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Rev. Bras. Anestesiol. vol.67 número5

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Academic year: 2018

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REVISTA

BRASILEIRA

DE

ANESTESIOLOGIA

PublicaçãoOficialdaSociedadeBrasileiradeAnestesiologia

www.sba.com.br

ARTIGO

CIENTÍFICO

Bloqueio

cirúrgico

do

plano

transverso

abdominal

versus

guiado

por

ultrassom

em

pacientes

obesas

após

cesárea:

estudo

prospectivo

e

randomizado

Aykut

Urfalıo˘

glu

a,

,

Murat

Bakacak

b

,

Ömer

Faruk

Boran

a

,

Fatih

Mehmet

Yazar

c

,

Mahmut

Arslan

a

e

Hafize

Öksüz

a

aKahramanmarasSutcuImamUniversity,SchoolofMedicine,DepartmentofAnesthesiaandReanimation,Kahramanmaras, Turquia

bKahramanmarasSutcuImamUniversity,SchoolofMedicine,DepartmentofObstetricsandGynecology,Kahramanmaras,Turquia cKahramanmarasSutcuImamUniversity,SchoolofMedicine,DepartmentofGeneralSurgery,Kahramanmaras,Turquia

Recebidoem7defevereirode2016;aceitoem27dejulhode2016 DisponívelnaInternetem16demaiode2017

PALAVRAS-CHAVE

Bloqueiodoplano

transverso abdominal; Cesariana; Grávidas;

Escalavisual

analógica; Analgesia

Resumo

Justificativaeobjetivos: Obloqueiodoplanotransversoabdominal(TAP)guiadoporultrassom (US)demonstroueficácianofornecimentodeanalgesianopós-operatórioaoprolongarotempo atéaprimeiranecessidadedeanalgésicoereduziroconsumototaldeanalgésico.Obloqueio TAPcirúrgico(umanovatécnica)podeserrealizadocomseguranc¸aempacientesobesasnas quais ascamadasmusculares nãopodem sersuficientementeexpostas.Comparamosa apli-cabilidade,aeficáciaeascomplicac¸õesdobloqueioTAPcirúrgicoedobloqueioTAP-USem gestantesobesassubmetidasàcesáreasobanestesiageral.

Método: Setentaecinco mulheres grávidascomíndice demassa corporal (IMC) pré e pós--gravidez>30foramrandomicamentealocadasemdoisgrupos:bloqueioTAP-US(GrupoTAP-US,

n=38)ebloqueioTAPcirúrgico(GrupoTAP-C,n=37).Osescoresdaescalavisualanalógica(VAS) nostempos0,2,6,12e24horasdepós-operatório,otempoatéaprimeiranecessidadede analgésico,oconsumototaldeanalgésicoem24horas,osefeitoscolateraisnopós-operatório, ascomplicac¸õeseasatisfac¸ãodopacienteforamregistrados.

Resultadoseconclusões: Idade,estadofísicoASA,tempocirúrgico,IMC,médiadetempoaté aprimeiranecessidadedeanalgésicoeconsumototaldeanalgésicoem24horasforam seme-lhantesentreosgrupos,enquantodiferenc¸assignificativasforamobservadasentreosgrupos emrelac¸ãoaoIMCpré-epós-gravidez.Asdurac¸õesdosprocedimentosdebloqueioforamde7e

Autorparacorrespondência.

E-mail:[email protected](A.Urfalıo˘glu). http://dx.doi.org/10.1016/j.bjan.2017.04.010

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10minutosnosgruposTAP-USeTAP-C,respectivamente.Nãohouvediferenc¸asignificativanos escoresVASentreosgruposemtodososmomentos;pruridoenáuseaforamobservadosemum paciente(GrupoTAP-US)eemquatro(GrupoTAP-C),respectivamente.ObloqueioTAPcirúrgico foiseguronaspacientesgrávidasobesaseforneceuanalgesiasimilaràdobloqueioTAP-USno pós-operatório.

©2016SociedadeBrasileiradeAnestesiologia.PublicadoporElsevierEditoraLtda.Este ´eum artigo OpenAccess sobumalicenc¸aCCBY-NC-ND( http://creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/4.0/).

