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– SOYUN! O QUE ACONTECEU? – Anna desceu de Havski, aterrissando em uma pilha de folhas antes de sair correndo até a garota.

– É o meu rebanho – disse SoYun, olhando de Elsa, que descia com cuidado de Fjøra, para Anna. – Eles estão… Oh! – SoYun balançou a cabeça. – Não sei nem por onde começar! – Lágrimas encheram seus olhos.

Anna abriu a boca para falar, mas parou para dar uma chance a Elsa.

Elsa aproximou-se.

– Que tal você nos levar lá e nos contar o que aconteceu no caminho?

Diga qualquer coisa que vier à mente e nós encaixaremos as partes para entender, tudo bem?

SoYun assoou o nariz e então concordou.

– Eu estava indo por aquele caminho – ela relatou, e se pôs a caminhar tão rápido que quase saiu trotando. Segurando as rédeas dos cavalos, as irmãs seguiram, em busca de entender a história de SoYun enquanto ela a contava. – Tudo começou alguns dias atrás – disse SoYun, com a voz trêmula –, quando eu tentei chamar o rebanho de volta… você sabe como normalmente tudo funciona como se por encanto.

Anna sabia. Chamar o rebanho era uma antiga tradição arendelliana, baseada em cantar notas altas para convocar os animais de volta. Eram necessários muita prática e controle para que tudo ocorresse corretamente, já que se tratava de muito mais do que uma simples entoação. Era um som de conto de fadas, um som que fazia os pelos da nuca de Anna se arrepiarem, fazendo com que ela soubesse – realmente, profundamente soubesse – que, por um único instante, qualquer diferença entre ela, a Terra, o vento e o céu era apenas uma ilusão. SoYun era uma das aldeãs mais habilidosas nessa técnica. Ela nunca havia tido nenhum problema. Na verdade, quando as vacas não queriam voltar, as pessoas sempre pediam a ajuda de SoYun.

– E então eu fui para os campos – continuou SoYun – e tentei cantar para que retornassem. Porém… – Seus ombros caíram. – Elas nunca

vieram. Nem mesmo quando usei meu berrante. Saí para procurar e, finalmente, quando as encontrei… – A voz de SoYun vacilou.

– O que aconteceu? – Elsa indagou, enquanto elas afastavam árvores de bordo mortas e adentravam um campo aninhado aos pés de uma montanha azul, onde Anna podia somente distinguir uma fazenda bem cuidada entre campos dourados mais bem cuidados ainda e um rebanho bovino circulando em volta de um grande rochedo branco.

– Foi isto o que aconteceu. – SoYun inclinou-se para a frente. Enquanto elas se aproximavam do rebanho, Anna percebeu que as vacas não estavam em volta de um rochedo branco, no final das contas, mas de um touro que dormia.

– Este é o Hebert – disse SoYun. – O líder do meu rebanho.

Hebert. O nome pareceu familiar para Anna e ela se lembrou que um ano antes, durante a competição do festival da colheita, um grande e enérgico touro com esse nome conquistara o primeiro lugar. Mas seu couro era tão negro quanto a asa de um corvo, e esse animal era inteiramente branco.

SoYun respirou fundo.

– Alguns dias atrás, percebi que ele estava com uns pelos brancos, o que não seria muito incomum. Ele está ficando velho. Mas então, na manhã seguinte, o branco aumentou drasticamente, até a situação que vocês veem agora.

Elsa ergueu as sobrancelhas como se quisesse dizer: É só isso? Um pouco de pelo branco?

Mas Anna se lembrou de uma mecha do seu próprio cabelo que havia ficado branca, como resultado de um golpe acidental da mágica de Elsa quando elas eram crianças.

SoYun puxou a ponta de sua longa trança e mordeu seu lábio inferior.

– Mas eu não teria incomodado Sua Majestade só por conta disso.

Tem… outra coisa.

– Tipo…? – Anna não tirava os olhos do touro adormecido, com seus grandes chifres encurvados apontando para o céu, duas pontas idênticas.

