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LOPES, Adriano de Sousa Leiria, 1879 – Lisboa,

No documento Dicionário (páginas 181-184)

Foi um pintor e água -fortista português, natu- ral de Leiria. Estudou na Escola de Belas -Artes de Lisboa e em Paris (Fig. 1). Explorou diversas técnicas (desenho, pintura, gravura a água -forte e pintura a fresco) em temáticas históricas e literárias, paisagem e retrato. Detentor de uma cultura artística invulgar, adquirida em visitas a museus e viagens pela Europa, norte de Áfri- ca e Estados Unidos, constituiu uma identidade artística própria, filiada no academismo Beaux‑ ‑Arts, influenciada pelo simbolismo, associado a práticas impressionistas e a um forte empenho no estudo da luz e da cor. Destacou -se como pin- tor da Grande Guerra, partindo em 1917 para a frente de batalha como oficial -artista do Corpo Expedicionário Português, compondo centenas de desenhos, aguarelas, pinturas a óleo e uma notável série de 14 gravuras a água -forte que o artista desejava ver compiladas num álbum. Em 1920 casou com Marguerite Gros, de quem pintou os retratos A Blusa Azul e Retrato de Mme.

Sousa Lopes, onde explorou um modernismo “equilibrado”. A 8 de abril de 1929 assumiu, ofi- cialmente, a direção do Museu Nacional de Arte Contemporânea (atualmente designado MNAC- -Museu do Chiado) por indicação do amigo, e então diretor, Columbano Bordalo Pinheiro (1857 -1929). Poucos meses depois de tomar posse como diretor, proferiu uma relevante conferência num almoço do Rotary Club de Lis‑ boa (Hotel Avenida Palace), onde expôs o seu pensamento acerca das correntes artísticas do seu tempo (Sousa Lopes, 1929). Nesse período, dedicou -se ao estudo de soluções museológicas adotadas noutros museus da Europa e Estados Unidos na expetativa de ver criado um novo edifício para o MNAC, “provisoriamente” ins- talado, desde a sua criação (em 1911), no con- vento de São Francisco. Em 1935, Sousa Lopes, Cottinelli Telmo (1897 -1948) e Teófilo Leal de Faria (1888 -1952) desenvolveram um Programa de Anteprojeto para o novo museu, ainda sem localização destinada, inspirado em propostas e experiências de museus internacionais, defen- dendo um projeto arquitetónico moderno e a exposição de escultura ao ar livre (Sousa Lopes, 1935). Face ao sucessivo abandono dos pro- jetos de construção de um novo museu, Sousa Lopes promoveu melhoramentos no existente, ampliando as suas salas de exposição. O MNAC passou, então, a dispor de seis salas de Pintura, uma sala de Escultura e duas salas mais peque- nas (de Aguarela e Pastel). Em 1943, alterou a entrada que “passou a fazer -se pela rua Serpa Pinto, por intermédio de um alegre pátio ajar- dinado, onde se dispuseram algumas escultu- ras ao ar -livre” (Cristino da Silva, 1943). A 6 de novembro de 1930, inaugurou a Sala Columba- no, no antigo espaço do atelier do Pintor (O Sécu‑ lo, 1930) e, em 28 de julho de 1938, a Sala dos Modernos (Fig. 3). Esta sala integrava peças de 40 pintores e escultores portugueses das novas gerações e esculturas francesas, adquiridas por Sousa Lopes em 1930 (O Século, 1938). O impac- FIG. 1 Fotografia de Adriano de Sousa Lopes e Guitte

Sousa Lopes no Sul de França, s.d. Autor desconhecido. Coleção Herdeiros de Sousa Lopes

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do Museu que as novas gerações exigiam e que a “Política do Espírito” de António Ferro favoreceu (Silva, 1994). O Museu deve -lhe, igualmente, a aquisição de obras emblemáticas da pintura por- tuguesa do século XIX, como Os Pretos de Serpa Pinto, de Miguel Ângelo Lupi, A Volta do Mercado, de Silva Porto, entre outras obras de Malhoa e de Columbano e esculturas de Soares dos Reis e de Teixeira Lopes. Integrou, ainda, obras de refe- rência de artistas estrangeiros, com destaque para o grupo de esculturas francesas, onde se inclui a célebre obra de Rodin, A Idade do Bronze. Os últimos anos da sua direção corresponderam a um maior desinteresse na sua participação no museu, não só por ver abandonados os sucessi- vos projetos de criação de um novo edifício, mas também por motivos de saúde e porque no plano artístico entregara -se à encomenda dos frescos para o edifício da Assembleia Nacional (atual Assembleia da República), tarefa exigente e que deixaria por terminar. Faleceu a 21 de abril de 1944. Parte do vasto conjunto da sua obra artís- tica pode hoje ser apreciado no Museu Militar de Lisboa, onde se expõem as pinturas monu- mentais da Grande Guerra, com destaque para A Rendição; no MNAC -Museu do Chiado, onde se encontram as inúmeras pinturas marítimas que to da abertura deste núcleo repercutiu -se no

