Capítulo 5 – Apresentação e discussão dos resultados encontrados
5.13 Questões pessoais
5.13.3 Identidade profissional
De maneira geral, os entrevistados tiveram dificuldade em identificar o que faziam – identificar qual era a sua “profissão”. Isso ocorreu especialmente com profissionais da área de Tecnologia da Informação, que engloba uma grande variedade de atividades, normalmente identificadas por termos técnicos desconhecidos do cidadão comum. Quando tentavam explicar ninguém entendia e acabavam usando termos genéricos que não diziam muita coisa.
- Se alguém te pergunta: “O que você faz?”, o que é que você responde?
Nossa, acho que respondo: ih, é complicado explicar. Porque é complicado explicar! Você começa a falar: eu trabalho em informática. “Mas o que é que você faz, você programa”? Não, não exatamente, mas eu ajudo quem está programando... Eu acabo explicando mais ou menos o tipo de atuação, mas é muito difícil. Hoje em dia principalmente, porque todo mundo mexe com computador. “Ah, você mexe com computador”? É, eu mexo. “Ah, então me vê como é que faz, e tal”. Olha, não me peça pra instalar software, porque eu não faço a mais vaga idéia! (Entrevista 10). - Quando alguém te pergunta o que que você é, em termos de profissão, o que você responde? Eu dizia consultora. Agora ainda estou numa fase de conflito, porque eles me deram um cargo que eu não entendo que cargo é esse.
- Qual é o nome?
Minha carteira está assinada como analista de sistemas. Eu não sou, eu sou psicóloga, de formação, não consigo entender um cargo que não tem a ver com a profissão que você tem, mas enfim. - Antes você falaria que era consultora, agora você não sabe exatamente.
Mas por causa do cargo que eles me deram. Pode ser qualquer nome, mas analista de sistemas? Eu não sou analista de sistemas!
- Mas a sua função lá inclui isso, né? Inclui.
- Você tem alguma função de psicóloga? Não.
- E se alguém pergunta pra você o que você faz, como é que você responde?
A desgraça é que ainda é muito recente, mas eu tento explicar que eu estou responsável por um sistema de gestão, mas como ainda está muito recente, eu tenho um mês e meio de casa... Ainda tá um pouco recente. (Entrevista 14).
- Aí, você vai falar isso para alguém tipo eu, que não sabe, e não é analista. Aí pergunta “Qual a sua profissão?” Aí você fala Analista de sistema.
Eu falo Analista de sistema.
- Aí, eu pergunto pra você o que faz?
Eu não sei explicar. Eu vou falar o quê? Eu não consigo explicar para os meus pais o que eu faço. (Entrevista 15).
- Se alguém te pergunta: Qual que é sua profissão? O que você diz? Contador.
- E o que você faz?
Se me perguntar o que eu faço eu digo que sou gerente de desenvolvimento de sistemas. Mas dado que esse mundo de sistemas é muito difícil de explicar, o pessoal nunca entendia direito, minha mãe até hoje me pergunta: “o que você faz mesmo?”. (risos) Ela fala assim: “você quando entrou
na faculdade era isso que você queria fazer?”, eu falo: não, mãe, eu nem sabia que isso existia, eu nem sabia que alguém precisava dizer pra alguém de sistemas o que ele precisa fazer; eu nem sabia, eu nem imaginava que um dia eu ia ter gente de sistemas embaixo de mim, eu nunca imaginei isso, mãe. Então assim, pra simplificar, “o que você é?”: contador. (Entrevista 19).
- Qual que é sua profissão, como é que você responde essa pergunta?
Ah, essa é uma boa pergunta. É sempre difícil, porque eu sou publicitária, né, às vezes eu falo que sou gerente de pesquisa. Gerente de pesquisa é completamente diferente de você ser publicitária. Eu geralmente falo publicitária, não tem nada a ver. Eu nunca falo pesquisadora de mercado. - Por quê?
Não sei também. Porque não é uma profissão, na verdade, né.
- Se alguém te pergunta o que você faz, aí como é que você responde? Eu trabalho com pesquisa de mercado. (Entrevista 36).