KEYWORDS

Transversusabdominis

planeblock;

Cesareansection;

Pregnantwomen;

Visualanaloguescale;

Analgesia

Ultrasound-guidedversussurgicaltransversusabdominisplaneblockinobese patientsfollowingcesareansection:aprospectiverandomisedstudy

Abstract

Backgroundandobjectives: Ultrasound-guidedtransversusabdominisplaneblock demonstra-ted efficacy inproviding post-operative analgesiaby prolonging the time to first analgesic requirementandreducingthetotalanalgesicconsumption.Thesurgicaltransversusabdominis planeblock,anoveltechnique,canbeperformedsafelyinobesepatientsinwhommusclelayers cannotbesufficientlyexposed.Here,wecomparedapplicability,efficacyandcomplicationsof surgicaltransversusabdominisplaneandultrasound-guidedtransversusabdominisplaneblocks inobesepregnantwomenfollowingcesareansectionundergeneralanesthesia.

Methods:Seventy-five pregnantwomen with pre-and post-pregnancy body massindex>30 wererandomizedandallocatedintotwogroups:Ultrasound-guidedtransversusabdominisplane block(UTgroup;n=38)andsurgicalTAPblock(STgroup;n=37).Visualanaloguescalescoresat post-operative0,2,6,12and24hours(h),timetofirstanalgesicrequirement,totalanalgesic consumptionamountin24h,post-operativesideeffects,complicationsandpatientsatisfaction wererecorded.

Resultsandconclusions:Age,AmericanSocietyofAnesthesiologistscore,operativeduration, bodymassindex,meantimetofirstanalgesicrequirementandtotalanalgesicconsumptionin 24hweresimilarbetweengroups,whilesignificantdifferencesinpre-andpost-pregnancybody massindexwereobservedbetweengroups.Blockproceduredurationswere7and10minutes inST andUTgroups,respectively.No significantdifferencesinvisual analoguescalescores wereobservedbetweenthegroupsatalltimes;itchingandnauseawasobservedinone(UT group)andfour(UTandSTgroups)patients,respectively.Surgicaltransversusabdominisplane block was safe inobesepregnant patients andprovidedsimilar post-operativeanalgesia to ultrasound-guidedtransversusabdominisplaneblock.

©2016SociedadeBrasileiradeAnestesiologia.Publishedby ElsevierEditoraLtda.Thisisan openaccessarticleundertheCCBY-NC-NDlicense( http://creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/4.0/).

Introduc

¸ão

Ocontroleadequadodadorpós-cesáreaproporciona bene-fícios para mães e bebês, facilita a reabilitac¸ão precoce e a mobilizac¸ão da mãe, impede assim eventos trombo-embólicos e permite a amamentac¸ão precoce.1,2 Embora

o uso de opioides com bloqueio neuraxial seja preferido porque proporciona analgesia eficiente no pós-operatório de cesárea, os protocolos de analgesia multimodal que incluemaanalgesiacontroladapelopaciente(PCA)com opi-oides,paracetamolouinflamatóriosnãoesteroides(AINEs) tambémforamusadoscomumbloqueioneuraxiale, geral-mente, em condic¸ões anestésicas nas quais o uso de um bloqueioneuraxialérestrito.3,4Apesardaeficácia

substan-cialcomoagentesanalgésicos,osopioidescausamefeitos colaterais, inclusive náusea, vômito, sedac¸ão, prurido e depressão respiratória. Como os efeitos secundários neo-natais ocorrem através da transmissão placentária, os

bloqueios e a infiltrac¸ão de nervos periféricos, métodos recentesqueusamquantidadesmenoresdeopioides,foram desenvolvidos como uma parte dos protocolos de anal-gesia multimodal.5 O uso do clássico bloqueio do plano

transversoabdominal (TAP),comumente usadopara anal-gesianopós-operatório decirurgia abdominalinferior,foi descritopelaprimeiravezporRafiem2001eenvolveo blo-queiodosnervosintercostaisT7-L1,subcostal,ilioinguinal eílio-hipogástrico,queforneceminervac¸ãosensorialparaa paredeabdominalanterior.Atécnicaenvolveaintroduc¸ão deagente analgésiconaparedeabdominallaterale entre osmúsculosoblíquointernoetransversoabdominal (deno-minadaTAP).6 O clássico método àscegas está associado

