FERREIRA V. L.; MUNOZ H S.; CHAVES P P O Efeito da Fragmentação e Isolamento
STÉFANI DO NASCIMENTO TAMIRES LOPES PODEWILS
LUÍS FERNANDO MINASI RESUMO
O presente artigo, refere-se a um projeto de pesquisa de mestrado, em andamento, de- senvolvido no Programa de Pós Graduação em Educação Ambiental PPGEA/FURG, na linha de pesquisa Educação Ambiental: Ensino e Formação de Educadores (as). Que tem por objetivo pesquisar as práticas pedagógicas emancipatórias dos pedagogos Educadores Ambientais, que atuam em sala de aula nas escolas de educação básica e pública do município do Rio Grande. Os pressupostos teóricos utilizados para fundamentar este projeto de pesquisa vêm ao encontro da compreensão de mundo Freireano, que propõe um pensar da educação para além dos limites impostos pelo modo de produção vigente, respaldados na dialética marxista, com objetivo de transformação social. Utilizaremos como base da metodologia da pesquisa o referencial de Tri- vinos (1987) e Bardin (1977), com base na análise do discurso, para a compreensão e analise da entrevista semiestruturada e observações dirigidas a serem desenvolvidas.
PALAVRAS-CHAVE: Educação Ambiental. Pedagogia. Formação de Educadores.
INTRODUÇÃO
O presente artigo apresenta uma pesquisa de mestrado em desenvolvimento no Pro- grama de Pós Graduação em Educação Ambiental - PPGEA da Universidade Federal do Rio Grande – FURG. E vincula-se à necessidade de investigar na prática docente dos egressos dos Cursos de Mestrado ou Doutorado do Programa de PPGEA da FURG que atuam como professores na Educação Básica da Rede Pública de Ensino, cuja formação inicial ou mesmo continuada tenha sido o Curso de Pedagogia, investigaremos como a Educação Ambiental- EA está sendo desenvolvida como conteúdo curricular nesse nível de ensino e quais são e como se desenvolvem as práticas pedagógicas emancipatórias, ou seja, quais são seus que-fazeres enquanto educadores ambientais .
Partindo de questionamentos vinculados à compreensão freireana de mundo ( 1987, 1989, 1992 e 2014), que implica em uma práxis dialógica e emancipatória, onde há um com- promisso ético entre a palavra dita e a prática desenvolvida, buscaremos desvelar em nosso fenômeno de pesquisa suas ligações e relações com outros fenômenos materiais sociais que constituem seu movimento e desenvolvimento. Compreendemos práxis segundo Kosik (2011, p.222) no qual diz que
a práxis na sua essência e universalidade é a revelação do segredo do homem como ser ontocriativo, como se que cria a realidade (humano-social) e que, portanto, compreende a realidade (humana e não-humana, a realidade na sua totalidade). A práxis do homem não é atividade prática contraposta á teoria; é determinação da existência humana como elaboração da realidade.
Assim, intentamos conhecer a compreensão de EA que se apresenta na prática docente dos professores pedagogos, visto que esta busca na representação social e pedagógica da EA organizada por esses professores se justifica pela compreensão teórica que temos desenvolvido, na qual, a prática constitui-se como reflexo de uma determinada compreensão de mundo, pro- duzida na materialidade das relações sociais, onde se encontra a formação acadêmica de cada professor.
A escolha de nosso fenômeno de pesquisa se deu por entendermos os educadores am- bientais como intelectuais que precisam exercer na sociedade funções de agentes de transfor- mação social. Como seres sociais e históricos que politicamente se comprometem com tal trans- formação. Igualmente, por compreendermos que esse sujeito, o pedagogo educador ambiental no particular desta pesquisa, não está isolado, mas imerso em relações sociais condicionadas pelo Modo de Produção Capitalista. Como nos dia Mészaros (2008, p 45) “também no âmbito educacional, as soluções não podem ser formais; elas devem ser essenciais”. Em outras pala- vras, eles devem abarcar a totalidade das práticas educacionais da sociedade estabelecida”.
Dessa forma, buscamos, nas palavras de Paulo Freire (2006), uma compreensão de que “a leitura do mundo precede a leitura das palavras”, ou seja, torna-se necessário aos pedago- gos educadores ambientais compreenderem a realidade objetiva, para que suas práticas possam ser transformadoras do mundo. Uma prática autêntica e revolucionária dependerá de uma leitu- ra de mundo que consiga desvelar a realidade que tanto teimamos em esconder seu conteúdo.