– Ele estava agindo de um jeito diferente há alguns dias também…

Primeiro pareceu que ele estava com medo de algo invisível, como um draug – disse SoYun, fazendo uma referência ao terrível zumbi mitológico de que Anna já tinha ouvido falar nas fogueiras do castelo. – E então – continuou SoYun –, ele correu para o campo até que irrompeu em um suor

repleto de pânico, o que aparentemente deixou seu pelo branco. E, finalmente, suas pupilas ficaram grandes, enormes, até que seus olhos foram completamente engolidos por uma tinta negra. – Os olhos de SoYun se arregalavam conforme elas olhavam para eles. – Daí ele começou a gemer até que, por fim, pegou no sono.

Anna trocou olhares confusos com Elsa. Ela não costumava pensar no sono como algo ruim. Na verdade, quanto mais dormisse, melhor.

As sobrancelhas de Elsa agitaram-se de novo.

– Dormiu? – ela perguntou.

– Sim. – SoYun confirmou vigorosamente com a cabeça. – Não um sono comum, mas profundo. Não importa o que a gente faça… gritar, empurrar, jogar água… ele não acorda. Faz dias já. O que significa também que ele não está comendo.

Quando SoYun mencionou isso, Anna notou as costelas do touro saltadas; seu pelo branco tornava fácil imaginá-lo como uma pilha de ossos descoloridos pelo sol. Anna envolveu os dedos na longa crina sedosa de Havski – ela não sabia o que faria caso algo do tipo acontecesse com ele. E quaisquer conexões que Anna estabelecera entre a sua mecha outrora branca e o touro esbranquiçado sumiram. Afinal, quando Elsa deixou seu cabelo branco, Anna correu o risco de se transformar em gelo, não de adormecer.

SoYun olhava do touro para as garotas, e uma lágrima escorria pelo seu pescoço.

– Ele está desaparecendo bem na nossa frente, e os outros bovinos estão mostrando sintomas similares! – SoYun apontou para uma vaca de olhar sereno, com longos cílios e olhos que iam para trás e para a frente, como o pêndulo de um relógio da época de seu avô. Era como se estivesse acompanhando algo que não estava ali. Ou melhor, acompanhando algo invisível, que somente ela podia ver.

– E se – continuou SoYun – todos eles adormecerem, e então… – O medo na voz da garota era tangível e afiado.

Anna se aproximou e a abraçou forte.

– Eles vão ficar bem. Não se preocupe. Nós vamos dar um jeito de ajudá-los, não vamos, Elsa?

Elsa se aproximou e deu leves tapinhas no ombro de SoYun.

– Sim. Você fez tudo exatamente certo ao vir até mim e falar sobre isso.

Mim. Aquela palavra ecoou por todo o corpo de Anna. Certo tempo atrás, Elsa teria dito nós, com certeza.

Anna virou-se para Elsa.

– Tenho uma ideia – sussurrou. – Nós deveríamos visitar os trolls.

Embora sua altura chegasse apenas na cintura de Anna e sempre estivessem cobertos de musgo, os trolls, pequenas criaturas das montanhas, eram os seres mais poderosos que ela conhecia. Vovô Pabbie, o troll mais antigo e sem dúvida o mais sábio, às vezes usava o brilho da aurora para mostrar relances do que poderia acontecer ou, ocasionalmente, para lidar com situações que poderiam envolver mágica. Se havia alguém capaz de ajudar SoYun e seu rebanho, Anna sabia que eram os trolls.

Afinal, ela tinha aprendido que, quando eventos misteriosos aconteciam, era melhor visitar criaturas mágicas para obter respostas.

Elsa sorriu.

– É uma ótima ideia, mas acho que teremos tempo somente para olhar na biblioteca do castelo. Por que não tentamos isso primeiro? Lembre-se do que papai costumava dizer.

Anna fez uma careta, tentando determinar a qual dos inúmeros ditados Elsa estava se referindo.

– “Anna e Elsa, sempre confiem uma na outra quando precisarem de ajuda”? – ela tentou adivinhar.

Um leve sorriso apareceu nos lábios de Elsa, ainda que ligeiramente triste.

– “O passado encontra uma forma de retornar”. Nós deveríamos tentar descobrir se isso já aconteceu antes e ao menos juntar alguma informação útil para os trolls.

Era uma excelente sugestão, e Anna de repente ficou empolgada para verificar a biblioteca junto a ela. Ambas as irmãs gostavam de apreciar um bom livro de histórias lá, mas na biblioteca também havia livros sobre acontecimentos no reino, sobre a família real e os habitantes da aldeia. Se algum lugar no castelo tinha respostas, seria ali.

