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4.2.3.13.2 – IMPACTO NAS DEMONSTRAÇÕES FINANCEIRAS DA CME

PARTE II – ESTUDO EMPÍRICO

4.2.3.13.2 – IMPACTO NAS DEMONSTRAÇÕES FINANCEIRAS DA CME

Face ao explanado na secção anterior e segundo o quadro demonstrativo na nota 8.2.27, dos documentos de prestação de contas do ano de 2010, constatámos que a CME reforçou na conta patrimonial 291 - Provisões para cobranças duvidosas, 308.949,31€. Estas provisões foram calculadas de acordo com o estabelecido no subcapítulo 2.7.1 – Provisões, do POCAL, designadamente:

• 50% para dívidas em mora há mais de 6 meses e até 12 meses – ou seja, 382.522,30€*50%=191.261,15€;

• 100% para dívidas em mora há mais de 12 meses – isto é, um valor de 332.196,59€.

Considerando que a mencionada conta patrimonial 291 tinha um saldo devedor de 214.508,43€, à data de 31/12/2009, e que o saldo necessário para o ano de 2010 era de 523.457,74€, então o montante considerado no reforço à conta de provisões para cobrança duvidosa do ano de 2010 foi de 308.949,31€.

Assim, e tendo em linha de conta que o reconhecimento e a mensuração de provisões entre os dois normativos é semelhante, concluímos que o impacto nas demonstrações financeiras da CME é nulo, na eventualidade de o normativo internacional ser adotado. Ao nível das divulgações, constatamos igualmente que não existem outras informações, para além daquelas exigidas pelo POCAL, passíveis de serem divulgadas pela CME.

4.2.3.14 – POCAL versus IPSAS Nº21: IMPARIDADE DE ATIVOS NÃO GERADORES DE CAIXA

4.2.3.14.1 – COMPARAÇÃO

O objetivo da IPSAS nº21 prende-se com o estabelecimento de procedimentos inerentes à imparidade de ativos não geradores de caixa, ou seja, determinar se estes ativos estão em imparidade e confirmar se as perdas por imparidade são reconhecidas. A norma também prescreve a reversão de perdas por imparidade, bem como quais os requisitos que as entidades devem atender nas divulgações. O normativo internacional define ativos geradores de caixa como aqueles detidos pelas entidades que têm como objetivo principal gerar um retorno comercial. Logo, a IPSAS nº21, assume que os ativos não geradores de caixa são aqueles que não se enquadram no conceito de ativos geradores de caixa.

Segundo o §21 da IPSAS nº21, um ativo não gerador de caixa encontra-se em imparidade quando o valor escriturado desse ativo é superior ao seu valor recuperável de serviço. Determina ainda este normativo que, a cada data de

relato, a entidade deve avaliar se existe alguma condicionante que possa concluir que um ativo não gerador de caixa esteja em imparidade. A ser verdade, a entidade deve fazer um teste de imparidade, ou seja, determinar um valor

estimado para a sua quantia recuperável de serviço19.

Quando um ativo não gerador de caixa está em imparidade, o seu valor escriturado deve ser reduzido para a sua quantia recuperável de serviço, isto é, esta redução é uma perda por imparidade (conceito explanado na comparação entre o POCAL e a IPSAS nº7).

Segundo o §50 da IPSAS nº21, qualquer perda por imparidade deve ser imediatamente reconhecida no excedente/défice líquido.

No caso de o valor estimado de uma perda por imparidade for superior ao valor escriturado do ativo, e de acordo com o §51 da IPSAS nº21, “() uma entidade deve reconhecer um passivo se, e somente se, isso for exigido por uma outra Norma Internacional de Contabilidade do Sector Público”. A entidade deve reduzir para zero o valor correspondente à quantia escriturada do ativo, reconhecendo desta forma uma quantia igual no excedente/défice.

Durante a restante vida útil do ativo não gerador de caixa, de forma sistemática e após reconhecer uma perda por imparidade, uma entidade deve ajustar em períodos futuros o débito inerente à depreciação (amortização) do referido ativo, com o objetivo de imputar o valor escriturado revisto do ativo, menos o seu valor residual (se existir). Esta situação é também aplicável no caso de haver uma reversão de uma perda por imparidade do ativo (§66, IPSAS nº21).

De acordo com o §55 da IPSAS nº21, qualquer perda por imparidade reconhecida em períodos anteriores de um ativo não gerador de caixa deve ser avaliada pela entidade a cada data de relato, de forma a indagar sobre se a mesma existe ou se, eventualmente, sofreu uma diminuição. No caso de a resposta ser afirmativa, a entidade deve estimar o valor recuperável de serviço desse ativo.

19

Quantia recuperável de serviço “() é a mais alta entre o justo valor do activo menos os custos de vender e o seu valor de uso” (§14, IPSAS nº21).

Poderá ainda a perda por imparidade, que foi reconhecida em períodos transatos, ser revertida. Contudo, a reversão de uma perda por imparidade ocorre se e só se, “() houver uma alteração das estimativas usadas para determinar a quantia recuperável de serviço do activo desde que a última perda por imparidade foi reconhecida” (§61, IPSAS nº19). Portanto, o valor escriturado do ativo não gerador de caixa deve ser acrescido ao seu valor recuperável de serviço – este aumento corresponde à reversão de uma perda por imparidade - com exceção do mencionado no §64 da IPSAS nº21. Este parágrafo determina que esse aumento não deve ser superior à quantia escriturada do ativo que teria sido calculada (líquido de depreciação ou amortização) se a entidade não tivesse reconhecido qualquer perda por imparidade nesse ativo em períodos anteriores.

Segundo o §65 da IPSAS nº21, qualquer reversão deve ser imediatamente reconhecida no excedente/défice líquido.

O POCAL é omisso quanto a esta matéria. Contudo, já referimos nas anteriores comparações o que esse normativo prescreve em termos de contabilização de perdas por imparidade, designadamente nas comparações realizadas entre o POCAL e as IPSAS números 7 (Contabilização de investimentos em associadas) e 17 (Ativos fixos tangíveis).

Quanto às divulgações, constatamos que apenas a informação exigida no §68 da IPSAS nº21, relativamente ao valor “() das perdas por imparidade reconhecidas no excedente líquido/défice durante o período e os itens de linha da demonstração de desempenho financeiro em que essas perdas por imparidade sejam incluídas”, constitui um ponto de contacto entre os dois normativos (no POCAL esta divulgação está refletida na nota explicativa 8.2.32 das NBDR), conforme mapa comparativo (anexo 17).

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