• Nenhum resultado encontrado

O processo de enfermagem como ações de cuidado rotineiro: construindo seu significado na perspectiva das enfermeiras assistencias.

N/A
N/A
Protected

Academic year: 2017

Share "O processo de enfermagem como ações de cuidado rotineiro: construindo seu significado na perspectiva das enfermeiras assistencias."

Copied!
8
0
0

Texto

(1)

O PROCESSO DE ENFERMAGEM COMO AÇÕES DE CUI DADO ROTI NEI RO: CONSTRUI NDO

SEU SI GNI FI CADO NA PERSPECTI VA DAS ENFERMEI RAS ASSI STENCI AS

1

Ma. Elena Ledesm a- Delgado2 Mar ia Manuela Rino Mendes3

Est e est udo, de nat ur eza qualit at iv a, t ev e com o obj et iv o com pr eender os significados at r ibuídos ao pr ocesso de enferm agem por enferm eiras da unidade clínica em um hospit al do México. A colet a dos dados foi realizada por m eio de ent r evist as sem iest r ut ur adas, com plem ent ada por obser vação par t icipant e e consult a docum ent al. Os dados for am analisados t endo com o r efer enciais t eór icos e m et odológicos o I nt er acionism o Sim bólico e a Teor ia Fu n dam en t ada n os Dados, possibilit an do a com pr een são da v iv ên cia e o sign if icado at r ibu ído pelas en f er m eir as ao pr ocesso de en f er m agem , n a pr át ica cot idian a assist en cial, qu e se desv ela com o ações de cuidado r ot ineir o, aplicados de for m a difer ent e daquilo que é ensinado e apr endido na escola.

DESCRI TORES: en f er m agem ; pr ocessos de en f er m agem ; cu idados de en f er m agem

THE NURSI NG PROCESS PRESENTED AS ROUTI NE CARE ACTI ONS: BUI LDI NG I TS

MEANI NG I N CLI NI CAL NURSES’ PERSPECTI VE

This qualit at ive st udy aim ed t o underst and t he m eanings at t ribut ed t o t he nursing process by clinical nurses at a Mexican hospit al. Dat a were collect ed t hrough sem i- st ruct ured int erviews, part icipant observat ion and docum ent r esear ch. Sy m bolic I nt er act ionism and Gr ounded Theor y w er e t he t heor et ical and m et hodological fr am ew or k s for dat a analysis, w hich per m it t ed under st anding t he experience and m eaning nurses at t ribut ed t o t he nursing pr ocess in t h eir daily car e pr act ice, w h ich w as u n v eiled as r ou t in e car e act ion s, per for m ed differ en t ly fr om w hat t hey had lear ned in school.

DESCRI PTORS: nur sing; nur sing pr ocess; nur sing car e

EL PROCESO DE ENFERMERÍ A COMO ACCI ONES DE CUI DADO RUTI NARI AS:

CONSTRUYENDO SU SI GNI FI CADO EN LA PERSPECTI VA DE LAS ENFERMERAS

ASI STENCI ALES

Est e est udio de nat ur aleza cualit at iva t uvo com o obj et ivo com pr ender los significados at r ibuidos al pr oceso de enferm ería por enferm eras de una unidad clínica de un hospit al de México. La recolección de dat os fue realizada por m edio de en t r ev ist as sem iest r u ct u r adas, com plem en t ada con la obser v ación par t icipan t e y la con su lt a docum ent al. Los dat os fuer on analizados baj o el m ar co t eór ico y m et odológico del I nt er accionism o Sim bólico y la Teoría Fundam ent ada en los Dat os, que posibilit aron la com prensión de la experiencia y significado at ribuido por las enferm eras, al proceso de enferm ería en su práct ica cot idiana asist encial, que se desvela com o acciones de cuidado r ut inar io, aplicados de for m a difer ent e a lo enseñado y apr endido en la escuela.

DESCRI PTORES: en fer m er ía; pr ocesos de en fer m er ía; at en ción de en fer m er ía

1Trabalho ext raído de Tese de Dout orado; 2Dout oranda da Escola de Enferm agem de Ribeirão Pret o, da Universidade de São Paulo, Cent ro Colaborador da

OMS para o Desenvolvim ent o da Pesquisa em Enferm agem , Brasil, Professor da Escola de Enferm agem de I rapuat o da Universidade de Guanaj uat o, México, e- m ail: m eld_82@hot m ail.com ; 3Professor Dout or da Escola de Enferm agem de Ribeirão Pret o, da Universidade de São Paulo, Cent ro Colaborador da OMS

(2)

I NTRODUÇÃO

E

n q u an t o en f er m ei r a d ed i cad a ao âm b i t o edu cat iv o, a ex per iên cia com o en sin o do pr ocesso

d e en f er m ag em t em or ig in ad o r elações f r eq u en t es

com a prát ica assist encial no cont ext o hospit alar. Nessa

condição, foi possív el const at ar que as at iv idades de

en f er m agem j u n t o ao pacien t e f ocalizav am os pr

o-cedim ent os e r ot inas est abelecidos, sem hav er r

efe-rência aos fundam ent os t eóricos e à operacionalização

do pr ocesso de enfer m agem na pr át ica.

A i n q u i e t a ç ã o c o m o s m o t i v o s q u e

cont r ibuíam par a essa sit uação dir ecionou a at enção

par a a m aneir a com o os pr ofissionais v iv enciav am e

per cebiam a u t ilização do pr ocesso de en f er m agem

no cot idiano do t rabalho hospit alar.

O p r ocesso d e en f er m ag em é con sid er ad o

com o a m et odologia pr ópr ia que per m it e ex plicit ar a

e ssê n ci a d a e n f e r m a g e m , su a s b a se s ci e n t íf i ca s,

t e c n o l o g i a s e p r e s s u p o s t o s h u m a n i s t a s , q u e

est i m u l a m o p en sa m en t o cr ít i co e a cr i a t i v i d a d e,

p e r m i t i n d o a s o l u ç ã o d e p r o b l e m a s d a p r á t i c a

profissional( 1- 2). Essa m et odologia represent a t ent at iva

p a r a e v i d e n c i a r e c o m p r e e n d e r o t r a b a l h o d e

en f er m ag em , d ir ecion ad o ao cu id ad o com o p r át ica

r ef lex iv a.