Outro ponto que se tentou apurar foi se o profissional se identificava com a empresa na qual trabalhava. Procurou-se entender a força que a empresa tinha na definição do indivíduo enquanto profissional. Muitos entrevistados relataram não se identificar com a empresa, especialmente aqueles que atuavam na área de TI. Quando o entrevistado relatou um vínculo forte com a empresa, na maioria dos casos constatou-se que a existência dessa identificação não estava relacionada com o fato do vínculo empregatício ser ou não CLT.
Alguns profissionais preferiram se identificar com o que sabiam fazer (sou professora, sou jornalista), e outros com o tipo de vínculo empregatício (sou um consultor, sou um empresário). Estes profissionais, de uma forma geral, não se identificavam com a empresa na qual trabalhavam.
- Tem gente que tem uma identidade muito forte com a empresa que trabalha, e tem gente que não. Qual é a força da identificação que você teve, digamos, com a última, quando você estava lá? Vou te falar com a primeira, com a Empresa A, pode ser? Com a Empresa A, trabalhar na Empresa A foi uma experiência ótima. Eu acho que tinha uma coisa de identificação na Empresa... Então eles associam as duas coisas, e foi a empresa que eu mais, de alguma forma, me identifiquei com o negócio... Então a Empresa A era uma empresa que eu tinha uma identificação com a forma que eles faziam o negócio deles.
- Fazia você se identificar muito com a empresa.
Muito. Com a Empresa B eu tenho uma identificação do negócio, com a educação. Acho que a educação é o caminho pra tudo. Se não for pra desenvolvimento profissional, pra você, acho que a gente só cresce com educação. Agora, com a forma de trabalho, zero. O tratamento com as pessoas, zero, identificação nenhuma. Era um conflito grande isso: eu estava dentro de um lugar que eu gostava do que se faz, mas que eu não gostava da forma como se faz. (Entrevista 11).
- Qual é a força da identificação sua, como profissional, com a empresa que você trabalha? Nenhuma.
- Nenhuma. E com...
O cara me atravessa... Eu posso ter uma identificação pessoal com o cara que é dono da empresa, por uma questão humana, mas com a empresa, em si, zero, nem com a que eu trabalho nem com a que eu presto serviço.
- Com a Empresa A?
Não, porque eles também não têm nenhuma comigo. Entendeu? Amanhã ou depois, porque eles tratam as pessoas... Banco, principalmente nessa área de tecnologia, por isso que eu te falei, o cara está há 30 anos lá, não tem a mínima consideração. Porque eles acham, porque é uma área que você tem informação privilegiada, de acesso, eles acham que porque você foi demitido você vai deletar
as coisas, você vai danificar os sistemas, você vai...
- Então é um padrão, quando a pessoa é demitida nessa área, a saída é assim? Totalmente assim. É meio triste assim.
- Por receio de que a pessoa faça...
É, de que ela detone alguma coisa, entendeu... Porque realmente, às vezes a gente tem acesso a algumas coisas que você pode, sabe, criar um problema que o cara vai ter que pegar um mês pra resolver. Se você apaga coisas, deleta, entendeu.
- A pessoa vai acompanhada pra mesa pra pegar as coisas?
É. Quando você chega, já está bloqueado, não tem mais acesso a nada, você só pega suas coisas e vai embora. Às vezes não consegue nem despedir das pessoas, isso é meio triste. Então, assim, eu não tenho... Eu tenho uma identificação com o trabalho que eu faço, eu quero fazer bem feito, eu quero ter qualidade naquilo que estou fazendo. Mas eu não tenho nenhuma identificação com o banco, pelo contrário. É uma agiotagem legalizada, do banco, enfim, apesar de eu estar aplicando em fundo... É mesmo, entendeu. Pega dinheiro, negocia, e tal, pá... Então não tenho uma identificação com esse tipo de trabalho, às vezes eu tenho até me envergonho, do trabalho que eu faço. (Entrevista 22).
- Tem gente que tem um vínculo muito forte com a empresa que trabalha. Assim: “ah, sou Fulano de tal, de tal lugar”. Aquilo pra pessoa é forte. O quão forte isso é pra você?
Nem um pouco. - Nada.
Nada.
- E já foi diferente em alguma outra empresa? Já.
- Qual?
A Empresa A... E as produtoras, quando eu era, já fui PJ e já fui fixo.
- Qual foi que você teve um vínculo mais forte com a empresa que estava te contratando? Com as produtoras.
