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CAUSA RUSSO-POLONESA EM PARIS E BRUXELAS (1845-1848)

O PAN-ESLAVISMO REVOLUCIONÁRIO (1843-1863)

7.2 CAUSA RUSSO-POLONESA EM PARIS E BRUXELAS (1845-1848)

Na França, Bakunin esperava encontrar as possibilidades para a prática revolucionária. Mas, se havia muita disposição de sua parte para tanto, havia também dificuldades para consolidar laços e dar concretude política a esse projeto. Mesmo a tentativa de vínculo, em 1845, com a maçonaria – à qual Bakunin associou-se por meio da loja escocesa do Grande Oriente de Paris, esperando usufruir das relações com membros progressistas – não trouxe os frutos desejados. (Grawitz, 1990, pp. 121-122)

Na “Confissão”, Bakunin assim se recorda daquele período na França:

Minha vida em Paris foi dura, muito dura senhor! Não tanto por causa da miséria, que eu suportava com indiferença, mas porque eu havia finalmente despertado do delírio da juventude e das esperanças fantásticas. De repente, eu me encontrava num país estrangeiro, numa atmosfera sem calor moral, desprovido de família, de parentes, sem um campo de ação, sem ocupação e sem a menor esperança de um futuro melhor. Tendo desapegado-me da pátria e acabado com qualquer possibilidade de retorno, não pude tornar-me alemão ou francês; pelo contrário, quanto mais eu permanecia no exterior,

mais profundamente eu sentia que era russo e que jamais deixaria de sê-lo.

(Bakunin, 1976b[e], pp. 59-60, grifos adicionados)

Além de não conseguir vincular-se aos revolucionários parisienses, Bakunin tinha outras questões que lhe preocupavam. Não só a falta de recursos financeiros e a condenação na Rússia, mas também a restrição de contatos com outros russos, a distância e a falta de comunicação com a família que, em 1845, converter-se-ia numa nova ruptura com o pai, em

ódio pela mãe e no afastamento dos irmãos. (Bakunin, 45001[c]) De algum modo, esse quadro resultava num reforço progressivo de sua identidade russa, a qual parece ter sido robustecida com a chegada a Paris de Herzen, Ogarev e Turgueniev, e com a presença de outro russo, ex- membro do círculo moscovita dos veteranos, Nikolai Sazonov. (Carr, 1961, pp. 142-145)

Adicionavam-se a esse pano de fundo os acontecimentos vinculados à Polônia e as relações forjadas com imigrantes poloneses. Estes, em particular Lelewel, haviam introduzido Bakunin à questão polonesa durante seu período em Bruxelas. A Polônia era uma nação há anos subjugada, que havia sido invadida e partilhada pelos impérios da Rússia, da Áustria e da Prússia, terminando completamente com sua independência em 1795. Desde então, houve várias lutas em favor de sua independência e autodeterminação, as quais culminaram numa insurreição em 1830:

Assim como o resto da Europa, a Polônia também foi atingida pelas ondas do nacionalismo e do romantismo, e, em novembro de 1830, promoveu uma insurreição para libertar-se da Rússia [que havia ficado com a maior parte de seu território]. Inicialmente uma tentativa mal planejada de golpe de Estado por parte dos cadetes de Varsóvia, similar à Revolta Decembrista de 1825, ela transformou-se numa revolta plena quando trabalhadores e soldados de base, oriundos do campesinato, tomaram as armas e deram-nas ao povo. Rapidamente, aqueles poucos conspiradores encontravam-se na vanguarda de uma milícia espontânea de 30 mil membros. Logo depois, a Polônia declarou sua independência. A reação do czar foi feroz e resoluta. Nicolau I enviou o exército russo com ordens de esmagar decisivamente a revolta. Mas [...] o exército levou nove meses para suprimir a insurreição. A brutal consequência chocou grande parte da Europa e confirmou Nicolau I como o líder da reação e o exterminador das nacionalidades. (Leier, 2006, p. 114, colchetes adicionados)

