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MACEDO, Diogo de Vila Nova de Gaia, 1889 – Lisboa,

No documento Dicionário (páginas 191-194)

Diogo de Macedo é uma figura incontornável da História da Arte e da Museologia em Portugal, da primeira metade do século XX, como escultor, crí- tico de arte, historiador e diretor do Museu Nacio- nal de Arte Contemporânea (MNAC) (Fig. 1).

Estudante na Escola de Belas -Artes do Porto e com o curso de escultura concluído em 1911, Diogo de Macedo decide partir para Paris, no outono desse ano, para aí completar os seus estudos, instalando -se num dos ateliês da Cité Falguière, em Montparnasse, cidade em que per- manece até ao ano de 1914, ano do regresso tem- porário a Portugal. Regressará à capital francesa entre 1921 e 1926, data do regresso definitivo a Lisboa. É exatamente durante este período que Diogo de Macedo realiza as suas exposições indi- viduais, iniciadas em 1913, na cidade do Porto, e com realizações em 1916 (Porto e Lisboa), 1918 (Porto), 1924 (Porto) e 1928 (Lisboa). Durante a sua atividade de escultor e crítico, Macedo par- ticipa ainda em muitas das exposições coletivas de referência da história da arte portuguesa das primeiras décadas de Novecentos, entre as quais se destacam a “Exposição dos Humoristas ou dos Modernistas” (Salão do Jardim Passos Manuel, Porto, 1915), “Cinco Independentes” (SNBA, 1923), I e “II Salão de Outono” (SNBA, 1925 e 1926), “I” e II Salão dos Independentes (SNBA, 1930 e 1931) e “I” e “II Salão de Inverno” (SNBA, 1932 e 1933) ou a “Exposição Colonial Internacional” (Vincennes, 1931). Da sua atividade de escultor, Macedo assi- na obras como Camilo (1913), L’Adieu ou Le Pardon (1920), Torso de Mulher (1922), Antero de Quental (1929) ou encomendas oficias com obras para

as fachadas do Teatro de S. João (Porto, 1915) e Museu Nacional de Arte Antiga (Lisboa, 1939) e para a Fonte Monumental (Lisboa, 1940).

Contudo, em 1941, Macedo abandona volunta- riamente a escultura, dedicando -se em exclusivo ao estudo e reflexão sobre arte e, preferencial- mente, sobre a arte portuguesa.

Com efeito, o percurso profissional de Diogo de Macedo, para além do trabalho escultórico, compreende ainda uma vasta obra escrita, ativi- dade que mantém com regularidade até ao fim da vida, com a publicação de diversas monogra- fias sobre arte e uma contínua participação em periódicos, entre os quais se destacam as colabo- rações em O Diabo (de 1934 a 1938) e na rubrica mensal “Notas de Arte” da revista Ocidente (de 1938 a 1959). Somam -se ainda colaborações pontuais no Diário de Lisboa (de 1922 a 1944), na Seara Nova (1930), na Ilustração (1932; 1938; 1939) ou no Mundo Literário (1946). Os estudos de Macedo sobre a arte portuguesa dos séculos XIX e XX revelam -se, no decurso da historiogra- fia portuguesa, de significativa importância para a periodização histórica das artes plásticas desse mesmo período.

Em 1944, já com um percurso profissional fir- mado e com um consolidado percurso institucio- nal – membro efetivo do Conselho Superior de Belas -Artes (desde 1932), da Junta Nacional da Educação (desde 1936) e da Academia Nacional de Belas -Artes (desde 1938) – Diogo de Mace- do é convidado para diretor do Museu Nacional de Arte Contemporânea (MNAC), sucedendo, no cargo, ao pintor Sousa Lopes (1879 -1944). A sua nomeação oficial data de 1 de julho de 1944 e o programa prioritário do novo diretor rege -se pela ambição de tornar um lugar “melancólico, num museu vivaz, próspero, moderno, agitado, digno do nosso tempo e da nossa terra” (“Museu de Arte Contemporânea. Tomou posse o novo…”, 1944), ainda que defenda o projeto – no qual se empenhou e para o qual recebeu apoio institu- cional durante estes primeiros anos da sua dire-

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empírica de quadros. Procedeu -se a uma grande simplificação exposicional.” (“Diogo de Macedo, novo director do Museu…”, 1944)

Para além desta reformulação do espaço expo- sitivo, Macedo produz o primeiro catálogo da coleção de arte, editado para a reabertura do MNAC, – resultante de uma metódica inven- tariação, reunindo tanto as obras existentes no museu como os empréstimos e depósitos inte- grados noutras instituições nacionais –, e mais duas séries de monografias, a Museum (iniciada em 1945) e a Cadernos de Arte (iniciada em 1951), ambas com estudos sobre artistas e obras reuni- das no acervo do MNAC.

Estes projetos editorias inserem -se no propó- sito programático de divulgação pública da insti- tuição e do seu acervo, numa ambiciosa intenção de aumentar o número de visitantes do museu e ampliar a visibilidade da instituição. A par destas ção – de transferência do MNAC para um novo

edifício, livre dos constrangimentos arquite- tónicos e funcionais do secular Convento de S. Francisco.