- Você acha que pra você o tipo de vínculo, se é PJ ou CLT, influencia de alguma maneira no vínculo que você tem com a empresa, na força desse vínculo?
Como assim?
- O fato de: ah, eu me sinto muito ligada ou pouco ligada porque sou PJ ou CLT. Não.
- É por outras coisas.
Por outras coisas. (Entrevista 30).
- Qual é a força do vínculo que você tem com a empresa que você trabalha? Porque tem gente que tem uma...
Afetivo?
- É, afetivo mesmo, de identificação.
O meu é zero. Não, eu gosto muito, adoro, mas eu separo as coisas. Mas eu sou muito assim, é só você ver que eu mudei de emprego 200 vezes. Se eu acho que tem uma oportunidade, é o que eu digo, assim, trabalho é trabalho. Trabalho pra ganhar dinheiro. Você tem que trabalhar feliz, tem que gostar do que faz, mas trabalho pra ganhar dinheiro. Se por acaso existir outro lugar que você seja feliz da mesma maneira e ganhe mais, não vai ficar se apegando à empresa, porque a empresa se não quiser você vai te mandar embora. Não é um vínculo afetivo, a empresa é um vínculo profissional. Eu penso dessa maneira.
- Isso foi assim em todos os lugares que você trabalhou? Você acha que tem alguma coisa a ver com ser PJ ou ser CLT ou é totalmente independente?
Não, porque quando eu era CLT também pensava assim. (Entrevista 32).
A pesquisa teve como foco a trajetória profissional dos entrevistados e questões de ordem pessoal não foram abordadas de forma direta. Mesmo assim, alguns conteúdos dessa natureza surgiram no decorrer das entrevistas. Identificamos que quanto à autopercepção não houve nenhuma característica marcante para o grupo como um todo. Quanto à satisfação com a vida pessoal os entrevistados pareceram bastante satisfeitos, e muitos fizeram uma associação entre
a satisfação com a vida profissional e com a vida pessoal. A identidade profissional foi difícil de ser definida para a maioria dos entrevistados e muitos relataram a falta de identificação com a empresa na qual trabalhavam.
5.14 Os perfis pessoais
Analisamos de forma detalhada o discurso dos entrevistados e procuramos identificar os significados associados a sua experiência e trajetória profissional. Buscamos entender seus sentimentos, suas expectativas, suas frustrações, seus desejos. As entrevistas foram estudadas como um todo, não se restringindo apenas ao que foi dito. A pesquisadora, além das palavras, considerou a postura física, a entonação de voz, os temas recorrentes ao longo da entrevista e o sentimento dominante que estabeleceu-se durante a entrevista.
Percebemos que apesar da grande diversidade na forma como os indivíduos vivenciam e interpretam suas experiências profissionais, existem alguns pontos comuns entre os diferentes entrevistados. Identificamos a existência de algumas “linhas de interpretação” que permeavam o discurso deles ao descrevem sua trajetória profissional, e que davam um sentido a mesma. Essa “linha de interpretação” foi utilizada para a elaboração de perfis pessoais que abarcam o significado que as relações de trabalho têm para os indivíduos. O perfil possibilita a identificação de um eixo condutor da vida profissional do indivíduo, permitindo uma melhor compreensão dos sentimentos e escolhas realizadas pelos entrevistados.
A análise realizada permitiu a elaboração de 8 perfis pessoais com características próprias, a saber: • O PJ • O Pára-quedista • O Pragmático • O Independente • O Autônomo • O Empresário • O Ressentido • O CLT
A utilização de perfis é um recurso interessante, especialmente em estudos de natureza exploratória. Lopes e Silva (2007) analisaram os discursos de terceirizados na área de TI e descreveram 4 tipos de perfis discursivos. A tipologia proposta permitiu a identificação das características diferenciadoras na experiência de terceirizados em TI.
Da mesma forma que em Lopes e Silva (2007), a tipologia aqui apresentada procurou associar a cada perfil características específicas e significativas. Como a maioria dos esquemas de classificação, os tipos aqui descritos representam tipos puros e não devem ser utilizados para rotular indivíduos de forma simplista. O objetivo do desenvolvimento dos perfis foi a identificação de características comuns entre os diferentes entrevistados, de forma a entender melhor os significados por eles atribuídos às suas vivências profissionais. Dessa forma, muitas vezes alguns entrevistados relataram opiniões e sentimentos que se encaixam em mais de um perfil diferente. Mas de uma forma geral, podemos dizer que para todos os participantes da pesquisa conseguimos identificar um perfil dominante, a partir dos elementos principais em cada entrevista.