Buscaremos nas investigações necessárias atender os objetivos desse projeto de pes- quisa de mestrado, ressignificar as reflexões feitas pelos “pedagogos mestres e ou doutores egressos do PPGEA/FURG que atuam como docentes na educação Básica da Rede Pública do Município do Rio Grande”, em suas dissertações e teses.
Não se trata aqui de saber simplesmente sobre a sua essência, mas do desvelamento de seu significado histórico, social, cultural, ultrapassar as “situações-limites”, para uma inter- ferência de caráter político revolucionário de criação de condições adequadas para uma trans- formação radical da sociedade, ou seja, chegar ao “inédito viável” mediatizador pelas relações socioambientais emancipatórias.
A busca pelo novo, pelo inédito viável segundo freire (1987, p.110)
Os temas se encontram encobertos pelas “situações-limites”que se apresentam aos ho- mens como se fossem determinantes históricas, esmagadoras, em face as quais nãp lhes cabe outra alternativa, senão adptar-se. Desta forma, os homens e mulheres, não
chegam a transcender as “situações-limites” e a descobrir ou a divisar , mais além delas e em relação com elas, o “inédito viável”.
Trazemos como base da pesquisa a EA, respaldada em lei, ou seja, as Politicas Públi- cas que possibilitam a inserção da EA nos currículos escolares brasileiros, tanto enquanto pes- quisadores, quanto, enquanto educadores, reconhecemos que é necessária uma transformação no modelo educacional, que inclua a EA com componente crítico na prática escolar.
Nos documentos oficiais brasileiros percebemos a relação despendida ao Meio Am- biente e a EA, desde a Política Nacional do Meio Ambiente (lei Nº 6938/81), perpassando pela Constituição Federal (1988), no seu artigo 225 que dedica no seu capítulo VI ao Meio Ambien- te, e pela Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB), artigo 25 §7 (em sua 8ª edição no ano de 2013) no qual apresenta que os currículos do ensino fundamental e médio devem incluir os princípios da proteção e defesa civil e a educação ambiental de forma integrada aos conteúdos obrigatórios.
No entanto, somente em 1999 foi criada uma lei específica para a Educação Ambien- tal, sendo esta se tornado a Política Nacional da Educação Ambiental – PNEA (lei nº 9.795), que institui a Educação Ambiental como componente curricular em todos os níveis e modalida- des de ensino. Exigindo de certa forma, a necessidade de DCNEA, que só veio a se concretizar como orientação para a implementação da PNEA em 2012.
Nas Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação Ambiental- DCNEA está ex- presso que a EA deve constar como Tema Transversal no currículo escolar, perpassando as dis- ciplinas, conteúdos, nos diversos anos do ensino formal, como lemos no trecho a seguir. Situan- do o Art. 2º, no qual a Educação Ambiental é compreendida como uma dimensão da educação, é atividade intencional da prática social, que deve imprimir ao desenvolvimento individual um caráter social em sua relação com a natureza e com os outros seres humanos. (BRASIL, 2012).
Neste sentido a questão ambiental vem sendo considerada cada dia mais urgente de se- rem resolvidas, pois as relações que estamos estabelecendo com a natureza e os com os recursos naturais disponíveis, não podem somente ser estabelecidas como relações sociais de mercado, de produção e consumo, mas prioritariamente precisam ser estabelecidas como relações, que deixam expresso nosso comprometimento com o Planeta e com a Sociedade. Isso em nossa compreensão pode ser considerado como uma das relações conscientes de sustentabilidade.
Neste contexto, desenvolvemos ao longo da pesquisa uma compreensão de Educação Ambiental enquanto uma prática pedagógica emancipatória, como condição necessária ao de- senvolvimento de sujeitos que atuem de forma critica e autêntica na transformação da realidade, nesta perspectiva de EA, que é desenvolvida por Loureiro (2009) que fundamentada e inspirada no referencial freiriano de educação e emancipação, apresenta a Educação Ambiental um meio de ajudar a promover o diálogo entre os homens visando a transformação social.
Numa perspectiva transformadora e popular de Educação Ambiental, nos educamos dialogando com nós mesmos, com aquele que identificamos como sendo de nossa co- munidade, com a humanidade, como os outros seres vivos, com os ventos, as marés, os rios, enfim, o mundo, transformando o conjunto das relações pelas quais nos definimos como ser social e planetário. (LOUREIRO, 2009, p.24)
A educação no diálogo freiriano que para nós é um meio de transformação so- cial, possibilita a socialização e a reciprocidade entre os homens, em “diálogos mediati- zados pelo mundo”afim de que neste mundo concreto que se reflete em nossa consciên- cia justamente através dos sentidos e nos faz gerar conhecimentos práticos expressos pelos sentidos da necessidade da extinção do antagonismo entre oprimidos e opressores.
