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QUADRO 26 DOCUMENTOS REFERENTES AO HOSPÍCIO E COLÉGIO DO PILAR

QUADRO 26. DOCUMENTOS REFERENTES AO HOSPÍCIO E COLÉGIO DO PILAR

N. Ano Tipo Facilitador Detalhes do documento Fonte

1 1686 Sesmaria do Padre Paschoal

Durão.

Governador da Bahia.

Uma sorte de terra na beira do mar com Capela de Nossa Senhora do Pilar. Serra (1916c, p. 28-29). 2 1691 Doação da capela do Pilar aos carmelitas de Salvador. Padre Paschoal Durão de Carvalho.

“Padre Pascoal Durão de Carvalho doou aos religiosos a capela de Nossa Senhora do Pilar, que hoje é nosso colégio. A escritura desta doação se acha em notas do escrivão João da Costa Ferreira [...]. Foi celebrada a dita aos 21 de junho de 1691, sendo Prior deste nosso Convento da Bahia Fr. Cosme do Desterro. [...] Terras a ela [a Capela do Pilar] pertencentes, que são sete braças [cerca de 15,4 m] para cada lado da igreja, e três braças e meia [cerca de 7,7 m], em que estão as benfeitorias de pedra e cal, com portas de cantaria lavradas, e mais cinco braças [cerca de 11 m] que compreende a dita igreja”.

“Livro de Várias Notícias [...]” (1796, p. 8). 3 1722 Sugestão de um colégio no Pilar. Província Carmelitana da Bahia e Pernambuco.

Na reunião da Província do Carmo da Bahia e Pernambuco realizada em 1722, os carmelitas calçados planejaram transformar o Hospício do Pilar em colégio da Província.

“Livro Primeiro de Actas [...]” (1720-1780, p. 13-31). 4 1748 Pedido de autorização para a fundação do Colégio do Pilar. Província Carmelitana da Bahia e Pernambuco.

“Diz o Provincial e mais religiosos do Carmo da Província da Bahia, que eles têm na mesma cidade um Hospício de Nossa Senhora do Pilar, e porque os suplicantes necessitam muito para aumento da sua Província, bem comum, e utilidade pública de uma casa, ou colégio, para estudos gerais de Filosofia, Teologia, e Moral, e no dito hospício tem todo o cômodo necessário para nele fazerem colégio de estudos o que não podem os suplicantes fazer sem licença de Vossa Majestade.[...] E Receberá Mercê”.

AHU-BA-CA, Papéis Avulsos, cx. 86, doc. 7048. 5 1749 Confirmação da patente de Colégio do Pilar170. Prior-Geral da Ordem do Carmo em Roma, Frei Luiz

Laghius.

Em 23 de setembro de 1749, os carmelitas informaram, em reunião capitular, a confirmação da transformação do Hospício do Pilar em colégio, confirmada pelo Geral da Ordem, Frei Luiz Laghius: “[...] nosso hospício tem sido um longo tempo que, sob a invocação de Nossa Senhora do Pilar, possui o Convento da Bahia com número competente de religiosos, que estão sempre sob obediência e jurisdição do Vigário do antigo governo de regular [...], tem renda suficiente para que o Colégio de Estudos de Filosofia e Teologia também seja configurado [...]”.

“Livro Primeiro de Actas [...]” (1720-1780, p. 321). 6 1763 O Colégio do Pilar deixou de funcionar e voltou para a patente de hospício. Província Carmelitana da Bahia e Pernambuco.

A partir da reunião capitular de 22 de abril de 1763, é provável que o Colégio do Pilar tenha voltado à sua patente de hospício, porque houve votação para Vigário Superior do Hospício da Virgem da Coluna (ou do Pilar). Ao longo do terceiro quartel do século XVIII, os carmelitas calçados não mencionaram mais o colégio nas reuniões capitulares e continuaram realizando votações somente para Vigários Superiores do Hospício do Pilar.

“Livro Primeiro de Actas [...]” (1720-1780, p. 467-481). 7 1794 O Hospício do Pilar voltou a funcionar como um colégio. Coroa

Portuguesa. “Cópia da petição pela qual foi sua Alteza servido conceder-nos o Real beneplácito para os Estudos do nosso Hospício do Pilar”. “Livro Segundo de Actas [...]” (1780-1799, p.

210).

Quadro 26: Documentos da fundação do Hospício ou Colégio do Pilar (1686-1794).

170 A patente de colégio era superior à patente de hospício, sendo equiparada, no “Livro Primeiro de Actas [...]”

Em relação à localização do Hospício ou Colégio Carmo do Pilar, mostraremos um mapa atual da Cidade de Salvador, onde sinalizamos as regiões do Convento do Carmo, do Hospício do Pilar e as terras de sesmaria (do Cais Dourado e guindaste) em frente ao convento (figura 20)171. O Hospício do Pilar situava-se na Freguesia do Santíssimo Sacramento (SS.) do

Pilar e, próximo dele, havia a Igreja da Irmandade ou Matriz Paroquial do SS. do Pilar172.

Figura 20: Mapa atual, situando o Hospício do Pilar e o Convento do Carmo em Salvador (em vermelho), o terreno de sesmaria (em verde). Fonte: Site Google Mapas; mapa modificado pela autora.

