Em um estudo longitudinal, os pesquisadores estudam a mesma pessoa ou pessoas mais de uma vez, às vezes com anos de intervalo. Eles podem medir uma única carac- terística, como extensão de vocabulário, altura ou agressividade, ou podem observar diversos aspectos do desenvolvimento para descobrir relações entre eles. O Estudo de Crescimento (Adolescente) de Oakland (ver Capítulo 1), iniciado em 1932, pretendia inicialmente avaliar o desenvolvimento social e emocional da pré-adolescência aos úl- timos anos do ensino médio, mas muitos dos participantes foram acompanhados até a velhice. Posteriormente, a pesquisa começou a se concentrar na competência engenhosa, uma mistura de autoconfiança, comprometimento intelectual e efetividade segura, que ajuda as pessoas a mobilizar recursos e lidar com as dificuldades. Os participantes que no início do estudo apresentavam competência engenhosa faziam boas escolhas na adolescência e no início da idade adulta, o que, muitas vezes, trazia oportunidades pro- missoras (bolsas de estudo, bons empregos e cônjuges competentes). Os adolescentes menos competentes tomavam decisões iniciais piores e tendiam a ter vidas repletas de crises (Clausen, 1993).
Em um estudo transversal, pessoas de diferentes idades são avaliadas em um determinado momento. Em um estudo transversal, por exemplo, os pesquisadores fi- zeram perguntas a crianças de 3, 4, 6 e 7 anos sobre o que uma mulher pensativa es-
V E R I F I C A D O R
Você é capaz de ...
Comparar as aplicações e as desvantagens dos estudos de caso, estudos
etnográficos, estudos correlacionais e experimentos?
Explicar por que e como um experimento controlado pode estabelecer relações causais?
Fazer distinção entre experimentos laboratoriais, de campo e naturais?
• O que você acha que Margaret Mead queria dizer quando escreveu que a pesquisa em outras culturas "poderia lançar uma espécie de luz sobre nós, sobre nossas potencialidades e sobre nossas limitações"? Como os estudos etnográficos podem fazer isso? Quais são as possíveis dificuldades com esse tipo de pesquisa?
• Devido às limitações éticas da experimentação com humanos, os pesquisadores freqüentemente precisam utilizar estudos
correlacionais para sugerir vínculos entre, digamos, violência na televisão e agressividade. Como você avaliaria a utilidade das informações obtidas com esses estudos?
• Que tipos de pesquisa parecem mais adequadas a um ambiente de laboratório e que tipos a um ambiente de campo? Dê exemplos.
estudo longitudinal
Modelo de estudo em que se coletam dados sobre as mesmas pessoas durante um período de tempo para avaliar as mudanças de desenvolvimento que ocorrem com a idade.
estudo transversal
Modelo de pesquisa em que pessoas de diferentes idades são avaliadas em uma ocasião, fornecendo informações comparativas sobre as diferentes coortes etárias.
92 Diane E. Papalia, Sally W. Olds & Ruth D. Feldman
Figura 2-3
As duas formas mais comuns de obter dados sobre o
desenvolvimento relacionado com a idade. Em um estudo transversal, pessoas de diferentes idades são testadas em um momento. Aqui, grupos de crianças de 2,4,6 e 8 anos foram testadas em 1998 para obter dados sobre diferenças de idade no desempenho. Em um estudo longitudinal, as mesmas pessoas são testadas mais de uma vez.Aqui, uma amostra de crianças foi primeiramente testada em
1998, quando elas tinham 2 anos de idade; os testes de seguimento foram feitos em 2000,2002 e 2004, quando as crianças tinham 4, 6 e 8 anos, respectivamente. Essa técnica mostra mudanças etárias no desempenho. (Noto: Os pontos indicam momentos de medição.)
tava fazendo ou sobre o estado de espírito de alguma pessoa. Verificou-se que a cons- ciência que as crianças têm da atividade mental aumenta notavelmente com a idade (Flavell, Green e Flavell, 1995). Esses achados são forte indicativo de que à medida que as crianças ganham idade, sua compreensão dos processos mentais aumenta. En- tretanto, não podemos tirar essa conclusão com certeza. Não sabemos se a consciên- cia da atividade mental das crianças de 7 anos quando elas tinham 3 anos era a mes- ma que aquela das atuais crianças de 3 anos do estudo. A única forma de saber se ocorre mudança com a idade é conduzir um estudo longitudinal de uma determina- da pessoa ou de determinado grupo.
