UNIVERSIDADE PÚBLICA FEDERAL
Larissa Ferreira Cavalcante Sousa Augusto Éverton Dias Castro David Bernar Oliveira Guimarães Dinara Raquel Araújo Silva Hudson Francisco Silva Sales Joelma Sousa Lacerda Márcia Astrês Fernandes.
INTRODUÇÃO: O trabalho confere ao indivíduo uma fonte de prazer quando é satisfatório e realizador. Atualmente o ritmo
de trabalho exige grandes jornadas, níveis altos de atenção e pressão, o que gera ansiedade, insatisfação e esgotamento (LIPP, 2002). O impacto das mudanças organizacionais no mundo do trabalho é envolto no individual, pautado pelo produtivismo exacerbado, afeta o desempenho no trabalho e tira o foco do trabalhador, tornando a Qualidade de Vida no Trabalho (QVT) uma necessidade. O conceito de QVT envolve aspectos físicos, ambientais e psicológicos do local, e é utilizado como um importante indicador de experiências humanas e de satisfação dos trabalhadores (CHIAVENATO, 2008). Superar os limites do enfoque hegemônico de QVT nas organizações requer operar uma inversão de perspectivas. O modo mais apropriado para se construir uma concepção baseada na realidade das organizações é perguntar aos trabalhadores sobre QVT. As respostas devem estruturar a prática de QVT (FERREIRA,2012).
OBJETIVOS: Diante do exposto, das mudanças organizacionais no mundo do trabalho e da necessidade de QVT, surgiu a
aspiração de uma pesquisa com o objetivo de analisar a Qualidade de Vida no Trabalho dos Docentes de Enfermagem de uma Universidade Pública Federal, identificando por meio da visão contra hegemônica, os fatores desgastantes ou potencializadores da Qualidade de Vida no Trabalho dos docentes.
MÉTODOS: Estudo descritivo de abordagem quanti-qualitativa. Para a análise quantitativa a população foi constituída por
docentes regularizados do curso de Enfermagem, totalizando vinte e cinco profissionais. O cenário foi o Departamento de Enfermagem da Universidade Federal do Piauí, Campus Ministro Petrônio Portela, Ininga, município de Teresina e devidamente autorizado pela autoridade departamental. Os dados foram coletados por meio de entrevista guiada por questionário estruturado com questões fechadas e abertas. O questionário continha perguntas sobre conhecimentos acerca da Qualidade de Vida no Trabalho, fatores que dispõem bem-estar e que dispõem mal-estar no âmbito ocupacional. Os dados foram organizados e classificados em instrumentos qualitativo e quantitativo. A pesquisa seguiu as recomendações da Resolução n.º466/2012. Aprovada pelo Comitê de Ética e Pesquisa da Universidade Federal do Piauí. Toda a amostra foi informada e assinou o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE).
RESULTADOS E DISCUSSÃO: Este estudo classificou as respostas que mais definem qualidade de vida, fatores que causam
bem-estar e os que causam mal-estar para os profissionais docentes de enfermagem nos grupos de cinco fatores apontados por Ferreira (2012): condições de trabalho e suporte organizacional, organização de trabalho, relações sócio profissionais, reconhecimento e crescimento profissional e elo entre trabalho e vida profissional. Respostas ao questionário que envolviam condições de trabalho e suporte organizacional e elo entre trabalho e vida social foram as mais encontradas. A primeira, sendo exemplificada por falas que evidenciaram que um ambiente de trabalho adequado é pré-requisito de grande valia ao classificar se a Qualidade de Vida oferecida por determinado trabalho é apropriada, afinal, ainda segundo Ferreira (2012), a vivência de QVT depende estritamente de condições de trabalho que sejam apropriadas, convenientes, oportunas, e ajustadas às situações de trabalho, já que não basta apenas fornecer suporte organizacional para o alcance dos objetivos, mas que também esse seja adequado ao exercício das tarefas. A fonte de bem-estar mais citada pelos entrevistados foi o reconhecimento e crescimento profissional, e as fontes de mal-estar foram a organização de trabalho e as relações sócio profissionais no trabalho. Os
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entrevistados revelaram uma característica que está conforme o estudo de Pereira (2006): está implícita às condições de trabalho, incluir uma infraestrutura adequada que perpasse por aspectos materiais. A boa infraestrutura de trabalho é o principal fator responsável pelas condições de trabalho e suporte organizacional adequados para a QVT. O estudo permite visualizar ainda que a burocracia seja a principal fonte de mal-estar, seguida da ausência de equilíbrio entre trabalho e pausa. A convivência e o relacionamento entre profissionais, em qualquer setor de serviços, são importantes para uma qualidade de vida e bem-estar do trabalhador, e essa grandeza é demonstrada no trabalho ao indicar que o bom relacionamento interpessoal é um fator crucial pra uma boa qualidade de vida, estando assim em consonância com o estudo de Rocha & Felli (2004), que afirmaram ser o relacionamento profissional, ou seja, a interação profissional, que conduz ao desenvolvimento do pensamento reflexivo, o prazer de criar e recriar coisas e, também, a valorização de si mesmo pelos outros, condições potencializadoras da QVT. O reconhecimento e crescimento profissional foram eleitos pelos profissionais como principais fatores de bem-estar no trabalho. E percebe-se que o aspecto que tange à remuneração também pode ser uma condição potencializadora ou desgastante para a QVT. O elo entre trabalho e vida social, é determinante para uma boa qualidade de vida e bem-estar laboral, sendo a satisfação o maior descritor de autoestima e motivação do trabalhador.
CONCLUSÃO: A qualidade de vida é um conceito pessoal, mas que sofre interferência do meio, das condições ambientais,
sociais e econômicas que o indivíduo vive. Assim, somente o indivíduo é que pode atestar a sua qualidade de vida no trabalho, de acordo com seu enfoque. Os docentes de enfermagem podem ser vistos como uma população de risco para desenvolvimento de estresse no trabalho o que interfere diretamente em sua qualidade de vida. Algumas medidas de controle para o aumento da qualidade de vida no trabalho seriam: a implementação de jornada de trabalho reduzidas e bem distribuídas, maior compensação financeira, redução da hierarquização no trabalho, adequar as necessidades de trabalho as condições pessoais, estimular a participação de grupos de estudos e pesquisa para a melhoria da saúde do trabalhador. Como também, deve-se contar com a participação dos docentes nas decisões sobre o processo de trabalho que desenvolvem e na adequação do ambiente de trabalho.
REFERÊNCIAS:
CHIAVENATO, I. Gestão De Pessoas. Rio De Janeiro: Elsevier, 2008.;
FERREIRA, M. C. Qualidade de Vida no Trabalho: uma abordagem centrada no olhar dos trabalhadores. Brasília: paralelo 15, 2ªedição. Revista Ampliada, 2012.;
LIPP, M. E. N. O Stress do Professor. Campinas: Papirus, 2002.;
PEREIRA, O. A. V. Qualidade de vida no trabalho de docentes universitários de uma instituição pública de e outra privada do leste de Minas Gerais. Dissertação de mestrado. Centro Universitário de Caratinga- UNEC: Mestrado em meio ambiente e sustentabilidade; 2006.;
ROCHA, S.S.L., FELLI, V.E.A. Qualidade de vida no trabalho docente em enfermagem. Rev Latino-am Enfermagem 2004 janeiro-fevereiro; 12(1):28-35.;