O DESAFIO DO PROCESSO DE ENSINO-APRENDIZAGEM NOS DIAS ATUAIS: UM OLHAR A PARTIR DO PIBID
João Paulo Pirolla1(Bolsista- PIBID- [email protected]),Patrícia Alves Santana² ( Bolsista- PIBID- [email protected]),Thainara
Caroline Toneze de Queiroz³ (Bolsista- PIBID-
[email protected])Flávia Torres 4 ( Bolsista- PIBID-
[email protected]), Cineia Damaris de Souza5 (Bolsista- PIBID- [email protected]),Maria Karolina Vigiano6 (Bolsista-PIBID- [email protected]), Patrícia Kelly Janoni Pires
([email protected]), Carla Holanda da Silva ([email protected]),Waldiney Gomes de Aguiar
Universidade Estadual do Norte do Paraná/ Campus de Cornélio Procópio/ Colegiado de Geografia.
Ensino, Subprojeto de Geografia
Palavras-chave:Indisciplina, Relação Professor-Aluno, Ensino-Aprendizagem.
Introdução
O presente trabalho tem como objetivo apresentar algumas reflexões acerca da indisciplina, a partir da intervenção realizada no Colégio Estadual Padre Manoel da Nóbrega, localizado no bairro do Jardim Progresso, no Município de Cornélio Procópio. O mesmo é “fruto” de atividades realizadas através do Programa de Iniciação à Docência- PIBID – Subprojeto de Geografia desenvolvido junto ao curso de Licenciatura em Geografia da Universidade Estadual do Norte do Paraná. O mesmo buscou ao longo do ano de 2017 investigar, inicialmente, dificuldades no Processo de Ensino -Aprendizagem em Geografia nas turmas do 6º, 7º e 8º Ano no colégio em questão para, posteriormente, propor intervenções nesse sentido. A escolha do tema partiu da observação do cotidiano escolar, que apresentouinúmeras queixas de profissionais da educação da presente escola, acerca da indisciplina na sala de aula e da necessidade de estuda-la.
Deste modo, foram acompanhadas e observadas as turmas 6º,7º,8º e 9º ano no período matutino do Colégio Estadual Padre Manoel da Nóbrega durante seis semanas e, o que chamou mais a atenção foi a turma do 6º ano, em função da questão da disciplina. Vale destacar que, esta indisciplina se resume em conversas paralelas que não dizem respeito à aula e a falta de interesse. Para Gentile (2002), a indisciplina é como um recado do aluno, uma forma de dizer que algo não vai bem, seja problemas familiares, psíquicos, ou até mesmo que ele não está integrado no processo ensino- aprendizagem.
contexto escolar, na sequência a relação da família com esta realidade e, por fim a reflexão acerca da intervenção na escola citada anteriormente.
Assim, os bolsistas prepararam situações didáticas que estão sendo aplicadas em sala de aula a fim de diversificar o modo como a aula é conduzida no seu cotidiano e verificar se a nova realidade contribui para a alteração do quadro identificado.
Materiais e métodos
Foi utilizado como metodologia as observações no Colégio Estadual Padre Manoel da Nóbrega e foram aplicados questionários para direção, equipe pedagógica, professores e alunos das quatro séries durante seis semanas. Todavia, nesta pesquisa somente foram utilizados os questionários aplicados aos alunos do 6º ano. De modo que, neste caso, contabilizou-se 87 questionários aplicados, sendo eles professor, alunos, direção e equipe pedagógica.
Após o contato inicial, com o levantamento de dados e da realidade que receberia a intervenção, preparou-seconteúdose situações didáticas contendo um problema onde os alunos deveriam refletir sobreuma situação problema sugerida pelos bolsistas.
Dando continuidade no desenvolvimento da situação didática, os alunos confeccionaram materiais para serem expostos em sala de aula, e assim, os bolsistas explanariam o conteúdo pertinente a tal situação fazendo uma ligação com os conhecimentos dos alunos.
Os Conceitos de Indisciplina no Contexto Escolar
A educação segundo a LDB- Lei de Diretrizes e Bases da Educação 93.94/96 assegura direitos e deveres que são testificadas aos alunos, desde a educação básica até o ensino superior (BRASIL, 1996). De acordo com o artigo primeiro, a educação começa no âmbito familiar e, a partir daí ela vai se desenvolvendo em outros meios sociais (BRASIL, 2006). Isto é, a educação não é somente dever do estado mais sim de toda a sociedade.
Segundo Vasconcellos (Apud BENETTE, COSTA, 2017), pode-se dizer que há uma série de fatores que influenciam o desempenho escolar do aluno e, a falta de limites como uma forma de chamar atenção dos pais seria um deles. Todavia, este processo inicia-se com os responsáveis que permite aos filhos fazer o que querem sem impor regras e limites.
