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Rev. Bras. Reumatol. vol.57 número1

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w w w . r e u m a t o l o g i a . c o m . b r

REVISTA

BRASILEIRA

DE

REUMATOLOGIA

Artigo

original

Qualidade

de

vida

relacionada

com

a

saúde

em

sobreviventes

turcos

da

pólio:

impacto

pós-pólio

na

saúde

relacionada

com

a

qualidade

de

vida

em

termos

de

estado

funcional,

gravidade

da

dor,

fadiga

e

funcionamento

social

e

emocional

Yesim

Garip

a,∗

,

Filiz

Eser

b

,

Hatice

Bodur

b

,

Bedriye

Baskan

b

,

Filiz

Sivas

b

e

Ozlem

Yilmaz

b

aAnkaraBasakMedicalCenter,DepartmentofPhysicalMedicineandRehabilitation,Ancara,Turquia

bAnkaraNumuneTrainingandResearchHospital,DepartmentofPhysicalMedicineandRehabilitation,Ancara,Turquia

informações

sobre

o

artigo

Históricodoartigo:

Recebidoem14defevereirode2014 Aceitoem1dedezembrode2014 On-lineem7defevereirode2015

Palavras-chave: Síndromepós-pólio Qualidadedevida Fadiga

Reabilitac¸ão

r

e

s

u

m

o

Objetivo:Determinaroimpactodasíndromepós-pólionaqualidadedevidanos sobreviven-tesdapólio.

Métodos:Quarentasobreviventesdapólioforamincluídosnoestudo.Participaramdogrupo desíndromepós-pólio21pacientesqueatenderamaoscritériosdesíndromepós-póliode Halstead.Os19restantesformaramogruponãosíndromepós-pólio.Ogrupocontrolefoi compostopor40indivíduossaudáveis.AqualidadedevidafoiavaliadapeloNottingham HealthProfile,adepressãopelaEscaladeDepressãodeBeckeafadigapeloInventáriode SintomasdeFadiga.Aforc¸amuscularisométricafoimedidaportestemuscularmanual. Resultados: Oescoretotaldotestemuscularmanualfoi26,19±13,24(mediana:29)nogrupo desíndromepós-pólioe30,08±8,9(mediana:32)nogruponãosíndromepós-pólio.Escores totaisdetestemuscularmanualdegruponãosíndromepós-pólioforamsignificativamente maioresdoqueosdogrupodesíndromepós-pólio.Ospacientescomsíndromepós-pólio relataramníveissignificativamentemaioresdefadigaequalidadedevidareduzidaem ter-mosdemobilidadefísica,doreenergiaquandocomparadoscompacientessemsíndrome pós-pólio egrupo controle.Nãose relatouumadiferenc¸aestatisticamentesignificativa nofuncionamentosocialeemocionalenaqualidadedosonoentregruposdesíndrome pós-pólio,nãosíndromepós-pólioecontrole.Alémdisso,nãoseencontroudiferenc¸a esta-tisticamentesignificativanosescoresdaEscaladeDepressãodeBeckentreosgrupos.

EsteestudoteveorigemnoDepartamentodeMedicinaFísicaedeReabilitac¸ão,AnkaraNumuneTrainingandResearchHospital, Ancara,Turquia.

Autorparacorrespondência.

E-mail:[email protected](Y.Garip). http://dx.doi.org/10.1016/j.rbr.2014.12.006

(2)

Conclusões:Asíndromepós-póliotemumimpactonegativonaqualidadedevidaemtermos deestadofuncional,gravidadedadoreenergia.Aidentificac¸ão,oreconhecimentoprecoce eareabilitac¸ãodospacientescomsíndromepós-póliopodemresultaremumamelhoriada qualidadedevida.

©2015ElsevierEditoraLtda.Este ´eumartigoOpenAccesssobumalicenc¸aCCBY-NC-ND (http://creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/4.0/).

