de eventos envol- vendo diversos países, deu-se início, a partir de 1997, em Kyoto (Japão), à discussão e assinatura de um tratado in- ternacional que visasse à redução da emissão de gases que provocam o efeito estufa (GEE). Esse tratado, conhe- cido como “Protocolo de Kyoto”, prevê o chamado Me- canismo de Desenvolvimento Limpo (MDL) como um dos mecanismos de flexibilização para auxiliar no processo de redução desses gases na atmosfera.

Com esse mecanismo, os países desenvolvidos têm até 2012 para reduzir suas emissões em 5,2%, na média, com relação aos níveis de 1990, para dióxido de carbono, metano e óxido nitroso, e aos níveis de 1995 para hexafluo-

reto de enxofre – SF6 e famílias de hidrofluorcarbonos –

HFC e perfluorcarbonos – PFC.

Além de cortar localmente suas emissões, os países desenvolvidos podem também comprar uma parcela de suas metas em créditos de carbono gerados em projetos em outros países.

O Protocolo de Kyoto entrou em vigor a partir de 16 de fevereiro de 2005, com o objetivo de diminuição da temperatura global nos próximos anos. Entretanto, a Aus- trália e os Estados Unidos (EUA) não aceitaram o acordo, alegando que este prejudicaria seus respectivos desenvol- vimentos industriais, sendo os EUA o país que mais emite poluentes no mundo.

Após a conclusão da quarta avaliação do IPCC em 2007, membros da UNFCC na 13ª Conferência das Partes sobre o Clima (COP-13), realizada em Bali na Indonésia, aprovaram o Mapa do Caminho. Esse documento define o conteúdo e o prazo das negociações que, em 2009, definirão o novo regime de proteção ao clima e ao com- bate do aquecimento global após 2012, quando expira o Protocolo de Kyoto.

Em nível nacional, foi criado o Grupo de Pesquisa em Mudança Climática (GPMC), que tem como objetivo o desenvolvimento de pesquisas relacionadas ao tema, inclu- indo estudos de monitoramento para caracterizar o clima do presente e sua variabilidade em longo prazo, assim como projeções de cenários futuros para modelamento do clima até o final do século, de acordo com variadas taxas de emis- sões de gases de efeito estufa. O GPMC é liderado pelo Centro de Previsão de Tempo e Estudos Climáticos (CPTEC) e pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE).

Entre os membros, há pesquisadores que trabalham nas áreas de mudanças de clima, análises de vulnerabilida- de, estudos de impactos de diversas instituições, incluindo: universidades públicas federais, como a Universidade de São Paulo (USP); fundações, como a Fundação Brasileira para o Desenvolvimento Sustentável (FBDS); instituições do governo federal, como Empresa Brasileira de Pesquisa Agro- pecuária (EMBRAPA), Instituto Nacional de Meteorologia (INMET), Fundação Osvaldo Cruz (FIOCRUZ), Agência Na- cional de Águas (ANA), Agência Nacional de Energia Elétri- ca (ANEEL), dentre outras; centros estaduais de meteorolo- gia e organizações não-governamentais, como World Wide Fund for Nature (WWF), Instituto do Homem e Meio Am- biente da Amazônia (IMAZON) e Greenpeace. O grupo tam- bém trabalha em conjunto com o Programa Nacional de Mudanças Climáticas do Brasil e com programas nacionais de alguns países da América do Sul.

Geoindicadores

Outra importante ferramenta que tem sido divulgada nos últimos anos pela comunidade científica se refere à utilização de geoindicadores. Com base nos trabalhos de BERGER & IAMS (1996) e BERGER (1997), a IUGS, atra- vés da (Comission on Geological Sciences for Environmental Planning (COGEOENVIRONMENT), promo- veu diversos encontros que culminaram na Iniciativa GEOIN http://www.lgt.lt/geoin/ , que estabeleceu 27 geoindicadores básicos que foram usados em diversos tra- balhos no Brasil e em diversos países, sobre diversos te- mas relacionados às mudanças climáticas, seus impactos e ações de adaptação, principalmente, e prevenção.

Os Geoindicadores são medidas (magnitudes, fre- qüências, taxas e tendências) de processos geológicos e fenômenos que ocorrem na superfície terrestre ou próxi- mo a esta, sujeitos a mudanças significativas para o en- tendimento de mudança ambiental em períodos de, no máximo, 100 anos (podendo se estender para 100-200 anos). Seu conhecimento e monitoramento é um impor- tante subsídio para as medidas de adaptação e ao desen- volvimento sustentável. Tais indicadores são baseados em métodos padronizados e procedimentos de monitoramento multidisciplinares, com base científica, a partir de dados de geologia, geoquímica, geomorfologia, geofísica, hidrologia e outras ciências da Terra, no intuito de se ava- liar as condições de ambientes terrestres e costeiros, tanto em nível local quanto global, para então entender as cau- sas e efeitos produzidos por esforços antrópicos ou natu- rais adicionados ao sistema.

