ENQUANTO A AREIA NEGRA escorria do quarto da torre por baixo da porta, pensamentos escuros e pegajosos se prendiam à Anna como óleo.
Pensamentos como insetos rastejando para dentro dos ouvidos, dentes apodrecendo e caindo, ondas negras, afogamentos e uma porta. Uma grande porta branca com flores roxas que se repetiam de novo e de novo, cada uma lhe dizendo que ela não era boa o suficiente, que não era desejada, que havia sido deixada de lado. E, quando os pensamentos a atingiram, batendo tão implacavelmente quanto um mar tempestuoso, Anna sentiu dificuldade de respirar. Seu coração se apertou como se algo estivesse pressionando seu peito. O peso dificultava a fala, mas ela devia – ela precisava – avisar seus amigos.
– E-ei, pessoal – sussurrou Anna, tentando fazer com que sua boca funcionasse.
Porém, naqueles poucos e preciosos segundos, a areia havia se esparramado pelo quarto, formando uma poça escura. Os grãos se levantaram e giraram no ar, como se cada um tivesse seu próprio par de asas em miniatura, seu próprio cérebro, e então se transformaram em uma nuvem, criando o contorno de uma sombra. A sombra de um lobo.
O medo deu-lhe força:
– Nattmara! – gritou Anna.
A areia se solidificou em um grande lobo branco. Agora a criatura era tão grande quanto o comprimento da parede. Sua cabeça praticamente raspava no teto pintado.
Como se estivesse em câmera lenta, Anna viu os outros se virarem. A boca de Kristoff se abriu, enquanto os olhos de Elsa se arregalaram de horror. Mas foi Sorenson – o velho cientista que acreditava no emaranhado de ciência e mito, mito e ciência – quem reagiu primeiro.
– Fechem seus olhos! – Ele saiu em disparada e pegou um dos muitos frascos de vidro perto dele.
Anna fechou os olhos. Um segundo depois, houve um clarão intenso que perpassou até mesmo suas pálpebras fechadas, seguido do uivo do lobo.
Não. Não é um lobo, Anna se corrigiu. Nattmara.
– Para cima! – gritou Sorenson. – Corram!
Mesmo que ela tivesse fechado os olhos, pontos pretos ainda manchavam sua visão quando ela se levantou e correu com Kristoff em direção aos degraus. Pulando dois de cada vez, ela estava consciente para gritar e para notar o barulho que parecia de facas afiadas. Olhando para trás, ela viu Sorenson no pé da escada e, ao lado dele, Elsa atirando dardos de gelo no lobo de novo e de novo.
Mas os dardos de gelo, afiados e letais pareciam causar tanto dano quanto um palito de dente mergulhado na água. Cada vez que Elsa soltava uma lança, ela voava pelo ar em direção ao alvo – mas nunca o atingia.
A Nattmara não parecia ser feita de pelo, osso ou músculo. Ou qualquer coisa sólida, na verdade, pois, quando os dardos de gelo estavam prestes a prender suas patas no lugar, elas se dissolviam ao toque, transformando-se em… em areia, Anna percebeu.
Era como Sorenson havia dito. A Nattmara podia assumir qualquer forma. Escoar pelas frestas de qualquer porta. Deslizar para os pontos frágeis do coração de uma pessoa. Alimentava-se do medo, mas como eles não teriam medo disso? Era medo. Um pouco de areia preta flutuou em sua direção e ela prendeu a respiração novamente. Os pensamentos pegajosos voltaram à sua mente: ela havia feito isso. Não conseguia fazer nada direito. Nunca conseguiu. Ela falhara com Elsa.
– ANNA! – Kristoff, com a sua mochila de viajante pendurada no ombro, puxou seu braço. – CONTINUE!
O som de sua voz – cheia de preocupação e cuidado – fez Anna voltar a si. Ela correu com ele e não parou de subir a vertiginosa e apertada escada em espiral até irromper no frio, ao ar livre, no deque de observação de Sorenson.
