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A CABEÇA DE ANNA MARTELAVA, seu estômago estava embrulhado e seu coração doía.

Ela não estava doente, mas ainda assim, de um jeito estranho, queria estar, porque resfriados iam e vinham por conta própria, mas isso – esse sentimento doloroso – ela havia trazido para si mesma. Assim como devia ter trazido o lobo para o castelo. Ela queria acreditar que era só uma coincidência que um lobo tivesse aparecido logo depois que ela lera em voz alta o feitiço “Fazer sonhos virarem realidade”, mas não conseguia.

Anna havia sonhado com o lobo durante toda a sua infância. Agora, Kai e Gerda – pessoas que a amaram e cuidaram dela – tinham olhos amarelos e estavam presos em seus próprios pesadelos. Por que ela não ouviu? Elsa tinha dito para ela deixar o quarto secreto para lá, que seus pais provavelmente o mantiveram em segredo por algum motivo. E agora Anna havia liberado seu pesadelo em Arendelle.

– Ainda bem que está escuro – Olaf disse em algum lugar à esquerda de Anna. – Se tiverem monstros canibais aqui, pelo menos não vamos conseguir enxergá-los!

– Sempre vendo pelo lado positivo – Kristoff falou no fundo. – Anna, o que está acontecendo? Por que tem um lobo no castelo? E onde estamos agora?

– Elsa – Anna disse, procurando no bolso da sua capa o papel com o feitiço e tentando alcançar o ombro da irmã naquela escuridão. – Preciso contar uma coisa…

– Espera um minuto, Anna – a voz de Elsa parecia um pouco mais distante. – Kristoff, tem como iluminar um pouco aqui?

Houve um barulho seguido de um arranhão enquanto Kristoff acendia um fósforo e pegava seu lampião na mochila de viagem. Geralmente, Anna se sentia melhor quando tinha luz, mas a chama trêmula do lampião fazia sombras enormes nas paredes de pedra e nas faces de seus amigos, distorcendo seus traços familiares e transformando-os em estranhos.

E – a respiração de Anna ficou presa em seus pulmões – seria um lampejo amarelo nos olhos de Kristoff?

– Sério – Kristoff disse, torcendo o rosto em frustração enquanto passava as mãos para cima e para baixo no garrote de Sven e depois espiava o ouvido dele. A pobre rena estava tremendo pelo encontro com o lobo e estava parada tão perto de Kristoff que quase pisava nos pés do homem da montanha. – Alguém pode, por favor, dizer o que está acontecendo?

Enquanto ele acariciava as patas inquietas de Sven, virou a cabeça e o ponto amarelo que Anna pensou ter visto desapareceu. Era só o reflexo do lampião nos olhos dele. Seu pânico se dissolveu um pouco, e ela os levou aonde precisavam chegar. Eles estavam no começo de um túnel alto e largo, talhado diretamente da rocha áspera da pequena ilha do castelo. O caminho desapareceu de vista ao se perder em mais escuridão.

– Onde estamos? – Elsa virou a cabeça para trás e olhou para cima, com os olhos bem abertos.

– Estamos na Passagem dos Gigantes da Terra – Anna disse. – Estava nas plantas no… quarto secreto.

Elsa olhou para Anna por um tempo.

– Você e esse quarto secreto.

– O quê? – Anna disse. – Foi isso! E as plantas daquele quarto secreto nos ajudaram a fugir do lobo!

– Então – Elsa falou, juntando as mãos –, você sabe para onde essa passagem vai nos levar?

– Não… exatamente – Anna admitiu. – Acho que segue por baixo do fiorde, mas não estava muito claro nas plantas.

– Então você está me dizendo que pode nos levar para qualquer lugar, incluindo um beco sem saída?

O estômago de Anna se revirou.

– Eu… eu não pensei nisso.

Elsa suspirou e balançou a cabeça.

– Tudo bem. Vou pensar em alguma solução.

As palavras feriram Anna, como se Elsa tivesse fisicamente as jogado em sua direção. Anna a desapontou. Se Elsa estava tão chateada assim somente por causa das plantas, o que diria se Anna lhe contasse sobre o feitiço? Quando exatamente seria um bom momento para admitir para a irmã que tinha cometido um erro?