O d e s e n v o l v i m e n t o d o p r o c e s s o d e

e n f e r m a g e m n o Mé x i c o t e v e c o m o r e f e r ê n c i a o

t r abalho da Associação Nacional de Enfer m agem nos

anos 70, com a preocupação de reunir as enferm eiras

do país par a r eflet ir em e ex por em est r at égias sobr e

os novos cenários e m udanças da profissão. Um a das

est rat égias dest acada foi a capacit ação sobre o ensino

e assist ência de enfer m agem , baseados no enfoque

dessa m et odologia( 3 ).

A part ir dessa iniciat iva, foram desenvolvidas

e s t r a t é g i a s d e e n s i n o e d e p r á t i c a p a r a

in st r u m en t alizar o u so do pr ocesso de en f er m agem

n o s c u r r íc u l o s d o s c u r s o s d e g r a d u a ç ã o e n a s

inst it uições de saúde, com v ist as à sua incor por ação

com o m et od olog ia d a assist ên cia d e en f er m ag em ,

d ir ecion ad a ao cu id ad o, e, t am b ém , v iab ilizar su a

inser ção no m ov im ent o de const r ução da at enção à

saúde com o um bem social e colet iv o.

N a u l t i m a d é c a d a , a l g u n s e s t u d i o s o s

e x p l i c i t a m o s i n v e s t i m e n t o s r e a l i z a d o s p a r a a

u t i l i zação d o p r o cesso d e en f er m ag em n a p r át i ca

assist encial, pr opor cionando infor m ações sobr e o que

a s e n f e r m e i r a s co n h e ce m , o p i n a m e a d o t a m e m

div er sas r ealidades e as dificuldades enfr ent adas no

co n t e x t o h o sp i t a l a r( 4 - 8 ). Esse s e st u d o s i n d i ca m a

p o t e n c i a l i d a d e d e i n v e s t i m e n t o s n a s u a

im p lem en t ação à p r át ica, ap r ox im an d o o ex er cício

d e en f er m a g em d a a t en çã o à sa ú d e, ed u ca çã o e

p esq u isa.

Diant e do expost o, reafirm a- se a perspect iva

dos pesquisadores de que o processo de enferm agem

se co n st i t u i n u m a ação r ev est i d a d e si g n i f i cad o s,

possível de ser ut ilizada pelas enferm eiras na prát ica,

com o m et odologia par a pr est ação de cu idados, qu e

a p r e s e n t a d e s a f i o s t a n t o n o e n s i n o c o m o n a

assist ên cia, com a n ecessidade de apr of u n dá- lo n o

c o n t e x t o h o s p i t a l a r, a p a r t i r d a p e r c e p ç ã o d a s

enfer m eir as que nele at uam , dest acando as dúv idas,

in cer t ezas e qu est ões sobr e su a oper acion alização.

Na b u sca p ar a r ealizar ap r ox im ação en t r e

e ssa s q u e st õ e s, o s o b j e t i v o s d e st e e st u d o sã o :

co m p r e e n d e r o si g n i f i ca d o a t r i b u íd o a o p r o ce sso

d e en f er m ag em p o r en f er m ei r as d e u m a u n i d ad e

d e in t er n ação h osp it alar n o Méx ico e d escr ev er as

a ç õ e s r e a l i z a d a s p o r e l a s n e s s a u n i d a d e ,

c o n d i z e n t e s c o m o s i g n i f i c a d o a t r i b u í d o a o

p r o ce sso d e e n f e r m a g e m .

REFERENCI AL TEÓRI CO E METODOLÓGI CO

B a s e s c o n c e i t u a i s d o I n t e r a c i o n i s m o

Sim bólico or ien t ar am est a pesqu isa qu alit at iv a, por

enfat izar a nat ur eza da int er ação social, a dinâm ica

e a t i v i d a d e so ci a l , e n v o l v e n d o o s a t o r e s, so b a

perspect iva que considera o ser hum ano at ivo no seu

m eio am b ien t e, com o u m or g an ism o q u e in t er ag e

com out ros e consigo m esm o. I nt eração significa que

o s a t o s d e c a d a s e r h u m a n o s ã o c o n s t r u íd o s

co n t i n u a m e n t e , d e p e n d e n d o e m p a r t e d o q u e o s

out ros fazem , influenciando uns aos out ros e, ao at uar

e i n t e r a g i r, u t i l i z a l i n g u a g e m d e r i v a d a d a

i n t e r s u b j e t i v i d a d e , o p e r a n d o f u n d a m e n t a l m e n t e

dent r o de r ealidades sim bólicas aí sust ent adas( 9 ). O

I n t e r a ci o n i sm o Si m b ó l i co é u m a p e r sp e ct i v a d a

ciência social delineada par a pr oduzir conhecim ent o

so b r e a v i d a h u m a n a e m g r u p o e su a co n d u t a ;

focalizando os significados que os ev ent os t êm par a

os ser es h u m an os e n os sím b olos q u e u sam p ar a

a t r i b u i r a q u e l e s si g n i f i ca d o s. Esse s sím b o l o s sã o

d e s e n v o l v i d o s s o c i a l m e n t e n a i n t e r a ç ã o e s ã o

con cor dados den t r o dos gr u pos.

O i n t er a ci o n i sm o si m b ó l i co b a sei a - se n a s

(3)

obj et os com base nos significados que esses t êm para

si, o significado at r ibuído aos obj et os/ coisas der iv

a-se d a i n t e r a çã o so ci a l e n t r e a-se r e s h u m a n o s, o s

sign if icados são m an ipu lados e m odif icados at r av és

d o p r o cesso i n t er p r et at i v o , d esen v o l v i d o p el o ser

h u m a n o a o d e f r o n t a r - se co m o b j e t o s e co n si g o

m esm o( 10). A int er ação hum ana é m ediada pelo uso

d e sím b o l o s, p el a i n t er p r et ação e av er i g u ação d o

significado das ações dos out r os.

Es t a i n v e s t i g a ç ã o t e v e c o m o r e f e r e n c i a l

m et odológico a Teoria Fundam ent ada nos Dados ( TFD)

qu e t em r aízes n o I n t er acion ism o Sim bólico, e seu

pr opósit o é ger ar t eor ia a par t ir dos dados obt idos,

su b m e t i d o s à a n á l i se si st e m á t i ca e co m p a r a t i v a ,

or ganizados em cat egor ias conceit uais que ex plicam

o fenôm eno de int er esse.

A TFD é um m ét odo em que ex ist e est r eit a

r e l a ç ã o e n t r e a c o l e t a d e d a d o s d e m a n e i r a

sist em át ica, a análise e a t eoria que em ergem durant e

a invest igação; a t eoria surge da realidade e não é a

m er a u n ião d e con ceit os b asead os n a ex p er iên cia,

ou pr essupost os sobr e com o as coisas dev er iam ser

ou funcionar( 11).

Esse d e l i n e a m e n t o m e t o d o l ó g i co e x i g e a

c o m p a r a ç ã o c o n s t a n t e d o s d a d o s , s e n s i b i l i d a d e

t e ó r i c a d o p e s q u i s a d o r, a m o s t r a g e m t e ó r i c a d a

r ealid ad e em p ír ica, in d icação d e m em or an d os q u e

cor r obor am no pr ocesso de codificação aber t a, ax ial

e selet iv a, de m odo a assegur ar o desenv olv im ent o

e a d e n s i d a d e c o n c e i t u a l . O r e s u l t a d o d e s s a

codificação e in t egr ação dos dados con t r ibu i par a a

const r ução da t eor ia.

Na TFD , a co l et a d e d ad o s, co d i f i cação e

a n á l i se o co r r e m si m u l t a n e a m e n t e , p e r m i t i n d o a o

p e sq u i sa d o r o e n t e n d i m e n t o e co m p r e e n sã o d o s

s i g n i f i c a d o s s o b a p e r s p e c t i v a d o s s u j e i t o s

par t icipan t es.

METODOLOGI A

Est e e st u d o f o i r e a l i za d o n a Un i d a d e d e

Medicina I nt er na, do Hospit al Gener al de Zona com

Medicina Fam iliar No. 2, I nst it ut o Mexicano del Seguro

Social, d e I r ap u at o, Gu an aj u at o- Méx ico, in st it u ição

d e m éd io p or t e, ar t icu lad a ao sist em a d e saú d e e

seg u r an ça so ci al p ar a t r ab al h ad o r es d e eco n o m i a

f o r m a l . Ca p a c i d a d e i n s t a l a d a d e 1 1 0 l e i t o s

oper acionais e 52 espor ádicos ( ext r a) , cont ando com

3 2 7 en f er m eir as.

A Un idade de Medicin a I n t er n a possu i du as

alas ( sul e nor t e) , com capacidade par a 2 5 leit os e

t r ê s d e s i g n a d o s p a r a c i r u r g i a . A e q u i p e d e

e n f e r m a g e m co n t a co m 3 6 e n f e r m e i r a s g e r a i s e

au x iliar es, e qu at r o en f er m eir as- ch ef e. A m édia de

per m anência é de quat r o a nov e dias.

O p r o j e t o d e p e sq u i sa f o i a p r o v a d o p e l o

Com it ê de Bioét ica da Facu ldade de En f er m agem e

Obst et r ícia de Celay a, Un iv er sidade de Gu an aj u at o,

e pelo Com it ê de I n v est igação do Hospit al Gen er al

d e Z o n a co m Me d i ci n a Fa m i l i a r N o . 2 , I n st i t u t o

Mex ican o d el Seg u r o Social, I r ap u at o, Gu an aj u at o.

O t er m o d e con sen t im en t o liv r e e esclar ecid o q u e

explicit a os obj et ivos e procedim ent os m et odológicos,

r e s p e i t a n d o o s p r i n c íp i o s é t i c o s e m p e s q u i s a e

preservação do anonim at o, foi apresent ado e assinado

p or t od os os p r of ission ais q u e aceit ar am p ar t icip ar

da pesqu isa.

Po r s e r e s t u d o d e n a t u r e z a q u a l i t a t i v a ,

baseado na TFD, o núm er o de suj eit os não foi pr

é-det er m inado, r esult ou do pr ocesso de am ost r agem e

sat u r ação t eór ica. I sso sig n if ica q u e o n ú m er o d e

enferm eiras part icipant es foi delim it ado de acordo com

a r ep r esen t at iv id ad e d os con ceit os q u e em er g ir am

dur ant e a análise dos dados.

As est r at égias de colet a de dados ut ilizadas

f o r a m : e n t r e v i s t a s e m i e s t r u t u r a d a , o b s e r v a ç ã o

p ar t icip an t e e con su lt a d ocu m en t al, n o p er íod o d e

m a r ç o a s e t e m b r o d e 2 0 0 7 . A e n t r e v i s t a

s e m i e s t r u t u r a d a , c o m p e r g u n t a s a b e r t a s ,

d i r eci o n ad as ao o b j et o d e i n t er esse, f o i g r av ad a,

m ediant e aut or ização pr év ia dos enfer m eir os. O t eor

das gr av ações foi t r anscr it o e subm et ido à v alidação

do cont eúdo pelos ent r ev ist ados, sem m odificações.

A obser v ação par t icipant e foi r ealizada pela

p esq u isad or a n a Un id ad e d e Med icin a I n t er n a, n os

t r ê s t u r n o s , c o n f o r m e e s c a l a d e t r a b a l h o d o s

p r o f i s s i o n a i s e n t r e v i s t a d o s , n o s e u c o t i d i a n o ,

at ent ando ao m ét odo de t rabalho, ident ificando ações,

int er ações, pr ocedim ent os e anot ações, ent r e agost o

e set em b r o d e 2 0 0 7 , p er m an ecen d o cer ca d e oit o

hor as com cada par t icipant e, em duas ocasiões. Os

r egist r os no diár io de cam po foram feit os a seguir.

