w w w . r e u m a t o l o g i a . c o m . b r
REVISTA
BRASILEIRA
DE
REUMATOLOGIA
Artigo
original
Qualidade
de
vida
relacionada
com
a
saúde
em
sobreviventes
turcos
da
pólio:
impacto
pós-pólio
na
saúde
relacionada
com
a
qualidade
de
vida
em
termos
de
estado
funcional,
gravidade
da
dor,
fadiga
e
funcionamento
social
e
emocional
夽
Yesim
Garip
a,∗,
Filiz
Eser
b,
Hatice
Bodur
b,
Bedriye
Baskan
b,
Filiz
Sivas
be
Ozlem
Yilmaz
baAnkaraBasakMedicalCenter,DepartmentofPhysicalMedicineandRehabilitation,Ancara,Turquia
bAnkaraNumuneTrainingandResearchHospital,DepartmentofPhysicalMedicineandRehabilitation,Ancara,Turquia
informações
sobre
o
artigo
Históricodoartigo:
Recebidoem14defevereirode2014 Aceitoem1dedezembrode2014 On-lineem7defevereirode2015
Palavras-chave: Síndromepós-pólio Qualidadedevida Fadiga
Reabilitac¸ão
r
e
s
u
m
o
Objetivo:Determinaroimpactodasíndromepós-pólionaqualidadedevidanos sobreviven-tesdapólio.
Métodos:Quarentasobreviventesdapólioforamincluídosnoestudo.Participaramdogrupo desíndromepós-pólio21pacientesqueatenderamaoscritériosdesíndromepós-póliode Halstead.Os19restantesformaramogruponãosíndromepós-pólio.Ogrupocontrolefoi compostopor40indivíduossaudáveis.AqualidadedevidafoiavaliadapeloNottingham HealthProfile,adepressãopelaEscaladeDepressãodeBeckeafadigapeloInventáriode SintomasdeFadiga.Aforc¸amuscularisométricafoimedidaportestemuscularmanual. Resultados: Oescoretotaldotestemuscularmanualfoi26,19±13,24(mediana:29)nogrupo desíndromepós-pólioe30,08±8,9(mediana:32)nogruponãosíndromepós-pólio.Escores totaisdetestemuscularmanualdegruponãosíndromepós-pólioforamsignificativamente maioresdoqueosdogrupodesíndromepós-pólio.Ospacientescomsíndromepós-pólio relataramníveissignificativamentemaioresdefadigaequalidadedevidareduzidaem ter-mosdemobilidadefísica,doreenergiaquandocomparadoscompacientessemsíndrome pós-pólio egrupo controle.Nãose relatouumadiferenc¸aestatisticamentesignificativa nofuncionamentosocialeemocionalenaqualidadedosonoentregruposdesíndrome pós-pólio,nãosíndromepós-pólioecontrole.Alémdisso,nãoseencontroudiferenc¸a esta-tisticamentesignificativanosescoresdaEscaladeDepressãodeBeckentreosgrupos.
夽
EsteestudoteveorigemnoDepartamentodeMedicinaFísicaedeReabilitac¸ão,AnkaraNumuneTrainingandResearchHospital, Ancara,Turquia.
∗ Autorparacorrespondência.
E-mail:[email protected](Y.Garip). http://dx.doi.org/10.1016/j.rbr.2014.12.006
Conclusões:Asíndromepós-póliotemumimpactonegativonaqualidadedevidaemtermos deestadofuncional,gravidadedadoreenergia.Aidentificac¸ão,oreconhecimentoprecoce eareabilitac¸ãodospacientescomsíndromepós-póliopodemresultaremumamelhoriada qualidadedevida.
©2015ElsevierEditoraLtda.Este ´eumartigoOpenAccesssobumalicenc¸aCCBY-NC-ND (http://creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/4.0/).
