Formação e avaliação em contexto associativo : alguns contributos
Texto
(2) i.
(3) DECLARAÇÃO. Nome: Joana Cristina Machado Braga Endereço electrónico: [email protected] Telemóvel: 914108374 Número do Bilhete de Identidade: 13049481. Título do relatório de estágio: Formação e avaliação em contexto associativo: alguns contributos.. Orientadora: Doutora Maria Fernanda dos Santos Martins. Ano de conclusão: 2010. Designação do Mestrado: Mestrado em Educação, Área de Especialização em Formação, Trabalho e Recursos humanos. É AUTORIZADA A REPRODUÇÃO INTEGRAL DESTE RELATÓRIO DE ESTÁGIO APENAS PARA EFEITOS DE INVESTIGAÇÃO, MEDIANTE DECLARAÇÃO ESCRITA DO INTERESSADO, QUE A TAL SE COMPROMETE.. Universidade do Minho, 29 de Outubro de 2010. Assinatura: ________________________________________________. ii.
(4) A ti, querido António. iii.
(5) iv.
(6) Agradecimentos. Sem o apoio de algumas pessoas este trabalho não seria realizado. Não posso deixar de agradecer e de aqui deixar algumas palavras de apreço.. A todos aqueles que confiaram, abriram horizontes e me guiaram com as suas palavras e acções. Obrigada, À minha orientadora, Doutora Fernanda Martins, que sempre soube mostrar-me coragem para ultrapassar os problemas, À minha acompanhante, Dr.ª Margarida Dias, que generosamente me integrou e guiou.. A todos aqueles que aceitaram colaborar no projecto, pela disponibilidade demonstrada. Obrigada, A todos os formandos que participaram, A todos os formadores que mostraram interesse e motivaram, Aos que colaboraram nos pré-testes dos instrumentos de recolha de dados, À formadora Cidália Abreu, pela generosidade, Às técnicas do GEFP, pela partilha.. A todos os que fazem, todos os dias, com que a vida ganhe sentido. Obrigada, Ao António, Aos meus pais, Aos meus irmãos, Luís e Marta, Aos meus companheiros de curso, Daniela, Luciana, Maria João, Xavier.. v.
(7) vi.
(8) Formação e avaliação em contexto associativo: associativo: alguns contributos. Resumo. A avaliação é convocada para este trabalho enquanto elemento importante para os sistemas de formação actuais, perspectivada como potencial meio de oferta de contributos para a melhoria das actividades formativas, principalmente quando caracterizada pela participação e inclusão de vários participantes na formação. Argumenta-se, apesar das várias funções que a avaliação pode assumir, que os esforços para melhorar a educação e a formação exigem necessariamente a melhoria e a reflexão sobre as práticas de avaliação, com ênfase na importância do conhecimento organizacional que, neste caso, se contextualiza numa associação. Assim, a avaliação não constitui uma política ou um valor por si só, embora as suas práticas os sustentem e estejam providas de forte carga política. Também marcado por um conjunto de orientações políticas, o campo da educação de adultos tem-se vindo a manifestar nos últimos anos como um campo da educação onde existem profundas descontinuidades, que têm vindo a convergir num tipo de formação, cada vez mais profissionalizante, relacionada com o trabalho, a gestão de recursos humanos e a aprendizagem ao longo da vida. É, então, no contexto associativo que assistimos a diversas transformações e confrontações de forças, no seio das quais os significados de formação e trabalho sofrem mudanças: sendo palco de actuação das políticas educativas das quais é executor e parceiro, procura questionar e dinamizar-se na busca de maior autonomia, registando uma tendência de maior complexidade do seu trabalho. Deste modo, procurou-se auscultar vários actores para recolher as diferentes perspectivas, expectativas, juízos e concepções de formação, face ao ideal da formação inclusa, pretendendo oferecer alguns contributos para a reflexão no âmbito da avaliação da formação.. vii.
(9) viii.
(10) Training and evaluation in associative context: context: some contributions. Abstract. The evaluation is summoned for this study as an important element for the current training systems, viewed as a potential mean of offering contributions to the improvement of training activities, especially when characterized by the participation and inclusion of several participants in the training. It is argued that, despite the many roles that evaluation may take, the efforts to improve education and training necessarily require development and reflection on evaluation practices, with emphasis on the importance of organizational knowledge that in this case is contextualized in an association. So, the evaluation is not a policy or a value per se, although their practices may sustain them and be provided with strong political charge. Also marked by a set of policy guidelines, the field of adult education has been manifested in recent years as a pitch of education where there are deep discontinuities, which have been converging on a type of training, more professionalized, related with labor, human resources management and lifelong learning. Then, it is in the associative context that our study observed several confrontations and transformations of forces, within which the meanings of training and work experience changes: the associative context is the action scene of educational policy, which is executor and partner, but in the other hand it is also the context where those policies are questioned in the search for greater autonomy, noting a trend toward greater complexity on their work. Therefore, there is an attempt to listen to different players in order to collect different views, expectations, judgments and conceptions of training, against the principle of inclusive education and intending to offer some contributions to the reflection in the evaluation of training.. ix.
(11) x.
(12) ÍNDICE GERAL DE CONTEÚDOS AGRADECIMENTOS .................................................................................................................. v. RESUMO .................................................................................................................................vii ABSTRACT ...............................................................................................................................ix. INTRODUÇÃO.........................................................................................................................23. CAPÍTULO I. ENQUADRAMENTO CONTEXTUAL DO ESTÁGIO ..................................................25 1.1. Descrição e caracterização da instituição de estágio ................................................25. 1.2. Apresentação da área de intervenção ......................................................................27. 1.3. Contextualização específica da actividade formativa da Associação Cultural e Musical de Vila Verde ..............................................................................................29 1.3.1. Os cursos de formação modular em análise: breve descrição ............................32. 1.3.2. As exigências do Sistema de Acreditação no contexto da associação .................35. CAPÍTULO II. ENQUADRAMENTO TEÓRICO DA PROBLEMÁTICA .............................................39 2.1. A emergência do associativismo e as políticas de educação de adultos em Portugal..................................................................................................................39. 2.2. O Sistema de Acreditação da formação como um dos instrumentos técnicopolíticos na reforma da formação profissional ..........................................................51. 2.3. Uma perspectiva crítica da formação: educação de adultos, trabalho e gestão de recursos humanos ..................................................................................................53. 2.4. A avaliação em educação........................................................................................60 2.4.1. A avaliação na agenda das políticas educativas ................................................61. 2.4.2. O movimento da avaliação na educação: algumas abordagens teóricas .............65. 2.4.3. A avaliação das acções de formação e a avaliação das pessoas em formação ...68. 2.4.4. Funções e modalidades de avaliação ................................................................70. CAPÍTULO III. ENQUADRAMENTO METODOLÓGICO................................................................77 3.1. Metodologia de intervenção/investigação: fundamentação.......................................77. xi.
