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Rev. Bras. Reumatol. vol.57 número1

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ww w . r e u m a t o l o g i a . c o m . b r

REVISTA

BRASILEIRA

DE

REUMATOLOGIA

Artigo

original

Síndrome

locomotora

em

idosos:

traduc¸ão,

adaptac¸ão

cultural

e

validac¸ão

brasileira

do

instrumento

25-

Question

Geriatric

Locomotive

Function

Scale

Daniela

Regina

Brandão

Tavares

a,

e

Fania

Cristina

Santos

b

aUniversidadeFederaldeSãoPaulo(UNIFESP),ProgramadeGeriatria,SãoPaulo,SP,Brasil

bUniversidadeFederaldeSãoPaulo(UNIFESP),Servic¸odeDoreDoenc¸asOsteoarticulares,DisciplinadeGeriatriaeGerontologia(DIGG),

SãoPaulo,SP,Brasil

informações

sobre

o

artigo

Históricodoartigo:

Recebidoem26dejaneirode2016 Aceitoem23demaiode2016

On-lineem14dejulhode2016

Palavras-chave:

Idoso

Síndromelocomotora GLFS-25

Instrumentodeavaliac¸ão

r

e

s

u

m

o

Objetivo:Otermosíndromelocomotora(SL)designacondic¸õesnasquaisosidosos apresen-tamaltoriscodeincapacidadeparadeambulac¸ãoemdecorrênciadeproblemasemórgãos locomotores.Paraseurastreiofoi criadoo25-Question GeriatricLocomotiveFunctionScale

(GLFS-25).Objetivou-seaqui,traduzir,adaptartransculturalmenteparaoBrasileestudar aspropriedadespsicométricasdoGLFS-25.

Método:Feitastraduc¸ãoeadaptac¸ãotransculturaldoGLFS-25queoriginaramoGLFS25-P, cujaspropriedadespsicométricasforamanalisadasnumaamostrade100idosos.Apurados dadossociodemográficosrelativosador,queda,autopercepc¸ãodasaúdeefuncionalidades básicaeinstrumental.OGLFS25-Pfoiaplicadoemtrêsmomentos:nummesmodiapor doisentrevistadoreseapós15diasnovamentepeloprimeiroentrevistador.

Resultado:OGLFS25-Papresentoualtovalordeconsistênciainterna,segundoo coefici-enteAlfadeCronbach(0,942);ereprodutibilidadeótima,segundoacorrelac¸ãointraclasses: valoresde97,6%e98,4%,interobservadoreintraobservador,respectivamente(p<0,01).As concordânciasparacadaitemdoinstrumentoforamconsideráveis(entre0,248e0,673), segundoaestatísticaKappa.Navalidac¸ão,segundoocoeficientedePearson,foramobtidas correlac¸õesregulareboaparaasatividadesdevidadiáriabásicas(AVDB)einstrumentais (AIVD),respectivamente(p<0,01).Encontradasassociac¸õesestatisticamentesignificantes comdorcrônica(p<0,001),queda(p=0,02)eautopercepc¸ãodesaúde(p<0,001).Aanálise multivariadaevidenciouriscodeSLsignificativamentemaiornapresenc¸adedorcrônica (OR15,92,IC95%3,08-82,27)epiorautopercepc¸ãodesaúde(OR0,23,IC95%0,07-0,79).

Conclusão:OGLFS25-PdemonstrouserconfiáveleválidonorastreiodaSLemidosos. ©2016PublicadoporElsevierEditoraLtda.Este ´eumartigoOpenAccesssobuma

licenc¸aCCBY-NC-ND(http://creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/4.0/).

Autorparacorrespondência.

E-mail:[email protected](D.R.B.Tavares).

http://dx.doi.org/10.1016/j.rbr.2016.05.006

(2)

Locomotive

syndrome

in

the

elderly:

translation,

cultural

adaptation,

and

Brazilian

validation

of

the

tool

25-

Question

Geriatric

Locomotive

Function

Scale

Keywords:

Elderly

Locomotivesyndrome GLFS-25

Assessmenttool

a

b

s

t

r

a

c

t

Objective: ThetermLocomotiveSyndrome(LS)referstoconditionsinwhichtheelderlyare athighriskofinabilitytoambulateduetoproblemsinlocomotorsystem.ForLSscreening, the25-QuestionGeriatricLocomotiveFunctionScale(GLFS-25)wascreated.Theobjective herewastotranslate,adaptculturallytoBrazil,andstudythepsychometricpropertiesof GLFS-25.