Health
related
quality
of
life
in
Turkish
polio
survivors:
impact
of
post-polio
on
the
health
related
quality
of
life
in
terms
of
functional
status,
severity
of
pain,
fatigue,
and
social,
and
emotional
functioning
Keywords:
Postpolio-syndrome Qualityoflife Fatigue Rehabilitation
a
b
s
t
r
a
c
t
Objective: Todeterminetheimpactofpostpolio-syndromeonqualityoflifeinpolio survi-vors.
Methods: Fortypoliosurvivorswereincludedinthestudy.Twenty-onepatientsfulfilling theHalstead’spostpolio-syndromecriteriaparticipatedinpostpolio-syndromegroup.The remainingnineteenpatientsformednon-postpolio-syndromegroup.Controlgroupwas composedoffortyhealthysubjects.QualityoflifewasevaluatedbyNottinghamHealth Profile,depressionbyBeckDepressionScaleandfatiguebyFatigueSymptomInventory. Isometricmusclestrengthwasmeasuredbymanualmuscletesting.
Results: Totalmanualmuscletestingscorewas26.19±13.24(median:29)in postpolio--syndrome group and 30.08±8.9 (median:32) in non-postpolio-syndrome group. Total manualmuscletestingscoresofnon-postpolio-syndromegroupweresignificantlyhigher thanthatofpostpolio-syndromegroup.Patientswithpostpolio-syndromereported signifi-cantlyhigherlevelsoffatigueandreducedqualityoflifeintermsofphysicalmobility,pain andenergywhencomparedwithpatientswithoutpostpolio-syndromeandcontrolgroup. Itwasnotreportedastatisticallysignificantdifferenceinsocialandemotional functio-ningandsleepqualitybetweenpostpolio-syndrome,non-postpolio-syndromeandcontrol groups.AlsoitwasnotfoundanystatisticallysignificantdifferenceinBeckDepressionScale scoresamongthegroups.
Conclusions: Postpolio-syndrome hasa negativeimpact on quality of life in terms of functionalstatus,severityofpainandenergy.Theidentification,earlyrecognitionand reha-bilitationofpostpolio-syndromepatientsmayresultinanimprovementintheirqualityof life.
©2015ElsevierEditoraLtda.ThisisanopenaccessarticleundertheCCBY-NC-ND license(http://creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/4.0/).
Introduc¸ão
Asíndromepós-pólio(SPP)éumdistúrbioneurológico
carac-terizado por um conjunto de manifestac¸ões tardias que
ocorremmuitosanosapósainfecc¸ãoinicialdapoliomielite. Fraquezamuscularnovaouaumentadaéamarcaprincipal.As outrascaracterísticasclínicassãofadiga,dornasarticulac¸ões, nosossosenosmúsculos,intolerânciaaofrioesintomas bul-bares(deglutic¸ão, fala, sintomasrespiratórios). A fadigafoi
descritacomoosintomamaiscomum.OssintomasdeSPP
afetamacapacidadedefazerasatividadesdavidadiária,a mobilidade,afunc¸ãodomembrosuperioreacapacidade res-piratória.ASPPtemumefeitonegativonaqualidadedevida (QV).1-3
O presente estudo almejou investigar a QV em
sobre-viventes da pólio na Turquia, para avaliar o impacto da
SPP em vários domínios da QV em termos de estado
funcional,gravidadedador, funcionamentosociale emoci-onal.
Material
e
métodos
O estudoincluiu 40 sobreviventes da pólio (21homens, 19
mulheres)queforamacompanhadosnoambulatóriode
medi-cinafísicaedereabilitac¸ãododepartamentodeumhospital
de treinamento epesquisa que é umcentro de referência
importantenoâmbitodoMinistériodaSaúde,localizadoem Ancara,capitaldaTurquia,entredezembrode2012esetembro de2013.Oestudofoiconduzidodeacordocomosprincípios estabelecidosnaDeclarac¸ãodeHelsinquede2008.