Health

related

quality

of

life

in

Turkish

polio

survivors:

impact

of

post-polio

on

the

health

related

quality

of

life

in

terms

of

functional

status,

severity

of

pain,

fatigue,

and

social,

and

emotional

functioning

Keywords:

Postpolio-syndrome Qualityoflife Fatigue Rehabilitation

a

b

s

t

r

a

c

t

Objective: Todeterminetheimpactofpostpolio-syndromeonqualityoflifeinpolio survi-vors.

Methods: Fortypoliosurvivorswereincludedinthestudy.Twenty-onepatientsfulfilling theHalstead’spostpolio-syndromecriteriaparticipatedinpostpolio-syndromegroup.The remainingnineteenpatientsformednon-postpolio-syndromegroup.Controlgroupwas composedoffortyhealthysubjects.QualityoflifewasevaluatedbyNottinghamHealth Profile,depressionbyBeckDepressionScaleandfatiguebyFatigueSymptomInventory. Isometricmusclestrengthwasmeasuredbymanualmuscletesting.

Results: Totalmanualmuscletestingscorewas26.19±13.24(median:29)in postpolio--syndrome group and 30.08±8.9 (median:32) in non-postpolio-syndrome group. Total manualmuscletestingscoresofnon-postpolio-syndromegroupweresignificantlyhigher thanthatofpostpolio-syndromegroup.Patientswithpostpolio-syndromereported signifi-cantlyhigherlevelsoffatigueandreducedqualityoflifeintermsofphysicalmobility,pain andenergywhencomparedwithpatientswithoutpostpolio-syndromeandcontrolgroup. Itwasnotreportedastatisticallysignificantdifferenceinsocialandemotional functio-ningandsleepqualitybetweenpostpolio-syndrome,non-postpolio-syndromeandcontrol groups.AlsoitwasnotfoundanystatisticallysignificantdifferenceinBeckDepressionScale scoresamongthegroups.

Conclusions: Postpolio-syndrome hasa negativeimpact on quality of life in terms of functionalstatus,severityofpainandenergy.Theidentification,earlyrecognitionand reha-bilitationofpostpolio-syndromepatientsmayresultinanimprovementintheirqualityof life.

©2015ElsevierEditoraLtda.ThisisanopenaccessarticleundertheCCBY-NC-ND license(http://creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/4.0/).

Introduc¸ão

Asíndromepós-pólio(SPP)éumdistúrbioneurológico

carac-terizado por um conjunto de manifestac¸ões tardias que

ocorremmuitosanosapósainfecc¸ãoinicialdapoliomielite. Fraquezamuscularnovaouaumentadaéamarcaprincipal.As outrascaracterísticasclínicassãofadiga,dornasarticulac¸ões, nosossosenosmúsculos,intolerânciaaofrioesintomas bul-bares(deglutic¸ão, fala, sintomasrespiratórios). A fadigafoi

descritacomoosintomamaiscomum.OssintomasdeSPP

afetamacapacidadedefazerasatividadesdavidadiária,a mobilidade,afunc¸ãodomembrosuperioreacapacidade res-piratória.ASPPtemumefeitonegativonaqualidadedevida (QV).1-3

O presente estudo almejou investigar a QV em

sobre-viventes da pólio na Turquia, para avaliar o impacto da

SPP em vários domínios da QV em termos de estado

funcional,gravidadedador, funcionamentosociale emoci-onal.

Material

e

métodos

O estudoincluiu 40 sobreviventes da pólio (21homens, 19

mulheres)queforamacompanhadosnoambulatóriode

medi-cinafísicaedereabilitac¸ãododepartamentodeumhospital

de treinamento epesquisa que é umcentro de referência

importantenoâmbitodoMinistériodaSaúde,localizadoem Ancara,capitaldaTurquia,entredezembrode2012esetembro de2013.Oestudofoiconduzidodeacordocomosprincípios estabelecidosnaDeclarac¸ãodeHelsinquede2008.