Method: ThetranslationandculturaladaptationofGLFS-25werecarriedout,thus resul-tinginGLFS25-P,whosepsychometricpropertieswereanalyzedinasampleof100elderly subjects.Sociodemographicdataonpain,falls,self-perceivedhealthandbasicand instru-mentalfunctionalitiesweredetermined.GLFS25-Pwasappliedthreetimes:inonesame daybytwointerviewers,andafter15days,againbythefirstinterviewer.

Result: GLFS25-PshowedahighinternalconsistencyvalueaccordingtoCronbach’salpha coefficient(0.942),andexcellentreproducibility,accordingtointraclasscorrelation,with interobserver andintraobservervaluesof97.6%and98.4%, respectively(p<0.01). Agre-ements foreach item ofthe instrument wereconsiderable(between 0.248 and0.673), accordingtoKappastatistic.Initsvalidation,accordingtothePearson’scoefficient,regular andgoodcorrelationswereobtainedforthebasic(BADL)andinstrumental(IADL) activi-tiesofdailyliving,respectively(p<0.01).Statisticallysignificantassociationswithchronic pain(p<0.001),falls(p=0.02)andself-perceivedhealth(p<0.001)werefound.A multiva-riateanalysisshowedasignificantlyhigherriskofLSinthepresenceofchronicpain(OR 15.92,95%CI3.08-82.27)andwithaworseself-perceivedhealth(OR0.23,95%CI0.07-0.79).

Conclusion: GLFS25-PprovedtobeareliableandvalidtoolinLSscreeningfortheelderly population.

©2016PublishedbyElsevierEditoraLtda.ThisisanopenaccessarticleundertheCC BY-NC-NDlicense(http://creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/4.0/).

Introduc¸ão

Aestruturaetáriadapopulac¸ãobrasileirasofreuimportantes mudanc¸asnosúltimos50anos.Aexpectativadevidapassou de48anosem1960para73,4anosem2010.Nessemesmo período,onúmerodeidosospassoude3,3milhões(4,7%da populac¸ão)para20,5milhões(10,8%dapopulac¸ão).A expec-tativaéqueem2060essevalorsejade73milhõesdeidosos, ou33,7%dapopulac¸ão.1

Essa transic¸ão demográfica gera impactos importantes nasaúdepública.2 Estima-sequeonúmero deidosos com dependência funcional aumente exponencialmente com o envelhecimentodapopulac¸ão,oqueacarretariaum impor-tanteencargo financeiro paraa sociedade.3 As doenc¸as do sistemalocomotor sãoas principais causasde incapacida-desassociadasaoenvelhecimentoeumdosprincipaisalvos deprevenc¸ão.3,4 Dadosrevelamque21,5%dessespacientes têmalgumadoenc¸adosistemamusculoesquelético,comoa osteoporose(efraturasrelacionadas),aespondiloartroseea osteoartrite.5

Paraaprevenc¸ãodadisfunc¸ãolocomotora,aAssociac¸ão Ortopédica Japonesa (JOA) propôs em 2007 o conceito de síndrome locomotora (SL) para designar condic¸ões sob as quaisosidosostornam-sedependentesdecuidadosouestão emalto risco de se tornar, devido a problemasem órgãos locomotores.6 Foram descritos sete sinais de alarme que

indicamaltoriscodeSL.Sãoeles:nãoconseguircolocaras meiasapoiadoemumaúnicaperna;frequentementetropec¸ar ouescorregar dentrodecasa;precisar segurarno corrimão para subirasescadas; ter dificuldadepara fazer atividades domésticasdemoderadaintensidade;terdificuldadepara car-regar2kgdecomprasatéemcasa;nãosercapazdeandarpor 15minutossemparar;enãoconseguiratravessararuaantes deosinalficarvermelho.7