Em meados dos anos 1840, a Europa sentia ainda muito enfaticamente os efeitos desse processo e, nos círculos progressistas, a Polônia era considerada um símbolo de resistência. (Hepner, 1950, pp. 218-220) Complementado pelas concepções políticas previamente adquiridas, tal quadro – envolvendo busca de prática revolucionária, falta de integração com os radicais de Paris, reforço de identidade russa, conhecimento da questão polonesa e de imigrantes poloneses, dentre os quais preponderava a ideia de uma “independência nacional” da Polônia (Hepner, 1950, p. 219) – ofereceu a Bakunin as condições para seu primeiro engajamento prático: a causa dos poloneses, que logo se tornaria a causa russo-polonesa e, enfim, a causa dos eslavos. Forjar-se-iam, assim, os grandes traços de seu “pan-eslavismo revolucionário”.122

122 Dou, nesse período, preferência ao termo “pan-eslavismo revolucionário”, acompanhando Hepner (1950, p.

Contrapondo uma posição manifestada na juventude123, Bakunin posicionou-se favoravelmente à causa da Polônia em 1845, ainda que o tenha feito de maneira breve. Numa carta escrita ao jornal republicano La Réforme, publicada em janeiro daquele ano, Bakunin manifesta-se publicamente, protestando pela primeira vez contra sua condenação na Rússia, defendendo a independência da Polônia e denunciando o governo russo, que considera um entrave para a democracia polonesa. (Bakunin, 45001[e])

Em relação às distintas correntes que reivindicavam a libertação da Polônia, Bakunin permaneceu mais próximo da “corrente radical”, dirigida por Lelewel. Mesmo assim, a posição defendida nessa carta ao La Réforme obteve um impacto positivo, inclusive entre membros de outras correntes; dentre eles, o príncipe Adam Czartoryski, líder da “corrente conservadora”, e o poeta Adam Mickiewicz, líder da “corrente messiânica”, que tentou atrair, sem sucesso, Bakunin para seu círculo federalista místico. (Angaut, 2009, pp. 26-27; Nettlau, 1964, p. 38)

A posição de Bakunin foi fortalecida no início de 1846, pelo acirramento das lutas da resistência polonesa: na Cracóvia, os rebeldes reivindicavam a libertação da Polônia prussiana e austríaca; na Galícia, os servos insurgiam-se contra seus senhores. Recordando-se desses fatos e das consequências que eles tiveram nos círculos radicais de Paris, Bakunin coloca na “Confissão”:

Os projetos de Poznan, as tentativas realizadas no reino da Polônia, a insurreição da Cracóvia e os eventos da Galícia surpreenderam-me, ao menos, tanto quanto a todos; a impressão que esses eventos produziram em Paris foi inimaginável: durante dois ou três dias toda a população viveu na rua; as pessoas falavam umas com as outras sem se conhecerem, todos exigindo, todos esperando, com uma impaciência febril, as notícias da Polônia. Esse súbito despertar, esse movimento geral dos espíritos e das paixões apoderou-se igualmente de mim; tive, por minha vez, a impressão de despertar, e decidi, qualquer que fosse o custo, sair de minha inação e tomar

relativamente homogêneas, ele adota distintas posições em relação à utilização do termo “pan-eslavismo”. Afinal, não só o movimento encontrava-se em disputa, mas também os termos que seriam utilizados para referir- se a ele. Inicialmente, Bakunin nega-se a identificar suas concepções com o pan-eslavismo; é somente em 1862 que ele o faz, reivindicando o termo positivamente. Naquele período, considera que sua concepção de eslavismo é, na verdade, um tipo de pan-eslavismo, que se difere de outros. Finalmente, cumpre pontuar que o pan- eslavismo de Bakunin não é apenas revolucionário; ele é também anticentralista, anti-imperialista, classista, democrático e federalista, de modo que poderiam ser outros os adjetivos do pan-eslavismo bakuniniano. Depois desse período, conforme o termo foi se vinculando cada vez mais a um eslavismo puramente russo, encabeçado pelo czar e imperialista, Bakunin passou a recusá-lo em definitivo.

