– SVEN! – KRISTOFF CHOROU, abraçando seu amigo, que estava com a cabeça tão baixa que seus chifres encostavam na grama coberta de gelo.
Sven soltou um gemido estridente e o som tirou o ar dos pulmões de Anna. Não, Sven não. Ele estava bem uma hora atrás!
– Hortelã – Elsa disse, cansada, e quando Anna olhou para sua irmã, viu que estava tão abalada quanto ela. – SoYun disse que hortelã ajudou Herbert e também foi eficaz com as cabras que vi outro dia.
– A loja da botânica! – Anna disse, desviando o olhar da expressão devastada de Kristoff e olhando para a vila abaixo deles. – Gabriella sempre tem hortelã na loja. E se isso não funcionar, o padeiro Blodget…
– Vai funcionar – Elsa falou, de maneira firme. – Eu fui lá mais cedo perguntar sobre remédios herbais, mas ninguém estava em casa – ela adicionou –, agora ela já deve ter voltado.
Com isso, eles correram em direção à vila. Kristoff mantinha uma mão em Sven o tempo todo, enquanto os olhos de Anna continuavam fixos nas casas e nas lojas à sua frente. Quanto antes eles evacuassem os aldeões, mais rápido conseguiriam pensar em um plano para combater tanto a ferrugem branca quanto o lobo.
Quanta má sorte poderia ter acometido um único reino de uma vez?
Todavia, sempre podia piorar. Anna sabia disso. Sven ainda apresentava os primeiros sinais da ferrugem branca. Ele poderia sentir mais dor ainda, poderia cair, pegando naquele sono pesado que o impediria de fugir dos dentes do lobo.
O lobo. Ele teria alguma coisa a ver com a ferrugem branca? Anna lembrou que Sven ficara parado na cozinha enquanto o lobo o seguia, como se aqueles olhos amarelos tivessem o prendido no lugar. Mas não fazia sentido. A ferrugem branca tinha vindo antes do lobo, mas talvez o predador tivesse assustado tanto Sven, tivesse o deixado tão perturbado, que sua imunidade baixara e a ferrugem branca tomara conta dele como uma erva daninha resistente e espinhosa.
Pelo menos Sven estava andando. Ele ainda estava forte o suficiente para isso, carregando Olaf nas costas. O boneco de neve segurava uma
cenoura com uma corda na frente da boca da rena para mantê-la acordada e motivada. Anna queria ter algo tão simples como uma cenoura para animar Kristoff.
Quando conheceu Kristoff, pensou que ele era só um reclamão, mas, ao passar mais tempo com ele, percebeu que era alguém que amava rir e sempre tinha um sorriso no rosto. Agora, porém, ela conseguia ver a expressão solitária do homem da montanha voltando. A preocupação tomava conta das linhas da face dele e sua boca estava curvada para baixo.
Anna diminuiu o passo e segurou a mão dele.
– Ei, vai ficar tudo bem. Há três dias prometi que daríamos um jeito nessa bagunça e nós daremos. No lobo e tudo.
Kristoff chacoalhou a cabeça, com os olhos castanhos tomados de preocupação.
– Não entendo o que está acontecendo. Primeiro, a ferrugem branca, depois, não consegui encontrar os trolls, e depois…
– Espera, o quê? – Anna engasgou. – Como assim não conseguiu encontrar os trolls?
– Eles não estavam no Vale das Rochas Vivas e não deixaram nenhum tipo de aviso – Kristoff explicou. Ele deu de ombros, mas Anna via a tensão espalhada pelo seu corpo. – Eles são criaturas misteriosas, entendo, mas geralmente me deixam pelo menos um recado melecado. – Como Anna sabia por experiência própria, o recado melecado era escrito em folhas com a ajuda de lesmas da floresta. Costumavam ser difíceis de ler e muito, muito grudentos.
– Eles já fizeram isso antes? – Anna perguntou, mas antes que Kristoff pudesse responder Sven mexeu a cabeça, erguendo as orelhas.
Kristoff soltou a mão de Anna.
– O que houve, garoto?
Mas Anna sabia o que era, e um lamento distante e suave chegou aos seus ouvidos. Quase parecia com o vento, triste e fantasmagórico, mas o tom causou calafrios nos braços de Anna. Porque não era o vento. Era um som puramente humano – e não vinha da vila.
– Não – Elsa soltou, e Anna sentiu-se enjoada novamente. Eles correram pelo resto do caminho.