futuro alargamento da coleção, com a aquisição, já no princípio da década de 1940, de obras de Almada Negreiros e duas pinturas de Amadeo de Souza -Cardoso. Nesta aproximação aos “moder- nos”, após a “Exposição de Arte Portuguesa” no Museu Jeu de Paume (Paris), em 1931 (Fig. 2), organizada por Sousa Lopes e José de Figuei- redo, o diretor do MNAC pretendia levar a Paris uma exposição de “artistas vivos” portugueses, mas a proposta não teve seguimento (Diário de Lisboa, 1931). O seu maior legado para o MNAC foi, sem dúvida, o alargamento da coleção, adquirindo um total aproximado de 600 peças, onde se incluem obras de artistas modernos que viriam a alcançar relevância na arte portugue- sa da primeira metade do século XX, como os pintores Eduardo Viana, Carlos Botelho, Bernar- do Marques, António Soares, Emmerico Nunes, Dórdio Gomes, Mily Possoz e Sarah Afonso, e escultores como Canto da Maia, Diogo de Mace- do, Francisco Franco e Leopoldo de Almeida. A política de incorporações de Sousa Lopes refle- tiu, necessariamente, as suas opções estéticas enquanto artista, privilegiando sempre a pin- tura figurativa e de paisagem, afastando -se das propostas de vanguarda. Sem entrar em rutura com a orientação traçada por Columbano, abriu caminho à necessária e indispensável abertura

FIG. 3 Aspeto parcial da Sala dos Modenos. Imagem reproduzida em Diário de Notícias, 29 julho de 1938, acompanhando o artigo “No Museu Nacional de Arte Contemporânea foi inaugurada uma nova sala: quarenta telas de artistas portugueses expostas em conjunto”. FIG. 2 Museu Jeu de Paume (Paris), Exposição de Arte

Portuguesa, 1931. Coleção Herdeiros de Sousa Lopes

Dicionário Quem é Quem na Museologia Portuguesa LOPES, Adriano de Sousa

SILVEIRA, Carlos. Silveira, Maria de Aires et al. 2015. Adriano de Sousa Lopes (1879 ‑1944), Efeitos de Luz. Lisboa: MNAC -MC/INCM [Catálogo de Exposição comissariada por Carlos Silveira e Maria de Aires Silveira].

SILVEIRA, Carlos et al. 2010. Arte Portuguesa do Século XIX: 1850 ‑1910. Lisboa: MNAC -MC/ Leya.

[F.P.]

FELISA PÉREZ (n. 1982) é licenciada em História e mestre em

Museologia pela FCSH ‑UNL, com a dissertação de mestrado

Adriano de Sousa Lopes, diretor do MNAC ‑Museu do Chiado: entre a continuidade e a mudança. Foi bolseira do Programa Inov ‑Art

no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro (2010 ‑2011) e da Fundação Endesa no Museo Lázaro Galdiano, em Madrid (2009 ‑2010). Em Portugal, foi colaboradora dos Serviços Edu‑ cativos do Museu Nacional dos Coches, do Museu do Orien‑ te e do Castelo de São Jorge. Em 2012, foi responsável pela coordenação do programa educativo da exposição O Brasil na

Arte Popular (Lisboa, Espaço Brasil, LX ‑Factory). Entre 2012 e

2014, foi coordenadora cultural do Edge Arts, em Lisboa, onde comissariou e produziu diversas exposições e projetos. Entre 2015 e 2016, trabalhou com a artista Joana Vasconcelos. Em 2017, criou a COOLture Tours – empresa com a qual se dedi‑ ca ao desenvolvimento de visitas e atividades inovadoras em museus, palácios e lugares de interesse cultural do País.

realizou e alguns dos seus melhores retratos, como A Blusa Azul, no CAM -Fundação Calous- te Gulbenkian, entre outras coleções públicas e privadas.

BIBLIOGRAFIA

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MACEDO, Diogo. 1945. I Catálogo ‑Guia do Museu Nacional de Arte Contemporânea. Lisboa: MNAC.

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O Século, 1938. “No Museu de Arte Contemporânea foi ontem inaugurada a sala dos artistas “futuristas”. Lis- boa: 29 junho 1938.

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LOPES, António Teixeira

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