Alteração da autoeficácia específica na primeira fase.
5 Fase Intensiva
5.4 Conceito | Qualidade de Ensino
5.4.1 Instrumento | Task Structure Observation System.
Tal como previamente referido, procedemos à recolha de dados referente à ecologia da aula através da utilização do protocolo TSOS (Siedentop, 1994), adaptado por Onofre (2000).
Segundo Siedentop (1994), os resultados decorrentes da aplicação deste protocolo têm, na sua base, narrativas de ensino que se fundamentam, conceptualmente, no modelo ecológico de Doyle (1986). Deste modo, o protocolo de observação congrega, a nível micro, a análise das tarefas de instrução e das respostas dos alunos. Assumindo como base fundamental o protocolo de Siedentop (1994), Onofre (2000) adaptou-o para analisar os três sistemas de tarefas da ecologia da aula: o sistema de tarefas de instrução, o sistema de tarefas de gestão/organização e o sistema de gestão do sistema social dos alunos.
Os três sistemas foram analisados de forma dedutiva, sendo que, para os dois primeiros, se recorreu à utilização do instrumento de observação definido no protocolo, o qual envolve um sistema de categorias assinaladas com recursos à técnica de registo por intervalos. Para a análise da gestão do sistema social dos alunos, procedeu-se ao preenchimento de um sistema de sinais associados a comportamentos do professor respeitantes às dimensões clima e disciplina, com recursos a um registo que envolveu uma lista de verificação e uma escala de avaliação.
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A par do registo dedutivo, recorremos às notas de campo (anexo P) que nos permitiram um referente indutivo dos aspetos considerados relevantes para a contextualização da observação dedutiva das situações de aula.
No presente estudo utilizámos o protocolo de observação adotado por Onofre (2000). Em situações particulares, considerámos pertinente adicionar convenções de registo, bem como acrescentar ou ajustar a definição de códigos. As alterações a que procedemos tiveram por objetivo uma maior validade de observação. A globalidade do protocolo, bem como a identificação e esclarecimento das alterações mencionadas encontram-se em anexo (anexo Q).
5.4.1.1Amostra.
O estudo da ecologia da aula assumiu como amostra os quatro professores estagiários e as quatro turmas lecionadas pelos mesmos.
No seio de cada turma, para efeitos de análise da atividade do aluno, procedemos à seleção aleatória de oito alunos de género e de nível de capacidade diferenciado (duas alunas com nível de capacidade superior; duas alunas com nível de capacidade inferior; dois alunos com nível de capacidade superior e dois alunos com nível de capacidade inferior). Destes oito alunos, quatro constituíam-se como os principais a ser observados, sendo que os restantes assumiam o papel de suplentes, caso se manifestasse a impossibilidade de observação momentânea ou integral da atividade dos alunos do grupo principal.
A seleção estratificada por género e capacidade procurou evitar o enviesamento decorrente da influência que estas variáveis poderiam ter na participação dos alunos (e.g. Allen, 1986; Siedentop, 1991).
5.4.1.2Recolha de dados.
Dada a complexidade que a codificação exigia, optámos pelo registo audiovisual das aulas para que a sua análise pudesse ser realizada em deferido.
5.4.1.2.1 Recolha das imagens.
A recolha de imagens e som foi efetuada através de duas câmaras de vídeo. A primeira teve como foco a atividade do professor e da maioria dos alunos, como forma de contextualização das suas intervenções durante a atividade de aula. A segunda câmara centrou-se alternadamente num dos quatro alunos previamente selecionados, respeitando-se a ordem inicialmente estabelecida. Os períodos de registo de cada aluno foram de dois minutos. O registo áudio da voz do professor concretizou-se através de um emissor/recetor de voz sem fios, com microfone de lapela e dois recetores, cada um ligado a uma das duas câmaras.
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Dada a necessidade de recolher imagens em aulas que decorreriam simultaneamente, implicando a presença de, pelo menos, dois indivíduos, procedeu-se à constituição de uma equipa de colaboradores, todos professores de Educação Física que se disponibilizaram para participar no projeto. Esta equipa foi integrada por cinco elementos que se envolveram num programa de treino constituído pelo registo integral de duas aulas e pela análise da qualidade do respetivo registo. Deste modo, foi-nos possível efetuar a captura de imagem de quatro aulas de cada um dos quatro professores estagiários. Para harmonizar o modo e conteúdo do registo audiovisual, filmaram-se as aulas de noventa minutos.
5.4.1.2.2 Preparação dos vídeos.
Após a filmagem das aulas, passámos a uma fase de edição dos vídeos. Nesta etapa tivemos como propósito preparar o vídeo, para que, posteriormente, pudéssemos efetuar a observação com o recurso ao protocolo anteriormente descrito.
Assim, procedemos à colocação de um cronómetro sincronizado nos dois filmes, de forma a fazer coincidir os períodos temporais entre ambos. Uma vez que uma das técnicas de observação utilizada foi o registo por intervalos, procedemos à edição de sinais sonoros diferenciados para estabelecer o início e final dos intervalos de observação de cinco segundos.
5.4.1.2.3 Observação das imagens.
Após a preparação dos vídeos, as observações foram efetuadas pela autora do trabalho. Numa primeira fase, procedemos ao treino da utilização do sistema de observação. Durante este período, ocorreu uma familiarização efetiva com a utilização do protocolo de observação.
