As atividades por nós desenvolvidas estão sujeitas a abrangente legislação ambiental brasileira nas esferas federal, estadual e municipal. O cumprimento desta legislação é fiscalizado por órgãos e agências governamentais, ; e, eventual inobservância da legislação aplicável ou a ocorrência de dano ambiental podem ensejar a responsabilidade ambiental da Companhia e das Concessionárias em 3 (três) esferas diversas e independentes: (i) cível; (ii) administrativa; e, (iii) criminal.
Diz-se que as três esferas de responsabilidade mencionadas acima são “diversas e independentes” porque, por um lado, uma única ação do agente econômico pode gerar responsabilidade ambiental nos três níveis, com a aplicação de três sanções diversas. Por outro lado, a ausência de responsabilidade em uma de tais esferas não isenta necessariamente o agente da responsabilidade nas demais.
Assim, violações à Lei de Crimes Ambientais (Lei Federal nº 9.605/1998) podem ainda caracterizar crime ambiental, atingindo tanto os administradores da Companhia, que podem até ser presos, como a própria pessoa jurídica, que está sujeita a sanções penais como, por exemplo, a suspensão ou interdição de atividades do respectivo empreendimento, a perda de benefícios, tais como suspensão de financiamentos e não habilitação para certificação e concorrência, e incentivos fiscais. Nesse sentido, são considerados crimes ambientais, dentre outros, operar atividade potencialmente poluidora sem as devidas licenças ambientais, causar poluição de qualquer natureza ou danificar vegetação especialmente protegida.
Os diretores, administradores e outras pessoas físicas que atuem como nossos prepostos ou mandatários, e concorram para a prática de crimes ambientais atribuídos a nós, estão também sujeitos, na medida de sua culpabilidade, a penas restritivas de direitos e privativas de liberdade.
Adicionalmente, a Lei de Crimes Ambientais prevê a possibilidade de desconsideração da personalidade jurídica, relativamente à pessoa jurídica causadora da infração ambiental, sempre que essa for obstáculo ao ressarcimento de prejuízos causados à qualidade do meio ambiente.
Eventuais violações à legislação ambiental podem, ainda, acarretar penalidades administrativas, como multas de até R$50 milhões (aplicáveis em dobro ou no seu triplo, em caso de reincidência) e suspensão temporária ou definitiva de atividades, independentemente da ocorrência de dano ambiental. O funcionamento de atividade sem a competente licença de operação, ou em violação às normas aplicáveis, a título de exemplo, constitui infração ao art. 66 do Decreto nº 6.514/08, sujeitando os infratores a multas que podem variar de R$500,00 a R$10.000.000,00.
Ressalte-se que as sanções administrativas e criminais serão aplicadas independentemente da obrigação de reparar a degradação causada ao meio ambiente e a terceiros afetados.
Na esfera civil, os danos ambientais implicam responsabilidade solidária e objetiva, direta e indireta. Isto significa que a obrigação de reparar eventual degradação ambiental pode afetar a todos os direta ou indiretamente envolvidos, independentemente da comprovação de culpa dos agentes, sendo suficiente para a responsabilização do agente econômico a mera constatação de que uma ação ou omissão gerou dano ao meio ambiente.
Como conseqüência, os danos ambientais decorrentes de acidentes envolvendo o transporte de cargas perigosas nas rodovias por nós operadas, ou ainda, os danos ambientais ocasionados por eventual rompimento de dutos em decorrência de obras realizadas nestas rodovias, ainda realizadas por empresas terceirizadas, podem nos gerar a responsabilidade pela reparação dos danos causados.
Licenciamento Ambiental
A legislação ambiental brasileira determina que o regular funcionamento de atividades consideradas efetiva ou potencialmente poluidoras, ou que, de qualquer forma, causem degradação do meio ambiente, está condicionado ao prévio licenciamento ambiental. Este procedimento é necessário tanto para a instalação inicial e operação do empreendimento quanto para as ampliações nele procedidas, sendo que as licenças emitidas precisam ser renovadas periodicamente.
O licenciamento ambiental de atividades cujos impactos ambientais são considerados significativos está sujeito ao Estudo Prévio de Impacto Ambiental e seu respectivo Relatório de Impacto Ambiental (EIA/RIMA), assim como a implementação de medidas mitigadoras e compensatórias dos impactos ambientais causados pelo empreendimento. No caso das medidas compensatórias, a legislação ambiental impõe ao empreendedor a obrigação de destinar até 0,5% do valor total despendido na instalação do empreendimento à implantação e à manutenção de unidades de conservação, com base no grau de impacto ambiental detectado por meio do EIA/RIMA.
