Parte III. Metodologia e Pesquisa 8.1 Introdução
Etapa 7: As Conclusões: ou considerações finais A etapa final se caracteriza em dois
8.4. Modelo de questionário
8.5.2. Teste dos instrumentos
A elaboração dos instrumentos de pesquisa (Entrevista e Questionário) utilizados neste trabalho foi baseada em pré-requisitos, ou seja, outros instrumentos, consolidados no mercado, como as pesquisas elaboradas pela Skytrax e da ICAO. Porém a especificidade da aplicação científica e as condições nas quais elas seriam aplicadas, a quilômetros de distância do local de elaboração e num curto espaço de tempo, trazem a necessidade do teste dos instrumentos.
Desta forma, foi definido um cenário possível para a aplicação da entrevista e dos questionários, comum as várias cidades, além de fatores adversos relacionados aos entrevistados. A previsão destas situações nos possibilitou prever saídas para os problemas passíveis de ocorrer.
Quadro 7: Comparativo de problemas e soluções previstos para a pesquisa
Quadro comparativo
Problemas levantados Soluções aplicadas
Relacionados às entrevistas
- Não encontrar todos os inquiridos no tempo previsto de estada em cada cidade;
- risco foi minimizado com o contato eletrônico e telefônico prévios com todos os inquiridos;
- Entrevista muito longa; - Algumas questões subjetivas foram transformadas em objetivas;
- Mesmo com agendamento prévio, não encontrar o entrevistado previamente agendado;
- Contatos telefônicos uma semana antes da viagem e no dia da chegada a mesma, com todos os inquiridos;
- Questões repetitivas, com problemas de compreensão e/ou ausência, relacionada a algum item necessário a pesquisa;
- Aplicação informal da entrevista a dois operadores e um gestor de terminal;
- Questionamentos sobre possíveis respostas dadas por outros inquiridos;
- Resgatamos no contato telefônico a confidencialidade dos dados fornecidos;
Relacionados ao questionário
- Não aceitação, por parte do gestor do terminal, de aplicação do questionário por parte do pesquisador;
- Envio, quando solicitado, de cópia da pesquisa a ser aplicada;
- Aspectos observados em loco, não previstos no questionário avaliativo;
- Visitas prévias, relatadas a seguir;
- Tabulação dos dados, por causa da extensão do questionário, com questões subjetivas;
- Resgatar na metodologia que o questionário não visa, neste primeiro momento,
hierarquizar os terminais avaliados; - O tempo de aplicação entre as pesquisas, possibilitando a tabulação dos dados; Fonte: O autor
O levantamento prévio dos problemas contribuiu, de imediato, para a verificação das possíveis soluções. Contudo, alguns problemas de ordem prática, relacionados aos questionários e mesmo a questões das entrevistas permaneciam: será que contemplamos todas as interfaces de todos problemas observados em teoria? Todos os aspectos operacionais, que interferem na percepção qualitativa, estão contemplados na avaliação? Esquecemos de algum problema?
Para avaliar estas e outras interrogantes, durante os meses de novembro de 2007 a janeiro de 2008, foram organizadas observações, de ordem participativa, para testarmos, sobretudo o questionário, in loco. Desta forma, com a autorização de dois operadores locais de receptivo em Belém, acompanhamos a movimentação de três cruzeiros marítimos que realizaram escalas na cidade: o navio “Spirit of Adventure”, com 260 ingleses; o “MS Europa”, com 250 alemães; e o Silver Wind, cujo número não foi obtido.
A estas observações, somam-se três idas ao aeroporto internacional de Belém para teste dos instrumentos em relação aos terminais aeroportuárias. Desta forma, ainda na segunda quinzena de janeiro de 2008, conclui-se o teste dos instrumentos e se procedeu as alterações necessárias nos questionários e entrevistas.
O teste dos instrumentos é a última etapa antes da aplicação de fato da pesquisa. Objetiva-se nesta etapa verificar o nível de coerência e de clareza dos instrumentos propostos a serem utilizados na pesquisa. Em resumo, os testes dos instrumentos se processaram em três etapas práticas: a primeira, de simulação de avaliação dos terminais, ocorrida no aeroporto internacional de Belém; segundo, de simulação de entrevistas, quando foi aplicado um questionário modelo de entrevista a potenciais inquiridos; e terceira, de observação operacional, na qual fizemos o acompanhamento de operações de receptivo para averiguar se todas as questões propostas relativas à operação estavam nos questionários de avaliação.
Ainda relativo aos instrumentos de pesquisa, verificou-se também os seguintes aspectos:
- Se as questões propostas estavam de fácil compreensão por parte dos inquiridos;
- Se os questionários contemplavam todos os itens necessários ao Terminal Amigo do Viajante, discutidos na base teórica;
- Se todos os aspectos relacionados nas hipóteses da pesquisa foram elencados na entrevista e/ou questionários. Nesta etapa, ocorreram pequenos encontros com coordenadores, professores, alunos e profissionais da área de turismo, onde algumas questões foram apresentadas e discutidas. A finalidade fundamental dessa ação de teste foi a de verificar o nível de dificuldade e de entendimento dos pesquisados para que, a partir delas, fizéssemos aperfeiçoamentos nos instrumentos de coleta.
8.6. Conclusão
O presente capítulo (8), dedicado à metodologia, foi concebido de forma a visualizarmos os aspectos norteadores da construção de um modelo metodológico de pesquisa para problemática apresentada neste trabalho. A discussão conceitual e prática colaboram para a validação científica e da própria pesquisa, mas também para referenciar o pesquisador com bases analíticas, discursivas, colaborativas e comparativas. Tal fato permite restringir a abordagem dada à problemática, de forma a conhecer de fato o objeto desejado pela pesquisa.
Contudo a construção de modelos referenciais além de, intelectualmente, desafiadora, permite testar os conhecimentos do próprio pesquisador, de quanto conhece o problema que se dispôs a investigar. No caso deste trabalho, somaram-se os desafios de carência de informações em uma região tão vasta e, igualmente, necessitada de informações.
As bases utilizadas, então, foram estudos, pesquisas e questionários realizados e aplicados em âmbito nacional e internacional, ou seja, a construção dos modelos apresentados nestes trabalhos partiu do cruzamento de fontes, além da experiência prática adquirida em anos de trabalhos na Amazônia.
A sistematização deste leque de informações e conhecimentos permitiu abordar o objeto de estudo a partir de várias variáveis ao mesmo tempo globais, nacionais e regionais, pois a região não esta isolado em seu contexto, mas inserida dentro de um sistema macro nacional e internacional. A elaboração dos instrumentos (entrevista e questionário) reflete esta abordagem, pois, para a pesquisa, não era apenas importante bem entrevistar os gestores e operadores e avaliar os terminais, mas também que estes instrumentos estivessem afinados com as tendências mundiais, senão os questionamentos e aplicabilidade dos mesmos seriam inevitáveis.
Parte IV. Aplicação e resultados