Participaram no grupo de SPP 67,5% dos sobreviventes

depólio(21pacientes)queatenderammaoscritériosdeSPPde Halstead4 eos19sobreviventes dapóliorestantes semSPP formaram ogruponãoSPP.Oscritériosde Halsteadsão: 1)

história confirmada de poliomielite agudaque acomete os

membrosinferiores;2)recuperac¸ãoneurológicaefuncional parcialoucompletaapóspoliomieliteaguda;3)novos sinto-mas (fadigaextensa,dor musculare/oudor articular,nova

(3)

ounãoacometidos)apósumperíodoestáveldepelomenos 15anos;4)exclusãodeoutrascondic¸õesclínicasquepodem explicaressessintomas.4

Aforc¸amuscularisométricafoimedidapeloteste muscu-larmanual(TMM)deacordocomaEscaladoMedicalResearch Council (MRC).5 Flexores doquadril, extensores do joelho, flexoresdejoelho,flexordorsaldotornozeloeflexores plan-taresdotornozeloforamanalisadosbilateralmente.Entãoa pontuac¸ãototalfoiobtida(pontuac¸ãomáxima:50).

Ogrupocontroleconsistiaem40indivíduossaudáveisde

mesmaidade esexo(20homens,20 mulheres) cujos

esco-restotaisdeTMMforamde50.Oscritériosdeinclusãopara todososindivíduoseramnenhumoutrodistúrbio,incluindo fibromialgia,hipertensão,diabetemelito,doenc¸ashepáticas erenais,artriteinflamatória,eoutrosdistúrbiosneurológicos oupsiquiátricosquepodemcausarfadiga.

Ossintomasincluemdormuscular,fadiga,dores articula-res,distúrbiosdosono,distúrbiosrespiratóriosedisfagiaque foramanalisadosnaSPPenosgruposnãoSPP.AQVfoi ava-liadaporPerfildeSaúdedeNottingham(PSN)6eadepressão pelaEscaladeDepressãodeBeck(EDB).7

AfadigafoiavaliadapelousodeversãoturcadoInventário deSintomasdeFadiga(ISF).8 OISF,publicadopelaprimeira vezem1998,éumamedidadeautorrelatode14itenspara avaliaraintensidadedefadiga(quatroitens),adurac¸ão(dois itens),ainterferênciana qualidadede vida(seteitens)eo padrãodiáriodefadiga.Aintensidadeémedidaemescalas distintasde11pontos(0=semfadiga;10=fadigaextrema) queavaliamafadigamaior,menor,atualeamédianasemana anterior.Cadaumadelaséclassificadacomoumitem indivi-dual.Ositensdeinterferênciaavaliam amedidaemquea fadigainterferiunoníveldeatividadegeraldeum entrevis-tado,acapacidadedetomarbanhoesevestir,aatividadede trabalho,acapacidadedeconcentrac¸ão,asrelac¸õescomos outroseogozodavidaehumorduranteasemanaanterior, comousodeumaescaladeclassificac¸ãode11pontos(0=sem interferênciae10=extremainterferência).Essesseteitenssão calculadosparaobterumescorenaescaladeinterferência. Adurac¸ãodositens(númerodediasfatigado,quantidadede tempofatigado)avaliaafrequênciadefadiga.Ela émedida

comoonúmero dedias(de0-sete)nasemana anteriorem

queos entrevistados sentiram-se fatigadose aquantidade decadadiaemmédiaqueosentrevistadossentiram-se

can-sados (0 = nenhuma parte do dia, 10 = o dia todo). Cada

umadelaséclassificadacomo umitem individual.Oitem

finalpedeaos entrevistadosparaindicaro seupadrão diá-riodefadigaeassimforneceinformac¸õesdescritivassobre a possível variac¸ão diurna na experiência diária de fadiga

(0 = nemumpouco fatigado, 1= pior de manhã, 2= pior

de tarde, 3 = pior de noite, 4 = nenhum padrão diário

consistentede fadiga). Oitem final apresentaapenas uma

informac¸ãoenãosedestina aserusado comoumaescala

quantitativa.9-11OsitensincluídosnoISFsãomostradosno Apêndice1.

