KRISTOFF RESMUNGOU, deixando sua mochila de viagem cair no chão.
– Ele não está aqui. E agora?
– Tenho certeza de que ele vai voltar – Anna disse, desabotoando a capa.
A torre parecia especialmente sufocante depois de tanto tempo ao ar livre.
– Enquanto isso, esperamos.
Auuuuuuuuuuuuuuu!
Um uivo longo e baixo envolveu a torre, fazendo um buraco no estômago de Anna. Seria o lobo? Será que tinha escapado da redoma de gelo de Elsa?
Kristoff, no entanto, continuou calmo.
– É só o vento. Confiem em mim. – Ele pegou um pequeno violão apoiado perto de um vaso de planta. – Ao crescer com trolls, você sabe quando é o vento e quando é um lobo. – Ele dedilhou o violão. O som viajou pelo ar, bonito e um pouco desafinado.
O medo de Anna voltou e ela torceu para que Kristoff estivesse certo.
– Prefiro que o lobo nos siga até aqui e deixe os aldeões em paz – ela admitiu.
– Isso é muito nobre da sua parte – Elsa disse. – Vamos ficar aqui, mas só até bolarmos um plano caso Sorenson não volte logo.
– Talvez tenha um livro ou algo do tipo por aqui que possa desfazer o feitiço – Anna disse. – Um que já tenha sido traduzido.
– É uma boa ideia – Kristoff disse. – Vou subir as escadas. Vocês duas procurem aqui embaixo. – Com um aceno para as garotas, ele acendeu sua lanterna e desapareceu nos degraus escuros.
Anna sabia por que ele queria subir sozinho. Quando ficava chateada, ela sempre gostava de ter companhia, mas quando Kristoff ficava chateado, preferia ficar sozinho ou com Sven. E com Sven em apuros, ela sabia que Kristoff também estava enfrentando uma situação complicada.
Elsa suspirou.
– Argh. Sabia que vir aqui era uma má ideia.
Anna ficou arrepiada como o gato cinzento do celeiro, mas não queria brigar – não de novo, não tão cedo. Eles tinham vindo de tão longe, e ainda faltava mais um pouco. Então ela manteve a voz calma.
– Ainda não sabemos. Vamos dar uma chance para esse cômodo. Por favor?
Elsa cruzou os braços, mas, depois de um segundo, Anna soube que tinha ganhado. Pelo menos esse round. Elas se separaram no cômodo circular. À luz de um fogo quase apagado, ela podia ver as paredes repletas de mapas estelares detalhados, estranhos instrumentos de prata zumbindo e uma delicada miniatura de ouro do sistema solar tão bem-feita que Anna achou uma pena não poder estudá-la por horas e contar tudo às crianças da vila. Ela também encontrou um calendário com todas as fases da lua, três telescópios em miniatura, frascos de vidros cheios de pó e um antigo relógio de sol, com sua face de cobre esverdeada pelos anos que devem ter ficado expostos a elementos abrasivos. E por último, mas não menos importante, um naco de pedra preta-azulada que dizia METEORITO.
– Esse místico parece gostar mesmo do céu durante a noite – Anna disse para Elsa.
– Percebi – Elsa respondeu, arrumando uma moldura torta. – Você viu o teto?
Anna ergueu a cabeça e suspirou. Um mapa de estrelas havia sido pintado no teto em tons fortes de azul e índigo. Linhas delicadas de tinta cinza conectavam algumas das estrelas, traçando os contornos de bestas fantásticas, coroas e heróis. As imagens eram familiares, e Anna reconhecia as constelações. Mas havia alguma coisa nas ilustrações que lhe parecia familiar, embora não conseguisse descobrir exatamente o que era…
– É tão bonito – Anna disse. – É o teto mais bonito que eu já vi.
Elsa assentiu.
– Eu também gosto. E ainda tem a minha constelação preferida: Lupus.
– Ela olhou para Anna e sorriu. – Lupus, o Lobo, sempre foi minha favorita. Eu fazia mamãe me contar todas as histórias sobre essa constelação.
As irmãs continuaram procurando.
