CAPÍTULO 4. TRANSFORMAÇÕES NO REGIMENTO COMUM: AS “FASES
4.4 FASE 3 – RESPONSABILIDADE FISCAL NA RCN-1/2001
4.4.2 Inovações da RCN-1/2001
4.4.2.1 Novas subdivisões – Comitês e áreas temáticas
Como se discute na seção anterior, um aspecto de inovação da RCN-2/1995 em comparação à RCN-1/1991 foi a mudança na disciplina das subcomissões que compõem a CMO – antes eram facultativas e não possuíam atribuições específicas, depois tornaram-se obrigatórias, devendo apreciar os relatórios setoriais, acompanhar e fiscalizar a execução, examinar as prioridades e metas da LDO, além de realizar audiências públicas. Apesar dessas alterações, como também se verifica na seção anterior, a atuação e o funcionamento das subcomissões não se tornou mais eficiente – de acordo com Praça (2010, p. 151).
Diante disso, a RCN-1/2001 institui nova mudança no regimento: extingue as subcomissões e, em seu lugar, determina que a CMO deve ser dividida em até 10 áreas temáticas – a cargo dos respectivos relatores-setoriais (art. 10156) – e 5 Comitês.
A tabela a seguir compara essas diferentes subdivisões:
156 RCN-1/2001. Art. 10. O projeto de lei do plano plurianual e o projeto de lei orçamentária anual poderão ser
divididos em até dez áreas temáticas, que ficarão a cargo dos respectivos Relatores-Setoriais, nos termos do regulamento interno. Parágrafo único. Na apreciação, na Comissão, do projeto de lei orçamentária anual, a análise da parte relativa à receita, à reserva de contingência e ao texto da lei ficarão a cargo do Relator-geral.
Tabela 15. Comparativo entre as Fases 1, 2 e 3 – Subdivisões
Fase 1 Fase 2 Fase 3
RCN-1/1991
Art. 21. A Comissão poderá criar subcomissões temáticas permanentes em número nunca superior a oito, objetivando a racionalização dos seus trabalhos. § 1º As matérias pertinentes a cada uma das Subcomissões poderão ser apreciadas no seu âmbito antes da apreciação pelo Plenário da Comissão.
§ 2º Os Projetos de Lei de Créditos Adicionais que contenham matéria da competência de mais de uma Subcomissão poderão ser divididos para apreciação das Subcomissões pertinentes.
§ 3º No caso do Projeto de Lei
Orçamentária Anual, os pareceres parciais serão apreciados em cada Subcomissão especifica pertinente.
§ 4º Os pareceres setoriais aprovados pela Subcomissão serão adequados pelo Relator- geral da Lei Orçamentária Anual, na forma do disposto no § 1º do art. 10, e apreciados pelo Plenário da Comissão.
§ 5º Dentre as Subcomissões a que se refere o caput deste artigo é criada, em caráter permanente, subcomissão incumbida de acompanhar e fiscalizar a execução orçamentária, nos termos do art. 166, § 1º, inciso II, da Constituição Federal, que atuará sem prejuízo do exercício de atribuições semelhantes pelas outras subcomissões e pelas demais Comissões do Congresso Nacional e de suas Casas. § 6º As atribuições e composição das subcomissões serão estabelecidas pela Comissão.
§ 7º Na composição de cada Subcomissão será obedecida a mesma representatividade de cada uma das Casas do Congresso Nacional na Comissão e, sempre que possível, a proporcionalidade partidária.
RCN-2/1995
Art. 11. A Comissão organizar-se-á em subcomissões temáticas permanentes em número não superior a sete, objetivando a racionalização dos seus trabalhos, cabendo às mesmas, dentre outras atribuições, apreciar os relatórios setoriais, acompanhar a e fiscalizar a respectiva execução orçamentária, examinar as prioridades e metas da lei de diretrizes orçamentarias e realizar audiências públicas.
§ 1º Os projetos de lei de créditos adicionais que contenham matéria da competência de mais de uma subcomissão poderão ser divididos para apreciação das subcomissões pertinentes, sem prejuízo da sua apreciação pela Comissão.