Análiseestatística

Os dados foram apresentados por análise descritiva com

média±desvio padrão (DP) e escores medianos. Como as

variáveisnãoapresentaramdistribuic¸ãonormal,testesUde

Kruskal-WalliseMann-Whitneyforamfeitosparaavaliar esta-tisticamenteasdiferenc¸assignificativasnosescoresdeTMM, EDB,ISF eNHPdosgrupos. Asvariáveis categóricas foram avaliadaspelotestedoqui-quadrado.Umvalordep<0,05foi consideradoestatisticamentesignificativo.Todasasanálises foramfeitascomousodoStatisticalPackageparaosoftware SocialSciences13.0(SPSS-13.0).

Resultados

As características demográficas e clínicas dos pacientes e indivíduos controlesestão resumidas natabela1. Amédia deidadefoide38,15±7,17nogrupoSPP,37±4,86nogrupo nãoSPPe35±8,42nogrupocontrole.Nomomentoda poli-omieliteaguda,ossobreviventes dapólioforam19,2±12,23 mesesdeidadeemmédia(trêsmeses-quatroanos,mediana: 18meses).

Dos pacientesdogrupo SPP,12tiveram paralisia deum

membro, cinco de dois membros, dois de três membrose

doisdequatromembros.Umdelesrelatouqueadoenc¸a afe-tou osistemarespiratório.DospacientesdogruponãoSPP, 15tiveramparalisiadeummembro,trêsdedoismembrose

umdetrêsmembros.Nenhumdelestinhaparalisiade

qua-tromembros.Tambémnenhumdelesinformouqueosistema

respiratóriofoiacometido(tabela1).

Os sintomas mais comuns foram fadiga (16 pacientes,

76,2%) e dores musculares (15 pacientes, 71,4%) no grupo

SPP. Esses foramseguidos por distúrbiosdosono (12 paci-entes,57,14%)edornasarticulac¸ões(11pacientes,52,38%), respectivamente. Disfagia e distúrbios respiratórios foram

observados emum paciente (4,76%). Nogrupo não SPP,os

sintomasmaisfrequentesforamdormuscular,fadiga, distúr-biosdosonoedorarticular,queforamrelatadosem42,1%, 36,8%,31,58%,15,79%dospacientes,respectivamente.Fadiga, dornasarticulac¸õesedoresmuscularesforam significativa-mentemaioresnogrupoSPP(p<0,05).OescoretotaldeTMM foide26,19±13,24(mediana:29)nogrupoSPPe30,08±8,9

(mediana: 32) nogrupo não SPP. Deacordocom oteste U

de Mann-Whitney, osescorestotaisde TMMdogrupo não

SPP foram significativamente maiores do que os do grupo

doSPP(p<0,05)(tabela2).

O teste de Kruskal-Wallis revelou que essas diferenc¸as entregruposforamsignificativasemtodosossubgruposde ISF (p<0,05). De acordo com o teste U de Mann-Whitney, escoresdeISFdogrupoSPPforamsignificativamente maio-resdoqueosdosgruposnãoSPPegrupocontrole(p<0,05) (tabela3).Nãofoiencontradadiferenc¸aestatisticamente signi-ficativanosescoresdaEDBentreSPP,nãoSPPegrupocontrole (p>0,05).OsvaloresmedianosdaEDBeISFempacientesedo grupocontrolesãofornecidosnatabela3.

(4)

Tabela1–Dadosdemográficoseclínicos

GrupoSPP

(n=21)

GruponãoSPP

(n=19)

Grupocontrole

(n=40)

Idade,média±DP 38,15±7,17 37±4,86 35±8,42

Sexo(homens/mulheres) 11/10 13/6 20/20

Idadedepólioaguda(meses) 19,85±13,79 17,84±8,45

Paralisiadeummembro(númerodepacientes) 12 15

Paralisiadedoismembros(númerodepacientes) 5 3

Paralisiadetrêsmembros(númerodepacientes) 2 1

Paralisiadequatromembros(númerodepacientes) 2 0

EscoretotaldeTMM(0-50),média±DP 26,19±13,24 30,08±8,9

TMM,testemuscularmanual.

