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Hayes, Strosahl e Wilson (1999) salientam a importância de se descrever formas alterna­ tivas de terapia, para garantir que o cliente dê um consentimento plenamente informa­ do para o tratamento com TCBA. Concorda­ mos inteiramente, em especial se existe forte apoio empírico para abordagens alternati­ vas, tal como ativação comportamental para TDB ou tratamento do controle do pânico para o transtorno de pânico. Certamente há muito debate e controvérsias no campo so­ bre a criação de listas de tratamentos com apoio empírico e sua recomendação como tratamentos de primeira linha para transtor­ nos diversos. Como cientistas e terapeutas, realmente acreditamos que é essencial uma abordagem terapêutica baseada em evidên­ cias. Entretanto, a aceitabilidade também é um critério importante para julgar a efetivi­ dade de diferentes abordagens de tratamen­ to. Frequentemente encontramos clientes com TEPT ou transtorno de pânico que, sem dúvida, se beneficiariam da terapia de ex­ posição, mas não estão dispostos a se sub­ meter a essa forma de tratamento. Nesses

casos, esses tratamentos extremamente efi­ cientes podem (e tem sido) adequadamente integrados a uma abordagem baseada na aceitação, conforme mencionamos a seguir e discutimos mais completamente no Capí­ tulo 10.

Em nossa prática, descrevemos com fre­ quência para os clientes as diferenças entre as terapias tradicionais de orientação cog­ nitiva e a TCBA. Especificamente, de uma perspectiva cognitiva tradicional, acredita- -se que a psicopatologia surge da presen­ ça de pensamentos irracionais. Assim, um terapeuta cognitivo tradicional procuraria descobrir as distorções cognitivas subja­ centes à ansiedade social de um cliente, contestar sistematicamente a veracidade dos pensamentos e incentivar o cliente a de­ senvolver uma atitude mais racional diante de situações sociais. Também reconhecemos as semelhanças entre as duas abordagens. Ambas enfatizam a importância de aumen­ tar a consciência das experiências internas, descrever as experiências usando múltiplos canais de resposta (p. ex., pensamentos, sen­ sações, emoções) e aumentar comportamen­ tos proativos. (As diferenças e semelhanças teóricas e clínicas entre as abordagens ba­ seadas na aceitação e outras TCCs são dis­ cutidas com mais detalhes em Orsillo, Ro- emer e Holowka, 2005; Orsillo et al., 2004; e o Capítulo 10 deste livro.) Consideramos muito importante que essas semelhanças e diferenças sejam reconhecidas quando tra­ balhamos com clientes que já fizeram uma TC com resultados mistos. Por exemplo, se formos tratar um cliente que já fez uma TC para TDM, poderíamos dizer mais ou me­ nos o seguinte.

Parece que você teve resultados mistos com a sua última terapia. Você men­ cionou que aprendeu muito sobre a relação entre o seu humor e o seu com­ portamento por meio do automonito- ramento. Você costumava pensar que a depressão era algo que pairava sobre você por semanas, mas aprendeu que

o seu humor flutua dependendo de di­ ferentes situações. Também parece que se beneficiou de uma programação de eventos agradáveis, embora não cum­ prisse as tarefas quando se sentia muito triste e letárgico.

A partir do que você me falou, vejo que a reestruturação cognitiva algumas vezes o ajudou muito. Tirar um tempo para parar e perceber o que está pen­ sando e sentindo foi bastante útil. Ver os pensamentos apenas como pensa­ mentos os tom ou menos apavorantes. Às vezes, você conseguiu interpretar acontecimentos de um modo bem dife­ rente ou se convenceu de que não de­ veria pensar de determinada maneira, mas outras vezes esses métodos não funcionaram tão bem.

Isso que estou dizendo está certo? Bem, a minha recomendação de tratamento é a de manter muitas dessas estratégias, mudar algumas e adicionar outras. Especificamente, gostaria mui­ to que continuássemos a pensar sobre como você passa seu tempo e progra­ mar algumas atividades toda semana. Também gostaria dedicar mais tempo a examinar o que você realmente quer fazer com seu tempo e, particularmen­ te, como gostaria de passar o tempo que tem em relacionamentos, no trabalho e no lazer. Gostaria que trabalhássemos juntos para aumentar o tempo que você dedica ao que realmente tem importân­ cia para você.

Também acho que faz muito sentido continuar observando seus pensamentos, sentimentos, sensações e comportamen­ tos. Se você estiver disposto, gostaria de lhe mostrar uma maneira um pouco di­ ferente de perceber essas experiências, que envolve sentir compaixão em rela­ ção a elas. Se estiver disposto, praticare­ mos algumas habilidades de mindfulness para ver como poderíamos modificar o relacionamento que você tem com suas experiências internas.

94 Lizabeth Roemer & Susan M. Orsillo

Uma coisa que poderá ser diferen­ te nessa terapia é a ideia de tentar mo­ dificar seus pensamentos irracionais. Eu concordo com a sua experiência de que, às vezes, aquele método parece funcionar e outras não. Atualmente, há algumas evidências mostrando que quanto mais tentamos mudar os pen­ samentos, mais perturbadores eles se tornam e mais se grudam em nós. En­ tão, se você se dispuser, poderíamos deixar de lado essa estratégia por um tempo e experimentar uma coisa um pouco diferente.

Também é importante notar que, con­ forme discutiremos no Capítulo 10, muitas das aplicações mais comuns da TCBA já envolvem a integração da aceitação com outras abordagens de terapia bem esta­ belecidas. Por exemplo, a TCBM integra a aceitação com a TC, uma abordagem mais estabelecida ao tratamento da depressão, e o tratamento do controle do pânico tem se valido da aceitação (Levitt e Karekla, 2005). Geralm ente as abordagens basea­ das na aceitação podem ser usadas para aumentar a disposição do cliente a adotar os elem entos necessários dessas outras abordagens de tratam ento baseadas em evidências.

Também pode ser útil com parar a TCBA com a prática de mindfulness fora do contexto terapêutico (p. ex., aulas de ioga ou meditação, zen budismo). Às vezes os clientes tiveram experiências com práti­ cas m editativas orientais e esperam que a terapia siga um caminho parecido. Isso pode acontecer dependendo da experiên­ cia que o cliente teve com formas especí­ ficas de mindfulness. E o trabalho que nos­ sos clientes fazem na terapia geralmente é espelhado e intensificado por sua prática de mindfulness em outros contextos: temos clientes que usam ioga ou meditação mui­ to eficientemente em conjunção com o tra­ tamento ou depois dele. Por outro lado, es­ sas práticas às vezes não coincidem muito bem com o trabalho da terapia. Por exem­

plo, tratamos um cliente com TAG que de­ senvolvera uma abordagem ritualizada à meditação. Ele sentia que tinha de comple­ tar uma sequência de meditações para se preparar para o dia e ficava extremamente ansioso se algo interferia nessa rotina. Na terapia, o cliente conseguiu perceber que a meditação havia se tornado m ais uma es­ tratégia para controlar a ansiedade. Outro cliente com uma história de prática de me­ ditação meditava regularmente como uma maneira de evitar interações conflitantes com a esposa. Na terapia, o mindfulness foi introduzido como uma estratégia para ele se tornar m ais capaz de se aproximar da esposa e se comunicar com ela de forma compassiva.

Ocasionalmente encontramos clientes que ficam desconfiados das conotações espirituais de mindfulness e preocupados com a inclusão da prática de mindfulness no tratamento, pois isso sugeriria um foco espiritual na terapia que eles não desejam. Escolhemos cuidadosamente as palavras quando descrevemos a TCBA e esclare­ cemos que as práticas de mindfulness que incorporamos à terapia são diferentes do contexto das tradições espirituais orientais que as formam. Achamos importante dis­ tinguir o uso de mindfulness no contexto da psicoterapia da prática de mindfulness fun­ damentada em algo pessoal ou espiritual. Existe uma grande variedade de práticas de mindfulness, para os mais variados pro­ pósitos. Os clientes que procuram psicote­ rapia estão buscando um tipo específico de assistência. Não somos professores de me­ ditação nem conselheiros espirituais. Re­ tiramos estratégias dessas tradições, mas as usamos para propósitos psicológicos, especificamente para ajudar os clientes a se envolverem mais ativamente na própria vida de maneiras significativas para eles.* * N. de R. T.: Ver SNYDER, C. R.; LOPEZ, S. J. Psi­

cologia positiva: uma abordagem científica e prática

das qualidades humanas. Porto Alegre: Artmed, 2009.516p. STRAUB, R.O. Psicologia da saúde. Por­ to Alegre: Artmed, 2005.676p.

Definir os papéis de terapeuta e