(13) 3.2. 3.1.1. Os objectivos ....................................................................................................80. 3.1.2. O inquérito por questionário..............................................................................81. 3.1.3. As entrevistas ...................................................................................................87. 3.1.4. Observação e notas de campo ..........................................................................90. 3.1.5. Pesquisa documental........................................................................................91. 3.1.6. Tratamento e análise dos dados........................................................................91. Recursos mobilizados e limitações do processo: breves reflexões.............................92. CAPÍTULO IV. APRESENTAÇÃO E DISCUSSÃO DOS RESULTADOS ..........................................95 4.1. O pacto da formação: o colonizador ........................................................................ 96. 4.2. O pacto da formação: entre a regulação e a emancipação .......................................99. 4.3. O pacto da formação: trabalho e contextos............................................................105. CONSIDERAÇÕES FINAIS .....................................................................................................123. BIBLIOGRAFIA REFERENCIADA.............................................................................................125. ANEXOS ...............................................................................................................................133 Anexo nº 1. Organograma institucional...............................................................134. Anexo nº 2. Formulários de preenchimento dos requisitos de acreditação...........135. Anexo nº 3. Cronograma das acções modulares certificadas em análise .............147. Anexo nº 4. Balanço de actividades da Associação Cultural e Musical de Vila Verde..............................................................................................148. Anexo nº 5. Plano de intervenção Associação Cultural e Musical de Vila Verde....156. APÊNDICES..........................................................................................................................167 Apêndice nº 1. Friso cronológico – a evolução da Associação Cultural e Musical de Vila Verde ........................................................................................168. Apêndice nº 2. Inquérito por questionário administrado aos formandos ...................169. Apêndice nº 3. Gráficos com os resultados do inquérito ..........................................174. Apêndice nº 4. Entrevista realizada à Coordenadora da formação............................189. xii.
(14) Apêndice nº 5. Entrevista realizada ao Presidente da associação.............................201. xiii.
(15) xiv.
(16) ÍNDICE DE FIGURAS. Figura nº1. Estruturas existentes para o funcionamento da formação modular certificada no contexto estudado ....................................................................95. Figura nº2. Principais contextos em análise......................................................................96. xv.
(17) xvi.
(18) ÍNDICE DE QUADROS Quadro nº 1. Tipos de critérios visados por uma avaliação participativa ...............................78. xvii.
(19) xviii.
(20) ÍNDICE DE GRÁFICOS. Gráfico nº 1. Modo de distribuição dos formandos pelas acções de formação .....................86. Gráfico nº 2. Situação profissional actual ..........................................................................106. Gráfico nº3. Situações de desemprego ............................................................................106. Gráfico nº4. A justificação da importância atribuída ao trabalho .......................................109. Gráfico nº5. Frequência de outros cursos de formação ....................................................110. Gráfico nº6/7 Porque pensa que é possível conseguir trabalho ou não com as formações que frequenta ou frequentou? ......................................................................110 Gráfico nº8. Utilidade dos temas abordados na formação para o futuro............................110. Gráfico nº9. Utilidade da formação para a melhoria da empregabilidade ..........................111. Gráfico nº10. Possibilidade de conseguir trabalho devido às formações..............................111. Gráfico nº11/12. Razões da inscrição ........................................................................112. Gráfico nº13. A Formação é uma forma de:.......................................................................113. Gráfico nº14. Conseguiu trabalho com a frequência dessas formações?.............................115. Gráfico nº15. Frequência de idades dos formandos ...........................................................117. Gráfico nº16. Escolaridade completada .............................................................................117. Gráfico nº17. Idade em que deixou de estudar ..................................................................118. Gráfico nº18. Idade em que começou a trabalhar ..............................................................118. Gráfico nº19/20. A avaliação da acção de formação ..................................................120. xix.
(21) xx.
(22) Lista de Abreviaturas ACMVV – Associação Cultural e Musical de Vila Verde ALV – Aprendizagem ao Longo da Vida ANEFA – Agência Nacional de Educação e Formação de Adultos ANQ – Agência Nacional para a Qualificação CAP – Certificado de Aptidão Pedagógico CE – Comissão Europeia CEE – Comunidade Económica Europeia CIP – Centro de Intervenção Pedagógica CNFP – Conselho Nacional de Formação Profissional CNQ – Catálogo Nacional de Qualificações DGEP – Direcção Geral de Educação Permanente DGERT – Direcção Geral do Emprego e das Relações de Trabalho DREN – Direcção Regional de Educação do Norte EA – Educação de Adultos EEE – Espaço Europeu de Educação EFA – Educação e Formação de Adultos EUA – Estados Unidos da América FSE – Fundo Social Europeu GEFP – Gabinete de Educação, Formação e Psicologia IEFP – Instituto do Emprego e da Formação Profissional INATEL – Instituto Nacional para Aproveitamento dos Tempos Livres INOFOR – Instituto para a Inovação na Formação IPSS – Instituição Particular de Solidariedade Social LBSE – Lei de Bases do Sistema Educativo OCDE – Organização de Cooperação e de Desenvolvimento Económicos PALV – Programa Aprendizagem ao Longo da Vida 2007-2013 PNACE – Programa Nacional de Acção para o Crescimento e o Emprego PNAEBA – Plano Nacional de Alfabetização e de Educação de Bases dos Adultos POPH – Programa Operacional Temático do Potencial Humano PRA – Portefólio Reflexivo de Aprendizagens. xxi.
(23) RVCC – Reconhecimento, Validação e Certificação de Competências SNQ – Sistema Nacional de Qualificações SPSS – Statistical Package for Social Sciences UE – União Europeia UFCD – Unidade de Formação de Curta Duração UNESCO – United Nations Educational, Scientific and Cultural Organization; (Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura). xxii.
(24) Introdução Importa, em primeiro lugar, clarificar neste texto introdutório dois importantes aspectos em relação ao trabalho de estágio: por um lado, o tema sobre o qual recaiu este trabalho e, por outro, o contexto organizacional que o suporta e no qual o mesmo foi desenvolvido. Admite-se que ambos os aspectos estão subjacentes e intimamente relacionados. Este trabalho de estágio decorreu, assim, na ACMVV, organização que se constitui, enquanto promotora de actividades de formação de adultos, como uma organização jovem, com uma missão e objectivos particulares e onde a gestão da formação era inexistente até há poucos anos. No entanto, as especificidades desta organização e os contextos que dinamiza e aos quais pertence, conduzem a uma articulação de estruturas na qual o campo da avaliação, sempre aliado ao objectivo de crescimento e desenvolvimento, adquire uma importância fundamental e pertinência para ser abordado enquanto área central de exploração. Assim, aborda-se o tema da avaliação na medida em que este tema é aliado a uma reflexão sobre três níveis de dinâmicas da formação: ao nível das políticas de educação de adultos; ao nível da organização, agente da formação e seus contextos e ao nível dos intervenientes directos na formação. Este olhar mais alargado fundamenta-se com a tentativa séria de conferir sentido(s) à formação, procurando, assim, explicitar as várias dinâmicas, objectivos, expectativas declaradas ou ocultadas presentes em cada um dos níveis. A preocupação actual com a avaliação faz relembrar que, efectivamente, muitas vezes a avaliação da formação desempenha “uma função social de valorização desta acção: pode parecer mais necessário falar de avaliação do que fazê-la efectivamente; daí que não seja surpreendente o grande fosso que existe entre a riqueza do discurso sobre a avaliação e a precariedade relativa das práticas” (Barbier, 1985: 7). A área de intervenção surgiu, não sem alguns acertos entre ambas as partes interessadas, de uma proposta que partiu da organização, referindo-se ao campo da avaliação da formação promovida pela associação para os seus utentes, abordando também o processo de candidatura da Acreditação da formação a que a organização se propõe, iniciado com o apoio deste trabalho de estágio no presente ano civil. A intervenção pressupõe também uma reflexão sobre os processos e modelos de avaliação praticados actualmente, com o intuito de investigar e reflectir sobre a realidade da formação neste contexto associativo e, assim, procurar oferecer contributos para o auto conhecimento, tendo como pano de fundo um contexto, objectivos e políticas específicas. Tendo estes factos em conta, procurou-se a utilização. 23.
(25) de estratégias e de modo de actuação diferenciados, de forma a alcançar, da melhor maneira possível, os objectivos traçados para este estágio. Assim, este trabalho está estruturado em quatro capítulos que dizem respeito a diferentes dimensões exploradas e que, por sua vez, estão organizados em subcapítulos de acordo com cada tema abordado. Deste modo, no primeiro capítulo, que diz respeito ao enquadramento contextual, é realizada a caracterização da organização onde se desenvolve o estágio e da área de intervenção, que integra a contextualização das actividades formativas e o projecto de candidatura à Acreditação da formação. No segundo capítulo, é realizado um enquadramento teórico da problemática, através do contacto com algumas perspectivas teóricas sobre o contexto organizacional, compreendendo: a emergência do associativismo, as políticas de educação de adultos em Portugal, uma reflexão crítica sobre as actividades formativas e sobre a avaliação em educação. No enquadramento metodológico, que se refere ao terceiro capítulo, efectua-se a fundamentação das opções metodológicas tomadas, com referência também a uma aproximação da Avaliação Participativa e aos objectivos traçados. Assim, neste capítulo são explicitados. o referido e o referente presentes na acção de avaliação, os instrumentos de recolha de informação, assim como os recursos utilizados e as limitações encontradas durante o processo. No último capítulo são apresentados e interpretados os principais resultados obtidos bem como as principais directrizes e conclusões a que foi possível chegar com a realização deste trabalho. Por fim, em jeito de conclusão, apresentam-se algumas considerações finais em relação a todo o trabalho desenvolvido.. 24.
(26) Capítulo I.I. Enquadramento Contextual do Estágio. 1.1 Descrição e caracterização da instituição de estágio. O presente estágio realizou-se na Associação Cultural e Musical de Vila Verde, a qual sendo originária de Vila Verde, como a sua designação indica, caracteriza-se fundamentalmente por ser uma organização que desenvolve a sua actividade principal e projectos no âmbito da formação musical, da formação profissional e do desporto. Ao longo do tempo a sua organização tem sofrido algumas transformações, a nível organizacional, inicialmente apenas se dedicava a actividades musicais mas foi progressivamente conquistando outros campos de acção, multiplicando-se, enquanto valor e acção, dentro da região geográfica em que se encontra inserida. Assim, esta organização apresenta-se como uma organização que vai deixando a sua marca ao longo do tempo e espaço, seja pela sua capacidade de insuflar vida noutros centros culturais, seja pelo carácter educativo por excelência da sua actividade, com o intuito de ampliar o saber na comunidade. Assim, passo a indicar, de forma breve, algumas das evoluções1 pelas quais a associação tem passado2 e que a marcam, no sentido em que sendo importantes vectores de mudança, a transformam na organização que hoje existe: surge em 1982 a sua forma primária, com a fundação da escola de música, financiada pela Câmara Municipal de Vila Verde, inicialmente frequentada por 60 alunos e com a qual vem participando e organizando ela mesma eventos de cariz cultural/musical; até 1995 verifica-se uma crescente afluência de alunos à escola, que passam a ser cerca de 300, o que faz com que esta se institucionalize enquanto Associação Cultural e Musical de Vila Verde; é neste mesmo ano de 1995 que o ensino da música se prolifera a todo o Concelho, com a abertura e posterior autonomização de 7 pólos; nos anos subsequentes verificaram-se mudanças organizacionais e físicas, em 1999 dá-se abertura à acção no campo do desporto, seja com a parceria com o INATEL em provas de atletismo, seja com o apoio à federação e mais tarde autonomia da equipa de andebol; passando também pela administração de cursos de formação na área do desporto; é também a partir desta data que se encontra relacionada com entidades como a Comissão de Protecção de Menores e Jovens em Risco e o Instituto Português da Juventude, no sentido de prestação de 1. Conferir apêndice número 1: friso cronológico representativo da evolução da Associação.. 2. Informações retiradas de documentos cedidos inteiramente pela instituição em causa.. 25.
(27) apoio a uma camada da população jovem; vem-se verificando um crescimento da escola de música até que, em 2005/2006/2007 encontra um dos períodos mais dinâmicos da sua existência, quer pelo sucesso do seu serviço, pela necessidade de angariação de recursos humanos, pela criação do CIP que opera orientando nas dificuldades de aprendizagem, desenvolvimento da linguagem, comportamento e insucesso escolar – e pelo início do projecto de oficialização da academia de música junto do Ministério da Educação, que acabou por ser concedida em 2007. Com a oficialização tornou-se imperativo a solidificação de um corpo administrativo e pedagógico, ao qual cabe actividades e funções diversificadas, aumentando o grau de complexidade organizacional. Deste modo, esta associação vem desenvolvendo e ampliando as suas actividades culturais: responsável pela organização das festas concelhias; de concertos musicais vários e de intercâmbio cultural e musical de jovens, para além das actividades enquanto escola de música e da promoção de cursos de Educação e Formação de Adultos3, estabelecidos dentro do Sistema de Educação e Formação Profissional Português. Sendo de sublinhar aqui a realidade da dupla certificação, que confere uma ampliação significativa das oportunidades institucionais, favorecendo o acesso e benefícios dos percursos com reconhecimento escolar para segmentos ampliados da população, representando, para além disso, um sistema de promoção social e institucional e não apenas daqueles relativos aos sistemas de emprego e que por isso, obtêm consequências mais amplas (Afonso e Ferreira, 2007). A ACMVV é constituída por quatro órgãos4: os Órgãos Estatuários; Serviços Administrativos; Academia de Música de Vila Verde e o Gabinete de Educação, Formação e Psicologia, que veio a substituir o CIP, pela extinção de alguns serviços e renovação de recursos humanos. Os Órgãos Estatuários são formados pela direcção; pela Assembleia-geral e pelo Conselho Fiscal. Os Serviços Administrativos são constituídos pela Tesouraria e pelos Serviços Académicos e prestam apoio à Academia de Música e ao Gabinete de Educação, Formação e Psicologia. A Academia de Música é constituída por um Conselho Pedagógico que, por sua vez, possui uma Direcção Pedagógica e um Representante de cada grupo Disciplinar. A este órgão compete a representação da Academia de Música de Vila Verde junto ao Ministério da Educação e da DREN em todos os assuntos de índole pedagógica, assim como planificar e superintender nas actividades curriculares e culturais da Academia de Música. O Gabinete de Educação,. 3. Num dos pontos que se seguem explicar-se-á de modo mais aprofundado o desenvolvimento desta valência da associação.. 4. Consultar anexo número 1: Organograma institucional.. 26.
(28) Formação e Psicologia desenvolve activamente acções ligadas à Educação e Formação. Neste gabinete trabalham três pessoas com formação académica, uma na área de educação, outra na área da psicologia e a sua coordenação está a cargo de uma licenciada em sociologia. A associação pode então ser encontrada no centro de Vila Verde, vila situada no norte do país, pertencente ao Distrito de Braga. As instalações em que trabalham são pertencentes à Câmara Municipal de Vila Verde, instituição com a qual se desenvolvem relações estreitas de apoio e entreajuda. Se, por um lado, esta associação tem uma história relativamente recente (de 27 anos desde a primeira organização e de 15 desde a institucionalização) o seu trajecto vai demonstrando um conjunto de passos tomados que revelam o seu sucesso de integração e aceitação na comunidade, que tiveram como reflexo a expansão de serviços e o reconhecimento do seu trabalho por parte de entidades reguladoras, por outro lado, no sentido de consolidar o que foi conseguido, é tido como objectivo no âmbito da acção formativa a acreditação desta associação enquanto organização com capacidade e qualidade na formação prestada. Assim, a consecução do processo de acreditação significa para esta entidade um passo decisivo na direcção de aquisição de autonomia, no sentido de ampliar as suas valências de actuação, de promoção de outros tipos de formação e do crescimento da associação.. 1.2 Apresentação da área de intervenção. A área de intervenção do estágio decorre da proposta realizada pela responsável pela área de formação da Associação Cultural e Musical de Vila Verde e que se encontra amplamente relacionada com o processo de acreditação da associação. Se este processo de acreditação pretende reflectir dois movimentos dinâmicos, sendo simultaneamente uma afirmação da posição da associação e uma avaliação a ela concedida, prevê-se este momento como um momento de reflexão por excelência, do trajecto seguido, dos processos seguidos, da forma como foi coordenada a associação e da forma como se projecta o futuro. É, então neste contexto que surge também a área da avaliação da formação enquanto objecto de estudo pertinente, pois para além de ser parte do processo de acreditação, pode constituir uma fonte de dados importantes na reflexão interna desta organização. Neste sentido, o trabalho de estágio foi desenvolvido em cooperação com vários elementos da organização, entre os quais figuram os responsáveis pela formação na associação. 27.
(29) e outros elementos indispensáveis a todo o funcionamento da associação, como os elementos responsáveis pelo atendimento permanente da área formativa. Assim sendo, este trabalho irá incidir especificamente no campo da avaliação das actividades de formação tendo como campo alargado o contexto organizacional. Realizar-se-á uma avaliação que ocorre quase no final da formação, com o intuito de abordar aspectos relacionados com: as aprendizagens percepcionadas por todos os actores nela envolvidos, a perspectiva partilhada da formação e suas principais funções, a relação experiencial da formação/trabalho e do modo como é projectada no futuro, o reflexo da formação nas actividades de desenvolvimento pessoal e regional, os conhecimentos transferidos da formação para o trabalho e os contributos para a organização, através de sugestões de melhoria contínua. Deste modo, parece instituir-se um objectivo geral: geral o de reflectir sobre os contributos multidimensionais da formação neste contexto. Do mesmo modo, surgem alguns objectivos específicos a alcançar nesta intervenção e que vão ao encontro da área em causa, tais como: aprofundar os processos de avaliação da formação naquele contexto específico; proporcionar informação que permita o exercício da auto-avaliação pelos diferentes intervenientes na formação; reflectir sobre a posição da Associação ao nível da relação local e das políticas públicas que a suportam; proporcionar informação para retroagir sobre a formação; reflectir sobre as práticas de avaliação da organização e reflectir sobre as concepções de formação presentes. É preciso ter em conta que, para aprofundar, para progredir, não se pode ignorar tudo o que está para trás, muito pelo contrário, o acto ou tentativa de fazer melhorar algo é sempre sustentada por uma base, materializada pelos instrumentos, concepções, registos já existentes no contexto, também por forma a serem utilizados, no caso deste estágio, como estratégia de integração progressiva nos grupos e assuntos relacionados com este campo. Assim, o trabalho no âmbito do estágio foi integrado mais ou menos tacitamente no Gabinete de Educação, Formação e Psicologia da ACMVV, utilizando muitos recursos disponíveis e acompanhando as técnicas presentes deste gabinete. De uma forma geral, a área de intervenção deste estágio parece ser marcada por uma forte componente de reflexão das funções e processos de avaliação e da própria formação em relação ao processo de candidatura à acreditação da formação. Também perspectivando a avaliação da formação como uma forma de condução a um estado de maior desocultação da realidade formativa, dos seus contributos e dimensões, de modo a conceber a proposta de. 28.