Tanto o modelo longitudinal como o transversal possui vantagens e desvantagens (ver Tabela 2-5). A pesquisa longitudinal, ao estudar repetidamente as mesmas pessoas, pode rastrear padrões individuais de continuidade e mudança. Ela evita confundir os efeitos do desenvolvimento com os efeitos de pertencer a uma coorte (as diferentes ex- periências de crianças nascidas, por exemplo, antes e depois do advento da internet). Entretanto, um estudo longitudinal realizado com uma determinada coorte pode não se aplicar a uma coorte diferente. (Em outras palavras, os resultados de um estudo de pessoas nascidas nos anos de 1920, como o Estudo de Crescimento de Oakland, podem não se aplicar a pessoas nascidas nos anos de 1990.) Além disso, os estudos longitudi- nais geralmente consomem mais tempo e são mais caros do que os estudos transver- sais; é difícil acompanhar um grande grupo de participantes ao longo do tempo, man- ter registros e manter o estudo em andamento a despeito da rotatividade do pessoal de pesquisa. Existe também o problema do desgaste: os participantes podem morrer ou abandonar o estudo. Outra dificuldade provável é a tendenciosidade da amostra: as pessoas que se oferecem para tais estudos, e principalmente aquelas que permanecem neles, tendem a ter inteligência e condição socioeconômica acima da média. Além dis- so, os resultados podem ser afetados pela repetição dos testes: as pessoas podem se sair melhor em testes posteriores por terem adquirido familiaridade com os materiais e pro- cedimentos dos testes.
As vantagens da pesquisa transversal incluem rapidez e economia; é possível reu- nir dados de grandes quantidades de pessoas com relativa rapidez. E como os partici- pantes são avaliados apenas uma vez, não existe problema de desgaste ou repetição dos testes. Uma desvantagem dos estudos transversais é que eles podem negligenciar diferenças individuais ao se concentrarem nas médias dos grupos. Sua principal des- vantagem, porém, é que os resultados podem ser afetados por diferenças de coorte. Os estudos transversais são, às vezes, interpretados como se produzissem informações so- bre mudanças de desenvolvimento em grupos ou indivíduos, mas essas informações, muitas vezes, são enganosas. Assim, embora os estudos transversais ainda dominem o campo - sem dúvida, porque são mais fáceis de realizar -, a proporção de pesquisa de- dicada aos estudos longitudinais, especialmente de curta duração, está aumentando (Parke et al., 1994).
O estudo seqüencial é uma das diversas estratégias para superar as desvanta- gens de estudos longitudinais e transversais. Esse método combina os outros dois: os pesquisadores avaliam uma amostra transversal mais de uma vez para determi- nar como os membros de cada coorte de idade mudaram. Tal procedimento permi- te aos pesquisadores separar as mudanças ligadas à idade dos efeitos de coorte. As principais desvantagens dos estudos seqüenciais envolvem tempo, esforço e com- plexidade. Modelos seqüenciais exigem grandes quantidades de participantes e a coleta e análise de grandes quantidades de dados durante um período de anos. A interpretação de seus achados e as conclusões podem exigir um alto grau de sofisti- cação.
estudo seqüencial
Modelo de estudo que combina técnicas transversais e
longitudinais, avaliando pessoas em uma amostra transversal mais do que uma vez.
estudo microgenético
Modelo de estudo que permite observar diretamente as mudanças, expondo os participantes repetidamente a estímulos durante um curto espaço de tempo.