– Existe algo que pode ajudar a diminuir os sintomas? – perguntou Elsa a SoYun.

SoYun, que havia se ajoelhado para fazer carinho no nariz de Hebert, olhou para cima.

– Hortelã parece ajudá-los a se manter alertas. O cheiro é azedo para o nariz deles, mas não dura muito tempo.

– Hortelã – Elsa repetiu. – Vou garantir que isso esteja no relatório.

Lembre-me disso, Anna?

Após garantir que tinham aprendido tudo sobre os sintomas, elas se despediram de SoYun, Hebert e o restante do rebanho. Enquanto Anna seguia na direção de Havski, gritou para trás:

– Não se preocupe, SoYun! Nós vamos dar um jeito nisso, prometo.

Anna e Elsa passaram o resto da tarde na biblioteca do castelo. Até então, não tinham encontrado nenhuma menção, em toda a história de Arendelle, a um rebanho doente que caíra em sono aparentemente infinito.

Isso significava que não havia sugestões para a cura da ferrugem branca, como Elsa decidira chamar a doença do sono.

Ela sentou-se perto da janela e ficou folheando um livro, enquanto Anna se esparramou em um sofá na frente de uma ladeira, erguendo um volume sobre sua cabeça para ler. Uma batida cortante ressoou pelo cômodo, seguida da voz urgente de Kai:

– Majestade, você está aí?

– Estou aqui, Kai! – Elsa respondeu.

A porta ornamentada se abriu e o homem que estava quase sempre calmo entrou parecendo aflito, com o cachecol desarrumado, em vez de amarrado em um nó ao redor de seu pescoço, e as sobrancelhas juntas, demonstrando preocupação. O coração de Anna acelerou. Como administrador do castelo, Kai era o homem do decoro e dos protocolos.

Ele sempre se curvava quando as via, não importava quantas vezes as irmãs tivessem implorado para que ele parasse. Mas dessa vez ele não fez reverência nenhuma.

– O que aconteceu, Kai? – Elsa se levantou da alcova da janela e correu em sua direção, enquanto Anna virava seu livro para baixo e se levantava do sofá.

– Péssimas notícias – Kai disse arquejando, como se fosse sair correndo dali. – O rebanho inteiro de cabras dos Westen parece ter caído subitamente no meio do campo, e elas simplesmente não querem se levantar. A família está pedindo que você venha rapidamente, Majestade.

O medo tomou conta de Anna e ela se virou para Elsa:

– Você acha que…?

Elsa concordou:

– Certamente é possível. No entanto, ainda não temos uma resposta. – Ela olhou para a longa pilha de livros, para as prateleiras altas e cheias e, então, de novo para Kai, claramente dividida sobre o que deveria fazer em seguida.

– Você deveria ir – Anna a encorajou. – Só para ter certeza de que é a mesma coisa.

Elsa entrelaçou seus dedos, um hábito que herdara do tempo em que usava luvas de seda para reprimir seus poderes. Anna se aproximou e pousou a mão no antebraço da irmã. Surpresa, Elsa olhou para baixo e, percebendo o que estava fazendo, sorriu para Anna como se estivesse agradecendo. Então, fechou as mãos cuidadosamente na frente dela.

– Se está preocupada – disse Anna –, você deveria dividir e conquistar.

Envie Kristoff e Sven para os trolls, já que não encontramos nada de útil, e eu fico aqui e continuo procurando respostas. Eu dou conta disso.

Mesmo assim, Elsa hesitou e Anna se perguntou o porquê. Talvez Elsa não tivesse gostado da sugestão? Ou será que não confiava que ela daria conta? Por fim, Elsa concordou, e o alívio tomou conta de Anna quando sua irmã disse:

– Boa ideia. Vou avisar Kristoff antes de sair, mas prometo que estarei de volta logo. – E, assim, Elsa apressou-se na direção de Kai, deixando Anna sozinha na biblioteca.