As colunas da direita do Quadro 11.1 são uma tenta- tiva de mostrar a importância relativa das forças naturais, em contraste com as tensões induzidas pelo homem, nas causas da mudança que um determinado geoindicador controla (BERGER, 1998).

A aplicação desses parâmetros, que determinam alte- rações nas paisagens, tanto em áreas urbanas quanto ru-

Quadro 11.1 – Lista dos geoindicadores e respectivas influências das tensões humanas e das forças naturais

Geoindicadores Mudanças ambientais que refletem naturais Forças humanas Tensões

Zonas áridas e semi-áridas

Crostas e fissuras em superfície desértica Aridez 1 2

Formação e reativação de dunas Velocidade e direção dos ventos, umidade, aridez, disponibilidade de sedimentos 1 2

Magnitude, duração e freqüência de

tempestade de areia Transporte de areia, aridez, uso do solo 1 2

Erosão eólica Clima, uso do solo, cobertura vegetal 1 2

Criosfera

Atividade de solo congelado Clima, hidrologia, movimento de talude 1 2

Flutuações de geleiras Precipitação, insolação, fluxo de derretimento 1 3

Zonas costeiras e marinhas

Química do coral e padrão de

crescimento Temperatura da água de superfície e salinidade 1 1

Nível relativo do mar Subsidência e elevação costeira, clima, extração de fluidos, sedimentação e compactação 1 2

Linha da costa Erosão costeira, transporte e deposição de sedimentos, uso do solo, nível do mar, clima 1 1

Lagos

Níveis e salinidade de lagos Clima, uso do solo, fluxo de água (vazão), circulação da água subterrânea 1 1

Rios e riachos

Fluxo de corrente Clima, precipitação, bacia de drenagem, uso do solo 1 1

Morfologia de canal Carga de sedimento, velocidade de fluxo, clima, uso de solo, subsidência 1 1

Armazenamento e carga de fluxo de sedimento

Transporte de sedimento, taxa de fluxo, bacia de

drenagem, uso de solo 1 1

Áreas úmidas

Extensão, estrutura e hidrologia de terras úmidas

Uso do solo, clima, produtividade biológica, vazão de

fluxo 1 1

Águas de superfície e subterrâneas

Qualidade de água de superfície Clima, uso do solo, interações água-solo-rocha, velocidade de fluxo 1 1

Qualidade da água subterrânea Uso do solo, contaminação, alteração de rocha e solo, radioatividade, precipitação de ácidos 2 1

Química da água subterrânea na zona

não saturada Alteração de solos e rochas, clima, uso do solo 1 1

Nível da água subterrânea Clima, impermeabilização e recarga 2 1

Atividade cárstica Química e fluxo da água subterrânea, clima, cobertura vegetal, processos fluviais 1 2

Solos

Qualidade do solo Processos químicos, biológicos e físicos no solo, uso do solo 2 1

Erosão de solos e sedimentos Clima, tempestade de água, vento, uso do solo 1 1

Riscos naturais

Deslizamento de encostas Estabilidade de taludes, movimentos lentos e rápidos de massa, uso do solo, precipitação 1 1

Sismicidade Natural e induzida pelo homem liberando tensões da Terra 1 2

Atividade vulcânica Movimento de magma próximo à superfície, liberação de gases magmáticos, fluxos de calor 1 3

Outros

Seqüência e composição de sedimentos Clima, uso do solo, erosão e deposição 1 1

Regime de temperatura de subsuperfície Clima, fluxo de calor, uso do solo, cobertura vegetal 1 2

Deslocamento da superfície Sublevação e subsidência da Terra, falhamento, extração de fluidos 1 2

Nota: 1= Forte influência; 2 = Pode influenciar; 3 = Pouca influência Fonte: BERGER (1997, 1998).

rais, tem sido uma importante ferramenta entre gestores e pessoas que tomam decisões. Os geoindicadores podem ajudar a determinar impactos ambientais, monitorar ecos- sistemas de forma contínua, selecionar práticas de reflo- restamento e determinar condições de base prévias para todo o planejamento de exploração mineral, usos da ter- ra, construções de vias, canais, desvios de rios etc.

No caso de um país de dimensões continentais como o Brasil, com grande diversidade de paisagens, clima, fau- na, flora, uso do solo etc., é de extrema necessidade, a partir de ações integradas entre órgãos governamentais, universidades e organizações e pesquisadores autônomos, o estabelecimento de uma rede nacional de geoindicado- res integrada às demais redes internacionais. Dos 27 geo- indicadores propostos por BERGER (1997), com exceção daqueles relacionados às atividades vulcânicas ou gelei- ras, praticamente todos podem ser incorporados à reali- dade brasileira.

O conhecimento de nosso ambiente, a partir de mé- todos científicos, precederia às tomadas de decisões ne- cessárias, tanto para minimizar os impactos antrópicos causados no meio, quanto ao desaceleramento das mu- danças, ainda que ocorram a partir de causas naturais, ou até para a adaptação humana às novas condições ambien- tais, quando estas se tornam irreversíveis.

Sugestões de Medidas de Adaptação no

No documento geodiversidade brasil (páginas 172-175)