Riley inclinou-se para frente no banco do motorista para tentar enxergar melhor através do para-brisas. Os flocos de neve reluziam em seus faróis. Ela esperava ficar longe da neve após deixar os pontos mais altos, perto do Bryce Canyon. De fato, já não havia neve no chão, mas aqueles pequenos flocos tinham começado a cair momentos antes.
Felizmente, Riley ainda estava conseguindo diferenciar o asfalto do fim da pista. Enquanto pudesse ver essa diferença, ela seguiria confiante de que não sairia da estrada.
No entanto, suas preocupações eram outras.
Será que passei da entrada? Pensou.
Ela já não via placas sinalizando sobre o Delphi Resort há algum tempo.
Estava com raiva de si mesma por não ter certeza de que encontraria o caminho. Mas por que Crivaro não estava ali para ajudá-la ao invés de estar na cama, nos fundos do motor home, aparentemente dormindo?
Riley sabia que Jake estava cansado, e ele parecia estar de péssimo humor. Mas ele não poderia pelo menos ficar acordado para ajudá-la a seguir pelo caminho certo naquela estrada
desconhecida e cheia de neve?
Riley pensou em gritar para tentar acordá-lo.
Mas então, viu uma placa com uma seta:
DELPHI RESORT – MOTOR HOMES E TRAILERS
- Até que enfim! – murmurou em voz alta.
Riley fez a curva com todo cuidado possível, e mesmo assim seu veículo teve dificuldades de mudar de direção para entrar na rota privada que levava ao camping.
O que a fez resmungar em pensamento...
Pelo menos Crivaro não está acordado para reclamar do jeito que eu dirijo.
A estrada era bem pavimentada e larga o suficiente para que veículos muito maiores que o dela viajassem confortavelmente.
Ainda assim, sua mente ocupou-se com outras preocupações. O que exatamente ela planejava fazer quando chegasse ao camping?
Claro, sua intuição era forte, mas uma simples intuição não servia de nada quando não se sabia o que fazer com ela.
Riley deveria entrar na recepção exigindo respostas de quem quer que fosse o responsável pelo local?
Haveria um responsável pelo local?
Era tarde, e provavelmente a recepção estaria fechada. Então, o que ela poderia fazer?
Em momentos como aquele, Riley percebia o quão inexperiente era como agente. Às vezes ela simplesmente não sabia o que fazer.
Talvez, um dia, aprenderia, mas naquele momento, esse dia parecia estar longe.
Suspirou ao pensar...
Vou ter que acordar Crivaro quando chegar lá.
E ele não ficaria nada feliz.
Depois de um caminho curto, Riley chegou à entrada do camping.
O portão tinha dois pilares grandes e brancos com luzes no topo. O motor home estava parado em uma leve subida, e Riley pode ver terrenos bem cuidados com caminhos iluminados. Ela passou pela entrada e parou logo depois para poder enxergar melhor o local. Viu um impressionante conjunto de prédios e alguns motor homes
grandes, lado a lado, do outro lado.
A neve fazia a paisagem ficar mais estranha, fazendo tudo parecer uma daquelas cenas montadas dentro de globos que
serviam como peso de papel. Com suas árvores e jardins em meio ao camping, o Delphi parecia um bairro rico, com motor homes e trailers no lugar de casas. Para Riley, o local se parecia mais com o cenário de um conto de fadas do que com o camping de Spring View, no Arizona, com toda sua decoração da Nova Era.
Ela lembrou-se novamente de como as mulheres no Spring View haviam descrito o Delphi...
“... um lugar muito abençoado ...”
Riley precisava admitir, a vista era mesmo charmosa com a neve sendo iluminada pelas luzes da rua.
Então, percebeu que algo estava se movimentando. Um motor home branco, grande, havia saído de sua vaga e estava virando-se
em direção à entrada onde ela estava. Riley achou estranho.
Perguntou-se porque alguém estaria saindo àquela hora da noite, especialmente agora, em meio à neve.
Mas estava vindo—um veículo enorme, devagar, em sua direção.
Ao se aproximar, Riley pode ver que se tratava de Winnebago com uma listra do lado.
Uma listra vermelha? Ela imaginou, lembrando-se da descrição que o sargento Gray dera para o veículo do viajante solitário.
Imaginou que pudesse ser, mas era difícil ter certeza da cor por conta das luzes fracas e da neve.
Perguntou-se, então, se intuição estivera certa no final das contas.
Poderia ser o assassino?
Se fosse, por que ele estaria deixando aquele lugar tão elegante?
Para onde ele poderia estar indo? E o mais importante—ele estaria sozinho?
Riley alertou a si mesma para não tirar decisões precipitadas. Ela não tinha ideia de quem poderia estar dirigindo aquele veículo. Mas como ela descobriria?
Mais uma vez, pensou em gritar com Crivaro para acordá-lo e pedir sua ajuda, mas já não havia tempo. O outro motor home estava começando a acelerar.
Riley deu um sinal de luz, esperando que o outro motorista ao menos diminuísse a velocidade.
Ele não diminuiu.
Riley sentiu-se totalmente desconfortável. Ela tinha certeza de algo—não deixaria aquele veículo passar sem confrontar
pessoalmente o motorista. Inclusive, considerou abaixar seu vidro para mostrar seu distintivo. Mas teve certeza de que não o faria parar.
Ele estaria fora do camping em alguns segundos se ela não fizesse algo imediatamente.
Riley deu uma pequena ré em seu motor home, depois virou o volante com toda força possível ao arrancar novamente. Com seu veículo atravessado na estrada, percebeu que estava bloqueando a passagem do Winnebago.
Mas o gigante branco virou bruscamente para a esquerda. O motorista obviamente estava tentando passar entre o motor home de Riley e o pilar de entrada.
Não posso deixar, Riley pensou.
Ele deu a ré mais uma vez, completamente ciente de que o motorista não pretendia parar, e preparou-se para a batida.
O motor home gigante colidiu contra o dela, e Riley seguiu firme no volante para que seu veículo não virasse.
Mas de nada adiantou.
Seu motor home cambaleou com violência.
O mundo inteiro pareceu balançar a seu redor.
Riley bateu forte contra algo quando seu motor home tombou para o lado.