PROGRAMA DE PREVENÇÃO E DETECÇÃO PRECOCE DO CÂNCER DE COLO UTERINO EM PORTO ALEGRE. Naud, P.S.V., Mano, M.C.M., Benevenuti, L.D., Gamerman, P.W.,
Pavanella, D.P., Millán, T., Silveira, A.C.A.C., Silva, D.C., Piovesan, D.M., D'Àvila, A.M., Campos, C.S., Oliveira, L.O.,
Gomes, T., Hoblik, M., Stuczynski, J.V., Matos, J.C., Brouwers, K.S., Hammes, L.S., Zubaran, M.L.R., Spilki, M.,
Crusius, P.S., Magno, V.A., Konzen, L., Tyburski, M.R.
Faculdade de Medicina - Departamento de Ginecologia e Obstetrícia. HCPA/UFRGS.
Fundamentação: grande parte dos casos de câncer colo uterino, 80% ocorrem em países em desenvolvimento. Isso torna o câncer cervical um importante problema de saúde pública. A investigação adequada do problema é essencial para o desenvolvimento de programas de prevenção e tratamento. São fatores de risco: infecção por doença sexualmente transmissível;
infecção pelo Papiloma Vírus humano (HPV), início precoce das relações sexuais; múltiplos parceiros; multiparidade e tabagismo.
O tratamento de lesões precursoras é um método eficaz de evitar o câncer. A classificação de Bethesa é determinante do prognóstico e da terapêutica.
Objetivos: avaliar as diferentes medidas diagnósticas como o exame citopatológico (CP), teste de presença do vírus HPV (captura híbrida - CH); inspeção visual do colo; colposcopia e biópsia de lesões suspeitas a fim de identificar a população de risco para o câncer de colo uterino.
Casuística: foi realizado um estudo de Coorte, com mulheres entre 25 e 64 anos, sexualmente ativas, que consultaram no ambulatório de Ginecologia do HCPA. Na primeira consulta, as pacientes realizaram CP, teste para a presença do HPV e questionário. No segundo encontro foi feita a inspeção do colo, se alterado, a paciente submete-se à colposcopia e biópsia e se necessário tratamento. O tipo de tratamento depende do grau da lesão; acompanhamento regular para lesões de baixo grau e tratamento cirúrgico para as lesões de alto grau. Após a primeira triagem, a paciente é reavaliada em 1 ano, se resultados negativos, será reavaliada em 3 anos. Se resultados positivos, serão tratadas e reavaliadas conforme o grau de lesão. Para as
lesões de baixo grau, após 12 meses realiza-se CP e teste do HPV. Em lesões de alto grau, após 6 meses realizamos CP, teste para HPV e colposcopia.
Resultados: o desempenho dos testes diagnósticos no rastreamento em relação ao padrão ouro foi o seguinte: CP apresentou sensibilidade (S) 28,2% e especicifidade (E) 98,2% (IC 95%); teste HPV, S-52,1%, E-92% (IC 95%);
inspeção, S-88% e E-78% (IC 95%). Associação de exames mostrou que CP, CH e inspeção apresentou sensibilidade de 100% (96-100) IC 95% e especificidade de 68,6% - IC 95%.
O risco relativo (RR) de uma captura positiva para o desenvolvimento de uma lesão de alto grau, estratificado em 2 grupos (idade > 35 anos e < 35 anos), O RR grupo com mais de 35 anos foi 66,28 (19,75 - 222,42) IC 95% e no grupo com menos de 35 anos o RR foi a metade, 33,56 (4,26 - 264,35) IC 95%, p= 0,0001.
Conclusões: o uso de métodos auxiliares é essencial para melhorar os programas de rastreamento do câncer cervical.
Apenas o exame citopatológico não é suficiente para detectar um número significativo das lesões cervicais pré-malignas. Tanto a inspeção visual como a captura híbrida para o HPV poderiam ser associadas ao CP.
ESTUDO RETROSPECTIVO DE INDICAÇÕES E ACHADOS DIAGNÓSTICOS EM VIDEOLAPAROSCOPIA GINECOLÓGICA DE
PACIENTES ATENDIDAS NO HOSPITAL MATERNO INFANTIL PRESIDENTE VARGAS. Castilhos, M.F., Castilhos, K.F., Castro, A.B., Link, C. Serviço de Ginecologia e Obstetrícia do Hospital
Materno Infantil Presidente Vargas. Outro.