De repente, Sven mugiu. Seus olhos rolaram para trás e Anna viu o branco tomando conta deles. Naquele mesmo instante, desde o alto, Anna

conseguiu ouvir facas sendo afiadas. Não, não eram facas. Eram garras arranhando o chão de lajotas. O lobo estava cavando para chegar até eles.

– Precisamos ir. Agora! – Elsa saiu do lado de Anna, transformando-se de irmã irritada para rainha. – Eu vou primeiro, caso… caso tenha alguma coisa no caminho. Olaf, você acha que consegue…?

– Colocar os olhos atrás da cabeça? – Olaf virou sua cabeça inteira em 180 graus. – Prontinho.

Elsa assentiu.

– Obrigada. E caso aconteça alguma coisa, quero que vocês corram sem parar. Certo? – Sem esperar por uma resposta, Elsa pegou o lampião de Kristoff e saiu andando pelo túnel, projetando sombras pálidas nas paredes de pedra.

Kristoff ofereceu seu ombro a Sven, que encostou a cabeça.

– A que coisa você acha que Elsa estava se referindo? – ele sussurrou para Anna.

– Acho que ela quis dizer que, se algo der errado, nós devemos deixá-la lidar com isso – Anna explicou.

– Tipo, se tiver um desmoronamento – Olaf acrescentou. – Ou uma avalanche, ou um monstro, ou se você perder o nariz, ou se o lobo ou Gerda ou Kai nos atacarem novamente, ou se os olhos de Kristoff ficarem amarelos…?

Anna tampou rapidamente a boca de Olaf para impedir o excesso de possibilidades horríveis.

– Vai dar tudo certo se continuarmos juntos. – Ela desejou que fosse verdade. Retirou a mão da boca de Olaf e sorriu. – Além disso, temos algo que o lobo não tem.

Kristoff levantou uma sobrancelha.

– O que exatamente?

A orelha de Sven também se ergueu, esperando uma resposta.

Anna acenou em direção à luz e sentiu a frustração desaparecer. Mesmo que a roupa de sua irmã fosse simples – um vestido prático com fenda azul-urze, perfeito para dias longos no escritório ou tardes visitando fazendas –, ele iluminava muito mais do que o lampião, assim como tudo o que Elsa tocava.

Anna sorriu.

– Temos Elsa. – E, depois de dizer isso, correu para alcançá-la.

Eles correram o mais rápido possível pela passagem, o que não foi tão rápido assim. Em parte pelo fato de a passagem ser tão bem talhada que era tedioso passar por ela e, além disso, porque Sven continuava tremendo de medo do lobo, que supostamente continuava arranhando a lajota em algum lugar acima deles. Anna foi tomada por uma sensação de empatia.

Por mais aterrorizada que estivesse, devia ser mil vezes pior para uma rena, pois seu predador natural era o lobo. Anna percebeu que Kristoff estava com a mão no pescoço do seu melhor amigo e, de vez em quando, ela ouvia uma nota musical à medida que Kristoff cantava para ele.

Enquanto isso, Olaf, com os olhos nas costas, continuava a pisar na barra da capa de viagem de Anna. Na terceira vez que aconteceu, Anna parou, relembrando como Elsa o carregava, e se agachou na frente dele.

– Olaf, que tal andar de cavalinho?

– É pra já! – Olaf disse. Mas sem os olhos virados para a frente, precisou de mais de uma tentativa, inclusive uma que fez Anna cair de barriga. – Ta-dã! – Olaf escalou em suas costas. – Consegui!

– Você conseguiu – grunhiu Anna. – Só fique parado enquanto eu tento me levantar.

– Anna? – Olaf perguntou, sentado em suas costas. – Você está bem?

Anna respondeu quase sem fôlego enquanto se colocava de pé com a ajuda das mãos.

– Estou bem.

Foi quando Elsa gritou.

– ELSA! – Anna berrou, uma nova força tomou conta dela. Saiu correndo. Com o coração na garganta, correu pela passagem, com Olaf pendurado em seu pescoço. O túnel estava praticamente escuro, só com um facho de luz.

– Elsa! Kristoff! Sven! – Anna exclamou. – O que aconteceu?

Pensamentos horríveis passaram pela sua mente, mas Anna conseguiu afastar todos eles, menos um: uma imagem do lobo, quieto como a lua, perseguindo Elsa, enquanto os seus olhos azuis perdiam a cor e se transformavam em amarelo.