Em qualquer outro momento, ela teria adorado ficar lá em cima. O ar da montanha era tão límpido que as estrelas acima pulsavam intensamente. A lua estava redonda e madura, apenas implorando para ser arrancada do céu e colocada no bolso, como um doce para mais tarde. E, no centro do convés circular, parado como um potro recém-nascido de patinhas finas, brilhava um telescópio de cobre. Ele apontava para o céu, um instrumento que ajudava a buscar respostas na dança celeste. Era tudo estranho, fascinante e bonito. Era um beco sem saída.
Assim como no pesadelo de Anna, não havia para onde fugir.
O lobo, ainda atrás deles na escada da torre, a encurralara, dessa vez em um deque de madeira a centenas de metros no ar, e o único meio de fuga – pular – definitivamente não era um bom presságio para nenhum deles.
Estavam encurralados!
O ombro de Sorenson esbarrou com o dela quando ele passou seguindo até a beira do deque. Inclinando-se sobre o corrimão de madeira simples, ele agarrou o ar da noite e depois se afastou. À luz da lua cheia, Anna percebeu o brilho prateado de algo na palma da mão dele: um cabo de aço – tão fino que parecia desaparecer a apenas trinta centímetros da torre.
– Pegue a toalha de mesa!
Ele apontou para a comprida bancada de madeira que ficava ao lado do telescópio. Estava coberta de taças, termômetros e barômetros, lápis e penas, ábacos, réguas, frascos e páginas de cálculos. E, aparentemente, todo o trabalho da vida de Sorenson se encontrava em cima de uma toalha de mesa lavanda, cuidadosamente bordada com uma flor de açafrão. Se a toalha fosse puxada, todo esse trabalho de anos e anos seria esmagado no deque, perdido para sempre. Anna hesitou.
– Faça isso! – Sorenson grunhiu.
Mas Anna não podia, simplesmente não podia. Era uma mesa de respostas, o trabalho de uma vida inteira coletando informações. Então, Kristoff chegou atrás dela e puxou a toalha. Com um tremendo estrondo, os belos e estranhos dispositivos caíram no chão e o som foi algo similar ao barulho de um coração se partindo.
– Agora, rasguem a toalha! – ordenou Sorenson.
O som dos uivos cruéis do lobo e o raspar de gelo encheram o ar. Elsa havia chegado ao deque e estava parada na entrada, estendendo a mão incessantemente. A cada movimento de seu pulso, a porta se enchia de gelo – gelo fresco, gelo novo, gelo sem rachaduras.
Durou apenas um momento.
Porque em seguida a Nattmara se chocou contra o gelo, partindo a superfície, e um pouco mais de areia preta atravessou as fissuras.
Gelo suave.
Gelo quebrado.
Suave. Quebrado. Elsa estava segurando Nattmara e suas patas arenosas a distância, mas mesmo ela – a corajosa, forte, sábia e mágica Elsa – não poderia afastá-lo para sempre. Anna já podia ver o cansaço na inclinação
de seus ombros. O estalo de seu pulso ficou mais frouxo a cada gesto hábil.
Raaaaaasg!
Anna se virou para ver Kristoff obedecendo às ordens de Sorenson e rasgando a toalha de mesa em tiras grossas, mas não se ofereceu para ajudar. Em vez disso, sua mente se preocupava com outra coisa. Cada vez que Elsa movimentava o pulso como se estivesse arremessando algo e enchia a porta de gelo, Anna tinha a impressão de que Nattmara crescia um pouco. Gelo suave. Gelo quebrado. Gelo suave. Sim, Anna tinha certeza disso agora. Sempre que Elsa lançava uma rajada mágica de gelo na criatura mítica, suas patas se expandiam, seus dentes se afiavam ainda mais e sua força dobrava.
– Elsa! – Anna chorou. – Elsa, pare! Sua magia! Está tornando-o mais forte! – Mas entre o rosnar de Nattmara, o rasgar do pano e o som do gelo estalando de novo e de novo e de novo, Elsa não podia ouvi-la. A única maneira de sobreviver a esse momento seria se eles escapassem.
– Depressa! – Sorenson gritou. – Pegue!