Fundamentação: a laparoscopia consiste na visão endoscópica por meio de introdução de um sistema ótico na cavidade abdominal, mediante distensão artificial prévia da mesma. Nessa área, a pesquisa fornece vasto campo de aplicabilidade no tratamento da infertilidade, estudo de malformações urogenitais, dismenorréia, dor pélvica, endometriose e alterações inflamatórias do aparelhos reprodutor feminino, entre outros.
Objetivos: analisar as principais indicações, os achados diagnósticos e o perfil das pacientes submetidas à videolaparoscopia, no Serviço de Ginecologia e Obstetrícia do Hospital Materno Infantil Presidente Vargas (HMIPV) no período de 7 de março de 2001 a 29 de maio de 2002.
Casuística: trata-se de um estudo retrospectivo referente ao período de 7 de março de 2001 a 29 de maio de 2002 no qual foram analisadas todas as videolaparoscopias realizadas na Equipe de Videolaparoscopia Ginecológica e Planejamento Familiar do HMIPV, totalizando 90 casos. Os dados foram obtidos através do preenchimento de um protocolo de pesquisa realizado pela equipe cirúrgica. Os dados foram organizados e analisados com o programa Epi-info versão 6.0.
Resultados: durante o período do estudo 90 pacientes foram submetidas à videolaparoscopia. Destas, 75 (84,3%) eram brancas, 6 (6,7%) eram pretas e 8 (9,0%) eram de cor mista. A mediana de idade das pacientes foi de 34 anos, sendo a idade mínima 18 anos e a máxima 57 anos. Em relação à paridade, verificamos que 19 (21,1%) das pacientes eram nulíparas, 17 (18,9%) eram primíparas, 31 (33,4%) tiveram 2 ou 3 gestações, e 23 (26,6%) tiveram mais de 3 gestações. Quanto à história médica pregressa, 17 (18,9%) mulheres referiram doença inflamatória pélvica no passado e 42 (46,7%) relataram cirurgia prévia. As pacientes foram submetidas ao procedimento cirúrgico por mais de uma indicação, em alguns casos. Quanto às principais indicações de videolaparoscopia, encontramos os seguintes resultados: 31 (28,4%) indicações por dor pélvica, 26 (23,8%) por laqueadura tubária, 16 (14,6%) por infertilidade, 14 (12,8%) por suspeita de cisto ovariano e 14 (12,8%) por investigação de endometriose. Algumas das pacientes analisadas tiveram mais de um diagnóstico final.
Os principais diagnósticos finais foram 35 (34,6%) aderências, 19 (18,8%) endometriose tipo I, 17 (16,8%) pelve normal, 6 (5,9%) endometriose tipo II e 6 (5,9%) miomatose uterina, 3 (2,9%) endometriose tipo III e 3 (2,9%) fimose tubária. Os principais procedimentos realizados foram 27 (24,1%) lises de aderências, 27 (24,1%) laqueaduras tubárias, 15 (13,3%) cauterizações de focos de endometriose, 7 (6,2%) cromotubagens, 5 (4,4%) salpingectomias e 3 (2,67%) miomectomias. Sessenta e seis pacientes (73,3%) não necessitaram tratamento adicional, após a videolaparoscopia. Às demais pacientes o tratamento proposto após a cirurgia foi : 10 (35,7%) antibioticoterapias, 6 (21,4%) prescrições de progestágeno injetável, 3 (10,7%) prescrições de análogos do GnRH, entre outros.
Em apenas 1 caso houve intercorrência. Uma paciente teve de ser submetida à laparotomia, devido ao endometrioma estar sobre o ureter.
Conclusões: em nosso estudo, a dor pélvica, a laqueadura tubária e a infertilidade foram as principais indicações de videolaparoscopia. Os achados mais prevalentes durante o procedimento foram as aderências pélvicas e a endometriose tipo I. A maioria das pacientes não necessitou de tratamento adicional, o que corrobora com os dados da literatura, que consideram a videolaparoscopia como procedimento de diagnóstico e de tratamento de afecções, que leva à diminuição de custos e tem apresentando ampla aceitabilidade.