Horas se passaram; as ceras das velas caíam em cascatas na mesa e formavam pequenas poças, mas Anna mal as notou – ela continuou indo de livro em livro, à procura de respostas… e falhando. Uma brisa calma entrou pela janela, causando alvoroço nas páginas dos livros abertos, além de espalhar pitadas de arrepios nos braços de Anna e bagunçar as cinzas da lareira. Logo, a mesma brisa estaria inflando as velas de Elsa para levá-la para muito, muito longe.

Viagens de navio deixavam Anna nervosa. Sete anos tinham se passado desde que seus pais partiram para os Mares do Sul. Algo que deveria ter durado somente duas semanas tornou-se eterno. Os dias que sucederam a notícia foram os mais obscuros da vida de Anna, e as noites eram ainda piores. Dormir era impossível. As partes internas de suas pálpebras ficaram da cor de ondas incompreensíveis, como aquelas que ela imaginava terem levado seus pais. Às vezes, até hoje, a ausência deles a assustava, tão recente e repentina como a picada de uma abelha.

Entretanto, conforme os anos foram passando, a dor se tornou menos imediata, os pesadelos de infância foram sumindo e ela podia se lembrar de seus pais – as amorosas canções de ninar da mãe, o humor zombador do pai e todos os seus relatos inverossímeis – com alegria.

O reencontro com a irmã ajudara. Elsa havia se trancado quando criança, e Anna foi deixada apenas com as próprias memórias de seus pais.

Mas desde que as portas do quarto de Elsa se abriram, a coleção de histórias sobre eles se multiplicou. E mesmo que essas histórias não preenchessem o vazio em seu coração, ajudavam a amaciar as bordas pontudas.

Ela podia não ter mais seus pais, mas tinha uma irmã, e isso era o suficiente. Suficiente para fazê-la desejar que Elsa não a deixasse para trás. Ela iria deixá-la… a menos que Anna provasse o seu valor. A menos que provasse ser mais do que uma garotinha boba que conversava com os retratos da galeria e que dissera “sim” para um pedido de casamento do malvado (e felizmente agora exilado) Príncipe Hans menos de vinte e quatro horas após tê-lo conhecido. Anna sabia que Elsa a valorizava, apesar de tudo isso, mas ainda sentia uma insegurança permanente.

Olhou para a estátua de pedra de um cavalo que ficava no canto da biblioteca como se ela tivesse todas as respostas de que precisava. Mas tudo o que ela possuía eram delicadas conchas e estrelas-do-mar de pedra esculpidas em sua crina e uma expressão brava em sua cara. Era uma estátua velha, e Anna tinha medo de seus dentes à mostra, seus cascos dianteiros furiosamente suspensos no ar e seus olhos vazios. Uma vez, quando tinha quatro anos, ela gastou todos os cosméticos de sua mãe em uma tentativa de deixar o cavalo mais feliz, antes que a mãe descobrisse e a carregasse para fora do aposento, avisando-a para não encostar na estátua novamente. Sempre diziam à jovem Anna que ela não deveria encostar nas coisas, como cordas de violão, pinturas a óleo, espadas de seu pai e…

– Uau, o que aconteceu aqui?

Anna se assustou com a voz. Desviando o olhar para longe da estátua, ela olhou para a frente e identificou a forma arredondada de Olaf em pé na porta.

Quando crianças, Elsa e Anna inventavam histórias sobre um boneco de neve chamado Olaf, que tinha galhos como braços e uma cenoura como nariz. Anos mais tarde, no dia da coroação de Elsa, ela acidentalmente perdeu o controle de seus poderes de gelo e trouxe Olaf à vida. Desde

então, ele era o boneco de neve residente do castelo e membro da família das irmãs. Ele tinha uma nuvem de nevasca flutuando acima da cabeça, o que evitava que ele derretesse, mas, depois que os poderes de Elsa aumentaram e mudaram, ela podia controlá-los de longe e enfeitiçar Olaf com um gelo permanente, que serviria ao mesmo propósito. Os olhos de Olaf se arregalaram quando entrou na biblioteca. Ou melhor, na bagunça da biblioteca.

– É mais fácil para mim se eu dividir tudo em pilhas – Anna explicou, observando o espanto de Olaf diante das torres de livros espalhadas pelo chão. Ela não havia percebido o quão… empolgada estava quando começou a organizar os títulos. Talvez houvesse mais livros no chão do que nas estantes. Certamente não era o sistema organizado e metódico de Elsa, a julgar pelos volumes que a irmã deixara em pilhas perfeitas perto da janela da alcova.