Anna passou por uma pequena curva no túnel e lá estavam eles: Elsa, Kristoff e Sven. Ela procurou sinais de ferimentos, mas parecia estar tudo certo. Ninguém estava sangrando. Na verdade, não havia sinal de nada errado. E quanto mais ela pensava nisso, mais percebia que não tinha como o lobo ter passado por ela no túnel e estar esperando-os lá na frente.

– O que está acontecendo? – Anna ofegou. – Por que você gritou?

– Desculpe – Elsa disse, com as bochechas rosadas. – Acho que estou um pouco nervosa e daí eu vi… eu, bem… – Ela apontou para trás.

O túnel virou uma câmara e Anna conseguia ver que ele se estreitava novamente lá na frente. Parecia uma cobra que havia engolido um ovo inteiro, com o ovo visível em seu esôfago. E na sombra mais longe da câmara, Anna viu…

– Um dragão! – Anna exclamou, dando um passo para trás e tropeçando na barra de sua capa.

Olaf virou a cabeça para a frente outra vez, espetando a orelha de Anna com seu nariz de cenoura.

– Anna, sua boba. Não é um dragão, é um barco no formato de um dragão.

Kristoff colocou uma mão no ombro de Anna.

– Não se preocupe. Elsa também achou que fosse um dragão – ele disse, sorrindo gentilmente.

Anna fechou os olhos na penumbra. Era um barco. Na verdade, era um escaler. Ao contrário dos navios altos, de vários andares e com vários mastros, com velas de asa de borboleta, esse barco era elegante, longo e baixo como uma canoa. Tinha somente um mastro e uma parte mais alta na frente e outra atrás, onde as tábuas de madeira transformavam-se em uma graciosa ponta de rabo de dragão, de um lado, e em dentes assustadores da criatura, do outro. Ela ficou sem ar – também pelo fato de estar correndo com um boneco de neve nas costas.

– Não é só um túnel – disse Elsa. – Acho que é… um tumulus.

– Oooh. Um tumu o quê? – Olaf perguntou.

Elsa sorriu, mas parecia triste.

– Uma mamoa – ela explicou. – Antigamente, as pessoas construíam grandes montes de terra chamados tumulus e deixavam seus líderes mortos em seus barcos, junto a tudo que eles precisariam levar para a vida depois da morte, seus objetos preferidos, como escudos de bronze, taças e moedas de ouro.

– É lindo – Anna disse, querendo explorar esse tesouro inesperado. Não havia nada que ela gostasse mais do que respostas, um pedaço de cerâmica quebrada ou uma única conta de vidro de muito tempo atrás que pudessem contar muito sobre as culturas e histórias perdidas no tempo.

Mais tarde, disse a si mesma. Mais um motivo para você arrumar o que fez.

– Queria que fosse um dragão de verdade – Olaf disse, interrompendo os pensamentos de Anna e trazendo-a para a realidade.

– Acho que um lobo é mais do que suficiente por enquanto – Elsa disse, segurando o lampião e andando.

Kristoff assentiu.

– Se ficarmos parados, esse lugar pode virar um novo cemitério.

Olaf chacoalhou a cabeça.

– Pobre Frederick. Acho que ele não iria gostar muito daqui.

– Quem é Frederick? – Anna perguntou.

– O lobo – Olaf disse, como se fosse óbvio. – Ele tinha cara de Frederick, você não achou?

– Eu não estava falando do lobo – Kristoff disse, e puxou sua mochila de viagem mais para cima. – Estava falando da gente.

Eles continuaram a andar, rápida e silenciosamente. Precisavam poupar o fôlego para navegar pelas obscuras e estranhas sombras da passagem.

Depois de alguns minutos, Anna teve a impressão de que o chão estava subindo, mas não tinha certeza e não queria criar muita expectativa.

– Ouviram isso? – Elsa perguntou de repente.

Anna ouviu. Ela ouviu algo… um estrondo baixo. Um som que era quase um trovão, ou como ela imaginava que o ronco de um Gigante da Terra seria, ou…

– Uma cachoeira – Kristoff disse. – Acho que passamos por baixo das águas de Arenfjord e chegamos do outro lado.

Uma nova energia apressou os passos deles. Alguns minutos depois, eles viraram uma esquina e viram uma cortina espumosa de água caindo pela pedra e um brilho fraco, cinza, pelo túnel. Era aquela hora da noite que já não era tão noite assim, mas os primeiros momentos da manhã, alguns minutos antes de o sol nascer.