Depois do processo de treino, como forma de garantirmos a consistência da observação, procedemos à avaliação do processo de codificação intra e interobservador através da utilização do Índice de concordância de Bellack (van der Mars, 1989). Apesar de a generalidade das observações serem efetuadas pela autora do trabalho, considerámos que o estudo da concordância interobservador contribuiria para uma maior garantia da consistência, uma vez que o processo de observação subsequente estaria sustentado numa concordância prévia, decorrente de observadores distintos sobre o mesmo material de observação. Para a avaliação do processo de codificação foi utilizada a observação de uma aula de noventa minutos que selecionámos de forma aleatória de entre as aulas que fizeram parte do estudo. Para a validação intraobservador foi garantido um intervalo de dez dias entre as duas observações. A totalidade dos resultados decorrentes deste processo de avaliação da fidelidade da observação pode ser consultada no anexo R.
Na tabela 5 apresentam-se apenas os valores máximos e mínimos do índice de concordância intraobservador, considerando os quatro tipos de categorização efetuados. Sempre
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que existiram valores abaixo de 80% esses também foram indicados na tabela, fazendo-lhes corresponder a categoria a que se reportam. É possível constatarmos que, à exceção de uma categoria, todos os valores mínimos apresentados foram superiores a 80%. Tais resultados garantem uma observação consistente, uma vez que revelam, no mínimo, uma percentagem de concordância de 80% (Siedentop, 1991).
Tabela 5 - Fidelidade intraobservador
Índice de Bellack (%) Especificação de categorias
Caracterização das categorias relativas aos episódios e tipo de tarefa
Mínimo
100.00 Máximo
Caracterização da duração das categorias, dos episódios e das tarefas de aula
Mínimo 92.31 Organização | Formação de grupos
Máximo 100.00
Caracterização da participação do professor e do contexto
Mínimo 75.00ª Introdução | Modalidade Verbal
Máximo 100.00
Caracterização da participação do aluno Mínimo 81.82 Instrução | Prática | Fora da Tarefa
Máximo 100.00
ªO valor apresentado nesta categoria decorrerá da sua reduzida frequência. Deste modo, em quatro codificações na categoria, três
constituíram acordo, tendo a outra representado um desacordo.
A tabela 6 diz respeito à fidelidade interobservador, sendo apresentados valores máximos e mínimos do Índice de concordância de Bellack, considerando os quatro tipos de categorização efetuados.
Tabela 6 - Fidelidade interobservador
Índice de Bellack (%) Especificação de categorias
Caracterização das categorias relativas aos episódios e tipo de tarefa
Mínimo
100.00 Máximo
Caracterização da duração das categorias, dos episódios e das tarefas de aula
Mínimo 94.32 Organização | Transição
Máximo 100.00 Avaliação final das atividades
Caracterização da participação do professor e do contexto
Mínimo 50.00ª Introdução | Disposição Limitativa
Máximo 100.00
Outras categorias 66.67b Introdução | Clareza Explícita
Caracterização da participação do aluno Mínimo 81.40 Instrução | Prática | Fora da Tarefa
Máximo 100.00
ª O Índice de Bellack desta categoria deverá estar associado à sua reduzida frequência. Em duas codificações nesta categoria, uma constituiu acordo e outra desacordo.
b O Índice de concordância desta categoria decorrerá da reduzida frequência que possui. De três codificações nesta categoria, duas
constituíam acordo, tendo a outra representado desacordo.
A análise da fidelidade do sistema social dos alunos também considerou a concordância intra e interobservador. Procedemos assim à análise dos acordos e desacordos entre os resultados do respetivo sistema de observação. No que se refere ao conjunto dos sinais referentes à gestão da disciplina, obtivemos uma consistência intraobservador de 92.31% e interobservador de 84.62%. No que respeita ao Clima relacional a fidelidade intraobservador assumiu o valor de 95.00% e a interobservador de 80.00%.
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5.4.1.3Análise dos dados.
Os dados decorrentes das observações foram analisados, tendo-se recorrido a procedimentos quantitativos e qualitativos. Aplicámos procedimentos quantitativos para a análise dos dados decorrentes da observação nas diferentes categorias integradas nos sistemas de tarefas de instrução, de gestão e social da turma.
Os sistemas de instrução e de gestão foram caracterizados através da utilização de estatística descritiva tendo-se recorrido à frequência relativa expressa em percentagem. Assim, procedemos à utilização da percentagem temporal, identificando os valores médios, máximos, mínimos e o desvio padrão de cada uma das categorias dos episódios e tarefas, comportamentos do professor estagiário e dos alunos. Recorremos a este procedimento para cada um dos conjuntos de duas aulas referente a cada um dos momentos de observação. A análise dos resultados respeitantes ao sistema social dos alunos foi efetuada através da uma análise descritiva, utilizando-se a frequência relativa expressa na percentagem em cada um dos níveis da escala. Recorremos igualmente a este procedimento para o conjunto das duas aulas respeitante a cada um dos momentos.
Em complemento à observação dedutiva das aulas, as notas de campo constituíram-se como uma fonte qualitativa importante para aprofundamento da vertente quantitativa. Assim, tanto as notas de campo referentes aos episódios como as de cariz genérico da aula foram organizadas de modo a serem reportadas nos resultados como suporte dos dados quantitativos.
5.4.2 Instrumento | Questionário sobre a perceção dos alunos acerca