DiversascampanhastêmsidofeitasnoJapãoafimde divul-gar aSL para apopulac¸ão. Recentemente, a JOA informou queapenas26,6%dapopulac¸ãojaponesaconheciamaSL,em pesquisafeitanainternet.Mesmoentrepacientesemmeio ambulatorial,aidentificac¸ãotambémfoibaixa(24,6%).7

Ascaracterísticasespecíficasdessasíndromenãosão total-menteconhecidas.Entretanto,acredita-sesersecundáriaàs principaisdoenc¸asosteomusculares.6Algunsdossinaise sin-tomasquepermitiriamseureconhecimentoprecocesãodor, limitac¸ãodamobilidadearticularedeambulac¸ãolentificada.5 Para o rastreamento da SL, os pesquisadores japoneses tambémdesenvolveramuminstrumentodeavaliac¸ão:o

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OGLFS-25abrangediferentesaspectosdoúltimomêsdo paciente,com quatroquestõessobredor, 16 arespeitodas atividadesdevidadiárias,trêssobreodesempenhosociale duassobreoestadodesaúdementaldoindivíduo.3

Oestabelecimentodessenovoconceitosindrômicovemao encontrodoprocesso deenvelhecimentopopulacionalpelo qualo mundo tem passadonos últimos 50 anos. Trata-se, portanto,deumconceitoquenãoserefereàsenfermidades tradicionais,mas,sim,deumconceitoamploepidemiológico quesevoltaaogerenciamentodosistemadesaúde.3Diante dessemomento detransic¸ão, apreocupac¸ãodas entidades desaúdegiraemtornodecomoaumentaraexpectativade vidacomsaúdeeindependênciafuncional.8Nessesentido,o rastreiodessasíndrometorna-secrucial,afimdepossibilitar intervenc¸õesprecoces.3

Objetivou-se,comopresenteestudo,atraduc¸ão,adaptac¸ão transculturalparaoBrasileoestudodaspropriedades psico-métricasdoGLFS-25emidososdonossomeio.

Material

e

métodos

Estudoepidemiológico,observacional,descritivoeanalítico, aprovadopeloComitêdeÉticadaUniversidadeFederaldeSão Paulo/Unifesp(CEPn◦921.390/2014).

Para a traduc¸ão e adaptac¸ão transcultural do GLFS-25 seguiu-seametodologiadeGuilleminetal.9Inicialmente,os itenseminglêsdoinstrumentoforamtraduzidosparaa lín-guaportuguesapordoistradutoresbrasileirosindependentes, qualificadosecientesdosobjetivosdatraduc¸ão.Astraduc¸ões obtidasforamcomparadaseoriginaramumaversãoquefoi novamentetraduzidaparaoinglêsecomparadacoma ver-sãooriginal,etapafeitaporoutrosdoistradutoresdelíngua maternainglesa,comconhecimentodoidiomaportuguêse semciênciadosobjetivospropostos.

Naadaptac¸ãotransculturalobtiveram-sealgumas equiva-lências:1)Equivalênciasemântica,baseadanaavaliac¸ãoda equivalênciagramaticaledovocabulário, poismuitas pala-vrasdeumdeterminadoidiomapodemnãoterequivalentes em outras línguas; 2) Equivalência idiomática, baseada na pesquisa vasta em dicionários, pois a traduc¸ão de certas expressõesidiomáticasédifícileosignificadodecertas pala-vrasnãoéfixonemestável;3)Equivalênciatransculturalou experimental,poisocontextotransculturaldecertas expres-sõesdeveriaapresentar“validadedeconteúdo”tambémna línguaportuguesaeparaapopulac¸ãodoBrasiledadoquea versãodoinstrumentooriginalseria agorausadanumpaís diferentedo qualelefoi criado;4) Equivalênciaconceitual, poismuitositenspodemseequivalersemanticamentesem apresentar “equivalênciade conceito”. Nessaúltima etapa, formou-se um comitê de cinco especialistas de diferentes áreasecomexperiênciaemidosos:geriatria,ortopedia, reu-matologia,psicologiaefisioterapia.Assim,seobteveaversão finaldoinstrumentoemtese:oGLFS25-P(tabela1).

