CAPÍTULO 4. TRANSFORMAÇÕES NO REGIMENTO COMUM: AS “FASES
4.2 FASE 1 – A RCN-1/1991 E A PRIMEIRA REGULAÇÃO DA CMO
4.2.2 RCN-1/1991 e suas principais características
4.2.2.2 Relatores e subcomissões
Na RCN-1/1991, existe a previsão expressa de seis cargos de relatoria distintos, a saber: (1) relator-geral da LOA; (2) relatores-setoriais; (3) relatores parciais; (4) relator da LDO; (5) relator das contas do Presidente da República; e (6) relatores de projetos de lei de créditos adicionais.
Além destes, o art. 10 também faz referência à possibilidade de indicação dos “demais [relatores] que se fizerem necessários”, claramente determinando que este rol não é taxativo. Chama a atenção o fato de que não há previsão expressa no regulamento para a indicação de um relator do PPA. A despeito dessa ausência, houve a indicação de relatores para a “Revisão do PPA” na composição da CMO para os anos de 1992 e 1993, quando vigorava o PPA para os anos de 1991-1995. Na sequência, para a edição do PPA seguinte, o Deputado Osvaldo Coelho (PFL/PE) foi indicado como relator (na comissão instalada no início de 1995, ainda antes da entrada em vigor da RCN-2/1995, em setembro)109.
Apesar dos diferentes tipos de relatoria previstos na RCN-1/1991 e nas demais resoluções que disciplinam a CMO, a distribuição das atividades segue uma lógica relativamente simples: cada proposição legislativa tramita sob a responsabilidade de um relator diferente – o que se aplica tanto ao PPA, à LDO e à LOA, quanto às leis de créditos e à revisão das contas da Presidência da República.
No caso da LOA, em particular, tendo em vista a sua extensão e a grande dimensão das tarefas, a relatoria é subdividida em matérias diferentes – a cada qual corresponderia uma repartição da CMO em “subcomissões”. Assim, pelo disposto no art. 10110, os relatores-parciais
109 Dados sobre essas designações estão disponíveis no site da CMO: <http://www2.camara.leg.br/atividade-
legislativa/comissoes/comissoes-mistas/cmo/conheca-a-comissao/mesas>. Acesso em 17/09/2016.
110 RCN-1/1991. Art. 10. Compete ao Presidente, respeitado o disposto nos §§ 1º, 3º e 4º do art. 8º e nos §§ 4º e
5º deste artigo, designar Relator-geral do Projeto de Lei Orçamentária Anual e o Relator do Projeto de Lei de Diretrizes Orçamentárias, de acordo com a indicação das Lideranças Partidárias ou dos Blocos Parlamentares, bem como os demais Relatores que se fizerem necessários aos trabalhos da Comissão, observado, sempre que possível, o critério da proporcionalidade partidária. § 1º No caso de designação de Relatores-parciais para apresentação de seus relatórios à Subcomissão específica, serão indicados, também, Relatores-Setoriais que consolidarão os relatórios parciais, na forma do § 3º do art. 21 desta Resolução, cabendo ao Relator-geral do Projeto de Lei Orçamentária Anual adequar os pareceres setoriais aprovados em cada Subcomissão, vedada qualquer modificação
apresentam seus relatórios à subcomissão específica, os relatores-setoriais consolidam os relatórios-parciais e o relator-geral da LOA adequa os pareceres setoriais de cada subcomissão. O organograma a seguir apresenta a relação descrita nesta passagem:
Figura 2. Organograma – Relatores da LOA na RCN-1/1991
Fonte: elaboração própria.
Embora exista uma divisão de tarefas, nota-se que as decisões são individualizadas e não coletivas – ou seja, ainda que haja uma dinâmica em relação aos diferentes cargos de relatoria, cada relator elabora a sua peça de maneira autônoma. Essa característica, como se observa nas seções seguintes, contrasta a RCN-1/1991 com a regulação da RCN-2/1995 e das demais resoluções.
de parecer setorial, ressalvadas as alterações por ele propostas e aprovadas pelo Plenário da Comissão, bem como as decorrentes de destaques aprovados pela Comissão. § 2º Caso não haja constituição de subcomissões caberá ao Relator-geral da Lei Orçamentária Anual adequar os pareceres parciais aprovados, vedada qualquer modificação, ressalvadas as alterações por ele propostas e aprovadas pelo Plenário da Comissão. § 3º O Relator que, no prazo a ele deferido, não apresentar o seu Parecer será obrigatoriamente substituído. § 4º As designações dos relatores de Projetos de Lei de Créditos Adicionais obedecerão ao critério do rodízio dentre os membros da Comissão, vedada a indicação de um mesmo parlamentar como relator de mais de um projeto referente à mesma unidade orçamentária em cada Sessão Legislativa. § 5º Na designação dos relatores parciais ou setoriais da Lei Orçamentária Anual será adotado o critério de rodízio de forma que não seja repetido, no ano subsequente, o mesmo relator para a mesma unidade orçamentária.
