RevBrasAnestesiol.2017;67(2):223---225
REVISTA
BRASILEIRA
DE
ANESTESIOLOGIA
PublicaçãoOficialdaSociedadeBrasileiradeAnestesiologiawww.sba.com.br
CARTAS
AO
EDITOR
Algumas
observac
¸ões
sobre
anestesia
na
América
do
Sul:
uma
mudanc
¸a
de
contexto
peruano
Some
observations
about
anesthesia
in
South
America:
the
changing
Peruvian
context
CaraEditora,
Na página 38 do capítulo intitulado ‘‘Âmbito, prática e aspectos jurídicos internacionais da anestesia’’ (Miller’s Anesthesia,8aedic¸ão),Lema1declarouquenaAméricado
Sulapenas aColômbia e o Chiletêmleisque regulamen-tamaespecialidadeeopadrãodetratamentoemanestesia. Alémdisso,Lemamencionouquemédicos,cirurgiõese pes-soalparamédicocomnívelbaixodeformac¸ãoemanestesia exercem essa práticahá muitos anos em vários paísesda região.Declaroutambémqueasituac¸ãopersisteemalguns países,inclusiveoPeru,atécomaautorizac¸ãodogoverno. Noentanto,ocontextoperuanoatualédiferente;portanto, gostariadeesclarecersuasobservac¸õessobreapráticada anestesianoPeru.
Emumpassadonãotãodistante,assituac¸ões menciona-das por Lema eram comuns noPeru. Porém,desde 2005, quando a primeira norma referente à anestesia foi apro-vadapeloMinistériodaSaúde,essassituac¸õestenderam a diminuirporque nãoerammaispermitidas porlei.2 Como
consequência,onúmerodemédicoscomtreinamento for-malemanestesiologia,comoexigidopelanorma,aumentou namaioriadassalasdeoperac¸ãoeáreasafins.Alémdisso, adurac¸ãodosprogramasperuanos deresidênciamédicaé denomínimotrêsanosparaanestesiologiaedenomáximo cincoanosparasubespecialidadesemanestesiologia cardi-ovasculareobstetrícia.
Atualmente há duas normas governamentais que des-crevem todos os aspectos e requisitos (como instalac¸ões, pessoal treinado, monitorac¸ão, equipamentos médicos, medicamentos, avaliac¸ão no perioperatório) para se tra-balharcomqualidadenocampodaanestesiologia.2,3Essas
normas são obrigatórias para os hospitais públicos e pri-vados com salas de cirurgia e devem ser respeitadas em todoopaís.Alémdisso,asfaculdadesdemedicinaperuanas iniciaram um processo de certificac¸ão do conhecimento
médicoque exigeumnúmerodecréditosobtidosem cur-sos de medicina para todos os médicos (clínicos gerais e especialistas)acadacincoanos.4
No mesmo capítulo, a Dra. Maria Carmona mencionou umasituac¸ãoque acontece noBrasil, masque tambémé comumnoPeru.Essa situac¸ão refere-seaofatodeque as constituic¸õesbrasileira eperuanadeclaram asaúdecomo um direito de todos os cidadãos e a assistência médica como um dever do governo.No entanto, a despesatotal em saúdeé de 8,4% doProduto InternoBruto noBrasil e deapenas5,1%noPeru.5 Comoconsequência,existe uma
heterogeneidadedossistemasdesaúdeemrelac¸ãoà quali-dadeentreasdiferentesregiõesdosdoispaíses,deacordo comodesenvolvimentoeconômicoeadesigualdadedessas regiões.
Em conclusão, embora ainda existam muitas questões sobreapráticadosanestesiologistasperuanos,oambiente atualdetrabalhotemmudadoeogovernotemaplicadoa lei nointuito de obterpadrões melhores deatendimento aopacienteemtodoopaís.Consequentemente,na atuali-dade,nossospacientessãosubmetidosaumaanestesiamais seguradoqueemdécadasanteriores.
Conflitos
de
interesse
Oautordeclaranãohaverconflitosdeinteresses.
Referências
1.Miller RD.International scope,practice, and legal aspectsof anesthesia. In:Miller RD,Cohen NH, ErikssonLI, Fleisher LA, Wiener-KronishJP,YoungWL,editors.Miller’sanesthesia.8thed.
Canada:ElsevierSaunders;2015.