Participaram no grupo de SPP 67,5% dos sobreviventes
depólio(21pacientes)queatenderammaoscritériosdeSPPde Halstead4 eos19sobreviventes dapóliorestantes semSPP formaram ogruponãoSPP.Oscritériosde Halsteadsão: 1)
história confirmada de poliomielite agudaque acomete os
membrosinferiores;2)recuperac¸ãoneurológicaefuncional parcialoucompletaapóspoliomieliteaguda;3)novos sinto-mas (fadigaextensa,dor musculare/oudor articular,nova
ounãoacometidos)apósumperíodoestáveldepelomenos 15anos;4)exclusãodeoutrascondic¸õesclínicasquepodem explicaressessintomas.4
Aforc¸amuscularisométricafoimedidapeloteste muscu-larmanual(TMM)deacordocomaEscaladoMedicalResearch Council (MRC).5 Flexores doquadril, extensores do joelho, flexoresdejoelho,flexordorsaldotornozeloeflexores plan-taresdotornozeloforamanalisadosbilateralmente.Entãoa pontuac¸ãototalfoiobtida(pontuac¸ãomáxima:50).
Ogrupocontroleconsistiaem40indivíduossaudáveisde
mesmaidade esexo(20homens,20 mulheres) cujos
esco-restotaisdeTMMforamde50.Oscritériosdeinclusãopara todososindivíduoseramnenhumoutrodistúrbio,incluindo fibromialgia,hipertensão,diabetemelito,doenc¸ashepáticas erenais,artriteinflamatória,eoutrosdistúrbiosneurológicos oupsiquiátricosquepodemcausarfadiga.
Ossintomasincluemdormuscular,fadiga,dores articula-res,distúrbiosdosono,distúrbiosrespiratóriosedisfagiaque foramanalisadosnaSPPenosgruposnãoSPP.AQVfoi ava-liadaporPerfildeSaúdedeNottingham(PSN)6eadepressão pelaEscaladeDepressãodeBeck(EDB).7
AfadigafoiavaliadapelousodeversãoturcadoInventário deSintomasdeFadiga(ISF).8 OISF,publicadopelaprimeira vezem1998,éumamedidadeautorrelatode14itenspara avaliaraintensidadedefadiga(quatroitens),adurac¸ão(dois itens),ainterferênciana qualidadede vida(seteitens)eo padrãodiáriodefadiga.Aintensidadeémedidaemescalas distintasde11pontos(0=semfadiga;10=fadigaextrema) queavaliamafadigamaior,menor,atualeamédianasemana anterior.Cadaumadelaséclassificadacomoumitem indivi-dual.Ositensdeinterferênciaavaliam amedidaemquea fadigainterferiunoníveldeatividadegeraldeum entrevis-tado,acapacidadedetomarbanhoesevestir,aatividadede trabalho,acapacidadedeconcentrac¸ão,asrelac¸õescomos outroseogozodavidaehumorduranteasemanaanterior, comousodeumaescaladeclassificac¸ãode11pontos(0=sem interferênciae10=extremainterferência).Essesseteitenssão calculadosparaobterumescorenaescaladeinterferência. Adurac¸ãodositens(númerodediasfatigado,quantidadede tempofatigado)avaliaafrequênciadefadiga.Ela émedida
comoonúmero dedias(de0-sete)nasemana anteriorem
queos entrevistados sentiram-se fatigadose aquantidade decadadiaemmédiaqueosentrevistadossentiram-se
can-sados (0 = nenhuma parte do dia, 10 = o dia todo). Cada
umadelaséclassificadacomo umitem individual.Oitem
finalpedeaos entrevistadosparaindicaro seupadrão diá-riodefadigaeassimforneceinformac¸õesdescritivassobre a possível variac¸ão diurna na experiência diária de fadiga
(0 = nemumpouco fatigado, 1= pior de manhã, 2= pior
de tarde, 3 = pior de noite, 4 = nenhum padrão diário
consistentede fadiga). Oitem final apresentaapenas uma
informac¸ãoenãosedestina aserusado comoumaescala
quantitativa.9-11OsitensincluídosnoISFsãomostradosno Apêndice1.