REVISÃO BILIOGRÁFICA: ISOFLAVONA - EFEITOS DESTE FITOESTRÓGENO. Mattiello, D.A., Cristaldo, K.R.S.
Ginecologia. Outro.
Fundamentação: parecidas com a do estrógeno, alguns estudos publicados na literatura mostram que esta poderia ser uma maneira de repor a falta de estrógeno durante o período do climatério em mulheres.
Produtos derivados da soja são consumidos nos países orientais e os mesmos têm menor número de mulheres que apresentam sintomas climatérios, osteoporose, doenças cardiovasculares e câncer de mama. A partir disso, passou-se a relação da soja e seus efeitos em células in vitro, in vivo, animais e seres humanos.
Objetivos: a paritir do consumo de produtos derivados da soja definir os efeitos da isoflavona na reposição do hipoestrogenismo do climatério, seu efeito sobre a conservação da massa óssea e prevenção da osteoporose, ação sobre as lipoproteínas e doenças cardiovasculares diminuindo os níveis séricos de colsterol e ação a nível de endotélio vascilar, influencia sobre o câncer de mama.
Casuística: este trabalho é uma revisão da literatura. A busca de artigos foi feita através da Bireme, Medline e Lilacs 1, 2, 3.
Os artigos que compõem o corpo do trabalho são internacionais e apenas um artigo na literatura atual de publicação nacional sobre este assunto.
O critério adotado foi à revisão dos últimos 10 anos, apesar de este assunto ter sido introduzido desde aproximadamente 1960. O período selecionado foi de 1992 a maio de 2002.
Os artigos encontrados de maior relevância foram os da língua inglesa. Estes artigos incluíram principalmente assuntos sobre fitoestrógenos, produtos derivados da soja, estudos realizados em células humanas in vitro, em humanos, estudos em animais, estudos epidemiológicos: randomizados, coorte, caso-controle, meta-análise e artigos de revisão.
Resultados: por ser um alimento e não um medicamento acredita-se que a isoflavona que é encontrada nos produtos derivados da soja deva ser introduzido na dieta alimentar de cada indivíduo. Ao longo do tempo de uso, é que poderá se avaliar realmente os seus efeitos ligados à prevenção de sintomas menopáusicos e doenças crônicas. Por isso, alguns estudos não são tão significativos, pois analisam apenas um mês do uso de isoflavona e o certo seria acompanhar os pacientes por mais tempo.
Outro fator importante é que grande parte do metabolismo depende da flora intestinal, do tipo de produto, da quantidade e da concentração diária de isoflavona ingerida. A maioria dos estudos acha que aproximadamente 100 a 200 mg devem ser ingeridas, como ocorre nos povos asiáticos.
Dos ensaios clínicos randomizados descritos o que conteve o maior número de pacientes foi o realizado na Califórnia nos Estados Unidos, com 208 participantes. Os demais não utilizaram um número grande de pacientes, apesar de este tipo de estudo ser o de maior valor significativo. Já os estudos de coorte, tiveram maior número de pacientes, mas a maioria destes foram desenvolvidos por um curto período de tempo.
Alguns trabalhos chegam a levantar a hipótese de que possam existir outros fatores relacionados com a diminuição dos números de incidência em países orientais em relação aos ocidentais quanto a: sintomas menopáusicos, osteoporose,
doenças cardiovasculares e diversos tipos de cânceres. Talvez, a estrutura corporal, os cuidados com o corpo, como a realização de exercícios e o uso de ervas medicinais, além da utilização de outros alimentos que são ricos em vitamina K e cálcio é que podem estar modificando a conjuntura dos dados em países orientais.
Conclusões: é necessário estudar mais sobre uma nova forma de reposição hormonal que possa ser natural e que haja a partir da prevenção e a isoflavona já faz parte disto. A aceitação ao uso de uma dieta mais rica em produtos derivados da soja tem aumentado nos últimos anos. Assim, outros estudos serão realizados e um tempo maior de acompanhamento será pesquisado.