A consult a docum ent al foi realizada nas font es

o f i c i a i s d o D e p a r t a m e n t o d e En f e r m a g e m n a

inst it uição de saúde eleit a para o est udo, assim com o

n o s r e g i s t r o s d e a ç õ e s d e e n f e r m a g e m e m

i n st r u m en t o s d ef i n i d o s p el a Un i d a d e d e Med i ci n a

I nt er na, onde at uam os pr ofissionais ent r ev ist ados e

(4)

A an álise d os d ad os ocor r eu , in icialm en t e,

d u r an t e a su a col et a, f azen d o com p ar ações en t r e in f or m ações obt idas n as en t r ev ist as, obser v ações e

con su lt as docu m en t ais f r en t e a in dagações cen t r ais so b r e o o b j e t o d e i n t e r e sse , co n si d e r a n d o se r a

com par ação const ant e a pr em issa básica do m ét odo eleit o. Após a t r anscr ição dos dados, foi feit a leit ur a

a t e n t a d a s e n t r e v i st a s e d a s o b se r v a çõ e s, p a r a v iabilizar a codif icação ( aber t a, ax ial e selet iv a) , e

per m it ir a delim it ação da t eor ia( 12).

A codificação abert a iniciou- se desde a leit ura

d a p r i m ei r a en t r ev i st a, co m ex am e m i n u ci o so d o

t e x t o , d e co m p o st o e m f r a g m e n t o s d e n o m i n a d o s incident es, os quais foram exam inados e com parados

na busca de sim ilit udes e diferenças, gerando códigos. Após essa ação, repet iu- se com as dem ais ent revist as,

um a a um a, t ent ando definir as cat egorias, aprofundar os códigos ident ificados e fazer agr upam ent os, par a

t en t ar ex p l i car o s si g n i f i cad o s q u e em er g i am d o s dados, r ealizando r edução do núm er o dos códigos e

v isan do a cat egor ização.

A const r ução das cat egor ias, em t er m os de

suas propriedades e dim ensões, foi realizada por m eio d e an álise d et alh ad a d os cód ig os en con t r ad os n os

dados, t ant o das ent r ev ist as com o das obser v ações.

Es s e p r o c e s s o p e r m i t i u i d e n t i f i c a r e n o m e a r a s cat eg or ias, d an d o- lh es especif icidade por m eio das

car act er íst icas par t icu lar es.

A codificação axial im plica na análise profunda

e densa das cat egor ias que em er gir am do pr ocesso de codificação aber t a, com pr eende o r elacionam ent o

d as cat eg or ias e su b cat eg or ias, seg u in d o as lin h as

de suas propriedades e dim ensões. Nessa codificação, f o r a m r e l a c i o n a d a s e a g r u p a d a s c a t e g o r i a s e

subcat egorias com apoio no paradigm a de codificação, d e acor d o com seu s com p on en t es q u e in clu em as

c o n d i ç õ e s , a ç õ e s / i n t e r a ç õ e s e c o n s e q u ê n c i a s , o r i en t an d o e au x i l i an d o o p esq u i sad o r a f o r m u l ar

q u e s t i o n a m e n t o s , g e r a r h i p ó t e s e s e f a z e r co m p ar açõ es co n st an t es, ú t ei s n a co m p o si ção d o

cor po da t eor ia( 11).

Na codificação selet iv a, as cat egor ias for am

i n t eg r a d a s e r ef i n a d a s a t é i d en t i f i ca r a ca t eg o r i a

cent r al e subcat egor ias, num pr ocesso int er at iv o do pesquisador com os dados.

RESULTADOS

Par t icip ar am d o est u d o 1 6 en f er m eir as( os)

d os t r ês t u r n os d e t r ab alh o, sen d o 1 4 m u lh er es e

dois hom ens, com idades ent re 30 e 48 anos. Dent re

esses, h á sei s en f er m ei r as co m l i cen ci at u r a e 1 0

som en t e com n ív el t écn ico. Tem p o d e ex p er iên cia

e n t r e 1 0 e 2 0 a n o s d e a t u a ç ã o p r o f i s s i o n a l n a

inst it uição hospit alar e na enfer m agem .

O pr ocesso de análise per m it iu a const r ução

da cat egoria cent ral o processo de enferm agem com o a ç õ e s d e c u i d a d o r o t i n e i r o, r e p r e s e n t a n d o o sign ificado at r ibu ído ao fen ôm en o in v est igado pelas

e n f e r m e i r a s n a p r á t i c a c o t i d i a n a n o c o n t e x t o

h o s p i t a l a r, c a t e g o r i a e s s a c o n s t i t u íd a p e l a s

subcat egor ias: difer ent e do apr endido, com per da de c o n t i n u i d a d e n o s e u f a z e r ; i n v e s t i g a ç ã o d a s necessidades e condições dos pacient es, baseada no t r a t a m en t o m éd i co e p er cep çõ es d e d esco n f o r t o ; realização das ações/ int erações de cuidado, baseadas nas necessidades do pacient e, indicações m édicas e r ot inas est abelecidas e r egist r o das ações/ int er ações de cuidado e das prescrições m édicas, que perm it em e n t e n d e r a v i v ê n ci a d a s e n f e r m e i r a s n o u so d o

pr ocesso de en f er m agem .

As enfer m eir as ex pr essam que, no t r abalho

cot idiano, na referida unidade de m edicina int erna, o

p r o cesso d e en f er m ag em u t i l i zad o é d i f er en t e d o

apr endido, com per da de cont inuidade no seu fazer, e st a b e l e ce n d o co m p a r a çõ e s co m e x p e r i ê n ci a s n a

g r a d u a ç ã o , q u a n d o f o i e n s i n a d o c o m e n f o q u e

in div idu al, em pou cos pacien t es, fazen do- o passo a

p a s s o e m s i t u a ç õ e s e s c o l h i d a s , d i f e r e n t e d a

d iv er sid ad e q u e v iv en ciam . O q u e f oi en sin ad o n a

escola é colocado com o um saber com lim it es na sua

a p l i c a ç ã o à r e a l i d a d e p r o f i s s i o n a l , c h e g a n d o a

i d e a l i z a r o co n h e ci m e n t o t e ó r i co a p r e n d i d o q u e

subsidiav a a pr át ica.