Além do âmbito familiar que pode contribuir para a indisciplina visualizada no ambiente escolar, os reflexos das mudanças no âmbito educacional também interferem sobre o comportamento dos alunos e da comunidade escolar como um todo. Posto que, Nagel (Apud BENETTE, COSTA, 2017) destaca que com o decorrer dos anos o trabalho pedagógico foi construindo novas formas de ensinar, com métodos e instrumentos de trabalhos diversificados que, seriam métodos estratégicos como conquista da autoridade dos alunos e incentivar a cooperação para amenizar a indisciplina no contexto escolar.
Deste modo, observa-se que a escola está inserida no tempo histórico –
social do sujeito e, nesta perspectiva torna- se necessário que o ensino aprendizagem caminhem simultaneamente com ajuda dos pais, alunos, professores e toda comunidade escolar.
O Contexto Familiar e a Indisciplina
De acordo com Vasconcellos (Apud BENETTE, COSTA, 2017), é possível que a família possa colaborar com a comunidade escolar apara a contenção da indisciplina, mais para isso ocorrer é preciso que seja resgatada a prática do diálogo e da vida afetiva dos pais na vida escolar de seus filhos e, é de fundamental importância a frequência dos responsáveis no ambiente escolar em que seus filhos estão inseridos.
Assim, a escola e a família são responsáveis diretamente pelo aluno no processo deensino e da aprendizagem.
Neste sentido, para Stemberg (Apud BENETTE, COSTA, 2017), o aluno e o professor têm uma relação de uma via de mão dupla, uma acaba aprendendo com o outro, pois o professor não somente transmite o que sabe, mas também aprende com o aluno os saberes do meio em que vive. Isto é, há um processo de construção de conhecimento em ambas as partes, pois é possível o professor e a escola também conhecer a realidade dos alunos e de suas famílias.
Assim, a educação é uma pratica social que possibilita a transformação do sujeito para o convívio com a comunidade. Neste sentido, o aluno pode se apropriar de conhecimentos para compreender a necessidade de ser crítico na sociedade a qual pertence, pois a sala de aula é um lugar de encontro de saberes e ao mesmo tempo de construção de conhecimentos tanto dos alunos quanto dos professores.
A fim de perceber os processos de ensino e aprendizagem da indisciplina neste contexto, aplicou-se dois questionários para a professora supervisora, dois questionários para a direção e equipe pedagógica e 83 questionários incluindo os alunos do 6°, 7°,8° e 9° ano. A fim de que fosse investigado como funciona o processo acima citado e a indisciplina. Como mencionado anteriormente, tal
ação é “fruto” de um trabalho coletivo desenvolvido pelo PIBID de Geografia da
UENP em parceria com Colégio Estadual Padre Manoel da Nóbrega.
Após um contato com os mesmos e a aplicação dos questionários percebeu-se como um dos grandes alvos neste trabalho em relação a indisciplina era o 6° ano do período matutino. Posto que, essa turma foi a que chamou mais a atenção, devido à intensidade das conversas paralelas, agressão verbal aos colegas, a dificuldade de permanecerem sentados para ouvir o professor na apresentação dosconteúdos. Desta forma é importante relatar que a intenção dessa investigação se deu por conta, principalmente do questionamento: o porquê da indisciplina em sala de aula?
Durante a aplicação dos questionários junto aos alunos, foram abordadas questões sobre: A Importância do ensino da geografia para eles; Se eles utilizam a geografia no seu dia-a-dia, se sim, como utilizam; Um dos assuntos que os bolsistas sentiram que os alunos expuseram em um primeiro momento, foi em relação ao espaço físico da escola, então foi questionada se eles estavam satisfeitos com os espaços físicos da escola, e para justificarem a resposta e finalizando as questões, foi solicitado que os mesmos se posicionassem sobre os próprios comportamentos em sala de aula
Com os resultados, obteve-se muitas respostas em relação ao clima, paisagem, estudo de mapas, espaços modificados pelo homemesses foram os mais citados. Já na segunda questão as respostas que mais apareceram foi que não sabiam responder. Em relação ao espaço físico da escola, a maioria também não soube responder, os que responderam colocaram dificuldades em relação à cobertura da quadra, lâmpadas queimadas e salas pequenas para a quantidade de alunos. Em relação ao próprio comportamento, no geral eles se colocam com bom comportamento e respeito entre eles e a direção geral da escola.