A seguir descrevemos as características principais de cada perfil e transcrevemos trechos de entrevistas ilustrativos.
5.14.1 O PJ
Este é o indivíduo que gosta de ser PJ. Para ele existem vantagens e desvantagens nos dois tipos de vinculação, mas as vantagens da vinculação PJ são mais importantes. As vantagens citadas são variadas, mas nota-se o predomínio de um sentimento maior de liberdade e autonomia. Para muitas mulheres os contratos Não CLT permitem conciliar melhor as responsabilidades profissionais com as responsabilidades domésticas, especialmente aquelas associadas à criação e cuidado com os filhos.
O PJ acha que o vínculo CLT acarreta muitas limitações, que não existem em outros tipos de vínculo. Para este profissional, ser PJ não leva necessariamente a remunerações mais elevadas, e isto inclusive não é uma de suas maiores preocupações. Maior tempo com a família, em especial com os filhos, é algo valorizado por este indivíduo, que acha que vínculos PJ dão maior flexibilidade de horário.
Porque o fato de não estar contratada em termos de CLT, carteira, parece que te dá uma liberdade um pouco maior. Eu me sentia assim. E eu também achava que se eu fosse entrar dentro do esquema de CLT deles, talvez fosse ter que entrar dentro de uma política específica de salário, de
remuneração, de cargo que talvez não fosse conveniente para mim. (Entrevista 2).
Daqui a 10 anos, e aí eu não sei se o mercado vai permitir, ou daqui a 20, quem sabe eu vou querer ter uma carteira assinada. Mas eu não me vejo mais trabalhando com carteira assinada. (Entrevista 16).
Resumindo, eu prefiro PJ não porque eu acho que hoje, especialmente porque eu não tenho filho etc. e tal eu tenho realmente um ganho maior com um líquido maior como PJ, mas porque eu acho que você tem várias outras coisas que estão associadas a isso. É isso que eu acredito. (Entrevista 19).
Mas se quiser fazer um resumo, acho que, talvez, alguns profissionais, eles busquem o perfil PJ, pra ter essa flexibilidade, que são profissionais que dão mais valor ao equilíbrio entre família e trabalho, e que querem que aqueles momentos que estejam trabalhando, não sei se por coincidência ou não, que sejam momentos produtivos e ao mesmo tempo prazerosos. (Entrevista 17).
5.14.2 O Pára-quedista
Este é um perfil encontrado apenas entre profissionais de TI. O Pára-quedista recebeu este nome pois é como se ele tivesse “caído de pára-quedas” em um vínculo Não CLT. Dentro do seu ramo de atuação os vínculos Não CLT tornaram-se disseminados e muitas vezes eram a única opção de emprego existente.
Ele aceitou os vínculos Não CLT como característica do mercado de trabalho e não pensa no assunto. Da mesma maneira, ele não pensa em um retorno ao sistema CLT. O tipo de vínculo de trabalho que ele tem não é algo com que se preocupe. Ele não percebe o vínculo Não CLT como uma grande vantagem ou uma grande desvantagem; para ele, este tipo de vinculação é apenas uma particularidade dos empregos na área de TI.
Vou ser PJ, tranqüilo. Tinha todo o incômodo de ter o contador, tal. Toda aquela dor de cabeça. Reclamava, o que é próprio do ser humano, mas nunca procurei emprego CLT. Ah! Agora vou procurar um CLT porque eu quero sossego pra minha cabeça. Não, nunca procurei CLT. (Entrevista 7).
Não sei, porque às vezes você tem muitos sentimentos que não são verdadeiros. Eu não sei com quantos anos eu estava, eu achei que o meu caminho natural... Outras pessoas já tinham feito isso, até de livre e espontâneo, largado o CLT, porque era muito vantajoso. Eu achei que o meu caminho normal seria ser terceiro. Não sei se eu estava enganado ou não, mas eu fiz isso. (Entrevista 27). - Aí, você só achou oportunidade de emprego de PJ.