Anna pegou um pedaço da toalha de Kristoff e tropeçou na direção do cientista. Agarrando a tira, Sorenson enrolou o pano sobre o fio fino, fazendo um “U” com o tecido.
– Mãos – ele resmungou.
Anna obedeceu, estendendo os pulsos enquanto ele amarrava as extremidades pendentes da tira de tecido sob as axilas de Anna para criar um cinto improvisado.
Sorenson bateu no parapeito de madeira precária:
– Escale.
Anna fez o que lhe foi ordenado. Somente quando estava equilibrada no trilho mais alto, de frente para a encosta da montanha bem abaixo dela, o plano de Sorenson foi de fato assimilado.
– Espere um segundo – disse Anna, voltando-se para encará-lo. – Você não pode estar falando sério.
– Segure firme! – Sorenson a empurrou. Com força.
Com um grito, Anna escorregou do deque de observação com uma rajada de vento e estrelas. Ela gritou. Descer a montanha assim era quase voar, mas definitivamente parecia cair. O cabo saltou e balançou quando ela acelerou pela encosta da montanha.
Envolvendo os pulsos na toalha de mesa, ela se segurou forte por sua vida preciosa, enquanto suas pernas balançavam. De algum lugar acima, ela conseguiu ouvir Elsa, Kristoff e Sorenson gritando à medida que se aproximavam dela. Graças a Deus eles estavam seguros!
Anna quase riu – mas o chão estava se aproximando muito rapidamente.
Forçando os olhos contra a noite escura, seguiu o caminho do cabo ondulado; ele desapareceu nos galhos de uma árvore no sopé da montanha, perto da entrada das minas. Isso era bom.
Mas o que não era bom era a rapidez com que ela se aproximava do tronco sólido. Se batesse na árvore nessa velocidade, definitivamente quebraria algumas costelas, e isso se tivesse sorte. Ela precisava desacelerar.
– NEVE! – ela gritou para Elsa: – NEVE! NEVE, NEVE, NEVE! – Ela pensou ter ouvido Elsa gritar de volta, mas não tinha certeza. O vento roubava quaisquer palavras que saíssem dos lábios de sua irmã. Ela só poderia esperar e confiar que Elsa soubesse o que fazer, como sempre.
Três metros de distância da árvore. Dois. Um. Anna soltou a toalha e se libertou. Ela caiu pelo ar escuro por um tempo que pareceu um ano, mas provavelmente foi apenas um momento, e então…
VUULSH!
Um formigamento frio a envolveu, tão refrescante e reconfortante quanto uma das bebidas borbulhantes que Oaken vendia em sua loja.
Flocos de neve macios e almofadados amorteceram sua queda. Elsa tinha conseguido de novo. Mas não houve tempo para recuperar o fôlego. Em vez disso, Anna saiu do caminho enquanto Elsa, Kristoff e Sorenson se jogavam na pilha de neve como maçãs maduras caindo de uma árvore.
Anna disparou:
– Está tudo bem? Onde ela está?
Todos assentiram, depois Kristoff apontou.
Anna se virou. Era difícil enxergar no escuro, mas ela conseguia distinguir um trecho de sombra descendo a montanha como uma avalanche de neve negra: Nattmara. Ainda à procura.
– As minas! – Anna disse. –Depressa!
– Elas não são seguras! – disse Sorenson – Há desmoronamentos e ar tóxico…
– E Huldrefólk! – Anna disse. – Elsa, lembre-se do mito!
Elsa ofegou.
– Os Huldrefólk sempre encontram o que está perdido. A espada de Aren!
– Essa pode ser a nossa única chance! – Anna disse. – Temos que encontrá-los e perguntar onde está a Lâmina Revoluta!
– Mas… – O protesto de Sorenson foi interrompido por um longo uivo, um uivo que se intensificou até o ar do reino se tornar um grito, e Anna cambaleou sob seu peso.
Apertando as mãos sobre as orelhas, Anna passou pelas placas de advertência, arrancou as tábuas de madeira pregadas na entrada e mergulhou na boca aberta das minas. Seus amigos a seguiram. O uivo chegou até eles, e Kristoff lutou para encontrar um lampião em sua mochila de viajante e acendê-lo, e então eles finalmente conseguiram ver.
Ao redor havia passagens: finas, largas, estreitas, para cima e para baixo e em volta. Mas qual levava a um beco sem saída? E qual levava a câmaras de gases venenosos ou buracos com lanças afiadas ou ursos adormecidos? Mais importante, qual os levaria aos Huldrefólk?
– Qual delas, Sorenson? – Anna perguntou.
Mas o velho cientista parecia perplexo. Sua longa barba prateada tinha tufos que iam para todas as direções, como se também estivesse confusa.
Parado ao lado de Anna, Kristoff balançou seu lampião, enviando arcos de luz ondulados pelas paredes e pelo chão.
Algo brilhou em uma rocha, e Anna olhou para baixo. Ela estava de pé em cima de algo comprido e metálico: os trilhos para os carrinhos das minas!
– Por aqui! – disse Anna, correndo rapidamente enquanto seguia os trilhos.
Um segundo depois, eles chegaram a uma grande câmara onde, no extremo oposto, aguardando confortavelmente como se estivesse esperando por eles o tempo todo, havia um carrinho de madeira.
Kristoff fez um gesto teatral.
– Ta-dã! Sua carruagem lhe aguarda, senhora.
– Ora, obrigada, gentil senhor! – Anna entrou e Elsa e Sorenson subiram atrás dela.
Kristoff empurrou o carrinho, tentando fazer as rodas enferrujadas avançarem para a frente. Elas se mexeram um pouco e depois pararam, e Anna viu o porquê. Uma corda havia sido amarrada em torno de uma extremidade, ancorando o carrinho a uma pedra saliente.
– Posso? – Ela perguntou, pegando o lampião.
– Sim, claro.
Anna segurou o fogo do lampião na corda.
O uivo de Nattmara estava impossivelmente ainda mais alto agora, e o túnel tremeu.
Ela os tinha alcançado.
Cada passo de suas patas gigantes enviava um tremor pelo solo.
E Anna podia ver que seu palpite estava certo: cada vez que Elsa usava sua magia, a Nattmara parecia se tornar mais temível e mais horrível.
Estava na boca da caverna, formando um eclipse da luz da lua, com a areia negra mexendo-se ao seu redor, enquanto seus olhos amarelos brilhavam.
Nas mãos de Anna, a corda carbonizou, escureceu e afinou. Finalmente, cedeu. Mas o carrinho ficou parado.
– Por que não estamos nos movendo? – Elsa gritou.
– Somos pesados demais – disse Anna, o desespero como um turbilhão perpassava através dela. – Talvez se nós balançarmos um pouco…
– Não precisa – interrompeu Sorenson.
– O que você quer dizer? – Anna exigiu.
No entanto, o cientista apenas sorriu – e então se lançou para fora do carrinho. Ele correu em direção à entrada das minas… em direção à Nattmara.
– Nãããão! – Anna gritou, embora não fosse possível ouvir no oceano do uivo de Nattmara.
Mas Sorenson tinha conseguido. Sem seu peso, o carrinho subiu e as rodas giraram para a frente, lentas no início, depois cada vez mais rápidas – e então o carrinho mergulhou, forçando Anna a soltar o lampião de Kristoff. Ele caiu no chão do carrinho, mas a luz não se apagou. A madeira áspera cortava suas mãos enquanto ela se agarrava às laterais, tentando salvar sua preciosa vida.
Eles percorreram os trilhos, guinchando através de curvas que sacudiam todos, ameaçando atirá-los para fora a cada vez.
– Estamos indo rápido demais! – Elsa gritou. – Desacelere!
– Os freios não estão funcionando! – Kristoff gritou de volta, enquanto pegava seu lampião e o segurava na frente delas. – E o volante está preso!
Anna sentiu sua boca se escancarar de horror enquanto tentava freneticamente pensar em uma solução.
– Inclinem para a direita! – Kristoff berrou.
Anna e Elsa jogaram seu peso para a direita, e o carrinho mudou de pista, seguindo a curva do trilho. Kristoff continuou a gritar instruções.
Dessa forma – com Kristoff falando o que fazer e Anna e Elsa inclinando-se para um lado e para o outro –, eles foram capazes de direcionar o carrinho, ziguezagueando no centro da montanha em vez de cair verticalmente. Eles teriam que parar em algum momento. Não é mesmo?
E então, de repente, avistaram luz logo à frente. Uma saída!
– O que é isso? – Elsa gritou. – Não estamos nem perto da manhã!
Ela estava certa e, quando os olhos de Anna beberam da luz, ela percebeu que havia um estranho brilho aquático. Antes que pudesse pensar demais sobre de onde esse brilho vinha, Kristoff gritou:
– LAGO!
SPLASH!
Em uma explosão de água morna, eles mergulharam em um lago subterrâneo. O carrinho rolou para a frente na água ondulante, depois parou, o corpo d’água surpreendentemente raso encerrando a jornada selvagem de todos. O lampião de Kristoff se apagou e a fumaça serpenteou pelo ar.
Anna se permitiu ficar quieta. Sentir o ar em seus pulmões e ouvir o silêncio do mundo subterrâneo. Mas não foi um silêncio absoluto. Longe disso.
Ao redor deles, havia um suave respingo de água; as estalactites pingavam no lago, que era iluminado por uma luz estranha. Anna olhou para a água e ficou maravilhada. Ela finalmente reconheceu a fonte da luz.
Pendurados no teto da caverna havia um milhão de minúsculos vaga-lumes, cada um emitindo uma luz suave da cor do gelo mais azul. Eles refletiam na superfície do lago, o que dava a sensação de que estavam imersos em uma banheira sob uma galáxia de estrelas. Era um mundo secreto de som, água e luz, reconfortante e glorioso.
– Todo mundo está bem? – Anna perguntou.
Kristoff contraiu-se um pouco, mas disse, mais ou menos alegremente:
– Sim!
– Sim – disse Elsa. – Espero que Sorenson esteja bem.
Anna também esperava, mas não queria que sua irmã se preocupasse.
– Tenho certeza de que ele está bem – disse, reunindo o máximo de entusiasmo possível. – Esse cientista tem mais truques nas mangas do que compromissos em sua agenda. – Ela se levantou devagar. – E todo mundo
ficará bem quando tivermos a espada para quebrar a maldição de Nattmara. – Tomando cuidado para manter o equilíbrio, ela ficou nas pontas dos pés e examinou uma daquelas minhocas cintilantes. – Uau – suspirou. Cada vaga-lume brilhante parecia um colar de contas e pendia como um pingente de gelo, bonito e perfeito.
Ainda havia o som da água se mexendo. Anna olhou para o lado e viu que Elsa havia saído do carrinho e entrado no lago. Era raso, chegava somente até a cintura. Ela não se preocupou em levantar sua capa para fora da água, deixando-a flutuar em volta dela, e era como se tivesse crescido uma barbatana de sereia cintilante. Anna desejava que sereias fossem criaturas de verdade. E talvez, só talvez, elas fossem. Elsa caminhou em direção às ribanceiras rochosas.
– Aonde você está indo? – Anna perguntou.
Elsa parou para olhar a trilha íngreme que eles haviam atravessado momentos antes.
– Não consigo ouvir nada – sussurrou Elsa, como se fossem menininhas brincando de esconde-esconde na capela e esperando que seus pais as descobrissem.
– Isso é bom, certo? – A voz de Kristoff foi abafada. – Nattmara não poderia ter nos seguido. Estávamos indo incrivelmente rápido e havia muitas trilhas para saber quais escolhemos.
– Olhe para cima – disse Elsa sombriamente.
Anna seguiu o olhar da irmã. À luz dos vaga-lumes, ela conseguiu distinguir uma dúzia de passagens diferentes acima deles, cada uma levando para um lugar. Para muitos lugares. Anna ficou tensa. Eles tinham perdido Nattmara. Tinham perdido Sorenson.
E agora estavam perdidos também.