r e v b r a s r e u m a t o l . 2016;56(6):469–470
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REVISTA
BRASILEIRA
DE
REUMATOLOGIA
Editorial
Anticoagulantes
orais
diretos
na
síndrome
antifosfolípide
Direct
oral
anticoagulants
in
antiphospholipid
syndrome
Asíndromeantifosfolípide(SAF)éumatrombofiliaadquirida caracterizadaportrombosese/ouperdasfetaisassociadasou nãoàpresenc¸adeplaquetopenianavigênciadeanticorpos cir-culantescontrafosfolípides(anticardiolipina,anticoagulante lúpicoe/ouanti-beta2-glicoproteinaI).Otratamentocrônico
corrente dessa doenc¸a inclui o uso de agentes anticoagu-lantesoraisantagonistasdavitaminaK.Existeboaresposta aotratamentocomanticoagulantesoraisquevisamprevenir novoseventostrombóticos;entretanto,sãodescritastaxasde retrombosesde16%aolongode10anos.1 Nessarevisão,os
autoresverificaramumaelevadataxaderetromboseemtriplo positivos(anticardiolipina,anticoagulantelúpicoe anti-beta2-glicoproteinaI)(44%em10anos).Entretanto,taismedicac¸ões
sãoassociadasainterac¸õesmedicamentosasdiversasesão muitoinfluenciadaspelavitaminaKdadieta.2Existea
neces-sidadede ajustesecontroles de manutenc¸ão,baseadosno tempode protrombina (pelocontrole doíndice internacio-nalde normatizac¸ão[INR]), feitosde maneiraperiódica ao longodavidadopaciente,quereduzemaadesãoterapêutica dospacientes.Alémdisso,oanticoagulantelúpicoemalguns casospodealterarotempodeprotrombinaecomprometera monitorac¸ão.Outradesvantageméareduc¸ãodasproteínasCe S,anticoagulantesnaturais,compossívelincrementodorisco detrombosenafaseagudadaanticoagulac¸ão.3
Nesse sentido, uma nova classe de drogas anticoagu-lantes oraissurgiu (anticoagulantes orais diretos) e com a vantagemdequenãonecessitamdecontrolelaboratoriale sofrempouquíssimainfluência daalimentac¸ãoede outros medicamentos. Alguns exemplos de tais medicamentos sãodabigatrana,queéuminibidordiretoda trombina,eo rivaroxabana, apixabana e edoxabana, que inibem o fator Xa.Tais fármacos são aprovados pela Foodand Drug
Admi-nistration(FDA),dosEstadosUnidos,parausoemepisódios
tromboembólicosvenososefibrilac¸ãoatrialempacientesda populac¸ão geral. Existem poucos relatos e estudos do uso
dessasmedicac¸õesempacientescomSAF.Atabela1fazum resumo dosestudos com dabigatrana ou rivaroxabana em SAF.
Pode-se observarquenaliteraturahácerca de85 casos de pacientes com SAFquefizeram usodos novos anticoa-gulantes orais.Amaioria sãorelatosde casosouséries de casos,doisestudosretrospectivoseumestudoprospectivo.O tempomedianodeacompanhamentovarioude10a19meses e a medicac¸ão maisusada foi rivaroxabana. Arecorrência varioude0a17%,incluindovárioseventosarteriais,quandose avaliamsomenteestudosqueinformaramonúmerode recor-rênciassobreonúmerodepacientessobrisco,acompanhados poralgumperíodo.Agrandemaioriadospacientesincluídos emtodososestudosapresentavaeventosarteriaisprévios,ou múltiplasrecorrênciasnavigênciadeantagonistasda vita-minaK,oupararamousodeanticoagulanteoueramtriplo positivosparaanticorposantifosfolípides.4–9
Existemdoisestudosprospectivosrandomizados,um ita-liano (TRAPS) e um inglês (RAPS)3 que estão na fase de
acompanhamento depacientes com SAFnos quais háum brac¸oquefornecevarfarinaeoutrorivaroxabana.
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rev bras reumatol.2016;56(6):469–470Tabela1–Resumodassériesdecasoseestudosprospectivoeretrospectivosdousodosnovosanticoagulantesorais
emSAF
Autor,ano N SAF primário
Tipode estudo
Seguimento Arterial prévio
Triplo positivo
Anticoagulante Recorrência
Noeletal.,20155 26 12/26 Coorte retrospectiva
19m 12/26 7/26 Rivaroxabana
(n=15), dabigatrana (n=11)
1(4%)
Sciasciaetal.,20156 35 Coorte prospectiva
10m 0 ND Rivaroxabana 0
Sonetal.,20157 12 8/12 Sériedecasos 12m 2/12 5/12 Rivaroxabana 2(17%),[2LES, 1arterialprevio, 1descontinuou Rivaroxabana 6d]
Schaeferetal.,20148 3 2/3 Coorte retrospectiva
NA 2/3 1/3 Rivaroxabana
(n=2), dabigatrana (n=1)
3(100%)
Winetal.,20149 3 3/3 Sériedecasos NA 2/3 ND Rivaroxabana 2venosas,
1arterial
Signorellietal.,20154 8 8/8 Sériedecasos NA 2/8 3/8 Rivaroxabana 6arteriais,
2venosas
LES,lúpuseritematososistêmico;NA,nãoaplicável;ND,nãodeterminado.
Financiamento
CarvalhoJFrecebeubolsasdaFedericoFoundationedo Con-selhoNacionaldeDesenvolvimentoCientíficoeTecnológico (CNPq, 300665/2009-1); Levy RA recebeu bolsa da Federico Foundation; Levy RA e DC Andrade são membros do APS Action.
Conflitos
de
interesse
Osautoresdeclaramnãohaverconflitosdeinteresse.
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s
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JozélioFreiredeCarvalhoa,∗,
DanieleCastroOliveiradeAndradebeRogerA.Levyc
aUniversidadeFederaldaBahia,InstitutodeCiênciasdaSaúde,
Salvador,BA,Brasil
bUniversidadedeSãoPaulo,FaculdadedeMedicina,Divisão
deReumatologia,SãoPaulo,SP,Brasil
cUniversidadedoEstadodoRiodeJaneiro,Divisão
deReumatologia,RiodeJaneiro,RJ,Brasil
∗Autorparacorrespondência.
E-mail:[email protected](J.F.Carvalho). 0482-5004/©2016PublicadoporElsevierEditoraLtda.Este ´e umartigoOpenAccesssobumalicenc¸aCCBY-NC-ND (http://creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/4.0/).
http://dx.doi.org/10.1016/j.rbr.2016.06.008