§ 2º Cada subcomissão será composta de pelo menos vinte membros titulares, devendo, na sua composição, ser obedecida a mesma representatividade de cada uma das Casas do Congresso Nacional na Comissão e a proporcionalidade partidária. § 3º O Presidente da Comissão indicará, no âmbito de cada subcomissão, um Coordenador de seus trabalhos.
RCN-1/2001
Art. 11. Serão constituídos até 5 (cinco) comitês, sob a coordenação do Relator- geral, com o mínimo de 3 (três) e o máximo de 7 (sete) integrantes cada, para apoio aos Relatores-setoriais e ao Relator-geral do projeto de lei orçamentária.
§ 1º Serão constituídos, pelo menos, os seguintes comitês:
I - Comitê de Avaliação da Receita Orçamentária;
II - Comitê de Avaliação das Emendas; III - Comitê de Avaliação das Informações enviadas pelo Tribunal de Contas da União. § 2º Cada comitê terá sua atribuição e número de membros fixados em ato da Comissão, sendo seus membros designados pelo Relator-geral.
§ 3º As conclusões e recomendações dos comitês estarão previamente disponíveis na Comissão e subsidiarão os Relatores- setoriais e o Relator-geral, sendo parte integrante do relatório final.
Fonte: RCN-1/1991, RCN-2/1995 e RCN-1/2001. Elaboração própria.
Notam-se, portanto, dois aspectos importantes: (1) os comitês, sob a coordenação do relator-geral, servem de apoio a ele próprio e aos relatores-setoriais – exercendo, assim, funções que se assemelham aos trabalhos dos relatores-adjuntos no regimento anterior; e (2) a própria resolução institui a criação de três dos cinco órgãos: I. Comitê de Avaliação da Receita Orçamentária; II. Comitê de Avaliação das Emendas; III. Comitê de Avaliação das Informações enviadas pelo Tribunal de Contas da União.
Os comitês possuem entre três e sete integrantes – são, portanto, bem menores do que as subcomissões na RCN-2/1995, compostas por vinte membros no mínimo. A nova resolução estabelece, ainda, que as atribuições e o número de membros de cada comitê serão determinados pela própria comissão (nesse sentido é menos detalhista que o regimento anterior). Determina, porém, de modo expresso, que as conclusões e recomendações dos comitês devem estar disponibilizados previamente à CMO, subsidiando os relatórios-setoriais e os relatórios-gerais, dos quais devem fazer parte.
Para Figueiredo e Limongi (2008, p. 67), “entre as muitas modificações introduzidas [pela RCN-1/2001], a criação de comitês de assessoramento ao relator-geral [...] foi, muito provavelmente, a mais significativa e de maior impacto”. Destacam, em particular, a criação do Comitê de Avaliação das Receitas, que teria como consequência o compartilhamento das competências do relator-geral nesta área, com a vantagem de tornar as decisões mais transparentes. Nesse sentido, afirmam os autores:
A criação do Comitê de Avaliação de Receitas tornou a prerrogativa de reestimar receitas, até então concentrada nas mãos do relator-geral, em responsabilidade de um órgão coletivo, com normas e procedimentos estabelecidos e conhecidos publicamente. Cabe ao Comitê de Avaliação das Receitas estudar, no decorrer do processo de análise do orçamento, “a possibilidade de incorporação de novas receitas e a obrigatoriedade do realinhamento de algumas despesas vinculadas”. Com isso, as alterações na previsão de receitas ganham maior transparência, posto que passam a ser formalizadas por meio da apresentação de “um adendo modificativo indicando os valores e fontes”. (FIGUEIREDO e LIMONGI, 2008, p. 67)157.
Praça acompanha, em parte, esse posicionamento, uma vez que interpreta a criação destes comitês como um “novo passo para a descentralização”. (PRAÇA, 2010, p. 151). Mas, mesmo assim, permanece cético quanto aos seus efeitos concretos – especialmente em relação ao próprio Comitê de Avaliação da Receita Orçamentária. Para o autor, “trata-se de um comitê sem poderes reais”, que não funcionou do modo esperado porque continuaram a ocorrer reestimativas de receita na última hora (PRAÇA, 2010, p. 147).