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– ESPERA, O QUÊ? – ELSA PERGUNTOU.

Anna não conseguia deixar de sorrir ao ouvir a frase que ela dizia o tempo todo, porém agora saindo da boca de Elsa.

– Como assim, você sabe onde está a Revoluta?

Em algum lugar, ao longo do caminho, houve um clique quando Anna olhou para as esculturas nas paredes e ouviu a história de Obscuren. A história dos arendellianos e a história dos Huldrefólk eram diferentes, mas iguais. Como Anna e Elsa. E, assim como as irmãs da família real, as histórias faziam mais sentido juntas.

– Por que as duas coisas não podem ser verdade? – Anna sugeriu.

– Por que ele não pode ter sido comido por um dragão, como diz nossa história, e ter sido enviado em um barco? Está tudo nas histórias: Aren foi engolido por um dragão que morava em um lugar onde o mar é um céu.

– Mas para o mar ser um céu, você tem que estar embaixo… – A voz de Elsa sumiu e seus olhos se iluminaram. – A Passagem dos Gigantes da Terra! Ela segue sob o fiorde, o que significa que o mar é o céu. E é aí que está o barco-dragão! – A mão de Elsa foi rapidamente à boca, maravilhada. – O túmulo – ela disse suavemente. – É o túmulo de Aren, que significa…

– É onde a Revoluta está enterrada – Anna terminou com um aceno de cabeça. – Exatamente.

– Muito bem, Anna! – disse Kristoff. – Você resolveu o enigma!

– Obrigada! – Ela sorriu para ele. – Isso significa que temos que voltar ao castelo – disse Anna, olhando para Huldra ali em pé, alta e impassível enquanto falavam. – E precisamos chegar o mais rápido possível! Elsa, você pode… – Anna girou o dedo.

– Magia? Mas isso atrairá Nattmara para nós – disse Elsa.

Obscuren entrou na conversa.

– Se você quiser usar sua magia sem que Nattmara perceba, acho que precisaria ser agora.

Elsa assentiu. Na segurança da casa de grama, ela construiu um trenó de gelo tão claro que Anna podia ver através dele. Era praticamente invisível.

E, então, sentiu um sopro de ar frio e estremeceu quando flocos de neve dançaram no ar, moldando-se em um enorme urso de neve, que parecia grande demais na casinha de grama.

– Elsa – disse Anna, admirando o urso de neve –, ele é lindo.

O urso urrou.

– Ele disse que seu nome é Bjorn – Obscuren traduziu.

– Eu posso escutar minha rena, Sven, falar também – Kristoff contou para Huldra. Sua voz estava abatida e Anna sabia que ele ainda estava preocupado com seu melhor amigo. Ela esperava que Sven estivesse em segurança no navio real.

Obscuren pousou a mão no braço de Kristoff e deu um sorriso triste.

– Os Huldrefólk são conhecidos por encontrar coisas perdidas porque sabemos como ouvir – disse ela. – Mas não somos os únicos seres que ouvem. Os animais também ouvem. Eles podem distinguir um coração amável de um cheio de crueldade. E suspeito, Kristoff, que você é alguém que sabe exatamente o que Sven está lhe dizendo.

Kristoff balançou a cabeça.

– Eu só quero que ele fique bem.

– Se sairmos agora, ele vai ficar – disse Anna, tentando dizer as palavras com tanta confiança que elas simplesmente teriam que ser verdade.

Eles colocaram o urso de neve no trenó o mais rápido que conseguiram e se despediram de Obscuren.

– Na minha família – a Huldra disse –, nós não dizemos “adeus”. – O que vocês dizem então? – perguntou Anna.

– “Até a próxima”.

Anna sorriu.

– Até a próxima.

– Talvez – disse Obscuren, desaparecendo atrás de uma pilha de pratos perdidos e quebrados. – Mas eu provavelmente irei vê-los primeiro. A menos que vocês olhem muito, muito atentamente.

Obscuren estendeu um braço e abriu a porta. Demorou um segundo para que a Huldra verificasse o ambiente externo e, então, abriu a porta para o urso e o trenó.

– Lembre-se – a Huldra falou enquanto eles saíam da segurança da casa de grama e deslizavam sob o céu. – Lar é onde o coração está. Boa sorte, amigos de Arendelle.

– Adeus, amiga – Anna disse.

Mas Obscuren já havia partido.

Bjorn disparou a passos largos da casa de grama e o lar não se parecia mais com um lar. Anna viu que uma neblina se apossara de Arendelle e as cores tinham sido drenadas do mundo. Era como se a própria terra estivesse com medo, empalidecendo. Anna estendeu a mão, estudando-a à luz do sol. Ainda era rosada no frio. Olhando para Elsa, se consolou pelo fato de o cachecol de sua mãe, enrolado nos ombros de Elsa, ainda ser da cor vinho, enquanto os cabelos de Kristoff eram da cor do trigo. A cor que o trigo deveria ter, Anna se corrigiu. Mas ainda havia tempo antes do pôr do sol. Ainda havia tempo para consertar tudo.