A vila de Arendelle circundava o porto, oscilando com a baía como um bando de pássaros cantando durante o banho. Anna sempre se orgulhou das casas vibrantes da vila, pintadas com cores vivas e enfeitadas com
detalhes refinados. Muitos aldeões gostavam de dar às suas casas um toque pessoal que combinasse com as personalidades das pessoas que ali moravam – e Anna conhecia e amava cada uma dessas pessoas. Não havia uma semana nos últimos três anos em que ela não tivesse visitado a vila, até mesmo nos dias em que Elsa não podia ir junto.
Numa manhã comum, os aldeões acordavam cedo, juntavam fatias frescas de pão para o café da manhã e trocavam notícias do dia anterior.
Anna preferia a vila ao castelo e amava ter amigos. Amigos como o padeiro Blodget, que sempre deixava uma cesta separada com biscoitos amanteigados frescos para dividir com as crianças – e, ocasionalmente, com Anna. Ou Akim, o costureiro habilidoso com agulhas de crochê, que fizera uma touca para Anna com orelhinhas de gato. E havia as três irmãs, Supriya, Deepa e Jaya, que ficavam ansiosas para ver Anna toda semana para discutir os últimos livros que tinham lido e transformá-los em peças de teatro.
Assim era uma manhã normal. Mas aquela não era uma manhã normal.
Nem um pouco. As ruas de paralelepípedo estavam vazias, mas dava para ouvir os gritos das pessoas. Antes de o lobo entrar no castelo, ele devia ter atacado a vila.
– NÃO – Anna começou a gritar, mas Elsa colocou a mão em sua boca, abafando seu grito.
– Shiuuu. – Elsa apontou para uma janela. Espiando, Anna viu Madame Eniola dormindo, com sua touca sobre seus cabelos cinzas. Seus olhos estavam fechados, mas sua boca estava aberta em um grito horripilante.
No fundo, Anna sabia que se Madame Eniola abrisse os olhos, eles seriam tão amarelos quanto os olhos do lobo. Assim como acontecera com Kai e Gerda.
– Se os provocarmos – Elsa sussurrou –, acho que vão nos atacar.
Anna concordou, sentindo que sua irmã estava certa.
– Só precisamos pegar umas folhas de hortelã para Sven – ela sussurrou –, depois podemos ir embora.
– Não vamos nos separar – Elsa disse, olhando nos olhos de cada um deles e pegando a mão de Olaf. – Ficaremos juntos, seremos silenciosos e continuaremos andando – falou como uma verdadeira líder.
Eles seguiram pelo caminho de paralelepípedos em direção ao mercado.
Anna sentia um calafrio cada vez que eles viravam uma esquina. Embora as ruas estivessem vazias, ela tinha uma sensação permanente de que
alguém os estava observando – como se todas as janelas fossem olhos os encarando.
Ou como se um lobo estivesse nas sombras, esperando para atacar.
Mas Anna se tranquilizou, Elsa tinha trancado o castelo. O lobo, o lobo do seu pesadelo, estava preso lá dentro, preso até que ela bolasse um plano melhor. Assim que conseguissem ajuda para o exausto Sven – que agora levantava cada casco como se pesasse tanto quanto uma pedra –, Anna descobriria um jeito de voltar para o castelo e ler cada livro no quarto escondido, página por página, procurando um contrafeitiço. Tinha que existir um, mesmo que ela não lembrasse de ter visto. E se as runas do contrafeitiço não tiverem sido traduzidas ainda… bem, ela teria que dar um jeito de decodificar a linguagem, mesmo que demorasse vinte anos.
A preocupação revirou seu estômago. Ela sabia que não tinha vinte anos. Talvez não tivesse nem um dia. Quem mais o lobo encantaria com seu feitiço de pesadelo? O que aconteceria com todos eles no fim?
Eles se aproximaram das portas verde-floresta da loja de botânica, e Elsa virou-se para seus companheiros.
– Fique com Anna – ela instruiu Kristoff e, antes que Anna conseguisse parar sua irmã ou acompanhá-la, Elsa já estava dentro da loja de Gabriella.
Anna ameaçou segui-la.
Kristoff parou na frente dela com um sorriso gentil.
– Elsa falou para ficarmos aqui – ele disse.
– Não posso deixá-la sozinha!
– Acho que ela dá conta – Kristoff disse, enquanto soltava a picareta dos ombros. – Ela é a rainha.
– Mais do que tudo, ela é minha irmã – Anna olhou para Olaf. – Por favor, fique com o Sven e não o deixe dormir. – Olaf a saudou enquanto ela passava pela porta, com Kristoff logo atrás.
Dentro da loja, um grito reverberava, um som tão alto, claro e triste que Anna desejou poder colocar uma das várias ervas secas em seus ouvidos para abafá-lo. Então, o grito parou. Um momento depois, Elsa desceu correndo as escadas.
– Vamos! – Elsa disse, com a voz tomada pelo medo. – Precisamos ir agora!
Eles saíram correndo e bateram a porta. Então, Elsa a trancou com gelo, como garantia.
– Acabei acordando a botânica sem querer – Elsa disse, ofegante. E, de fato, Anna podia ouvir os passos de Gabriella dentro da loja.
– Pegou a hortelã? – Kristoff perguntou.
Elsa esticou a mão, mostrando um punhado de folhas verdes e colocando-as embaixo do focinho de Sven.
Sven chacoalhou a cabeça, e Anna percebeu com alívio que suas pupilas se contraíram à medida que ele inalava o forte cheiro.
– O que estamos esperando? – Anna disse. – Vamos. – Mas antes que pudesse se virar, notou um movimento com o canto dos olhos.
Kristoff levantou sua picareta.
– Silêncio – ele sussurrou, sem tirar os olhos da estrada. – Tem alguma coisa vindo.
Uma sombra moveu-se em direção a eles do outro lado dos paralelepípedos. Anna prendeu a respiração. Uma figura apareceu. Alta e rápida. Elsa levantou as mãos e então…
– Opa, opa – uma voz sussurrou. – Meninas, são vocês?
– Oaken – Anna sussurrou.
Sem dúvida alguma, lá estava Oaken, um homem grande e forte, com ombros tão largos quanto um barco a remo e pernas grossas como um tronco de árvore. Mas, apesar de sua altura, as bochechas redondas de Oaken eram tão rosadas quanto bonecas de porcelana, e sua barba ruiva e seu cabelo por baixo da touca colidiam gloriosamente com o suéter de lã verde que Anna sabia que sua vó tinha tricotado para ele.
Oaken levou um dedo aos lábios. Então, estalou os dedos. Parecia que ele tinha envelhecido dez anos desde que Anna o vira, algumas semanas atrás durante uma visita ao seu armazém. O cansaço tomava conta de sua face e a touca em sua cabeça estava torta. Suas costeletas ruivas se mexiam quando ele piscava seus grandes olhos azuis. Ele acenou.
Juntos, caminharam depressa e em silêncio pelas ruas vazias, seguindo o caminho sujo que Anna sabia que os levaria até um vale gramado cercado por bétulas cinza. Mas, mesmo que Anna conhecesse bem o trajeto, tudo parecia diferente. Árvores que deveriam parecer tão familiares quanto antigos amigos tornaram-se apenas lugares para um lobo se esconder. Será que ele havia escapado do castelo? Assim que saíram da vila, Elsa se virou e mexeu as mãos novamente, liberando gelo e frio sobre o lugar.
Um minuto depois, a vila também estava dentro de uma redoma de gelo e os gritos foram abafados. Elsa não falou nada enquanto corria para alcançar o grupo, mas Anna podia ler a expressão no rosto de sua irmã: Eu precisava fazer isso. Foi para o bem deles. E para o nosso bem. Anna sabia que sua irmã estava certa. E se o lobo saísse do castelo e estivesse com fome? E se os sonâmbulos acidentalmente saíssem da vila, fossem em direção ao castelo e liberassem o lobo? Elsa tinha feito a coisa certa.
Enfim, eles podiam falar.
– Graças às geleiras você está bem – Oaken falou. – Nós estávamos torcendo para que você estivesse bem quando vimos o gelo tomar conta do castelo.
A esperança de Anna, que havia sumido desde a loja de Gabriella, voltou depois das palavras de Oaken.
– Nós? – Elsa repetiu de forma animada, claramente seguindo a linha de pensamento da irmã. – Então nem todo mundo está dormindo?
Oaken fez que não com a cabeça.
– Vários de nós conseguimos sair do Armazém de Carvalho Errante…
– E Sauna – Olaf completou. – Eu gostaria de ir na sua sauna!
– E Sauna, sim – Oaken assentiu. – É para onde estamos indo agora. – Oaken era dono de uma loja que vendia um pouco de tudo, desde cenouras até pás de neve, remédios e mais. Mas a parte mais famosa da loja era a sauna, um cômodo feito de cedro, que emanava um vapor capaz de fazer até a noite mais fria do inverno parecer uma tarde abafada na selva.
Sua loja era um pequeno chalé na floresta, um pouco depois do riacho que alimentava um rio maior, no caminho para a Montanha do Norte e para o castelo brilhante de gelo que Elsa tinha feito quando estava testando seus poderes três anos antes. A pequena cabana de madeira fora construída com muita atenção aos detalhes, com padrões geométricos em seus troncos e janelas grandes com grades estilo diamante.
Oaken tinha muito orgulho de sua loja. Uma vez, admitiu para Anna que pensava em ser designer antes de descobrir que gostava de cuidar de pessoas e garantir que elas pudessem conseguir qualquer coisa com ele por um preço justo. Kristoff não concordava com essa última parte.
O Armazém de Oaken ficava aberto a noite inteira, e viajantes cansados sempre podiam aproveitar a sauna e a pilha de toalhas fofinhas, prontas para esquentá-los. Mas, ao se aproximar da loja, Anna viu pela primeira
vez em três anos as cortinas fechadas e uma plaquinha pendurada na janela em que se lia FECHADO.
– Por aqui – Oaken sussurrou, conduzindo-os pela entrada dos fundos que Anna já tinha visto, mas nunca havia utilizado. Ele bateu na porta:
uma longa batida, seguida por três curtas. Por um instante, nada aconteceu, mas, em seguida, Anna viu um pequeno movimento atrás das cortinas.
– Senha, por favor? – era a voz de um homem.
– Lucro – Oaken sussurrou.
Ouviram passos, depois vários cliques e o tinir de metal antes de a porta se abrir.
– Rápido, rápido – Oaken sussurrou. Ele colocou Anna, Elsa, Kristoff, Sven e Olaf para dentro e, em seguida, entrou na cabana, virando a maçaneta para garantir que estava trancada. Satisfeito com seu trabalho, virou-se e olhou para eles, preocupado. – Animais de quatro patas não podem entrar no Armazém de Carvalho Errante e Sauna. Essa é uma exceção, certo?
– Ele é bem-comportado – Anna falou sobre Sven. – Prometo que não será um problema.
A expressão de Oaken mudou e ele assentiu. Pelo menos, estavam a salvos.
O metal fez barulho novamente quando Oaken deslizou e fechou pelo menos sete cadeados e fechaduras. O comerciante não queria correr nenhum risco de o lobo entrar na cabana e bagunçar sua loja arrumada.
Anna olhou em volta. Bem, o que costumava ser uma loja arrumada.
– Ah, minha nossa – Elsa sussurrou.
As prateleiras de Oaken, repletas de coisas estranhas – vasos de flores em cima de livros, perto de rastelos e barris de nozes cristalizadas –, geralmente estavam arrumadas em linhas retas pela loja. Mas agora as prateleiras e todas as mercadorias estavam nas extremidades. Reforços para as janelas, Anna imaginou. Caso alguém – ou algum lobo – tentasse invadir. Parecia que a própria cabana estava se preparando para uma grande guerra, e não era só a cabana que estava pronta para brigar.
Olhando em volta, ela percebeu dois aldeões na loja. Tuva, a ferreira, com seu martelo pendurado em um cinto de ferramentas, estava de guarda na porta e, no balcão, rabiscando recibos antigos, estava Wael.
Ao vê-lo, Anna sentiu uma pontada de vergonha e um pouco mais de aborrecimento. Se o jornalista não tivesse a provocado no dia anterior,
talvez ela não tivesse prometido para todo mundo que Elsa conseguiria dar um jeito em tudo em três dias, e talvez Elsa não tivesse feito uma reunião do Conselho sem ela. E talvez Anna não tivesse acidentalmente usado o feitiço para dar vida ao lobo de seu pesadelo.
– Cadê todo mundo? – Olaf perguntou enquanto descia de Sven, ia até o meio do cômodo e espiava atrás das estantes bagunçadas. – Estão todos na sauna?
Tuva balançou a cabeça.
– Estão todos aqui. Sobramos apenas nós.
Anna congelou. Mais cedo, ela imaginou que encontraria pelo menos trinta ou quarenta aldeões lá dentro. Não apenas dois. Olhou para Elsa, mas, se sua irmã mais velha tinha esperanças de encontrar mais aldeões por lá, não era o que seu rosto demonstrava.
Elsa assentiu.
– Certo. Se é isso que temos, vai ser assim. – E, embora sua voz estivesse calma, Anna viu que ela brincava com as cordas do cachecol de sua mãe. – Alguém pode me dizer exatamente o que aconteceu?
– Eu posso – Wael segurou um pedaço de papel. – Estou anotando tudo.
Elsa, Oaken e Tuva foram em direção ao balcão, mas Anna foi para o canto, onde Oaken havia deixado uma pilha de cobertores grossos de lã que Kristoff estava usando para fazer um ninho em torno de Sven.
– Não entendo – Kristoff chacoalhou a cabeça –, ele estava bem quando estávamos procurando os trolls e, quando voltamos para o castelo, ele parecia bem. Digo, estava faminto, mas bem. – Ele sacudiu a cabeça de novo. – Sei que parece ridículo, mas é como se ele tivesse pego a ferrugem branca só de ter olhado para o lobo. Ele ficou esquisito desde então!
– Verdade – Anna inclinou-se para perto de Sven e mexeu as folhas de hortelã embaixo de seu nariz. – Vamos lá, não durma – ela incentivou.
Mas os olhos da rena se fecharam. Era exatamente como SoYun havia falado. A ferrugem branca estava chegando com rapidez e de forma horrível. Kristoff gentilmente balançou seu focinho várias vezes. Não havia nada que eles pudessem fazer.
– Agora precisamos de um místico – Anna disse, pensando nos feiticeiros das lendas.
– Anna? Kristoff? Podem vir aqui? – Elsa chamou.
Anna e Kristoff correram até ela. Ao se aproximarem, Wael entregou canecas a eles.
– Ninguém quer dormir, só para garantir.
– Só para garantir o quê? – Anna tomou um gole. Ela quase engasgou.
Era o café mais forte que já tinha tomado e praticamente sentiu as pontas do seu cabelo se arrepiarem enquanto o engolia. Pelas bochechas rosadas de Kristoff e pelo tremor das mãos de Elsa, Anna suspeitou que eles também tinham achado o café forte demais.
– Todo mundo que estava dormindo quando o lobo correu pela cidade continuou dormindo – Tuva disse de maneira sombria. – Só as pessoas que estavam acordadas na noite passada conseguiram evitar a maldição do sono – ela continuou. – Por isso fizemos o café tão forte. Quem sabe o que acontecerá se pegarmos no sono? – Era um pensamento terrível e se tornava ainda pior pelo cansaço repentino que tomou conta de Anna. Tudo o que ela queria era deitar e dormir.
– Eu estava acordada, mas Gerda e Kai… bem, eles devem ter dormido, porque, digo, eles nunca… – Elsa se perdeu.
– Não foram eles que nos atacaram? – Olaf perguntou.
– Bem, eles não sabiam que éramos nós – Anna se apressou para limpar o nome de seus amigos. – E eles não eram eles mesmos… acho que eles pensaram que éramos parte de seus pesadelos. – Falando sobre eles, Anna torceu para que Kai e Gerda estivessem bem, e para que o lobo não tivesse os machucado mais ainda.
Tuva assentiu.
– Foi exatamente igual com a minha esposa. Ada me atacou enquanto gritava para que eu a ajudasse. E não havia nada que eu pudesse fazer. – A expressão no rosto de Tuva partiu o coração de Anna. Ela sabia muito bem como era se sentir impotente. Tuva se recompôs e continuou: – Deixei-a em casa. Ela continuava gritando e gritando…
– Anna, você disse que precisamos de um místico, certo? – perguntou Oaken, batendo as pontas dos dedos umas nas outras. – Talvez Sorenson possa nos ajudar!
– Soren o quê? – Olaf perguntou.
– Sorenson – reforçou Oaken. – Ele é o que você chamaria de expert em mitos e crenças. Ele é o místico da Montanha dos Mineradores.
– Ninguém mora naquela montanha, só ursos e linces – Kristoff disse.
O café estava forte demais. Anna poderia jurar que ouviu Oaken dizer que um expert em mitos e crenças – um místico –morava na Montanha dos Mineradores.
Elsa inclinou a cabeça.
– O quê?
Oaken começou a falar outra coisa, mas Anna estava distraída demais para prestar atenção. Místicos não existiam. Eles eram só personagens das
Oaken começou a falar outra coisa, mas Anna estava distraída demais para prestar atenção. Místicos não existiam. Eles eram só personagens das