Análiseestatística
Os dados foram apresentados por análise descritiva com
média±desvio padrão (DP) e escores medianos. Como as
variáveisnãoapresentaramdistribuic¸ãonormal,testesUde
Kruskal-WalliseMann-Whitneyforamfeitosparaavaliar esta-tisticamenteasdiferenc¸assignificativasnosescoresdeTMM, EDB,ISF eNHPdosgrupos. Asvariáveis categóricas foram avaliadaspelotestedoqui-quadrado.Umvalordep<0,05foi consideradoestatisticamentesignificativo.Todasasanálises foramfeitascomousodoStatisticalPackageparaosoftware SocialSciences13.0(SPSS-13.0).
Resultados
As características demográficas e clínicas dos pacientes e indivíduos controlesestão resumidas natabela1. Amédia deidadefoide38,15±7,17nogrupoSPP,37±4,86nogrupo nãoSPPe35±8,42nogrupocontrole.Nomomentoda poli-omieliteaguda,ossobreviventes dapólioforam19,2±12,23 mesesdeidadeemmédia(trêsmeses-quatroanos,mediana: 18meses).
Dos pacientesdogrupo SPP,12tiveram paralisia deum
membro, cinco de dois membros, dois de três membrose
doisdequatromembros.Umdelesrelatouqueadoenc¸a afe-tou osistemarespiratório.DospacientesdogruponãoSPP, 15tiveramparalisiadeummembro,trêsdedoismembrose
umdetrêsmembros.Nenhumdelestinhaparalisiade
qua-tromembros.Tambémnenhumdelesinformouqueosistema
respiratóriofoiacometido(tabela1).
Os sintomas mais comuns foram fadiga (16 pacientes,
76,2%) e dores musculares (15 pacientes, 71,4%) no grupo
SPP. Esses foramseguidos por distúrbiosdosono (12 paci-entes,57,14%)edornasarticulac¸ões(11pacientes,52,38%), respectivamente. Disfagia e distúrbios respiratórios foram
observados emum paciente (4,76%). Nogrupo não SPP,os
sintomasmaisfrequentesforamdormuscular,fadiga, distúr-biosdosonoedorarticular,queforamrelatadosem42,1%, 36,8%,31,58%,15,79%dospacientes,respectivamente.Fadiga, dornasarticulac¸õesedoresmuscularesforam significativa-mentemaioresnogrupoSPP(p<0,05).OescoretotaldeTMM foide26,19±13,24(mediana:29)nogrupoSPPe30,08±8,9
(mediana: 32) nogrupo não SPP. Deacordocom oteste U
de Mann-Whitney, osescorestotaisde TMMdogrupo não
SPP foram significativamente maiores do que os do grupo
doSPP(p<0,05)(tabela2).
O teste de Kruskal-Wallis revelou que essas diferenc¸as entregruposforamsignificativasemtodosossubgruposde ISF (p<0,05). De acordo com o teste U de Mann-Whitney, escoresdeISFdogrupoSPPforamsignificativamente maio-resdoqueosdosgruposnãoSPPegrupocontrole(p<0,05) (tabela3).Nãofoiencontradadiferenc¸aestatisticamente signi-ficativanosescoresdaEDBentreSPP,nãoSPPegrupocontrole (p>0,05).OsvaloresmedianosdaEDBeISFempacientesedo grupocontrolesãofornecidosnatabela3.