Enfim, foi possível perceber no primeiro momento a dificuldade de conter a conversa paralela até mesmo no momento da aplicação dos questionários em questão.Por serem menores, mais curiosos, os alunos tendem a conversar mais, atrapalhar a aula, não param em suas carteiras, exigem uma atenção maior da professora. Tal realidade se deve em função da turma possuir um número maior de alunos, sobrecarregando a professora que acaba não conseguindo atender todas as situações que ocorrem na sala de aula. No segundo momento, pode-se perceber que com o decorrer das intervenções os alunos foram ficando um pouco mais calmos com a presença dos bolsistas na escola.
problema, no qual os alunos foram estimulados a refletir e resolver a situação problema sugerida pelos bolsistas.
Dando continuidade, os alunos das confeccionaram materiais para ser exposto em sala de aula e, assim os bolsistasirão explanar o conteúdo pertinente a tal situação fazendo uma ligação com o material produzido pelos alunos.
Resultados e Discussão
Sendo assim, as intervenções estão sendo iniciadas e algumas já em andamento. O objetivo de tal metodologia é fazer com que os alunos das series em questão se tornem cidadãos críticos.
Das séries do 6º, 7º e 8º ano, até o momento apenas com o 6º ano iniciou-se as intervenções.
Nessa turma, no início da intervenção os alunos estavam muito agitados e demorou para poder conter a conversa e organizá-los para iniciar a aplicação da situação problema.
Alguns alunos não compreenderam a dinâmica e apesar de realizarem a atividade proposta questionaram que os bolsistas não estavam “dando aula”, segundo relato da professora supervisora Patrícia Kelly JanoniPires. Tal realidade demonstra o quanto os alunos estão condicionados a alguns modelos de aula e, quando é proposto algo diferenciado apresentam dificuldades em compreender como aula.
Desse modo, a partir do contato inicial percebe-se que o PIBID tem contribuído para a formação docente dos envolvidos, proporcionandodiversas experiências que, futuramente, poderão ser utilizadas no cotidiano como docente. Pois, poderão ser encaminhados as salas de aula os diversificados métodos que foram elaborados junto ao PIBID.
Neste sentido, é providencial dizer que foi uma ótima troca de conhecimento entre nós, os professores coordenadores e professores supervisores onde todos colaboram no âmbito geral para que o PIBID de Geografia desempenhe um papel significativo no ambiente escolar.
Conclusões
A indisciplina está inserida no contexto escolar nacional, independente de serem escolas municipais, estaduais e particulares. Como foi possível verificar ao longo dessa jornada tal problema está longe de ser solucionadoe, com a presente pesquisa nas turmas do 6°, 7°, 8° e 9° ano do período matutino observou-se que os maiores problemas de indisciplina estão na turma do 6° ano.
seguido para a resolução da questão indisciplina, a mesma é algo volátil, cada lugar/escola tem os seus diversos tipos de problemas com a indisciplina de maneira que não tenha um modelo que possa ser aplicado para uma solução definitiva do problema e sim medidas para amenizar as dificuldades com a indisciplina.
E, diante desse contexto percebe-se que o PIBID permitiu pesquisar essa realidade e buscar encaminhamentos para ela. Logo, o PIBID tem contribuído para a formação como docente inicia e continuada, proporcionando experiênciasdiversificadas que serão utilizadas em práticas futuras.
Além disso, o PIBID enquanto um programa que fornece bolsa alicenciatura, proporcionatambém participar de congressos, encontros de extensão. Logo, permite maior tempo para nos dedicação às atividades acadêmicas no geral, com destaque nas atividades do pibid.
Agradecimentos
Agradecemos a Universidade, seu corpo docente, pela oportunidade de apresentar o trabalho no V Evento Institucional do PIBID, e aos orientadores Carla Holanda da Silva e Waldiney Gomes de Aguiar, pelo suporte nas correções e incentivos.
A professora Patrícia Kelly JanoniPires e o Colégio Estadual Padre Manoel da Nóbrega pela paciência e modo como se disponibilizaram no auxílio das intervenções.
Agradecemos ao Programa Institucional de Bolsas de Iniciação à Docência-PIBID E CAPES pela bolsa e a oportunidade de participar do projeto.
Referências
BENETTE, T.; COSTA, L. Indisciplina na Sala de Aula: Algumas Reflexões. Disponível em www.diaadiaeducacao.pr.gov.br/portals/pde/arquivos/2186-8.pdf. Acesso em: 11/07/2017
BRASIL. Ministério de Educação e Cultura. LDB-Lei n° 9394/96, de 20 de dezembro de 1996. Estabelece as Diretrizes e Bases da Educação Nacional. Brasília: MEC, 1996.
FERNADEZ. Fatima Addine. Didática y oprimizacióndel processo de enseñanza-aprendizaje. IN: DOIS PONTOS. Belo Horizonte: Pitágoras, 1998.