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X 2.C) O supertópico, a partir do qual a produção

4.4. COMENTÁRIO SOBRE OS QUESTIONÁRIOS DIAGNÓSTICO E FINAL

Nesta seção, comentaremos os dados gerados a partir de questionários respondidos pelos alunos participantes das oficinas. Conforme já comentamos na seção 3.3.3,

Questionário diagnóstico, elaboramos dois instrumentos. Esses foram aplicados em

momentos distintos da ação e tiveram diferentes objetivos. Reiteramos que o modelo do questionário diagnóstico (QD) está disponível no Apêndice C, p. 137, e o do questionário final (QF) está disponível no Apêndice D, p. 141.

Apesar de 24 alunos terem respondido ao QD e 17 ao QF, focaremos nosso comentário nas respostas de S05, já que esse é nosso sujeito de pesquisa. Para fins de organização textual, abordaremos, inicialmente, as perguntas que eram comuns aos dois questionários, traçando, assim, um comparativo entre as respostas.

Tanto o QD quanto o QF questionavam se os alunos consideravam o trabalho com o texto oral, em sala de aula, tão importante quanto o trabalho com o texto escrito. Em ambos os instrumentos, S05 respondeu que sim e justificou com base em recorrências de situações cotidianas, nas quais práticas da oralidade são comuns:

 QD:

A partir da sua experiência, você considera o trabalho com o texto oral em sala de aula tão importante quanto o trabalho com o texto escrito? ( ) Sim ( ) Não

Por quê?

“Pois no decorrer da nossa vida, teremos que falar em algum momento, ou em público ou em algum seminário ou conferência. Para isso, a oralidade é necessário.” (S05)

 QF:

A partir das oficinas dinamizadas em sua turma, você considera o trabalho com o texto oral em sala de aula tão importante quanto o trabalho com o texto escrito?

( ) Sim. ( ) Em parte. ( ) Não.

Por quê?

“Pois, na vida cotidiana, a oralidade é muito importante. Eu, pessoalmente, tenho mais facilidade em escrever do que falar, e esse trabalho me ajudou muito” (S05)

O estudante manteve também a mesma resposta para a questão que investigava o conceito que o aluno atribuía para a sua relação com textos envolvendo oralidade. Em ambos os momentos, S05 assinalou a alternativa “Boa”, porém suas justificativas destoam:

 QD:

Que conceito atribui para a sua relação com textos envolvendo oralidade? ( ) Péssima

( ) Regular

( ) Boa ( ) Ótima

( ) outro:

“Pois consigo expor minha opinião, porém tendo alguma dificuldade” (S05)

 QF:

Neste momento, que conceito atribui para a sua relação com textos envolvendo oralidade? ( ) Péssima ( ) Regular ( ) Boa ( ) Ótima ( ) Outro:

Por quê?

“Melhorei muito, aprendi a organizar e elaborar um argumento coerente e conciso.” (S05)

Percebemos que, no segundo questionário, o aluno elencou ações necessárias para elaboração de argumento de determinada qualidade (coerente e conciso), enquanto que, no primeiro, focou na dificuldade.

Quanto aos elementos considerados importantes na organização de um texto oral (Quais elementos você considera importantes na organização de um texto oral?), o aluno assinalou “Conhecimento sobre o assunto em pauta”, “Postura corporal adequada à situação”, “Seleção de argumentos pertinentes”, “Vocabulário adequado à situação”, “Tom de voz”, “Dicção” e “Inspiração” no QD. Já no QF, S05 deixou de assinalar “Inspiração” e “Vocabulário adequado à situação”. O que percebemos é que o único item que não foi assinalado, nos dois instrumentos, é “Conhecimento sobre os interlocutores”.

Detectamos que essa foi uma tendência da turma, uma vez que esse item foi o menos assinalado em ambos os instrumentos, enquanto, no QD, cerca de 33% dos alunos (8 em um universo de 24 alunos) marcaram-no, no QF, cerca de 23% dos alunos (4 em um universo de 17 alunos) o assinalaram. Enfatizamos, contudo, que buscamos trabalhar isso em nossas oficinas e, como contraponto, para a questão que investigava o que era considerado pelo aluno ao produzir um texto, S05 assinalou, em ambos os questionários, além do objetivo da interlocução e de seus interesses pessoais, o interlocutor.

Investigamos, igualmente, os aspectos que os alunos consideravam como dificuldades e como facilidades no trabalho envolvendo a oralidade. Quanto às dificuldades (Em relação à

experiência com trabalhos envolvendo a oralidade, você considera ter dificuldades devido a quê?), no QD, S05 apontou seis itens: “Dificuldade em selecionar argumentos e palavras

adequadas à situação”, “Dificuldade em organizar o raciocínio”, “Dificuldade em se expressar (dicção, postura)”, “Falta do conhecimento do assunto em pauta”, “Receio da reação/ crítica do grupo” e “Timidez”. Já no QF, apenas esses dois últimos elementos foram apontados como dificuldades.

Já quanto às facilidades no trabalho envolvendo a oralidade (Em relação à experiência

com trabalhos envolvendo oralidade, você considera ter facilidades devido a quê?), houve

uma mudança de resposta: no primeiro momento, o aluno apontou “Incentivo de outras pessoas”, enquanto, no segundo, “Facilidade em selecionar argumentos e palavras adequadas à situação”. Percebemos uma mudança da natureza da resposta: enquanto a primeira atrela a

facilidade à ação de terceiros; a segunda revela que a facilidade parte do próprio aluno- produtor.

Por fim, é preciso destacar a progressão textual. Quando questionado Você considera

que um texto (oral ou escrito) apresenta progressão quando, o aluno assinalou, inicialmente,

as alternativas “o texto apresenta um vocabulário culto”, “o texto apresenta uma resolução para o tópico em questão”. No entanto, posteriormente, assinalou “o texto apresenta uma resolução para o tópico em questão”, “a ideia principal é retomada ao longo da produção” e “novas ideias são acrescentadas a partir do tópico principal”. Acreditamos que a alternativa sobre resolução para o tópico se manteve em decorrência de esse ser um dos critérios de avaliação da redação do Exame Nacional do Ensino Médio 2016 (Enem). O que destacamos, todavia, é o acréscimo das duas últimas alternativas, que estão em consonância com as metarregras de continuidade e progressão propostas por Charolles (2002).

Esses dados são bastante reveladores, pois indicam mudanças em determinadas concepções que nos são bastante caras. Acreditamos que nosso trabalho tem influência nesse fenômeno, todavia não podemos fazer mais afirmações categóricas, já que nosso aparato analítico não dá conta dessa questão e apenas um desdobramento dessa pesquisa poderia averiguar isso. O que destacamos, por fim, é que, com esse instrumento, propomos uma reflexão por parte do aluno acerca do seu próprio aprendizado e que, frente às respostas, acreditamos que a experiência foi bem sucedida.