Tabela1–Dadosdemográficoseclínicos
GrupoSPP
(n=21)
GruponãoSPP
(n=19)
Grupocontrole
(n=40)
Idade,média±DP 38,15±7,17 37±4,86 35±8,42
Sexo(homens/mulheres) 11/10 13/6 20/20
Idadedepólioaguda(meses) 19,85±13,79 17,84±8,45
Paralisiadeummembro(númerodepacientes) 12 15
Paralisiadedoismembros(númerodepacientes) 5 3
Paralisiadetrêsmembros(númerodepacientes) 2 1
Paralisiadequatromembros(númerodepacientes) 2 0
EscoretotaldeTMM(0-50),média±DP 26,19±13,24 30,08±8,9
TMM,testemuscularmanual.
Tabela2–Comparac¸ãodeescorestotaisdeTMMesintomasentreosgruposSPPenãoSPP
GrupoSPP
(n=21)
GruponãoSPP
(n=19)
Valorp
EscoretotaldeTMM(0-50),média±DP/mediana 26,19±13,24/29 30,08±8,9/32 0,04*
Presenc¸adedormuscular,n(%) 15(71,4%) 8(42,1%) 0,04*
Presenc¸adefadiga,n(%) 16(76,2%) 7(36,8%) 0,01*
Presenc¸adedorarticular,n(%) 11(52,38%) 3(15,79%) 0,022*
Presenc¸adedistúrbiosdosono,n(%) 12(57,14%) 6(31,58%) 0,125
Presenc¸adedistúrbiosrespiratórios,n(%) 1(4,76%) 0 0,48
Presenc¸adedisfagia,n(%) 1(4,76%) 0 0,48
TMM,testemuscularmanual.
∗ p<0,05(significativo).
maisprecáriosemtodososgruposdeNHP,excetosubgrupos deisolamentosocial,reac¸ãoemocionalesono,quando com-paradocomogrupocontrole(tabela4).Valoresmedianosde escoresdeNHPempacienteseogrupocontrolesãofornecidos natabela4.
Discussão
O objetivo deste estudofoi investigar a qualidade de vida
em sobreviventes da pólio na Turquia, a fim de avaliar
Tabela3–Comparac¸ãodefadigaedepressãoentreosgrupos
GrupoSPP
(n=21)
Valores medianos
GruponãoSPP
(n=19)
Valores medianos
Gruocontrole
(n=40)
Valores medianos
Qui-quadrado (Kruskal-Wallis)
ValorpX
(Ude
Mann-Whitney)
ValorpY
(Ude
Mann-Whitney)
ValorpZ
(Ude
Mann-Whitney)
Escalade
Depressão
deBeck
16 13 12 5,43 0,125 0,06 0,83
Maiorfadiga 9 5 3 53,29* 0,00* 0,00* 0,001*
Menorfadiga 7 2 0 62,58* 0,00* 0,00* 0,00*
Fadigaatual 7 4 2 53,68* 0,00* 0,00* 0,00*
Fadigamédia 7 4 2 53,88* 0,00* 0,00* 0,00*
Escalade Interferência
7 3 1 52,29* 0,00* 0,00* 0,002*
Númerodedias fatigado
7 3 2 52,46* 0,00* 0,00* 0,002*
Quantidadede tempofatigado
8 4 2 57,23* 0,00* 0,00* 0,00*
Valorpx:valorpentregrupoSPPenãoSPP. Valorpy:valorpentreSPPegrupocontrole. Valorpz:valorpentrenãoSPPegrupocontrole.
Tabela4–Comparac¸ãodeQVentreosgrupos
GrupoSPP
(n=21)
Valoresmedianos
GruponãoSPP
(n=19)
Valoresmedianos
GrupoControle
(n=40)
Valoresmedianos
Qui-quadrado
(Kruskal--Wallis)
Valorp
X
Valorp
Y
Valorp
Z
MobilidadefísicaemNHP 87,5 50 0,0 54,04* 0,00* 0,00* 0,00*
DoremNHP 85,71 42,86 0,0 61,20* 0,00* 0,00* 0,00*
EnergiaemNHP 100 50 0,0 31,66* 0,00* 0,00* 0,00*
IsolamentosocialemNHP 25 25 25 0,55 0,56 0,72 0,55
Reac¸ãoemocionalemNHP 37,5 25 25 2,38 0,79 0,10 0,43
SonoemNHP 20 20 20 3,03 0,27 0,08 0,76
NHP:NottinghamHealthProfile.
Valorpx:valorpentregrupoSPPenãoSPP. Valorpy:valorpentregrupoSPPegrupocontrole. Valorpz:valorpentregruponãoSPPecontrole.
∗ p<0,05(significativo).
o impacto da SPP na qualidade de vida em termos de
estadofuncional,intensidadedador,funcionamentosociale emocional.
OsresultadosmostraramqueaSPPcomprometeu aQV,
incluindomobilidade física, doreenergia, masnão afetou
a saúde emocional e social. Além disso, não foi
encon-trada diferenc¸a estatisticamente significativa nos escores
da EDB entre os grupos de SPP, não SPP e controle. Esse
achado confirmou que a SPP não teve um impacto
nega-tivosobreoestadoemocional.Nossosresultadosdãoapoio aosestudospréviosdaliteratura.Escoresmaisbaixosforam relatadosnofuncionamentofísicoem38pacientespós-pólio
noestudode McNaughtonet al., noqual aQVfoi medida
pelo uso do SF-36 (Short Form-36).12 Da mesma maneira,
JacobinvestigouaQVem101sobreviventesdapólioemdois ambulatóriosdepós-pólioemIsraelerelatoubaixosescores físicoseescoresmentaisnormais,incluindofuncionamento emocionalesocial.13Tateet al.confirmaram queos sobre-viventesdapólio nãodiferiramdapopulac¸ãoemgeralnos níveisdedepressão.14Poroutrolado,Schanke,15Conrady16e Hazendonk17relataramquepacientescomSPPtinhamníveis maiselevadosdesintomasdepressivosemrelac¸ãoaogrupo controle.TambémOnetal.encontraramescoresfísicos,
soci-aise emocionais menores no grupo SPP,no qual a QVfoi
avaliadacomNHP.18
PacientescomSPPapresentaramníveissignificativamente
mais altos de fadiga quando comparados com os grupos
não SPP e controle. Esse achado dá apoio aos estudos
anteriores.18-20Paraonossoconhecimento,esteéoprimeiro estudoaavaliarafadigaemsobreviventesdapóliocomouso deISF.Afadigaéumsintomacomplexoedeveseravaliadopor umquestionáriomultidimensionalqueidentificaos diferen-tesaspectosemdetalhes.OISFlidacomváriascaracterísticas defadigaesuainterferênciaépercebidacomoqualidadede vidaemtermosdeatividadesdetrabalhoemgeral, capaci-dadede concentrac¸ãoegozoda vidaehumor.Alémdisso, eledeclarapadrõesdiáriosdefadiga.10,11Foisugeridocomo uminstrumentoútilnaavaliac¸ãodefadigapelosrevisores.21 Emestudosanteriores, nenhumadiferenc¸a significativafoi encontradanosescorestotaisdeTMMentreosgruposSPPe nãoSPP.18,22Emcontrapartida,emnossoestudo,escorestotais
deTMMdogrupoSPPforamsignificativamentemenoresdo
queaquelesdogruponãoSPP.
Nopresenteestudo,ossintomasmaiscomunsforamfadiga (76,2%)edormuscular(71,4%)nogrupoSPP.Esse resultado
está deacordocomoutrosestudosclínicos. Emumestudo
feitoporNolletsobredeficiênciaeestadofuncionalem
paci-entesholandesescomSPP,78%dospacientesselecionaram
fadigacomoseumaiorproblema.22 NoestudodeConde,as queixasmaisfrequentesforamfadiga(87,1%),dormuscular (82,4%)edorarticular(72%).23Descobrimosqueaprevalência defadiga,dorarticularedormuscularfoisignificativamente maiornogrupoSPPdoquenogruponãoSPP.Aprevalência
dedistúrbiosdosonofoisemelhanteemambosos grupos.
