ALFABETIZAÇÃO CARTOGRÁFICA E A DEFASAGEM DO ENSINO DACARTOGRAFIA NAS SÉRIES INICIAIS: UM OLHAR PIBIDIANO.
OLIVEIRA JR, Jhonatan Jason de.(PIBID/ GEOGRAFIA/ UENP) [email protected]
SANTOS, Karla Beatriz Moura dos.(PIBID/GEOGRAFIA/ UENP) [email protected]
AGUIAR, Waldiney Gomes de; [email protected]
SILVA, Carla Holanda da. [email protected]
Centro de Ciências Humanas e da Educação - Campus de Cornélio Procópio - Universidade Estadual do Norte do Paraná.
Palavras-chave:Ensino; Linguagem Cartográfica; Geografia;
Introdução
A cartografia tornou-se um recurso fundamental para o ensino e a pesquisa da Geografia, nesse sentido, o presente texto busca compreender, primeiramente, quais os fundamentos de uma alfabetização cartográfica de qualidade nas séries iniciais, com base teórica nos estudos Simielli (2007), Castrogiovanni (2012) entre outros.
Em seguida para reflexão utilizou-se de observação e mapa mental para verificar com alunos de sexto e nono ano conceitos próprios da alfabetização cartográfica, a fim de diagnosticar o nível de alfabetização dos alunos. Como resultado percebeu-se que os alunos possuem grande dificuldade na compreensão e aplicação dos conceitos da linguagem cartográfica.
Por conseguinte, através da metodologia de situações didáticas que propicia aos professores e alunos, a construção de conhecimentos por meio de um processo de ensino. Neste sentido, organizou-se situações didáticas a serem com o objetivo de alfabetizar os alunos para a leitura de mapas. O Projeto do PIBID, está sendo realizado no Colégio Estadual Zulmira Marchesi da Silva, com a turma do sexto ano “B.” com isso, percebe-se interesse dos alunos nas atividades propostas e nas descobertas a partir da alfabetização cartográfica.
Materiais e métodos
encontrada nos alunos quando entram no ensino fundamental II e quando estão rumo ao ensino médio.
Para formulação das atividades de diagnostico, realizou-se observações, leituras, discussões e para a pesquisa foram realizadas duas atividades, com os alunos do sexto e nono, sendo 22 alunos participantes de cada série. A primeira proposta foi o desenho de um mapa mental destacando o trajeto de casa ao colégio e a segunda foi uma de exercício de lateralidade. Para tal estudo e pesquisa utilizou-se autores como Castrogiovanni (2012), Simieli (1999) e Piaget (1964).
Após aplicação das atividades, e verificação dos resultados, foram necessárias diversas reuniões, leituras, e debates de obras indicadas pelos orientadores para formulação de uma situação didáticas que privilegia a resolução de problemas, onde o professor incentiva os alunos a buscar soluções para a problemática apresentada em sala de aula.
Um dos focos principais da situação didática é que os alunos discutam em grupo um determinado problema apresentado pelo professor e socialize suas respectivas respostas aos demais grupos e desta forma juntos possam construir conhecimentos que possibilite compreender o mundo em que vive através da linguagem cartográfica. Segundo Piaget (1964), a associação do conteúdo com a realidade do aluno torna mais simples a compreensão do que está sendo estudado, o aluno precisa se sentir parte daquele conteúdo e entender a importância que ele tem em sua vida.
Conforme explica Oliveira (2007, p. 250), a criança, para conhecer um objeto e aprender as suas propriedades, manipula-lo mediante a experiência – tocando, ouvindo, sacudindo, enfim, agindo sobre o mesmo. Ou seja, a criança precisa se sentir autônoma dentro do processo de ensino aprendizagem, se locomovendo, e atuando sobre ele, a aprendizagem deve acontecer quando o aluno manipula o espaço e suas atividades de forma simulada.
Neste sentido, a metodologia adotada para o projeto vem ao encontro do pensamento do aluno como um construtor do seu próprio conhecimento, visto que ao estimular o aluno, o professor fará com que ele busque respostas e até mesmo novas perguntas.