A noite oficialmente acabaria, mas… quais outros pesadelos de Anna poderiam se tornar realidade? Seus dentes cairiam? Ela olharia para baixo e veria que estava usando somente roupas íntimas? Ou talvez fosse um novo pesadelo, em que Elsa a exilia-ria do reino quando soubesse que Anna lançara o feitiço?

O feitiço. Seu estômago embrulhou. Anna não gostava quando escondiam segredos dela, mas guardar seu próprio segredo a fez sentir

como se tivesse comido algo infectado com ferrugem branca. Agora que estavam saindo do túnel, longe do lobo, pelo menos por enquanto, ela precisava contar para Elsa. Talvez juntas elas conseguissem descobrir um contrafeitiço. Anna respirou fundo.

– Elsa? Preciso lhe contar uma coisa…

Elsa levantou a mão.

– Nem precisa falar.

Inclinando a cabeça, Anna fechou os olhos.

– Falar o quê?

Eu avisei – Elsa disse com um sorriso cansado. – Eu sei. Você encontrou a passagem e foi útil. Não vou dizer o contrário. Podemos ter uma trégua?

Anna ficou boquiaberta, sem saber o que fazer. Por um lado, estava contente que sua irmã parecia feliz com ela. Mas por outro… Elsa não sabia que tudo isso era culpa de Anna. E embora Anna não estivesse exatamente mentindo, quanto mais os segundos passavam, mais desconfortável a omissão a fazia se sentir, como se ela fosse mais um esboço de Anna que uma Anna completa. Ela odiava guardar segredos, mas tinha mais medo ainda de perder sua irmã. Ah, agora o que poderia fazer?

Mas ela se livrou de tomar uma decisão quando Olaf deu um grito de alegria diretamente no ouvido de Anna. Ele saltou das costas dela, e ela se desequilibrou por conta da repentina falta de peso.

– Ebaa! – Olaf comemorou. – Não vamos morrer naqueles tulumus!

E então saiu correndo. Anna prendeu a respiração. Ele não ia correr direto pela cachoeira, ia? Ele ia, pois em um segundo, a água bateu nos ombros dele enquanto a atravessava.

– Aaaah! Uma massagem um tanto quanto esquisita! – disse e, em seguida, o boneco de neve passou para o outro lado.

Anna respirou aliviada. Às vezes, quando Olaf tentava algo novo, ele se desmontava e demorava um tempo até que encontrassem seus braços, nariz ou outra parte de seu corpo. Eles não podiam perder tempo, não quando o lobo poderia aparecer a qualquer momento.

Mesmo que ela não achasse que o lobo conseguiria cavar aquelas pedras, não tinha certeza de mais nada. Ela olhou por cima do ombro pela milésima vez, só para se certificar.

Kristoff colocou o dedo para verificar a temperatura da cachoeira.

– Credo! – Ele puxou a mão e a ponta do seu dedo estava rosa. – Isso é gelado demais até para mim!

– Duvido – Elsa disse, verificando também. – Se não, estaria congelada.

– Sorriu.

Kristoff fez uma cara engraçada.

– Bingo.

– Eu cuido disso. – Com o brilho da mão de Elsa, um arco de gelo apareceu no meio da cachoeira, espirrando água para todos os lados e formando um arco-íris em todo o lugar.

Enquanto Anna atravessava o arco, deixando as sombras da passagem para trás, ela sentiu a dor de cabeça melhorar um pouco. Seu estômago também estava um pouco menos enjoado.

Lobos existiam, mas arco-íris e irmãs também. Tinha que haver um jeito de Anna corrigir seu erro. E tinha que haver um jeito de ela corrigir sozinha, sem dar mais trabalho para Elsa. Ela precisava de tempo – e espaço – para pensar em um plano.

A Passagem dos Gigantes da Terra levou-os até uma saliência da qual se tinha uma vista da vila, e o grupo parou para observar. Todos estavam lá, embora Anna tivesse notado na luz fraca do amanhecer que os cabelos de Olaf estavam um pouco deformados e novas olheiras tinham aparecido abaixo dos olhos de Elsa. Kristoff também parecia sujo e descabelado, até mais do que o normal. O vento gelado e cortante passou através da roupa de Anna, causando-lhe calafrios. Ela puxou sua capa de viagem mais para perto e ficou feliz por não ter colocado o pijama.

– Acho que devemos avisar a vila – Kristoff disse, enquanto Sven mexia a cabeça em seu ombro.

A dor de cabeça de Anna voltou a ficar forte, mas ela tentou manter o foco. Kristoff estava certo.

– Sim! Vamos avisar a vila! Diga para eles ficarem dentro de casa!

Elsa sacudiu a cabeça.

– Você viu aquele lobo. Não acho que se esconder vai ajudar.

– Então precisamos falar para eles irem para longe – Anna disse, enquanto tentava tirar o cabelo dos olhos. Ela gostaria de ter pegado um prendedor de cabelo para fazer uma trança, em vez de deixá-lo solto e enrolado em seus ombros.

– Mas, novamente, e se o lobo estiver lá, rondando a vila? – Kristoff perguntou, e então começou a falar imitando Sven. – E se ele já estiver

satisfeito?

Era quase horrível demais pensar nisso, e as orelhas de Sven, que costumavam ficar levantadas, caíram como um par de meias velhas enquanto ele girava em seus cascos; parecia que um espirro de Kristoff seria o suficiente para derrubá-lo.

Anna olhou para a irmã, esperando que ela decidisse o que fazer. Mas Elsa não disse nada. Só olhou através de Arenfjord em direção ao castelo.

Embora ele parecesse igual, não era a mesma coisa. Anna sabia muito bem que as coisas não precisavam parecer diferentes para serem diferentes.

Uma manhã, ela tinha ido dormir tendo um pai e uma mãe. Na manhã seguinte, acordara órfã.

Enquanto olhava atentamente para o castelo, Anna viu um ponto branco na janela da torre de guarda. Ao lado dela, Olaf tinha colocado seus óculos de vidro e também estava encarando as janelas do castelo.

– Frederick está procurando por nós – ele disse, ajustando as lentes para ficarem melhor em seu nariz. – Parece que ele não foi embora… – Olaf levantou uma mão para proteger os olhos. – Ah, esquece. Ele foi embora.

– Como você sabe? – Anna perguntou.

Olaf olhou para o outro lado.

– Bem, acho que ele não entendeu direito por que eu levantei a minha mão.

– O que isso quer dizer? – Elsa perguntou.

– Ele definitivamente entendeu como um convite para juntar-se a nós.

Acho que ele está vindo neste exato momento.

– Elsa? – a voz de Anna saiu aguda.

A testa de Elsa se franziu como todas as vezes em que ela procurava algo que tinha deixado fora do lugar ou, o que era mais comum, sempre que Anna tinha tirado do lugar e esquecido de colocar de volta. Ela parecia muito concentrada. Em seguida, respirando fundo, Elsa devolveu o lampião para Kristoff e levantou as mãos, como um maestro prestes a guiar uma orquestra.

Primeiro, Anna não viu mudança nenhuma, mas percebeu que o barulho da cachoeira havia parado. Olhando para trás, ela engasgou.

A água não estava mais na cachoeira.

Em vez de cair pelos lados do fiorde e no mar, a água estava indo para cima, escalando o ar como se fosse um gêiser. Formava um arco colorido acima da vila, e sua cauda brilhante, para Anna, lembrava um cometa. Seu

olhar seguiu o caminho que a água fazia até o castelo, até que parou e ficou indo de um lado para o outro, uma, duas, três vezes até uma redoma de gelo – lisa como uma casca de ovo – cobrir o castelo inteiro. Elsa tinha isolado o castelo em um enorme globo de neve, evitando que alguém entrasse. Ou, melhor ainda, evitando que o que já estava lá dentro saísse.

Ela abaixou as mãos. Suas bochechas ficaram rosadas, mas seus olhos brilhavam. Anna sempre imaginara que fazer gelo com magia devia ser cansativo, algo como tentar subir uma montanha em dez segundos, mas Elsa sempre pareceu mais Elsa depois que liberava sua magia. E ela estava ficando cada vez melhor nisso.

– Isso foi lindo – Kristoff falou, com um tom de voz mais deslumbrado do que de costume, e Anna entendia exatamente como ele se sentia.

– Obrigada – Elsa mordeu o lábio. – Só espero que segure o lobo. Agora precisamos avisar os aldeões e mantê-los a salvo, só para garantir.

– Obrigada – Elsa mordeu o lábio. – Só espero que segure o lobo. Agora precisamos avisar os aldeões e mantê-los a salvo, só para garantir.