DospacientesSPP,57%apresentaramdistúrbiosdosono.No estudodevanKralingen,aprevalênciadedistúrbiosdosono encontradafoide50%.24Östlundrelatouqueafatiga relacio-nadacompós-póliotinhaumefeitonegativonaqualidadedo sono.25Aocontrário,emnossoestudo,afadiganão influen-ciouosescoresdesonodeNHP.
O tamanho pequeno da amostra foi considerado nossa
principallimitac¸ão.Édevidoàexclusãodedoenc¸asclínicas epsiquiátricasconcomitantesquepodemcausarfadiga.
Conclusão
ASPPtemumimpactonegativonaQVemtermosdeestado
funcional, gravidade da dore energia.Assim, o reconheci-mento precoce ea reabilitac¸ão complexa no iníciode SPP
podemresultaremumaumentodaQVemsobreviventesde
pólio.Alémdisso,identificarfadigarelacionadacompós-pólio eemseguidaasuareduc¸ãopodeserumaestratégiaadicional
namelhoriadaQV. ComooISFéumquestionário
multidi-mensionalqueapresentaaspectosdiferentesdefadiga,deve ocorrernapráticaclínica.
Conflitos
de
interesse
Apêndice
1.
Inventário
de
Sintomas
de
Fadiga
(ISF)
1-Classifiqueseuníveldefadiganodiaemquesesentiumaisfatigadoduranteaúltimasemana.
0 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10
Semfadiga Fadigaextrema
2-Classifiqueseuníveldefadiganodiaemquesesentiumenosfatigadoduranteaúltimasemana.
0 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10
Semfadiga Fadigaextrema
3-Classifiqueseuníveldefadigaemmédiaduranteaúltimasemana.
0 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10
Semfadiga Fadigaextrema
4-Classifiqueseuníveldefadiganesteexatomomento.
0 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10
Semfadiga Fadigaextrema
5-Classifiquequanto,naúltimasemana,afadigainterferiuemseuníveldeatividade.
0 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10
Seminterferência Extremainterferência
6-Classifiquequanto,naúltimasemana,afadigainterferiuemsuacapacidadedetomarbanhoevestir-se.
0 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10
Seminterferência Extremainterferência
7-Classifiquequanto,naúltimasemana,afadigainterferiuematividadenormal(incluitantotrabalhoforacomoemcasa).
0 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10
Seminterferência Extremainterferência
8-Classifiquequanto,naúltimasemana,afadigainterferiuemsuacapacidadedeconcentrac¸ão.
0 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10
Seminterferência Extremainterferência
9-Classifiquequanto,naúltimasemana,afadigainterferiuemsuasrelac¸õescomoutraspessoas.
0 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10
Seminterferência Extremainterferência
10-Classifiquequanto,naúltimasemana,afadigainterferiuemseugozodavida.
0 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10
Seminterferência Extremainterferência
11-Classifiquequanto,naúltimasemana,afadigainterferiuemseuhumor.
0 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10
Seminterferência Extremainterferência
12-Indiquequantodias,naúltimasemana,sentiu-sefatigadoemqualquerpartedodia.
0 1 2 3 4 7 6 7 dias
13-Classifiquequantododia,emmédia,sentiu-sefatigadonaúltimasemana.
0 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10
Nenhumapartedodia Odiatodo
14-Indiquequaisdosseguintesdescrevemelhoropadrãodiáriodesuafadiganaúltimasemana
0 1 2 3 4
0=nemumpoucofatigado,1=piordemanhã,2=piordetarde,3=piordenoite,4=nenhumpadrãodiárioconsistentedefadiga
r
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f
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