Revisão de Literatura
No campo escolar, a Geografia possui o papel de contribuir para este processo e, neste caso entende-se que o professor deve considerar a faixa etária do discente e seu desenvolvimento, como orienta os estudos de Jean Piaget (1964). Assim sendo, é necessário ao professor buscar identificar o estágio em que cada aluno se encontra, observando o desempenho e considerando também os motivos do mesmo, incluindo os tipos de pensamentos.
Neste sentido, segundo Rios e Mendes (2009), a educação cartográfica refere-se ao processo de domínio e aprendizagem de uma linguagem, que é constituída de vários símbolos e significados. Não sendo o bastante que o aluno desvende, conheça, e identifique um símbolo, mas que o professor favoreça o desenvolvimento das habilidades do aluno para que ele seja um leitor critico de mapas, e que assim consiga desvendar ou seja conhecer e compreender o local onde vive.
Assim, a partir deste contexto busca-se neste trabalho apresentar reflexões acerca das dificuldades dos alunos de sexto e nono anos do Ensino Fundamental II, do Colégio Estadual Zulmira Marchesi da Silva, do município de Cornélio Procópio, da linguagem cartográfica, tendo como base algumas atividades propostas por autores dessa área da geografia. O tema alfabetização cartográfica foi escolhido pela importância fundamental que a Cartografia possui na geografia dando base para representações e compreensões de objetos de estudo desta ciência, que é o espaço geográfico.
Vale destacar que, esta ação foi desenvolvida a partir do Programa de Iniciação a Docência (PIBID), Subprojeto de Geografia, desenvolvido pela Universidade Estadual do Norte do Paraná (UENP).
Para tanto, incialmente será apresentado um debate sobre o assunto abordado pela equipe e posteriormente a metodologia adotada para as atividades e suas contribuições e por fim os resultados obtidos e as possíveis intervenções que serão realizadas no colégio pelo projeto do PIBID.
Resultados e Discussões
Com o intuito de demostrar a importância da cartografia para os alunos,acredita se que o desenvolvimento dessa pesquisa, será um norteador para contribuir para as aulas de geografia, via intervenções PIBID.
Segundo Simielli (2007) as competências básicas propostas aos alunos de séries iniciais são principalmente a compreensão da: visão oblíqua e visão vertical; imagem tridimensional, imagem bidimensional; alfabeto cartográfico: ponto, linha e área; construção da noção de legenda; proporção e escala; lateralidade / referências, orientação.
legenda e escala, apresentando nesta série uma melhora no objeto de análise de orientação.
Entre as dificuldades mais recorrentes durante a realização das atividades propostas duas se destacaram: 1- A falta de interesse, por parte de alguns alunos aos conteúdos, pois possuem dificuldades de aplicar o conteúdo na prática; 2- não saber a forma correta de aplicar os conceitos/ objetos de análise da alfabetização cartográfica.
Neste sentido, o estudo de Simielli (2007), quando um aluno consegue adquirir as competências e habilidades que a alfabetização cartográfica propõe, é muito provável que o aluno compreenda o quanto a cartografia está presente na sua vida e não terá mais uma visão estereotipada do conteúdo. Todavia, para que este resultado seja atingido se faz necessário, um trabalho conjunto de professores e alunos na construção desse processo, aliado ao estágio do desenvolvimento proposto por Piaget (1964).