No entorno da Cidade de Salvador, na direção Sudeste, a partir de 1711, os carmelitas do Convento de Salvador tinham uma fazenda de mandioca chamada “Itapoã” na

171 No período colonial, não havia a porção de terra entre a Avenida Jequitaia e a da França (representadas no mapa

recente), pois foi criada em obras de aterramento da Cidade de Salvador na primeira metade do século XX, por isso, o Hospício do Pilar dos carmelitas calçados situava-se à beira do mar no século XVIII. Na mesma época do aterramento no século XX, o Hospício do Pilar, que havia sido vendido a leigos no século XIX, foi demolido para a abertura de uma rua. Santos (2012, p. 167), alertou sobre essas obras do século XX em Salvador: “O aterro resultante da expansão do porto teve como resultado uma vasta superfície a ocupar. Era mais cômodo construir, diretamente, sobre o vazio que ir demolir casas velhas. Além de um preço de venda, aproximadamente, igual, há a vantagem da existência de ruas mais largas e de uma circulação mais fácil. Tal vantagem contribuiu para que a degradação dos velhos prédios continuasse”.

172 “A Freguesia do Pilar, desmembrada em parte da Conceição da Praia, foi criada em 1720 pelo Arcebispo D.

Sebastião Monteiro da Vide. Seguia pela Rua Direita até chegar à altura do guindaste da praia dos Padres de Nossa Senhora do Carmo; daí se dividindo, de um lado para a praia, até a igrejinha de Nossa Senhora de Monte Serrat, dos religiosos de São Bento. Do outro lado, iria encontrar-se com a Freguesia de Santo Antônio Além do Carmo. Tinha como Matriz a Igreja do SS. Sacramento do Pilar, e contava dentro de sua área a Igreja dos Órfãos de São Joaquim, São Francisco de Paula, Igreja da Ordem Terceira da Santíssima Trindade, Hospícios de N. Senhora do Carmo e de N. Senhora de Monte Serrat, dos beneditinos” (NASCIMENTO, 2007, p. 59).

nascente do “Rio Itapoã-Mirim”173. Na mesma época, o mesmo convento tinha um sítio de

gados e uma Capela de Santo Antônio no Rio das Pedras no Recôncavo174. Além disso, as terras

adquiridas por sesmarias no século anterior pelo Convento de Salvador, chamadas de Terra Nova e situadas no Recôncavo, foi um dos maiores engenhos da Província Carmelitana da Bahia e Pernambuco no século XVIII, com fazenda de cana-de-açúcar, engenho e capela.

Ainda no Recôncavo, em 1688, alguns carmelitas do Convento de Salvador já estavam atuando na missão indígena chamada de “Caperossu”, em uma das principais regiões do Rio Paraguaçu, chamada de Sítio do Porto da Cachoeira, do capitão João Rodrigues Adorno175. Essa localidade se situava no Recôncavo da Bahia de Todos os Santos, à margem

do Rio Paraguaçu, próximo a nascente dele. Era local importante de entreposto comercial. Entre outras atividades, era de onde se encaminhava o fumo das principais fazendas do Recôncavo para aportar em Salvador e daí seguir rumo à África. No mapa “Sinus Omnium Sanctoru[m]” de Joan Blaeu (1664-1665)176, sinalizamos, em vermelho, a região de Cachoeira e a Cidade de

Salvador, ambas na Capitania da Bahia de Todos os Santos (figura 21).

Figura 21: Mapa “Sinus Omnium Sanctoru[m]”, de Joan Blaeu (1664-1665), com destaque para a Vila de Cachoeira e a Cidade de Salvador (em vermelho).

Fonte: FBN Digital, disponível em: <http://objdigital.bn.br/acervo_digital/div_carto grafia/cart71245.pdf>, acesso em: 1 jun. 2013; mapa modificado pela autora.

173 “Livro de Aforamentos”. In: “Livro Segundo de Tombo [...]” (1589-1796, p. 87). Aquela fazenda situava-se

onde hoje é o Bairro de Itapuã, na Cidade de Salvador-BA.

174174 “Livro de Aforamentos”. In: “Livro Segundo de Tombo [...]” (1589-1796, p. 81).

175 João Rodrigues Adorno era neto de Diogo Alvares Correia (conhecido como “O Caramuru”) e de Catarina

Paraguassu (índia), ambos os avós bastante divulgados pela historiografia da Bahia colonial. A família Adorno era detentora de boa parte das terras e engenhos do entorno do Rio Paraguaçu no Recôncavo baiano.

Para se fixarem no local, os calçados receberam, em 1688, uma parte das terras daquele sítio para a construção de um hospício, que foi doado pelo senhorio dele, João Rodrigues Adorno, e autorizado pela Junta das Missões da Bahia e pela Coroa. A Missão do Caperossu foi tomada dos carmelitas por volta de 1691, todavia, como o hospício já estava fundado e a igreja dele construída parcialmente, os calçados permaneceram naquela região. Em 1698, a região se elevou à condição de Vila de Nossa Senhora do Rosário do Porto da Cachoeira, tendo Igreja Matriz, Casa de Câmara e Cadeia e o Hospício do Carmo, que, na mesma época, deve ter se elevado à condição de convento. Nesse período, começou a funcionar a Ordem Terceira do Carmo (1691) nas dependências da Igreja do Carmo e aquela irmandade depois recebeu terras (1700) de João Rodrigues Adorno para construir a Igreja da Ordem Terceira ao lado da igreja dos carmelitas calçados. (Quadro 27).

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