PERFIL DAS PACIENTES ATENDIDAS NO AMBULATÓRIO DE PLANEJAMENTO FAMILIAR DO HOSPITAL MATERNO INFANTIL PRESIDENTE VARGAS. Castilhos, M.F., Castro,
A.B., Castilhos, K.F., Link, C. Serviço de Ginecologia e Obstetrícia do Hospital Materno Infantil Presidente Vargas.
Outro.
Fundamentação: o planejamento familiar deve permitir aos casais a assistência e a orientação sobre os métodos contraceptivos. Os métodos anticoncepcionais têm características próprias de indicações, contra-indicações, riscos e efeitos colaterais, que devem ser respeitados pelo profissional de saúde.
Este deve estar preparado para orientação e aconselhamento, caso a escolha do paciente recaia sobre método inadequado para aquele casal.
Objetivos: analisar o perfil das pacientes que procuram atendimento no Ambulatório de Planejamento Familiar do Serviço de Ginecologia e Obstetrícia do Hospital Materno Infantil Presidente Vargas (HMIPV) no período de 18 de dezembro de 2001 a 17 de julho de 2002.
Casuística: trata-se de um estudo retrospectivo referente ao período de 18 de dezembro de 2001 a 17 de julho de 2002, no qual foi analisado o perfil de todas as pacientes que procuraram orientação sobre contracepção no Ambulatório de Planejamento Familiar do HMIPV, totalizando 101 casos. Os dados foram obtidos através do preenchimento de um protocolo de pesquisa realizado pela equipe médica. Os dados foram organizados e analisados com o programa Epi-info versão 6.0.
Resultados: durante o período do estudo 101 pacientes foram atendidas nesse ambulatório. A mediana de idade das pacientes foi de 34 anos, sendo a idade mínima 15 anos e a máxima 48 anos. Em relação à paridade, verificamos que 2 (2,0%) das pacientes eram nulíparas, 11 (10,9%) eram primíparas, 38 (37,6%) tiveram 2 ou 3 gestações, e 50 (49,5%) tiveram mais de 3 gestações. Quanto ao número de parceiro, apenas 100 pacientes responderam o protocolo. Destas, 50 mulheres tinham 1 parceiro; 22, 2 parceiros; 14, 3 parceiros; 6, 4 parceiros; e 8,
5 ou mais parceiros. A média de idade da primeira relação sexual foi 16,9 anos, com desvio-padrão de 3,1 anos. Cem pacientes informaram seu grau de escolaridade. Três pacientes eram analfabetas. Possuíam o primeiro grau incompleto 48 pacientes;
primeiro grau completo, 15; segundo grau incompleto, 13;
segundo grau completo, 21. A renda familiar variou de zero a 2.000,00 reais, sendo a média 546,00 reais e a mediana, 500,00 reais. O método de anticoncepção mais desejado foi laqueadura tubária: 70 (69,3%) pacientes. Destas, 52 (74,3%) possuíam o número de filhos desejados; 14 (20%) relataram falta de condições financeiras; 5 (7,1%) consideravam ter idade avançada;
e 27 (37,1%) apresentavam diagnóstico de doenças clínicas e, por isso, não queriam gestar.
Hipertensão arterial sistêmica estava presente em 12 casos, infecção pelo vírus da imunodeficiência humana, em 6 casos, doenças psiquiátricas, em 4 casos; diabete mélito, em 3 casos;
asma e epilepsia, em 2 casos; 1 caso de hipotireoidismo e outro de cefaléia em investigação. Vinte e cinco (24,8%) mulheres solicitaram colocação de dispositivo intra-uterino; 3 (3%) quiseram orientação sobre anticoncepcionais orais; 2 (2%) solicitaram encaminhamento para o esposo realizar vasectomia;
e 1 (1%) desejou fazer uso de contraceptivo injetável.
Conclusões: em nosso estudo, a maioria das pacientes apresentava mais de 3 gestações e desejava método contraceptivo definitivo. Os principais motivos relatados para tanto foram número de filhos desejados, doenças clínicas e falta de condições financeiras. A hipertensão arterial sistêmica e a infecção pelo vírus da imunodeficiência humana foram as doenças mais prevalentes no grupo. O segundo método anticoncepcional mais procurado foi o dispositivo intra-uterino.
