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2. PROCESSO DE TRABALHO DE CAMPO

2.3 Fontes da Pesquisa

As fontes de informação foram classificadas em primárias oriundas do trabalho de campo que inclui entrevistas e observação direta da dinâmica de trabalho e informações sobre experiências de vitimização e defesas dos taxistas; e fontes secundárias que foram garimpadas em documentos, literatura específica, sites, filmes, fotografias e banco de dados, do ISC/UFBA, sobre vitimização de taxistas.

Iniciaremos por descrever as fontes secundárias onde foram exploradas perspectivas quantitativas e qualitativas, a depender das possibilidades oferecidas por cada fonte. Informamos que não foram utilizadas estatísticas da Secretaria de Segurança Pública sobre crimes e vitimizaçao de motoristas de táxi na Bahia por não ter sido disponibilizada pelo órgão devido ao fato de haver uma epígrafe específica e não ter

outra que indiretamente fornecesse dados sobre o tipo de criminalidade tratado neste estudo. A possibilidade seria busca ativa em Boletins de Ocorrência policial que inicialmente foi considerada, mas devido a extensão do trabalho decidimos por ser pesquisa com objetivo e técnicas específicas.

2.3.1. Estudo quantitativo utilizando o banco de dados do ISC/UFBA

Entre os anos de 2001 e 2002, no Instituto de Saúde Coletiva, foi realizada uma pesquisa com finalidade de conhecer as formas de vitimização dos motoristas de táxi na cidade de Salvador, coordenada pelos professores Eduardo Paes Machado e Ceci Vilar Noronha. Fez-se a aplicação de 527 questionários com esta categoria profissional, que geraram a construção de um banco de dados a ser explorado, sendo este disponibilizado para análise dos resultados, constituindo-se uma das fontes deste projeto de pesquisa. O processo metodológico da pesquisa realizada será descrito a seguir com a finalidade de possibilitar a compreensão da construção do referido banco de dados e garantir futura análise dos resultados de forma adequada, e sendo este de autoria dos pesquisadores citados acima.

a) Desenho da amostra

Este estudo foi desenvolvido com base em uma amostra por conglomerado, segundo o número de paradas de táxi na cidade de Salvador. Segundo informações da Superintendência de Transporte Público (STP) da administração municipal de Salvador, o total de pontos de táxi existentes na cidade, tendo como base o ano de 2000, era 182, totalizando 1.264 vagas ocupadas por, aproximadamente, 14 mil taxistas licenciados.

Estes pontos estão distribuídos em 14 Regiões Administrativas (ARs), sendo a primeira a da área do Centro Comercial, com 50 pontos e 374 vagas; e a 14ª, situada na Avenida Afrânio Peixoto (Suburbana), com um ponto e três vagas.

Para cálculo do tamanho da amostra do estudo, definiu-se que a mais apropriada seria amostragem por conglomerado. Verificou-se que cada ponto de táxi corresponde a um agrupamento, tendo em média sete vagas para veículos. Assim, assumindo um efeito de conglomerado de 1,5, a amostra passou de 199 para 298,5 vagas (1,5* 199). Espera-

se uma amostra final de cerca de 602 taxistas, ou seja, 43*7*2*=602, assumindo que, no máximo, dois taxistas ocupem uma mesma vaga.

O volume da amostra calculada considera que foram entrevistados motoristas dos 43 pontos de táxi que constituiu a amostra sorteada, estes localizados em regiões diferentes de Salvador.

a.1 Instrumento de coleta de dados

Foi utilizado questionário composto por questões fechadas e abertas, organizadas em blocos temáticos de acordo com os objetivos da pesquisa e enfatizando os tipos de violência que vitimizam taxistas em Salvador. A aplicação dos questionários ocorreu no ambiente de trabalho dos taxistas, durante o período de espera dos passageiros, com aqueles que ocupavam os últimos lugares da fila de táxi e em diferentes pontos distribuídos em diferentes regiões da cidade.

O questionário foi composto por 59 questões, sendo subdivididas em 55 delas do tipo fechadas e quatro abertas. As perguntas foram organizadas em blocos temáticos da seguinte forma: seis perguntas sobre perfil pessoal e social do entrevistado; três sobre ocupação; nove sobre relação de trabalho; 16 questões sobre vitimização; uma sobre registro de queixas (policial); sete sobre medidas de autoproteção; sete sobre estresse no trabalho; seis dos fatores emocionais; quatro sobre habilidades em enfrentar problemas de violência. Todas as perguntas direcionadas a experiência nos últimos 12 meses que antecederam a aplicação do questionário. Cada bloco temático agregou variáveis que possibilitam a caracterização dos entrevistados e da ocupação, os tipos de vitimizaçao e medidas de enfrentamento adotadas individualmente.

As variáveis adotadas para identificação dos tipos de violência que vitimizam motoristas de táxi foram distribuídas em uma ordem crescente de gravidade dos efeitos sobre a saúde dos trabalhadores. Foram consideradas as variáveis: “Ofensas verbal/xingamentos”, “Calote”, “Pedágio (extorsão)”, “Ameaça”, “Agressão física”, “Roubo à mão armada”, “Seqüestro”.

Os questionários foram processados através de software Epi Info, utilizando máscara composta pelas 55 questões fechadas. O referido programa permite um rápido processamento das informações e obtenção das freqüências simples e cruzamentos de variáveis do estudo. Alguns cruzamentos de variáveis serão prioridades do estudo como: “Condição de propriedade do táxi” e “Tipos de vitimização”; “Locadores de Táxi” e “Tipos de vitimização”; “Tipos de vitimização” e “Medidas de autocontrole”; “Tipos de vitimização” e “Fatores emocionais”.

2.3.2 Artigos de jornal local e nacional

Foram analisados artigos jornalísticos veiculados no jornal Folha do São Paulo entre o período de janeiro de 1999 a dezembro de 2009. Esses artigos foram selecionados por equipe do próprio jornal a partir de encomenda, via on line, feita pela pesquisadora. Os descritores sugeridos para a pesquisa no banco de artigos, do referido jornal, foram: “táxi”, “taxistas”, “motorista de táxi”, “violência e motoristas de táxi”, “violência e táxi”, “violência e taxista”. Todos os descritores com variações gramaticais de número (plural e singular). Foram 90 artigos analisados, destes 21 tratavam diretamente sobre vitimização de motoristas de táxi por violência e as 69 tratavam sobre acidentes, corrupção, criminalidade, manifestação coletiva, atividades ilícitas que envolviam taxistas, entre outras. Os 90 artigos foram analisados buscando informações sobre rotinas de trabalho do taxista, tipos, forma e efeitos de vitimizaçao, caracterização dos agressores, formas de defesas contra a violência dos taxistas e rede de apoio. Os artigos traziam informações de vitimização da categoria, principalmente, no estado de São Paulo, mas encontramos entre as reportagens ocorrências no Rio de Janeiro, Minas Gerais, Mato Grosso do Sul, Rondônia.

No jornal de maior circulação do estado da Bahia, A Tarde, foram analisados 193 artigos. Destes, 71 artigos faziam parte de arquivo temático impresso, catalogado sobre “táxis” e organizado pelo próprio jornal, do período entre 1972 a 2005. Este arquivo foi analisado buscando compor uma sequência histórica de acontecimentos que envolviam a categoria entre as décadas de 1970 a 1990. Outros 122 artigos foram catalogados por duas vias. Inicialmente o jornal colocava a disposição dos assinantes um arqui de edições anteriores com a possibilidade de pesquisa por palavras-chaves.

Enquanto o jornal disponibilizou esse recurso foi realizado levantamento de artigos do período entre janeiro de 2000 a dezembro de 2005, via on line através do site WWW.jornalatarde.com.br, porém repentinamente o site foi modificado e não incluía a possibilidade de pesquisa de edições anteriores. Portanto, para os anos de 2006 a 2008 foi feito levantamento na biblioteca do referido jornal em arquivo impresso.