O processo de obtenção das devidas autorizações ou licenças ambientais pode ser dividido em dois níveis: • Intervenções de pequeno impacto ambiental ou com impactos localizados: são necessárias
autorizações dos respectivos órgãos ambientais estaduais ou municipais, e, em alguns casos, são dispensadas de licenciamento por resoluções específicas; e
• Intervenções de impacto ambiental de maior porte: demandam processo de licenciamento mais complexo, conforme descrito a seguir.
Para empreendimentos e atividades que possam causar degradação potencialmente significativa ao meio ambiente, tem-se um processo trifásico de licenciamento ambiental:
• Licença Prévia (“LP”): é concedida durante o estágio preliminar de planejamento do empreendimento, e fornece (i) aprovação para localização e concepção do empreendimento, (ii) a
viabilidade ambiental do empreendimento, e, (iii) os requisitos básicos a serem atendidos durante as fases subsequentes de implementação do empreendimento;
• Licença de Instalação (“LI”): autoriza a instalação do empreendimento, de acordo com as especificações constantes dos planos, programas e projetos aprovados pelas autoridades; e
• Licença de Operação (“LO”): autoriza a operação do empreendimento, após (i) o efetivo cumprimento das condicionantes previstas nas licenças descritas acima e (ii) confirmação pelas autoridades de que as medidas de controles ambientais requeridas para a operação tenham sido cumpridas.
A manutenção da validade das licenças mencionadas depende do cumprimento das condicionantes que forem estabelecidas pelo órgão ambiental licenciador. A ausência de licença ambiental, independentemente de a atividade estar ou não causando danos efetivos ao meio ambiente, caracteriza a prática de crime ambiental além de sujeitar o infrator a penalidades administrativas tais como multas que, no âmbito federal, podem chegar a R$10 milhões (aplicáveis em dobro ou no seu triplo, em caso de reincidência) e interdição de atividades.
As demoras ou indeferimentos, por parte dos órgãos ambientais licenciadores, na emissão ou renovação dessas licenças, assim como a eventual impossibilidade nossa de atender às exigências estabelecidas por tais órgãos ambientais no curso do processo de licenciamento ambiental, poderão prejudicar, ou mesmo impedir, conforme o caso, a instalação, ampliação e a operação dos nossos empreendimentos. Temos buscado obter as licenças e autorizações ambientais exigidas pela legislação ambiental aplicável para execução de suas atividades como, por exemplo, instalação de praças de pedágio, execução de obras e serviços de melhoria, construção e duplicação de rodovias, dentre outras
Unidades de Conservação
A Lei Federal nº 9.985/00 instituiu o Sistema Nacional de Unidades de Conservação (“SNUC”). De modo geral, as Unidades de Conservação (“UCs”) podem ser definidas como espaços territoriais com características naturais relevantes, legalmente instituídos pelo Poder Público, nas esferas federal, estadual e municipal, com objetivos de conservação e limites definidos, sob regime especial de administração, às quais se aplicam garantias adequadas de proteção. São exemplos dessas unidades: Estações Ecológicas, Reservas Biológicas, Parques Nacionais, Áreas de Proteção Ambiental (“APA”), Florestas Nacionais, dentre outras.
A interferência nas UC deve observar o disposto nos instrumentos legais que determinaram sua criação, bem como nos respectivos planos de manejo, e deve ser anuída por seus órgãos gestores.
Alguns de nossos empreendimentos atravessam ou estão localizados em UCs, a exemplo da Ecocataratas, que interfere com o Parque Nacional do Iguaçu. Nesses casos, buscamos obter as autorizações dos órgãos gestores das respectivas UCs.
Supressão de Vegetação
A supressão de exemplares arbóreos, ainda que isolados, de vegetação nativa existente ou Área de Preservação Permanente (“APP”), sem a autorização do órgão ambiental competente, quando necessária, sujeita a Companhia a penalidades administrativas que incluem multa, embargo e suspensão das atividades. A realização de nossas atividades e instalações de nossos empreendimentos requer, em grande parte dos casos, a intervenção em vegetação e, portanto, a obtenção das respectivas autorizações. Em que pese atuarmos no sentido de atender ao disposto na legislação aplicável, somos parte em alguns autos de infração e procedimentos investigatórios que têm por objeto a averiguação de intervenções irregulares em APPs e vegetação nativa, procedimentos esses que têm exigido a adoção de medidas de recuperação ambiental como, por exemplo, o plantio de árvores.