– Parece uma floresta depois de um incêndio – disse Kristoff, ao observar o terreno, guiando o urso de gelo em uma curva com um puxão cuidadoso das rédeas.

– O que você quer dizer? – Elsa perguntou.

– A maneira como a cinza paira – explicou Kristoff. – Ela flutua no ar em vez de cair.

– Talvez – disse Anna, tentando forçar alegria em suas palavras – isso seja uma coisa boa. Li na biblioteca que os incêndios florestais são necessários para limpar as ervas daninhas e abrir caminho para uma nova vida.

Kristoff fez um aceno negativo com a cabeça.

– Diga isso às pessoas que perderam suas casas. – Ele balançou as rédeas e o trenó foi mais rápido.

Anna ergueu uma luneta de gelo que Elsa fizera até os olhos, examinando o horizonte em busca de qualquer sinal de Nattmara. Até ali, tudo bem. Não havia sinal do lobo. Bem, nenhum sinal além da pálida sombra do lar deles e a batida temerosa do próprio coração de Anna.

Mas o que era aquilo? Uma mancha escura parecia se mover no verde desbotado dos pinheiros.

– Elsa – Anna sussurrou, entregando a luneta de volta para a irmã. – Algo está se movendo. Ali.

Elsa olhou por cima do ombro, depois olhou para a frente novamente.

– Você está certa – disse ela. – Acho que está nos seguindo.

Kristoff estalou as rédeas com mais força e Bjorn deu uma guinada à direita, levantando um turbilhão de folhas brancas no ar. Anna olhou para trás. A mancha também virou à direita. Sim. Não importava o que fosse,

definitivamente estava seguindo-os. As orelhas de Bjorn se agitaram e, então, Anna ouviu.

Um grito: Ahhhhhhhh! Parecia vir da direção da mancha. E não era o uivo de gelar os ossos, emitido por Nattmara. Esse som parecia quase humano, como se alguém estivesse tentando chamar um nome. Na verdade… Ahhhhhh! Naaaaaaaa!

– Pare! – Anna ficou em pé de repente. – É Sorenson!

Elsa engoliu em seco.

– O quê?

Kristoff puxou as rédeas, arremessando Anna na direção de Elsa. Elas olhavam para trás, na direção do cientista. Quando se aproximaram, o grito ficou mais claro:

– Annaaaa! Elsaaaaa!

– Sorenson! – Anna gritou, aliviada por ele estar bem.

Mas será que estava? O cientista parecia pior do que elas imaginavam.

Seu casaco estava desfeito, rasgado pelas garras de Nattmara, e ele mancava, com o tornozelo inchado. Mas estava vivo, e não apenas isso, seus olhos não estavam totalmente pretos ou amarelos.

– Parem o trenó! – disse Anna, e Kristoff puxou as rédeas para que Bjorn começasse a andar.

O urso de neve bufou, protestando com a mudança de passo.

– Sorenson! – Anna chamou, saindo do trenó e correndo em sua direção.

– Estamos muito felizes em vê-lo! Como você escapou?

– Olá para você, Anna, e para você, Sua Majestade – disse Sorenson. Ele falou com uma cadência estranha na voz, como se tivesse conseguido torcer a língua e o tornozelo. – Vou contar tudo em um minuto. Apenas deixe-me recuperar o fôlego.

– Nós realmente não temos tempo – disse Elsa, olhando para o céu. O sol estava baixo agora, aproximando-se da hora do jantar. – Que tal você nos contar no trenó?

Ele assentiu.

– É uma boa ideia, mas não podemos levar um trenó para onde precisamos ir.

– E para onde precisamos ir? – Anna perguntou. Ela foi até a mochila de Kristoff e procurou uma tala extra. Ahá! Lá estava. Ela sabia que Kristoff raramente saía de casa sem ela. A tala era para emergências nas montanhas de gelo, mas Kristoff gostava de provocá-la, dizendo que ele

sempre precisava ter uma em mãos no castelo por todas as vezes que ela tropeçava ou esbarrava em alguma coisa.

Anna sentou-se e ofereceu ao cientista a tala.

– Como você escapou de Nattmara?

Sorenson explicou:

– Encontrei algo de um mito.

As sobrancelhas de Anna se ergueram:

– Você encontrou a Revoluta?

Sorenson inclinou a cabeça e, com sua longa barba prateada, ele parecia um pouco um cachorro confuso.

– Você descobriu onde ela está escondida?

Anna sorriu.

– Sim! Bem, nós sabemos onde procurar. Está na…

– O que você descobriu, Sorenson? – perguntou Elsa, interrompendo-os.