CADASTRAMENTO DE PACIENTES COM PATOLOGIAS DO TRATO GENITAL FEMININO INFERIOR: UM ESTUDO PROSPECTIVO BASEADO NA PRÁTICA CLÍNICA DO SETOR
DE ONCOLOGIA GENITAL FEMININA DO HOSPITAL DE CLÍNICAS DE PORTO ALEGRE. Tavares, M.B., Stoll, J., Komlós, M., Costa, L.A.L., Monego, H., Appel, M., Reis, R.,
Rivoire, W.A., Capp, E. Departamento de Ginecologia e Obstetrícia/Faculdade de Medicina/UFRGS e serviço de
Ginecologia e Obstetrícia/HCPA. HCPA/UFRGS.
Fundamentação: reconhecimento de necessidades e identificação precoce de fatores de risco induz à pesquisa baseada na prática clínica. A informática e o armazenamento racional de informação permitem o cadastramento, rastreamento e monitoração de pacientes com patologias do trato genital inferior.
Objetivo: cadastrar as pacientes e identificar as patologias mais comuns no setor de Oncologia Genital Feminina do Hospital de Clínicas de Porto Alegre.
Casuística e métodos: realizamos um estudo prospectivo no qual foram cadastradas 401 pacientes que consultaram
consecutivamente no setor de Oncologia Genital Feminina por patologias do trato genital inferior, entre janeiro e julho de 2002.
Os dados foram coletados e colocados num banco de dados, montado com o programa MS Access 9.0 e analisados com o programa SPSS 9.0.
Resultados: a idade média foi 48,19 ± 14,94 anos; o tempo médio de acompanhamento 3,0 ± 4,1 anos. Os locais mais freqüentes foram colo uterino (77,3%), endométrio (12,0%), ovário (5,2%), vulva (3,7%), simultâneo (1,2%), outros órgãos (0,4%). Durante esse período, 6,2% das pacientes apresentaram metástases, 6,0% recidiva tumoral e 3% foram a óbito.
Conclusões: este modelo de cadastramento permite rastreamento e acompanhamento adequado, facilmente reprodutível em outras especialidades. O conhecimento adequado do processo saúde doença nestas mulheres permitirá sua melhor compreensão, oportunizando meios de prevenção, diagnóstico e tratamento.
DIAGNÓSTICO PRÉ-NATAL DO NEFROMA MESOBLÁSTICO:
RELATO DE CASO. Magalhães, J.A., Fritsch, A., Schllater, D., Learmann, V., Cerski, M.R. Serviço de Ginecologia e
Obstetrícia. HCPA/UFRGS.
Relato de caso: paciente DBL,F,B, 35 anos, gestante de 32 semanas,G3C2, é encaminhada à Medicina Fetal do HCPA com achado ecográfico evidenciando lesão expansiva em rim direito fetal e polidrâmnio. Realizada nova ecografia onde foi evidenciado imagem sólida, de 5,3x4,1cm, bem delimitada, ocupando todo o rim direito fetal, sem visualização de tecido renal normal e polidrâmnio.Foi indicado cesárea iterativa, com 38 semanas, RN masculino, 3235 gr, apgar 9/9, sem intercorrências.RN interna logo após o nascimento para completar investigação: eco abdominal com lesão expansiva em rim direito que ocupa toda loja renal, medindo 4,0 x 3,9 x 3,2cm; função renal normal;TC abdome identificando lesão expansiva hipodensa, arredondada,no 1/3 médio do rim direito,de 4,0 cm de diâmetro, com distensão do sistema coletor no componente calicinal deste rim. RN foi submetido a nefrectomia à direita, apresentando também má rotação intestinal. Reiniciado dieta após 5 dias de pós- operatório,recebendo alta em boas condições clínicas.
Anatomopatológico: nefroma mesoblástico, sem evidência de neoplasia.
O Nefroma Mesoblástico congênito é um tumor renal de ocorrência rara no período neonatal, acometendo mais freqüentemente o sexo masculino. Na ultra-sonografia a imagem sugestiva desta patologia mostra uma massa unilateral sólida, hiperecogênica delimitada, envolvendo o rim como uma cápsula.O polidrâmnio é freqüente. O diagnóstico diferencial deve ser feito com tumor de Wilms, teratoma renal e tumores da glândula adrenal. A conduta preconizada é expectante e recomenda-se a exérese imediata do tumor no período pós-natal, principalmente
para finalidade diagnóstica. A maioria dos casos tem evolução satisfatória.
CORRELAÇÃO ENTRE RESULTADOS DE HISTEROSCOPIA, HISTOLÓGICOS E TIPOS DE TRATAMENTOS HORMONAIS POR PACIENTES NA PRÉ E PÓS MENOPAUSA. Wender, M.C.O., Freitas, F., Campos, L.S., Santos, J.D.P., Dias, E., Schmitd, A.P. Departamento de Ginecologia e Obstetrícia.
HCPA.
Fundamentação: a histeroscopia (HSC) é considerada o padrão-ouro na investigação de patologias endometriais.
Objetivos: o objetivo deste trabalho é caracterizar os resultados histeroscópicos e histológicos das pacientes menopausadas submetidas a histeroscopia no Hospital de Clínicas de Porto Alegre e correlacioná-los com os tratamentos de reposição hormonais (TRH) que as pacientes estavam utilizando na indicação do exame.
Casuística: foram revisados os prontuários das 232 pacientes menopausadas que fizeram histeroscopias de 1998 a 2001 e que correspondiam a 45,8% do total. Idade média: 51,03% dp+/
- 8,86 anos.
Resultados: indicação da HSC: sangramento 45,7%, teste do provera positivo 3,7%, espessamento endometrial 42%.
Tratamentos prescritos: sem tratamento (49,2%), TRH contínua (22,75%), TRH cíclica (11,2%), tibolona (12,17%), estrógeno isolado (3,7%), tamoxifen (0,01%). Resultados das biópsias: 1) sem tratamento (64): pólipo endometrial 18,75% e endométrio atrófico (50%); 2) TRH contínua (28): endométrio atrófico 25%
e endométrio proliferativo 17,86%; 3) TRH cíclica (19):
endométrio secretor 26,31% e endométrio proliferativo 26,31%;
4) Tibolona (17): endométrio atrófico 64,71% e endométrio secretor 17,65%; 5) Estrógeno isolado (7): endométrio secretor 28,6% e endométrio proliferativo 28,6%; 6)Tamoxifen: pólipo endometrial: 1. Foram diagnosticados oito carcinomas endometriais, seis no grupo de pacientes que não recebeu nenhum tratamento e dois no grupo que recebeu terapia de reposição hormonal combinda contínua.
Conclusões: chama atenção o alto percentual de atrofia endometrial em uso de tibolona e no grupo sem tratamento.
AVALIAÇÃO CRÍTICA DO ESTUDO SOBRE REPOSIÇÃO HORMONAL. Santos, J.D.P., Campos, L.S., Freitas, F., Cislaghi, G., Umpierre, C., Wender, M.C.O. Departamento de
Ginecologia e Obstetrícia. HCPA.
Fundamentação: o Women's Health Initiative (WHI), estudo cujos resultados foram recentemente publicados, foi um trabalho realizado nos Estados Unidos com 16.608 mulheres pós- menopáusicas, que foram radomizadas para usar estrogênios
conjugados 0,625 mg/dia e acetato de medroxiprogesterona 2,5 mg/dia ou placebo. O objetivo era verificar se essa associação usada continuadamente por mulheres saudáveis, teria efeito favorável na incidência de doenças cardiovasculares.
Secundariamente, foram avaliados os efeitos da droga ativa sobre a incidência de câncer de mama, câncer de cólon e reto, acidentes vasculares arteriais ou venosos e fraturas vertebrais e de quadril.
A pesquisa foi planejada para durar 8,5 anos, entretanto, foi interrompida com 5,2 anos. A divulgação dos resultados teve grande impacto na imprensa leiga.
Objetivos: analisar criticamente o estudo, a partir dos critérios utilizados em Medicina Baseada em Evidência, para elaborar novas recomendações para o uso de terapia de reposição hormonal. Resultados: foi detectado um risco aumentado de eventos coronarianos não fatais, embora considerado fraco (RR 1,29) pelo método estatístico normalmente utilizado. Os resultados também verificaram um aumento no risco de acidentes vasculares cerebrais não fatais (RR 1,41) e de fenômenos tromboembólicos (RR 2,11). A auditoria do estudo WHI verificou um aumento de 26% (RR 1,26), na incidência de câncer de mama no grupo que tomou a associação hormonal: este aumento de risco foi detectado após o quarto ano de uso deste tipo de reposição hormonal, motivo pelo qual o estudo foi interrompido.
Conclusões: o estudo foi adequadamente delineado e seus resultados são confiáveis. Embora inúmeros trabalhos epidemiológicos, anteriores ao WHI demonstrassem que a terapêutica hormonal, inclusive a utilizada no estudo, diminuía a incidência de acidentes cardíacos em 40% (RR 0,6), a partir de agora, não é recomendado a utilização de estrogênios conjugados associado com acetato de medroxiprogesterona em doses plenas, para a prevenção primária e secundária de acidentes cardiovasculares. A comunidade médica já tinha conhecimento dos resultados relativos a câncer de mama através de meta-análise de 54 estudos epidemiológicos (com menor peso de evidência científica), que demonstravam um aumento da incidência de 30% de câncer de mama em usuárias de terapêutica de reposição hormonal por mais de 5 anos. Os resultados do WHI não inviabilizam o emprego de TRH para mulheres pós- menopáusicas sintomáticas com o objetivo de obter uma melhor qualidade de vida. Deve-se levar em conta que o estudo WHI somente avaliou o efeito de um esquema e regime de reposição hormonal e que esses resultados não podem ser generalizados para outros esquemas hormonais, outros tipos de hormônios, outras vias de administração (percutânea, nasal, transdérmica e subcutânea) e para outras doses. A continuidade da TRH a longo prazo deve ser reavaliada, sendo sugerido o emprego de hormônios em baixa dose (metade das doses usuais) que, segundo trabalhos científicos já publicados, mantêm os benefícios sobre a qualidade de vida das mulheres, protege contra a osteoporose, e podem diminuir os riscos.
EXPRESSÃO DO P53 E DO BCL-2 NA NEOPLASIA ENDOMETRIAL. Guerreiro, V., Almanza, A.M.G.A., Appel, M.,
Fleck, J., Edelweiss, M.I.A. Departamento de Patologia.
HCPA/UFRGS.
Introdução: no Brasil, a neoplasia endometrial ocupa a 5ª posição (2,7%) entre todas as neoplasias diagnosticadas na mulher. No RS (3,7%) é superado pelas lesões de pele, mama e colo uterino. O prognóstico é bom, com uma taxa de sobrevida em cinco anos de 80 a 85%, devido, em parte, à sintomatologia e diagnóstico precoces. Setenta e cinco por cento têm doença endometrial confinada ao corpo uterino (estádio I) no momento do diagnóstico. O pico de incidência é entre os 50 e 69 anos (média 61 anos). Sangramento vaginal anormal está presente em 90%. Os sintomas tardios incluem anorexia, perda de peso, massa pélvica e, ocasionalmente, ascite. O diagnóstico definitivo se dá pelo exame histológico da curetagem uterina. O estadiamento e o tratamento são realizados através da histerectomia total com anexectomia bilateral, lavados ou esfregaços da superfície peritonial e a linfadenectomia pélvica e paraaórtica. Estudos citogenéticos têm demonstrado alterações mutações e deleções do 17p, 10q, 3p e 18q. Inúmeros genes têm sido descritos na neoplasia endometrial, incluindo o c-fms, HER-2/neu, ras, o p53 e o bcl-2. O p53 é um gene supressor tumoral localizado no braço curto do cromossoma 17, é essencial no controle da progressão do ciclo celular e é o gene mais freqüentemente mutado no câncer humano. O bcl-2 é um protooncogene localizado no cromossoma 18q21 e codifica uma proteína de membrana celular que atua inibindo a apoptose. O padrão e o significado da expressão do bcl-2 no endométrio é incerto. Vários estudos têm demonstrado que a sua expressão no carcinoma endometrial associa-se a um prognóstico favorável.
Portanto, a perda do bcl-2 correlaciona-se a tumores de alto grau e alto índice proliferativo. Estuda-se a possibilidade do p- 53 e do bcl-2 serem marcadores prognósticos e se incorporarem à definição das condutas terapêuticas na neoplasia endometrial.
Objetivos: determinar o índice de expressão do p53 e do bcl-2 na neoplasia de endométrio e relacionar a expressão do p53 e do bcl-2 com características tumorais prognósticas (tipo histológico, estadiamento, grau de diferenciação celular, profundidade de invasão miometrial).
Delineamento: estudo de casos - fator em estudo: índice de expressão do p53 e do bcl-2; desfecho: neoplasia de endométrio.
Material e métodos: serão incluídos todos os casos de neoplasia endometrial submetidos à cirurgia para estadiamento e tratamento no período de 1995 a 1999.
As variáveis serão obtidas a partir da revisão dos prontuários médicos e do laudo anátomo-patológico pós-operatório.
A expressão do p53 e do bcl-2 será determinada através do método imunohistoquímico. Serão preparadas lâminas a partir dos blocos de parafina das peças cirúrgicas, utilizando-se os seguintes anticorpos monoclonais: anti-bcl-2 que reconhece o
oncogene bcl-2 e anti-p53 que reconhece o p53. As lâminas serão lidas por dois patologistas e será definido o índice de concordância.
ESTIMULAÇÃO ELÉTRICA TRANSVAGINAL NO TRATAMENTO DA INCONTINÊNCIA URINÁRIA: RESULTADOS FINAIS.
Barroso, J.C.V., Ramos, J.G.L., Martins-Costa, S., Sanches, P.R.S., Müller, A.F., Silva, Jr. D.P., Thomé, P.R.O. Serviços
de Ginecologia e Obstetrícia e Engenharia Biomédica.
HCPA/UFRGS.
Fundamentação: classicamente, o tratamento da incontinência urinária feminina é cirúrgico, porém taxa de recidiva nesses casos é de 30% em 5 anos; isto é devido, principalmente, à fraqueza do tecido muscular pélvico (que faz parte da própria fisiopatologia da perda urinária aos esforços). Essas cirurgias, por muitas vezes, não são efetivas por não se realizar o diagnóstico correto da incontinência urinária de urgência e, principalmente, da mista. Existe uma série de medicamentos eficazes para o tratamento da incontinência urinária feminina e das disfunções de esvaziamento da bexiga. Contudo, o uso dos medicamentos depende do diagnóstico correto da disfunção vesical e a grande maioria destes medicamentos acaba causando efeitos colaterais freqüentes e graves. Existem várias opções não-farmacológicas para o tratamento da incontinência urinária feminina, entre elas está a estimulação elétrica transvaginal.
Alguns trabalhos mostram índices de melhora clínica acima de 70% e índices de cura de 45% após 6 meses do término do tratamento para pacientes com instabilidade do detrusor.
Objetivos: determinar a efetividade da estimulação elétrica transvaginal (EE) no tratamento da incontinência urinária (IU) e avaliar a melhora clínica após seis meses do término do tratamento.
Casuística: delineamento: ensaio clínico randomizado e cego.
Métodos: foram selecionados 36 mulheres (24 casos e 12 controles), com IU de esforço, urgência ou mista, para utilização de equipamento de EE ou placebo (equipamento idêntico, sem corrente elétrica). As pacientes fizeram o tratamento em casa, duas vezes ao dia (sessões de 20 minutos), durante 12 semanas.
Preencheram diário miccional e realizaram estudo urodinâmico no início e final do tratamento. Foram reavaliadas clinicamente após seis meses.
Resultados: o tempo médio de utilização do equipamento foi semelhante nos dois grupos (em torno de 40 horas). O grupo que fez EE apresentou aumento significativo da capacidade vesical máxima e redução significativa no número de micções totais (durante o período de 24 horas), no número de micções noturnas, no número de episódios de urgência miccional e, principalmente, no número de episódios de incontinência urinária. Na primeira avaliação, após o término do tratamento, 87,5% das pacientes estavam satisfeitas. Na reavaliação semestral, 33% das pacientes