… é m uit o diferent e quando não é ensinado, quando

apreendem os na escola, eu est ou falando de m ais de 20 anos que

t er m in ei; com o p asso d o t em p o, v ai- se p er d en d o essa

cont inuidade, vam os deixando coisas que são im port ant es, j á

não adm inistram os com o na época da escola, era com m ais atenção,

porque at endíam os um pacient e ou m áxim o dois, aqui est am os

cuidando de 13. ( E10) .

O sig n if icad o q u e as en f er m eir as at r ib u em

ao pr ocesso de enfer m agem se faz pr esent e quando

ex p r essam el em en t o s q u e o i n t eg r am d u r an t e o s

cu idados n o t r abalh o cot idian o, com o se fosse u m a

at iv id ad e r ot in eir a e m ecan izad a, j á sab en d o com

ant ecedência o que r ealizar ão, ilust rada a seguir.

…u sam os o pr ocesso de en f er m agem , m as n ão é

percebido, j á levam os um a rot ina de t rabalho e não percebem os,

(5)

est am os planej ando as at ividades y realizam os as ações, m as é

com o se fossem nossas at ividades rot ineiras ( E10) .

A invest igação das necessidades e condições

d o s p a ci e n t e s, b a se a d a n o t r a t a m e n t o m é d i co e per cepções de descon f or t o, é r ealizada com o ações de cuidado r ot ineir as, as enfer m eir as ex pr essam que

avaliam as necessidades e condições do pacient e por

m eio de u m pr ocesso de colet a de in f or m ação, em

difer ent es m om ent os do t ur no, é assist em át ica, com

m aior ou m en or d et alh am en t o, n ão seg u e p ad r ão

det er m inado e pr ior iza dados do t r at am ent o m édico

que or ient am os aspect os a av aliar e obser var.

...se recebe o plant ão, nos dizem o nom e do pacient e, o

diagnóst ico, se revisa que a venoclisis t enha t odos os dados, que

no passe de t r ês dias, que o pacient e t enha seu sor o e que

corresponda ao que est á nas indicações ( E13) .

Es s a i n v e s t i g a ç ã o t a m b é m é r e a l i z a d a

baseando- se nas percepções e relat os de desconfort os

dos pacien t es, qu e m an if est am a pot en cialidade de

a u t o n o m i a d a e n f e r m e i r a n a b u s c a p a r a o b t e r

i n f o r m a ç ã o a f i m d e d i r e c i o n a r s u a r e s p o s t a

pr ofissional às dem andas do cuidado.

…no m om ent o da r ecepção m eu foco é obser v ar o

pacient e, reviso se deve repet ir a solução, que est e bem sua

venoclisis, se t em algum dreno, se est á seco, lhe pergunt o se

teve algum problem a no plantão anterior, vejo se tem algo pendente,

ent ão essa seria m inha avaliação… ( E8) .

A par t ir da inv est igação das necessidades e

co n d i çõ es d o p aci en t e, a en f er m ei r a i d en t i f i ca as

si t u açõ es q u e r eq u er em p l an ej am en t o d as açõ es/

int er ações de enfer m agem , pr ior izando as condições

cr ít icas dos pacient es e aplicações m edicam ent osas.

A pr ior ização im plica na at enção im ediat a, alt er ando

a sequência de suas at ividades cot idianas que exigem

a int er pr et ação das infor m ações colet adas, com base

em seus conhecim ent os, experiência clínica e valores

inst it uídos no hospit al.

…n a m an h ã ch ego e com eço a v er os pacien t es par a

c o n h e c ê - l o s , v e j o s e u s d i a g n ó s t i c o s m é d i c o s , q u e

car act er íst icas p od e t er q u an t o a sin t om as ou alg o q u e o

p er t u r b a, y b asead o em isso, v ou p r ior izan d o, se t em alg u m

p acien t e q u e t en h a alg u m cu id ad o q u e é m ais u r g en t e, lh e

d ou m ais at en ção a esse p acien t e ( E3 ) .

Na organização de seu t rabalho, a enferm eira

privilegia as aplicações de m edicam ent os na regulação

do t em po disponível, conform e o núm ero de pacient es

e p r e s c r i ç õ e s m e d i c a m e n t o s a s . Es s a a t i v i d a d e ,

r elacion ada à in dicação m édica, se r ev ela elem en t o

cen t r al d o co t i d i an o d as en f er m ei r as n o co n t ex t o

h ospit alar.

Prim eiro, vej o quant os pacient es t enho e de acordo a

isso vou com m eu carro, preparo m inhas ceringas com solução

fisiológica, j á depois vou pacient e por pacient e, porque se não

f aço assi m , i sso é p er d i d a d e t em p o p ar a ap l i cação d e

m edicam ent os ( E1) .

E, ain da, a r ealização das ações/ in t er ações de cuidado, baseadas nas necessidades do pacient e, in dicações m édicas e r ot in as est abelecidas segu em , às v ezes, pr ot ocolos de at enção int er ior izados pelas

e n f e r m e i r a s e m s e u c o t i d i a n o . A a u t o n o m i a d a

en f er m agem n a in st it u ição r ef let e- se n essas ações/ in t er ações qu e r esu lt am do j u lgam en t o pr of ission al

co m f i n a l i d a d e d e sa t i sf a ze r a s n e ce ssi d a d e s d o pacient e, v alor izando sua t om ada de decisões.

…n ão som en t e f azem os os cu id ad os seg u in d o as

indicações m édicas, geralm ent e o m édico visit a e vai em bora y

nos som os as que percebem os se o pacient e t em m udanças,

problem as o necessidades, ent ão nos t om am os decisões sobre o

que fazer com o pacient e ( E9) .

Na est r ut ura hospit alar, as ações/ int erações de cuidado t am bém seguem as r ot inas padr onizadas

e f u n çõ es i n st i t u íd as, p ar a d i sci p l i n ar o t r ab al h o , m ost r an do- se com o elem en t os dir ecion ador es.

…sem pre vam os novam ent e ao m esm o, regist rar sinais,

escrever regist ros de enferm agem , cont inuar com os cuidados

que indica o m édico que t rat a de cada pacient e, o que j á est á

est abelecido no serviço ( E7) .

