Objetivos Específicos
86 CAMINHOS PARA A SUSTENTABILIDADE
de acesso à informação, participação e justiça consagradas no 10º princípio e nas disposições da participação pública da Agenda 21.
Dez anos após a CNUMAD, na Cimeira de Joanesburgo, em 2002, foi reforçada a importância da participação pública com o lançamento das parcerias “Tipo 2” que reforçam a importância das colaborações entre organizações não-governamentais (ONGs), governos e organizações internacionais. A Iniciativa de Acesso (TAI, em inglês) lançou um desses acordos "Tipo 2", a designada Parceria para o Princípio 10 (PP10)6 que apoia e promove o parágrafo 119 do Plano de Implementação da Cimeira de Joanesburgo e o décimo Princípio da Declaração do Rio de 1992. Em 2003, novos acordos internacionais para a Europa e Eurásia introduziram diferenças significativas para o ambiente e para a democracia, face ao reconhecimento de que a participação pública “muitas vezes chega tarde demais ou simplesmente não chega” (Kravchenko, 2003: 6) nos processos de tomada de decisão. O Protocolo relativo à Avaliação Ambiental Estratégica (“SEA protocol”, em inglês), assinado em maio de 2003, na Ucrânia, “procurou reforçar a necessidade de considerar os aspetos ambientais nas decisões políticas (U) e de integrar as boas práticas de participação pública nas decisões mais importantes tomadas por governos e autoridades públicas”. A “Avaliação Ambiental Estratégica" constitui-se “como um processo de avaliação dos efeitos ambientais (incluindo a saúde) durante a elaboração de políticas, planos, programas e legislação (incluindo regulamentos de execução) ” pelo que esta deve ser “precoce, ao mais alto nível, abrangente e participativa” (idem, ibidem). O objetivo da Avaliação Ambiental Estratégica é a de “considerar os fatores ambientais e de saúde ao lado de questões sociais, económicas, entre outras, nas decisões estratégicas” (idem, 9). Neste âmbito, a assinatura deste instrumento legal, por parte dos países, potencia a participação pública nas tomadas de decisão, pois reforça a conceção de que as decisões políticas afetam o cidadão comum e, como tal, este não pode ser alheado ou negligenciado, em nenhum momento, em algo que lhe diz diretamente respeito.
À escala comunitária, e no mesmo sentido, o preâmbulo da Diretiva 2003/4/CE, de 28 de janeiro, relativa ao acesso à informação sobre ambiente, reconhece que “Um maior acesso do público às informações sobre ambiente e a sua divulgação contribuem para uma maior sensibilização dos cidadãos em matéria de ambiente, para uma livre troca de opiniões e para uma participação mais efetiva do público no processo de decisão em matéria de ambiente (...)”.
Atualmente, o envolvimento da comunidade é considerado como parte integrante de boas práticas em círculos políticos. Todavia, e como refere Marinetto (2003: 2) “a ideia de consultar e de envolver ativamente os cidadãos não foi, até recentemente, uma prática comum em maduras democracias industrializadas” pelo que se observa um “esforço de políticos e formuladores de políticas para exaltar as virtudes do envolvimento da comunidade”. Acrescem Holmes e Scoones (2000: 7) que mesmo essa participação se “restringia às elites sociais, sendo que existe a
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perceção que os cidadãos comuns, particularmente aqueles que fazem parte de grupos marginalizados, são raramente proeminentes nos processos de decisão de políticas ambientais”. Todavia, como reconhecem os mesmos autores, se as políticas ambientais são, em larga medida, dominadas por decisores pertencentes a grupos de elite, também se confirma que existe um crescente reconhecimento, tanto nos países industrializados do “norte” como nos países em desenvolvimento do “sul” e que as “não elites podem e devem ter um importante papel interventivo na forma de promover políticas ambientais” (idem, ibidem), até porque os cidadãos comuns podem condicionar as políticas ambientais, nomeadamente, através de 4 maneiras distintas. Uma, através de formas dissimuladas e subtis de resistência, onde manifestam a “voz” de revolta do seu descontentamento, através de boatos, contos e anedotas (ver Scott, 1990). Uma segunda via é através de ações de grupo baseadas em sindicatos, organizações não-governamentais ou movimentos sociais. Estes grupos e organizações podem influenciar políticas ambientais através de ações diretas, como protestos e batalhas jurídicas travadas nos tribunais. Uma terceira alternativa é pelos meios políticos, através de formas representativas e eleições ou através de ações revolucionárias e de confronto (ver Moore & Putzel, 1999; Rippe & Schaber, 1999). Uma das formas mais recentes dos cidadãos comuns influenciarem as políticas ambientais decorre do papel das instituições políticas locais. Neste âmbito, a participação pública ganha uma nova dinâmica com a prática do poder local em incluir, nos processos de decisão, a participação dos cidadãos e, neste contexto, a A21L configura-se como um instrumento imprescindível para fomentar esses mesmos níveis. No entanto, não se julgue que mesmo o trabalho do poder local em fomentar a participação dos cidadãos em processos de desenvolvimento local não sofre influências do próprio poder estatal. Como sublinha Marinetto (2003: 117-118), “a história recente da cidadania ativa mostra que o governo central não é uma força impotente em questões sociais de maior importância”. Na verdade, o governo tem desempenhado um papel essencial na intervenção política crescente de cidadania ativa, fazendo com que a capacidade local dependa amplamente do apoio do governo. Desta forma, nota-se que “o ônus colocado sobre a cidadania ativa não foi necessariamente acompanhada de uma transferência substancial do poder executivo do centro para a localidade (U) pelo que, para os governos, a ideia de uma cidadania ativa é essencialmente importante devido ao papel que desempenha na retórica política e em cálculos estratégicos” (U), concluindo-se que o surgimento de um verdadeiro governo centrado no cidadão, um tipo moderno de Ekklesia, ainda está longe de ser concretizada” (idem, ibidem).
Neste quadro, importa criar condições para que o cidadão se sinta apto a intervir. Neste âmbito, e decorrente de estudos elaborados7, foram retidos elementos-chave de cada um dos três princípios (acesso à informação, participação na tomada de decisões e acesso à justiça ambiental), que
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Metodologia aplicada pela TAI em projetos-piloto que avaliam a evolução da implementação do 10º princípio, consagrado na Declaração do Rio, em nove países: Chile, Hungria, Índia, Indonésia, México, África do Sul, Tailândia, Uganda e Estados Unidos.