PARTE II – ESTUDO EMPÍRICO
4.2.3.18.2 – IMPACTO NAS DEMONSTRAÇÕES FINANCEIRAS DA CME
Face ao exposto na secção anterior e tendo por base a análise realizada aos documentos de prestação de contas e ao relatório de gestão da CME do ano de 2010, notamos que a existir impacto nas demonstrações financeiras da CME, o mesmo seria ao nível dos testes de imparidade. Contudo, segundo informação prestada pela Autarquia sobre esta matéria, a CME não realiza quaisquer testes de imparidade, pelo que concluímos que a eventual adoção da IPSAS nº26 provoca um impacto nulo nas desmonstrações financeiras desta entidade.
4.2.3.19 – POCAL versus IPSAS Nºs 28, 29 e 30: INSTRUMENTOS FINANCEIROS: APRESENTAÇÃO, RECONHECIMENTO E MENSURAÇÃO E DIVULGAÇÃO
4.2.3.19.1 – COMPARAÇÃO
Relativamente à temática sobre instrumentos financeiros, o IPSASB substituiu a IPSAS nº 15 (designada por Instrumentos financeiros: Divulgação e Apresentação) pelas IPSAS números 28 - Apresentação, 29 - Reconhecimento e Mensuração e 30 - Divulgação.
Nas notas introdutórias à norma internacional nº28, é referido que as mencionadas IPSAS – 28, 29 e 30 - devem ser analisadas em simultâneo, devendo as mesmas ser aplicadas nos períodos de relato financeiro com início ou após 01 de janeiro de 2013.
Segundo o §9 da IPSAS nº28, instrumento financeiro “() é todo o contrato que origine um activo financeiro de uma entidade, bem como um passivo financeiro ou um instrumento de capital próprio de uma outra entidade”.
A IPSAS nº28 tem como principal objetivo prescrever os princípios subjacentes “() para a apresentação de instrumentos financeiros como passivos ou activos líquidos/capital próprio e para a compensação dos activos financeiros e dos passivos financeiros” (§1, IPSAS nº28).
Quanto ao reconhecimento inicial de um instrumento financeiro, a IPSAS nº28 estabelece no seu §13, que o emitente deve classificar esse instrumento ou as suas partes componentes como um passivo financeiro, ativo financeiro ou um instrumento de capital próprio segundo “() a substância do acordo contratual e as definições de um passivo financeiro, activo financeiro e de um instrumento de capital próprio”.
Relativamente aos instrumentos financeiros compostos, o emitente deve ser capaz de avaliar se nesses instrumentos financeiros incluem-se quer a componente de passivo quer a componente de ativo líquido/capital próprio. Neste caso, o reconhecimento das partes que compõe esse instrumento financeiro deve ser efetuado de forma separada “() como passivos financeiros, activos financeiros ou instrumentos de capital próprio de acordo com o §13” (§33, IPSAS nº28).
A mencionada norma internacional determina no §40, que os juros, dividendos ou distribuições similares, perdas e ganhos inerentes a um instrumento financeiro ou as suas partes componentes, desde que classificados como um passivo financeiro, devem ser reconhecidos como um gasto ou rédito na demonstração da posição financeira das entidades.
Excecionalmente, a IPSAS nº28, §47, prevê que as entidades possam compensar
os seus ativos e passivos financeiros. Neste caso, as “() quantias líquidas devem ser
apresentadas na demonstração da posição financeira, quando e somente quando, uma entidade: • tem actualmente um direito legalmente executável para compensar as quantias
reconhecidas;
• pretende liquidar numa base líquida ou, simultaneamente, realizar o activo e liquidar o passivo”.
Nesta matéria, o POCAL preconiza que as entidades não devem compensar os elementos do ativo e do passivo (refletidos no Balanço), bem como custos e
perdas e proveitos e ganhos (espelhados na Demonstração de Resultados). Estes elementos devem ser apresentados separadamente (subcapítulo 3.2 – Princípios contabilísticos - Princípio da não compensação, POCAL).
Quanto à IPSAS nº29, o principal objetivo elencado neste normativo prende-se com o estabelecimento de requisitos para o reconhecimento e mensuração de instrumentos financeiros.
De acordo com o §16, da referida norma, uma entidade deve reconhecer inicialmente um ativo financeiro ou um passivo financeiro na sua Demonstração da posição financeira quando, e somente quando, se torne parte integrante das disposições contratuais do instrumento financeiro.
Quanto à mensuração dos ativos e passivos financeiros, institui a IPSAS nº29, §45, que a entidade após ter reconhecido inicialmente um ativo financeiro e um passivo financeiro, devem os mesmos ser mensurados pelos seus justos valores. Consequentemente, a entidade deve mensurar os seus ativos financeiros pelos seus justos valores, incluindo os derivados classificados como ativos, sem qualquer dedução proveniente de transações de venda (§48, IPSAS nº29).
No caso dos passivos financeiros, e de acordo com o §49 da IPSAS nº29, a mensuração subsequente deste tipo de passivos deve ser realizada pelo custo
amortizado, utilizando o método do juro efetivo23.
Quanto ao POCAL, esta matéria é tratada nas contas patrimoniais 15 – Títulos Negociáveis e 18 – Outras aplicações de tesouraria.
De acordo com o subcapítulo 4.4 – Disponibilidades - ponto 4 – Critérios de valorimetria do normativo nacional, os elementos que constituem as referidas contas patrimoniais devem ser expressos no Balanço pelos seus custos de aquisição. Contrariamente, a IPSAS nº29 preconiza que os ativos e passivos financeiros devem ser mensurados pelos seus justos valores.
23
Segundo o §10, da IPSAS nº29, “Método do juro efectivo é um método de calcular o custo amortizado de um activo financeiro ou um passivo financeiro (ou um grupo de activos financeiros ou passivos financeiros) e de alocar a receita ou despesas de juro durante o período relevante”.
Acresce referir que, segundo o preconizado no POCAL, se à data do Balanço os custos de aquisição dos títulos negociáveis e de outras aplicações de tesouraria forem superiores aos seus valores de mercado, a entidade deve constituir ou reforçar as provisões para aplicações de tesouraria (conta patrimonial 19). Estas provisões são calculadas tendo por base a diferença verificada entre o custo de aquisição e o preço de mercado. Neste sentido, o POCAL só permite que a entidade reconheça perdas e nunca os ganhos, como resulta da aplicação do justo valor.
A IPSAS nº30 institui os requisitos que a entidade deve ter em consideração quanto às divulgações. Notámos que este normativo internacional exige que as entidades apresentem determinadas informações relacionadas com instrumentos financeiros, designadamente as informações que permitam aos utentes das demonstrações financeiras avaliar o significado, natureza e riscos inerentes aos instrumentos financeiros, tal como é estabelecido pelo POCAL. Logo, concluímos que os dois normativos se assemelham no que diz respeito às divulgações, conforme mapa comparativo (anexo 22).