Resíduos Sólidos
Conforme sua composição e características, os resíduos sólidos podem ser classificados em: Classe I - perigosos; Classe II - não inertes; e Classe III – inertes. A periculosidade de um resíduo é a característica por ele apresentada segundo a qual, em função de suas propriedades físicas, químicas ou infecto-contagiosas,
pode apresentar risco à saúde pública e/ou riscos ao meio ambiente, quando manuseado ou destinado de forma inadequada.
O transporte, tratamento e destinação final adequados de um resíduo dependem da classe a que ele pertence e os projetos nesse sentido estão sujeitos à prévia aprovação do órgão ambiental competente. Vale observar que a atividade de tratamento de resíduos é passível de licenciamento, de maneira que as empresas contratadas para realizar essa atividade devem demonstrar sua regularidade quanto ao licenciamento ambiental.
A disposição inadequada, bem como os acidentes decorrentes do transporte desses resíduos podem ser um fator de contaminação de solo e águas subterrâneas e ensejar a aplicação de sanções nas esferas cível, administrativa e penal.
Buscamos efetuar o transporte e a disposição final dos resíduos oriundos de nossas atividades por meio de empresas licenciadas perante os órgãos ambientais e em conformidade com a legislação local aplicável, inclusive por meio de Certificados de Movimentação de Resíduos de Interesse Ambiental (“CADRI”), dentre outros protocolos aplicáveis.
Processos Ambientais
Nós e nossas Subsidiárias são rés em alguns procedimentos administrativos que, de modo geral, versam sobre vazamentos e acidentes ocorridos no transporte de produtos e substâncias perigosas, corte irregular de vegetação e interferência em APP. Com exceção das multas impostas à Ecovias Caminho do Mar, que totalizam R$700.000,00, as multas impostas por meio dos respectivos autos de infração não possuem valor relevante.
Ainda com relação aos processos ambientais, nossos empreendimentos são objeto de inquéritos civis e procedimentos preparatórios, instaurados pelo Ministério Público das respectivas jurisdições, com o objetivo de averiguar aspectos de sua regularidade ambiental como, por exemplo, danos ambientais decorrentes do vazamento de produtos químicos e passivos ambientais existentes em áreas protegidas. Esses procedimentos administrativos podem resultar em futuras ações civis públicas para reparação de danos ambientais.
Para nós, qualidade ambiental tem merecido especial atenção, uma vez que somos responsáveis pela administração e operação de complexos rodoviários que cortam boa parte de parques e vegetações nativas. Nossos princípios básicos da política ambiental são: (i) comprometimento com o atendimento da legislação ambiental; (ii) melhoria contínua do desempenho ambiental; (iii) busca da eficácia no tratamento de resíduos sólidos, efluentes, emissões de ruídos, bem como o atendimento a emergências; (iv) comunicação eficaz com as partes interessadas; e (v) conscientização funcionários, parceiros e fornecedores.
A preocupação em proteger o ecossistema local das rodovias que detém concessão tornou-se nossa missão. O Plano de Gestão Ambiental Integrada utilizado para a construção da pista descendente da Rodovia dos Imigrantes, por exemplo, tornou essa obra referência para a engenharia brasileira e modelo de gestão ambiental para técnicos do BID. A construção da Pista Descendente da Rodovia dos Imigrantes, com 21 quilômetros de extensão, foi um marco na engenharia brasileira. Cortando uma área que abriga um dos poucos remanescentes de Mata Atlântica no País, além dos delicados manguezais da Baixada Santista, a obra foi executada sob rigoroso cuidado com o meio ambiente. Para reduzir em 40 vezes a área de mata afetada de 40 hectares, contra os 1.600 registrados na década de 70, quando da construção da Pista Ascendente, o projeto original foi modificado. Optou-se pela execução de três túneis (8,2 quilômetros no total) e viadutos com maior espaçamento entre os pilares – dos 45 metros originais para 90 metros. Quando da construção da obra, para eliminar a contaminação dos mananciais da região, a água proveniente das escavações dos túneis passou por estações de tratamento. Foram quatro unidades instaladas, com capacidade total de processar até 700 mil litros/hora, ou seja, o equivalente ao que uma cidade com 360 mil habitantes necessita para abastecer toda a sua população. No replantio das árvores retiradas, utilizaram-se espécies nativas, com mudas produzidas em viveiros do Instituto Florestal. Durante a obra, as sobras de alimentos recolhidas no refeitório do canteiro principal, onde se serviam mais de 2.500 refeições/dia, eram armazenadas em câmaras frigoríficas até seu recolhimento final por veículo especial. Este canteiro possuía uma estação de tratamento de esgotos, para onde eram direcionadas as águas servidas. A nova pista da Rodovia dos Imigrantes é a única no Brasil dotada de um sistema de coleta de líquidos derramados (combustível ou produtos perigosos), que escoam, por gravidade, para caixas onde são recolhidos e tratados adequadamente.