123 Em janeiro de 1835, quando vivia na fronteira com a Polônia devido à punição recebida no exército, Bakunin

mostrava-se contrário à causa polonesa, ainda que de modo bastante superficial. Numa carta a Nikolai N. Muraviev, escreveu: “não somente o desculpo, mas acho mesmo necessárias as medidas que ele tomou”; referia- se, aqui, às ações de Mikhail, irmão de Nikolai e primo de Varvara (mãe), que contribuíram diretamente, quatro anos antes, com a repressão russa aos poloneses insurretos. (Bakunin, 35001[c], p. 7)

parte ativa nos eventos que estavam sendo preparados. (Bakunin, 1976b[e], pp. 62-63)

Aquela era, para além ao artigo de La Réforme, a primeira experiência de Bakunin numa ação concreta, e duas foram as medidas tomadas no sentido de fortalecê-la. A primeira foi enviar uma carta ao jornal Le Constitutionnel, que foi publicada em março de 1846, na qual ele se dedicava integralmente a denunciar o papel da Rússia na opressão da Polônia. (Bakunin, 46001[e]) Seu texto é um protesto contra a violência política protagonizada pelo governo russo com vistas a extinguir a língua polonesa, submeter a Polônia às leis da Rússia e impor aos poloneses uma religião de Estado, questão esta que é mais pormenorizadamente abordada. A segunda foi dirigir-se a Versalhes para conhecer os membros do partido democrático polonês e buscar um acordo para agir conjuntamente. Conforme aponta, propunha uma ação entre os russos vivendo na região da Polônia com vistas a uma “revolução russa e a república federativa de todos os estados eslavos; federativa, de todo modo, somente do ponto de vista administrativo, mas centralizada do ponto de vista político”. (Bakunin, 1976b[e], p. 64)

Para ele, era então o momento de tentar aprofundar as relações políticas e de conseguir articular, desde a França, a resistência russo-polonesa, que se tornava prioridade entre 1845 e 1847. Corroborando essa posição numa correspondência de agosto de 1847, Bakunin (47001[c], p. 4) enfatizava: “vivo quase que somente entre os poloneses, coloquei corpo e alma no movimento russo-polonês”. Entretanto, essa articulação não era simples de se concretizar. Por mais que o artigo de Le Constitutionnel tenha tido alguma repercussão, não havia aliados e nem mesmo um plano de ação. Além disso, Bakunin (1976b[e], p. 64) tinha dificuldades de se entender com os poloneses de Versalhes, em razão de um nacionalismo exclusivista e estreito por eles defendido, e uma provável desconfiança por eles manifestada.124 (Carr, 1961, pp. 148-149)

124 Sobre seu encontro com os membros do partido democrático polonês, Bakunin (1976b[e], p. 64) afirmou:

“Minha tentativa não teve sucesso. Vi os democratas poloneses em várias ocasiões, mas não consegui me entender com eles. Primeiro, por causa da discordância de nossas concepções e de nossos sentimentos nacionais; eles pareceram-me limitados, mesquinhos, exclusivistas, não viam nada no mundo exceto a Polônia e eram incapazes de compreender as mudanças ocorridas na Polônia, mesmo depois de sua completa sujeição; por outro lado, eles desconfiavam de mim e provavelmente não esperavam grande coisa de minha cooperação”. Leier (2006, p. 116), explicando essas diferenças, considera que “embora ele tenha se oferecido para a comunidade polonesa em Versalhes e apoiado a agitação local, a derrota do levante jogou o movimento numa onda de caos e recriminações. Era difícil para os poloneses confiarem uns nos outros, para não falar de um nobre russo. A democracia revolucionária de Bakunin tinha menos interesse aos imigrantes poloneses nobres, muitos dos quais viram na revolução apenas uma oportunidade para substituírem a nobreza russa. Ademais, para Bakunin, libertação nacional tratava-se de libertação e não de nacionalismo”.

Apesar disso, em novembro de 1847, Bakunin foi convidado por dois jovens poloneses para discursar no banquete de comemoração do aniversário de 17 anos da insurreição de 1830, que aconteceria naquele mesmo mês em Paris e seria presidido pelo deputado radical Hippolyte Vavin. Bakunin aceitou o convite, preparou em três dias sua fala e proferiu-a na referida ocasião, sendo aquele seu primeiro discurso público. Publicado no mês seguinte em La Réforme, o “Discurso: 17º Aniversário da Revolução Polonesa” retoma e aprofunda os temas dos escritos de 1845 e 1846. Recuperando aspectos da história eslava, Bakunin estabelece um paralelo entre a dominação do povo russo e da Polônia, mostrando como ambos eram vítimas de um mesmo algoz da liberdade dos povos: a “Rússia oficial” de Nicolau I. Considera russos e poloneses parte de um mesmo povo, de uma mesma nação, de uma mesma raça, e aponta a necessidade de uma aliança russo-polonesa para um combate ao despotismo europeu em favor da democracia.

O discurso, finalizado com as palavras Jeszcze Polska nie zginela! [A Polônia ainda não morreu!], foi aclamado pelos 1500 presentes e colocou o nome de Bakunin não só dentre os grandes eslavistas russos, mas dentre os maiores oradores revolucionários da Europa do século XIX, posição que seria consolidada nos anos seguintes.125 (Bakunin, 47003[e]) Custou- lhe a expulsão da França, pedida pelo embaixador da Rússia, que aproveitou para disseminar o boato de que Bakunin era um agente provocador de seu governo. Restou a Bakunin retornar a Bruxelas, onde permaneceu de dezembro de 1847 a fevereiro de 1848. (Bakunin, 47003[c])

Nessa segunda estada em Bruxelas, Bakunin (1976b[e], p. 66) reencontrou Lelewel e retomou os contatos com a imigração polonesa. Conforme escreveu na “Confissão”, ele “frequentava mais os círculos aristocráticos” e “se encontrava no centro da propaganda dos jesuítas” – conhecera o general Jan Skrzynecki (que também havia participado da Insurreição de 1830), o conde Xavier de Merode e o conde Charles de Montalembert. Aquele era certamente um círculo conservador e, por mais que os vínculos de Bakunin tenham sido efêmeros e sem continuidade posterior, eles têm algo a dizer. Se por um lado parece um exagero afirmar, como Carr (1961, p. 154) e Grawitz (1990, p. 133), que, em Bruxelas, Bakunin abandonou os comunistas para articular-se com a extrema direita, por outro, parece acertado compreender que, em alguma medida, e conforme será discutido adiante, a bandeira da libertação nacional alçada por Bakunin flertou, em algumas ocasiões, com o nacionalismo.

125 Segundo Carr (1961, pp. 150-151), Bakunin foi provavelmente “um dos maiores oradores de todos os

tempos”. Mesmo discursando em variados idiomas, “sua solidez e sua ardente seriedade”, somadas a seu enorme carisma, “deixavam o público hipnotizado”. O discurso no banquete do 17º aniversário da Insurreição Polonesa “foi a primeira e mais surpreendente exibição de seu poder como orador”.

Nessas circunstâncias, foi marcado por traços policlassistas, antidemocráticos, exclusivistas ou mesmo conservadores.

Bakunin recebeu outro convite dos poloneses, desta vez para discursar num banquete por eles articulado em comemoração ao aniversário do Levante Decembrista. Naquele que foi seu segundo discurso público, Bakunin retomou, em fevereiro de 1848, a temática do discurso anterior, apontando a libertação dos eslavos (com foco nos russos e poloneses) como chave para o fim das opressões no mundo ocidental. Mas as dificuldades de Bakunin para o estabelecimento de laços mais orgânicos com os poloneses continuavam e eram agora agravadas pelos rumores provindos da França, de que ele seria um agente do governo russo. (Bakunin, 1976b[e], pp. 65-67; Carr, 1961, pp. 151-152)

Outro reencontro em Bruxelas ocorreu com Marx, que ali vivia desde 1845, depois de uma expulsão da França. Desde então, Marx havia estabelecido, com Engels, os fundamentos de seu materialismo histórico em A Ideologia Alemã – que, entretanto, viria a lume somente nos anos 1930 –, criticado a teoria econômica de Proudhon em A Miséria da Filosofia, e trabalhava na redação e na publicação do Manifesto Comunista. Marx era membro da Liga dos Comunistas e compunha, com Lelewel, a vice-presidência da Associação Democrática. Bakunin assistiu a duas reuniões desta associação, que foram importantes, na medida em que lhe permitiram conhecer um pouco mais de perto os comunistas alemães e o próprio Marx.

A experiência não teve bons resultados. Comentando-a com Herwegh, Bakunin escreveu:

A Aliança [Associação] Democrática pode realmente levar a algo bom, mas esses alemães – o operário Bornstädt, Marx e Engels, sobretudo Marx – continuam aqui, como de costume, produzindo catástrofes. Vaidade, ódio, fofocas, arrogância na teoria e covardia na prática; reflexões sobre a vida, a ação e a simplicidade, e total falta de vida, de ação e de simplicidade. [...] Feuerbach é um burguês e este termo “burguês” transformou-se numa palavra de ordem que é repetida à exaustão – sendo que todos eles são, dos pés à cabeça, visceralmente pequeno-burgueses provincianos. Em duas palavras, nada mais que mentira e estupidez, estupidez e mentira. [...] Permaneço distante e expliquei-lhes, com muita firmeza, que não ingressarei em sua associação de trabalhadores comunistas e que não quero ter nada em comum com ela. (Bakunin, 47011[c], pp. 1-2, grifos adicionados)

Para pontuar as similaridades e diferenças que existiam entre Bakunin e Marx na passagem de 1847 a 1848, é necessário não antecipar as polêmicas dos anos 1860 e 1870, como, em alguma medida, faz Leier (2006, pp. 118-130). Naquela época, Bakunin estava longe de ser anarquista, e suas posições modificar-se-iam muito mais do que aquelas de Marx.

Desse modo, não é adequado interpretar essa relação na chave de um conflito entre “anarquismo” e “marxismo”.

Havia, entre ambos, durante o período de Bruxelas, divergências nos campos pessoal e teórico-político. Bakunin considerava Marx vaidoso, arrogante e hipócrita e acusava-o de edificar-se sobre a crítica destrutiva alheia e de atacar aqueles que se recusavam associar-se ou submeter-se a ele. Acreditava que Marx fugia da prática revolucionária, escondendo-se detrás de sua produção intelectual. Os juízos de Marx sobre Bakunin também não eram positivos. Ademais, ainda que buscassem um mesmo objetivo – o fim das opressões por meios revolucionários –, ambos possuíam leituras distintas da realidade e seus projetos políticos eram deveras divergentes. Bakunin aproximava-se de um pan-eslavismo revolucionário, cujo foco estava na prática da luta de libertação nacional por parte do povo eslavo visando à implantação de um federalismo político nos países eslavos (Europa central e oriental). Marx defendia um comunismo estatista, cujo foco estava na produção de um ferramental teórico crítico que oferecesse condições de libertação ao proletariado (urbano- industrial, principalmente), visando a uma mudança por meio da conquista do Estado iniciada nos países mais avançados da Europa ocidental.126

Segundo Leier (2006, p. 130), as diferenças entre Bakunin e Marx no contexto da Primavera dos Povos podem ser notadas no encaminhamento que dão ao curso de suas vidas: “Em 1848, suas diferenças de teoria, personalidade e filosofia os levaram para caminhos distintos. Conforme a Europa fervilhava, Bakunin jogou-se nas barricadas de Paris e Dresden, enquanto Marx começaria sua longa jornada no British Museum”.

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