A necessidade de manter um processo de procura de soluções é incessante, por isso é preciso, compreendemos e nos propomos com esse estudo, propor a superação das contradições dos modelos didáticos que se encontram presentes hoje nas escolas de educação pública como um todo, na perspectiva de oportunizar condições de novos sentimentos, enfoques e alterna- tivas de ação que acenem soluções aos reais problemas que a sociedade enfrenta. A EA deve possibilitar o desenvolvimento de um trabalho que não esteja amarrado a um currículo que não proporciona significado algum ao aluno, que para Freire significa a politica, a teoria e a prática do que fazer na educação, no espaço escolar, e nas ações que acontecem fora deste espaço numa perspectiva crítico transformador. (SAUL, 2010, p.109)
A Educação Ambiental enquanto práxis que seja pedagógica implica para nós num trabalho que busca promover a formação de cidadãos conscientes, atuantes e sujeitos do próprio processo educativo e formativo, visto que as transformações que queremos para o futuro serão o resultado de um trabalho feito hoje. E, é nessa perspectiva que a formação de mestres e doutores em Educação Ambiental configura-se no contexto escolar da Rede Pública de Ensino, à medi- da que venha se propor a superar o ensino compartimentalizado, verticalizado e cumulativo, enfocando a realidade em sua dimensão dinâmica e exigindo do processo educativo o acompa- nhamento das mudanças, no sentido de discutir, analisar, refletir e atuar sobre os conflitos que prejudicam os interesses e bem estar da coletividade.
Na percepção dialética, o futuro que sonhamos não é inexorável. Temos de fazê-lo, de produzi-lo, ou não vira da forma como mais ou menos queríamos. É bem verdade que temos de fazê-lo não arbitrariamente, mas com os materiais, com o concreto de que despomos e mais com o projeto, com o sonho por que lutamos. (FREIRE, 1992. P.102)
Neste sentido, necessitamos de educadores que rompam com as práticas que articulam com os interesses da classe hegemônica, em prol da manutenção do status quo, é necessária a formação de educadores que assumam na teoria e na prática, ou seja, na práxis (Kosik, 2011), uma concepção transformadora do mundo, da vida e do homem, voltada ao atendimento de toda a sociedade e centrada em conhecimentos inquestionáveis dentro de uma perspectiva política de transformação social,
METODOLOGIA
No presente trabalho estamos nos propondo a realizar um estudo de caso, no qual os professores educadores ambientais serão nossos sujeitos de pesquisa. Esse estudo pretende ainda produzir saberes em torno de uma particularidade, não tendo a pretensão de representar o mundo, mas representar o fenômeno material social concreto sensível Formação de Educadores Mestres ou Doutores Ambientais como uma generalidade.
A centralidade de nossa investigação priorizará a constituição desses sujeitos enquanto educadores da sociedade. A partir dos saberes e fazeres desenvolvidos na formação de mestre ou doutor em Educação Ambiental analisaremos em suas práticas pedagógicas as compreen- sões da Educação Ambiental como eixo transversal nos currículos e programas escolares que desenvolvem com seus educandos no processo formal de sala de aula.
Como instrumento de investigação usaremos a entrevista semiestruturada, como meio de coleta de informações que segundo Triviños (1987) é um dos instrumentos sistemáticos mais utilizados nas pesquisas em ciências sociais, pois ela emprega uma relação de interação social entre o sujeito da pesquisa e o pesquisador, com diálogos semiestruturados e dirigidos, que corresponderão ao problema, às hipóteses e aos objetivos por nós propostos nesta investigação.
A entrevista semiestruturada se voltará ao esclarecimento do problema da pesquisa que delimitamos: Quais as situações limites existentes na Formação do Pedagogo Educador Am- biental, que dificultam o desenvolvimento de práticas pedagógicas ambientais como eixo trans- versal do currículo trabalhado na Escola Básica Pública em que atua na cidade do Rio Grande. Desta forma vemos que a participação dos sujeitos tem fundamental importância no processo de desenvolvimento da pesquisa, para obtermos informações pertinentes ao nosso foco central.
Em complemento as entrevistas semiestruturadas, realizaremos observações dirigidas pelos conteúdos das entrevistas na pratica pedagógica de sala de aula dos professores pesqui- sados. A observação por nós pretendida está fundamentada no pensamento de Triviños que diz que ela não é apenas um olhar, mas, “é abstrair de um conjunto de fenômenos, suas caracterís- ticas, em detalhes, separadamente da totalidade desse pequeno mundo que se oferece aos olhos das pessoas” (2012, p. 35).
As descobertas nos conteúdos dos documentos, das entrevistas semiestruturadas e das observações realizadas em sala de aula no decurso desta pesquisa partirá do uso do referencial trazido por Laurence Bardin, na obra Análise de Conteúdo (1977), como metodologia que se incumbe ao papel de interpretar e compreender ao analisar o conteúdo dos documentos analisa- dos, bem como o conteúdo contido na fala dos nossos protagonistas na pesquisa.
Igualmente, consideramos com Triviños ( 1987, p. 159) que a análise de conteúdo forma a parte de uma compreensão mais ampla que funde-se nas características do enfoque dialético. E, por se tratar de uma metodologia que analisa materiais objetivos, como escritas, entrevistas gravadas, irá nos possibilitar fazer uso destes materiais transcritos quantas vezes forem necessárias, sem haver modificações no seu conteúdo.
Novamente com Triviños, ratificamos a compreensão de que o emprego dessa me- todologia se presta para o estudo “das motivações, atitudes, valores, crenças, tendências” e, acrescentamos nós, para o desvendar as ideologias, que podem existir nos dispositivos legais, princípios, diretrizes, etc., que, à simples leitura, não se apresentam com a devida clareza.
Porem, por outro lado, a metodologia de análise de conteúdo, concebida por Bardin (1977), em alguns casos, nos servirá de auxilio para o desenvolvimento da pesquisa para que esta atinja um maior nível possível de profundidade e complexidade, como o é, por exemplo, o Método Dialético. Desta forma quanto mais informações coletadas e categorizadas, melhor se desenvolverá nossa compreensão em relação ao fenômeno estudado e a superação ou resolução das contradições nele existente, considerando a problematização por nós feita.
O processo desta metodologia nos permite pensar então, a possibilidade de realizar uma análise, sistematização e explicação do conteúdo apresentado na forma que o fenômeno se mos- tra a nós. Isso nos permitirá organizar a totalidade das questões e das informações apreendidas para a análise, tendo como interesse principal não só a descrição do fenômeno, mas a com- preensão concreta do que ele realmente é, ou seja, nos possibilitara ir além das características imediatas, aparentes, superficiais da forma como o fenômeno se apresenta, permitindo a nós enquanto pesquisadores uma maior qualidade da compreensão das relações de mediações que o constituem.
E em uma relação dialética entre os sujeitos e o pesquisador, aparecerá uma realidade de experiências fundamentalmente cognitivas (Triviños, 2012). Pois compreendemos que nós, seres humanos, não somos objetos de análise, mas pessoas com atitudes, ações, ideias, com- preensões de mundo, seres criativos e originais, cujas experiências devemos aproveitar para compormos o referencial de Pedagogo Educador Ambiental que estamos desvelando.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
A presente pesquisa que está em desenvolvimento, obtém como primeiros resultados, o levantamento de dados referentes aos sujeitos da pesquisa, que compõem-se de um total de 66 pedagogos mestres e 14 pedagogos doutores (dados atualizados obtidos com a secretária do PPGEA), mas atuantes nas salas de aula da rede pública (dados atualizados obtidos com a secretaria de Educação do Município do Rio Grande e 18 Coordenadoria de Educação) che- gamos ao total de 11 mestres e 1 mestre e doutor em Educação Ambiental, chegando ao total
de 12 sujeitos a serem entrevistados para formar o corpus de análise da pesquisa. O período de aproximação e realização das entrevistas com o sujeitos pedagogos educadores ambientais, esta/será desenvolvido entre Julho e Agosto do ano vigente, e a análise dos dados e resultados será apresentada como dissertação final a ser defendida em março de 2015.
Acreditamos, contudo que a pesquisa, possui relevância, por buscar em seus objetivos, as práticas emancipatórias desenvolvidas por Educadores Ambientais que exercem um trabalho docente com crianças e adolescentes em escolas públicas, no qual conhecemos a precarização a que está submetida pelas mãos do Estado, onde a luta destes profissionais por mais qualidade é árdua e diária. Compreendemos que o anúncio destes dados possibilitará a tantos outros pesqui- sadores e educadores conscientizarem-se que uma forma de “fazer” a Educação e a Educação Ambiental é possível.
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A EDUCAÇÃO AMBIENTAL DO “AGRONEGÓCIO” NAS ESCOLAS PÚBLICAS: