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Rev. Bras. Anestesiol. vol.67 número5

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Academic year: 2018

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REVISTA

BRASILEIRA

DE

ANESTESIOLOGIA

PublicaçãoOficialdaSociedadeBrasileiradeAnestesiologia www.sba.com.br

ARTIGO

DIVERSO

Queimaduras

relacionadas

à

eletrocirurgia

---

Relato

de

dois

casos

Flora

Margarida

Barra

Bisinotto

a,∗

,

Roberto

Alexandre

Dezena

b

,

Laura

Bisinotto

Martins

c

,

Marina

Cordeiro

Galvão

d

,

José

Martins

Sobrinho

d

e

Maida

Silva

Calc

¸ado

d

aUniversidadeFederaldoTriânguloMineiro(UFTM),DisciplinadeAnestesiologia,Uberaba,MG,Brasil bUniversidadeFederaldoTriânguloMineiro(UFTM),DisciplinadeNeurocirurgia,Uberaba,MG,Brasil cUniversidadedeRibeirãoPreto(Unaerp),RibeirãoPreto,SP,Brasil

dUniversidadeFederaldoTriânguloMineiro(UFTM),HospitaldeClínicas,CET/SBA,Uberaba,MG,Brasil

Recebidoem7deagostode2015;aceitoem31deagostode2015

DisponívelnaInternetem17demaiode2016

PALAVRAS-CHAVE

Complicac¸ões: queimadura; Equipamento: eletrocautério; Cirurgia: complicac¸ões

Resumo Aeletrocirurgiaéumatecnologiaquesedesenvolveumuitosnosúltimosanosese tornouuminstrumentodegrandeimportâncianacirurgiamoderna.Amaioriados equipamen-toséconsideradasegura,emboraexistamriscosrelacionadosaoseuuso.Váriaslesõespodem sercausadasporeletrocautérios,asqueimadurassãoasmaisfrequentesetemidas.Relatamos doiscasosdequeimadurasrelacionadasaousodobisturielétricoepromovemosumarevisão deliteratura,poisoconhecimentodosfundamentosdaeletrocirurgia,seuusocorreto,a esco-lhadeumequipamentoseguro,omonitoramentoconstanteeainvestigac¸ãoimediatadiante dequaisquer suspeitascomcertezapodemmelhoraraexperiência operacionalparaambos, cirurgiãoepaciente.

©2016SociedadeBrasileiradeAnestesiologia.PublicadoporElsevierEditoraLtda.Este ´eum artigo OpenAccess sobumalicenc¸aCCBY-NC-ND( http://creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/4.0/).

KEYWORDS

Complications:burn; Equipment:

electrocautery; Surgery: complications

Burnsrelatedtoelectrosurgery---Reportoftwocases

Abstract Electrosurgeryisatechnologydevelopedoverthelastfewyearsandhasbecomea veryimportanttoolinmodernsurgery.Mostoftheequipmentisconsideredsafe,althoughthere arerisksrelatedtoitsuse.Severallesionsmaybecausedbyelectrocautery,andburnsarethe mostcommonandfeared.Wereporttwocasesofburnsrelatedtouseofelectrocauteryand promotealiteraturereview,becauseknowledgeofelectrosurgeryfundamentals,itscorrect

Autorparacorrespondência.

E-mail:[email protected](F.M.Bisinotto).

http://dx.doi.org/10.1016/j.bjan.2016.03.003

(2)

use,thechoiceofasafetydevice,constantmonitoring,andimmediateinvestigationbefore anysuspicionssurelycanimprovetheoperationalexperienceforbothsurgeonandpatient. ©2016SociedadeBrasileiradeAnestesiologia.PublishedbyElsevierEditoraLtda.Thisisan openaccessarticleundertheCCBY-NC-NDlicense( http://creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/4.0/).

Introduc

¸ão

O fenômeno da eletricidade tem sido usado há muitos anos nas salas de cirurgias e o seu uso atual, durante o ato operatório, é uma característica intrínseca da cirur-gia moderna. Historicamente, seu uso em medicina data deantesdosanos1920,quandoBoviedesenvolveuum ins-trumento extremamente moderno para a época, ajudou a trazê-lo para a vanguarda dos procedimentos operató-rios e revolucionou a cirurgia.1---3 Em termos práticos, a

eletricidadeem cirurgia podeser usada por meioda

ele-trocirurgia, também chamada diatermia, ou a partir dos

eletrocautérios. Nesses últimos, mais antigos, a corrente

elétricaéusada paraaquecerumfilamentoquese

encon-tra na ponta do cautério, retorna pela mesma via, não

passapelopaciente.Ocalorétransmitidodiretamenteaos

tecidosafimdeseobteremosefeitos terapêuticos.1---3 Na

eletrocirurgia,amodalidademaisusadaatualmente,a

cor-rente elétrica, é produzida por um gerador e chega ao

corpodopacienteporumeletrodoativo,agenos

tecidos--alvoe sai através de umeletrodo neutro. Essa corrente

elétrica,ao encontrar a resistência do tecido humano, é

transformada em calor e determina os efeitos

terapêuti-cos, conhecidos como corte ou coagulac¸ão. A ponta do

eletrodoativo nãosofre aquecimento.Quandoo eletrodo

neutro está distante do eletrodo ativo, sob a forma de

uma placa, temos o sistema monopolar. Quando o

ele-trodo positivo e o eletrodo neutro estão separados por

umapequena distânciae limitam ofluxo dacorrente

elé-trica,temososistemabipolar.1---3Noentanto,mesmocom

olongoperíododeexperiêncianousodaeletrocirurgia,os

riscoseascomplicac¸õesaindaestãopresentes, apesarda

incorporac¸ão de várias medidas de seguranc¸a. Houve um

aumento no número de lesões e complicac¸ões relatadas,

como interferência com os aparelhos de monitorizac¸ão,4

marcapassos e outros dispositivos cardíacos, probes de

oxímetro de pulso,5 sensores de temperatura, eletrodos

de estimulac¸ão cerebral profunda6 e, acima de tudo, as

queimaduras. Além disso, outros fenômenos podem estar

associados,comoestimulac¸ãodetecidos excitáveis,

movi-mentodaspernasdurantecirurgiaurológicaporestimulac¸ão

do nervo obturatório ou estimulac¸ão direta da

muscula-tura, que provoca contrac¸ões musculares que podem ser

malinterpretadascomoanestesiainadequada,alémdorisco

potencialdeocorrênciadecombustãodevidoàpresenc¸ade

gasesanestésicos.7,8Apesardetodososavanc¸osda

eletro-cirurgia,mesmo comseus riscos inerentes, a maioria dos

cirurgiões e residentes não recebe qualquer treinamento

formalpara seu uso apropriado. O objetivo deste estudo

é apresentar dois casos de queimaduras relacionadas ao

usodaeletrocirurgiae usá-lospara promoveruma

discus-são.Enfatiza-se que essas complicac¸ões são previsíveis e

Figura1 Queimadurade3◦graunosítiodaplacadispersiva.

evitáveis, noentanto ainda assombram assalas de

cirur-gia.

Casoclínicon1

Neonato de 11dias, prematuro, com 2kg, com

diagnós-ticodeabdomeagudoobstrutivo.Foiindicadalaparotomia

exploradoraemcaráterdeurgência,quefoifeitacom

anes-tesia geral. O paciente foi monitorado com cardioscópio,

oxímetrodepulso,pressão arterialnãoinvasivae

analisa-dordegasesduranteoperíodointraoperatório.Foiusadaa

eletrocirurgianamodalidademonopolarcomaplaca

disper-sivareusável,quefoicolocadanaregião plantaresquerda

pelo cirurgiãoresponsável. Nofimdo procedimento

cirúr-gico,apósaretiradadoscampos,constatou-seapresenc¸ade

umaqueimaduradeterceirograunosítiodaplacadispersiva

(fig.1).

Casoclínicon2

Paciente de 30anos, masculino, classificado como ASA II

devidoaotabagismoecomhistóriapréviadelitíase

urete-ral. Havia sidosubmetidoà implantac¸ãode cateterduplo

J alguns meses antes e foi programada sua retirada por

via endoscópica. Após monitorac¸ão padrãofoi feita

anes-tesia subaracnóidea por residente do primeiro ano, com

supervisão. O nível sensitivo obtido foi em T10 e o

paci-ente foi colocado em posic¸ão de litotomia. Entretanto,

devidoà longapermanênciadocateter, nãofoipossível a

suaretiradaconforme programadopelaequipecirúrgicae

houve anecessidade deabordagem abdominalatravés de

(3)

Figura2 Queimaduranaregiãodoflanco(àesquerda);emesacirúrgicacomaexposic¸ãodapartemetálicadeformatocoincidente

comodaqueimadura.

emdecúbitodorsalhorizontalnamesacirúrgica.Foiusada

a eletrocirurgia na modalidade monopolar, com a placa

dispersiva descartável colocada no dorsodo paciente. No

intraoperatório,queixou-sededornoflanco esquerdoque

nãofoiinvestigadapeloresidentedeanestesiologia.O

paci-entefoilevadoparaasaladederecuperac¸ãopós-anestésica

erecebeualtahospitalarnodiaseguinte,semqueixas

rela-tadasnadocumentac¸ãohospitalar.Ummêsapósoocorrido,

compareceu ao Ambulatório de Anestesiologia para

con-sultaparaprocedimentourológicocomplementaredurante

aanamneserelatouaocorrênciadequeimaduraemflanco

esquerdo,duranteoprocedimentoanteriormentecitado.Ao

seanalisaroformatodalesãohaviaacoincidênciacomos

metaisdecontatodamesacirúrgica(fig. 2).Dessaforma,

concluiu-sequeaqueimadura foiocasionadapelocontato

diretodopacientecomapartemetálicadamesa.Foi

enca-minhadoparaadisciplinadecirurgiaplásticadainstituic¸ão

paraconduta.

