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CAPÍTULO VINTE E UM

No documento A M E A Ç A N A E S T R A D A (páginas 143-147)

A pressa do Agente Crivaro em voltar para a estrada praticamente fez com que Riley ficasse sem ar. Pedaços de

cascalho saltavam atrás do motor home enquanto o veículo saía em velocidade do camping Spring View.

- O que foi? – Riley perguntou.

- Eu já te disse – Crivaro respondeu. – Parece que estamos prestes a pegar esse cara.

Jake não disse mais nada. Apenas olhou para a estrada com uma expressão fechada enquanto dirigia. Riley perguntou-se se ele pretendia dar mais alguma explicação.

- Como você sabe? – perguntou.

Crivaro olhou para Riley como se tivesse esquecido de sua presença. Depois, respondeu:

- Quando falei com o gerente ali, ele me deixou ver alguns nomes de pessoas que haviam passado pelo camping e ido embora

recentemente. Eu cruzei a lista com os nomes que tínhamos das pessoas que estavam no Wren’s Nest quando Brett Parma estava lá. Encontrei um nome—David Hunter. Ele saiu do Wren’s Nest na manhã depois da morte de Brett Parma. E de acordo com os

registros, saiu do camping Spring View há pouco tempo.

A expressão de Crivaro parecia ainda mais determinada quando o motor home entrou na primeira das quatro pistas da rodovia

interestadual.

Ele acrescentou:

- Tenho o número da placa de Hunter e uma descrição do motor home dele—um Classe A, grande. Melhor ainda, o registro mostrou para onde ele pretende ir. Ele está a caminho do camping de Cherry Rock. Fica no caminho daqui para o Grand Canyon, e com certeza ele pegou a interestadual, que é o que nós vamos fazer. Já liguei para o comandante Wilson para que ele faça um comunicado para os policiais nas blitz, e já vamos colocar alguém de prontidão no camping para onde ele supostamente está indo.

Riley forçou seu cérebro para processar todas aquelas informações.

Ela podia entender a animação de Crivaro. David Hunter não só havia estado nos dois campings onde as duas mulheres haviam se hospedado, mas também estivera exatamente nas mesmas datas que elas. E ele tinha o tipo de motor home que eles estavam

procurando. Tudo aquilo não parecia coincidência.

Aquelas informações pareciam provar que Crivaro também

estivera certo sobre os bloqueios nas rodovias, e que portanto Riley estivera errada. O assassino não havia fugido, como ela temera—

pelo menos não se ele estivesse de fato a caminho de um bloqueio naquele momento, o que parecia provável.

Mesmo assim...

Riley perguntou-se se deveria externar suas dúvidas para Crivaro.

Por exemplo—como eles poderiam ter certeza de que David Hunter não havia mentido ao escrever seu próximo destino no

formulário? Se ele estivesse ao menos desconfiado de que a polícia estava atrás dele, por que ele teria dito a verdade?

Mas então, ela deu-se conta de algo. Mesmo se Hunter fosse em uma direção diferente, ele acabaria encontrando um bloqueio na estrada, já que havia policiais por todos os lados em Sedona.

Riley tentou se acalmar. Afinal, parecia mesmo que aquela investigação estava próxima do fim. O que a fez imaginar...

Como vou me sentir ao olhar na cara desse monstro?

O telefone de Crivaro tocou. Ele retirou o aparelho do bolso e o entregou a Riley.

- Atenda – disse. – Coloque no viva-voz.

Riley atendeu a ligação, vinda de Jay Faulkner, o legista que eles haviam conhecido horas antes.

Faulkner disse a Riley e Crivaro:

- Estou começando a trabalhar no corpo da última vítima, e já fiz o que você pediu e chequei as unhas. Também cruzei com os dados do Paco sobre a outra vítima. As duas têm fibras te algodão debaixo das unhas.

- Tecido? – Crivaro perguntou, esperançoso.

Faulkner respondeu:

- Não. Não são linhas. Parece reciclado—do tipo que você encontra em isolamentos acústicos.

Riley e Crivaro olharam-se.

Faulkner continuou:

- Como eu disse, só estou começando, mas pensei que você fosse querer saber disso.

- Com certeza – Crivaro respondeu. – Obrigado por ligar. Diga-nos se você descobrir mais alguma coisa.

- Pode deixar – Faulkner respondeu, e encerrou a ligação.

Com a expressão sombria, Crivaro dirigiu em silêncio por alguns segundos.

Depois, disse a Riley:

- Acho que você está pensando o mesmo que eu.

Riley assentiu e respondeu:

- Sim, provavelmente estamos certos. Ele escolheu um lugar do veículo dele onde as vítimas morrem—provavelmente um banheiro.

E colocou isolamento acústico nesse lugar para que ninguém ouça as vítimas gritando.

Crivaro balançou a cabeça.

- Senhor, que nojento. Pelo menos podemos estar certos de uma coisa. Quando ele for parado em uma blitz, os policiais não vão ter muito trabalho para encontrar evidências dos crimes.

Riley engoliu em seco ao perceber que Jake estava certo. Ela imaginou como seria o tal banheiro, com isolamento acústico em volta do chuveiro ou da privada.

Além disso, agora, o isolamento acústico deveria estar manchado com o sangue das duas mulheres assassinadas.

Não, os policiais não vão ter que procurar muito, pensou.

Enquanto o motor home seguia em direção ao norte, Riley surpreendeu-se ao ver a paisagem mudando. Não havia mais cactos, e logo os arenitos e montanhas ficaram para trás.

Claramente, eles estavam indo para um lugar mais alto. À beira da estrada, muitas árvores altas—pinos, Riley imaginou. Ela teve

dificuldades em acreditar que eles ainda estavam no mesmo estado.

Depois de cerca de uma hora na rodovia, o telefone de Crivaro tocou novamente, e Riley o colocou no viva-voz. Dessa vez, era o comandante Wilson quem estava ligando.

Ele perguntou:

- Onde vocês estão nesse momento?

- Na rodovia, indo para o norte, com direção a Flagstaff – Crivaro disse.

- Já passaram pelo bloqueio? – Wilson perguntou.

- Não, mas estamos quase lá.

- Que sorte então. Os tiras lá pararam o cara que vocês estão procurando. Mesma placa, mesmo tipo de veículo, mesmo nome—

David Hunter. Eles vão deixar ele prontinho para quando vocês chegarem.

Crivaro olhou para Riley sorrindo e disse:

- Pegamos ele! Pegamos ele mesmo!

Riley desejou que Jake estivesse certo.

No documento A M E A Ç A N A E S T R A D A (páginas 143-147)