Aí desenvolve importantes obras de requa- lificação do espaço expositivo, nas quais se inclui a entrada independente pela rua Serpa Pinto – fechando o anterior acesso pela Escola de Belas -Artes – e a criação do jardim das escultu- ras onde num espaço arborizado se reúnem algu- mas obras referenciais da escultura portuguesa dos séculos XIX e XX. Este novo espaço é trans- formado igualmente em área de acolhimento do visitante que, percorrendo esta zona ao ar -livre, acede, por uma escadaria, ao primeiro piso e ao patamar de entrada nas salas do MNAC.

Para além da alteração do acesso ao edifício do museu, Macedo redefine o circuito de visita, alargando para oito o número total de salas visi- táveis, e introduz importantes inovações progra- máticas na organização expositiva: mantém o anterior arranjo de disposição temática e mono- gráfica das salas mas altera a disposição das obras expostas, com novas leituras críticas resul- tantes da sua investigação histórica sobre a arte portuguesa, reduz o número de obras por núcleo expositivo e reserva duas salas para organização de exposições temporárias, com apresentação ou de obras da coleção, sujeitas a novas leituras interpretativas, ou de exemplares de acervos de outros museus nacionais.

Estas obras de requalificação do MNAC, soli- citadas quando assumiu a direção do museu, forçaram ao encerramento do espaço durante oito meses e proporcionaram a realização de uma cerimónia de reabertura da instituição, com a presença de altas individualidades e de figuras referenciais do meio cultural e artístico, amplamente noticiada, evidenciando -se a nova organização do espaço interior do museu como “Oito salas amplas, arejadas, com as obras de arte defendidas num prolongamento de perspec- tivas que só as valoriza. Terminou a acumulação

FIG. 1 Diogo de Macedo discursando. Fonte: Rego (s.d.), Sem Título, CasaComum.org, Disponível HTTP: http://www.casacomum.org/cc/ visualizador?pasta=04651.000.010 (2017 ‑10 ‑26). Autor: Rego

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ISABEL FALCÃO Coordenação científica e membro da equi‑

pa de investigação do projeto História das Exposições de Arte da Fundação Calouste Gulbenkian – Catálogo Digital, parceria entre o Instituto de História da Arte da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas/NOVA e a Fundação Calouste Gulbenkian. Doutoranda em História da Arte, especialidade em Museo‑ logia e Património Artístico na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa  –  bolseira FCT (Fundação para a Ciência e Tecnologia) e membro do Instituto de História da Arte (IHA – FCSH/NOVA): linha de investigação Museum Studies. Pós ‑graduação em Museologia pela Facul‑ dade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa (FCSH/NOVA, 2008). Mestrado em História da Arte Contemporânea, Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa (FCSH/NOVA, 1997). Licenciatura em História – variante História da Arte, Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa (FCSH/ NOVA, 1988).

iniciativas, Diogo de Macedo desenvolveu igual- mente, durante a sua direção – que assegurou até ao ano da sua morte –, uma significativa política de incorporações de obras, tentando preencher lacunas da coleção referentes à arte do sécu- lo XIX, como é disso exemplo o processo para a aquisição do retrato de Columbano, O Grupo do Leão, em 1953, ou integrando obras de autores contemporâneos, como Maria Helena Vieira da Silva (1908 -1992), Júlio Resende (1917), Vespei- ra (1925 -2002) ou Júlio Pomar (1926).

Diogo de Macedo delineou um projeto para o museu, cuja renovação poderia, na sua opinião, ser assegurada pelo seu colaborador próximo, e conservador do MNAC, Carlos de Azevedo (1918- -1995). Assegurava -se, assim, a renovação gera- cional necessária à instituição, empreendida por um profissional de reconhecido mérito.

No entanto, esta nomeação não veio a concretizar -se por razões ideológicas, sendo designado para o cargo, após a morte de Macedo em 1959, o pintor Eduardo Malta (1900 -1967). Uma decisão fortemente contestada por artistas e críticos de arte, pelo perfil polémico e pendor reacionário, preconizado pelo então indigitado diretor do MNAC.

BIBLIOGRAFIA

“Museu de Arte Contemporânea. Tomou posse o novo director Diogo de Macedo”. Diário de Notícias, ano 80.º, n.º 28.156, Lisboa: 2 de julho de 1944, 1 e 5.

“Diogo de Macedo, novo director do Museu de Arte Moder- na fala -nos dos seus projectos”. Diário Popular, ano III, n.º 916, Lisboa: 14 de abril de 1944, 4.

MATOS, Lúcia Almeida. 2008. “Diogo de Macedo e a importância da experiência parisiense na sua actividade de artista, critico e museólogo”. Los escultores de la escuela de París y sus museos en España y Portugal, Jesús Pedro Lorente; Sofia Sánchez (eds.), Teruel, 37 -50.

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MACEDO, Manuel de

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