O r egist r o das ações/ in t er ações de cu idado e das pr escr ições m édicas é consider ado fer r am ent a v aliosa da pr of issão, in st r u m en t o par a o cu idado e

r eq u er i m en t o l eg al , n o en t an t o , as en f er m ei r as o p er ceb em p ou co im p or t an t e e d esv alor izad o p elos

out ros profissionais no âm bit o de suas ações, alegando falt a de t em po para realizá- lo. Assim , os regist ros se

m o st r a m v a g o s, p o u co d e t a l h a d o s, i n co m p l e t o s, r epet it iv os e não ev idenciam o seu fazer.

Não regist ram os t odo o que fazem os porque sint o que

falt a t em po, t em plant ões nos que escrevo o m esm o que o últ im o

plant ão “ t udo igual” , creio que não t em os t em po para regist rar

det alhadam ent e nossas ações ( E13) .

Est abelecem , n o en t an t o, dif er en ça qu an do se t r a t a d e r eg i st r o s r el a ci o n a d o s à s p r escr i çõ es

m éd i cas, ao s q u ai s d ed i cam g r an d e p ar t e d e seu

t e m p o , c o n f r o n t a n d o - o s e a t u a l i z a n d o - o s e m d if er en t es m om en t os d o t u r n o, sob r et u d o aq u eles

r efer en t es às m u dan ças n os m edicam en t os.

…vam os revisando que coincidam as indicações m édicas

co m o r e g i st r o d e e n f e r m a g e m , co m o e u a d m i n i st r o o s

m edicam ent os, v olt o a r ev isar as indicações par a v er se foi

m udado algum t rat am ent o ou se est ão pendent es indicações

(6)

DI SCUSSÃO

O pr ocesso de en f er m agem com o ações de c u i d a d o r o t i n e i r o r e p r e s e n t a a v i v ê n c i a d a s en f er m eir as ao p r est ar o cu id ad o d ir ecion ad o p ela

avaliação das necessidades e condições dos pacient es,

planej am ent o das ações/ int er ações de enfer m agem ,

fazendo as ações/ int er ações de cuidado com m ais e

m en o s au t o n o m i a, e r eg i st r an d o - as p ar ci al m en t e.

Essas ações/ in t er ações d e n at u r eza p r escr it iv a, n a

m a i o r i a d a s v e z e s , t ê m r e s o l u ç ã o i m e d i a t a ,

p r ior izad as em r elação às con d ições p en d en t es, às

n ecessid ad es e con d ições d e r isco, h av en d o p ou co

t e m p o p a r a a e s c u t a a t e n t a o u r e l a ç ã o d e

pr ox im idade com os pacien t es.

A s s i m , p r e d o m i n a m a ç õ e s / i n t e r a ç õ e s

r ot in eir as d as en f er m eir as n o cot id ian o h osp it alar

com plexo, t ent ando responder por seu fazer rit ualist a,

incor por ado à cult ur a inst it ucional com o um a pr át ica

n or m al, ap r een d id a e ad ap t ad a( 1 2 ). As en f er m eir as,

diant e das condições da est r ut ur a or ganizacional, se

convert em em organism os at ivos capazes de m odelar

sua linha de at uação, baseando- se no que consideram

im por t an t e e sign if icat iv o( 1 0 ) e r ealizam o p r ocesso

d e en f er m ag em com o ações d e cu i d ad o r ot i n ei r o,

cu m p r i n d o a s t a r e f a s h a b i t u a i s e st a b e l e ci d a s n a

or gan ização( 7 ).

O p r o ce sso d e e n f e r m a g e m n o co t i d i a n o

hospit alar, por ém , passa desper cebido na ex pr essão

das enferm eiras ent revist adas, na m aioria das vezes,

com o se ex ist isse apenas no seu im aginár io, pois o

r ealizam dif er en t e do apr en dido, h av en do per da de

cont inuidade no seu fazer, não sendo um fazer viável,

sist em át ico e individualizado, para t odos os pacient es

sob sua responsabilidade. A dicot om ia ent re o ensino

e a p r át ica d essa m et od olog ia d e assist ên cia g er a

i n s e g u r a n ç a e d e s c r e n ç a n o s e s t u d a n t e s e

pr ofissionais ao ut ilizá- la( 13).

Essa sit uação r epr esent a um desafio par a a

p r of issão, g er an d o q u est ion am en t os sob r e a f or m a

m ais adequada de ensino do processo de enferm agem ,

su as est r at égias de oper acion alização n o en sin o de

cam po e int egração nos program as acadêm icos, além

d a i d eo l o g i a e si st em as d e v al o r es d o s d o cen t es.

Dessa f o r m a, t o r n a- se ex p l íci t a a n ecessi d ad e d e

m aior int er ação ent r e escolas e ser v iços, ar t iculando

f o r m ação p r o f i ssi o n al às p r át i cas p r o f i ssi o n ai s n a

s a ú d e( 7 - 8 ). O d e s c o m p a s s o e n t r e a p r á t i c a d a

enfer m agem no cot idiano hospit alar e a pr opost a de

e n si n o d o p r o ce sso d e e n f e r m a g e m p r e ci sa se r

enfr ent ado, na busca de est r at égias viáveis par a sua

ut ilização efet iv a nos ser v iços de saúde, de m odo a

a p o i a r a s a ç õ e s d e c u i d a d o d a s e n f e r m e i r a s . A

f or m ação cr ít ica dos en f er m eir os dev e eleger com o

elem en t os essen ciais o dim en sion am en t o da ciên cia

a p l i c a d a , o c o n h e c i m e n t o e a p r á t i c a d e

en f er m agem( 1 4 ).

A e n f e r m a g e m e n f r e n t a p r o b l e m a s d e

s o b r e c a r g a d e t a r e f a s e f a l t a d e t e m p o , s e n d o

op or t u n o r ealizar o p r ocesso d e en f er m ag em m ais

prát ico e reduzido, que focalize as necessidades at uais

d o p a ci e n t e , a ssu n t o e sse a se r r e f l e t i d o p e l a s

en f er m eir as, docen t es e est u dan t es par a en con t r ar

cam inhos v iáv eis na sua pr át ica( 15).

Nesse cont ex t o, as enfer m eir as r econhecem

q u e su as ações d e cu id ad o e u so d o p r ocesso d e

e n f e r m a g e m n o co t i d i a n o h o sp i t a l a r v ê m se n d o

com prom et idas, reflet indo na avaliação focalizada em

sinais, sint om as e necessidades do pacient e, com foco

nos aspect os físicos e sit uações cr ít icas do pacient e,

m ed i ad a p el o s co n h eci m en t o s ad q u i r i d o s, v al o r es

int eriorizados e significados at ribuídos ao at o de cuidar.

O p lan ej am en t o d as ações e in t er ações d e

cu idado, qu e ocu pa par t e im por t ant e do t em po das

en f er m eir as em seu cot idian o, é apen as per cebido,

or ien t ado por pr ot ocolos e r ot in as est abelecidas n o

serviço, que t êm sido int eriorizadas e seguidas com o

linhas de ação, at ravés do processo de int erpret ação.

A enferm eira, com o at or social, int erage com

seus par es, out r os pr ofissionais da saúde, pacient es

e f a m i l i a r e s d o c o n t e x t o h o s p i t a l a r, e f o r m u l a

i n d i c a ç õ e s d e c o n d u t a a p a r t i r d a s n o r m a s

in st it u cion ais e, desse m odo, or ien t a su a in t er ação

com ou t r os, alien an d o- se q u an d o d a r ealização d e

t a r ef a s d ef i n i d a s p el a i n st i t u i çã o d e sa ú d e, f a t o r

det er m in an t e de su as ações/ in t er ações de cu idado,

baseadas pr in cipalm en t e n as pr escr ições m édicas.

Além disso, as enfer m eir as ex ecut am ações/

int er ações de cuidado, dir ecionadas às necessidades

d o p a c i e n t e , m o s t r a n d o e x e r c íc i o a u t ô n o m o ,

f u n d a m e n t a d o e m co n h e ci m e n t o s e sa b e r e s, n o

raciocínio crít ico e t om ada de decisões, que evidenciam

superação do m odelo norm at ivo inst it uído, fort alecendo

sua nat ureza de agent e( 10). Dessa m aneira, o processo

de enfer m agem pr opor ciona ação aut ônom a per ant e

(7)

As en f er m eir as ex per im en t am a au t on om ia

quando cum pr em as m et as do cuidado do pacient e,

u t ilizan d o con h ecim en t os e h ab ilid ad es, d en t r o d o

cont ext o da com pr eensão e cont r ibuição ao plano de

cu idados, av alian do su as n ecessidades e con dições,

c o m u n i c a n d o p r e o c u p a ç õ e s e p r i o r i d a d e s ,

coordenando os recursos da equipe m ult idisciplinar( 16).

O p r ocesso d e en f er m ag em car act er iza- se

com o r ot in a n u m con t ex t o d e in t er ações lim it ad as par a o cu m pr im en t o de t ar efas, r ev elan do- se com o

a t i v i d a d e m e c â n i c a , o n d e a p r e s c r i ç ã o d e

en f er m ag em n ão r ef l et e a av al i ação i n d i v i d u al d o

p acien t e( 4 ). Esse con t ex t o in d ica a p er sp ect iv a d e

discussão cr ít ica do pr ocesso de t r abalho, na busca

dos benefícios que o processo de enferm agem poderia

int r oduzir na est r ut ur ação da pr át ica assist encial em

equipe, for t alecendo a int er ação social no t r abalho.

Ver ificou- se, nas obser vações e ent r ev ist as,

que as ações/ int er ações das enfer m eir as podem ser

car act er izad as com o or ien t ad as, p r in cip alm en t e, à

at en ção f ísi ca d o p aci en t e, ao s p r o ced i m en t o s d e

r o t i n a e p r o t o co l o s d e a t e n çã o e st a b e l e ci d o s n a

unidade, seguindo a pr escr ição m édica, cent r ados na

r e c e p ç ã o / e n t r e g a d e t u r n o , a d m i n i s t r a ç ã o d e

m edicam ent os, m ensur ação de sinais vit ais, r egist r os

clínicos de enfer m agem e encam inham ent os( 17).

CONSI DERAÇÕES FI NAI S

O co n h e ci m e n t o p r o d u zi d o n e st e e st u d o ,

a s s i m c o m o j á c i t a d o n a l i t e r a t u r a , p e r m i t i u

d escr ev er o p r o cesso so ci a l p r esen t e n a v i v ên ci a

d e e n f e r m e i r a s c l í n i c a s , n o q u e s e r e f e r e a o

pr ocesso de en f er m agem . Par a elas, esse pr ocesso

est á in t eg r ad o à su a p r át ica cot id ian a e r ealizad o

co m o a çõ es d e cu i d a d o r o t i n ei r o e d esp er ceb i d o ,

d i f e r e n t e d o a p r e n d i d o n a e s c o l a , i n c o r p o r a

p r ot ocolos d e at en ção est ab elecid os n o h osp it al e

m o st r a a d i sso ci a çã o e f a l t a d e co r r e sp o n d ê n ci a

en t r e o pr econ izado n o en sin o f or m al e o r ealizado

n o t r a b a l h o c o t i d i a n o , i n d i c a a n e c e s s i d a d e d a

ar t icu lação en t r e a t eor ia e a pr át ica e a bu sca de

e st r a t é g i a s q u e m i n i m i ze m e sse d i st a n ci a m e n t o ,

in cor p or an d o a f or m ação con t ín u a ao p r ocesso d e

t r a b a l h o , d e s a f i o e s s e q u e s e a p r e s e n t a p a r a

en f er m eir os da academ ia e da assist ên cia, a par t ir

d o p ar ad i g m a cr ít i co e r ef l ex i v o .

Con sider a- se qu e o est u do con t r ibu i par a a

com pr eensão do significado at r ibuído ao pr ocesso de

e n f e r m a g e m p o r u m g r u p o d e e n f e r m e i r a s d o

cont ex t o hospit alar, que pode ser obj et o de r eflex ão

e incent ivo para propost as de m udanças na form ação

e pr át ica de enfer m agem .

REFERÊNCI AS

1. Alfar o- Lefev r e R. Aplicação do pr ocesso de enfer m agem : u m g u ia p asso a p asso. 4 ª ed . Por t o Aleg r e ( RS) : Ar t es Méd icas Su l; 2 0 0 0 .

2. Thom az VA, Guir ar dello EB. Sist em at ização da assist ência de enfer m agem : pr oblem as ident ificados pelos enfer m eir os. Rev Nu r sin g 2 0 0 2 n ov em br o; 5 ( 5 4 ) : 2 8 - 3 3 .

3. Asociación Nacional de Escuelas de Enferm ería, A.C. ( MX) . Proceso de at ención de enferm ería: docum ent o básico. México ( DF) : Asociación Nacional de Escuelas de Enfer m er ía, A. C. ; 1 9 7 6 .

4 . Rossi LC, Casag r an d e RL. O p r ocesso d e en f er m ag em em u m a u n i d ad e d e q u ei m ad o s: u m est u d o et n o g r áf i co . Re v L a t i n o - a m En f e r m a g e m 2 0 0 1 s e t e m b r o / o u t u b r o ; 9 ( 5 ) : 3 9 - 4 6 .

5 . Lim a AFC. Sign if icados qu e as en f er m eir as assist en ciais d e u m h o s p i t a l u n i v e r s i t á r i o a t r i b u e m a o p r o c e s s o d e im plem en t ação do diagn óst ico de en f er m agem com o et apa d o S i s t e m a d e A s s i s t ê n c i a d e En f e r m a g e m - S A E. [ disser t ação] . São Paulo ( SP) : Escola de Enfer m agem / USP; 2 0 0 4 .

6 . Pér ez- Rod r íg u ez MT, Sán ch ez- Piñ a S, Fr an co- Or ozco M, I barra A. Aplicación del proceso de enferm ería en la práct ica hospit alar ia com unit ar ia en inst it uciones Del Dist r it o Feder al. Rev En f er m I MSS 2 0 0 6 en er o/ abr il; 1 4 ( 1 ) : 4 7 - 5 0 .

7 . Na sci m en t o K, Ba ck es D S, Ko er i ch MS, Er d m a n n AL. Sist em at ização da assist ência de enfer m agem : v islum br ando um cuidado int erat ivo, com plem ent ar e m ult iprofissional. Rev Esc En f er m USP 2 0 0 8 dezem br o; 4 2 ( 4 ) : 6 4 3 - 8 .

8 . Car v alh o EC, Sou za AM. O Sig n if icad o d e p r ocesso d e en f er m agem par a qu em o m in ist r a. Cogit ar e En f er m 2 0 0 8 j u lio/ set em b r o; 1 3 ( 3 ) : 3 5 2 - 6 0 .

9 . Ch ar on MJ. Sim bolic in t er act ion ism : an in t r odu ct ion , an int er pr et at ion, and int egr at ion. 8ª ed. New Jer sey : Pr ent ice Hall; 2 0 0 4 .

1 0 . Bl u m er H. Sy m b o l i c i n t er a ct i o n i sm : p er sp ect i v e a n d m et h od. En glew ood Clif f s: Pr en t ice- Hall; 1 9 9 8 .

11. St rauss A, Corbin J. Bases de la invest igación cualit at iva: t é c n i c a s y p r o c e d i m i e n t o s p a r a d e s a r r o l l a r l a t e o r ía f u n d am en t ad a. Med el l ín ( CO) : Un i v er si d ad d e An t i o q u i a; 2 0 0 2 .

1 2 . Man t zou k as S, Jasp er M. Ref lect iv e p r act ice an d d aily w ard realit y: a covert pow er gam e. J Clin Nurs 2004; 13: 925-3 925-3 .

(8)

15. Waldow VR. O cuidar hum ano: reflexões sobre o processo de enfer m agem v er sus pr ocesso de cuidar. Rev Enfer m agem UERJ 2 0 0 1 set em b r o/ d ezem b r o; 9 ( 3 ) : 2 8 4 - 9 3 .

1 6 . Go m e s AMT, Ol i v ei r a D C. Esp a ço a u t ô n o m o e p a p el p r ó p r i o : r e p r e se n t a çõ e s d e e n f e r m e i r o s n o co n t e x t o d o

b i n ô m i o sa ú d e co l e t i v a - h o sp i t a l . Re v Br a s En f e r m 2 0 0 8 m ar ço- ab r il; 6 1 ( 2 ) : 1 7 8 - 8 5 .

1 7 . Cost a R, Sh im izu HE. At iv id ad es d esen v olv id as p elos enfermeiros nas unidades de internação de um hospital-escola. Rev Latino-am Enferm agem 2005 setem bro/ outubro; 13(5): 654-62.

Referências

Documentos relacionados

Enferm agem de Ribeirão Preto, Universidade de São Paulo, Centro Colaborador da OMS para o Desenvolvim ento da Pesquisa em Enferm agem , Brasil, e- m ail: [email protected]..

Escola de Enferm agem de Ribeirão Pret o, da Universidade de São Paulo, Cent ro Colaborador da OMS para o Desenvolvim ent o da Pesquisa em Enferm agem , Brasil; 5 Enferm

Escola de Enferm agem de Ribeirão Pret o, da Universidade de São Paulo, Cent ro Colaborador da OMS para o Desenvolvim ent o da Pesquisa em Enferm agem , Brasil:.. 1 Artigo

em Enferm agem , Professor Adj unt o da Escola de Enferm agem da Universidade Federal da Bahia, e- m ail: lilian.enferm agem @bol.com .br; 3 Mestre em Enferm agem , Professor

da Escola de Enferm agem de Ribeirão Pret o, da Universidade de São Paulo, Cent ro Colaborador da OMS para o desenvolvim ent o da pesquisa em enferm agem , e-m ail:

Preto, da Universidade de São Paulo, Centro Colaborador da OMS para o desenvolvim ento da pesquisa em enferm agem , e-m ail: [email protected] .br; 3 Enferm eira, Professor Doutor

Professor Dout or da Escola de Enferm agem de Ribeirão Pret o da Universidade de São Paulo, Cent ro Colaborador da OMS para o desenvolvim ent o da Pesquisa em Enferm agem ,

1 Enferm eira; Doutor em Enferm agem , e- m ail: [email protected] .br; 2 Professor Doutor da Escola de Enferm agem de Ribeirão Preto, da Universidade de São Paulo,