Tabela2–Comparac¸ãodeescorestotaisdeTMMesintomasentreosgruposSPPenãoSPP

GrupoSPP

(n=21)

GruponãoSPP

(n=19)

Valorp

EscoretotaldeTMM(0-50),média±DP/mediana 26,19±13,24/29 30,08±8,9/32 0,04*

Presenc¸adedormuscular,n(%) 15(71,4%) 8(42,1%) 0,04*

Presenc¸adefadiga,n(%) 16(76,2%) 7(36,8%) 0,01*

Presenc¸adedorarticular,n(%) 11(52,38%) 3(15,79%) 0,022*

Presenc¸adedistúrbiosdosono,n(%) 12(57,14%) 6(31,58%) 0,125

Presenc¸adedistúrbiosrespiratórios,n(%) 1(4,76%) 0 0,48

Presenc¸adedisfagia,n(%) 1(4,76%) 0 0,48

TMM,testemuscularmanual.

p<0,05(significativo).

maisprecáriosemtodososgruposdeNHP,excetosubgrupos deisolamentosocial,reac¸ãoemocionalesono,quando com-paradocomogrupocontrole(tabela4).Valoresmedianosde escoresdeNHPempacienteseogrupocontrolesãofornecidos natabela4.

Discussão

O objetivo deste estudofoi investigar a qualidade de vida

em sobreviventes da pólio na Turquia, a fim de avaliar

Tabela3–Comparac¸ãodefadigaedepressãoentreosgrupos

GrupoSPP

(n=21)

Valores medianos

GruponãoSPP

(n=19)

Valores medianos

Gruocontrole

(n=40)

Valores medianos

Qui-quadrado (Kruskal-Wallis)

ValorpX

(Ude

Mann-Whitney)

ValorpY

(Ude

Mann-Whitney)

ValorpZ

(Ude

Mann-Whitney)

Escalade

Depressão

deBeck

16 13 12 5,43 0,125 0,06 0,83

Maiorfadiga 9 5 3 53,29* 0,00* 0,00* 0,001*

Menorfadiga 7 2 0 62,58* 0,00* 0,00* 0,00*

Fadigaatual 7 4 2 53,68* 0,00* 0,00* 0,00*

Fadigamédia 7 4 2 53,88* 0,00* 0,00* 0,00*

Escalade Interferência

7 3 1 52,29* 0,00* 0,00* 0,002*

Númerodedias fatigado

7 3 2 52,46* 0,00* 0,00* 0,002*

Quantidadede tempofatigado

8 4 2 57,23* 0,00* 0,00* 0,00*

Valorpx:valorpentregrupoSPPenãoSPP. Valorpy:valorpentreSPPegrupocontrole. Valorpz:valorpentrenãoSPPegrupocontrole.

(5)

Tabela4–Comparac¸ãodeQVentreosgrupos

GrupoSPP

(n=21)

Valoresmedianos

GruponãoSPP

(n=19)

Valoresmedianos

GrupoControle

(n=40)

Valoresmedianos

Qui-quadrado

(Kruskal--Wallis)

Valorp

X

Valorp

Y

Valorp

Z

MobilidadefísicaemNHP 87,5 50 0,0 54,04* 0,00* 0,00* 0,00*

DoremNHP 85,71 42,86 0,0 61,20* 0,00* 0,00* 0,00*

EnergiaemNHP 100 50 0,0 31,66* 0,00* 0,00* 0,00*

IsolamentosocialemNHP 25 25 25 0,55 0,56 0,72 0,55

Reac¸ãoemocionalemNHP 37,5 25 25 2,38 0,79 0,10 0,43

SonoemNHP 20 20 20 3,03 0,27 0,08 0,76

NHP:NottinghamHealthProfile.