Discussão

Embora o uso da eletricidade em cirurgia seja altamente

útileefetivo,oriscodecomplicac¸õesexiste.Dosanos1970

atéos anos 1990 a incidência decomplicac¸ões

relaciona-dasàeletrocirurgia manteve-seem cercadeduas acinco

por 1.000cirurgias, com predominância das queimaduras

elétricas.1,9 Essas nem sempre são detectadas

imediata-mente após a cirurgia,como ocorreu nocaso n◦2, como

diagnóstico feito tardiamente. Jones et al.2 sugeremque

sedeve terem mente que aprofundidade de penetrac¸ão

daenergiatérmicavaialémdoquesepodeveraolhonu.

Dessaforma,lesõesnãoreconhecidaspodemser

demons-tradasposteriormente,apósaprogressãodalesãotecidual.

Além disso, taislesõespodemnãoser reconhecidascomo

queimaduras,esimserdiagnosticadasincorretamentecomo

escaras,reac¸õestóxicasoualérgicasàssoluc¸õesdeassepsia

oudesinfecc¸ão.Ascircunstânciasnasquaisasqueimaduras

em geral ocorrem representam outro fatorchave, porque

muitas pessoas estão envolvidas no preparo e no uso da

unidade eletrocirúrgica.9,10 Tudo isso torna a incidência

exatadascomplicac¸õesrelacionadasaousoda

eletrocirur-giadifícildesermensurada.Noentanto,essetipodelesão

aindaconstituiumaporcentagemsignificativademorbidade

associadaàcirurgia.NaClosedclaims’analysisamericano,11

as queimaduras em pacientes, decorrentes de incêndios

nassalasdecirurgias,respondemporaproximadamenteum

quintodosprocessos.Emtodososcasosaunidade

eletroci-rúrgicaeooxigêniosuplementarforamusados.Éimportante

entenderquetalunidaderepresentaquasesempreafonte

deignic¸ão paraa ocorrênciadesses incêndios, representa

umdos componentes datríade para a suaocorrência, ao

lado do oxigênio, que funciona como comburente, e dos

campose/ousoluc¸õesalcóolicas,quefuncionamcomo

com-bustível. Nocaso clínicon◦2 nãofoi possível estabelecer

sea queimadurafoiresultado dequantidadeexcessivade

antissépticousadonolocaldacirurgiaousefoi osangue,

aurinaououtrassoluc¸õeslíquidasusadasnoprocedimento

queumedeceramapeledopaciente.Pelacaracterísticada

lesão,formatocoincidente com partesmetálicasdamesa

(fig. 2), suspeita-sequehouvecontato direto dopaciente

comometaldamesacirúrgica,oquefezcomqueacorrente

elétricaencontrasseumaviaopcionaldesaídae,assim,o

calorficouconcentradoem umaáreapequenae causoua

queimadura.

Princípiosdaeletrocirurgia

Umconhecimentobásicodeeletricidadeénecessáriopara

seusaratecnologiaeletrocirúrgicanocuidadodos

pacien-tesnassalasdecirurgias.1---3,12Osátomossãocompostosde

prótons,nêutronseelétrons.Acorrenteelétricafluiquando

oselétronsdeumátomosemovemparaoutroátomo

adja-centeatravésdeumcircuito.Voltageméaforc¸aquedirige

esse movimento de elétrons, constitui a forc¸a motriz da

correntecontra a resistência do circuito. Quando os

elé-tronsencontramtalresistênciaháproduc¸ãodecalor.Epara

(4)

Figura3 Circuitoisolado:acorrenteliberadaatravésdo

ele-trodoativopercorreocorpodopaciente,saiatravésdoeletrodo

neutroeretornaàunidadeeletrocirúrgica.Fonte:Retiradode

MassarwehNNetal.,1comapermissãodaeditora(Elsevier).

eletricidadetemtrês princípiosbásicos:2 1)Sempresegue

ocaminhodemenorresistência;2)Sempreprocura

retor-narparaumreservatóriodeelétrons,taiscomoosolo;e3)

Sempredeveexistirumcircuitocompleto.Muitodo

enten-dimentodecomoaeletrocirurgia funciona,assimcomoas

complicac¸õesrelacionadas,baseia-senessesprincípios.3Na

saladecirurgiaocircuitoécompostopelaunidade

eletroci-rúrgica,pelopacienteepeloseletrodosativoeoderetorno.

Oprincípiodaeletrocirurgiabaseia-senapassagemdeuma

correnteelétricadealtafrequênciapelostecidos-alvopara

obterumefeito clínicodesejado. Avoltagem é fornecida

pelo gerador, que a partir da energia elétrica alternada

comum, de baixa frequência (60Hz), gera correntes

elé-tricasde altíssimasfrequências (0,4 a 3MHz) e voltagens

elevadas(400a500V).Acorrente,liberadaatravésdeum

eletrodoativo,percorreocorpodopaciente,cujostecidos

determinamaresistência(impedância)aofluxodecorrente.

Nofimdocircuitoacorrentesaiatravésdeumeletrodo

neu-tro,queéaplacadedispersãooueletrodoneutro,eretorna

àunidadeeletrocirúrgica,2,13formaumcircuitoisolado,sem

necessidadedeaterramento(fig.3)

Agerac¸ão decalor édescrita pelaLei deJoule,que é

expressapelaequac¸ão:

Q=I2×t×R

naqualagerac¸ãodecalor(Q)aumentaproporcionalmente

com o quadrado da intensidade de corrente (I), com a

durac¸ãodaexposic¸ãoàcorrente(t)ecomaresistênciado

tecido(R).

Assim,pelafórmulaexposta,secompreendemosefeitos

determinadospelaunidade eletrocirúrgica,como também

ascausasdascomplicac¸õesrelacionadasaoseuuso.Ocalor

promove a coagulac¸ão, o corte oua fulgurac¸ão,depende

daintensidade da corrente (I), dasuperfície exposta, da

resistência (condutividade) dos tecidos e do tempo de

exposic¸ão.14,15 Nolado doeletrodo detrabalho (ponta do

cautério)a taxa em que ostecidos sãoaquecidos

desem-penhaumpapelcrucialnadeterminac¸ãodoefeitoclínico.

Quando uma corrente oscilante é aplicada ao tecido, o

rápido movimentodos elétrons através docitoplasma das

célulasfazcomquehajaaumentodatemperatura

intrace-lular.Aquantidadedeenergiatérmicaliberadaeafrac¸ão

detemponaqualissoocorreirãodeterminarosefeitosnos

tecidos. Assim, quando as temperaturas são inferiores a

45◦Cosdanoscelularessãoreversíveis,masquandose

atin-gemtemperaturassuperioresa45◦Casproteínascelulares

comec¸am a se desnaturar e ocorre perda da integridade

celular. Acima de 90◦C o líquido tecidual evapora e

res-secaeumavezqueatemperaturadostecidosatinja200◦C

os componentes sólidos restantes dos tecidos são

redu-zidos a carvão. A temperatura pode aumentar de forma

marcante, ultrapassa 1.000◦C. Adicionalmente ao efeito

de aquecimento, os tecidos vivos são afetados de outras

formas e a mais importante delas é a despolarizac¸ão das

célulasdamembranacelular,emdecorrênciadeparadada

func¸ãocelular.Issopodelevaraestimulac¸ão

neuromuscu-lar, conduc¸ão anormal, fibrilac¸ão miocárdica e óbito.12 A

intensidadedacorrente(I),definidacomoaquantidadede

eletricidade que flui através de uma áreade tecido, é o

conceitomaisimportanteparasecompreendera

eletroci-rurgia, umavezqueo tecidoexpostoamaiorintensidade

de corrente sofrerá maiores efeitos térmicos. O local de

colocac¸ão daplaca dedispersão está diretamente

relaci-onadoàintensidadedacorrente.Porexemplo,seaplacaé

colocadapróximoaocampooperatório,menorquantidade

de energia é perdida no circuito e, assim, densidades de

correntesmenoresserãonecessáriasparasealcanc¸aremos

efeitosdesejadosnostecidos.Poroutrolado,seaplacafor

colocada maisdistante, maiorquantidadedeenergiaserá

perdida,devidoàresistênciadocorpo,oqueexigemaiores

densidades,eháapossibilidadedeacarretarmaioresriscos

delesõesnopaciente.14---16Otempodeexposic¸ão(t)à

cor-renteelétricatempapel óbvionaextensãodos efeitosde

suapassagempelocorpohumano.Adurac¸ãodaexposic¸ãoà

correnteestádiretamenterelacionadaaocalorproduzidono

tecido.Quantomaiorotempodeexposic¸ão,maioresos

efei-toseosriscosdelesões,pelomaiorpotencialdepropagac¸ão

docalorparatecidosadjacentes.Umaativac¸ãomuitolonga

irá produzir danos teciduais mais amplos e profundos. O

outrofatorderelevânciaéaresistênciadotecido-alvo(R),

poisquantomaioraresistênciaàcorrenteelétrica,maiora

quantidadedecalorproduzido.Quanto maiortal

resistên-ciainerente,maioréavoltagemnecessáriaparaacorrente

passar.Também,quantomaistecidossuperficiaissão

caute-rizados,menoseletricamentecondutoressetornam,oque

aumentasuaresistênciaerequermaiorquantidadede

vol-tagemparaacorrentepenetrarnostecidosemplanosmais

profundos.Oscorpos queoferecem menor resistênciasão

oscondutores,taiscomo metais, osolo, assoluc¸ões

iôni-cas e o corpo humano. A resistência específicado tecido

depende dotipo detecido em questão, daumidadee da

espessuradapele,dapresenc¸adeprotuberânciasóssease

davascularizac¸ão.Váriostiposdetecidosapresentam

dife-rentes resistências elétricas que afetam a velocidade de

aquecimento.Ostecidosadiposoeósseoapresentam

resis-tênciasuperioràpele,aotecidomusculareàsáreasbem

vascularizadas.Issoéimportante naescolhadolocalpara

secolocaraplacadispersiva,poissedevedarpreferênciaa

áreascomtecidosmaisvascularizadosecommais

muscula-tura,evitaráreasdegordura,proeminênciasósseasepele

espessa, como ada região plantar. Nocaso n◦ 1 a placa,

alémdeserinadequada,foi colocadaem umaregião com

grande resistência e que oferece apassagem dacorrente

elétrica,comoé aregião plantar,pois alémdea peleser

(5)