Ela arrumou o cachecol de sua mãe em volta de seus ombros como se fosse uma capa.

– Ah, eu encontrei uma cura – disse Sorenson, e bateu as pontas dos dedos animadamente. – Mas é difícil explicar. Prefiro mostrar a vocês primeiro. Não derrotará Nattmara, mas acredito que limpará a ferrugem branca dos animais e das colheitas.

– O quê? – Kristoff, que estava esperando no trenó, deu um pulo. – Há uma cura? Nós podemos ajudar Sven?

– Supostamente, sim – disse Sorenson. – E os Huldrefólk a têm.

– Eu não tenho certeza disso – disse Elsa, puxando as franjas do cachecol. – Eles são nossos amigos, eu acho, e eles não disseram nada sobre uma cura.

– Sim – Anna concordou. – E eles definitivamente são nossos amigos.

O rosto de Sorenson se enrugou e ele balançou a cabeça em desaprovação enquanto suspirava.

– O que eles disseram estava errado – disse. – Os Huldrefólk são ladrões. Vocês não deveriam ter confiado neles.

– Não – disse Anna, defendendo Echo, o Rei Bibliotecário e Obscuren. – Eles encontram coisas perdidas e indesejadas e lhes dão lares. Acham

“aquilo que está perdido”, como diz o seu livro, senhor.

Mas Sorenson continuou balançando a cabeça negativamente, sua barba longa movia-se como uma bandeira sendo levada pelo vento no muro do castelo. À luz intensa, ela parecia mais branca que prata.

– Então meu livro deve estar errado, porque os Huldrefólk têm um mito escondido em suas fontes termais, que se encontram a não mais de dois quilômetros de distância. Descobri que se um animal tocado por Nattmara beber dessa água, ele será curado, mesmo que você não derrote a Nattmara ao nascer do sol do terceiro dia.

– Vamos lá! – Kristoff disse. A esperança era tão resplandecente em seu rosto que doeu em Anna. – Se forem apenas dois quilômetros, poderíamos pegar um copo de água das fontes termais, por via das dúvidas, e ainda assim conseguir voltar sem perder muito tempo!

Bjorn estava fazendo bastante barulho agora. O urso queria se mexer.

Ele queria ir. No entanto, Anna estava dividida… Até que viu a expressão no rosto de Kristoff.

O melhor amigo de Kristoff estava doente. E ele não tinha como saber o que havia acontecido com Sven durante o período que passaram fora, mas ele arriscara sua vida repetidamente apenas pela chance de poder ajudá-lo.

Como Anna poderia dizer não a isso?

– Elsa – ela disse, virando-se de Sorenson, que ainda segurava o tornozelo na tala, para Kristoff, que parecia estar prestes a correr para qualquer direção desde que soube onde estavam essas fontes termais curativas. – Acho que devemos pegar a água, como precaução.

Mais uma vez, Elsa olhou para o céu e mordeu o lábio. Quando Anna viu sua irmã respirar fundo, sabia que não iria gostar do que ela estava prestes a ouvir.

– Não podemos arriscar – disse Elsa, ainda mantendo o olhar no céu e nos pedaços flutuantes de cinzas que pareciam neve, mas não eram. – Sinto muito, Kristoff, mas não podemos. Mesmo que a água da nascente funcione, não há como trazer de volta o suficiente para todos no reino… E a espada?

O olhar de Kristoff era insuportável.

– Então agora você acha que a espada é real?

– Elsa! – disse Anna, olhando para a própria irmã e o homem que ela amava.

– Eu entendo a sua responsabilidade com o reino – Kristoff disse a Elsa –, mas Sven é como família para mim.

– Kristoff – Elsa interrompeu, e seus olhos estavam arregalados e repletos de mágoa, embora Anna não compreendesse por que sua irmã

estava chateada. – Estou dizendo “não” porque isso coloca em perigo muitas pessoas!

Anna respirou fundo, pronta para discutir, quando Bjorn soltou um grande grito.

Ela se virou e viu que Sorenson havia tirado a picareta de Kristoff do trenó e estava tentando arrancar o urso do cinto que o prendia ao trenó.

– Sorenson? – Anna disse, esquecendo sua frustração com Elsa enquanto percebia as ações peculiares do homem. – O que você está fazendo?

– Nada, nada – disse Sorenson, estendendo a mão para mexer na fivela do cinto. Mas, quando ele se abaixou, Anna notou algo caindo de seu bolso.

Se o mundo estivesse em sua cor normal – tons escuros de esmeralda misturados com o rico azul das montanhas e as cores que se aproximavam do outono –, ela nunca teria notado. Mas o mundo havia ficado branco-acinzentado, e o que caiu do bolso de Sorenson se destacou como uma mancha. Era areia.

Areia negra.