(30) avaliação como indissociável da formação, tomando esta como um processo multidimensional, dinâmico, holístico. Procura-se, simultaneamente, responder ao desafio de colocar em marcha algumas dimensões do processo de acreditação desta Associação, ao mesmo tempo que este trabalho desemboca numa análise de outros aspectos da realidade formativa que atravessam vários níveis de análise – micro, meso e macro – como sejam as políticas públicas ou os conceitos emergentes do léxico formativo.. 1.3 Contextualização específica da actividade formativa da ACMVV. A actividade formativa desenvolvida na Associação Cultural e Musical de Vila Verde inscreve-se dentro das iniciativas do programa governamental Novas Oportunidades, com a oferta de vários cursos EFA e de acções de formação modulares certificadas, que são módulos de duração reduzida que se inscrevem em determinadas áreas dos cursos EFA. Esta é uma iniciativa que tem a sua origem em directrizes políticas europeias e o seu público-alvo são os adultos, consubstanciando, na sua origem uma grande preocupação com o papel preponderante da formação e da ALV na promoção da empregabilidade, das competências e no aumento da competitividade económica. “O Memorando sobre a Aprendizagem ao Longo da Vida foi um dos primeiros documentos a lançar o debate à escala europeia sobre uma estratégia global de Aprendizagem ao Longo da Vida, vista como uma medida de educação e formação crucial na sociedade do conhecimento marcada por profundas mudanças na economia e sociedade. De facto, o investimento no capital humano é visto como uma estratégia estrutural, dado que é no homem que reside a capacidade de criar conhecimento e de aplicá-lo à sociedade. Este documento aponta duas vertentes da ALV: uma centrada na aquisição de competências para o reforço da competitividade da Europa e da melhoria da empregabilidade e da adaptabilidade da força de trabalho; outra que assume a educação, no seu sentido mais lato, enquanto formação do indivíduo para viver harmoniosamente numa sociedade repleta de diversidades culturais. Duas dimensões que o texto transpõe para dois objectivos: promover a cidadania activa e fomentar a empregabilidade. Propiciar a aprendizagem ao longo da vida, deste modo, constitui a vontade e a crença por parte da Comissão de que é possível alcançar um “crescimento económico dinâmico, reforçando simultaneamente a coesão social” (Araújo e Coutinho, citando Comissão das Comunidades Europeias, 2009: 5).. 29.
(31) Com efeito, do documento do Memorando sobre a Aprendizagem ao Longo da Vida, formou-se uma estratégia que se foi concretizando em sucessivos programas que prestam orientações e guias para a operacionalização das ideias-chave inseridas no Quadro Estratégico Europeu para o Emprego. A Estratégia de Lisboa foi, então marcando a sua aplicação em Portugal através do PNACE, que, por sua vez deu origem ao Plano Tecnológico, com o objectivo de fomentar o crescimento e a competitividade económica do país. Este plano é dividido em três eixos: 1) Conhecimento; 2) Tecnologia e 3) Inovação. A Iniciativa Novas Oportunidades está inscrita no primeiro eixo, com o objectivo de fomentar a ALV com um plano de qualificação da população portuguesa, definindo o ensino secundário como o nível de escolaridade mínimo de qualificação: “Um dos objectivos da estratégia portuguesa é facilitar o acesso dos adultos à ALV, no sentido de aumentar a qualificação da população activa adulta e fomentar a frequência em acções de formação e educação. (…) Todas as medidas no quadro desta estratégia em Portugal são orientadas segundo metas quantificadas de correcção/atenuação das debilidades estruturais de qualificação da população portuguesa. Assim, o objectivo é qualificar um milhão de activos até 2010 e aumentar para 12,5% a percentagem da população envolvida em acções de formação ao longo da vida, entre outros horizontes políticos” (Araújo e Coutinho, citando Plano Tecnológico, 2009: 5).. A iniciativa Novas Oportunidades apresenta-se como oferecendo uma oportunidade nova tanto para jovens como para adultos com baixas qualificações, sendo que para os jovens propõe as modalidades: dos cursos tecnológicos; do ensino profissional; do sistema de aprendizagem; dos cursos de educação e formação; do ensino artístico; das escolas tecnológicas e dos cursos de especialização tecnológica. Por outro lado, para os adultos propõe os cursos de educação e formação de adultos e o sistema de reconhecimento, validação e certificação de competências, com as metas de atingir, até ao ano de 2011, 650.000 adultos com certificado de competências5. Para aceder a este tipo de iniciativas e cursos a ACMVV trabalha indirectamente6 com o POPH, através do qual obtém o financiamento necessário à implementação dos cursos e para a 5. Conferir Resolução de Conselho de Ministros nº 137/2007 de 18 de Setembro de 2007 e Ministério da Educação (2006).. 6. A razão do acesso indirecto ao meio de financiamento prende-se com a história recente na implementação deste tipo de iniciativas (cursos EFA e cursos modulares) e com o facto de a ACMVV não estar acreditada como entidade formadora pelas entidades que regulam o acesso ao financiamento pelo POPH. Deste modo, existe uma parceria com uma empresa de formação e serviços acreditada que faz as candidaturas ao programa de financiamento.. 30.
(32) aquisição de alguns recursos materiais. O regulamento do POPH apresenta 10 eixos onde o investimento se apresenta como prioritário, são eles: 1) Qualificação Inicial; 2) Adaptabilidade e Aprendizagem ao Longo da Vida; 3) Gestão e Aperfeiçoamento Profissional; 4) Formação Avançada; 5) Apoio ao Empreendedorismo e à Transição para a Vida Activa; 6) Cidadania, Inclusão e Desenvolvimento Social; 7) Igualdade de Género; 8) Algarve; 9) Lisboa; 10) Assistência Técnica. A formação desenvolvida na instituição de estágio, está enquadrada no eixo prioritário 2, Adaptabilidade e Aprendizagem ao Longo da Vida, que tem como principal objectivo o reforço da qualificação da população adulta activa empregada e desempregada, contribuindo para o desenvolvimento de competências necessárias à modernização económica e empresarial e para a adaptabilidade dos trabalhadores. Este eixo de intervenção insere-se na estratégia delineada no quadro da Iniciativa Novas Oportunidades, que procura possibilitar aos adultos que já se encontram no mercado de trabalho e que não completaram o 3º ciclo do ensino básico ou o ensino secundário, o acesso à formação, de elevação dos níveis de qualificação e diversificar as oportunidades de aprendizagem. As tipologias de intervenção neste eixo são: a tipologia 2.1 reconhecimento, validação e certificação de competências; a tipologia 2.2 cursos de educação e formação de adultos; 2.3 formações modulares certificadas e a 2.4 dedicada ao reequipamento e consolidação da rede de centros de formação. Sendo as tipologias 2.2 e 2.3 aquelas que são promovidas na ACMVV estas são defendidas e apresentadas como: “um instrumento central das políticas públicas para a qualificação de adultos, destinado a promover a redução dos seus défices de qualificação e dessa forma estimular uma cidadania mais activa, e melhorar os seus níveis de empregabilidade e de inclusão social e profissional. Os Cursos EFA são, por isso, um instrumento basilar para a prossecução dos objectivos definidos pelo XVII Governo Constitucional para as políticas de educação e formação, no qual assume particular destaque a generalização do nível secundário como patamar mínimo de qualificação da população. No entanto, para resposta às necessidades de qualificação da população adulta, e em especial da população empregada, é igualmente fundamental a construção de uma oferta modular de curta duração, tendo por base os percursos de educação e formação de adultos previstos no Catálogo Nacional de Qualificações. Tendo assim em vista promover o acesso a itinerários de qualificação modularizados em unidades de formação de curta duração. 31.