ósseas.Aresistênciatambéméimportanteparao

entendi-mento docason◦ 2. Osmateriais condutores,ouseja,de

baixaresistência,comoapartemetálicadamesacirúrgica,

além de adornos metálicos no paciente, podem oferecer

umcaminhoopcionalparaasaída dacorrenteelétricado

corpodopaciente.Nocason◦ 2ocorpodopaciente ficou

emcontatocomometaldamesacirúrgica(fig.2),quese

tornouumcaminhoopcionalparaasaídadacorrente

elé-tricaeresultouemgrandeaquecimentoequeimadura.Esse

mesmomecanismoexplicaoscasosdequeimadurasque

sur-gem em pacientes com adornosmetálicos, com eletrodos

de eletrocardiograma e de eletroencefalograma e outros

equipamentosdemonitoramentointernoqueusamagulhas.

O seu entendimento é também importante para se

expli-caraopacienteaobrigatoriedadedeseretiraremtodosos

materiaiscondutores,ouseja,debaixaresistência,como,

porexemplo,joias,brincos,piercings,colchetes,botõese

outrosadornosmetálicos.15 Oefeitodaeletrocirurgia

tam-bém está na dependência do tipo do eletrodo. Eletrodos

menores promovem umaintensidade de correntemaiore

assimconcentramoefeitodocalornolocaldecontatocom

otecido.Porexemplo,umeletrododeponta(tipoagulha)

promoverámaiorefeitodeaquecimentoquandocomparado

comumeletrodotipobola.Estemesmoconceitoseaplica

aoeletrododeretorno.1

Unidadeseletrocirúrgicas

Atualmente,ostermoseletrocautério,termocautério,

cau-tério, bisturi elétrico e bisturi eletrônico são usados

indistintamente em referência àeletrocirurgia. A maioria

dosautoresconcordacomqueotermogenéricounidade

ele-trocirúrgicasejaomaisadequado,emreferênciaaogerador

decorrenteusadoparaeletrocirurgia.1,2Asunidades

eletro-cirúrgicaspodemserdedoistipos:osgeradoreschamados

groundreferenced,queforamusadosaté1970, eosmais

modernos,quesãoisolados.Noprimeirotipoacorrente

elé-tricapassapelopacienteeemseguidaoaterramentonosolo

completaocircuito,atravésdeumaplacadispersiva

colo-cada nopaciente. Naausênciade umcircuito completo a

correntevaibuscarosolo(aterramento).Nessasituac¸ão,em

qualquercontatodopacientecomumpossívelaterramento,

a corrente vai escolher o caminho de menor resistência,

pode passar através da mesa cirúrgica, dos eletrodos de

eletrocardiograma oudo metalde umcateter venoso em

contatocom opaciente. Sea intensidadedecorrentefor

altaosuficientenopontodecontato,háapossibilidadede

queimadura.Esseperigoem potencialfoieliminadocoma

introduc¸ãodegeradoresqueforamisoladosdoaterramento.

Nesses,acorrentepassaatravésdopacientee retornaao

gerador através da placa dispersiva. Os caminhos

opcio-nais são evitados, por não haverconexão do eletrodo de

retornocomosolo.Ofluxodecorrenteélimitadoentreo

eletrodoativoe oeletrododeretornodopaciente,oque

oferece umcaminhode baixa resistênciapara que a

cor-rentevindadopacienteretorneparaogerador(fig.3).1,3,17

Aativac¸ãodaunidadeeletrocirúrgicaémediadapelasmãos

ou pelos pés. Esse sistema de gerador isolado tem

redu-zidodeformaimportanteoscasosdequeimaduras,masnão

eliminouinteiramenteapossibilidadedessacomplicac¸ão.2

Modalidadesdeeletrocirurgia

Osgeradorespodemaplicarenergiademodomonoou

bipo-lar.Naformadeliberac¸ãomonopolara correntepassado

geradorparaoeletrodoativo,noqualproduzoseuefeito,

passaatravés dopaciente esai desse atravésdoeletrodo

dispersivo(ouplacaneutra),retornaaogerador,formaum

circuito completo. Uma vez que a superfície do eletrodo

neutroé muitomaiordoqueadoeletrodoativo (noqual

aconteceocorte,acoagulac¸ãoouaablac¸ão),acorrenteé

dispersaporumagrandeárea,minimizaoaquecimentodo

tecidoemcontatocomaplacadispersiva.Émais

frequente-menteusadodevidoàsuamaiorversatilidade.Entretanto,

oferecemaiores riscos,pois maiores quantidades de

teci-dos estão expostos à eletricidade. No sistema bipolar os

instrumentos assemelham-se a pinc¸as cirúrgicas e não há

anecessidade deumeletrodo dispersivode retorno,

por-queambos,oeletrodoativoeoderetorno,sãointegrados

de forma a liberar a energia e promover o seu retorno.