O pensamento de Sorenson parecia aleatório e suas prateleiras não estavam organizadas em nenhuma ordem que Anna conseguisse identificar. Porém, quando tirou a capa do primeiro livro, ela se perguntou
se talvez eles estivessem arrumados de acordo com o fedor. Vários livros tinham manchas pretas nas páginas e outros tantos tinham sua própria colônia de fungos. Para alguém conhecido como especialista em mitos e crenças, Sorenson não parecia ter muitos livros sobre isso. O mais perto disso era uma pequena lousa coberta de símbolos estranhos escritos em giz. Ao analisá-los, Anna viu que não era mágica, era física.
Indo em direção à última estante de livros, Anna deu uma olhada nos títulos: O Livro do Último Han, de Zhan Heng, Almanaque, de Richard Saunders, e O Livro da Ótica, de Hasan Ibn al-Haytham. Ela pegou o primeiro deles e folheou para ver os desenhos dos instrumentos que eram semelhantes aos que estavam nas prateleiras do místico. Nada sobre maldições nem feitiços de sonhos que deram errado.
– É engraçado – Anna falou para Elsa enquanto colocava o livro de volta na prateleira. – Nunca imaginei que um místico teria tantos livros sobre ciências. Achei que ele teria mais livros sobre feitiços e tal, sabe? – ela fez uma pausa, esperando pela resposta da irmã. Mas, quando Elsa não disse nada, Anna a chamou de novo: – Elsa?
– Anna, você pode vir aqui? – Elsa perguntou.
Anna seguiu a voz de sua irmã até um cômodo que parecia mais uma alcova com uma pequena cozinha. Correu até ela e encontrou Elsa olhando para a mesa, boquiaberta. A mobília parecia normal, mas então Anna observou que no meio da mesa havia uma panela de sopa.
Uma panela fumegante de sopa.
O estômago de Anna revirou. Para que fumaça ainda estivesse saindo da panela, alguém estivera ali recentemente.
– Cadê o Kristoff? – Anna sussurrou. Ela queria procurá-lo, mas havia se distraído com tantos livros e tesouros. A mente do místico parecia ser tão distraída quanto a dela. E agora Kristoff havia subido as escadas fazia pelo menos dez minutos e ainda não tinha descido.
– Anna… – Elsa sussurrou. – Acho que não estamos sozinhas aqui.
– Precisamente – disse uma voz baixa e rouca.
Anna virou-se para trás enquanto o homem descia as escadas e entrava no cômodo. Ele era baixo, batia nos ombros de Anna, e tinha uma barba prateada até o chão. Anna pensou que ele parecia a nisse1 dos contos de sua mãe, uma criatura pequena semelhante a um duende que adotava uma família para atrapalhar e ajudar ao mesmo tempo. A única coisa que lhe faltava era o tradicional chapéu pontiagudo vermelho das nisses, mas ele
tinha uma lança afiada e brilhante – apontando diretamente para o seu coração.
Anna ficou sem ar. No canto, ela viu Elsa levantar as mãos trêmulas.
Mas lá estava Elsa novamente, pronta para agir. Anna sabia melhor que ninguém o quanto Elsa não queria usar seus poderes para machucar outra pessoa – não depois das consequências desastrosas da última vez, quando ela acidentalmente congelara Anna. Mas também sabia que Elsa usaria seus poderes para protegê-la – e Anna não poderia permitir isso. Não quando podia fazer alguma coisa.
– Olá! Eu sou a Anna! Essa é a Elsa! – Anna sorriu, tentando encher a voz de animação e simpatia. – Lamentamos a invasão. Prometo que não íamos comer sua sopa, que está com um cheiro um pouco diferente… Ãhn, que falta de educação da minha parte. Desculpe. Digo, não está com um cheiro ruim, mas não sei se conheço esse tempero. Enfim, não estamos aqui pelos temperos. Não nos machuque, por favor!
– Machucá-las? – O homem parecia tonto ao tentar seguir as palavras de Anna. – Por que vocês pensaram que eu as machucaria? – Sua voz era profunda e áspera como cascalho.
– Humm. – Anna olhou para as mãos dele. – Por causa da lança que você está segurando?
– Qual lan…? Ah! – O homem baixou a arma. – Isso não é uma lança, é parte de um cata-vento. Aquele homem da montanha lá em cima quebrou ao invadir meu pacífico deque de observação! Ele teve muita sorte por eu ter acabado com meu Pó de Combustão Altamente Inflamável e Muito Perigoso ontem à noite, ou ele poderia não ter mais dez dedos. Hunf.
Anna piscou enquanto o homem colocava o cata-vento pontudo embaixo de seu nariz, e viu o grande e dourado N que brilhava na frente dela. N de Norte. Ela riu e afastou a ponta dourada.
– Que erro bobo. O, ãhn, homem da montanha… está bem?
– Ele estará, assim que limpar toda a bagunça que fez – disse o homem baixinho, olhando para ela. – Ele também teve sorte de não ter vindo mês que vem pra atrapalhar minha vista da chuva de meteoros. Mas é isso que eu estou fazendo aqui. Eu moro aqui. Sempre morei. Minha pergunta é: o que vocês estão fazendo aqui?
– Estamos procurando o grande místico Sorenson – Anna disse, tentando fazer uma reverência, mas seus joelhos ainda estavam trêmulos
por interpretar mal o cata-vento, e ela quase derrubou o busto de um homem de óculos de leitura. – Suponho que seja você?
O velho homem grunhiu.
– Sou Sorenson, mas não sou místico.
Elsa deu um passo à frente, com as mãos abaixadas, segurando as dobras de sua capa.
– Mas os aldeões falaram que você é um místico.
– Sou um cientista – o homem disse, usando o cata-vento para coçar o queixo através da barba espessa. – Embora eu acredite que os aldeões não saibam a diferença entre eu e os místicos antigos dos contos lendários.
Cientista. Anna tentou não mostrar seu descontentamento. Era ótimo ser um cientista, mas não quando você precisa de um místico para salvar o reino de um feroz lobo mágico. Como um cientista poderia ajudar com a terrível maldição?
– Desculpe incomodá-lo. – Anna deu um passo para o lado, enquanto Sorenson passava para verificar sua sopa. – Oaken disse que você era especialista em mitos e crenças.
– Ah, mas eu sou. – Sorenson mexeu a panela de sopa. – Mitologia e ciência são amigas; ambas buscam o porquê das coisas. Ambas procuram uma explicação natural para o fenômeno do mundo em volta de nós. E todos os mitos possuem um pouco de verdade. – Ele deu um gole na sopa e fez uma careta antes de adicionar mais uma pitada de sal. Somente após provar novamente e assentir com satisfação ele olhou para as irmãs. – Mas eu estou curioso para saber por que a rainha e a princesa de Arendelle estão aqui buscando um especialista em mitos e crenças. Algo deve estar muito errado.
– Porque – Elsa disse, com a voz baixa, mas firme – Arendelle foi amaldiçoada.
– E precisamos da sua ajuda para descobrir como desfazer a maldição – Anna completou, tentando não mencionar o fato de que ela havia amaldiçoado a cidade.
Ela tentou não olhar para ninguém, mas Elsa a encarou e assentiu. Por um momento, pareceu que as brasas da lareira tinham saído da madeira e se alojado no coração de Anna. Embora neve e gelo passassem por Elsa, ela sempre fez Anna se sentir o mais quente possível. Talvez nem tudo estivesse perdido.
Porém, a reação de Sorenson não era muito encorajadora. Suas sobrancelhas peludas se levantaram tão rápido que quase pularam para fora de seu rosto, e Anna se perguntou por um momento se ele iria dar risada. Em vez disso, ele abriu um velho baú e começou a retirar tigelas vazias.
– Nesse caso – Sorenson disse –, alguém busque o homem das montanhas no deque de observação e peça para ele acender a lareira novamente. Parece que vocês têm uma história para contar, e é melhor eu me aquecer enquanto ouço.
Depois de alguns minutos e uma lareira acesa, Anna, Elsa e Kristoff se reuniram em volta da mesa de Sorenson, cada um compartilhando o que sabia. Anna ouviu Elsa descrever o silêncio anormal que havia tomado conta da fazenda de SoYun e como as árvores do reino estavam produzindo maçãs cinza, moles e tortas, como se estivessem fugindo de algo – do lobo que passou por lá, Anna pensou. Mas isso significava que o lobo já estava lá antes que ela lesse o feitiço? Se foi assim, como era possível?
Então foi a vez de Kristoff, e ele descreveu como a floresta também estava silenciosa, embora não tivesse mencionado o estranho sumiço dos trolls. Os trolls da montanha de Arendelle eram criaturas privadas que, na maior parte do tempo, gostavam de se esconder dos humanos, salvo algumas exceções. Kristoff não falaria sobre eles com qualquer pessoa, e mesmo que Sorenson estivesse alimentando-os com sopa quente com sabor de cogumelos e raízes, Kristoff ainda protegeria os trolls reclusos que o criaram como parte de sua família. Afinal, Sorenson havia forçado Kristoff a limpar sua bagunça no frio do deque de observação.
Finalmente, chegou a vez de Anna. Ela começou com o papel amassado que continha o feitiço “Tornar Sonhos em Realidade”, contou que tivera um pesadelo e fora até a cozinha preparar um chocolate quente. Disse que viu algo com o canto dos olhos e o seguiu até o Saguão Principal, onde se deparou com um lobo – o mesmo lobo do seu pesadelo. E como os olhos de seus amigos ficaram pretos como tinta e depois brilharam amarelos enquanto pareciam ter se perdido no forte domínio de um pesadelo.
Enquanto completava sua história, Sorenson levantou e foi até as prateleiras. Ele puxou dois livros e voltou para a mesa, com as tábuas de madeira rangendo levemente enquanto ele andava.
– Eu acho – Sorenson disse, colocando os livros na mesa e se sentando de volta no banco – que a resposta pode estar em um desses aqui.
Anna olhou para os livros. Um deles era um tomo chamado Psicologia.
O outro era um volume fino de couro com letras maiúsculas na capa:
NATTMARA
– Nattmara – Elsa leu em voz alta. – Conheço essa palavra.
Anna também conhecia. Ela a ouvira havia muito, muito tempo, mas também tinha visto essa palavra recentemente, em uma passagem não traduzida do livro Os segredos dos detentores de magia. Uma visão saltou em sua mente: um esboço de um homem gritando em agonia e o desenho de um lobo…
– Sim – Sorenson assentiu. – Provavelmente você conhece. Nattmara costuma aparecer nas sagas antigas, e essas histórias geralmente são contadas para as crianças como um aviso. – Abrindo o antigo livro, ele apontou para uma ilustração de uma criança dormindo na cama. – Outro nome para Nattmara é “pesadelo”, pois é isso que é: a personificação do nosso medo mais profundo.
– Personi… o quê? – Kristoff perguntou.
– Significa que pesadelos podem tomar formas e existir fora da sua mente – Elsa disse.
– Exatamente – Sorenson ergueu o dedo indicador. – O ato de enterrar o medo é o que manifesta a Nattmara. E eventualmente o medo é grande demais para continuar enterrado. Eles podem tomar a forma de qualquer coisa, e esse parece ter tomado a forma de um lobo. Nattmara tende a percorrer o mundo, sugando a energia de todos os seres vivos. Sua presença pode fazer com que árvores fiquem tortas. Ela se alimenta do medo, então sempre tenta criar medo.
Os olhos de Anna se arregalaram enquanto ela ouvia, tentando entender aquelas ideias estranhas.
Sorenson abriu em outra página ilustrada com a figura de uma tempestade de areia preta.
– Uma Nattmara também consegue se transformar em areia preta para passar por rachaduras; rachaduras nas portas, rachaduras no coração. Não tem como escapar dela, a não ser que você seja corajoso o suficiente a ponto de não haver nenhuma fraqueza para Nattmara entrar.
Ele olhou para cima, com os olhos castanhos focados em Anna.
– E se uma Nattmara fica solta por muito tempo, o reino e todos podem ficar presos em um pesadelo eterno. E como ela se torna cada vez mais
poderosa, mais pessoas podem ficar com medo, e ela pode se empanturrar de medo, ficando cada vez maior. – Ele bateu na página. – Pelo menos é isso o que os antigos mitos dizem.
Anna piscou, escapando da encarada profunda de Sorenson.
– Não parece que você acredita nesse mito – ela disse, confusa. – Mas o que aconteceu com Arendelle agora prova que o mito é real?
– Nem um pouco – Sorenson disse, chacoalhando a cabeça e a longa barba. – O que estão ensinando nas escolas hoje em dia? Nattmara é um mito e, como todos os mitos, esse é uma explicação para um grande mistério. Nesse caso, o mistério é: de onde os pesadelos vêm?
– Desculpe – Elsa disse, enquanto Anna e Kristoff trocavam olhares confusos –, mas não entendi a sua pergunta.
Suspirando, Sorenson sacudiu a cabeça.
– Vamos tentar enxergar de uma maneira diferente. Vocês viram as placas das minas para ter cuidado com os Hudrefólk? – Ele fez uma pausa e continuou quando todos assentiram. – As minas foram abandonadas há aproximadamente vinte anos por causa das coisas estranhas e misteriosas que continuavam dando errado. Desmoronamentos começaram a acontecer com maior frequência, e os mineradores que trabalharam a vida toda nesses túneis começaram a se perder. Agora, qual foi a explicação para isso? – Sorenson olhou de Anna para Elsa e para Kristoff.
– Huldrefólk – Anna disse, lembrando da placa que eles haviam visto e do aviso de Oaken. – O povo misterioso, parecido com elfos, conhecido como Huldrefólk, que supostamente vive por Arendelle em colinas e embaixo de pedras. Eles são travessos, mas não necessariamente maus, só gostam de pregar peças. Têm a reputação de ladrões, mas algumas histórias insistem que eles eram somente colecionadores que emprestavam um monte de coisas. Mas, ao contrário dos trolls da montanha, eles são só uma história de ninar que os pais contam para os filhos.
– Exatamente – Sorenson assentiu. – Os mineradores acreditavam que os Huldrefólk estavam bravos por eles invadirem seu território. Eles achavam que os Huldrefólk estavam causando os desmoronamentos para assustar os humanos.
– Parece que funcionou – Kristoff disse. – Percebi algumas tábuas bloqueando a entrada da mina.
– Funcionou – Sorenson concordou. – E foi algo bom, porque as minas estavam sobrecarregadas. Os mineradores não corriam perigo por causa
dos Huldrefólk. Os humanos estavam no meio de um perigo que eles mesmos criaram. Foram suas picaretas que deixaram as paredes de pedra finas demais para aguentar o peso da montanha. Nada místico aqui;
somente a velha ganância.
– Então – Elsa disse lentamente –, você está dizendo que a Nattmara provavelmente também tem uma explicação simples?
– Uma explicação científica – Sorenson esclareceu. – Provavelmente nossa resposta está aqui. – Ele bateu com a unha encardida no livro Psicologia.
Anna refletiu sobre aquelas informações. O que Sorenson dissera parecia simples demais, mas ela tinha visto o lobo. Tinha visto os olhos de Kai e Gerda. O “mito” parecia bem real enquanto a perseguia pelos cômodos e corredores do castelo.
– Mas vamos supor que Nattmara esteja fazendo tudo isso – Anna argumentou, não querendo ir embora de mãos vazias, não querendo ir embora sem pelo menos uma resposta. – Como podemos derrotá-la?
– É fácil – Sorenson disse, puxando outro livro, esse chamado Mística explicada. – Você só consegue derrotar um mito com uma coisa do mito.
Mas não é como se a Revoluta existisse. Nada disso realmente existe.
– Revoluta? – Kristoff perguntou. – Era a espada de Aren, certo?
– Essa mesma – Sorenson assentiu. – Dizem que Aren derrotou várias criaturas místicas com sua espada. A mesma espada, alguns dizem, que o próprio sol deu de presente para ele por fazer buracos no céu da noite para que o sol visse suas crianças dormindo durante o dia. Esses buracos, claro, são o que chamamos de estrelas. – Ele sorriu na direção do teto pintado. – Viu? Outro mito buscando respostas para como as coisas são.
– Ótimo! – Anna sentiu sua esperança aumentar pela primeira vez desde que chegaram na torre. – Então precisamos da Revoluta! Onde ela está?
Sorenson caiu na risada, mas, enquanto ria, percebeu a expressão séria no rosto de Anna e chacoalhou a cabeça.
– Sinto muito, mas é improvável que Aren tenha existido, ou que sua espada mística tenha existido. Provavelmente houve um guerreiro forte naquela época, mas ele nunca conheceu o sol ou enfrentou um enorme dragão ou esculpiu Arenfjord. Isso é só uma lenda, assim como os Huldrefólk e os trolls da montanha.
– Mas os trolls existem – Kristoff disse, dando de ombros. – Eles me criaram.
Sorenson encarou Kristoff. Então, colocou a mão em volta da boca e sussurrou na orelha de Elsa:
– O homem das montanhas está bem?
– Kristoff – Anna corrigiu – está muito bem. E trolls realmente existem.
– Kristoff – Anna corrigiu – está muito bem. E trolls realmente existem.