a várias complicac¸ões:7 portanto, tem sido em grande

partesubstituídopeloTAPguiadoporultrassom(US), des-critopelaprimeiravezporHebbartetal.,8 porquemenos

complicac¸õessãoencontradascomTAP-US.9,10Osbloqueios

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são eficazes para proporcionar analgesia no período pós--operatório porque prolongam o tempo até a primeira necessidadedeanalgésicose reduzemoconsumo totalde analgésicosapósvários procedimentoscirúrgicos.11,12

Con-tudo, dificuldades técnicas importantes, semelhantes às relatadas para o bloqueio TAP clássico, foram relatadas com o uso de TAP-US, especialmente em pacientes obe-sos com excesso de tecidoadiposo subcutâneo. O uso do métododebloqueioTAP, descritoporOwenet al.,é atu-almente considerado como o mais adequado para atingir umbloqueioem pacientesobesos porqueascomplicac¸ões podem ser evitadas com o uso de umaabordagem intra--abdominal.13 Posteriormente, a técnica de bloqueio TAP

cirúrgicofoiaplicadaapósváriosprocedimentoscirúrgicos laparoscópicos.14---16

Emgrávidasobesasosefeitoscolateraismaternosefetais podemcontribuirparaanecessidadedealtasdosesde anal-gesia. Os desafios técnicos limitaram o uso de bloqueio TAP-USnessegrupodepacientesnosprotocolosdeanalgesia pós-operatória.Portanto,obloqueioTAPcirúrgicofoi con-sideradocomo umatécnica maisadequadaparaanalgesia pós-operatóriaemgrávidasobesasapósacesáreasob anal-gesiageralemcomparac¸ãocombloqueioTAP-USemtermos deaplicabilidade,eficácia ecomplicac¸ões.Deacordocom nossapesquisa,esteestudoéoprimeiroacomparara utili-dadedoultrassomembloqueioTAPcirúrgicoempacientes grávidasobesas.

Métodos

OpresenteestudofoifeitonaUniversidade ˙ImamSütcü,no Departamentode Anestesiologiae Reanimac¸ão, depoisde recebermos a aprovac¸ão doComitê de Ética em Pesquisa Científica(2014/16 Protocolon◦ 187) e ostermosde

con-sentimentoassinados portodasaspacientes.Oestudofoi prospectivo,feitocom75grávidasagendadasparacesárea eletivasob analgesiageral, comíndice de massacorporal (IMC)pré-epós-gravidez>30kg.m-2.Oscritériosde inclu-sãoforamgrávidasquereceberamanalgesiageral,estavam com≥37 semanasdegestac¸ão, jejuarampor6horas(h), idade >18 anos e classificac¸ão ASA I-II. As pacientes com IMC >30kg.m-2 e com doenc¸as hipertensivas conhecidas (pré-eclâmpsia, eclâmpsia e hipertensão crônica), anor-malidade fetal ou placentária, organomegalia abdominal oudiátesehemorrágicaforamexcluídas.Randomicamente, 75 grávidas foram divididas em dois grupos: Grupo TAP--US(bloqueioTAP-US;n=38)eGrupo TAP-C(bloqueioTAP cirúrgico;n=37),comoprogramaonlinederandomizac¸ão (www.randomizer.org).

Após a monitorac¸ão habitual com pressão arterial não invasiva(PANI),frequênciacardíaca(FC),oximetriadepulso eECGdetrêsderivac¸õesdetodasaspacienteslevadasàsala decirurgia,osdadoshemodinâmicosedemográficos(idade, peso,estaturaeIMC)foramregistrados.Ainduc¸ãoda anal-gesiageral foifeitapor viaintravenosa com2mg.kg−1de propofole 1mg.kg−1 desuccinilcolina.Aos30segundos(s) apósa intubac¸ão,aspacientesforamtransferidaspara os cuidadosdecirurgiões.Sevoflurano(2%)eO2/ar(50%/50%) foram usados para a manutenc¸ão da anestesia. O proce-dimentodobloqueio TAPfoifeitonaspacientesdoGrupo TAP-US após a cirurgia, com um dispositivo de ultrassom

EOM

IOM

TAM

IOF P

Figura 1 Imagemde ultrassom dastrês seguintes camadas

musculares abdominais: EOM, músculo oblíquo externo;IOM, músculooblíquointerno;TAM,músculo transversoabdominal; IOF,fásciadooblíquointerno;P,áreaintraperitoneal.

