Analisámos a Arquitectura do Egipto Antigo no capítulo anterior porque a maior parte dos edifícios que eram erguidos estavam ligados à Religião. Até mesmo os palácios do Faraó eram, aos olhos deste povo, «a casa do deus vivo». As moradas dos altos dignatários imitavam o desenho da habitação do faraó. Os sacerdotes, por seu lado, viviam nos seus templos, lugares já de si sagrados. Apenas os camponeses viviam em casas diferentes, construídas com tijolos de barro cru e de dimensões mais modestas.
Todas as manifestações de Arte entre os egípcios estavam ligadas ao Sagrado. Observa bem este pequeno vídeo e olha atentamente todos os objectos construídos por eles, desde os sarcófagos, à joalharia, desde as estátuas às pinturas murais:
aqui.
Pintura
Todos nós as conhecemos: figuras estranhas, sempre com a mesma posição que desafia a realidade (ninguém consegue torcer-se daquela forma), e estão sempre de perfil. Tudo parece seguir um estereótipo.
As figuras humanas são pintadas com
uma determinada cor: ocre para os homens e amarelo para as mulheres.
A representação é sempre feita de perfil;
o olho é colocado no centro da cara e não no ângulo certo.
A importância das personagens é ditada
pela sua localização: os mais importantes à direita e os menos importantes à esquerda. Aqui, Ísis é a que está à direita do Faraó.
A posição dos pés é sempre rígida: os
pés estão sempre no mesmo sentido, com a ponta dos dedos apontados para o mesmo lado. Há um torção do corpo em ângulos diferentes (pernas de lado; peito, ombros e braços de frente; cabeça torcida ao lado).
O espaço vazio era preenchido com
Hieróglifos. Os Egípcios tinham horror aos espaços vazios.
Havia outra característica interessante na Pintura Egípcia: o tamanho das figuras era determinado pela sua importância. Os mais importantes tinham maior dimensão, em comparação com os menos importantes, que eram sempre mais pequenos, de acordo com o seu estatuto.
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Tamanho das figuras: Osíris (centro) julga as almas que chegaram ao seu reino.
Não havia perspectiva (os objectos não têm a medida certa conforme a distância). O fundo era preenchido, ou com paisagens ou, na maioria dos casos, com escrita. Os temas podiam ser de todos os tipos: cenas do quotidiano (caça, tocadores de instrumentos e dançarinos, pesca, cultivo dos campos) cenas da Mitologia; vida e morte dos faraós (guerras, caçadas reais, as suas esposas e filhos, e a sua morte e passagem para o além).
Relevos
Toda a simbologia da Pintura era aplicada igualmente nos Relevos. São uma forma de escultura, a duas dimensões. Os desenhos são gravados numa superfície dura, ganhando relevo, como se estivessem a enterrar-se na pedra ou a sair dela. Este tipo de Arte era especialmente aplicado nas paredes dos muros e edifícios que se encontravam ao ar livre, por serem mais resistentes à chuva e ao vento. Foram muito úteis para divulgar aos Egípcios as grandes vitórias dos Faraós, os acontecimentos importantes que faziam parte da sua História ou cenas da Mitologia. Esta Arte também era utilizada para salientar textos escritos, com hieróglifos.
Havia dois tipos de Relevos: o Alto e o Baixo. Qual era a diferença entre eles?
Alto-Relevo
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Este é um Alto-Relevo. Porque é que é alto? Porque o bloco de mármore parece ser mais alto que as letras, que estão mais fundas. A escrita (ou desenho, quando se trata de uma ilustração) parece estar a enterrar-se na pedra. Os Altos-Relevos são feitos desta forma: cravam-se letras ou desenhos na pedra em forma de sulcos fundos.
O Baixo-Relevo tem uma orientação diferente: a imagem ou escrita parece sair da pedra. O bloco ou a superfície onde o relevo foi feito parece estar numa dimensão «mais baixa» em relação à imagem. Eis um exemplo de Baixo-Relevo.
Baixo-Relevo. Como podem ver, a pedra que serviu de suporte para este relevo parece estar mais baixa que a imagem.
São muitas as pessoas que fazem confusão com os altos e baixos relevos. A explicação é muito simples: o nosso olhar vai logo para o desenho! É com base no tema (se se enterra ou sai da pedra) que nós definimos um relevo. Mas não é pela imagem ou escrita que se começa - é pelo suporte (pedra, madeira, o lugar onde se vai esculpir o tema)! O suporte está mais baixo que o tema esculpido? É um Baixo- Relevo; o suporte está mais alto que o tema? Então estamos diante de um Alto- Relevo.
Escultura
Os Egípcios fizeram lindíssimas esculturas, mas elas nunca apresentaram a versatilidade técnica daquelas que foram feitas pelos mestres gregos. Primeiro havia a questão do Sagrado: a Arte Egípcia seguia estereótipos ligados à Religião e à Tradição. Os Egípcios gostavam de manter a Ordem Universal e não desejavam mudanças radicais. É por isso que a sua arte se manteve quase inalterada ao longo das eras. Além disso, havia a dificuldade em resolver problemas técnicos. As estátuas de grandes dimensões não podiam ter braços afastados do corpo (só as pequeninas figurinhas de madeira podiam ser feitas dessa maneira). A figura humana tinha sempre o aspecto rígido de «coluna», como se fosse um bloco maciço de pedra. A beleza delas era investida nos pequenos pormenores: na peruca, nas feições do rosto, no tecido das vestes.
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A maioria das esculturas (até mesmo as que estavam ao ar livre) eram pintadas com cores alegres e vivas. Elas não tinham a aparência que nós vemos nos dias de hoje. Os rostos das figuras humanas eram sempre serenos, com uma expressão misteriosa, «de esfinge». Não há rostos zangados ou sofredores na Arte Egípcia.A idade também era importante: praticamente não encontramos representações de idosos, obesos ou doentes. Quando encontramos pessoas feias ou velhas, é sempre entre camponeses, escravos ou estrangeiros.
A beleza era outro pormenor importante: o Faraó nunca era representado como uma pessoa feia. Ele era sempre alto, com um corpo bem feito e bonito. O mesmo se passava com quase todas as esculturas, com excepção das representações dos esculturas de sacerdotes ou escribas, que parecem denunciar uma idade mais madura (mas nada que se pareça com uma idade muito avançada).
Uma excepção à Regra.
Costumamos dizer que «para todas as regras há uma excepção». Essa excepção teve um nome: Período de Ammarna. No reinado do Faraó-Herege, Akhenaton, é inventada uma nova corrente artística. O Faraó não só erradicou as velhas religiões e fundou uma nova capital em Ammarna, como procurou quebrar regras até nas manifestações artísticas. Ele exigia ser representado com o aspecto que tinha, na realidade. Por vezes os artistas exageravam nos seus defeitos físicos. Akhenaton aparece nas imagens com uma aparência estranha: forma do corpo efeminada, coxas largas, ventre caído, o lábio inferior grosso e descaído e olhos meio oblíquos. Ou este rei era uma pessoa muito doente ou esta nova representação do faraó era contrária a todas as regras.
Foram produzidas obras magníficas, muito realistas, com uma qualidade artística elevada. Eis apenas alguns exemplos:
Duas filhas de Akhenaton. Reparem na primeira: até o crânio é realista (a família de Akhenaton tinha a tendência hereditária para ter crânios desta forma. À direita está o próprio faraó, com a sua aparência andrógina (entre homem e mulher).
Nefertiti, esposa de Akhenaton (o nome significa, «A Beldade chegou»)