As ferramentas tecnológicas mais utilizadas nos veículos de comunicação são o microblog Twitter e a rede social Facebook. Após o Orkut89, foram estas duas redes
que abriram as portas das redações para o público e aos poucos os jornalistas foram perdendo o preconceito e enxergando possiblidades de novos usos para as ferramentas. O Twitter é considerado uma eficiente fonte de notícias em tempo real, onde todos os usuários usam esta rede social como um listão que publica todas as notícias de todos os veículos de comunicação que estejam conectados a esta rede social. Como já explicado anteriormente, as empresas de comunicação praticamente são obrigadas a utilizar uma ferramenta de mídia social e o Twitter é uma das primeiras redes instaladas para chamar ou se aproximar do seu público. Hoje em dia, é primordial que uma empresa jornalística, e até as que não são de comunicação, queriam se consolidar nesta mídia, é relevante e importante pensar que é necessário ter uma conta de rede social no aplicativo Twitter. No entanto, não basta apenas só ter uma conta aberta. É necessário ter uma estratégia de publicação, como providenciar o engajamento com o público, manter um diálogo e mostrar-se sempre presente, à disposição, informando a audiência e mantendo uma conversa. É um relacionamento que pode ser proveitoso para ambos os lados. Primeiro do lado da redação, é que o jornalista que está manuseando a rede social tem mais um canal de monitoramento de informações.
A próxima notícia ou furo de reportagem pode vir de uma publicação por Twitter. Cabe então a redação ficar atenta ao que acontece neste ambiente virtual. Bem como manter contatos ao conversar com leitores que enviam mensagens ou solicitações de ajuda. O leitor ou audiência pode ser um canal importante para sugestões de pautas e demandas factuais. É mais um novo contato, uma fonte que o jornalista pode cultivar para angariar informações no seu trabalho cotidiano. Além disso, é uma ferramenta importante para o monitoramento da concorrência. Pois, como foi descrito antes, é
89 Orkut foi uma rede social estabelecida em 2004 por um funcionário da Google chamado Orkut Büyükkökten.
A rede social com o domínio ‘http://www.orkut.com’ foi muito popular no Brasil com suas comunidades e a possibilidade da realização de networking e contatos abrindo as portas para a popularização de outras redes sociais semelhantes como MySpace e Facebook. O Orkut foi desativado em 2014 para dar espaço a sua plataforma Google Plus.
necessário marcar posição no Twitter e há vários sites, portais de conteúdo que querem marcar presença chegando primeiro ao leitor, para assim, fidelizar o leitor ao produto. É uma ferramenta estratégica para publicação de conteúdo, monitoramento de informações e de contatos diretos com a fonte ou leitor.
No Facebook, assim como o Twitter, também é possível monitorar a lista de informações, como o feed de notícias (News Feed), que o Facebook copiou do Twitter para não perder usuários para o micro blog. É uma ferramenta de rede social para monitorar personalidades públicas, instituições, concorrentes e claro, é possível entrar em contato com fontes, que podem conversar com mais facilidade e descrição por meio do aplicativo Facebook Messenger. O público pode enviar uma mensagem direto para o Facebook da redação para solicitar demandas, fazer denúncias e sugerir pautas relevantes para ele.
2.2 Aplicativos de mensagens: WhatsApp e Snapchat
O WhatsApp foi desenvolvido em 2009 por veteranos do Yahoo!, e hoje pertencente ao Facebook, o WhatsApp Messenger, é um aplicativo multiplataforma de mensagens instantâneas e chamadas de voz para smartphones. Além de mensagens de texto, os usuários podem enviar imagens, vídeos, mensagens de áudio de mídia e podem ligar para qualquer contato de sua agenda que possua WhatsApp.
O aplicativo pode ajudar na construção de histórias, via colaboração da audiência e captação de informações para apuração dos fatos. Quando o WhatsApp chegou ao universo da internet, jamais foi pensado que ele teria tantas funções do que apenas um aplicativo de mensagens. Por meio do uso do número de um celular, que todo mundo já possui, o aplicativo capilarizou entre as pessoas e tornou-se uma das principais ferramentas de comunicação usadas no Brasil e no mundo. Além do
WhatsApp, surgiram vários genéricos, como por exemplo o russo Telegram e o chinês WeChat.
O foco neste estudo será voltado para o WhatsApp e Telegram devido a suas
semelhanças. O WhatsApp tornou-se uma eficiente ferramenta de acesso às
redações. O público estando ‘próximo a notícia’, pode gravar um vídeo, áudio, tirar uma foto para depois enviar a notícia inicial ao jornalista. A notícia chega de forma mais rápida, a produção jornalística e até mesmo a reportagem tornam-se mais
eficientes. Pois, na produção jornalística é possível levantar direto com a pessoa que enviou o fato as primeiras informações e na reportagem porque o repórter pode enviar textos, áudios e informações extras para a redação.
Com isso, vários veículos de comunicação utilizam de WhatsApp para receber as informações de forma mais rápida do público.
O Snapchat vem ganhando espaço com o público, principalmente o público jovem. Com este aplicativo é possível fazer vídeos curtos com animações, artes para contar novidades. Como foi dissertado nesta pesquisa, a BBC, do Reino Unido, fez uma experiência bem-sucedida, no programa BBC Panorama, que mostrou a situação dos refugiados do Oriente Médio, África, Síria e outros países pobres da região que tentavam atravessar as fronteiras da Europa para escapar dos reflexos da guerra, fome e miséria.