Valorpx:valorpentregrupoSPPenãoSPP. Valorpy:valorpentregrupoSPPegrupocontrole. Valorpz:valorpentregruponãoSPPecontrole.

p<0,05(significativo).

o impacto da SPP na qualidade de vida em termos de

estadofuncional,intensidadedador,funcionamentosociale emocional.

OsresultadosmostraramqueaSPPcomprometeu aQV,

incluindomobilidade física, doreenergia, masnão afetou

a saúde emocional e social. Além disso, não foi

encon-trada diferenc¸a estatisticamente significativa nos escores

da EDB entre os grupos de SPP, não SPP e controle. Esse

achado confirmou que a SPP não teve um impacto

nega-tivosobreoestadoemocional.Nossosresultadosdãoapoio aosestudospréviosdaliteratura.Escoresmaisbaixosforam relatadosnofuncionamentofísicoem38pacientespós-pólio

noestudode McNaughtonet al., noqual aQVfoi medida

pelo uso do SF-36 (Short Form-36).12 Da mesma maneira,

JacobinvestigouaQVem101sobreviventesdapólioemdois ambulatóriosdepós-pólioemIsraelerelatoubaixosescores físicoseescoresmentaisnormais,incluindofuncionamento emocionalesocial.13Tateet al.confirmaram queos sobre-viventesdapólio nãodiferiramdapopulac¸ãoemgeralnos níveisdedepressão.14Poroutrolado,Schanke,15Conrady16e Hazendonk17relataramquepacientescomSPPtinhamníveis maiselevadosdesintomasdepressivosemrelac¸ãoaogrupo controle.TambémOnetal.encontraramescoresfísicos,

soci-aise emocionais menores no grupo SPP,no qual a QVfoi

avaliadacomNHP.18

PacientescomSPPapresentaramníveissignificativamente

mais altos de fadiga quando comparados com os grupos

não SPP e controle. Esse achado dá apoio aos estudos

anteriores.18-20Paraonossoconhecimento,esteéoprimeiro estudoaavaliarafadigaemsobreviventesdapóliocomouso deISF.Afadigaéumsintomacomplexoedeveseravaliadopor umquestionáriomultidimensionalqueidentificaos diferen-tesaspectosemdetalhes.OISFlidacomváriascaracterísticas defadigaesuainterferênciaépercebidacomoqualidadede vidaemtermosdeatividadesdetrabalhoemgeral, capaci-dadede concentrac¸ãoegozoda vidaehumor.Alémdisso, eledeclarapadrõesdiáriosdefadiga.10,11Foisugeridocomo uminstrumentoútilnaavaliac¸ãodefadigapelosrevisores.21 Emestudosanteriores, nenhumadiferenc¸a significativafoi encontradanosescorestotaisdeTMMentreosgruposSPPe nãoSPP.18,22Emcontrapartida,emnossoestudo,escorestotais

deTMMdogrupoSPPforamsignificativamentemenoresdo

queaquelesdogruponãoSPP.

Nopresenteestudo,ossintomasmaiscomunsforamfadiga (76,2%)edormuscular(71,4%)nogrupoSPP.Esse resultado

está deacordocomoutrosestudosclínicos. Emumestudo

feitoporNolletsobredeficiênciaeestadofuncionalem

paci-entesholandesescomSPP,78%dospacientesselecionaram

fadigacomoseumaiorproblema.22 NoestudodeConde,as queixasmaisfrequentesforamfadiga(87,1%),dormuscular (82,4%)edorarticular(72%).23Descobrimosqueaprevalência defadiga,dorarticularedormuscularfoisignificativamente maiornogrupoSPPdoquenogruponãoSPP.Aprevalência

dedistúrbiosdosonofoisemelhanteemambosos grupos.