Olaf assentiu com a cabeça:

– Faz sentido. Quando você faz um boneco de neve, deve sempre começar com as pilhas. A menos que você seja a Elsa, claro. – Ele apontou: – Quais são esses?

– Livros sobre doenças – disse Anna. – A pilha ao lado dessa é sobre anatomia animal, e a outra, sobre sono. – Cada título estava explodindo com possibilidades.

Olaf moveu-se para a última pilha e só seu cabelo de ramos ficou visível sobre o monte.

– E essa enorme aqui?

– Essa é a minha pilha “a serem lidos”.

– Aaaah, é muito maior do que todo o resto – ele observou.

Anna encolheu os ombros. Tinha deixado esses livros de lado, pois não eram necessariamente úteis, mas interessantes o suficiente para que ela quisesse dar uma olhada neles mais tarde. Poemas eram ótimos por causa de sua imagética e brevidade, mas ela também adorava os grandes tomos de artistas de diferentes épocas. E, é claro, havia também os romances nos quais as pessoas encontravam o amor verdadeiro, ou se comprometiam com uma jornada perigosa, ou se reuniam com os entes amados perdidos.

Anna esfregou os olhos e ajustou a saia do vestido, que havia começado a apertá-la de forma desconfortável.

– Onde você estava? – ela perguntou.

Olaf caminhava de pilha em pilha.

– Na biblioteca da aldeia, escutando uma palestra sobre o Inferno de Dante. Quanto mais quente a história, melhor.

Anna sorriu. Após sua primeira festa de aniversário depois do inverno perpétuo de Elsa, Anna ensinara Olaf a ler. Desde então, o boneco de neve havia ficado obcecado. Ele gostava de livros de todos os tamanhos, mas seus favoritos eram os grossos volumes de filosofia, além de leituras para a praia, as quais ele frequentemente insistia que eram tão importantes quanto os clássicos. Anna não discordava.

– Então, por que você está reorganizando a biblioteca? – perguntou Olaf.

Respirando fundo, Anna rapidamente explicou sobre SoYun e seu rebanho e lhe contou que Elsa estava fora, verificando as cabras dos Westen.

– Parece que alguma ajuda poderia lhe ser útil – sugeriu Olaf, arrumando um botão de carvão. – E, nas palavras sábias de muitos filósofos, quatro olhos são melhores do que três.

– É isso o que eles dizem? – perguntou Anna, repousando a cabeça na palma da mão.

Olaf tirou seu par de óculos de gelo favorito, os quais Elsa fizera especialmente para ele.

– Na verdade – ele disse –, também recomendam “começar do começo”.

Então, vamos começar pela letra C, de “começo”. – Anna seguiu seu dedo irregular que apontava para a prateleira do meio, a mais próxima, atrás da estátua de cavalo.

– Claro – concordou Anna. – Você olha essa enquanto eu termino aquela.

Olaf escalou uma mesa abaixo de um retrato da coroação do rei Agnarr e, então, pulou nas costas do cavalo de pedra. Cuidadosamente, deslizou seu traseiro e depois se levantou, balançando com dificuldade de um lado para o outro.

– Quase… – ele disse, tentando alcançar a estante.

Anna podia ver que ele estava tendo dificuldades, então deu um salto e correu para ajudá-lo.

– Só um pouquinho… Ops! – Houve um “clique” seguido por um som estridente, como engrenagens movendo-se umas contra as outras. A pata traseira do cavalo, na qual Olaf estava em pé, desceu como se fosse uma alavanca. Poeira espalhou-se pelo ar e Anna fechou seus olhos, virando a

cabeça para o lado contrário para evitar engolir mais poeira. E então…

tudo ficou parado.

Tudo ficou em silêncio.

– Uau – Olaf soltou em um suspiro. – Isso aí é algo que você não vê todo dia.

Os olhos de Anna se abriram e ela deu um suspiro, surpresa. A prateleira de livros atrás da estátua havia se aberto para dentro, como uma

Os olhos de Anna se abriram e ela deu um suspiro, surpresa. A prateleira de livros atrás da estátua havia se aberto para dentro, como uma