Aenergianãopassaatravésdopacienteporqueéconfinada

nostecidosentreosfórceps.Devidoaessaconfigurac¸ão,a

formabipolaroferecepoucachancedeumadispersãonão

intencionaldecorrente.As potênciasgeradas pelo bisturi

bipolarsãomenores quandocomparadascomasda

moda-lidademonopolar, é indicada paraintervenc¸õescirúrgicas

delicadas,comoneurocirurgias.

Placadispersivaoueletrodoneutro

Diversostiposdeplacadispersivaoueletrodoneutroestão

disponíveis,comoosadesivos descartáveisde usoúnico e

os reusáveis. Tal placa deve ter tamanho suficiente para

manteramplaáreadedispersãodaeletricidade,deforma

anãocausardanosaostecidos.Asuperfícievariade60cm2

para crianc¸as a valores acima de 170-180cm2 para

adul-tos,nadependênciadofornecedor. Apotência desaídaé

limitadaa 150 e 400W para crianc¸as e adultos,

respecti-vamente.Além disso, geleias oupastasdevem serusadas

paraaumentarocontato daplacacom apelee reduzira

resistênciaoferecidaporela. Seaplaca nãoestiver

com-pletamenteaderida(fig.4),oufluidosdequalquernatureza

seacumularementreaplacaeapele,asuperfícietotalde

dispersãosetornamenor,oferecemaioresriscos.É

necessá-rioaindaselecionarolocal,assimcomoacolocac¸ãocorreta

daplaca. Ela nãodevesercolocada em tecidos

cicatriza-dos,protuberâncias ósseas,implantes metálicose regiões

Figura4 Faltadeaderênciacompletadaplacadedispersão.

RetiradodeMassarwehNNetal.,1comapermissãodaeditora

(6)

docorporicas em gordura. Apreparac¸ãodapeleparaa

colocac¸ãodaplaca dispersivaincluiumalimpezasuavena

área,queremovequalquertrac¸odegordura(semousode

álcool,porque poderáocorrer umaumentodaresistência

dapele),eremoc¸ãodospelos.Énecessárioesperaratéque

qualqueragentecomburentedelimpezaquesejausadose

evapore. Quandouma placa adesiva de aterramentoestá

completamente aderida à pele do paciente há adequada

áreasuficientededispersãodaintensidadedecorrente,que

posteriormenteretornaaogerador.

Causasdasqueimaduras

Particularmenteemrelac¸ãoàmodalidademonopolar,

exis-tem quatro causas básicas de queimaduras. A primeira

refere-seàqueimaduranoprópriocampooperatóriocomo

resultadodoacionamentoinadvertidoouusoinapropriado.

A exposic¸ão à corrente elétrica por longos períodos sem

interrupc¸ão tem associac¸ão direta com a intensidade de

seusefeitoseoriscodelesões.Asegundarelaciona-seao

aquecimentodesoluc¸õesqueresultamemlesõestérmicas.

Tais queimaduraspodemseratribuídas a soluc¸ões

aqueci-dastantopeloeletrodoativoquantopeloneutro.Aterceira

causadizrespeitoaotraumatérmiconaregiãodaplaca

dis-persiva,tambémdenominadodanotecidualderetorno.Esse

acontecequandohácontatoinadequadoentreaplacaea

peledopaciente(fig.4),ouquandootamanhodaplacae

seusítiodeposicionamentosãoinadequados, dispersama

energiaemumaáreamenor,oqueaumentaoaquecimento

nospontosdecontatocomaplacaeocasionaqueimaduras

(mecanismodelesãodoprimeirocasoclínicorelatado).Uma

questãomuitasvezesrelegadaaosegundoplanoéa

hipoper-fusãotecidual.Normalmentenãoháqueimaduranaregião

daplacadispersiva,porque aárea decontatoé grande e

a circulac¸ão sanguínea dapele dissipa o calor gerado no

local.Porém, em situac¸ões nas quais a perfusão tecidual

nolocal daplaca se torna inadequada (choque,

hipoten-são,hipotermia,compressãotecidualnolocaldaplaca),a

faltadedissipac¸ãoadequadadocalorgeradopodeprovocar

lesões.Emumesforc¸oparareduzirasqueimaduras,os

apa-relhosapartirde1981passaramadispordeumsistemade

seguranc¸aparagarantirqueogeradorsomentefuncionese

aplacadedispersãoestiveracoplada.Porfim,comoquarta

causaasqueimadurastambémpodemocorrerquandoa

cor-renteassumeumcaminhoatravésdocorpodopacienteque

nãoodoeletrododispersivo.Ainterrupc¸ãoparcialoutotal

docontatodaplacadispersivacoma unidade

eletrocirúr-gicapossibilitaacirculac¸ãodecorrenteporviasopcionais.