2.Ministerio de Salud del Perú. Sección de Normas Legales. ‘‘Norma Técnica de los Servicios de Anestesiología’’. Lima: OficinaGeneraldeComunicacionesdelMinisteriodeSaluddel Perú;2005.Acessadoem19/01/15.Disponívelem:http://www. minsa.gob.pe/ and ftp://ftp2.minsa.gob.pe/normaslegales/ 2005/RM4862005MINSAok.pdf
224 CARTASAOEDITOR
4.ColegioMédicodelPerú.SistemadeCertificacióny Recertifica-cióndelMédicoCirujanoydelMédicoEspecialista.‘‘Reglamento del Sistema Nacional de Certificación y Recertificación del Médico Cirujano y Médico Especialista’’. Lima: Webmaster Colegio MédicodelPerú;2011. Acessadoem 12/01/15. Dispo-nível em:http://www.cmp.org.pe/ and http://www.cmp.org. pe/sistcere/8880-CN-CMP-011%20Manual%20y%20Reglamento %20SISTCERE%202011.pdf
5.World Health Organization. Global Health Observatory Data Repository.‘‘PeruStatisticsSummary(2002---present)’’.Geneva: Global HealthObservatory; 2012.Acessadoem 20/02/15. Dis-ponível em: http://www.who.int/en/ e http://apps.who.int/ gho/data/node.country.country-PER?lang=en
CarlosJavierShiraishiZapata
HospitalEssaludTalara,ServiciodeCentroQuirúrgicoy
Anestesiología,Piura,Peru
E-mail:[email protected]
DisponívelnaInternetem28dedezembrode2016
http://dx.doi.org/10.1016/j.bjan.2015.12.007 0034-7094/
©2015SociedadeBrasileiradeAnestesiologia.Publicadopor ElsevierEditoraLtda.Este ´eumartigoOpenAccesssobuma licenc¸aCCBY-NC-ND( http://creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/4.0/).
Carta
à
editora:
Hematoma
espinhal
subaracnoideo
após
raquianestesia:
relato
de
caso
[Rev
Bras
Anestesiol
2016]
Letter
to
the
editor:
Spinal
subarachnoid
hematoma
after-spinal
anesthesia:
case
report
[Rev
Bras
Anestesiol
2016]
CaraEditora,
Licommuitointeresseorelatodecaso descritoporVidal
etal., Hematomaespinhal subaracnóideoapós
raquianes-tesia: relato de caso, publicado pela Rev Bras Anestesiol
2016.
Nocasoclínicoapresentado,umhematoma subaracnói-deo ocorre após uma única punc¸ão com agulha 25G para raquianestesia.Esseinteressantecasoclínicoconfirmaque nenhumatonapráticadaanestesiaéinofensivo,mesmoem pacientesASAI.1
Noentanto,háduasobservac¸õessobreaetiologiadesse hematomaespinhal. O paciente recebeu 100mg de ceto-profeno no período intraoperatório antes de recuperar a motricidade.Defato,osanti-inflamatóriossãoconhecidos porseusefeitos antiplaquetáriose, portanto,porriscode sangramento.2Aadministrac¸ãodecetoprofenoémuito
fre-quenteapósaraquianestesiaeasuaadministrac¸ãoprecisa serfeitaapósotérminodaraquianestesia.
A segunda observac¸ão é que, infelizmente, nenhum testebiológico decoagulac¸ão foifeitoapós o diagnóstico dehematomaespinhal.Defato,ahemofilialeveoudoenc¸a deWillebrandéaprincípioafastadaporensaiosespecíficos. A ocorrência de tal incidente requer uma opinião hema-tológica para prevenir distúrbios menores da coagulac¸ão
que,comacombinac¸ãodainjec¸ãodecetoprofeno,poderia aumentaroriscodehemorragia.
A hipotermia no período intraoperatório diminui a agregac¸ão plaquetária e podeser umfator associado que favorece a hemorragia em cenário de anormalidade da coagulac¸ãosubclínica.
Agradec¸o aos nossos colegas por compartilharem essa experiênciaclínica.Elanoslembraquenenhumatoétrivial.
Conflitos
de
interesse
Oautordeclaranãohaverconflitosdeinteresse.
Referências
1.VidalM,StrzeleckiaA,HouadecaM,etal.Spinalsubarachnoid haematomaafterspinalanaesthesia:casereport.RevBras Anes-tesiol.2016;66:533---5.
2.NaidechAM,KumarMA.Participantsintheinternational multi-disciplinaryconsensusconferenceonmultimodalitymonitoring. Monitoringofhematologicalandhemostaticparametersin neuro-criticalcarepatients.NeurocritCare.2014;21Suppl.2:S168---76.
MohamedHachemi
CentreHospitalierdeFleyriat,Départementd’anesthésie
etdeRéanimation,Bourg-en-Bresse,Franc¸a
E-mails:[email protected],
DisponívelnaInternetem11dejaneirode2017
http://dx.doi.org/10.1016/j.bjan.2016.05.001 0034-7094/