Objetivos Específicos
108 CAMINHOS PARA A SUSTENTABILIDADE
sua importância neste processo. Neste sentido, as iniciativas que incluam debates, notícias em jornais, promoção de atividades de educação, visitas guiadas, entre outras, são cruciais para a institucionalização do processo da Agenda 21 Local.
Criação de Parcerias – Com diversas instituições é um dos momentos mais sensíveis e decisivos de todos estes processos. Nesta fase, procura-se desenvolver o máximo de parcerias com os diversos atores locais, desde associações sem fins lucrativos até entidades governamentais. A participação de associações (ambientais, culturais, de moradores) e instituições ligadas às mais diversas áreas são os alicerces para o êxito de qualquer Agenda. A cada entidade será atribuída uma determinada função, de acordo com a sua área de competência, sendo a participação de cada entidade uma mais-valia no decorrer de um processo de A21L. O 3º parágrafo, do capítulo 28 do documento da A21, evidencia essa proposta de atuação, em que a construção de parcerias entre as autoridades e os demais setores da sociedade é de extrema vitalidade no funcionamento de uma Agenda 21L: “Cada autoridade local deve iniciar um diálogo com os seus cidadãos, organizações e empresas privadas e aprovar uma Agenda 21 Local. Por meio de consultas e da promoção de consensos, as autoridades locais ouvirão os cidadãos e as organizações cívicas, comunitárias, empresariais e industriais obtendo, assim, as informações necessárias para formular as melhores estratégias. O processo de consultas aumentará a consciência das famílias em relação às questões do desenvolvimento sustentável” (UNCED, 1992b, Parágrafo 3).
Visão de futuro – passa pela construção de uma “visão” que objetiva um sentimento de futuro, com metas que a comunidade anseia alcançar. Esta visão que culmina no delinear de objetivos nas mais variadas esferas da vida comunitária, como no plano da economia, emprego, ambiente, qualidade de vida, cultura, desporto, entre outras, requer à priori um amplo debate e discussão com todos os atores sociais, de forma a enriquecer e garantir que as prioridades, metas e objetivos que surgem sejam os mais próximos das necessidades reais da população.
Essa “visão” precisa incorporar as aspirações da comunidade para o futuro, no tocante à saúde, à qualidade de vida, ao meio ambiente, ao rumo do desenvolvimento económico, entre outras. O objetivo dessas escolhas é o de propiciar que tal visão de futuro passe a guiar a comunidade, no sentido de que o seu trabalho atinja os alvos delineados. As ações e projetos específicos poderão ser definidos numa etapa posterior (MMA, 2003: 47).
Análise das questões-chave – Após conhecer os problemas, onde ocorrem, porque ocorrem e a quem é que afetam, é imprescindível conciliar o máximo dos saberes para intervir localmente em cada uma dessas áreas. Nesta etapa, o empenho de todos é indispensável como garantia de conhecimentos e formação específica capaz de fazer face às dificuldades com que a população se depara. Só assim se podem formar equipas locais de intervenção que, com os seus saberes, operem eficazmente em torno das questões ou áreas prioritárias a tratar. Não são raras
as vezes que peritos externos são consultados, pela comunidade local, para colaborar na resolução de problemas de mais difícil resolução.
Plano de Ação – Este Plano é o resultado de todo o trabalho anteriormente desenvolvido, ficando a sua elaboração a cargo da Câmara Municipal, do Fórum e de parceiros a definir. O Plano não é mais do que o produto da Agenda 21 Local, sintetizando todos os objetivos delineados, metas a atingir, metodologia a empregar, ações a desenvolver, meios disponíveis e entidades responsáveis. Na prática é o transcrever para um documento (designado Plano de Ação) todo um trabalho que, de forma consensual, foi decidido fazer pela comunidade local.
Implementação – O Plano de Ação é crucial para o sucesso do mesmo. A sua não implementação resultaria numa frustração que simbolizava o fracasso de todo o esforço desenvolvido pela comunidade e objetivamente significaria que a execução da Agenda 21 Local era abortada, sem que algo tivesse sido feito na prática. Acresce que a implementação de uma A21L não se circunscreve a um único acontecimento, documento ou atividade, mas trata-se de um processo contínuo, onde a “comunidade aprende sobre suas deficiências e identifica suas potencialidades e recursos; dessa forma estará apta a fazer as escolhas que vão torná-la uma comunidade sustentável” (MMA, 2003: 32).
Monitorização – funciona como um instrumento que recai sobre a análise a indicadores de progresso. Os indicadores de progresso devem ser previamente definidos, consensualmente aceites e estatisticamente mensuráveis. Só assim é possível controlar o processo de execução e compreender se as metas e objetivos definidos no Plano de Ação estão a desenvolver-se de acordo com o programado. Para tal, estes indicadores do progresso são uma ferramenta valiosa para os especialistas, população e parceiros do projeto averiguarem se existem falhas ou desvios na execução dos trabalhos e assim poderem, caso necessário, corrigir os eventuais desvios ou mesmo alterar e definir novas decisões.
Avaliação - a avaliação de uma Agenda 21 Local ultrapassa a mera avaliação física e mensurável dos objetivos e metas alcançados. O sucesso da A21L revê-se, e muito, no espírito deste instrumento em permanecer no seio da comunidade local. O identificar dos problemas pela população, a sensibilização e a consciencialização públicas para os mesmos, o empenhamento dos cidadãos para a sua resolução, a participação ativa de todos no caminho para o desenvolvimento sustentável é a chave para o sucesso de qualquer Agenda 21 Local.
As fases deste modelo de implementação são, grosso modo, as identificadas por Farinha (2007) e por Guerra et al., (2004b), como sendo as linhas mestras subjacentes à metodologia adotada no desenvolvimento de processos de A21L.