(33) (UFCD) e capitalizáveis para uma ou mais do que uma qualificação” (Portaria nº 230/2008 de 7 de Março).. Se, por um lado, a instituição de estágio acede já a algumas tipologias formativas enquadradas em medidas políticas bem definidas, ela perspectiva qualitativamente a sua posição nesta actividade formativa como parcial, na medida em que, não se encontrando acreditada pelas entidades que regulam o financiamento a estas tipologias formativas, o seu grau de autonomia7 e domínio sobre os processos administrativos, de candidatura e informações relativas aos dados sobre o público que frequenta a formação, sobre os formadores e sobre todo o processo formativo, sobre toda a avaliação é reduzido, apesar de decorrer nas suas instalações. Assim, uma das principais expectativas e motivações da instituição no estágio em causa é a consecução do processo de acreditação da própria entidade, com o intuito de ganhar autonomia no acesso ao financiamento e com isso, ver-se reconhecida enquanto entidade formadora com qualidade e poder ter possibilidades de melhorar os seus recursos materiais e humanos. É, então, com este cenário traçado que a instituição de estágio justifica a intervenção e integração do estágio realizado, com a proposta complementar de maior e mais aprofundada reflexão sobre estas realidades.. 1.3.1 Os cursos de formação modular em análise: breve descrição. Os cursos que foram alvo da análise neste trabalho de estágio são denominados de cursos modulares certificados, tal como já vem sendo referido, são destinados a adultos com baixas qualificações, empregados ou desempregados e oferecem uma bolsa de formação, consubstanciada pelos subsídios de alimentação e de transporte, auferidos no final da acção frequentada com aproveitamento. Para ter acesso à bolsa de transporte é necessário um documento elaborado pelas autoridades competentes que comprove a distância entre a residência e o local de formação e a existência ou inexistência de transportes públicos que façam o transporte nas horas de formação. Os cursos foram todos realizados em horário nocturno pós-laboral das 20 horas às 22 horas nas instalações da ACMVV, com formadores. 7 A autonomia é um conceito trabalho por vários autores como Barroso (1997) e Alves (2004), no s domínios da avaliação, das organizações educativas e das pessoas em formação, respectivamente. A autonomia é perspectivada como estando estreitamente relacionada com o conceito de formação e de cidadania, opondo-se à dependência e ao constrangimento, esta também não é possível em termos absolutos, mas em termos relacionais e relativos. A autonomia demonstra-se na vivência social da relação com o outro.. 32.
(34) vinculados à empresa de serviços de formação e consultoria parceira da associação e com os formandos recrutados e seleccionados pela associação. Os cursos modulares certificados são uma modalidade dos cursos EFA, pelo que importa descrever o funcionamento deste tipo de cursos. Os cursos EFA podem ser organizados por estabelecimentos do ensino público, particular ou cooperativo, por centro de formação profissional do IEFP e por outras entidades acreditadas e desenvolvem-se segundo percursos de dupla certificação e sempre que seja adequado, apenas segundo uma habilitação escolar. São destinatários, maiores de 18 anos que pretendam completar o 4º, 6º, 9º ou 12º anos de escolaridade ou obter uma qualificação profissional nível 1, 2 ou 3, podendo apenas frequentar um curso de equivalência ao ensino secundário pessoas com mais de 23 anos de idade. O objectivo declarado desta oferta formativa é a dupla certificação com vista à (re)inserção ou progressão no mercado de trabalho (Portaria nº 817/2007 de 27 de Julho). Este tipo de cursos organiza-se na perspectiva da aprendizagem ao longo da vida, articulando uma formação de base com uma formação tecnológica8, assente num modelo de formação modular, com base nos referenciais de formação que integram o Catálogo Nacional de Qualificações e em processos reflexivos através dos módulos aprender com autonomia, no nível básico de qualificações e o portefólio reflexivo de aprendizagens, no nível secundário de qualificações. No caso do curso ser concluído inteiramente, o formando tem direito a um certificado de qualificações. No caso de concluir apenas a formação tecnológica terá direito a um diploma. Se não concluir o curso verá registadas as unidades de competência da formação de base e as UFCD da componente tecnológica que concluiu numa caderneta individual de competências e obterá um certificado de qualificações com as unidades discriminadas. Os cursos EFA oferecem também oportunidade de prosseguimento dos estudos, pois, por exemplo, a certificação de um EFA de nível secundário permite prosseguir os estudos através de um curso de especialização tecnológica ou através de um curso de nível superior, mediante candidatura aos concursos nacionais de acesso ou pelo regime de maiores de 23 anos. Deste modo, os cursos modulares certificados em questão são parte integrante dos referenciais de formação dos cursos EFA e são módulos pertencentes à formação tecnológica ministrados de forma avulsa, conforme a duração e programas estipulados nesses mesmos referenciais.. 8. Conferir: Pureza, Martins e Filipe (2006).. 33.
(35) Os cursos que foram analisados foram: Saúde Mental Infantil, com a duração de 25 horas; Legislação Laboral, com duração de 25 horas; Gestão do Tempo e Organização do Trabalho, também com 25 horas; Instituições Bancárias e Títulos de Crédito, de 25 horas e o curso de Atendimento, com a duração de 50 horas. O primeiro curso analisado, Saúde Mental Infantil tem o código da UFCD de 3267, integrado no referencial de formação da área 761 Serviços de Apoio a Crianças e Jovens, do curso EFA de Técnico/a de Acção Educativa de nível 3, isto é, com certificação de nível secundário. Apresenta como objectivos: identificar os conceitos básicos de saúde mental infantil e desenvolver acções adequadas à promoção da saúde mental infantil9. O curso de Legislação Laboral tem o código UFCD 0592 e é integrado no referencial de formação da área 346 correspondente a Secretariado e Trabalho Administrativo do curso de Técnico/a de Secretariado também com certificação de nível 3. Neste curso os objectivos são: reconhecer o conceito e os princípios do direito do trabalho; identificar os objectivos e as actividades da função pessoal; identificar e descrever os fundamentos do contrato de trabalho e descrever e aplicar os princípios do sistema de segurança social10. O curso de Gestão do Tempo e Organização do Trabalho faz também parte da formação tecnológica do referencial EFA do curso de Técnico/a de vendas de nível 3, da área 341 Comércio com o código UFCD 0382. Os seus objectivos são: aplicar técnicas de gestão do tempo no âmbito da actividade profissional e aplicar os princípios de organização do trabalho em equipa e elaborar um plano de acção pessoal11. O curso de Instituições Bancárias e Títulos de Crédito é parte integrante do referencial do curso EFA Técnico/a de Contabilidade de nível 3 da área 344 Contabilidade e Fiscalidade e tem o código de UFCD de 0607. Os objectivos. 9. O programa desta UFCD debruça-se sobre os conteúdos – Fundamentos de saúde mental: definição, conceitos básicos de saúde mental; Perspectivas preventivas em saúde mental: normal e patológico, modelo preventivo, factores de equilíbrio e de risco, crises de desenvolvimento e crises acidentais; Saúde mental na família: criança e família, importância da abordagem familiar, objectivos da perspectiva familiar; Criança vulnerável e em risco: desenvolvimento e vulnerabilidade, algumas situações de risco como a carência afectiva materna, a criança prematura, criança hospitalizada, criança de família desmembrada, a síndroma da criança negligenciada e batida e a criança psicossomática. 10 Os conteúdos programáticos desta UFCD abordam – Direito do trabalho: conceito e princípios gerais, direitos e deveres das partes; Função pessoal: conceito, objectivos, tarefas, interacção entre pessoal e organização; Elementos essenciais do contrato de trabalho: elementos essenciais a um contrato de trabalho, o contrato de trabalho e as figuras afins, direitos, deveres e garantias dos trabalhadores em geral, direitos e deveres da entidade patronal, análise de contratos-tipo; Formas de cessação do contrato de trabalho: cessação por iniciativa do empregador, rescisão com ou sem justa causa, por iniciativa do trabalhador, a revogação e a caducidade como formas de cessação do contrato; Condições de celebração e de caducidade do contrato de trabalho a termo: contrato de trabalho a termo certo, contrato de trabalho a termo incerto; Segurança Social: direito à segurança social, princípios básicos, regime geral da segurança social e particularidades no sistema de segurança social. 11. Os seus conteúdos abordam – Gestão do tempo; Auto-avaliação na gestão do tempo: tempo como recurso, leis e princípios de gestão de tempo, identificação de características pessoais, análise de desperdiçadores de tempo; Planeamento na gestão do tempo: determinar metas e objectivos, elaboração de planos detalhados, diários e semanais, utilização de check-lists, definição e gestão de prioridades; Técnicas de gestão do tempo: organização do dia de trabalho, agrupamento de tarefas, controlo das interrupções e dos telefonemas, utilização da agenda como recurso estratégico, optimização das novas tecnologias; Organização do trabalho; Trabalho em equipa: organização e condução de reuniões, produção de resultados através de reuniões, delegação de tarefas à equipa de apoio comercial; plano de acção pessoal.. 34.
(36) apontados pelo referencial para esta UFCD são: contextualizar a documentação no âmbito dos serviços e operações bancárias e proceder em conformidade, em cada um dos contextos e caracterizar e aplicar os diferentes títulos de crédito e as suas funções12. O último curso a ser realizado e analisado foi o curso modular de Atendimento, UFCD número 0352, inscrito no curso EFA de Empregado/a Comercial da área de 341 Comércio. Este é dos cinco cursos, o único com o nível de certificação 2, equivalente ao 9º ano de escolaridade e com a duração de 50 horas. Tem como objectivos: enumerar e caracterizar as principais qualidades de um atendedor profissional, reconhecendo a sua relevância no desempenho da função; identificar a diferença entre os conceitos de atendimento / venda e atitude / comportamento; identificar e aferir as motivações / necessidades de cada cliente e estruturar o processo de atendimento, aplicando as atitudes/comportamentos associados a cada etapa13.. 1.3.2 As exigências do Sistema de Acreditação no contexto da associação. O sistema de acreditação foi criado pela Portaria nº 782/97 de 29 de Agosto, onde se entende que esta é “a validação e o reconhecimento formais da capacidade de uma entidade para desenvolver actividades de natureza formativa nos domínios e âmbitos de intervenção relativamente aos quais demonstre deter competências, meios e recursos adequados – humanos, técnicos, instrumentais e materiais” (Portaria nº 782/97 de 29 de Agosto). Neste documento faz-se referência à função privilegiada do Estado em relação à credenciação de entidades formadoras, com relação aos regulamentos dos apoios à formação dados no âmbito do Fundo Social Europeu, sendo que a acreditação é condição necessária para usufruto desses apoios. Prevê-se neste diploma que o estatuto seja acolhido por todas as entidades formativas, mesmo aquelas que não trabalhem com estes fundos devido às vantagens que são oferecidas: “efeitos distintivos e vantagens promocionais”. Os principais elementos de avaliação para a Acreditação são: os Curricula dos recursos humanos; os projectos de intervenção; as 12. O programa desta UFCD aborda os conteúdos - Sistema bancário: banca no Sistema Financeiro Português, funções e serviços bancários, Conta (conceito, abertura, tipos); Operações bancárias: depósitos regulares, depósitos irregulares, transferência de fundos, cobrança de valores, desconto bancário, empréstimo, banco e novas tecnologias; Títulos de crédito: conceito de título de crédito, características, representatividade, formas de emissão e transmissão, outros títulos de crédito; Cheque: conceito, características e requisitos, intervenientes, formas de emissão, formas de transmissão, lei uniforme do cheque; Letra: conceito, características e requisitos, intervenientes da letra, funções da letra, operações inerentes à letra, formas de emissão e preenchimento, formas de transmissão, desconto de letras, reforma de letras e a lei uniforme de letras e lideranças. 13. Os conteúdos abordados são – Perfil e funções do atendedor: características / qualidades de um Atendedor Profissional; Atendimento, conceitos gerais: atendimento / venda, atitude / comportamento; Diagnóstico de necessidades: origem das motivações / necessidades, análise prévia do perfil de cliente, estrutura de um guião de “perguntas tipo”; Etapas do processo de atendimento: abordagem inicial, prestação do serviço, despedida e operações de caixa.. 35.
(37) metodologias e instrumentos técnicos; o acompanhamento dos formandos e a avaliação dos resultados e do impacte da formação e os espaços, instalações e recursos logísticos, em geral. Efectivamente alguns autores defendem que um efeito da globalização sobre o Estado foi o seu enfraquecimento enquanto entidade soberana, mas que, por outro lado resultou num reforçou enquanto instaurador de políticas avaliativas, que controlam e regulam: “a avaliação tende a situar-se crescentemente no âmago do paradoxo das políticas educativas actuais: responder à competitividade, à meritocracia, mas sendo, igualmente, um instrumento de regulação equitativa que as retóricas hodiernas de cidadania e de individualismo democrático tão insistentemente reclamam (…) Com efeito, a globalização económica é também a realização da bio-política, na qual, paradoxalmente, o Estado se liberta e nos subtrai da política plena para, por outra via, reassumir uma vigilância sob o signo de uma avaliação omnipresente, intersticial e pretensamente neutra” (Machado, 2008: 190).. O diploma [Portaria nº 782/97 de 29 de Agosto] confia inicialmente a tutela do sistema de acreditação ao Instituto para a Inovação na Formação, reconhecido por INOFOR, criado igualmente em 1997, organismo substituído pelo Instituto para a Qualidade na Formação em 2004, que em 2006 foi extinto e a entidade à qual é actualmente apresentada a candidatura de Acreditação de entidades formadoras é a Direcção-Geral do Emprego e das Relações do Trabalho. A acreditação pode ser relativa a algumas fases do ciclo formativo ou em relação a todas, tal como o diagnóstico de necessidades; o planeamento, a concepção, a organização, o desenvolvimento; o acompanhamento e avaliação, entre outras formas de intervenção ligadas à formação. São apresentados enquanto objectivos da acreditação a contribuição para: a elevação da qualidade da formação; o crescente rigor na atribuição e acesso a fundos públicos; clarificar a oferta formativa para o seu público; a estruturação do sistema de formação profissional e o apoio às entidades na optimização das suas capacidades e recursos formativos. Assim, a concessão do estatuto de acreditação depende sempre da demonstração de cumprimento dos requisitos de acreditação, que se referem à norma de qualidade do sistema de acreditação e está orientada unicamente para entidades com personalidade jurídica própria com intervenção na formação. A candidatura ao sistema de Acreditação é conseguida através do preenchimento de formulários, apoiada por um manual de requisitos, que poderão ser gerais (aplicando-se a todas as instituições candidatas) ou específicos (aplicando-se apenas à fase do ciclo formativo a que se. 36.
(38) candidata). O processo de preenchimento da Acreditação é orientado por um formulário específico, o chamado Dossier de Acreditação que, à medida que vai sendo completado, vai fazendo referência às evidências de cumprimento necessárias requisitos obrigatórios e a outros formulários necessários: formulário de identificação e caracterização da organização; formulário de identificação e caracterização dos recursos humanos; formulário de caracterização e indicadores da actividade formativa desenvolvida; ficha curricular para a equipa formativa; relatório de auto-avaliação e o painel de indicadores da actividade formativa14. Todos estes documentos remetem também para outros relatórios e documentos das organizações candidatas, tais como balanços de actividade, planos de intervenção, programas, metodologias e instrumentos formativos, de recolha e análise de necessidades, de avaliação, de concepção e de desenvolvimento da formação. A ser concedida, a acreditação é validada pelo período de um ano, renovável depois em períodos até três anos. Uma vez que a instituição na qual se desenvolve o estágio consiste numa associação, como já foi referido, que procura desenvolver a educação de adultos é pertinente a existência de uma reflexão teórica sobre as problemáticas do associativismo e das políticas de educação de adultos em Portugal.. 14. Consultar anexo número 2.. 37.
(39) 38.
(40) Capítulo II. Enquadramento Teórico da Problemática. 2.1 A emergência do associativismo e as políticas de educação de adultos em Portugal A intervenção deste projecto de estágio está fortemente marcada pelo tipo de instituição que o acolhe, de tipo associativo que, enquanto tipo e forma organizativos, tem a sua existência bem demarcada na história do desenvolvimento da educação de adultos em articulação com o panorama de fundo das políticas públicas que se sagraram nesta área, mas que se afirmam como decisivas e altamente relevantes. Com efeito, foi, em grande parte, pela inexistência de um Estado-Providência em Portugal que, o movimento associativo se accionou (Lima e Afonso, 2006). Em relação às políticas específicas de educação de Adultos, Portugal é identificado por diversos autores, nomeadamente por Melo, Lima e Almeida (2002) e Fátima Antunes (2008), como um país com muito pouca tradição, com uma presença apagada, que, mesmo no contínuo desenvolvimento deste campo, devido a diferentes e diferenciados factores, este se apresenta como um processo sinuoso e um projecto, enquanto projecto societal, que vai sendo. progressivamente bloqueado. Foi durante o pós-guerra, entre os anos 40 e os anos 70 do século XX, que o EstadoProvidência adquiriu importância central na regulação social, surgido nas sociedades capitalistas democráticas, desenvolve um carácter de forte regulação dos mercados, estabelecendo uma ponte entre os domínios do capital e os do trabalho e em relação aos domínios das políticas sociais, económicas e culturais. Este tipo de organização estatal conseguiu durante algumas décadas o funcionamento da articulação contraditória entre o capitalismo – com o princípio da acumulação – e a democracia – com o intuito de legitimação, participação e redistribuição. A segunda metade da década de 1970 em Portugal foi marcada essencialmente por iniciativas de alfabetização e de animação cultural, com responsabilidades de muitos actores e instituições, como casas do povo, paróquias, cooperativas, associações e sindicatos (Lima, 2007), que actuam à margem de uma política pública e estatal, uma vez que a educação percepcionada como a única depositária das esperanças das pessoas em relação à vida, existindo mesmo neste período uma mobilização social e educativa que inclui a intervenção da administração pública para apoiar algumas iniciativas. No entanto, o Estado-Providência interveio essencialmente nos países nórdicos, ao contrário do que sucedeu com Portugal, na época ainda um país não 39.
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