MyLabTMFive(Esaote,Gênova,Itália)e sondaslinearesLA 435 (6-18MHz) esterilizadas com soluc¸ão antisséptica. A sondafoiinseridaentrea margemcostale acristailíaca; umaagulhaparaanestesiaregionaldecalibre20G,150mm, (Stimuplex,B.BraunMelsungenAG,Alemanha)foiavanc¸ada no mesmo nível que a sondado US, com umatécnica no planoapósaconfirmac¸ãovisualdetrêscamadasmusculares (doexternoparaointerno;oblíquoexterno,oblíquointerno e transverso abdominal) (fig. 1). Após apunc¸ão da fáscia do músculo transverso abdominale visualizac¸ão daponta da agulhaentreos músculosoblíquo internoe transverso abdominalvia US, umadose pré-preparada com 20mL de bupivacaínaa0,25%(Marcaina0,5%;AstraZeneca,Londres, RU)foiadministradaapósumadosetestede0,5-1mL.O pro-cedimentofoirepetidonoladoopostocomumaquantidade idênticadeanestésicolocal.Afigura2mostraapropagac¸ão doanestésicolocalnoTAP.

OGrupoTAP-C(n=37)foisubmetidoaoprocedimentodo bloqueioapósofechamentodoúteroeahemostasia.Após apalpac¸ãodamargemlateraldomúsculoretoedosvasos epigástricosinferiorespelocirurgiãocomumelevador,uma agulhadecalibre18Gcompontacegafoiavanc¸adaatravés doperitônioparietalemúsculotransversoabdominal.Após apunc¸ãodafásciadomúsculo transversoabdominal,uma injec¸ãointra-abdominaldebupivacaínaa0,25%(20mL)foi aplicadanoTAP,nopontomédiodalinhaqueconectaacrista ilíacaeamargemcostalinferioreemdoislocaisnaparede abdominallateral,3-4cminferioràinjec¸ãoanteriornalinha média(fig.3).Oprocedimentofoirepetidonoladooposto comumaquantidadeidênticadeanestésico local.Os pro-cedimentosparaosbloqueiosTAP-USeTAPcirúrgicoforam feitos pelomesmo anestesiologista e cirurgião.A durac¸ão dobloqueio foi definidacomo o tempoentrea colocac¸ão dasondanapeleeainjec¸ãodoanestésicolocalnoGrupo TAP-USeotempoentreoinícioeofimdainjec¸ãodo anesté-sicolocalpré-preparadonoperitônioparietalpelocirurgião. Todasaspacientesreceberam1gdeparacetamole50mgde tramadolIVcomopadrão20minutos(min)antesdofimda

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IOM

TAM

IOF LA

Figura2 Propagac¸ãodoanestésicolocal(LA)dentrodoplano transversoabdominalentreosIOMeTAMapósainjec¸ãoe des-locamentodescendentedoIOF(bloqueioTAP-US).

Figura3 Acessointra-abdominalde umaagulhacomponta

ceganoplanotransversoabdominalatravésdomúsculo trans-versoabdominal(bloqueioTAP-C).

envolveuousodetramadolpormeiodePCA,deacordocom apreferênciadapaciente eadependerdaintensidadeda dor,com arotina de1gdeparacetamolIV (dose máxima,

4g.dia−1)administradoacada 6h.O protocolodePCA foi aplicado sem infusão contínua com uma dose (12mg) em

bolusde300mgdetramadolIV(6mL)em44mLdesoluc¸ão

isotônicapor 10min. A dornopós-operatório foiavaliada comaescalavisual analógica(VAS:0=semdor;10=pior dorpossível)eosescoresforamregistradosparaambosos gruposnostemposzero (imediatamenteapósacirurgia)e em dois, seis, 12 e 24h de pós-operatório. O tempo até a primeira necessidade de analgésico (min) e o consumo totaldeanalgésico(mg) foramregistrados.Efeitos adver-sosecomplicac¸õesnopós-operatório,comonáusea/vômito, prurido e depressão respiratória, também foram registra-dos. Além disso, as pacientes foram solicitadas a relatar a satisfac¸ão com o procedimento em umaescala de 0-10 pontos,semelhantesàVAS,eosescoresforamregistrados.