De a Cavalcanti (2002, p.26) salienta que, “[...] na prática da Geografia na escola, o tema da cartografia apresenta muitas dificuldades práticas [...]”, pois frequentemente essas dificuldades são apontadas pelos professores da 1ª e 2ª fase do ensino fundamental. Uma vez que, os primeiros não recebem formação especifica em Geografia e a falta de material e os da 2ª fase do ensino fundamental têm formação em cartografia, mas igualmente não sabem como trabalhar esse tema com crianças e jovens , além da ausência de material que também é um complicador nesse nível de ensino (CAVALCANTI, 2002)
Então, é possível perceber que essa carência no ensino da cartográfica vem desde os anos iniciais e propaga-se por toda a vida escolar, dificultando à dinâmica e o objetivo principal do âmbito educacional, que seria a intermediação do conhecimento, em questão o cartográfico. A defasagem de aprendizagem desses conhecimentos, podem afetar a vida escolar dos alunos, resultando em estudantes com dificuldades na leitura do espaço por meio dos mapas. Conforme Simielli (2007, p.97) destaca “A questão de um aluno ter contato com alfabetização cartográfica, durante sua trajetória escolar, não garante que ele consiga relacionar os conteúdos estudados da cartografia” [...].
Desta forma, durante a aplicação das situações didáticas, percebe-se que os alunos precisam se sentir motivados durante as aulas de cartografia. Neste sentido, a resolução de problemas propicia a uma interação alunos do sexto ano com o conteúdo, despertando a cada novo momento mais questões e criticidade do mundo a sua volta.
Vale salientar que a presente pesquisa e experiência faz parte do PIBID que tem como objetivo inserir os universitários dentro do contexto escolar, com a finalidade de valorizar o magistério e apoiar estudantes de licenciatura e vem sendo de grande importância em nossa trajetória profissional e pessoal, promovendo a integração entre educação superior e educação básica.
Pode-se aferir com esta pesquisa que a defasagem do ensino da cartografia é um problema, não apenas nas cidades como Cornélio Procópio, mas em vários locais. É um tema que inquieta muitos professores de geografia. Realizar essa pesquisa resultou um ponto de partida para futuras as intervenções do PIBID e, o resultado da mesma apresentou resultados intrigantes. Dentre eles, o fato de que o nono ano que já está indo para o nível médio, obteve praticamente os mesmos resultados que os alunos do sexto ano que, entraram recentemente no ensino fundamental II. No mesmo diagnóstico também, foi possível verificar a falta de noção de escala, proporção, legenda, orientação, ou seja noções básicas para que sejam alfabetizados cartograficamente. Todavia, vale destacar que o objetivo aqui não é apontar o professor como culpado, mas sim tentar sanar de uma maneira dinâmica dificuldades que encontradas durante a investigação.
Objetivou-se por meio das análises realizadas e embasamentos teóricos elaborar metodologias diferenciadas através do Programa Institucional de Bolsa a Iniciação a Docência (PIBID), para auxiliar professores da rede básica de ensino da alfabetização cartográfica, visando a importância da representação e compreensão dos fenômenos de estudo na Geografia.
Destaca-se que as intervenções ainda estão em andamento, mas através das atividades propostas - situação problema, percebe-se o empenho dos alunos na solução dos problemas relacionados a cartografia e sua ampla participação nas atividades propostas.
Referências:
CASTROGIOVANNI, Antônio Carlos.BRINCAR E CARTOGRAFAR COM OS DIFERENTES MUNDOS GEOGRÁFICOS: a alfabetizaçãoespacial. Porto Alegre. EDIPUC. 2ªed. 2012
CAVALCANTI, Lana. Geografia e Práticas de Ensino. Goiânia: Alternativa, 2002
OLIVEIRA, Lívia de. Estudo metodológico e cognitivo do mapa. Tese (Livre-Docência) – Instituto de Geografia, Universidade de São Paulo, São Paulo, 1978.
PASSINI, E. Y. Geografia em sala de aula: prática e reflexões. São Paulo: Contexto, 2007.
PIAGET, J. A representação do mundo na criança. Rio de Janeiro: Record, 1964.
RIOS, R. B.; MENDES, J. . Alfabetização Cartográfica: Práticas
Pedagógicas nas Séries Iniciais. ENCONTRO NACIONAL DE PRÁTICA DE ENSINO EMGEOGRAFIA - ENPEG, 10., Porto Alegre: UFRGS, 2009. v. 1, p. 1-09. Anais... Porto Alegre: UFRS, 2009.
SIMIELLI, M. E. R. Cartografia no ensino fundamental e médio. In: