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Eva T. dos SANTOS; Karina A. da SILVA; Maikon B. ESTADULHO 1Docente do Curso Graduação e Pós-Graduação em Geografia – CPAQ/UFMS; 2Aca-

dêmica do Curso de Licenciatura em Geografia - CPAQ/UFMS; 3Acadêmico do Curso

de Licenciatura em Geografia - CPAQ/UFMS [email protected]

Palavras-chave: Óbitos, internações, geografia da saúde Introdução

Atualmente, a preocupação com a saúde humana e sua relação com o ambiente são assuntos bastante discutidos. Nesse processo, a Geografia Médica e a Geografia da Saúde exercem papel relevante, pois os aspectos sociais e ambientais são na maioria das vezes os grandes responsáveis pelos problemas que afligem a saúde da população. “A Geografia Médica tem por fim o estudo da distribuição e da prevalência das doenças na superfície da terra, bem como de todas as modificações que nelas possam advir por influência dos mais variados fatores geográficos e humanos” [1].

É nesse aspecto que é possível compreender a importância dos aspectos sociais e econômicos na saúde da população. Nesse sentido, a Geografia da Saúde exerce um papel de grande importância, pois para ela a saúde “não é apenas a ausência de doen- ças, e sim, a expressão do bem-estar físico, mental e social.” Assim, percebe-se que se “torna cada vez mais difícil isolar o doente de sua realidade socioeconômica.” [2].

No Brasil, as doenças do aparelho circulatório (DAC), correspondem à primeira causa de óbito em todas as regiões, em ambos os sexos, sendo responsáveis por 31,8% do total de óbitos e por 10% das internações, bem como pela proporção mais alta de mortes prematuras, seguidas do câncer [3].

Além disso, o rápido envelhecimento populacional é a mudança demográfi- ca mais marcante observada em países em desenvolvimento, a partir da segunda metade do século XX. Esse fenômeno, inicialmente observado em países mais de- senvolvidos, assume, naqueles, uma velocidade sem precedentes na história da humanidade. O Brasil não foge a essa regra, destacando-se em três aspectos: o envelhecimento de sua população tem sido gradual e contínuo; o segmento idoso é o que mais cresce no país; e o número absoluto de idosos se apresenta com valores elevados, constituindo-se na sexta maior população idosa do mundo. Tais caracte- rísticas conduzem a importantes repercussões na demanda aos serviços de atenção e assistência à saúde [4].

E2 | C OM U N IC A Ç ÕE S OR A IS Objetivos

Analisar a variação geográfica da morbi-mortalidade da população nos municí- pios de Aquidauana e Anastácio/MS, Estado de Mato Grosso do Sul, no período de 1996 a 2011, bem como identificar os principais tipos de doenças causadoras de óbitos, além de descrever as internações hospitalares de idosos, avaliando os gastos do Sis- tema Único de Saúde (SUS) com as internações no período e municípios em estudo.

Metodologia

O recorte temporal foi o período compreendido entre os anos 1996 a 2011, em função da disponibilidade dos dados para a área em estudo. Como recorte espacial foram escolhidos os municípios de Aquidauana e Anastácio, por se verificar uma relativa escassez de estudos sobre a espacialização de dados relacionados à saúde e suas possíveis correlações com os fatores ambientais.

Foram utilizadas como fontes para a realização deste trabalho o Instituto Bra- sileiro de Geografia e Estatística (IBGE), para coleta dos dados censitários sobre a população residente e o Departamento de Informática do Sistema único de Saúde (DATASUS), através de seu sistema online cujo banco de dados é alimentado pelo SISNAC, IBGE e SIM, na coleta de dados sobre óbitos segundo ano de óbito, sexo, morbidade, faixa etária para cada um dos municípios escolhidos.

Foram produzidos gráficos e tabelas para a representação dos dados analisados. Resultados

No Município de Anastácio-MS no que se refere à mortalidade por doenças do apa- relho circulatório segundo faixa etária, observou-se a maior parte dos óbitos (26,75%) com idade entre 70 e 79 anos, seguida da faixa etária de 80 anos e mais (23,10%) e 50 a 59 anos (21,88%). Com isso, percebe-se que 71,73% da mortalidade por doenças do aparelho circulatório ocorreram a partir de 60 anos. Esta causa foi responsável por 30,11% do total de óbitos no município para o período em estudo (Figura 1).

No município de Maringá, as causas externas ocuparam a terceira posição no total de óbitos ocorridos no ano de 1996, representando 11,90% dos óbitos [5].

Verifica-se na figura 2, que dentre as três principais causas de mortalidade, encontradas para o Município de Anastácio-MS, a mortalidade por Causas externas de morbidade e mortalidade ocupou a segunda posição com 12% do total de óbi- tos. Quanto à distribuição dos óbitos segundo faixa etária, no município de Anas- tácio- MS no período de 1996 a 2011, observou-se -que a maior parte de óbitos (20,69%) ocorreu em idade entre 20 e 29 anos, seguida a faixa etária de 30 a 39 anos (19,92%), e 40 a 49 anos (15,71%). Com isso, entende-se que 56,32% da mortalidade por causas externas de morbidade e mortalidade ocorreram entre 20 e 49 anos.

Em relação à mortalidade por neoplasias, no Brasil, nos anos de 2000 a 2005 ocorreram 507.174 óbitos por neoplasias em pessoas acima de 60 anos [6].

Fato semelhante pode ser verificado em relação à mortalidade por neoplasias segundo faixa etária, no município de Anastácio- MS no período de 1996 a 2011, onde apresentou a maior parte de óbitos (25,10%) com idade entre 70 e 79 anos, seguida a faixa etária de 60 a 69 anos (20,39%), e 40 a 49 anos (19,22%). Com isso,

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Fonte: MS/SVS/DASIS - Sistema de Informações sobre Mortalidade –(SIM) Figura 1. Total de Óbitos segundo Faixa Etária - Doenças do aparelho circulatório -

Anastácio/MS - 1996 a 2011

Fonte: MS/SVS/DASIS - Sistema de Informações sobre Mortalidade – (SIM) Figura 2. Total de Óbitos segundo Faixa Etária - Causas externas de morbidade e mortal-

idade- Anastácio/MS - 1996 a 2011

Fonte: MS/SVS/DASIS - Sistema de Informações sobre Mortalidade – (SIM) Figura 3. Total de Óbitos segundo Faixa Etária -Neoplasias - Anastácio/MS - 1996 a 2011

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entende-se que 64,71% da mortalidade por neoplasias ocorrem a partir de 60 anos. Esta causa foi responsável por 11% do total de óbitos no município para o período em estudo (Figura 3).

As doenças do aparelho circulatório (DAC), por sua importância e magnitude, cons- tituem-se em um dos mais importantes problemas de saúde da atualidade no Brasil. Elas correspondem à primeira causa de óbito em todas as regiões do país, em ambos os sexos, sendo responsáveis por 31,8% do total de óbitos e por 10% das internações [7].

Na figura 4, verifica-se que em Aquidauana-MS, também foram a principal causa de mortalidade, sendo que em relação a faixa etária houve (28,68%) com idade en- tre 80 anos e mais, seguida da faixa etária de 70 a 79 anos (26,69%), e 60 a 69 anos (20,70%). Com isso, entende-se que 76,07% da mortalidade por doenças do aparelho circulatório ocorrem a partir de 60 anos.

Na análise de causas de óbitos no período de 1998 a 2007, verificou-se que no es- tado de Mato Grosso do Sul as neoplasias ocupavam o 2º lugar como causas de mortes, correspondendo a 13,78 % das mesmas [8].

Assim, a mortalidade por neoplasias segundo faixa etária, no município de Aqui- dauana-MS no período de 1996 a 2011, sendo que a maior parte de óbitos (23,61%) ocorreram a partir de 80 anos e mais, seguida da faixa etária de 70 a 79 anos (20,21%), e 60 a 69 anos (18,07%).

Fonte: MS/SVS/DASIS - Sistema de Informações sobre Mortalidade – (SIM) Figura 4. Total de Óbitos segundo Faixa Etária - Doenças do aparelho circulatório -

Aquidauana/MS - 1996 a 2011

Com isso, entende-se que 64,71% da mortalidade por neoplasias ocorreram a partir de 60 anos. Esta causa foi responsável por 12,42% do total de óbitos no pe- ríodo em estudo (Figura 5).

Já na figura 6, observa-se a mortalidade por doenças do aparelho respiratório segundo faixa etária, no município de Aquidauana-MS no período de 1996 a 2011, onde a maior parte de óbitos (34,38%) foi para a faixa etária com 80 anos e mais, seguido da faixa etária de 70 a 79 anos (23,71%), e 60 a 69 anos (13,60%). Com isso,

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entende-se que 71,69% da mortalidade por doenças do aparelho respiratório ocorrem a partir de 60 anos.

Os dados do SIM organizados segundo as causas agrupadas de acordo com o CID-10 revelam ainda que, entre 1997 e 2007, as doenças do aparelho respiratório (CID-10, Cap. 10) constaram entre as cinco principais causas de óbito no Brasil [9].

No que se refere à morbidade hospitalar dos idosos do município de Anastácio, no grupo das doenças do aparelho circulatório, as três principais causas totalizaram 60,00% das internações no período de 2008 a 2012 (Tabela 1).

Em Aquidauana/MS, o grupo das doenças do aparelho circulatório, as três princi- pais causas totalizaram 64,00% das internações no período de 2008 a 2012 (Tabela 2).

Quanto aos gastos com as internações, em Aquidauana/MS, no respectivo pe- Fonte: MS/SVS/DASIS - Sistema de Informações sobre Mortalidade – (SIM) Figura 5. Total de Óbitos segundo Faixa Etária -Neoplasias - Aquidauana/MS - 1996 a 2011

Fonte: MS/SVS/DASIS - Sistema de Informações sobre Mortalidade – (SIM) Figura 6. Total de Óbitos segundo Faixa Etária- Doenças do aparelho respiratório -

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Tabela 1. Total de internações para as três principais causas e respectivos custos no município de Anastácio/MS – 2008 a 2012

Tabela 2. Total de internações para as três principais causas e respectivos custos no município de Aquidauana/MS – 2008 a 2012 Morbidade Hospitalar Capítulo CID 10 Morbidade Hospitalar Causa CID 10 Total de internações

Valor total gasto com internações (R$) Dias de permanência IX. Doenças do aparelho circulatório Hipertensão primária 54 11.711,76 195 Insuficiência cardíaca 117 213.561,11 637 Acidente vascular cerebral 95 93.198,86 517 X. Doenças do aparelho respiratório Pneumonia 280 279.660,84 1687 Asma 81 39.924,89 413 Bronquite e enfisema 60 55.221,01 396 XI. Doenças do aparelho digestivo Hérnia inguinal 37 17.749,64 86 Gastrite e duodenite 53 11.504,13 230 Colelitíase e colecistite 85 44.910,61 331 Morbidade Hospitalar – Capítulo CID 10 Morbidade Hospitalar

– Causa CID 10 internaçõesTotal de

Valor total gasto com internações (R$) Dias de permanência IX. Doenças do aparelho circulatório Hipertensão primária 137 33.980,57 512 Insuficiência cardíaca 375 341.920,78 1.949 Acidente vascular cerebral 149 177.463,80 1.054 X. Doenças do aparelho respiratório Pneumonia 566 632.229,24 3.471 Outras doenças do aparelho respiratório 100 284.857,96 947 Bronquite e enfisema 136 132.775,67 792 XI. Doenças do aparelho digestivo Hérnia inguinal 79 37.812,29 194 Gastrite e duodenite 46 9.435,90 201 Colelitíase e colecistite 182 96.592,42 713 Fonte: MS/SVS/DATASUS Fonte: MS/SVS/DATASUS

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ríodo as três principais causas representaram o valor de R$3.001.682,60. Em Anas- tácio/MS foram gastos no mesmo período com as três principais causas o total de R$1.500.955,68 (Tabelas 1 e 2).

De forma semelhante, no levantamento do perfil das internações hospitalares da população idosa brasileira (60 ou mais anos de idade), as doenças do aparelho circulatório, respiratório e digestivo foram responsáveis por 60% das internações entre os idosos. As três causas mais frequentes de internações entre idosos, de ambos os sexos, foram insuficiência cardíaca, bronquite/enfisema e outras doenças pulmonares obstrutivas crônicas, seguidas pelas pneumonias [10].

Conclusões

Neste trabalho observou-se que, para os dois municípios analisados, no período es- tudado as doenças do aparelho circulatório representaram a primeira causa de morte. Além disso, no município de Aquidauana as doenças do aparelho circulatório cor- respondem à primeira causa de óbitos, responsável por 30,23% do total de óbitos, seguido das neoplasias (12,42%), e doenças do aparelho respiratório (11,28%). Fato semelhante verifica- se no município de Anastácio em relação às doenças do aparelho circulatório com 30,11% das causas de óbitos, seguido das causas externas de morbi- dade e mortalidade (12%), e neoplasias (11%). Com isso, entende- se que Aquidauana apresenta a maior taxa de mortalidade dentre as três principais causas, totalizando 53,85% dos óbitos.

Quanto aos gastos com as internações, em Aquidauana/MS, no respectivo pe- ríodo as três principais causas representaram o valor de R$3.001.682,60. Em Anas- tácio/MS foram gastos no mesmo período com as três principais causas o total de R$1.500.955,68.

Desta forma, o trabalho revela a importância de se conhecer o perfil de mor- talidade em tais municípios, identificando as principais causas de óbitos, no qual poderão auxiliar no monitoramento e planejamento das ações de saúde.

Referências

[1] Pessoa, S. B. (1960), Ensaio Médico-Sociais. Rio de Janeiro: Livraria Editora Guanabara, koogan S.A.

[2] Sant’Anna Neto, J. L.; Souza, C. G. (2008), Geografia da saúde e climatologia médica: ensaios sobre a relação clima e vulnerabilidade. Hygeia, Uberlândia, v. 4, n. 6, p. 116-126, jun.

[3] Cesse, E. A. P.; Carvalho, E. F.; Souza, W. V.; Luna, C. F.(2009), Tendência da mortalidade por doenças do aparelho circulatório no Brasil: 1950 a 2000. Arq Bras Cardiol. V. 93 (5): 490- 497.

[4] Jorge, M. H. P de M; Laurenti, R.; Lima-Costa, M. F.; Gotlieb, S. L. D.; Chiave¬- gatto Filho, A. D. P. (2008), A mortalidade de idosos no Brasil: a questão das causas mal definidas. Epidemiologia e Serviços de Saúde, v.17, n.4, p.271-281, Brasília-DF.

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[5] Fonzar, U. J. V.; Soares, D. F. P. P.; Santil, F. L. P. (2002), Espacialização das três principais causas de mortes no município de Maringá, Estado do Paraná, em 1996. Acta Scientiarum Maringá, V. 24, n. 3, p. 765- 774.

[6] Fêde, A. B. S.; Miranda, V. C.; Pecorini, P. G.; Fraile, N. M. P.; Santos, M. B. B.; Gonzaga, S. F. R.; Carmo Luiz, O. ; Riechelmann, R.; Delgiglio, A. (2009), A importância das neoplasias na população idosa brasileira de 2000 a 2005. Einstein. V. 7 (2): 141-146.

[7] Cesse, E. A. P.; Carvalho, E. F.; Souza, W. V.; Luna, C. F. (2009), Tendência da mortalidade por doenças do aparelho circulatório no Brasil: 1950 a 2000. Arq Bras Cardiol. V. 93 (5): 490- 497.

[8] Santos, E. T.; Ribeiro, A. A.; Filho, A. C. P. (2009), Mortalidade por câncer no estado de Mato Grosso do Sul, Brasil, no período de 1998 a 2007. Revista Geo- gráfica de América Central. Número especial EGAL, ISSN- 2115- 2563. [9] Hess, S. C.; Alvarenga, A. P; Medeiros, C. H. H.; Oliveira, F. B.; Barbosa, T.

M. T. M.; Trevisam, O. P. (2009), Distribuição espacial da mortalidade por doenças do aparelho respiratório no Brasil. Engenharia Ambiental. V. 6, n. 3, p. 607- 624.

[10] Loyola Filho, A. I.; Leite Matos, D.; Giatti, Afradique, L. M. E.; Peixoto, S. V.; Lima-Costa, M. F. (2004), Causas de internações hospitalares entre idosos bra¬sileiros no âmbito do Sistema Único de Saúde. Epidemiol. Serv. Saúde, Dec., vol.13, n.4, p.229-238. ISSN 1679-4974.

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Hábitos alimentares dos estudantes

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