OsdadosforamanalisadoscomosprogramasSPSS22.0 (IBM Corp., Armonk, NY, EUA) e PAST3 (Hammer Ø, Har-per DAT, Ryan PD 2001; Estatísticas Paleontológicas). A conformidade dos dados univariados e multivariadospara distribuic¸õesnormaisfoianalisadacomostestesde Shapiro--Wilk e Mardia, respectivamente, enquanto o teste de Levenefoiusadoparaavaliarahomogeneidadede variân-cia.Otestetindependentefoiusadoparacompararosdois grupos independentes, enquanto que o teste U de Mann--Whitneyfoi usadocom a técnica desimulac¸ão deMonte Carlo. O teste de sinais de Wilcoxon foi usado para duas mensurac¸õesrepetidasdasvariáveisnãoindependentes.O modelolineargeraldemedidasrepetidas(Anova)eoteste dedoisfatoresdeFriedmanforamusadosparaaanálisede medidasrepetidasdasvariáveis deacordocomosgrupos, enquantoostestesposthoc nãoparamétricoe LSDforam usadosparaaanáliseposthoc.OtesteexatodeFisherfoi usadoparacompararosdadoscategóricosearazãode chan-cesparaquantificarosfatoresderiscocategóricos.Osdados quantitativosnastabelassãoexpressosemmédia±DP (des-vio padrão) e mediana±IQR (intervalo interquartil). Os dadoscategóricossãoexpressosem n(número)e porcen-tagem(%).Osdadosforamanalisadosem umintervalode confianc¸ade95%.Osvaloresdep<0,05foramconsiderados estatisticamentesignificativos.

Resultados

Amédia do IMC no Grupo TAP-C foi de32,2±1,56kg.m-2 antesdagravidezede35,5±1,85kg.m-2 duranteoparto, com um aumento médio de 3,3±0,77kg.m-2 observado durante a gravidez. A média do IMC no TAP-US foi de 32,5±1,86kg.m-2antesdagravidezede36,1±1,97kg.m-2 apósagravidez,comalterac¸ãode3,6±1,01kg.m-2durante agravidez.AumentosestatisticamentesignificativosnoIMC foram observados durante a gravidez em ambos os gru-pos,semdiferenc¸asignificativaobservadaentreosgrupos (p<0,01ep=0,154,respectivamente)(tabela1).

Amédiadeidadefoide30,2±5,17anosnoGrupoPTA-C ede29,4±5,41anosnoGrupoPTA-US.Nãohouvediferenc¸a estatisticamente significativa entre os grupos (p=0,490). Nãohouvediferenc¸aestatisticamentesignificativanas medi-anas dos valores ASA ou dos tempos cirúrgicos entre os grupos(p=0,628ep=0,716,respectivamente).Amédiada durac¸ão doprocedimentodebloqueiofoimenornoGrupo PTA-US(média:7min;intervalo:4-10min)emcomparac¸ão com o Grupo PTA-C (média: 10min; intervalo: 8-12min;

p<0,001). Não houve diferenc¸a significativa na média do tempo até a primeira necessidade de analgésico ou do consumo total de analgésico durante 24h entre os gru-pos (p=0,168 e p=0,539, respectivamente). Não houve diferenc¸asignificativana média dosescores desatisfac¸ão daspacientesentreosgrupos(p=0,962)(tabela2).

AsmédiasdosescoresVASdeambososgruposemzero, dois,seis,12e24hdepós-operatórioeasalterac¸õesapartir da fase basal em cada tempo mensurado são apresenta-dasnatabela3.Deformasemelhante,nãohouvediferenc¸a estatísticanosescoresVASentregruposemqualquertempo mensurado(p>0,05paratodos).