Essasincluemtodosospontosdecontatodocorpodo

paci-entecomopotencialdeaterramento.Entreasviasopcionais

maiscomuns,podemoscitar:

Contatodiretodasuperfíciecorporalcomamesacirúrgica

aterrada;

Eletrodosconectadosaopacientequepossibilitemcontato

com opotencialdeterra(eletrodosdemonitorac¸ão,por

exemplo);

Contato do paciente com materiais condutivos, de

plás-tico oudeborracha(tubos oucolchões), paradissipac¸ão

deeletricidadeestática.

Casoasuperfíciedecontatonesseslocaissejapequena

(alta resistênciaelétrica),haverágrande concentrac¸ãode

corrente,aumentodetemperaturaelesãotecidual,muitas

vezes grave.Nocaso clínicon◦2, assuperfíciesmetálicas

damesaem contato comapele dopaciente funcionaram

comoviasopcionaisparaapassagemdacorrenteelétrica.

Aquimereceatenc¸ãoasubestimac¸ãodaqueixadopaciente,

quefoicapazdereferirdornaregiãodaqueimadura,uma

vezqueessanãoestavaincluídanonívelobtidopela

anes-tesia,mastevesuaqueixadesconsideradapelaequipe,que

provavelmente relacionou a reac¸ão do paciente ao efeito

desedativos.Queimadurassoboseletrodosdemonitorac¸ão

podem ocorrer mesmo com o perfeito funcionamento da

placaneutra.Quandoaplacadispersivaé posicionadaem

um pontomuito distante dosítio de atuac¸ão do eletrodo

ativo,acorrenteprovenientedessepodesedividiremduas

partes.Umaretornaàplacadispersivaeaoutraretornapelo

eletrododemonitorac¸ão.Devidoàáreareduzidadesse

ele-trodo,ocorremqueimadurasnapeledopaciente.Diversos

trabalhosnaliteraturarelatamaocorrênciadequeimaduras

relacionadasa eletrodosdeeletrocardiograma,de

eletro-encefalograma, sondas de temperatura retal ou da pele

e comequipamentos demonitoramentointernoque usam

agulhas. Acirculac¸ão decorrente elétricapor vias

opcio-naisque nãoasdocircuito dediatermia podemacarretar

ainda:

Eletrocussão(choqueelétrico):passagemdacorrente

elé-trica pelo organismo. Dentre suas consequências estão:

sensac¸ãodechoque,queimaduras,lesõesneurais,asfixia

(paralisiadamusculaturarespiratóriaedoscentros

respi-ratórios)etc.Correntesdebaixafrequência(60Hz)podem

causar graves problemas em tecidos excitáveis, como

contrac¸õesdegrandesgruposmusculares,quepodemser

erroneamenteinterpretadascomodespertar

intraoperató-riodopacienteearritmiascardíacasgraves;

Interferênciaseletromagnéticas:acorrenteelétrica

alter-nada,principalmentequandodealtafrequência,geraum

campomagnéticoquepodeproduzirinterferênciasno

fun-cionamento de outros equipamentos (artefatos ou ruído

em oxímetros de pulso e cardioscópios, por exemplo).

Amelhorformadepreveniresseeventoéousode

ater-ramentoadequado e deisolamento eletromagnético dos

equipamentos;

Incêndios e explosões: a produc¸ão de uma faísca

elé-trica numambiente ricoem gases e vapores inflamáveis

podeproduzir acidentescatastróficos. Materiais

inflamá-veis (gaze oucompressas secas,soluc¸õesalcoólicas para

antissepsia,PVC dotubo endotraqueal), na presenc¸a de

atmosferas ricas em gases comburentes, como o

oxigê-nio,poderãoentraremcombustãorapidamentecomuma

simplesfaíscaelétrica.

Eventosrarossãoasqueimadurasrelacionadasaos

fenô-menosdecapacitânciaedeinduc¸ãomagnética.Tantoo

pri-meiroquantoosegundosãocapazesdeinduzircorrentesem

meioscondutores(cabosdemonitoresconectadosao

paci-ente,quefuncionamcomo‘‘antenas’’)epodemacontecer

durante ofuncionamento deumaunidadeeletrocirúrgica,

que gera uma corrente alternada de altíssima

(7)

do paciente. Para evitar esse tipo de acidente, deve-se

colocar a unidade o mais distante possível dos monitores

eposicionarafiac¸ãodemodoperpendicularentresi.

Orientac¸õesparausodaunidadeeletrocirúrgica

Parareduzirosriscosrelacionadosàaplicac¸ãoda

eletroci-rurgia,foramestabelecidasalgumasrecomendac¸õesquanto

aousodessatecnologia,queservemcomoguiademedidas

preventivasparatodososprofissionaisqueatuamnocentro

cirúrgico:

1. Opontofundamentalnaprevenc¸ãodeacidentescomo

usodaeletrocirurgiaéoposicionamentocorretodo

paci-entenamesacirúrgica.Ocontatocomobjetosmetálicos

do paciente ou da mesa e com eletrodos de

monito-ramento podeconcentrar a corrente ou acarretar sua

fugae provocarlesões.Devem-seusar dispositivos

iso-lantes na mesa e nos apoios de brac¸ose pernas, para

evitar fuga da correnteatravés de áreas metálicas, e

compressassecas entrebrac¸os, troncooupernas,para

evitarconcentrac¸ãodecorrentenasáreascomacúmulo

defluidos.