SEGUROS
Contratamos apólices de seguros junto a grandes seguradoras brasileiras, líderes em seus mercados de atuação, para cobertura de uma série de riscos operacionais e apólices de Seguro Garantia para cobertura de determinadas obrigações contratuais. Acreditamos que as apólices de seguro contratadas por nós e nossas controladas possuem coberturas e condições compatíveis com as atividades por nós desenvolvidas e correspondem às práticas usuais de mercado. Contudo, não podemos garantir que os valores cobertos sejam suficientes para nos proteger de eventuais perdas e danos decorrentes de sinistros que possam ocorrer. No entanto, caso eventuais coberturas sejam insuficientes, eventual complementação de valor por nós e nossas controladas não afetarão adversamente nossas atividades.
As principais características das coberturas de seguros são:
a) Seguro Garantia: As apólices de seguro garantia são contratadas em cumprimento às obrigações estabelecidas nos contratos de concessão em que são partes as nossas Controladas e possuem cobertura para os prejuízos decorrentes do inadimplemento das obrigações assumidas e devem ser mantidas válidas ao longo do prazo da concessão. As garantias tem valores e metodologias de cálculos específicos de acordo com obrigações de cada contrato de concessão. Os valores em risco das apólices de seguro garantia em 31 de dezembro de 2009 somam ,aproxidamente, R$768 milhões, dos quais aproximadamente R$614 milhões são de apólices contratadas pela Ecovias dos Imigrantes e Ecopistas.
b) Seguros Operacionais: As apólices de seguros operacionais contratadas devem ser mantidas válidas ao longo do prazo da concessão e obedecem aos requisitos mínimos dos contratos de cada concessão. As principais coberturas são: responsabilidade civil, riscos de engenharia, riscos patrimoniais e perda de receita. Os limites de indenização contratados nas apólices em 31 de dezembro de2009 variam de aproximadamente R$200 mil a R$57 milhões.
c) Seguro para Operador Portuário: A apólice de seguro para operador portuário contratada pelo Ecopátio Cubatão é um seguro compreensivo para empresas que executam operação de carga, descarga, movimentação e armazenagem de mercadorias na área portuária ou retro-portuária (área de suporte ao porto); engloba os riscos inerentes à atividade portuária tais como: responsabilidade civil e danos materiais para bens móveis e imóveis. O limite de indenização contratado na apólice em 31 de dezembro de2009 varia de R$5,6 milhões a R$12 milhões.
d) Seguro de Responsabilidade Civil Geral de Administradores (D&O): A companhia tem contratada uma apólice de seguro D&O, que possui cobertura para eventuais custos associados aos processos judiciais resultantes da má conduta dos diretores, acionistas, controladores e administradores no exercício das atividades, com limite máximo de indenização fixado em R$50 milhões.
e) Riscos de Engenharia: A Ecopátio Imigrantes figura como segurada nas apólices de riscos de engenharia, riscos diversos empresariais e de responsabilidade civil contratadas pela Racional Engenharia Ltda., com cobertura contratada para execução das obras civis e limites máximos de indenização em 31 de dezembro de 2009 variando de R$50 mil a R$72 milhões. Para mais informações sobre o empreendimento Ecopátio Imigrantes, vide Seção “Nossas Atividades de Logística”, item “Ecopátio Imigrantes”, na página 131 deste Prospecto.
f) Responsabilidade Civil: Nossas Controladas possuem apólices de seguro contratadas com cobertura para responsabilidade civil, figurando como segurados o DER, a ANTT e a ARTESP, incluindo o pagamento de indenizações e quantias pelas quais viremos a ser condenados, em sentença judicial transitada em julgado ou em acordo judicial autorizado de modo expresso pela seguradora, relativas a reparações por danos físicos à pessoa, danos materiais, danos morais e prejuízos causados a terceiros, com limites máximos de indenização variando de aproximadamente R$300.000,00 a R$57 milhões.
PROPRIEDADE INTELECTUAL