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Tabela1 IMCdaspacientesantesdagravidezenomomentodoparto,bemcomoalterac¸õesduranteagravidezdeacordocom osgruposdeestudo

TAP-C TAP-US p-valor

IMC

Pré-gravidez(1) 32,2±1,56 32,5±1,86 Nomomentodoparto(2) 35,5±1,85 36,1±1,97

Alterac¸ãoduranteagravidez 3,3±0,77 3,6±1,01 0,154 p-valor <0,001 <0,001

LambdadeWilks;Modelolineargeraldemedidasrepetidas(Anova);TAP-C,bloqueiodoplanotransversoabdominaldurantea cirur-gia;TAP-US,bloqueiodoplanotransversoabdominalguiadoporultrassom;testeexatodeFisher(MonteCarlo);testeposthocnão paramétrico;testeposthoc,MonteCarlo.

Tabela2 Idade,ASA,tempocirúrgico,tempodoprocedimentodobloqueio,tempoatéaprimeiranecessidadedeanalgésico eíndicedesatisfac¸ãodaspacientesdeacordocomosgruposdeestudo

TAP-C TAP-US p-valor

n=37 n=38

Idadea 30,2± 5,17 29,4± 5,41 0,490

ASAb 2(2---1) 2(2---1) 0,628

Tempocirúrgicoa 40,2±2,66 40,5±2,81 0,716

Tempodoprocedimentodobloqueio(min)b 7(10---4) 10(12---8) <0,001

Tempoatéaprimeiranecessidadedeanalgésico(min)a 513,2±102,78 476,6±125,59 0,168

Consumototaldeanalgésicosem24h(mg)a 91,1± 34,00 96,9± 46,38 0,539

Satisfac¸ãodaspacientesb 9(10---5) 9(10---4) 0,962

Testetindependente(bootstrap);TestUdeMann-Whitney(MonteCarlo)

aMédia±DP(desviopadrão)

b Intervalodamediana(máximomínimo)

TAP-C,bloqueiodoplanotransversoabdominalduranteacirurgia;TAP-US,bloqueiodoplanotransversoabdominalguiadoporultrassom.

Tabela3 MedianadosescoresVASem0,2,6,12e24he alterac¸õesapartirdafasebasal

VASa TAP-C TAP-US p-valor

n=37 n=38

0hora 1,48(3---0) 1,67(3---0)

2horas 2,14(5---0) 2,23(7---0)

Alterac¸ão2---0 0,66(2---1) 0,65(4---1) 0,995

6horas 2,13(5---1) 2,23(4---1)

Alterac¸ão6---0 0,72(2---1) 0,64(2---1) 0,633

12horas 2,89(4---1) 2,67(4---1)

Alterac¸ão12---0 1,35(3---0) 1,06(2---0) 0,084

24horas 1,93(3---0) 1,87(3---0)

Alterac¸ão24---0 0,47(2---1) 0,23(2---1) 0,167

aMediana,intervalo(máximo-mínimo)

GrupoPTA-USe atribuídaà diminuic¸ão dousodeopioides apósambas astécnicas.Osvalores dep nãopuderamser calculadosporqueessesdadosnãoeramadequadosparaa análiseestatística.

Discussão

Apesar dos níveis eficazes de analgesia obtidos no pós--operatóriocomousodeopioidesemcombinac¸ãocomAINEs e paracetamol após a anestesia geral, os opioides estão associados a complicac¸ões substanciais, inclusive náusea,

vômito,sedac¸ão,pruridoedepressãorespiratória,alémde efeitoscolateraisneonataisviatransmissãodeopioidespara oleitematernoduranteacesárea.17,18EmboraMcKeenetal.

tenhamrelatadoocontrário,amaioria dosestudosrelata autilidadedobloqueioTAPcomoumcomponentedos pro-tocolosdeanalgesiamultimodalapós cesáreasnareduc¸ão dousodeopioidesedosefeitoscolateraisrelacionados.19,20