Como a atuação dos relatores-setoriais, por sua vez, encontra-se atrelada à constituição de subcomissões (art. 10, §2º), que, por sua vez, é um processo facultativo, observa-se que, na prática, a indicação de relatores-parciais e de relatores-setoriais é inconstante (e até mesmo confusa). Assim, em 1991 e em 1992 foram designados 67 e 30 relatores-parciais, respectivamente (e nenhum setorial), ao passo que em 1993 foram apenas 7 relatores-setoriais (e nenhum parcial). Não foram localizados os dados para 1994111.
No que diz respeito à divisão da CMO em subcomissões, vale ressaltar, a RCN- 1/1991 é bastante abrangente e vaga. Além do caráter facultativo dessa subdivisão, como mencionado, a resolução determina apenas um limite máximo de oito subcomissões temáticas (art. 21), inexistindo previsão para a criação de subcomissões específicas, salvo duas exceções:
A subcomissão de caráter permanente “incumbida de acompanhar e fiscalizar a execução orçamentária” (art. 21, §5º) e
A subcomissão temporária dedicada a estudar e propor a criação de uma assessoria técnica para a CMO (art. 26).
Determina-se, ademais, que as atribuições e a composição das subcomissões são estabelecidas pela própria CMO (art. 21, §6º) e que, também neste caso, devem ser observadas a representatividade das duas Casas do Congresso Nacional e a proporcionalidade partidária – "sempre que possível” (art. 21, § 7º).
Por fim, um tema frequentemente criticado na RCN-1/1991 é a posição de proeminência do relator-geral da LOA em relação aos demais participantes do processo. Essa configuração decorre, em parte, das próprias atribuições que foram centralizadas neste único cargo. Particularmente, o relator-geral é responsável por elaborar o parecer preliminar (art. 16112), ato que antecede a produção dos relatórios e que estabelece as diretrizes gerais para a
aprovação do Orçamento em cada ano – atividade que, naquele momento, incluía tanto o campo
111 Disponível em: <http://www2.camara.leg.br/atividade-legislativa/comissoes/comissoes-mistas/cmo/conheca-
a-comissao/mesas>. Acesso em 17 de setembro de 2016.
112 RCN-1/1991. Art. 16. O Relator-geral da Lei Orçamentária Anual apresentará parecer preliminar que, depois
de aprovado pelo Plenário da Comissão, estabelecerá os parâmetros que, obrigatoriamente, deverão ser obedecidos pelos Relatores Parciais ou Setoriais na elaboração de seus relatórios, inclusive quanto a apreciação das emendas. § 1º A Comissão estabelecerá prazo para a apresentação de indicações para o parecer preliminar, as quais deverão ser publicadas e apreciadas pelo Relator-geral. § 2º As indicações que implicarem aumento da despesa deverão indicar, também, a respectiva fonte de receita. § 3º O parecer preliminar será apresentado pelo Relator-geral do Projeto de Lei Orçamentária Anual até o término do prazo de emendas e votado, na Comissão, nos cinco dias úteis que se seguirem.
das despesas, com a aprovação de emendas ao projeto do Executivo, quanto o das receitas, incluindo-se, nesse sentido, a sua eventual reestimativa.
Entretanto, grande parte da força do relator-geral era decorrente da ausência de limitações regimentais ao exercício de suas competências, em especial à sua capacidade de emendar o Orçamento (com as chamadas “emendas de relator”), de reestimar a receita da União e de readequar os pareceres dos relatores-setoriais ou parciais a ele encaminhados. Assim, o desenho institucional da CMO dava grandes prerrogativas à essa figura centralizadora ao mesmo tempo em que diminuía a importância dos demais relatores (PRAÇA, 2010, p. 154). Como essas características da RCN-1/1991 são bastante criticadas, sobretudo no contexto da aprovação da RCN-2/1995, este tema é retomado mais detalhadamente nas seções seguintes.