2. Osadornosmetálicosdevemserobrigatoriamente

reti-radoseoseletrodoscolocadosomaisdistantepossível

docampooperatório.

3. Aoseusarobisturimonopolarempacientescomjuntas

condutorasprotéticas,todoesforc¸odeveserfeitopara

secolocarapróteseforadocaminhodiretodocircuito.

Seo pacientetem umaprótese noquadril direito, por

exemplo,aplacaderetornodevesercolocadanolado

esquerdodopaciente.

4. Ossistemas dealarmedevemfuncionartodo otempo.

Ovolume doindicador sonoro deatuac¸ãodo aparelho

devesermantido emnívelaudível,paraqueseja

aler-tado imediatamente quando a unidade eletrocirúrgica

foracionadainadvertidamenteouquandoessenão

esti-verfuncionandodeformaadequada.

5. Deve-seevitartambémacolocac¸ãodoeletrodo

disper-sivosobretatuagens,muitasdasquaiscontêmcorantes

metálicos.Oeletrodoativodevesercolocadolongedo

campoquandonãoestáemuso,evitam-sesuaativac¸ão

nãointencionalelesões.

6. Oseletrodosativos nãodevem serusados na presenc¸a

de gases anestésicos e de agentes inflamáveis, como

antissépticos para a degermac¸ão da pele. Isso é

particularmenteimportanteemoperac¸ões

otorrinolarin-gológicas,edecabec¸aepescoc¸o,devidoàproximidade

comosgasesanestésicos.

7. Deveserconfirmadaapotênciadaunidade

eletrocirúr-gicaantesdaativac¸ão,quedeveseramaisbaixaefetiva

possível,afimdequeseatinjaoefeitodesejado para

corte ou coagulac¸ão. Se o cirurgião solicitar contínuo

aumentodepotência,ouseocorrerrespostanãousual

dopaciente,ou,ainda,interferêncianosinalde

monito-ramentoduranteouso,faz-senecessárioinvestigartodo

ocircuitoàprocuradefalhas.

8. Olocaldaplacadispersivaégeralmenteditadopelosítio

cirúrgico,deveserposicionadaomaispróximopossível

docampooperatório,preferencialmenteempelelimpa

e seca,emáreabemvascularizadaecom maiormassa

muscular.

9. Ospacientesusuáriosdemarcapassodevemser

continua-mentemonitorados,poisemboraosaparelhosmodernos

sejam desenhadosde modo que fiquem protegidos da

passagemdecorrente,aindaestãosujeitosa

interferên-cias,podemserdanificadosirreparavelmenteoutersua

func¸ãoalterada.Precauc¸õesadicionaisdevemser

toma-dasparaqueseminimizemacidentes,como:checarcom

ocardiologistaasfunc¸õesdomarcapassoduranteouso

daeletrocirurgia, terumaunidade deprogramac¸ãode

marcapassoàmãoparaajustá-lonomodoassincrônico,

ter um desfibriladorà mão para uso imediato no caso

de emergências, manter todos os cabos e fios da

uni-dadeeletrocirúrgicadistantesdomarcapassoedesuas

conexõeseusaroajustedepotêncianogeradoromais

baixopossível.Recomenda-setambémusar

eletrocirur-giabipolar sempreque possível, mas,casonecessário,

usaraeletrocirurgiamonopolareassegurar-sedequea

distânciaentreoseletrodosativoedispersivosejaamais

curtapossível.

Conclusão

Todooperíodotransoperatórioofereceriscosparao

paci-ente,desdeomomentodasuaentradanoCentroCirúrgico

até o retorno à unidade de origem, e a eletrocirurgia

constitui um desses riscos. O conhecimento dos

princí-pioscientíficosefísicosdasunidadeseletrocirúrgicasdeve

abrangertodasaspessoasenvolvidasnocontextocirúrgico,

nãosóparaaumentaraeficiênciaepermitirousodetodos

osrecursos úteisque os aparelhos dispõem,mas também

paraevitarseumauusoedanosaospacientes.

Conflitos

de

interesse

Osautoresdeclaramnãohaverconflitosdeinteresse.

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Imagem

Figura 1 Queimadura de 3 ◦ grau no sítio da placa dispersiva.
Figura 2 Queimadura na região do flanco (à esquerda); e mesa cirúrgica com a exposic ¸ão da parte metálica de formato coincidente com o da queimadura.
Figura 3 Circuito isolado: a corrente liberada através do ele- ele-trodo ativo percorre o corpo do paciente, sai através do eletrodo neutro e retorna à unidade eletrocirúrgica
Figura 4 Falta de aderência completa da placa de dispersão.

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