Alémdecesáreas,autilidadedobloqueioTAPparafornecer obloqueiosensorialdaparedeabdominalfoidemonstrada como uma parte da analgesia pós-operatória após várias técnicas de cirurgias abdominais inferiores.21,22 Como o

bloqueio TAP feito com a técnica clássica às cegas está associado a complicac¸õessubstanciais, o ultrassom, origi-nalmente usado para bloqueios de nervos periféricos, foi recentementeaplicadoaosbloqueiosTAP.8Obloqueio

TAP--US aumentou a seguranc¸a; porém, como ascamadas dos músculosabdominaiseapontadaagulhapodemser visua-lizadas,danosaofígadopodemserrelatados.Alémdisso,a técnicadebloqueioTAPpodecontinuarasertecnicamente difícilapesardousodeUSempacientesobesoscomexcesso detecidoadipososubcutâneo.9Portanto,relatou-sequea

técnica mais recentede bloqueioTAP cirúrgico reduziu a morbidadenessegrupodepacientes.13

(6)

osdoismétodosemmulheresobesasapóscesárea.Embora osdadosdemográficos(idade,ASAetempocirúrgico)das75 grávidastenhamsidosemelhantes,onossofocofoiem ges-tantesobesascomIMC>30kg.m-2,porqueoganhodepeso eraumresultadoesperadodagravidez.

A cesárea é considerada mais adequada em obesas; os bloqueios neuraxiais oferecem uma seguranc¸a maior duranteacesáreadoqueaanestesiageral.23 Portanto,os

bloqueiosTAPforammaiscomumentefeitoscombloqueios neuraxiaisemestudosanterioresqueinvestigarama eficá-ciaanalgésicadobloqueioTAPnopós-operatóriodecesárea. Belavyetal.relataramqueobloqueioTAP-USfornece anal-gesiaeficaz semousodeopioidesapóscesáreafeitacom raquianestesia,diminuiassimosefeitosadversos relaciona-dosaosopioides.24ObloqueioTAPcontribuiparaaanalgesia

com opioide por via espinal ao reduzir a necessidade de opioidenopós-operatórioeosescoresVAS.11Apesardas

van-tagensdaraquianestesiadescritasnesteestudo,aanestesia geralpodesernecessáriaempacientesquerejeitama anes-tesiaregionaloutêmoutrascontraindicac¸ões.Aocontrário daanestesiaregional,ainterrupc¸ãodosefeitosanalgésicos dobloqueio neuraxial noperíodopós-operatório imediato éumagrandedesvantagemdaanestesiageral.Portanto,a analgesiapós-operatóriaémaisimportanteapósaanestesia geral.

O uso de opioides nas primeiras 24h após cesárea sob analgesia geral foi significativamente reduzido com a administrac¸ãodeumbloqueioTAP;noentanto,osescores VASforamcomparáveisaosdogrupocontrole.1Obloqueio

TAP administrado durante a cesárea sob analgesia geral aumentouotempoatéaprimeiranecessidadedeopioides, diminuiuesseconsumototalereduziusignificativamenteos escoresVASaté12hdepós-operatório.17Semelhantemente

aessesresultados,otempoatéaprimeiranecessidadede analgésicoemnossoestudoaumentoutantonoGrupo TAP--USquantonoGrupoTAP-Ceoconsumototaldeanalgésico foibaixoem24hdepós-operatório.Tendocomoreferência a fasebasal, osescoresVAS nopós-operatório foram bai-xosemambososgruposemtodosostemposmensuradosno períododeacompanhamentode24h.Noestudoconduzido porTanetal.,asemelhanc¸anosescoresVASdosgruposde estudoecontrolepodeseratribuídaaousodeoutros anal-gésicos,comoparacetamol,comopioidesduranteoperíodo pós-operatório, o que tambémaconteceu com os resulta-dosdenossoestudo.UmbloqueioTAPproporcionabloqueio sensorial somáticoapenas na parede abdominal,mas não bloqueia a dor visceral proveniente doútero.25 Portanto,

adorvisceral podenãoserevitadacomo usodeagentes adicionais,oquepodelevaràavaliac¸ãoerradadosescores VAS.

Com a reduc¸ãodouso deopioides,osefeitos adversos relacionados,inclusivenáusea,vômito,pruridoedepressão respiratória, devem ser menos frequentemente observa-dos. Em cada um dos grupos de nossoestudo, náusea foi observadaem quatropacientes;pruridofoi observadoem umapaciente doGrupo TAP-US.Esse achadofoi atribuído à reduc¸ão do uso de opioidesem ambos os grupos. Além disso,osaltosíndicesdesatisfac¸ãodaspacientesemambos os grupos foram um resultado esperado devido a menos efeitosadversoseanalgesiapós-operatóriaadequada.Uma metanálise de estudos que avaliaram vários bloqueios TAP descobriu que o consumo de opioides e os efeitos

colaterais relacionados diminuíram e que a satisfac¸ão do pacientefoialtaquandoobloqueioTAP-USfoifeitodurante cirurgiasabdominaisinferiores.20

Embora o uso de US no bloqueio TAP tenha sido apa-rentementeseguro,comonopresenteestudo,dificuldades técnicaspodemocasionalmenteserencontradasnoquese refere à inserc¸ão dasondae distinc¸ão dascamadas mus-cularesabdominaisdevidoàobesidade.Osdanosaórgãos viscerais relacionados à agulha podem ser evitados pela aplicac¸ão intra-abdominal de um bloqueio de TAP com a visualizac¸ãodosórgãosvisceraisdurantecirurgiasabertas.13

Emnossoestudo,nãoobservamoscomplicac¸õesapósambos osbloqueios TAP-USe TAP-C,enquanto a durac¸ãodo blo-queio foi significativamente menor para o bloqueio TAP cirúrgicodoqueparaobloqueioguiadoporultrassom.

Hávárias limitac¸õesnesteestudo.Primeiro,o nívelde bloqueiosensorialnãofoiconfirmadoapósobloqueioe ape-nasosescoresVASnopós-operatórioforamavaliadoscomo parte da avaliac¸ão do sucesso do bloqueio. No entanto, essa avaliac¸ão não pode ser completamentefeita porque aspacientesquereceberamanestesiageralnãoconseguem fornecerrespostasconfiáveissobreobloqueiosensorialno períodopós-operatório imediato e nos momentos posteri-ores,especialmentena regiãodos segmentosespinhaisde T7-L1ondeobloqueiofoiaplicadoeprotegidocomtampão. Segundo,paraacomparac¸ãodosmétodosdebloqueioTAP, nãohaviaumgrupodecontrolesembloqueionoqualapenas aPCAtenhasidoadministrada.Nesteestudo,onosso princi-palobjetivofoicompararaeficáciaeascomplicac¸õesentre os bloqueios TAP-US e TAP-C. Não incluímos um terceiro grupo de controle devido à falta de grávidas apropriadas queatendessemaoscritériosdoestudo;amédiadetempo atéaprimeiranecessidadedeanalgésicosnopós-operatório e o consumo total de analgésicos nessa populac¸ão foram relatadosporváriosestudosfeitosanteriormente.

Conclusão

Osbloqueios TAPguiados por ultrassom e cirúrgico foram seguroseapresentarameficácia semelhanteparafornecer analgesiapós-operatória em grávidas obesasapós cesárea sob analgesia geral. O bloqueio TAP cirúrgico é uma téc-nicaeficaz, segura e rápida, especialmenteem pacientes nasquaisobloqueiosensorialétecnicamentedesafiador,e nãorequerequipamentoadicional.

Conflitos

de

interesse

Osautoresdeclaramnãohaverconflitosdeinteresse.

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Imagem

Figura 1 Imagem de ultrassom das três seguintes camadas musculares abdominais: EOM, músculo oblíquo externo; IOM, músculo oblíquo interno; TAM, músculo transverso abdominal;
Figura 2 Propagac ¸ão do anestésico local (LA) dentro do plano transverso abdominal entre os IOM e TAM após a injec ¸ão e  des-locamento descendente do IOF (bloqueio TAP-US).
Tabela 3 Mediana dos escores VAS em 0, 2, 6, 12 e 24 h e alterac ¸ões a partir da fase basal

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