Paraaanálisedaspropriedadespsicométricasdaversão brasileira recém-originada, aleatoriamente foram

seleci-onados idosos com 60 anos ou mais, de ambos os

gêneros, atendidos em nível ambulatorial na Disciplina de Geriatria e Gerontologia da Universidade Federal de São Paulo (DIGG/Unifesp). Foram excluídos aqueles com

comprometimentos cognitivo e comportamental, doenc¸as agudas gravesoucrônicas descompensadas,déficits senso-riaislimitantesehistóriadefraturasemmembrosinferiores e/oucolunanosúltimosseismeses.Todos osparticipantes assinaramumtermodeconsentimentolivreeesclarecido.

Foramapurados,detodososparticipantes,dados sociode-mográficos(idade,gênero,estadocivil,etniaeescolaridade) e status funcional para as atividades de vida diária bási-cas (ABVD) e instrumentais (AIVD), segundo os índices de Katz eLawton,respectivamente.Também, foramcoletados dados relativos à frequência de quedas no último ano, à autopercepc¸ãode saúde(ruim,regular,boaouexcelente)e àpresenc¸adedorcrônica(durac¸ãodeseismesesoumais), anotou-separaessaúltimaasuaintensidadesegundouma escala dedescric¸ão verbal (leve,moderada,grave oumuito grave).

OGLFS25-Pfoiaplicadopordoisentrevistadores indepen-dentes(E1eE2),nummesmodiaeapós15dias,semqualquer intervenc¸ãonoperíodo,eseguiu-seaterceiraaplicac¸ãopelo primeiroentrevistador(agoradenominadoE3).Noestudodas propriedadespsicométricasdoGLFS25-P,analisou-se primei-ramenteasuaconfiabilidade,segundoaconsistênciainterna ereprodutibilidade,eposteriormentefoifeitaasuavalidac¸ão de acordo com o seu construto. A validade de construto, etapadas maisimportantesemumprocesso devalidac¸ão, envolveacomparac¸ãodoinstrumentoaserestudadocomum padrão-ouroestabelecido.Quandoesseúltimoestáausente, procede-se à comparac¸ão com parâmetros clínicos habitu-almente usados.10 Neste estudo, obteve-se a validade de construtopormeiodacorrelac¸ãoentreoGLFS25-Peosíndices funcionaissegundoasABVDeAIVD.

Na análise estatística, o teste de igualdade de duas proporc¸ões foi usadonadistribuic¸ãoda frequênciarelativa das variáveis qualitativas, o coeficiente alfa de Cronbach naobtenc¸ãodaconsistênciainterna,ostestestdeStudent pareadoeoíndicedecorrelac¸ãointraclasse(ICC)paraas repro-dutibilidadesintraeinterobservadores,ocoeficientedeKappa paraareprodutibilidadedecadaquestãodoinstrumentoea correlac¸ãodePearsonparaavalidac¸ão.Avaliadaaassociac¸ão daSLcomdorcrônica,comafrequênciadequedasnoúltimo anoecomos diferentesníveisdeautopercepc¸ãodesaúde, pormeiodotestedequi-Quadradoedaanálisederegressão logística.Definidooníveldesignificânciaem0,05(5%).

Resultados

Amostracompostapor100idososcommédiade82±1,5anos (entre61 e100),naqualpredominaram ogênerofeminino (73%),aetniabranca(50%),oestadodeviuvez(52%)eabaixa escolaridade(médiade5,1anos,57%estudaramapenasdeum aquatroanos)(tabela2).

Quanto à funcionalidade dos participantes, observou--se um predomínio do status de independência funcional segundo a ABVD (96%, com média de 5,5±0,1 pontos) e de dependêncialeve (41%,com médiade23,6±0,8pontos) segundoaAIVD(tabela2).

(4)
(5)

Tabela1–(Continuação)

quedas ou mais no último ano). Para a autopercepc¸ão de saúde,5%referiram-nacomo ruim,53%como regular,36% comoboae6%comoexcelente.

AprevalênciadeSLnaamostraestudada,segundooGLFS 25-P,foide63%,comescoresmédiosde27,6±4,1paraoE1, 27,3±4,4paraoE2e28,1±4,2paraoE3.Otempomédiopara asuaaplicac¸ãodecincoa10minutos.

Na análise das propriedades de medidas do GLFS 25-P ecomreferência,inicialmente,àpropriedadeconfiabilidade segundoasuaconsistênciainterna,altosvaloresdealfade Cronbach foram obtidos,de 0,942 paraE1, 0,952 para E2e 0,949paraE3.Paraareprodutibilidade,trêsanálisesforam fei-tas.SegundootestetdeStudentpareado,quecomparouas médiasdoGLFS25-PnasE1,E2eE3,nãoforamencontradas

diferenc¸asestatisticamentesignificantes(tabela3).Segundo oICC,foramobtidosótimosresultados,97,6%decorrelac¸ão interobservador (E1 eE2) e98,4% intraobservador (E1 eE3) (tabela3).Naanálisedeconcordânciaentreosentrevistadores paracada itemdoinstrumentoemtese,segundo a estatís-ticaKappa,foramobtidosvaloresconsideráveis(entre0,248e 0,673)(tabela4).

(6)

Tabela2–Caracterizac¸ãodaamostra

n % p-valor

Idade(anos) Média(IC)82(1,5) Mi ´n-Max61-100

60-70 9 9 <0,01

71-80 28 28 <0,01

81-90 53 53

>90 10 10 <0,01

Gênero

Masculino 27 27 <0,01

Feminino 73 73

Etnia

Branca 50 50

Parda 39 39 0,118

Negra 11 11 <0,01

Estadocivil

Casado 35 35 0,015

Solteiro 8 8 <0,01

Viúvo 52 52

Separado 5 5 <0,01

Escolaridade(anos)

Analfabeto 16 16 <0,01

1-4 57 57

5-8 11 11 <0,01

9-11 3 3 <0,01

>=12 13 13 <0,01

ABVD

Média(IC)5,5(0,1) Mi ´n-Max3-6

Independente 96 96 <0,01

Dependênciaparcial 4 4

AIVD

Média(IC)23,6(0,8) Mi ´n-Max11-27

Independente 40 40 0,885

Dependêncialeve 41 41

Dependênciamoderada 13 13 <0,01

Dependênciagrave 6 6 <0,01

IC,intervalodeconfianc¸a;Mi ´n-Max,mínimo-máximo.

Tabela3–ReprodutibilidadesdoGLFS-25-P,segundoo testetdeStudenteoICC

GLFS-25P E1 E2 E1 E3

TestetdeStudent

Média 27,6 27,3 27,6 28,1

Mediana 25 23,5 25 27

Desviopadrão 20,7 22,3 20,7 21,4

IC 4,1 4,4 4,1 4,2

p-valor 0,66 0,304

ICC E1/E2 E1/E3

% 97,60 98,40

p-valor <0,001 <0,001

IC,intervalodeconfianc¸a.

Tabela4–ReprodutibilidadedoGLFS-25-P,segundoo índicedeKappa

GLFS E1/E2 E1/E3

Kappa p-valor Kappa p-valor

Pergunta1 0,512 <0,001 0,597 <0,001

Pergunta2 0,364 <0,001 0,417 <0,001

Pergunta3 0,297 <0,001 0,46 <0,001

Pergunta4 0,396 <0,001 0,472 <0,001

Pergunta5 0,532 <0,001 0,456 <0,001

Pergunta6 0,572 <0,001 0,508 <0,001

Pergunta7 0,532 <0,001 0,591 <0,001

Pergunta8 0,511 <0,001 0,55 <0,001

Pergunta9 0,469 <0,001 0,488 <0,001

Pergunta10 0,642 <0,001 0,546 <0,001

Pergunta11 0,469 <0,001 0,531 <0,001

Pergunta12 0,529 <0,001 0,611 <0,001

Pergunta13 0,497 <0,001 0,611 <0,001

Pergunta14 0,55 <0,001 0,522 <0,001

Pergunta15 0,593 <0,001 0,56 <0,001

Pergunta16 0,248 <0,001 0,206 0,001

Pergunta17 0,533 <0,001 0,652 <0,001

Pergunta18 0,641 <0,001 0,555 <0,001

Pergunta19 0,465 <0,001 0,531 <0,001

Pergunta20 0,465 <0,001 0,561 <0,001

Pergunta21 0,575 <0,001 0,551 <0,001

Pergunta22 0,429 <0,001 0,673 <0,001

Pergunta23 0,399 <0,001 0,484 <0,001

Pergunta24 0,438 <0,001 0,402 <0,001

Pergunta25 0,501 <0,001 0,416 <0,001

Tabela5–Correlac¸õesentreoGLFS-25-Peosstatus funcionais,segundoocoeficientedePearson

ABVD AIVD

E1

Corr(r) -50,30% -62,30%

p-valor <0,001 <0,001

E2

Corr(r) -45,90% -61,30%

p-valor <0,001 <0,001

E3

Corr(r) -49,50% -63,90%

p-valor <0,001 <0,001

(tabela5).Tambémforamapuradasassociac¸õessignificativas daSLcomaspresenc¸asdedorcrônica(p<0,001)edequeda (p=0,02), essas positivas, e, ainda, associac¸ão significativa comaautopercepc¸ãodesaúde,contudoagoraumacorrelac¸ão negativa(p<0,001),segundootestedequi-quadrado.

Fez-seaanálise multivariadaincluindoasvariáveis que seassociaramsignificativamentecomoGLFS25-Pnomodelo univariáveleobteve-seumriscosignificativamentemaiorde SLnapresenc¸adedorcrônica(OR15,92,IC95%3,08-82,27) edepiorautopercepc¸ãodesaúde(OR0,23,IC95%0,07-0,79) (tabela6).

Discussão

(7)

Tabela6–Regressãologísticadasvariáveisestudadas

Variável Coeficiente p-valor Oddsratio

Constante 0,0468

Dorcrônica 2,7673 0,001 15,92

Queda 0,5437 0,526 1,72

Autopercepc¸ãodesaúde -1,4506 0,019 0,23

Nesteestudo,aversão brasileira doGLFS-25(GLFS-25-P) contoucomtermosconhecidosefrequentesnonossomeio, de fácil compreensão por idosos de diferentes faixas etá-riasegrausdeescolaridade.Oinstrumentoemtesepermite umaimportanteanálisemultidimensionaldoindivíduoque envelhece,poissecompõedequestõesrelativasàsaúdeeà locomoc¸ão,agrupadasemdomínios,asaber:cuidadosdiários (cincoperguntas),dificuldadesrelacionadascomomovimento (trêsperguntas),dor(quatroperguntas),cognic¸ão(duas per-guntas) e a itens associados às atividades sociais (quatro perguntas).Existe,ainda,umsextodomínio(seteitens),com questõesrelativasàfuncionalidadenavidadiária,quejáse mostroufortementeassociadoaosdemais,éassim conside-radoumdomínioouumadimensãochavedoinstrumento.3

Obteve-se uma amostra constituída principalmente por mulheres(73%),deacordocomosdadosdaliteraturacientífica queapontamparaumafeminilizac¸ãodoenvelhecimento.11 Também, a presente casuística contou com idosos “muito idosos”(63%dosparticipantes com 80 anosoumais),que, assim,representammuito bemaparcelapopulacional que maiscrescenomundo:adoslongevos.12,13

Na análise das propriedades psicométricas doGLFS 25-P, einicialmente considerando a sua consistência interna, observou-seumaltovalordealfadeCronbachemtodasas entrevistas(acimade0,9),semelhantementeaovalorobtido noestudooriginaldevalidac¸ãodoinstrumento(0,961).3

No estudo da reprodutibilidade, essa foi ótima. Consideraram-se as correlac¸ões intra e interobservado-res, não foram observadas diferenc¸as significativas nas análises.Eparacadaquestãodoinstrumento,as concordân-cias obtidas entre os entrevistadores foram consideráveis, segundoaestatísticaKappa.Assim,aconfiabilidadeglobaldo GLFS25-Pfoisatisfatória,seconsiderarmostodasasanálises dereproduc¸ão.

Aoanalisar cada questãodoinstrumento,notamos que algumasperguntas seassemelham portratar de umtema específico,comooconvíviosocialnasquestões16,22e23,o quedemonstracertaredundância.Noentanto,outrostemas, comoautopercepc¸ãodesaúdeeriscodequeda,quese mostra-ramassociadoscomaSLnessetrabalho,nãoforamabordados diretamente.

Noprocessodevalidac¸ão,oinstrumentoemtesefoi cor-relacionado com índices de funcionalidade, tanto para as atividadesbásicascomoinstrumentaisdavidadiária,usuais emestudoscomapopulac¸ãoidosa.Atéomomento,nãose encontradisponívelumpadrão-ouroparaodiagnósticodaSL. Contudo,jáforamobservadasimportantesassociac¸õesdessa síndromecomaperdadefuncionalidadenosidosos.2

Como jádemonstrado emestudo anterior,a associac¸ão comquedafoiobservada,ratificou,assim,orastreamentoda SLparaaprevenc¸ão defraturas osteoporóticas.14 Também, adorcrônicadeetiologiamusculoesquelética,comojoelho,

colunaouombros,jáfoiassociadacomaSL,oquefortaleceria anecessidadedoseutratamentoprecocenaprevenc¸ãodessa síndromenosidosos.15Quantoàautopercepc¸ãodesaúde,este foioprimeiroestudoaanalisarasuacorrelac¸ãocomaSL.A associac¸ãosignificativada SLcom umapiorautopercepc¸ão desaúde,comoverificadonacasuísticapresente,demonstra umpossívelimpactonegativodaSLnaqualidadedevidado indivíduo.

AprevalênciadaSLentreosidososabordadosfoide63%,o quetraduzumaaltaparceladeidosossoboriscodedisfunc¸ão locomotora.OrastreiodaSLnapopulac¸ãoidosapoderia auxi-liar naimplantac¸ãodeintervenc¸õesprecocesvoltadas para aprevenc¸ãodessasdisfunc¸ões.Eparaissoadisponibilidade deuminstrumentodefácilcompreensãoerápidaaplicac¸ão auxiliariaosprofissionaisemservic¸osdegrandedemanda.

Referenteàslimitac¸õesdessetrabalho,destaca-sequenão foram feitostestes físicosque também poderiam avaliaro riscodaSL,comoostand-uptesteotwo-steptest,comojáfoi sugeridoporalgunsautores.16Contudo,apenasmuito recen-tementeessesmesmostestesforamapontadoscomonovos índicesnaavaliac¸ãodoriscodaSL,ouseja,foramapontados comoíndicesderiscoedeclíniodamobilidade,assimcomoo GFLS-25.14,17

OGLFS25-Pfoiconsideradoumaferramentasimplesede rápidaaplicac¸ão,demandaumcurtoperíodo(cincoa10 minu-tos).Nãosefez,aqui,aautoaplicac¸ão doinstrumento,pois os diferentesníveisde escolaridadeda populac¸ãoidosado nosso meio seriamumviés secundárioimportante.Porém, poderiaser umaforma bastanteinteressantede aplicac¸ão, porexemplo,emsalasdeesperadeconsultórios médicose deoutrosprofissionaisdasaúde,oquefacilitariaaavaliac¸ão doriscodedisfunc¸õeslocomotorasnopacienteidoso. Casuís-ticas nesseúltimosentidoseriamdegrandevalianonosso meio,preferencialmenteseconduzidaslongitudinalmente,já quepoderiamauxiliarnoestabelecimentoderelac¸õescausais paraaSL.E,nessescasos,osestudostambémseprestariama avaliaroimpactodeabordagenspreventivas,comoprogramas monitoradosdeatividadefísica,naprevenc¸ãodedisfunc¸ões locomotoraseinstitucionalizac¸ãodeidosos.

Emconclusão,GLFS25-Papresentouadequadastraduc¸ão eadaptac¸ãotransculturale,naanálisedesuaspropriedades psicométricas,verificou-sequesemostrouconfiáveleválido paraorastreiodaSLemidososdonossomeio.

Conflitos

de

interesse

Osautoresdeclaramnãohaverconflitosdeinteresse.

Agradecimentos

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Imagem

Tabela 1 – GLFS-25-P, versão traduzida e adaptada transculturalmente para o Brasil
Tabela 2 – Caracterizac¸ão da amostra n % p-valor Idade (anos) Média (IC) 82 (1,5) Mi ´n-Max 61-100 60-70 9 9 &lt; 0,01 71-80 28 28 &lt; 0,01 81-90 53 53 &gt; 90 10 10 &lt; 0,01 Gênero Masculino 27 27 &lt; 0,01 Feminino 73 73 Etnia Branca 50 50 Parda 39 39
Tabela 6 – Regressão logística das variáveis estudadas

Referências

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