DospacientesSPP,57%apresentaramdistúrbiosdosono.No estudodevanKralingen,aprevalênciadedistúrbiosdosono encontradafoide50%.24Östlundrelatouqueafatiga relacio-nadacompós-póliotinhaumefeitonegativonaqualidadedo sono.25Aocontrário,emnossoestudo,afadiganão influen-ciouosescoresdesonodeNHP.

O tamanho pequeno da amostra foi considerado nossa

principallimitac¸ão.Édevidoàexclusãodedoenc¸asclínicas epsiquiátricasconcomitantesquepodemcausarfadiga.

Conclusão

ASPPtemumimpactonegativonaQVemtermosdeestado

funcional, gravidade da dore energia.Assim, o reconheci-mento precoce ea reabilitac¸ão complexa no iníciode SPP

podemresultaremumaumentodaQVemsobreviventesde

pólio.Alémdisso,identificarfadigarelacionadacompós-pólio eemseguidaasuareduc¸ãopodeserumaestratégiaadicional

namelhoriadaQV. ComooISFéumquestionário

multidi-mensionalqueapresentaaspectosdiferentesdefadiga,deve ocorrernapráticaclínica.

Conflitos

de

interesse

(6)

Apêndice

1.

Inventário

de

Sintomas

de

Fadiga

(ISF)

1-Classifiqueseuníveldefadiganodiaemquesesentiumaisfatigadoduranteaúltimasemana.

0 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10

Semfadiga Fadigaextrema

2-Classifiqueseuníveldefadiganodiaemquesesentiumenosfatigadoduranteaúltimasemana.

0 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10

Semfadiga Fadigaextrema

3-Classifiqueseuníveldefadigaemmédiaduranteaúltimasemana.

0 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10

Semfadiga Fadigaextrema

4-Classifiqueseuníveldefadiganesteexatomomento.

0 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10

Semfadiga Fadigaextrema

5-Classifiquequanto,naúltimasemana,afadigainterferiuemseuníveldeatividade.

0 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10

Seminterferência Extremainterferência

6-Classifiquequanto,naúltimasemana,afadigainterferiuemsuacapacidadedetomarbanhoevestir-se.

0 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10

Seminterferência Extremainterferência

7-Classifiquequanto,naúltimasemana,afadigainterferiuematividadenormal(incluitantotrabalhoforacomoemcasa).

0 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10

Seminterferência Extremainterferência

8-Classifiquequanto,naúltimasemana,afadigainterferiuemsuacapacidadedeconcentrac¸ão.

0 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10

Seminterferência Extremainterferência

9-Classifiquequanto,naúltimasemana,afadigainterferiuemsuasrelac¸õescomoutraspessoas.

0 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10

Seminterferência Extremainterferência

10-Classifiquequanto,naúltimasemana,afadigainterferiuemseugozodavida.

0 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10

Seminterferência Extremainterferência

11-Classifiquequanto,naúltimasemana,afadigainterferiuemseuhumor.

0 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10

Seminterferência Extremainterferência

12-Indiquequantodias,naúltimasemana,sentiu-sefatigadoemqualquerpartedodia.

0 1 2 3 4 7 6 7 dias

13-Classifiquequantododia,emmédia,sentiu-sefatigadonaúltimasemana.

0 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10

Nenhumapartedodia Odiatodo

14-Indiquequaisdosseguintesdescrevemelhoropadrãodiáriodesuafadiganaúltimasemana

0 1 2 3 4

0=nemumpoucofatigado,1=piordemanhã,2=piordetarde,3=piordenoite,4=nenhumpadrãodiárioconsistentedefadiga

r

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ê

n

c

i

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Tabela 2 – Comparac¸ão de escores totais de TMM e sintomas entre os grupos SPP e não SPP Grupo SPP
Tabela 4 – Comparac¸ão de QV entre os grupos Grupo SPP (n = 21) Valores medianos Grupo não SPP(n=19)Valores medianos Grupo Controle(n=40)Valores medianos Qui-quadrado(Kruskal--Wallis) Valor pX Valor pY Valor pZ Mobilidade física em NHP 87,5 50 0,0 54,04 *

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