O repórter fez do aplicativo Snapchat um diário de bordo em formato de vídeo que pudesse ser acessado pelo público. Lá ele contextualiza e conta cada situação que encontrava pelo seu trajeto. O aplicativo pode ser útil no jornalismo para atrair o público mais jovem. Pode-se produzir vídeos curtos para chamar um determinado conteúdo, narrar uma rápida história, dar os destaques, como a CNN faz também. O aplicativo tem uma interface que lembra uma revista virtual ou uma vitrine interativa que tenta a todo instante atrair a atenção do seu público com novidades que são apresentadas por parceiros do aplicativo como a publicação de videogames IGN, a revista Cosmopolitan, o canal televisivo de comédia Comedy Central, MTV e entre outros canais de conteúdo.
2.3 Localização (hiperlocal e mapas)
Nesta parte, cabe destacar que será considerado o uso de jornalismo hiperlocal, ou seja se as empresas de mídia fazem coberturas jornalísticas em pequenas áreas, bairros e cidades. Se há algum tipo de cobertura factual ou não- factual. Além disso, foi verificado como que as empresas de mídia e de tecnologia usam os mapas interativos se existe para projetos específicos, se usam de localização para publicar notícias, se há conteúdo colaborativo por parte do público e dos jornalistas e como que as empresas acenam para um projeto deste tipo. Quais são as
propostas editoriais que as redações fazem para produzir conteúdo para pequenas localidades.
2.4 Gamificação
Como explica o autor Johan Huizinga, em Homo Ludens o jogo pode conferir um sentido à ação e significa alguma coisa e tem função por ser significante, para encerrar um determinado sentido. O simples fato de encerrar o jogo encerrar um sentido implica a presença de um elemento não material em sua própria essencia (1964, p.3-4). Com o jornalismo é necessário que as coisas tenham sentido para construir um argumento e com isso não é diferente com o jogo. Porém, no jogo a pessoa terá que enfrentar um desafio virtual, jogo de tabuleiro, quebra cabeça, para que faça um sentido para ele.
Quando faz sentido ler um texto ou jogar um jogo, porque não elaborar um desafio com informações jornalísticas para assim, o público construir a narrativa e compreender cada elemento de um fato fazendo assim a imersão do usuário em um universo lúdico com informações que possam fazer a diferença na vida dele. Essa alternativa de consumo é possível com os newsgames.
Será avalido se os veículos de mídia e os produtos permitem essa gamificação, se conseguem trazer o público ao conteúdo lúdico para o consumo da informação. Se produzem newsgames, jogos eletrônicos baseados em acontecimentos reais com elementos do jornalismo. Além disso, será analisado se as empresas de mídia já tem aplicativos de informação nos atuais consoles de videogames e como que essas informações são apresentadas para o público.
2.5 Big Data (dados)
Hoje, o jornalismo tem que pensar em explorar sistemas computacionais e banco de dados extensos, elaborar reportagens com auxílio do computador (RAC) para conseguir extrair informações relevantes para a sociedade. A web é um grande repositório de dados e lá também existe uma grande rede de bancos de dados que contém informações que podem ser exploradas para a melhor tomada de decisão editorial e, por sua vez, jornalística.
Na atual configuração tecnológica proporcionada pela Internet, estruturada pelo intermédio do aumento de velocidade de transmissão, pela evolução das máquinas computacionais com grande capacidade de processamento e armazenamento de dados, com o desenvolvimento de linguagens de programação cada vez mais amplas e que negociam de várias formas com robustos bancos de dados, a atuação profissional do Jornalismo também deve possuir outras configurações (LIMA JR., p. 210, 2012)
O jornalismo de dados passa pelo Big Data, que representa uma nova oportunidade para os profissionais da informação e de relevância social e para empresas de mídia. A partir disso, novos modelos de negócios podem ser criados, novos desdobramentos editoriais e jornalísticos abrindo novas oportunidades para jornalistas e trazendo um novo hub e perspectivas para a profissão, que busca novas saídas para se manter atuante e confiável perante a sociedade.
O Big Data pode ajudar a criar valor, dando transparência, gerando descobertas, classificando dados e destacando o nível de entendimento para ajudar nos processos de decisão editorial dando mais precisão na propagação de informação jornalística. Elucidando eventos e fatos complexos para o público.
No jornalismo de dados, se faz análise de redes sociais e visualização de dados e isso acontece por meio da retirada das informações destes computadores em grandes bancos de dados públicos ou fechados, onde são detectados padrões em que possam trazer novas informações e valores relevantes para se contar um fato ou evidenciar uma história. Para isso, técnicas como Data Mining são aplicadas para o levantamento de dados e informações com acesso mais difícil. A partir dessa extração, pode se ter um valor-notícia para se esclarecer o fato.
Sendo assim, com o grande volume de dados disponível na web, como que as redações usam grande quantidade de dados? Como as redações atuam com o Open
Data e Data Mining? As redações já têm um núcleo estruturado de dados e utilizam
estas informações para fazer Reportagem com Auxílio de Computador (RAC)? Como que utilizam esse grande volume de informações? Usam os dados apenas para projetos específicos? Mantém um banco de dados abertos para a audiência? Tem conteúdo colaborativo?