Isso. Só de PJ. No começo eu só fazia trabalhos muito pontuais e nem tinha empresa. Só fui abrir minha empresa em 93. (Entrevista 7).
5.14.3 O Pragmático
O indivíduo Pragmático escolhe os vínculos de trabalho de acordo com as vantagens oferecidas. Para ele, a remuneração é um elemento importante; ele almeja um bom salário, e percebe a vinculação PJ como uma forma de ser melhor remunerado.
Para ele os benefícios existentes na CLT não são muito relevantes, e o indivíduo pode ter acesso a eles caso tenha altos rendimentos. A estabilidade associada ao vínculo CLT também não é valorizada, e ele percebe que na verdade esta é uma estabilidade fictícia. Ao invés de valorizarem uma característica da empresa ou do tipo de vinculação, como a estabilidade, eles valorizam uma característica individual, como a competência profissional. Para o Pragmático, é a competência que vai lhe possibilitar talvez não a permanência em um emprego, mas a possibilidade de se inserir com facilidade no mercado de trabalho.
O Pragmático faz uma análise racional de sua situação de trabalho, e a partir de uma perspectiva individualista analisa custos e benefícios de suas diferentes opções e toma a sua decisão. Ele não se importa com o tipo de vínculo que estabelece no mercado de trabalho. Para ele o importante são as condições de trabalho e a remuneração – ele procura sempre maximizar os seus ganhos.
A negociação que está em andamento é ir pra uma empresa em SP como CLT. Mas eu iria PJ. (Entrevista 6).
Eu acho que é líquido mesmo. Líquido versus benefícios... Uma coisa que meu marido fala muito é: quando você trocar de trabalho tem que pensar bem, porque o plano de saúde é um plano bom... Esse tipo de benefício. Mas, assim, salário por salário, ser CLT ou ser PJ também hoje não faz diferença. (Entrevista 9).
Se tivesse uma oportunidade profissional amanhã e que for CLT. Eu pegaria, não tem problema. Mas é óbvio que eu vou considerar o salário líquido. Não adianta a pessoa vir me dizer: “eu te pago 10, mas você custa 20”. Não importa se eu custo 20 pra você. (Entrevista 4).
Eu não sei, acho que é muito caso a caso; por exemplo, eu toparia abrir mão, e eu tentei negociar dessa forma, mas não deu certo; eu toparia abrir mão de ser CLT pra ter um salário maior, nominalmente maior, e ficar como PJ. (Entrevista 25).
Eu aprendi com o tempo a negociar salário líquido, porque cada hora você vai pra uma modalidade, não negocio mais salário pelo valor bruto, porque muda muito. Então falo assim: não interessa como você vai me pagar, de que maneira. Eu quero tanto líquido. ... Ah, trabalhar numa empresa, num plano de carreira? Eu já fiz meu plano de carreira. Já cheguei até onde eu queria chegar, de sonho. Agora não me interessa, eu trabalho por dinheiro, não trabalho por hobby. Não falava assim, tão diretamente, né.
- Não, sim, mas essa é sua idéia, né.
Porque a minha idéia é: não trabalho porque... É lógico que eu adoro trabalhar. Mas eu não trabalho porque eu adoro, eu trabalho porque precisa trabalhar, tem que pagar as contas no fim do mês. Se eu fosse milionária eu trabalharia duas vezes na semana, fazia um trabalho voluntário, não sei. Ficava estudando, não ia ficar trabalhando todo dia de 8 às 5. Então eu não trabalho por hobby, então tem que negociar o salário, né. Aí eu acho assim, eu prefiro ser PJ. Mas também assim, se eu ganhasse pouco, um valor menor que 5 mil, aí eu não ia querer, porque aí eu acho que não vale a pena. (Entrevista 32).
5.14.4 O Independente
Este é o profissional que entende que suas relações de trabalho são uma troca meramente comercial. Para estes indivíduos as organizações são extremamente egoístas, e funcionam
dentro de uma lógica capitalista com o objetivo de maximizar os seus lucros. Eles se relacionam com a empresa da mesma maneira, vendendo o seu trabalho, mas sem estabelecer nenhum outro tipo de vínculo emocional.
Para este grupo, o trabalho é uma atividade necessária para ganhar dinheiro, mas o